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O AMANH� � ETERNO (1946)
Tradu��o e legendas: mawricio58
- Sr. Lawrence. - Obrigado, Ambrose.
Devo dizer, Sr. Lawrence.
� o vinho do seu av�.
Entrem, entrem.
N�o � sempre que se v� o fim de uma guerra.
Cavalheiros
e damas!
Desculpem por omiti-las,
mas antigamente voc�s decoravam a casa, n�o o escrit�rio.
Gostaria de propor um brinde.
� a terceira guerra que a fam�lia Hamilton ajudou a vencer.
A terceira vez em nossa hist�ria.
Eles est�o brindando.
produ��o em tempo de guerra.
1860, 1898, 1917.
Lincoln, McKinley, Wilson.
Tr�s comandantes-em-chefe.
Servimos ao nosso pa�s fazendo o melhor poss�vel.
Agora vamos brindar pela paz.
Paz e prosperidade para todos os homens
em todos os lugares.
Meu filho e eu decretamos o resto do dia, feriado.
Sra. MacDonald, voc� parece estar muita calma.
N�o estou calma.
Estou ansiosa, mal respiro.
- � mesmo? - Meu marido vai voltar.
Da Fran�a? Quando ele foi?
Em agosto, mas parecem anos.
Ele teve sorte.
Eu tentei, mas me ordenaram que voltasse ao trabalho.
Talvez seja mais importante.
Mas nunca me sentirei bem com isso.
Sou solteiro, sem la�os, nada me prende aqui.
Mesmo que tivesse, voc� ainda gostaria de ir.
Como John, se ele fosse for�ado a ficar
nada o teria feito sentir bem.
- Nem mesmo voc�? - Nem mesmo eu e eu tentei.
Onde foram todos?
Meu pai decretou feriado, n�o ouviu?
Receio que n�o.
O que a Sra. MacDonald faz aqui?
- Estenografia? - N�o, trabalha na biblioteca.
E � muito eficiente.
- Seu marido est� na Europa. - Eu sei.
Um homem de sorte.
GOSTAR�AMOS DE INFORM�-LA QUE JOHN MACDONALD
FOI DECLARADO OFICIALMENTE MORTO EM A��O
EM 5 DE NOVEMBRO DE 1918.
Elizabeth.
Elizabeth. Tenho uma surpresa para voc�.
Fique a�, eu j� volto.
O que �?
- Eu vou entrar! - N�o vai!
Fique onde est�.
Mas n�o � justo. Diga-me que tipo de surpresa.
Um terno novo. Comprei sozinho, sem voc�.
Ent�o j� n�o � mais um menino.
- Voc� est� perto da porta? - Encostada.
Afaste-se um pouco. � uma roupa incomum.
Precisa de alguma perspectiva.
Se estiver brincando comigo...
L� vou eu, pronta ou n�o.
Ent�o?
Est� me pedindo para dizer algo ou, � tarde demais?
Depende.
Eu n�o espero que voc� mostre muito entusiasmo
sobre outro impulso meu,
mas isso...
Voc� sabe que tenho que ir, n�o �?
N�o sei por qu�. Eu sabia que voc� queria.
Quem queria?
Querida, se eu n�o fizer isso, eles vir�o atr�s de mim.
Gostaria que eles revirassem a casa procurando por mim?
Porque n�o me contou?
Tive medo.
Mas John, seu trabalho. Est� indo t�o bem aqui.
Acontece que eu fiz um bom neg�cio com eles.
Come�o como segundo tenente recebendo como primeiro.
Fez isso por escrito?
- Claro. - Um contrato?
Peguei o ex�rcito com m�os e p�s amarrados.
N�o posso me mover sem sua permiss�o.
Eu sabia que voc� seria mais esperto do que eles.
- O que mais? - Sem combater.
Hora nenhuma?
Ao primeiro gesto de hostilidade inimiga,
eles param tudo e me levam para um lugar seguro.
Vou sentir sua falta.
Sinta, mas n�o tenha medo.
Devo deix�-lo ir, n�o �?
Sim.
Deixe-me am�-la do meu jeito.
Deix�-lo me amar com seu jeito louco.
Prometa que voc� vai voltar.
- Prometo n�o me esquecer. - John.
Eu vou voltar.
Eu prometo.
Eu vou voltar.
Biblioteca.
A Sra. MacDonald j� voltou?
Ela disse que sairia de casa ao meio dia.
Est� demorando.
- Desculpe, estou atrasada. - N�o se sente bem?
Sim, estou bem, obrigada.
Traga �gua, r�pido.
O que foi? O que aconteceu?
� a Sra. MacDonald. Desmaiou.
- Ambrose, traga conhaque. - Sim, Sr. Lawrence.
- Onde ela mora? - Na Rua George.
- Com a fam�lia? - N�o, sozinha.
Pegue o carro e traga-o para a porta.
Sim, senhor.
Cuide dela at� o carro chegar.
O que o m�dico disse?
- Ainda est� l�. - Eu sei.
O que ele disse? Est� muito doente?
Larry, quem � ela?
� a Sra. MacDonald, trabalha no escrit�rio.
Ela vai ter um beb�.
O marido dela morreu na guerra, e ela era muito apaixonada.
Os pr�ximos meses ser�o muito dif�ceis.
Voc� poderia cuidar dela?
Ela n�o pode passar por isso sozinha.
N�o, claro que n�o.
Ela estava t�o feliz pensando que seu marido voltaria.
Agora ele est� morto.
Hospital para prisioneiros de guerra N�mero 54.
"Nome: Desconhecido Tenente americano."
Me d� algo para morrer.
- Sil�ncio. - N�o estou pedindo muito.
Sil�ncio.
Mata-se um cachorro quando ele � atropelado.
Por que n�o me deixa morrer?
Meu rosto est� desfigurado, os m�dicos dizem.
Significa que � um caso perdido. Perdido.
Sim, � o que parece.
- Perdido. - Mas eu n�o concordo.
� dif�cil dizer isso,
talvez eu n�o possa dizer, mas vou tentar.
Para mim, voc� n�o � apenas um homem, � a humanidade.
Se voc� n�o quer viver, tudo bem.
Mas o que eu aprender com voc� ajudar� os homens
que querem viver.
Eu quero morrer.
Morrer.
Elizabeth.
Assinado apenas "Elizabeth".
Ainda se recusa a nos dizer quem � ela?
Essa Elizabeth, � sua esposa?
N�o quer que ela saiba que voc� est� vivo?
Voc� parece n�o entender.
Quando o encontraram no campo de batalha,
voc� tinha apenas essa carta.
Sua placa de identidade n�o foi encontrada.
Se fosse, voc� seria oficialmente declarado morto.
Chama isto de vida?
Se tivesse perdido seus bra�os ou ficado cego,
n�s poder�amos fazer muito por voc�.
A vida ainda pode ser boa.
Eu posso ter olhos, mas n�o tenho rosto.
Amigo, existe a cirurgia pl�stica.
Podemos dar-lhe um rosto.
Mas n�o podemos dar-lhe um nome.
N�o pergunte sobre quem sou e fa�a o que quiser.
Me d� o nome que quiser.
Sabe que sua esposa j� pode ter sido informada
que voc� morreu?
Ela est� chorando por voc�,
chora sua perda.
Ela � jovem, n�o tem filhos,
nada que a ligue a mim.
Nada... s� piedade.
H� muito mais que piedade.
Existe um grande amor e uma grande necessidade.
Enquanto voc� estiver vivo, haver� amor por voc�,
por suas defici�ncias.
Ela gostaria de ser suas m�os, seus p�s,
cada parte ferida de voc�.
Eu s� posso cur�-lo.
Mas ela...
ela pode complet�-lo.
Dr. Ludwig, o que mais pode me prometer?
O uso de um bra�o?
Caminhar com a ajuda de muletas?
E por esse peda�o de vida,
destruir toda minha vida anterior?
Cure o que puder, mas fa�a o que lhe pedi.
Se n�o fizer isso, juro que
acabo com minha vida assim que puder.
N�o me deixou escolha.
Eu devo ajud�-lo a cometer esse erro terr�vel.
Voc� tem um grande amor,
e tudo o que faz � destru�-lo.
Ela est� dormindo.
- Como ela est�? - O doutor n�o est� satisfeito.
Fora!
S�o flores para voc� e o barulho foi desse gato velho.
Larry veio te ver.
- Como est�, Elizabeth? - Estou t�o pregui�osa.
A Srta. Hamilton n�o me deixa fazer nada.
Bobagem. Faz companhia para uma velha solteirona.
Este pacote chegou ontem.
Obrigada.
Posso ajudar?
O que foi?
Que estupidez, era algo �bvio.
N�o. Deixe.
Eu quero ver.
Tenente John A. MacDonald.
- O "A" � de Andrew. - � um nome escoc�s.
O pai dele nasceu na Esc�cia.
Uma vez fomos a uma festa e o convenci a usar um kilt.
Ele odiou.
Mas ele ficou t�o bonito.
Dei-lhe isso na noite anterior a sua partida.
Passamos uma semana juntos em Nova York.
Era agosto, e todos os parques estavam floridos.
Nos sentamos e ficamos olhando as luzes da cidade,
planejando o futuro.
Agora n�o h� mais futuro.
H� sim.
N�o para o John.
O filho de um homem � o futuro dele.
Isso � o que me assusta.
Se algo acontecer...
n�o ser� apenas outro beb� que nasceu.
� John. A extens�o de John.
Se eu perder o beb�,
seria como se John morresse novamente.
Essa � a parte que eu mais gosto,
trazer o beb� para o pai pela primeira vez.
N�o � um lindo garoto?
Larry, voc� est� mimando ele.
Tome, jovem.
Ele n�o tem boas maneiras gra�as a voc�.
� s� um brinquedo. Eu queria dar-lhe um cachorrinho.
N�o! Fico feliz por n�o ter feito isso.
N�o sei o que farei quando voltarmos para casa.
- Para casa? - N�o podemos ficar aqui indefinidamente.
Bem, eu tive uma ideia sobre isso.
- Uma ideia? - Sim.
Acho que voc� deveria vender sua casa.
Acho que voc� n�o deveria voltar para l�.
Sei o que ela significou para voc�.
Eu admito que sinto medo. Estou sendo covarde?
N�o, n�o acho.
Olha, Elizabeth, tenho uma casa perfeita para voc�,
um tipo diferente de casa.
Para vender ou alugar?
Bem, � uma casa antiga,
com salas amplas e tetos altos.
� uma casa feliz.
Tem um lindo jardim,
e fica � margem do rio.
Seria um bom lugar para criar esse garoto.
Larry, � a sua casa.
� sua. Se voc� quiser.
N�o vou fingir que n�o sabia que voc� diria isso.
At� tentei encontrar uma resposta em minha mente.
Veja, Larry, no ano em que John e eu estivemos casados,
fui incrivelmente feliz.
Se ele tivesse sobrevivido seria diferente,
mas ele n�o sobreviveu e vou sempre me lembrar disso.
Se as coisas tivessem sido diferentes,
voc� poderia ser outra mulher agora.
E talvez eu n�o te amasse.
Larry, voc� foi t�o bom para mim.
Nem consigo falar sobre isso.
Eu tenho que ser sincera com voc�.
Nunca amarei outra pessoa como amei John.
Voc� ainda n�o disse se quer casar comigo.
- Quero ter certeza... - Nasceu um dente.
- Veja, veja! - Deixe-me ver.
John Andrew, tem mesmo!
O que acha de cham�-lo de Drew?
Drew! Drew!
Drew, seu irm�o est� com problemas.
Venha me ajudar, eu n�o alcan�o!
O leme quebrou.
O que houve? Voc� se atrasou.
- Drew queria jogar golfe. - Nesse calor?
Eu sei, sou um tolo. Ele est� jogando muito bem.
- Ele ganhou? - Claro que n�o.
Ganhei por 2 tacadas.
Pai, podemos jogar softball?
Claro. Voc� tamb�m, Liz.
- N�o, e n�o me chame de Liz. - Vamos, Liz!
- Chega, j� � o suficiente. - Sim, m�e.
Ol�!
J� voltou de Washington?
Vim direto para c�. Espero n�o interromper nada.
� s� o time dos Hamilton.
- Ol�, Sr. Norton. - Boa tarde.
- Entre. - Ol�, crian�as.
L� se vai nosso jogo.
N�o pode evitar. Agora, recolha tudo.
- Brian, vou ajud�-lo com isso. - Com o avi�o tamb�m?
- Duas bebidas, Daniel. - Sim senhor.
Algo errado?
A not�cia que ele trouxe de Washington, n�o � muito boa.
- Para os neg�cios? - Indiretamente.
A Pol�nia ser� invadida a qualquer momento.
N�o acha que...
N�o significa guerra para n�s, n�o �?
Talvez n�o, acho que estou sendo alarmista.
- U�sque e soda? - Obrigado.
- Termina sozinho? - Claro.
Drew. S�o 18 hs, sintonize nas not�cias.
Na �ltima guerra t�nhamos que esperar pelos jornais.
- Esta parece estar mais pr�xima. - Ainda n�o � a guerra.
"� imposs�vel neste momento, evitar a guerra na Europa."
"Est� amanhecendo na Pol�nia. A Alemanha est� pronta."
Faz calor em Washington, n�o?
Meu tio trabalhou na Biblioteca do Congresso.
Ele dizia que at� os livros suavam.
Por favor, m�e, estamos ouvindo.
"Eles s� esperam a ordem."
"A Alemanha entregou as exig�ncias."
Ent�o � isso.
"O prazo � imposs�vel de ser cumprido."
"A Gr�-Bretanha e a Fran�a
apoiar�o a Pol�nia se a Alemanha atacar."
"... o conselho de seis homens para a defesa da p�tria."
"A esperan�a de um acordo pac�fico desapareceu."
Malditos alem�es. n�o h� como det�-los.
Esqueci que voc� era alem�o.
Austr�aco.
N�o tenha medo, � s� um homem falando ao microfone.
Ela se lembra do dia em que os nazistas entraram em Viena.
N�o. E o ingl�s que aprendemos em Londres?
- Londres? - Onde passamos os �ltimos anos.
Ela fala ingl�s muito bem.
- Voc� tamb�m. - Obrigado.
Vamos, Margaret. J� � hora de jantar.
Com a emo��o da chegada, ela n�o se alimentou bem.
Vamos, Margaret. N�s vamos dormir,
e ent�o, pela manh�, vamos acordar
e voc� ver� a Est�tua da Liberdade.
N�o quer perder isso, n�o �?
N�o, sargento.
Papai.
Pa-pai.
Espl�ndido. Sabe, Margaret?
Logo vai falar ingl�s como as meninas da Am�rica.
Aqui est�. Pr�ximo.
Kessler, Eric.
- Este � seu passaporte? - Sim.
Sim, Eric Kessler, qu�mico.
Nascido em Viena.
Aqui est�, e a filha Margaret.
Entra no pa�s como especialista.
Vejo que tem autoriza��o.
- Vai ficar em Nova York? - N�o, vou ficar em Baltimore.
- Baltimore? - H� uma carta com o visto.
Sim, eu sei. J� vi.
Parece que seus pap�is est�o em ordem.
Poderia esperar um minuto, Sr. Kessler?
- Sim. - Obrigado.
- Venha. - Doutor.
- Sim, inspetor? - O que fazemos com ele?
Veja seu exame f�sico de Londres. N�o � nada bom.
Podemos ir agora, papai?
Acho que sim, Margaret.
Ele n�o veio aqui para cavar trincheiras.
- Eu n�o me preocuparia. - Obrigado, doutor.
Sr. Kessler.
Parece estar tudo em ordem.
Aqui est�.
Tome, querida. Pr�ximo.
Eu gosto de Baltimore, papai.
Talvez n�o fiquemos aqui.
Mas voc� disse que faria nossa casa aqui.
Talvez seja melhor sairmos.
Sairemos pelo mesmo motivo que sa�mos de Viena?
N�o, n�o. Nada disso. A Am�rica � um pa�s grande.
Existem outras cidades.
Belas cidades.
Vamos visitar algu�m aqui, papai?
N�o, Margaret. Como v�, ningu�m mora aqui.
� apenas uma casa vazia.
Uma casa antiga.
Ningu�m mora aqui.
Com licen�a.
Voc� sabe por quanto tempo essa casa est� desocupada?
Ningu�m morou nela nos �ltimos 3 anos.
Poderia me dizer de quem era?
Sim, de uma fam�lia italiana.
Spumoni ou Baroni. Eles tiveram muitos filhos.
A casa ficou pequena para eles.
Obrigado.
Vamos embora logo, papai?
Embora?
Voc� disse que talvez f�ssemos embora daqui.
N�o.
N�o penso em ir embora agora, Margaret.
N�o � preciso ir embora.
Kessler.
Quero que veja os planos da Divis�o de Pl�sticos.
Tivemos os melhores arquitetos e engenheiros trabalhando nele
e esses planos n�o podiam ser melhores.
Mas houve diferen�as de opini�o
quanto ao espa�o para os departamentos
e gostaria de saber sua opini�o sobre esses n�meros.
Quero examin�-los bem, antes de dar uma opini�o t�o importante.
Claro.
Sua esposa ao telefone.
Com licen�a.
- Ol�, querida. - Pode me fazer um favor?
Traga para casa 6 kg de sorvete.
6 kg? Daremos uma festa?
Os garotos v�o fazer.
Bem, qual � o sabor?
Vamos ver.
Tr�s de chocolate, um de framboesa e dois de baunilha.
Muito bem, senhora.
Vai demorar? As crian�as querem nadar com voc�.
E estou com saudades.
Bem, j� resolvi. Estou indo.
At� logo.
Gostaria de analis�-los sozinho, se n�o se importar.
Eu esperava que pud�ssemos revis�-los mais tarde.
Talvez �s 17 hs?
N�o, prometi �s crian�as que iria para casa nadar.
- Oh. - Faremos assim.
Trabalhe neles esta tarde,
traga-os para minha casa e fique para jantar.
- N�o quero incomodar. - Bobagem.
Os garotos far�o uma festa, mas n�o v�o nos incomodar.
Haver� uma reuni�o na segunda feira e quero acelerar os planos.
- Mando um carro busc�-lo �s 6:30. - Est� bem.
- Vejo voc� esta noite. - Obrigado.
Querida, convidei uma pessoa para jantar.
- Nosso novo qu�mico. - O da Inglaterra?
- Ele � horrivelmente ingl�s? - Ele � austr�aco.
- Um refugiado? - N�o, um especialista.
Tive sorte em consegui-lo.
Ele me trar� um relat�rio.
� um buffet, um a mais n�o importa.
Ele tem um defeito f�sico.
- Algum acidente? - N�o, a �ltima guerra.
- Era do ex�rcito alem�o? - Austr�aco.
Ambos lutaram contra n�s.
Ele � um homem decente.
- Entre. - Eu atendo, querida.
Como estou, Sra. Hamilton? Boa noite, Sr. Hamilton.
Parece muito bonita, n�o?
Sim, mas n�o fique entusiasmado.
Ela n�o se importa com o que pensamos.
S� est� interessada na opini�o do Drew.
Voc� nunca esteve t�o bonita.
Pare�o adulta?
Esse � o efeito que deseja criar esta noite?
- Uh-huh. - Bem, vamos ver.
Talvez possamos dar um toque a mais.
Sra. Hamilton.
Posso us�-los?
Por que quer parecer adulta? Drew � apenas um garoto.
Ele far� 21 anos no ano que vem e vai poder votar e tudo mais.
Est�vamos falando esta tarde...
Deve ser o nosso convidado.
Coloque os brincos.
Boa noite, Sr. Kessler, � um prazer v�-lo.
Elizabeth, este � o Sr. Kessler.
Como vai? Fico feliz que tenha vindo.
Obrigado.
- Vamos para a sala de jogos. - �timo, vamos.
Vou ver como os jovens est�o.
Fiz algumas anota��es sobre os planos.
Os planos s�o bons, mas eu gostaria de dar minha opini�o.
Veremos isso mais tarde.
Eu n�o quero incomodar seus convidados.
N�o vai incomodar, quero que conhe�a meus filhos.
Sr. Hamilton, h� algo sobre o qual eu quero falar.
N�o sei se poderei ficar em Baltimore.
Est� pensando em nos deixar agora que precisamos de voc�?
� o clima. Minha sa�de n�o est� exatamente como deveria.
N�o ser� exigido demais. Esque�a os neg�cios,
relaxe e divirta-se.
Tia Jessie.
Tia Jessie, este � Eric Kessler.
O novo qu�mico. Minha tia, Sra. Hamilton.
O que vai beber, Martini?
- N�o, n�o, obrigado. - Um para mim.
Sabe Sr. Kessler,
estou tentando recuperar minha juventude.
No meu tempo, as mulheres n�o faziam nada por prazer.
- Petiscos? - Eles est�o bons?
- �timos. - Meu filho, Brian.
� um buffet. Tem todo tipo de comida.
Comeremos l� fora. Mostre a mesa ao Sr. Kessler.
- Certo. - Drew, pode levar comida
para o Sr. Kessler e sua m�e?
Coloque um disco, Pugh, temos alguns novos.
Sr. Kessler, pode vir aqui?
Esta � a mesa dos adultos.
- Vai nos servir, Drew? - Sim, mam�e.
J� conheceu meu filho? Drew, ele � o Sr. Kessler.
Como vai, Sr. Kessler?
Eu nunca pensei que...
tivesse um filho t�o grande.
Os europeus sempre lisonjeiam as norte-americanas.
N�s devemos ter um complexo com a idade.
Garanto que tenho idade suficiente para ter um filho de 20 anos.
- 20. - Farei 21 em abril.
Quer algo mais?
N�o, muito obrigado.
- Mam�e? - Obrigada, est� tudo bem.
Sue Ellen? Sue Ellen Davis.
- Pugh. - Sim, Sra. Hamilton.
- Quero um pouco de tudo. - Certo.
Horr�vel.
N�o, n�o a comida. A m�sica.
Drew, pode levar um caf� para o Sr. Kessler?
Para voc� tamb�m?
- Aqui est� o seu caf�. - Sente-se, por favor.
N�o � sempre que eu
tenho a chance de falar com
jovens do seu pa�s.
- Voc� vai para a faculdade? - Sim, Universidade de Maryland.
A fam�lia inteira estudou l�.
At� meu bisav�, quando ainda era uma faculdade de medicina.
Al�m disso, � perto de casa e isso � bom.
O que foi, senhor?
Estava pensando.
Que coisa formid�vel � ter um filho.
Drew, minha irm� est� te procurando.
Com licen�a.
Drew... � seu nome verdadeiro?
Na verdade � John Andrew. Drew � meu apelido.
John Andrew.
Sr. Kessler, n�o somos selvagens,
embora isso pare�a uma reuni�o de �ndios.
- Posso trazer um caf�? - N�o consigo te ouvir.
Quando acabarem com isso, vou ativar isso.
Como a tia Jessica tem um novo aparelho auditivo...
Algo errado, Sr. Kessler?
N�o, nada.
Est� arrependido de ter vindo aqui?
Por favor, foi maravilhoso.
Conheci seus filhos,
- sua esposa. - Venha de novo.
Fiquei sabendo que tem uma garotinha.
Devia traz�-la tamb�m.
Muito obrigado.
Falou com mam�e?
- Como soube? - Est� usando os brincos dela.
Voc� � esperto.
O que ela disse?
Quando �amos conversar ela foi chamada, e teve que descer.
Sabem, tenho a sensa��o de estar sonhando.
M�sica, dan�a,
pessoas alegres...
Isso faz a Europa parecer t�o longe.
Est� longe.
A Europa com suas guerras e problemas,
deve ser mantida longe.
Espero que possamos.
N�o parece muito otimista.
Talvez eu tenha visto demais.
Voc� teve sorte de sair.
Trouxe sua esposa com voc�?
Eu n�o tenho esposa.
S� tenho Margaret.
Sr. Hamilton, � melhor examinar os relat�rios.
- Se n�o estiver cansado. - Claro que n�o.
Bem, ent�o, com licen�a.
Que homem encantador.
- T�o distinto. - Voc� acha?
Mam�e, eu poderia falar com voc� e o papai?
Sim, espere no quarto, n�s j� vamos.
- Obrigado por ter vindo. - Boa noite, Sr. Kessler.
Boa noite. Muito obrigado.
Boa noite.
N�o foi t�o ruim, foi?
Larry, quando desci as escadas e o vi parado ali,
tive uma sensa��o estranha.
- Algo mais, senhor? - N�o, obrigado. Boa noite.
Boa noite.
Drew, o que faz aqui?
Eu queria falar com voc�s.
- Quanto vai me custar? - N�o � isso.
Acho que sei o que �.
Olhe, querido,
eu gosto muito da Sherry.
Acho que � a melhor garota que eu j� conheci.
Mas voc�s s�o muito jovens.
N�o � Sherry. N�o � ningu�m.
Se fosse algu�m seria Sherry, mas n�o �.
Sou apenas um espectador inocente,
mas seria bom se algu�m me explicasse tudo isso.
Tem algo realmente s�rio em mente?
Quero me juntar � RAF.
- A qu�? - � For�a A�rea Brit�nica.
Eles precisam de pilotos. Pugh e Ted querem ir.
A gente se alista no Canad� e treina l�.
Eles precisam de pilotos.
- Claro que sim. - Ent�o v�o me deixar ir?
Deix�-lo ir? Acha que � isso que devemos fazer?
- Mas, m�e... - Por favor, Drew.
Quem colocou essa ideia louca na sua cabe�a?
Se foi Pugh, n�o voltar� mais aqui.
N�o � ideia dele, � minha.
O que voc� sabe sobre a guerra?
Quer ser um her�i, n�o �?
Sabe o que acontece aos her�is?
Eles morrem. Larry, n�o vou passar por isso, n�o posso.
Lembro-me da �ltima guerra. Sei algo a respeito, voc� n�o.
Drew, � tarde.
V� dormir e falaremos sobre isso amanh�.
Nunca mais falaremos sobre isso.
Boa noite.
N�o vou deix�-lo ir, Larry.
Querida, voc� est� cansada e chateada.
N�o pense nisso hoje.
Depois de dormir, voc� se sentir� melhor.
Eu n�o vou mudar de ideia.
Nenhum pai gosta de ver seu filho ir para a guerra.
Mas eles escondem seus sentimentos quando saem.
Mas n�o h� guerra. Ele n�o foi convocado.
N�o me pe�a para deix�-lo ir.
Elizabeth, eu n�o quero que ele v�.
Mas lembre-se que em alguns meses ele far� 21 anos.
Ent�o n�o precisar� pedir nossa permiss�o.
Se alguma coisa acontecer com Drew,
seria como se John morresse novamente.
Depois de todos esses anos.
N�o, querido, eu quase esqueci.
Voc� fez tudo por mim.
Mas n�o deve acontecer com Drew.
Eu n�o suportaria.
Ele ainda n�o partiu e nada aconteceu com ele.
Oh, Larry.
Fale com ele, tente faz�-lo entender.
Eu gostaria de poder.
N�o quero que seja a �nica coisa que n�o pude fazer por voc�.
Margaret?
Por que n�o est� na cama?
Eu estava lendo um livro que a professora me deu.
Ela disse que se eu estudar muito, vou falar ingl�s
t�o bem quanto ela, em um ano.
Est� bem, mas voc� deveria estar dormindo agora.
Foi bom na casa do Sr. Hamilton?
- Muito agrad�vel. - � um lugar bonito?
Um lugar muito bonito.
Eles me disseram,
que da pr�xima vez era para levar voc�.
Agora v� para a cama.
Tem crian�as l�?
Duas.
Dois garotos.
- Da minha idade? - Mais velhos.
Um tem 12 ou 13 e o outro tem 20.
20? � quase um homem.
Sim.
Quase um homem.
V� dormir agora.
Seu rem�dio.
Vou buscar �gua.
Eu n�o quero tomar o rem�dio.
Mas voc� n�o vai conseguir dormir.
Tudo bem, n�o faz mal.
- Boa noite, Margaret. - Boa noite.
Quero que minhas cartas sejam completas e satisfat�rias,
mas tamb�m quero guardar coisas �ntimas e importantes
para dizer quando puder olhar para voc�
e sentir minha m�o na sua.
Eu me esfor�o muito,
mas seria muito ego�sta
se eu guardasse algo especialmente agrad�vel
para quando ficarmos juntos novamente?
Meu nome � John Andrew.
Drew � meu apelido.
Vamos, Drew. Mais um para empatar.
Est� bem, a� vai.
� o l�der. Sua vez, Brian.
Direto para a pr�xima casa.
Droga.
Que pena. Devia ter acertado essa.
- Bom dia, Sr. Kessler. - Bom dia, Sra. Hamilton.
E essa deve ser Margaret. Ol�!
Esses s�o Drew e Brian.
Ol�, jovem.
Voc� trouxe flores.
- N�o � preciso escond�-las. - N�o entendo.
Em seu pa�s, muitas coisas foram proibidas.
Diga o nome das flores.
Essas s�o �steres,
e essas s�o
Cris�ntemos.
Isso � espl�ndido.
Vamos, Drew.
Eu vou parar. Tenho que estudar matem�tica.
Agora que eu estava come�ando a ganhar.
Vamos jogar ferraduras?
Eu n�o sei como se faz.
Mam�e vai te ensinar. � a melhor da fam�lia.
Jogaremos contra os homens.
Larry, vamos come�ar. Venha, Brian.
Vamos ganhar de "lavada".
Isso � g�ria americana.
Significa ganhar, mas eles n�o v�o.
Vamos lan��-las daqui.
Agora, segure assim,
e ent�o jogue assim.
Consegue fazer?
Eu vou tentar.
Bem, ent�o tente.
Estava certa. Isso � maravilhoso.
C�lculo?
- Como est� em matem�tica? - Muito mal.
Eu tamb�m era. Qual a sua mat�ria favorita?
- Hist�ria. - Hist�ria.
Estou vivendo uma parte dela, eu poderia me especializar.
Sr. Kessler, o que o senhor acha da guerra?
Antes do almo�o?
Voc� veio da Europa e eu gostaria de
ter algumas informa��es em primeira m�o.
Aqui � muito dif�cil ter uma vis�o clara.
- Voc� me surpreende. - Por qu�?
Suas ideias sobre essas coisas.
Quer ter uma vis�o clara, como se diz.
Quando estamos na fraternidade, conversamos e pensamos muito.
E o que voc�s acham?
Achamos que n�o � uma guerra de mentira.
Claro que n�o, mas o que faz voc� pensar isso?
Dizem que a viagem mais longa come�a com um passo.
A maior refei��o come�a com uma mordida.
A Alemanha est� dando sua primeira mordida.
Sua inten��o � comer a Europa em peda�os.
- Mas n�o a Am�rica. - � a� que se engana.
A Europa � s� o come�o, logo vai comer o mundo inteiro.
Como disse um dos rapazes, � um pa�s canibal.
S� falta o microfone, comecei a discursar.
V� em frente, fale.
N�o estou lhe aborrecendo?
Me aborrecendo?
� a �ltima coisa que voc� poderia fazer.
Agora, continue.
Mas eu que comecei fazendo perguntas.
Por que me pergunta esse tipo de coisa?
Talvez voc� possa encontrar algumas respostas, ali.
Se for verdade que a hist�ria se repete,
as respostas est�o aqui, se souber como encontr�-las.
Eu li algo esta manh� sobre Tom Paine.
Talvez voc� n�o o conhe�a.
Bem, ele disse, aqui est�:
"O dono de uma taberna estava parado na porta
com uma linda crian�a de 8 ou 9 anos de idade.
Depois de dizer o que pensava t�o livremente
como era prudente, terminou com esta afirma��o:
"D�-me paz nos meus dias".
Foi o que Chamberlain disse quando voltou de Munique.
"Paz no nosso tempo."
Um pai mais generoso diria: se houver problemas,
que seja nos meus dias,
para que meu filho tenha paz."
Sabe?
Se eu tivesse um filho,
eu repetiria isso todos os dias.
O que seu pai pensa dessas ideias?
- Ainda n�o falei com ele. - Mas deveria.
Voc� n�o sabe o que significa para um pai
ouvir seu filho falar assim.
Voc� n�o deve engan�-lo com essa experi�ncia.
Ele tem estado muito ocupado e � um pouco dif�cil para explicar.
Eu sei o que a mam�e pensa.
Qualquer conversa sobre a guerra parece chate�-la muito.
E n�o quero provocar discuss�o entre eles.
Ambos s�o t�o bons e t�o felizes juntos,
que naturalmente eu evito que algo possa estragar isso.
Naturalmente.
N�o tenho certeza de ter ideias para falar com eles.
Nem de saber do que se trata, exceto o que eu disse,
sobre agress�o e conquista.
Os nazistas chamam isso de uma nova ordem.
Super-homens e escravos.
Eles est�o tentando trazer de volta a Idade M�dia,
trazer de volta o passado.
Por que algu�m quer deter o futuro?
Porque a ideia de futuro
� a de uma vida melhor e mais completa para mais pessoas.
Esses homens acreditam que mais para muitos
significa menos para poucos.
Eles tentam parar o rel�gio.
Mas n�o se pode fazer isso com as pessoas. Eles n�o suportar�o.
A� est� sua resposta.
A� est� sua guerra.
�, acho que tem raz�o.
Ol�, Margaret.
Veja, papai. Aprendi mais dois nomes:
zinia e pet�nia.
- Vamos almo�ar agora? - Obrigado.
Vamos, Margaret.
Nadar � f�cil. Vou lhe ensinar no pr�ximo ver�o.
- E vou ensin�-la a mergulhar. - Voc� deve ser um bom nadador.
Bem, ele parece ser.
Margaret � uma garota ador�vel, Sr. Kessler.
Seu filho mais novo tem sido muito gentil com ela.
E o mais velho, � um jovem maravilhoso.
Liga��o para o Sr. Drew. � o Sr. Pugh.
- Ligue mais tarde. Diga... - N�o, pode ser importante.
Oi, Pugh.
� maravilhoso quando se � jovem, n�o �?
Quando tudo � t�o importante.
Por Deus, � bom demais para ser verdade.
N�o, ainda n�o.
Certo, at� logo.
- O que foi, Drew? - Nada.
Bem, isso n�o nos diz muito, n�o �?
Muito bem, era Pugh. Ele vai se alistar.
Seus pais v�o deix�-lo ir.
- Para onde? - Para a RAF.
Por que sua m�e n�o pode saber?
Porque ele quer ir, tia Jessie.
Drew, voc� quer se juntar � RAF?
- N�o estamos em guerra. - Acha que n�o iremos?
Estava falando sobre isso com o Sr. Kessler.
Bem, Drew, n�o exatamente.
S�o coisas que voc� deve falar com seus pais.
N�o quis de maneira alguma influenci�-lo.
Esta guerra � da Europa e o pa�s dele est� envolvido.
Ele n�o achou que voc� aplicaria seus pontos de vista.
Um novo mundo est� nascendo e nada pode det�-lo.
Isso � o que est� acontecendo.
Precisa se decidir, quer ajud�-lo ou quer det�-lo?
Eu j� me decidi.
Com licen�a, por favor.
- Posso sair tamb�m? - N�o terminou sua sobremesa.
- N�o quero mais. - Brian, voc� tem uma convidada.
E Margaret quer terminar a dela, n�o �?
Seria muito bom.
Todas as meninas gostam de sorvete rosa.
Quando eu era pequena e tinha uma festa,
eu queria que o sorvete fosse da cor do meu vestido.
Uma vez eu usava um vestido azul,
e n�o entendia por que n�o me deram sorvete azul.
Lembro que chorei muito.
Eu n�o era boba?
As crian�as n�o precisam esperar o caf�, n�o �?
N�o.
Certo. Brian, vamos levar Margaret para ver suas cole��es.
Sabe Margaret, Brian � um colecionador nato.
Drew tem idade suficiente para decidir-se,
e se um homem n�o pode fazer o que quer,
eu sei como me sentiria.
Eu me sentiria como Patrick Henry.
"Me d� a liberdade ou me d� a morte. "
Elizabeth, querida, n�o deve deixar isso afet�-la assim.
Ele estava sendo um garoto engra�ado, honesto e infeliz.
N�o posso ajud�-lo.
N�o posso ajud�-lo.
N�o com essa ideia de Drew pairando sobre mim.
Por favor, Elizabeth.
Talvez o Sr. Kessler ache que esta guerra seja nobre
por um mundo melhor, mas eu n�o vejo assim.
S� posso v�-la com base em meu filho.
Voc� n�o acha que eu sinto, o mesmo?
N�o, n�o acho.
N�o se desespera como eu.
E sabe por qu�? Porque ele n�o � seu filho.
Se fosse, voc� sentiria o mesmo que eu.
Drew � meu filho, desde o momento em que nasceu,
desde o momento em que o trouxeram no hospital.
E vai deix�-lo ir?
Vou deix�-lo fazer o que for melhor para ele, ir ou ficar.
� melhor falarmos sobre isso mais tarde.
N�o h� mais nada a dizer.
N�o, obrigado.
Caf�, Sr. Hamilton?
- N�o sabe o quanto eu sinto. - Por favor, n�o.
Voc� n�o me deve explica��es.
N�o, mas minha esposa deve.
Eu n�o quero que a julgue mal.
Ent�o se eu n�o estiver errado,
Drew n�o sabe que voc� n�o � o pai dele?
Isso mesmo.
Decidimos que criar�amos a crian�a como se fosse
de n�s dois.
Quando ela foi notificada que seu marido estava morto,
ela vivia completamente s�.
Ent�o eu a trouxe para c� com a tia Jessie,
e tentamos ajud�-la a passar por esse momento dif�cil.
Eu j� estava apaixonado por ela, mas n�o percebi.
Ela s� precisava de algu�m para se apoiar,
ficar com ela e proteg�-la,
para que a vida n�o a magoasse mais.
Mas eu estava errado.
Eu n�o a deixei crescer, nem a encarar a realidade.
Agora que ela deve fazer isso,
ela simplesmente n�o pode. A culpa � minha.
N�o, na verdade n�o.
Voc� fez tudo o que se poderia esperar.
Todo esse amor e devo��o pela esposa,
todo esse cuidado e compreens�o com a crian�a,
que afinal, n�o � seu filho.
Sim, mas eu n�o posso mand�-lo para a guerra.
Elizabeth deve fazer isso.
Sim.
Elizabeth deve fazer isso.
Quero me desculpar papai, e a voc� tamb�m, Sr. Kessler.
- Lamento ter sido descort�s. - Desculpe-me tamb�m.
N�o me interprete mal, Sr. Kessler.
Pela mam�e, quero dizer. Ela � �tima com tudo.
Mas tem uma fixa��o de que se eu colocar um uniforme,
estou morto.
Eu compreendo muito bem.
Lamento voc� estar passando por isso, Drew. Com licen�a.
Por que est� comigo e n�o com sua m�e?
- Seu anivers�rio � em abril, n�o? - Sim, senhor.
- Far� 21 anos. - Sim, senhor.
E terminar� o seu �ltimo ano em junho, certo?
N�o acha que um pouco de paci�ncia seria uma boa ideia?
- Hitler n�o vai esperar. - S� voc�s dois n�o o deter�o.
Somos milhares, pai.
Mam�e n�o entende que isso � algo que deve ser feito?
Sr. Kessler.
Sim.
Quero lhe dizer algo,
porque infelizmente parece que voc� se tornou parte
do que � um assunto de fam�lia.
Desculpe, n�o entendi a situa��o.
Agora que sabe que j� fui casada,
que mataram meu marido na guerra,
deve entender como me sinto.
� como se dissessem,
"Vamos te dar um descanso entre os golpes,
mas apenas o suficiente para que tenha consci�ncia
e esteja pronta para o pr�ximo."
"Vamos come�ar outra guerra
quando seu filho tiver idade suficiente para ser morto�.
N�o deveria acontecer de novo, eu...
Gostaria de poder ajudar.
N�o pode. Voc� s� iria piorar.
Toda vez que o vejo, penso
que um homem como voc� matou meu marido.
Pode ser verdade.
Sei que estou sendo grosseira e serei ainda mais.
Sr. Kessler, prefiro que voc� n�o venha mais aqui.
Sua presen�a nesta casa n�o � bem-vinda.
- O que aconteceu? - Um tiro.
- Um tiro? - N�o, foi s� um brinquedo.
Ele perguntou como funcionava, eu fui mostrar e ela chorou.
O que foi, Margaret?
O que h� de errado, Kessler?
O som lembrou-lhe uma arma.
Ela se lembrou de quando os nazistas assassinaram sua m�e.
E o meu pai, meu pai.
Meu pai... Pensei que fosse o pai dela.
N�o. Posso ver uma dessas coisas, por favor?
Esta vendo, Margaret, � s� um brinquedo de papel.
Est� vendo esses cord�es? Est�o unidos no centro,
com p�lvora, n�o muita.
Quando voc� tira h� uma pequena explos�o.
Voc� n�o esperava e se assustou.
Vamos puxar, para explodir novamente.
Ela disse sangue?
Ela se lembra
n�o s� do som mas tamb�m do cheiro de p�lvora
e da vis�o de sangue.
Meu Deus, certamente ela n�o viu...
Sim, ela viu.
O pai de Margaret era um grande m�dico
em Viena, o Dr. Ludwig.
Ele salvou minha vida durante a �ltima guerra.
N�o apenas um grande m�dico, mas um grande homem.
E apesar de Margaret me chamar de pai,
porque era a �nica maneira de tir�-la da �ustria,
ela nunca deve esquecer que ele era seu pai...
- e deve se sentir orgulhosa. - Eu nunca vou esquecer.
Quando os nazistas chegaram,
viram que o pai dela era um homem muito teimoso.
Ele achava que um m�dico devia dedicar-se a humanidade,
e quando era chamado para curar um ferido,
n�o o deixaria sangrar,
mesmo questionando suas cren�as pol�ticas.
E eles o mataram por isso?
Sim, e sua esposa tamb�m,
porque ele tentou salv�-lo.
Os nazistas n�o s�o muito pacientes
com esse tipo de... tolice.
Quando um homem morre, sua vida continua
se ele tiver um filho.
Ent�o Margaret deve seguir o trabalho de seu pai,
e o direito de continuar sua vida.
Ela deve ser muito corajosa, muito boa,
muito forte e nunca ter medo de nada.
Me desculpem, eu fiz uma confus�o.
- Pe�o desculpas. - N�s j� esquecemos.
- Agora devemos ir para casa. - Fiquem para o jantar.
Pegue suas coisas, Margaret.
Eu pego. Vem comigo, Margaret?
- Sim, obrigada. - N�o tenha medo, Margaret.
Neste pa�s, coisas assim n�o acontecem.
E nem v�o acontecer.
- Acredita em mim? - Sim, eu acredito em voc�.
Bem, ent�o, que tal um sorriso?
- Isso mesmo, Peggy. - O que � Peggy?
� como chamamos quem se chama Margaret.
Minha m�e me chamava de Gretel.
Eu mesmo vou lev�-lo em casa.
- Posso pegar o carro? - Obrigado.
Sr. Kessler...
- Eu sinto muit�ssimo. - Sobre Margaret?
� terr�vel saber que uma menina sofreu tanto.
Eu lamento ter dito para n�o voltar aqui.
Acho que eu teria feito o mesmo.
- Compreendo perfeitamente. - Voc� � muito bondoso.
- Adeus, Sra. Hamilton. - Adeus, Sr. Kessler.
Aquela pobrezinha.
� melhor nem pensar nisso, vou ficar deprimida.
Est� quente para ser outubro.
John amava essa �poca do ano.
Faz�amos longos passeios pelo bosque.
Ainda sinto o barulho das folhas sob nossos p�s.
Ainda posso sentir o cheiro da n�voa que pendia sobre tudo.
Por que come�ou a falar sobre John?
N�o sei.
Talvez seu anivers�rio de casamento.
N�o.
N�o, n�o foi. Ainda n�o.
Ele tem uma m�o t�o forte.
Quem?
O Sr. Kessler.
Ainda posso sentir a press�o.
John e eu em frente a nossa casa, 15/12/1917
Nossa casa no dia do nosso casamento 20/12/1917
Quarta-feira 20 de dezembro
Elizabeth.
Elizabeth. Tenho uma surpresa para voc�.
Fique a�, eu j� volto.
- Eu vou entrar! - N�o vai!
- Fique onde est�. - Mas n�o � justo.
Diga-me que tipo de surpresa.
Um terno novo. Comprei sozinho, sem voc�.
Ent�o j� n�o � mais crian�a.
- Voc� est� perto da porta? - Encostada.
Afaste-se um pouco. � uma roupa incomum.
Precisa de alguma perspectiva.
Se estiver brincando comigo...
L� vou eu, pronta ou n�o.
Sra. Hamilton. Voc� est� bem?
Sim, querido.
Sim, estou bem, obrigada.
Eu morava nesta casa.
Com John.
Foi onde moramos depois que nos casamos.
Foi onde nos despedimos quando ele foi para a guerra.
Aqui recebi o telegrama que dizia que ele morreu.
Me desculpe, n�o queria incomodar.
Foi num dia assim,
frio e feio.
A guerra havia acabado e eu j� n�o tinha mais medo.
Eu comprei uma �rvore de Natal e a casa estava pronta.
Eu n�o tinha a menor d�vida, entende?
Nenhuma d�vida.
At� que encontrei o telegrama.
Vem sempre aqui?
� a primeira vez desde que a deixei h� 19 anos.
Por que est� aqui?
Estava s� passando, venho da biblioteca,
e vi voc� aqui.
� alguma ocasi�o especial?
Sim, � uma ocasi�o especial.
20 de dezembro.
� nosso anivers�rio de casamento.
� muito tempo pra se lembrar.
N�o significa nada para voc�? 20 de dezembro?
N�o, por que deveria?
Ele disse que voltaria.
Ele disse: "Eu vou voltar, eu prometo, eu vou voltar".
Todos diziam isso naquela �poca.
Eles acreditavam nisso.
Mas alguns n�o conseguiram cumprir a promessa.
Suponha que ele n�o esteja morto.
Suponha que ele ainda esteja vivo,
e n�o tenha voltado para mim,
por causa de algo que aconteceu.
Algum ferimento, uma ferida horr�vel e dolorosa,
que o deixou com vergonha de voltar.
Isso seria t�o desumano da parte dele, t�o cruel.
Voc� se tortura tanto.
Por qu�?
Suponha, que ele ainda esteja vivo.
Suponha...
embora pare�a incr�vel,
que ele tenha escolhido,
por qualquer motivo est�pido,
n�o voltar.
Voc� n�o sofreu todos esses anos.
Voc� foi feliz.
Sim, eu sou feliz.
Voc� tem um marido dedicado,
e dois lindos filhos.
Voc� tem uma vida boa.
E deve continuar assim.
Devo dizer a Drew que ele n�o � filho de Larry?
- N�o. - Ele n�o deveria saber?
Isso o faria perder o pai duas vezes.
Roubaria o pai que ele tem,
diria que seu pai verdadeiro morreu,
deixando-o sem nada.
O que h� de bom nisso?
Por que n�o usou a biblioteca da f�brica?
Esses livros est�o em alem�o.
H� uma cole��o alem� l�.
PROPRIEDADE DA BIBLIOTECA HAMILTON
Voc� mentiu para mim.
Voc� � John MacDonald.
Sou Eric Kessler, um qu�mico austr�aco.
Toda a minha vida trabalhei na minha profiss�o,
exceto nos anos em que fui um soldado.
Tenho boas raz�es para recordar esses anos.
Eu tamb�m.
J� lhe disse quem eu sou.
N�o h� nenhuma raz�o para se meter na minha vida.
Bom dia, Sra. Hamilton.
Escrit�rio do Sr. Hamilton.
O Sr. Hamilton est� em Washington.
O Sr. Hamilton me pediu para rever alguns relat�rios.
Est�o na mesa dele, vou peg�-los para voc�.
Pode deixar, eu mesmo pego.
Vou pedir para ele te ligar.
Ol�, Sr. Kessler.
Ol�, Drew.
� bom te ver, Sr. Kessler. Termino num instante.
Eu queria ver meu pai, n�o sabia que ele iria a Washington.
- Ele volta amanh�. - Sim, mas queria v�-lo hoje.
Com licen�a.
Faz tempo que voc� n�o vai l� em casa.
Estive bastante ocupado.
Como est� indo em matem�tica?
Bem. Estudei e tive boas notas.
Estudando um pouco mais, poderei passar no exame para...
para ser piloto.
- Ainda n�o foi resolvido? - N�o, mas n�o vai demorar.
Adeus, Sr. Kessler. Foi um prazer v�-lo novamente.
Adeus.
Papai ver� essa carta ali?
Sim, claro.
J� est� dormindo, mam�e?
- Ainda est� acordada. - Sim, querido.
- Mam�e... - O qu�, querido?
- Quem � esse? - Voc� n�o o conhece.
Parece com algu�m que eu conhe�o.
- Com quem? - Deixe-me ver.
J� sei, parece o Drew.
Drew?
Quase esqueci porque vim aqui.
- Drew n�o est� em casa. - N�o � t�o tarde.
Tamb�m havia uma festa esta noite.
J� terminou h� horas. Eu liguei l�.
Por qu�?
- Eu estava preocupado. - Preocupado com o qu�?
Com o Drew.
M�e, o arm�rio dele est� vazio.
Ele est� agindo de forma estranha ultimamente,
e hoje ele me deu seus tacos de golfe.
Aqueles que ele adora.
E ele foi ao escrit�rio esta tarde para ver o papai.
Ele deve ter algo em mente.
- Achei melhor te contar. - Sim. Acenda a luz.
N�o consigo entender.
Hoje n�o tivemos problemas com as misturas de rea��o.
Liga��o para o senhor, Sr. Kessler.
Diga que estou ocupado.
- Quando come�ou esse lote? - Pouco antes do jantar.
� a Sra. Hamilton.
Sra. Hamilton?
Ela est� na linha privada.
Diga que j� vou atender.
Tente outro lote, sim?
- Verifique as temperaturas. - Sim, Sr. Kessler.
Eu j� volto.
Ele est� vindo, Sra. Hamilton.
Obrigado.
Ol�, Sra. Hamilton.
Acho que n�o posso contatar seu marido por telefone.
Est� em reuni�o com alguns compradores ingleses.
Acho que deve demorar.
Como disse?
Drew? Ele esteve aqui esta tarde.
Ainda n�o voltou para casa?
N�o voltou para casa.
Sim. Sim.
� claro que voc� est� preocupada.
Ou�a, Sra. Hamilton,
talvez eu possa descobrir onde ele foi.
Pe�o que seja paciente, sei que � dif�cil.
Sim.
Se eu encontr�-lo, o levarei para casa.
Adeus.
- Chame um t�xi. - Sim, senhor.
Pode me dar um charuto?
- Ol�, Sr. Kessler. - Drew.
- Voc� vai a algum lugar? - Ia lhe perguntar o mesmo.
Vim me despedir de uns amigos. Eles v�o viajar.
- Voc� n�o vai com eles? - Eu?
- O que o faz pensar isso? - Drew.
Vamos indo. Temos s� 10 minutos.
- Estarei l� em um minuto. - Apresse-se.
Est� tomando as r�deas com suas pr�prias m�os.
Espero que n�o tente me impedir.
- � por isso que vim aqui. - Ent�o perdeu a viagem.
� o �nico jeito de fazer isso.
Como sabia que me encontraria aqui?
- Abri sua carta. - Minha carta?
A que deixou no escrit�rio.
- Voc� abriu e leu? - Sim.
Era para o meu pai.
Eu sei, Drew, mas tinha que saber onde voc� estava.
Por qu�? � da sua conta?
Esqueceu-se de sua m�e?
Conhe�o mam�e e essa � a �nica maneira de lidar com isso.
Desse jeito ela vai superar.
E quanto a voc�, Drew?
- O que quer dizer? - Voc� vai superar?
Drew, estamos indo. Pegue sua passagem.
- Ele n�o vai. - N�o vai?
Claro que vou. Ou�a Sr. Kessler,
sei que tem boas inten��es, mas me d� os bilhetes.
� melhor se apressar. Vai perder o trem.
- V�, Pugh, j� estou indo. - Certo.
Voc� est� mandando muito, quem voc� pensa que �?
Sou um amigo do seu pai.
Apenas fa�o o que ele faria, se estivesse em meu lugar.
N�o posso continuar falando. Eu quero esses bilhetes.
Voc� pode tom�-los facilmente.
mas acho que n�o far� isso.
Tudo bem, irei sem os bilhetes.
Tamb�m acho que n�o far� isso.
Veja, Drew, n�o se esque�a que voc� � menor de idade,
e que eles podem det�-lo legalmente.
E eu n�o quero ter que chamar um policial.
O trem vai sair imediatamente.
Todos a bordo.
Muito bem, voc� venceu.
Vamos, Drew.
Desculpem, amigos, mas minha bab� veio me buscar.
N�o me decepcione, dissemos que far�amos isso juntos.
N�o desista, nos veremos em abril.
Todos a bordo.
Depressa, Pugh.
Muito bem, general, para onde vamos?
Pegar um t�xi.
Sua m�e estava preocupada. Boa noite, Sr. Kessler.
Ela est� l� em cima ligando para o seu pai.
Estou feliz por t�-lo encontrado.
Elizabeth vai querer lhe agradecer.
J� � tarde.
- Estou muito cansado. - N�o vai fazer um relat�rio?
Acho que voc� j� tem idade para fazer isso.
Voc� est� doente.
- Drew, leve o Sr. Kessler � lareira. - N�o � nada.
Vou pegar um conhaque.
Acho que isso � seu.
Devia ter pensado nisso antes.
Drew...
Diga a sua m�e que voc� voltou. Ela est� agitada.
E diga que o Sr. Kessler est� aqui.
Tome, beba isso.
Obrigado.
Deixe-me ajud�-lo a tirar o casaco. Eu insisto.
Elizabeth, o Sr. Kessler ia sair sem lhe ver,
mas n�o deixei, porque ele parece estar doente.
Quero que d� uma olhada nisso.
- Mas Elizabeth... - Talvez possa identific�-la.
Isso, por exemplo.
Leia a inscri��o.
Leia.
"Para John, de Elizabeth...
com todo o meu amor."
Lembra-se?
Tudo isso fez seus pensamentos voltarem ao passado.
Guarde isso.
Lembra-se?
Como ele vai se lembrar de um homem que nunca conheceu?
- Mas ele conheceu John. - � mesmo?
Quem pode dizer?
Na guerra fizemos muitos prisioneiros.
Ele o conhecia muito bem.
- Ele o matou. - Elizabeth.
Seria muito dif�cil negar.
Quando um soldado atira,
quem pode dizer em quem acertou?
Voc� n�o tem considera��o. O Sr. Kessler ajudou voc�,
e voc� o paga acusando de matar seu marido.
Por que n�o o agradece e vai para a cama?
� onde todos dev�amos estar.
- N�o, ainda n�o. - Bom, eu vou. Boa noite.
- Posso fazer algo por voc�? - N�o, obrigado.
Elizabeth, acho que est� sendo muito m�rbida.
Abra.
� muito bonita.
Foi o que voc� disse quando eu dei a voc�.
Se quiser acreditar...
que sou John MacDonald, pode convencer-se de que eu sou.
Vai me dizer a verdade?
Esta � a verdade.
Se quiser parar de viver o presente,
olhe para o passado.
Mas nunca vai recuperar o que perdeu.
Voc� s� perder� o que tem.
E voc� tem muito mais a perder agora,
do que h� 20 anos.
Por que n�o voltou?
Prometeu que voltaria. Por que n�o fez isso?
Diga.
Foi porque voc� ficou t�o terrivelmente ferido
que temia que eu me afastasse de voc�?
Que eu n�o fosse forte o suficiente por n�s dois?
N�o sabia o quanto eu precisava de voc�?
Eu iria ajud�-lo, n�o importa o que teria acontecido.
N�o se lembra do quanto te amei?
N�o se lembra das noites em que fic�vamos sentados
na frente do fogo naquela casinha?
Minha cabe�a estava no seu colo,
e voc� se sentava naquela velha cadeira marrom.
Lembra? A que pertencia a voc� antes de nos casarmos,
e voc� n�o queria se desfazer dela?
N�o havia nada no mundo, exceto n�s.
� maravilhoso ter sido t�o amado.
E ter sido t�o lembrado.
Voc� pegava meu rosto e colocava ao lado do seu.
Mesmo se seu marido,
de alguma forma milagrosa tivesse voltado,
voc� n�o ia quer�-lo de volta.
Por mais que voc� gostasse dele.
Olhe para mim e diga que voc� n�o me ama.
Diga.
Acha que um homem voltaria para compartilhar seu corpo,
com uma mulher,
para destruir uma mem�ria de 20 anos?
Se eu fosse seu marido,
e tivesse voltado,
� isso que eu diria.
John.
Eu n�o sou John.
Sra. Hamilton, se voc� permitir,
eu direi por que voc� quer que eu seja John.
� porque voc� s� quer o passado.
N�o suporta o presente, ent�o tenta escapar dele.
Em seu cora��o, seu filho e seu primeiro marido
sempre estar�o unidos.
Agora, o rapaz, como fez seu pai,
quer ir � guerra.
A guerra arruinou sua vida.
Voc� teme que ela seja destru�da novamente.
Voc� anseia pelos dias de seu primeiro casamento,
mas n�o por ele.
N�o por John.
Voc� quer a juventude alegre e despreocupada
e o que isso significou para voc�.
Eu entrei em sua vida,
um sobrevivente de guerra, um austr�aco,
um homem que ainda pode estar vivo porque John morreu.
De alguma forma, voc� juntou tudo isso.
Ent�o, seu filho se rebela contra voc�.
Entende?
Voc� nem sequer deixa seu filho fugir da morte.
Voc� n�o pode libert�-lo porque voc� n�o � livre.
Est� presa ao passado.
E o passado com tudo de bom e ruim,
est� al�m do nosso alcance.
Ele se foi.
Tudo se foi.
Devemos aprender a esquecer,
voc� e eu, todos n�s...
o mundo.
Devemos viver o amanh�,
porque...
O amanh� � para sempre.
Obrigada.
H� um homem que est� lhe esperando.
Nenhum outro homem � seu marido.
Querida, terminei tudo e resolvi vir dirigindo.
O que foi, Elizabeth?
Kessler? Algo errado?
N�o, nada s�rio. � sobre seu filho.
- Drew? Ele est� machucado? - N�o, est� l� em cima.
Eu vou falar com ele agora.
O Sr. Kessler vai contar o que aconteceu.
- Estou t�o agradecida. - N�o foi nada.
- Boa noite, Sra. Hamilton. - Boa noite, Sr. Kessler.
Eu n�o quero atras�-lo,
mas conte-me o que houve com Drew.
Ele teve uma pequena experi�ncia...
Elizabeth, voc� est� bem?
Sim.
Sim, tia Jessie.
PARA JOHN, DE ELIZABETH, COM TODO MEU AMOR.
Entre.
Est� com a chave?
S�rio, Drew, voc� � p�ssimo em fazer uma mala.
Isso importa?
Voc� n�o sabe que agora est� frio no Canad�?
M�e.
Vai me deixar ir, Liz?
Se pegar o avi�o cedo,
ainda pode encontrar Pugh em Nova Iorque.
E n�o me chame de Liz.
Voc� tamb�m n�o � boa em fazer uma mala.
Nenhuma lei me impede de dizer que voc� � �tima, n�o �?
N�o agrade�a a mim, querido.
Deve agradecer ao Sr. Kessler.
Kessler?
Sim, ele me fez ver muitas coisas.
Voc� disse Kessler? Por Deus, m�e.
- Qual � o problema? - Fui grosseiro com ele.
Voc� n�o disse nada horr�vel, n�o �?
- Horr�vel � pouco. - O que voc� disse?
Foi ruim dizer a ele e n�o vou repetir para voc�.
Ele estava se intrometendo. Eu n�o sabia.
Voc� tem que dizer a ele.
Voc� deve explicar que...
Voc� saber� o que dizer, n�o �?
Sim, eu saberei o que dizer.
Vou v�-lo amanh� assim que te deixar no avi�o.
Mas se ele queria que eu fosse, por que me trouxe de volta?
Por que n�o me deixou ir?
Ele o trouxe para casa, para que eu deixasse voc� ir.
N�o se lembra o quanto te amei?
N�o se lembra das noites em que fic�vamos sentados
na frente do fogo naquela casinha?
N�o havia nada no mundo, exceto n�s.
Seria bom se Drew tivesse ligado para o Kessler.
O importante para o Kessler ser� saber que Drew partiu.
- Certo, querida. - N�o vou demorar.
- Bom dia, Dr. Cameron. - Bom dia, Sra. Hamilton.
Bom dia, Cameron.
Bom dia.
O que faz por aqui?
- Seu amigo, Kessler. - Kessler?
Ele n�o est� doente, est�?
Voc� n�o sabe? N�o foi avisado?
Margaret, querida, o que aconteceu?
Todas as pessoas de quem eu gosto morrem.
Como chegou aqui t�o cedo?
Voc� sabia que eu viria?
Papai sempre disse que se alguma coisa acontecesse,
voc� viria.
Vamos pegar suas coisas.
Eu a levo.
Para onde vamos?
Para casa, querida.
Tradu��o e legendas: mawricio58
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