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Veneza, Itália. Domingo, 8 de Janeiro de 1324.
Bom dia, padre.
- Já fez a contagem? - Não.
Reze a Deus para que não seja demasiado tarde.
- Senhor Polo. - Padre.
Deus não gosta dos que mentem sobre tudo.
Não morra com o peso dessas
mentiras a destroçarem-lhe a alma.
O homem entra no mundo, como o encontra...
Ainda que os padres queiram mantê-los na ignorância.
Eu fui á China,
á corte do grande Khan.
Eu servi-o, estou orgulhoso de o ter servido.
Lutei ao seu lado e e fui governado por ele.
Sirva-se, importa-se? Por favor.
Vê isto?
Este pequeno pedaço de pedra...
um dia fará crescer o mundo.
A verdade...
Foi por isto que eu tanto rezei... a verdade,
não as mentiras,
não os contos de fadas, a verdade.
Mas não a verdade toda, eu só contei metade do que vi.
MARCO POLO
Génova, Itália. 1298.
Nos últimos anos, a terra estava assolada por epidemias, pragas e guerras.
E uma dessas guerras era entre Génova e Veneza.
Dois homens tinham estado presos e o inferno era o seu fim.
Um deles é Rustigielo de Pizza, o outro é veneziano.
O meu nome é Marco Polo.
- Toma, whisky. - Achas em breve que haverá paz?
Quanto tempo ainda aqui vamos estar?
O que achas, que chances temos de sair daqui?
Acho que ficamos aqui até que alguém pague a fiança por nós.
Quanto demorará isso? E como podemos ter a certeza
que mesmo assim nos deixarão sair?
Nunca sairemos daqui, não percebes?
- A prisão não é o fim do mundo. - A sério?
- Eu já estive preso uma vez. - Aqui, em Génova?
Na China.
- Estiveste na China? - E em muitos outros lugares.
Alguns lugares nem são conhecidos na Europa.
E todos esses lugares estão aqui, na tua cabeça.
E se eu te disser que estive no centro do mundo?
E vi o futuro.
Não há limites para a nossa mente.
A minha viagem começou aqui,
quando vi passar esses mastros no porto de Veneza,
quando era jovem.
Queria saber tudo sobre barcos e onde tinham estado e
que tipo de homens e marinheiros viajam neles, e tudo sobre mares.
O meu pai e o meu tio eram comerciantes venezianos
que iam ao fim do mundo buscar mercadorias.
O que eu queria saber, era que mãos tinham
feito essas coisas estranhas e lindas que eles negociavam.
Não mexas.
Há muita mercadoria nos confins onde nenhum veneziano
- Marco! - ... ou qualquer outro europeu,
tinha estado antes.
É ouro maciço. O grande Khan da China, Kublai Khan deu-nos,
é garantido.
Ele é o neto de Ghengis.
- Ghengis Khan? - O melhor guerreiro que o mundo
jamais viu. Sim.
Foi então que soube que a China era o meu destino.
Que estava escrito, que eu iria lá.
O que sabemos é que faremos uma fortuna
negociando com eles. - Sim.
Eles têm sedas e especiarias e pratos feitos de materiais tão
finos que podes, ver as mãos, através deles.
Têm caravanas de camelos para negociar por toda a Ásia
Têm ouro e prata e diamantes.
Os melhores artesãos e artistas do mundo.
E cidades tão grandes que podiam ser oceanos.
Não obstante, o império de Khan é tão rico e não é nada no Oriente.
Mas preparámos a forma de voltar a ir lá.
Ouvimos dizer que o Papa e o deus cristão, agora permitem aos chineses
que rezem a qualquer deus que queiram.
Mas, Marco, a verdadeira religião chegará lá, então...
Entretanto nós sacamos bons lucros das nossas vendas
Seria uma viagem ao outro lado do mundo,
Passaremos primeiro por Jerusalém para arranjar azeite do templo sagrado
Iríamos acompanhados por dois sacerdotes,
que viajariam connosco até á corte do grande Kublai Khan.
Se as areias tivessem estado tranquilas,
a nossa viagem teria sido mais fácil,
assim vimo-nos forçados a viajar atravessando as terras.
Apesar dos perigos.
Eu era jovem, não sentia o cansaço
e estava disposto a mudar a minha vida não importava o que custasse.
Muito esgotados estavam os homens quando começaram a
ver as primeiras montanhas.
O tecto do mundo, com os dois sacerdotes
queixando-se fortemente a cada passo.
Não continuo, não dou mais um passo.
sabem que o Khan nos ofereceu cem sacerdotes
nós só temos dois para oferecer-lhe
e vocês querem regressar a Veneza com o rabo
entre as pernas. - Vamos morrer todos aqui.
A viagem é demasiado dura.
- Quem sabe se esse Kublai Khan existe? Vocês têm as vossas mercadorias
para trocar, deram-nos a vossa palavra porque
nenhum Papa teve uma oportunidade como esta, milhares de almas precisam
da vossa ajuda, a fé do mundo vai mudar.
- Nós prometemos dois padres. - Maffeo.
Estamos quase a morrer nestas montanhas
- Pára! - Decerto morreremos.
E se não morremos aqui, ninguém sabe onde é o fim desta viagem?
Nós sabemos. É a oportunidade de mudar o curso da historia
onde ninguém conseguiu chegar.
Vocês venezianos só querem fama, são homens codiciosos.
- Você só pensa no ouro. - E vai levar o seu filho á morte.
em nome dessas riquezas. - Pai.
- Eu vim por minha própria vontade. - O teu pai está a arriscar a tua vida,
por um conto de fadas.
Ele esteve lá. Ele viu o Khan com os seus próprios olhos
E também viu dragões, ah? E unicórnios e cavalos alados,
O que é que ele é? um mentiroso, um homem mau ou um louco.
ou as três coisas. - Marco.
Deixa-os ir, deixa-os ir. Assim não os vemos mais.
O sacerdote pode ter razão.
Talvez a gente morra nesta aventura.
Talvez devêssemos mandar o rapaz de volta.
Essas historias todas que me contaram
sobre as terras que conheceram, sobre o que viram na China,
quero vê-las eu mesmo.
Eh, Marco.
Vocês vêm dali, do tecto do mundo?
- Sim. - É por isso que já não têm forças
para lutar contra a febre que apanhou.
- Podes ajudá-lo? - Há umas ervas que diminuem
o calor no sangre.
É só o que podemos fazer, o resto não está nas nossas mãos.
Procure o caminho de volta.
Não avançamos, temos que esperar por ele.
O tio Maffeo queria deixar-me lá e continuar viagem,
mas o meu pai recusou continuar.
durante um mês inteiro ninguém sabia se eu vivia ou morria.
- Ainda queres ir á China com o teu pai?
Reza a Alá e dá graças por ainda estares vivo
Sabes quanto mais tens que andar?
E que tipo de recepção vão a ter?
O Papa benzeu a viagem, temos figuras benzidas em Jerusalém
O Papa deve ser um grande homem na sua própria terra
o seu Deus está presente em toda a terra
Mas Kublai Khan tem um império tão grande
que nem sequer o Grande Alexandre sonhava.
O que têm uns incivilizados para lhe oferecer?
- O que tem um padre para oferecer-lhe? - Quando o meu pai voltou a Veneza,
ninguém o acreditou, diziam que eram historias de viajantes e nada mais.
Então tu queres provar que estão errados
Ou é algo mais?
Tu queres ver com os teus próprios olhos.
Se ele disse a verdade.
O Tacla-ma-can, significa: "Entras e nunca regressas".
São 45 dias só de areia, não há aldeias, nem sombra.
Depois deste deserto, há outro deserto,
é uma parte do Gobi, não há maneira de evitá-lo.
Temos que ir a direito para poder atravessá-lo.
- O que é isso? - Um diário.
Um registo do caminho que seguimos e as coisas que vimos.
Deixa isso. Era melhor que aprendesses a aritmética.
- Tio Maffeo! - E se encontramos alguém...
e usa as nossas rotas para enriquecer ás nossas custas.
Como é que te sentirias?
O conhecimento é poder, Marco.
E o poder leva á riqueza. Por isso é que aqui estamos.
Para que a família Polo se converta na guardiã...
da rota das riquezas da China.
Os livros podem ser as coisas mais perigosas do mundo, Marco.
E quem achas que vai ler os teus gatafunhos?
Os que encontrem os teus ossos?
China!
O exército de Kublai Khan veio por aqui.
Isto é o que acontece quando a cidade desafia o Khan.
Por aqui!
Esperem, esperem.
Estes homens são da cavalaria do Khan,
enviados por ele para proporcionar
uma viagem segura aos membros da sua corte
Se em Veneza houvesse soldados como estes
tínhamos conquistado Génova á muitos anos
Se em Veneza tivéssemos soldados como estes
podíamos conquistar o mundo.
Marco!
O que eram essas coisas? Acham que têm mais potentes?
A que distancia acham que podem lança-las?
Quando te espetem uma faca nas costas para te calar,
vais perguntar: Do que é feito o cabo?
Quem desenhou a folha? Donde veio?
Parece pó, mas dispara fogo.
Tenho intenção de ser teu escravo.
Os desejos do meu dono são a minha única felicidade.
Temos provisões suficientes para três dias.
A vida diária como escravo tornou-se parte de nós,
é assim que começam as boas amizades e assim se tornou a nossa.
- Como é que faz isso? - Magia chinesa.
Há, Há, Há.
Essa pedra era o primeiro dos milagres que via.
As grandes caravanas que levavam as riquezas...
da China até ao fim do mundo eram outro.
Mas nenhum será tão grande como a minha primeira visão
da cidade mais grandiosa da China.
a mais grandiosa do mundo.
ShanDu, eis o Capitólio de Kublai Khan
Venham, por este caminho.
- O que é isto? - Babuínos, ou bárbaros.
Íamos conhecer Kublai, neto de Ghengis Khan.
O homem que uniu as várias nações e tribos do Vale Mongol.
Marco.
Quieto.
Quando entrarem ajoelhem e toquem com a cabeça no chão,
não olhem directamente nos seus olhos, não deixem que os vossos anseios o toquem.
Quando saírem não lhe virem as costas, recuem
e mantenham os olhos no chão
De joelhos.
- Onde estão os sacerdotes? - Afinal tiveram medo da viagem
sua majestade, por isso regressaram.
Mas temos óleo, óleo da cidade sagrada
Disse-lhes para trazerem uma coisa e vocês trazem outra.
Não, é um óleo.
Bendito pelo próprio Papa.
E isto é uma conversa sobre a submissão do Papa perante mim?
- Podem-me dar isso também? - Isso não está nas nossas mãos
excelência, somos vendedores, comerciantes...
É como se não tivesse dito nada,
e vocês não tivessem estado aqui.
O Papa ouviu todas as nações do Oriente
são ouvidas. E desde que pensem que podem mudar
a sua religião não tem nada que temer deles.
Shhhh.
Que idade tens para ter essa sabedoria?
Vinte anos senhor.
O valoroso Ghengis tinha treze anos quando começou as suas conquistas,
- Serás tu um segundo Ghengis? - Centenas de anos depois
o império romano mandava no mundo mas eu vi
que este é o mais grandioso.
Porque fala tanto o jovem? se é mais agudo
ou na minha opinião o que estou a ouvir são loucuras
Pensas que os reinos asiáticos
não têm nada que temer do Oriente.
Não enquanto pensem que podem convertê-lo a si e á sua gente.
Estás a sugerir que planeei uma estratégia errada
e por isso pedi que trouxessem os sacerdotes?
- Eu.. - Ás vezes a melhor resposta
é não responder nada.
Devíamos tê-lo deixado na Pérsia.
- Esse jovem. - Não gosta de ouvir.
Sim mas olha á tua volta. Quem é que lhe vai dizer o que você
não quer ouvir?
E por acaso não é isso o que mais precisamos?
Desse modo esperas evitar que chateei, elogiando-me?
Não, não disse elogios. Eu vi aqui milagres.
Mas acho que não vi centenas dos que há aqui na China
Levava uma vida para os ver todos.
Posso dar-te isso.
O que achas, Pounakuaks, nem que tivesses
uma vida inteira, podias civilizar
este jovem bárbaro? - Você teria mais hipóteses de fazer isso.
Vamos voltar para a Veneza já
Majestade, se é esse o seu desejo. - É, mas o seu filho, que fala
com tanta reverência, vamos deixá-lo responder ele mesmo,
tem cuidado com a resposta. - Eu não vim aqui negociar,
vim aqui ver um império que o meu pai me descreveu,
eu amo-o e respeito-o, mas não quero ir-me assim,
dar meia volta e voltar de novo a casa.
Os jovens dizem coisas loucas... que mais tarde lamentarão.
- Especialmente este jovem. - Mas já tem idade para ter opinião.
Não é verdade?
Vais viver aqui, a vida inteira.
Deixo-o sob a sua protecção Lord Chenchu.
Leve este bárbaro para se arranjar, vestir-se, veja o que pode fazer.
Quem sabe... talvez seja útil um dia.
Encontrou apoio na imperatriz, ela falou por si.
Isso é bom. Mas ao mesmo tempo,
A melhor forma de sobreviver na corte é passar despercebido
Primeiro uma pedra onde escrever e agora uma que arde.
Polo.
Vais viver aqui, tornar isto o teu lar.
Damos-te mais se tiveres a sorte de aguentar uma semana.
- Queres ficar com o mesmo escravo? - Sim.
- Podíamos dar-te um melhor. - Estou acostumado a ele.
Já ouvi respostas mais entusiastas.
- Regressas comigo Marco. - Não.
- Eu sou teu pai. - Onde vais encontrar outro agora?
Tu sempre me disseste que a vida era uma aventura,
ou não é. - Que vida vais ter aqui?
- Que vida posso ter sem ti em Veneza? - Tenho que fazer isto.
- Isso significa que não volto a ver-te. - Niccolo, temos ir embora,
ou ficamos presos aqui também.
Espera, espera.
Se tens que ficar, então escreve tudo o que vires Marco
Os homens precisam de provas. Desvalorizam-me porque não as tenho.
Põe tudo aí.
Eu estava só, pior,
estava dividido entre dois mundos, em dois corpos,
Um homem do Ocidente, aprendendo com os homens do Oriente.
O Oriente parece muito estranho para os estrangeiros.
A imperatriz Chabi, também governa o Reino,
- Como é isso? - No teu mundo as mulheres governam?
- Não, educam as crianças, mas não governam.
Os homens não se riem ao ouvir uma mulher?
- E porque o fariam? - Porque ser uma mulher.
A mãe do Khan levou-o ao trono, ele ouvia-a mais que a qualquer outro.
Até Ghengis Khan, consultava as suas esposas
Dividiu o seu Reino pelos seus filhos, porque devia ser de outra maneira?
Porque ela é mulher
Não é um homem duas vezes mais sábio se tiver a seu lado
a sua mulher?
- O que é que fizeste? - Paguei pelas espécies.
- Mas o dinheiro de ouro ou de prata. - Isto também é dinheiro.
- É papel. - Mas serve como o ouro ou a prata.
- Esta folha de papel não vale nada. Vale o mesmo que o ouro ou a prata?
Sim.
Mas é só papel!
Esteja quieto. Onde lhe dói?
Como é que isso não dói?
Se acreditar o suficiente na magia chinesa.
Funciona!
Deve ter acreditado.
- Que linhas são estas? - Os pontos por onde fluiu a energia.
Os seus médicos não sabem isto?
- Não. - E como vos tratam?
Não o fazem. Rezam, e se não funciona, enterram-te.
Sim, a China é rica e poderosa, e muitas coisas mais que nós não somos...
mas a Europa é o centro do mundo.
Deve ser.
Deus pôs o Papa na sua igreja lá.
O Deus verdadeiro? O império tem milhares de deuses.
Isso é uma blasfémia.
Os homens fazem a guerra aqui, mas não é para salvar a alma de outros...
pelo que me disseste, são as guerras mais terríveis de todas.
Prova.
Nunca tinha provado uma coisa assim.
- Isto é tudo verdade? - Podias perguntar ao meu pai,
antes de lhe chamarem mentiroso.
Eu acredito-te, acredito em tudo o que me contaste
Mesmo que assim não fosse, são as viagens mais grandiosos que jamais
alguém contou.
Os meus escritos não foram vistos por ninguém em Veneza
Ninguém põe em causa a vida de Polo agora.
Não, eu sou escritor profissional. Sem modéstia posso dizer-lhe que sou bom.
Ouviu falar de mim, Rustigielo de Pizza?
- Não. - Não?.
Mas, estive fora muitos anos.
Dos meus escritos foram feitas muitas cópias.
- Nunca ouvi falar disso. - Nunca?
- Não. - Que estranho.
Eu escrevo romances. Você tem uma historia maravilhosa
mas um pouco...
você era um jovem numa terra estranha,
enfrentando um futuro incerto. Nunca se juntou a ninguém,
tirando o seu escravo. Alguém com quem partilhar a vida.
- Houve alguém, sim. - Ah, da corte.
Ela foi trazida á corte, mas contra a sua vontade
- Kensai, porta-te bem. - Há, há, há.
Kensai, são os homens do Khan.
Prendam-na!
Descobre a cabeça. Vamos!
Dêem-lhe a volta.
Será uma boa esposa para o Khan.
Irmãs.
Vamos.
Não te chateies. Encontraremos outra noiva para ti.
Temulum, és tu?. - Shh, mexe-te.
Se tiverem sorte, sim, serão escolhidas para estar uma noite,
na alcova do Khan, não mais, só uma noite.
Não importa quanto implorem...
Depois dessa noite, serão entregues àqueles
que ele escolha, um soldado, um general, ás vezes aos dois ou com alguém da corte.
- Onde vais? - É melhor que você não saiba.
se não me voltar a ver, ao menos digo que foi bom
conhecer um bárbaro.
Não só te pões em perigo como também me pões em perigo
a mim também.
O Khan é muito sábio e tudo vê
mas tem os seus preferidos. Um deles é Achmath,
é rico e poderoso e tem todas as cortesãs que quer
mas não foi suficiente. Quis a minha irmã,
ela recusou-o, e ele vingou-se.
O Khan permite isso.
Já te disse, o Khan tem os seus favoritos,
ninguém lhe disse uma palavra sobre isto
Eles fizeram-te isso?
Jurei matá-lo, mas não consegui chegar a ele.
alguém o fez mas fracassou.
Achmath começou a vingança contra o meu clã todo
Ainda a está a fazer.
a noiva de um dos meus homens, Honchu,
foi trazida e encerrada na casa das mulheres,
Honchu não voltará a vê-la mais.
Ela agora é tão escrava como eu sou
- Tu não és meu escravo. - Sou escravo de um bárbaro.
que come com as mãos e crê que um só Deus
pode governar um mundo tão vasto como este.
Algo muito especial para esta noite excelência
Mestre, chamam-no para atender o filho do Khan.
Sai daqui.
Ele vem?
- Onde foi o teu chefe? - O príncipe chama-o.
O príncipe não voltou da caçada.
Traição.
- Revolta na cidade velha, senhor. - Quando chegarem ao Palácio acordas-me.
Não te preocupes, são só uns rebeldes
nas ruas.
Põe isto. Anda.
A matança continuará. Matarão todos os envolvidos
e todos os que estiverem perto deles,
e depois todos os que os conheciam.
Você deixe-me ir. Antes de que me venham buscar.
Foi traição.
Foi traição.
Qual é maior traição, Sua Excelência:
roubar, matar e violar sob o escudo do seu nome
ou deixar impunes esses homens?
É isso que ensinas a este bárbaro?
A opor-se ao seu Khan?
Lord Achmath fez o que fez em seu nome,
mas a sua corte e os seus generais tinham demasiado
medo para lhe dizer a verdade.
Loucura, Excelência, só pode ser isso.
Talvez eles lhe tenham dito para que governar dessa maneira.
Não lhe chega ser o governante mais rico
do mundo, por acaso não é melhor ser também
o mais sábio?
Cala-te!, os teus lamentos não te vão salvar desta vez.
Ouvi-te e agora olha para isto. Está envolvido na traição,
um bárbaro, insultando um
dos meus melhores homens.
Acusando-me de não saber o que se passa diante
do meu nariz.
Talvez sejam civilizados, talvez sejam só burros.
Ainda que sejam burros inteligentes.
Levem-no.
Então é verdade, Lord Achmath fez
essas coisas todas em meu nome e ninguém me disse nada,
usando a minha protecção para os seus crimes
e nem sequer os meus generais, têm coragem para me contarem.
E quem me contou? Um miúdo, um bárbaro.
Pode o Grande Khan ser um pobre juiz?
- Rápido, alguém que me responda! - Não, senhor, são mentiras,
tudo mentiras. - Não, é verdade, é tudo verdade.
É verdade, quantas outras verdades eu não sei ainda.
Os chineses são os maiores inventores do mundo,
Como podes ver tenho muitos dos melhores nos meus empregados.
Eu diria os mais artísticos, os melhores nas execuções,
cortar em 100 pedaços, quem tem a morte
mais longa e duradoura. Sim sinto que merece piedade,
então ordeno que lhe arranquem os olhos primeiro
para que não possa ver o que lhe acontecerá depois,
talvez deva ser mais generoso deixando-lhe os olhos.
Que te parece?
O que é que tu és?
um homem sensato ou um que disse a verdade?
Pode um homem ser as duas coisas
Ah, eu não conheço nenhum.
Podes levantar-te.
Tu desafiaste o teu pai para ficar cá.
Eu sei como viver na sombra dum antepassado.
Acabas de fazer o teu primeiro inimigo perigoso
parabéns é sinal de ambição.
Não posso ter Lord Cogatai preso muito tempo,
a sua família é poderosa e quando puder
não vai ser fácil encontrar amigos aqui na China
Tu és um jovem fora do comum, pareces ter talento,
inteligência, mas ainda é cedo, não tens ninguém da tua religião,
eu faço uso desses homens de vez em quando.
Um homem cuja lealdade para mim seja pessoal
e indestrutível. Um homem em que posso confiar,
até certo ponto claro. Um homem que
me diga só a verdade e diga a verdade de mim aos outros
sempre e toda a verdade.
Tu converter-te-ás no meu homem na corte,
ou enfrentarás a raiva de Lord Cogatai só
e não chegarás a velho, garanto-te.
Se te disse que para sobreviver era melhor continuar incógnito.
Não só me está a pedir o que outros não puderam...
procura uma amizade.
Ele tem a Imperatriz.
50 esposas e uma rapariga diferente na cama todos os dias.
Mas está só. Este é o único tipo de amizade que pode...
permitir-se com alguém como eu.
Se te fazes seu amigo, serás inimigo de todos os outros.
Ficarão a dizer que só te aproximaste dele...
para atraiçoá-lo e depois quando morra ou percas os favores da Imperatriz...
sentar-se-ão no trono do Dragão, isso tem que ver contigo?
Salvei-te a vida. E arrisquei a minha para isso.
Tenho que saber... a revolta acabou?
Acabou quando Acbath morreu.
- Não procuras mais vingança? - Está acabada.
E a mulher que foi retirada ao teu clã. Não procuras vingança por ela?
Isto não foi contra o Khan, mas contra o que se fazia em seu nome.
A sua fé é dela, sabe.
Fizeste bem Temulum, o Khan está contente,
muito contente. Ele ordena que sejas entregue a uma pessoa,
para a qual parece ter grandes planos.
Um presente da parte do Khan.
Eu sei que ela nunca me amou tanto como eu a amei
desde o primeiro momento. Noutras circunstâncias, quem sabe.
Tudo o que fazia tinha graça, tudo nela me fascinava.
Ela pertencia a este novo mundo que eu descobria.
Entre todas estas coisas estranhas.
Ela era maravilhosa.
Não pude conter-me e escrever tudo,
como tinha prometido ao meu pai.
Ela era estranha e difícil de entender,
tal como a sua música.
Não sei nada acerca de ti e quero saber tudo.
- Para escrever nesses livros. - Não, nunca faria isso.
Quero conhecer-te porque quero conhecer-te.
- Então pergunta ao Pedro. - Pedro?
Ele conhece tudo. Também sabe que você lhe salvou a vida.
Tu eras uma das mulheres do seu clã?
Guardas, papel, tinta e pluma, preparem-se.
- O que é que estás a fazer? - Explorador... escritor.
- Escritor... explorador. Há, há, há, Marco, Marco.
Toda a minha vida usei a cabeça para criar
aventuras, caracteres, histórias de amor.
Para encher estas páginas vazias.
E aqui nesta prisão, onde pensava que tinha
acabado tudo para mim, você oferece-me a historia
mais grandiosa que jamais teria imaginado.
- E ainda me diz que é verdadeira. - É verdade, tudo verdade.
Então o mundo inteiro tem que sabê-lo, não apenas nós.
- Permita-me que o faça? - Fazer o quê?
Rustigielo de Pizza. As viagens de Marco Polo.
Ohh.
As viagens de Marco Polo por Rustigielo de Pizza
As viagens de Marco Polo contadas por Rustigielo de Pizza
Só, só, as viagens de Marco Polo. há, há, há,
depois discutimos o que por no título eh.
Mas por agora...
Você e a rapariga, o seu escravo, Kublai Khan,
a corte, inimigos por toda a parte, sim?.
Sim, sim, sim.
Sofreste demasiado. Queres que a tua dor acabe.
Tenho poder para te dar isso, mas primeiro preciso saber...
que nomes lhes destes relacionados com a revolta.
Não dei nenhum nome. Ainda!
Isso significa que ainda corres perigo.
E porque ela acaba com tudo o que toca, eu também corro perigo.
Porquê? O Khan sabe que Acmath provocou a revolta
Se se revoltaram uma vez, não podiam voltar a fazê-lo?
- Se acham que há uma razão. - Falarei com o Khan.
Não conheces com quem estás lidando?
Podes perder a cabeça.
Disse-te que tinhas sorte se durasses uma semana aqui.
Sobreviveste isso... talvez não por muito mais tempo.
Lord Coconaugh, vais ser libertado.
Não chegarás longe com esse nas tuas costas.
Vou-me entregar. Não faz sentido que nos executem os três.
Não deixarei que o faças.
Ás vezes nós os escravos tomamos decisões.
- E se faço que te prendam comigo? - É um risco que correrei.
Preciso de ti!
És difícil e insubordinado mas não posso mexer-me aqui sem ti.
- Lord Chenchu proteger-te-á. - Tenho vivido na corte toda a vida.
Achas que sobreviveria sem atraiçoar ninguém, como o faria comigo?
Escuta-o.
Eu não devo nada, nem tu. Nem Temelum. Somos frágeis um sem o outro.
Só podemos confiar em nós mesmos.
Vamos sobreviver, podemos fazê-lo juntos.
E agora sou do seu clã.
O bárbaro fez-te seu escravo para fazeres o trabalho sujo dele?
Ele tem a protecção da imperatriz
como eu.
Então procure uma roupa para vestir
senão o Inverno chega antes que você dê por isso.
Lord Chenchu.
Esse seu jovem, o bárbaro, continua tão forte como antes?
Digamos que viver na corte está a torná-lo mais sábio.
Seguramente, porque ainda tem a sua bonita cabeça
sobre os ombros apesar dos inimigos.
É tempo de testá-lo a ele e á sua lealdade.
Comércio, comércio, comércio significa defender os caminhos,
os rios dos piratas, esta cidade controla as rotas comerciais,
das alianças do Oriente. alianças de especiarias.
Valem mais que o ouro. - Onde estão essas especiarias?
Quantas há por aí? Porque é que só nascem ali?
Isto não é um mapa geográfico é um esboço diplomático.
O governador desta cidade esteve a falar
com pessoas descontentes com o seu imperador.
Se tratamos este homem como um inimigo,
pode pensar que não tem nada a perder e lançará uma revolta.
Mas se esquece a sua deslealdade talvez tenha coragem
para questionar a minha autoridade.
Lord Chenchu e outros pensam que isto
é um assunto enleado que tu com o teu talento para as palavras
e os teus elogios podes ser capaz de negociar.
Significa uma grande viagem pelo rio, tão grande que podia levar,
metade do Ocidente, achas que podes estar longe de mim,
e executar esta missão em meu nome?
Só para ver, sua excelência, se o resto do reino está contente
sob o governo da imperatriz - O que é que acha, Lord Chenchu?
Podemos confiar a este bárbaro esta delicada missão?
Uma grande viagem para ti.
Enquanto eu ocupo-me das ameaças soltas aqui.
Querias justiça e isso é por fim á tua dor.
Aqui tens.
Quero que conheças Marco Polo.
Marco.
Esta é a minha irmã Kensai.
Este é Marco Polo, ele quer saber tudo acerca do mundo.
É rápido, mas tem que aprender a ter paciência para procurar tudo.
É diferente, sim. Vês o nariz dele.
Ele é bom para mim ele gosta de mim.
Agora vai.
Ela está só também. Só me tem a mim.
Se chegar a crescer vai precisar de um protector,
que com o seu poder fique com interesse.
Sei o que significa.
No regresso desta viagem sabes que és livre de encontrar
outro que ocupe o meu lugar, alguém com o poder de proteger Kensai.
Mas regressarei.
Sim. O teu destino e tu não nos pertencem
No teu país há escravos?
A maioria vive como escravos, já lhes compraram suas almas.
Voltarás?
Porquê? Quando há tanto que ver do mundo.
Penso que talvez regresses. Quero ver que estranho é o teu mundo.
E as maravilhas que tem.
Não podes falar assim, sabes.
Sentes a sua falta?
Desvanece-se como um sonho quando o recordo.
É bonito?
É um dos lugares mais bonitos do mundo.
Mesmo considerando que o que todos querem é só fazer dinheiro.
Parece-me uma vida passada.
Outra vida.
- Não desejas voltar a ver o teu pai? - Claro que quero.
Para fazer as pazes com ele por abandonar-te aqui.
Não foi isso que se passou? - Nunca acaba a viagem a mesma
pessoa que começa. Cada um descobre coisas acerca de si mesmo
durante a viagem, eu não o julgo pelo que encontrou.
E um dia todos terão isto.
E contarei a Veneza que a China é o centro do mundo.
E que eu, Marco Polo, filho de Niccolo estive cá,
Servindo o grande Khan.
Isso é uma sugestão ou um insulto? devo tratar-te com um bárbaro e jovem.
Eu falo em nome do Khan e de todo o seu poder.
O senhor que está no céu e na terra sabe que você o ama,
mas ele pensa que lhes quer menos pelos refugiados na sua cidade
parece que tem refugiados das revoltas
Dou abrigo a todos os que o peçam,
a minha gente faz tudo igual mesmo até o grande Ghengis.
Nós os mongóis vimos de muitas raças antes de tudo.
Quando voltar á corte espero poder dizer ao Khan
que o que lhe disseram foram mentiras,
e que o seu governador tem o seu lugar onde for.
Pelo que disse podem cortar-lhe a língua e a minha também.
Ainda assim, nós temos o poder.
Pois parece que vamos comprová-lo, senhor.
É uma armadilha, enganaste-me bárbaro.
O Khan não quer a sua cabeça quer a dos rebeldes.
- Porque devo acreditar? - Juro por minha honra.
O Khan sabe que você aloja os rebeldes aqui
você nunca o ouviu. Você sabe que a anarquia
é a doença moderna e você faria qualquer coisa
para erradicá-la.
- Você dizia-lhe isso. - Não é essa a verdade?
Não é uma aldrabice?
A única aldrabice é alojar os inimigos do Khan.
Não é assim?
Dê-lhe esta mensagem por mim e pela minha família.
Por todos.
Porque é que a lealdade devia ser castigada?
Vê.
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