All language subtitles for Korol.Lir.Part.II.DVDRip.XviD.by.MakingOff.Org

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Original subtitles

Segunda parte

Soprai, oh, ventos, at� que as vossas faces rebentem!

Enfurecei as cataratas!

E tu, trov�o, torna tudo plano!

Bom titio, entra e pede a b�n��o �s tuas filhas!

Isto n�o � noite que se compade�a de ajuizados ou de tolos.

Nem a chuva, nem o vento, nem o trov�o s�o as minhas filhas!

N�o vos acuso de insensibilidade, elementos.

N�o vos dei o meu reino, nem vos chamei filhas.

N�o me deveis nada.

Que a vossa m� vontade caia sobre mim!

Mas estou enganado.

N�o estais de lado.

N�o, esp�ritos da destrui��o,

sois aliados das minhas filhas.

Vergonha, vergonha!

Quem tiver uma casa para meter a cabe�a,

tem a cabe�a salva.

Se tens os p�s cobertos,

E n�o tens um teto a cobrir-te a cabe�a,

Criar�s pulgas no caminho

Desta vida errante.

Quero ser modelo de perfeita paci�ncia.

N�o direi mais nada.

Quem est� aqui?

Um rei e um pobret�o, isto �,

um s�bio e um doido.

Oh! Senhor! V�s aqui!?

Criminoso!

Pesam-te crimes na alma que a Justi�a n�o castigou.

Volta a ti e confessa!

Esconde a m�o ensanguentada, assassino!

Pedi perd�o ao C�u!

Pequei menos diante dos outros,

do que os outros diante de mim.

Senhor, h� uma cabana perto para se abrigar da tempestade.

Estou a ficar louco.

Vamos, meu rapaz. Tens frio?

Tamb�m eu tenho frio. Onde fica o teu palheiro?

Meu bobinho, parte do meu cora��o

tem pena de ti.

Ei-lo. Entrai, Alteza!

- Deixa-me s�. - Entrai.

Queres partir-me o cora��o?

Prefiro partir o meu. Entrai, Alteza!

Achas que ficar molhado at� aos ossos � uma grande desgra�a?

Senhor, entrai.

Entra tu, pe�o-te, e descansa.

A tempestade impede-me de pensar em coisas que me possam ferir mais.

Sempre vou entrar.

Primeiro, tu. Tu, que n�o tens casa.

Vou rezar e dormir.

Vagabundos, todos nus,

corridos pela tempestade agreste,

famintos e sem teto.

Como podem estes trapos

proteger-vos contra a tempestade?

Pensei t�o raramente nestas coisas, antes.

Eis a li��o.

Rica�o arrogante,

p�e-te no lugar dos pobres,

sente o que eles sentem.

Bra�a e meia de �gua! Pobre Tom!

N�o entres, titio! Est� a� um esp�rito.

Quem est� a�? Quem �s tu, que rosna no feno? Levanta-te!

Para tr�s! Persegue-me o amigo imundo!

O vento sopra no abrunheiro.

Mete-te na cama e aquece-te.

Deste tudo �s tuas filhas, como te puseram neste estado?

Quem d� uma esmolinha ao pobre Tom?!

Quem foi o amigo que arrastou pelo fogo, chamas, espada e a voragem,

obrigando-o a agarrar, correndo, a pr�pria sombra.

Por que me espias?

Deus protege a vossa raz�o.

Deste-lhes tudo? N�o salvaste nada?

S� fiquei com o cobertor,

caso contr�rio seria uma vergonha.

- N�o tem filhas, senhor. - Desaparece, traidor!

Ser� costume, nos tempos que correm,

expulsar os pais sem piedade?

Bem o merecem!

Foram eles que puseram no mundo as filhas cru�is.

Pillycock sentou-se na montanha Pillycock...

O frio desta noite d� com todos n�s em doidos.

Acautela-te do Dem�nio negro. Tom tem frio.

Mais te valeria estar na sepultura,

do que andar assim exposto ao rigor do tempo.

O homem nada mais � do que isto?

Olhai para ele.

S� tem o que � dele, nada estranho.

Somos todos artificiais, ele � o verdadeiro.

� o pr�prio ser humano,

exatamente este pobre animal b�pede e nu,

nada mais.

Sa�, sa�!

� tudo emprestado!

Desabotoa aqui.

Chega, titio, n�o � noite de se tomar banho.

- Como est� de sa�de, Vossa Gra�a? - Ent�o, haja!

Vamos julg�-las!

Senta-te aqui, juiz instruid�ssimo.

E tu, aqui, s�bio.

Ent�o, raposas!

Deitai-vos para descansardes.

Ela ser� a primeira a ser interrogada. � Goneril.

Juro perante esta vener�vel assembl�ia

que expulsou o pobre rei,

seu pai, a pontap�.

Aqui est� a outra. Como ela toldou os olhos!

Os olhos s�o o espelho do cora��o.

Para onde? Agarrai-a! �s armas! Fogo!

O tribunal est� comprado!

Exijo que autopsiem Regane

para saber o que tem na regi�o do cora��o, porque este � de pedra.

Julgo que o senhor � um dos meus cavaleiros?!

N�o gosto da vossa vestimenta.

Deite-se, Alteza, repouse.

Menos barulho, menos barulho...

Correi a cortina...

Assim est� bem.

Levantamo-nos amanh�, jantaremos de manh�.

Assim est� bem.

Vou dormir at� ao meio-dia.

Quem vem l�? Quem procurais?

E v�s quem sois? Como vos chamais?

� o Dem�nio! Deambula pela noite com os olhos arregalados.

Arre, bruxa!

Quem sois?

O meu nome � pobre Tom!

Mas s� ratos, ratazanas foram

o almo�o de Tom durante sete anos...

N�o tem Vossa Gra�a melhor companhia?

Mais baixo, perdeu o ju�zo.

Deixai-me levar-vos onde tereis lume e a ceia pronta.

E vamos logo a D�ver, onde est� tudo arranjado.

Qualquer demora significar� a morte dele e a nossa.

As filhas querem que ele morra.

Dizes que o rei enlouqueceu?

Tamb�m estou quase louco.

Tamb�m eu tinha um filho, que agora renegou o meu sangue.

Hei de vingar-me!

Ah, n�o! Podem lan�ar-me no rosto o eu ter obrigado

a ceder a natureza � lealdade.

Como a minha sorte � cruel! Como n�o queria

ser eu a descobrir esta trai��o.

A carta fez de ti conde de Gloucester.

Seguirei o meu dever de lealdade,

apesar da voz do sangue.

Ide mostrar esta carta a vosso esposo.

A guerra come�ou.

Procurai o traidor Gloucester!

Enforcai-o imediatamente!

Acompanhai a nossa irm�.

Ide procurar o duque, que se prepare a toda a pressa.

Mantende comunica��o constante conosco.

Onde est� o rei?

Gloucester ajudou-o a fugir.

- Ah, o traidor! - Raposa ingrata!

Atai-lhe os bra�os!

Sois meus h�spedes, n�o fa�ais passar uma indignidade.

- Amarrai-o, j� disse! - Bem atado, bem atado!

Eu n�o sou traidor! Estais a ser cruel, senhora!

Amarrai-o a esta cadeira.

Que ides fazer?

Que cartas recebestes de Fran�a?

Respondei simplesmente, sabemos tudo.

Conspirastes com o inimigo?

- A carta n�o era do inimigo. - N�o � verdade!

Onde mandastes o rei?

- A D�ver. - Contra a nossa proibi��o?

Para qu� a D�ver?

Assim amarrado, � imposs�vel sustentar o combate.

Para que a D�ver?

Para n�o ver as tuas unhas cru�is arrancar-lhe os pobres olhos j� velhos.

Mas deixa, que a vingan�a ainda h� de abater-se sobre tais filhas...

Nunca h� de ver isso! Segurai-me bem essa cadeira!

Vais sentir o peso dos meus p�s nos teus olhos!

Socorro! Oh, cruel!

Um n�o vai escarnecer do outro. Este tamb�m.

Ainda queres ver a vingan�a?

Senhor, n�o continueis.

Servi-vos desde crian�a... Detende-vos!

Que diz este c�o?

Pensai melhor tamb�m v�s! Que quereis fazer?

Mal servo!

Bom, est� bem, veremos quem leva a melhor!

Motim?

Ainda vos resta o outro olho, para verdes que desgra�as cair�o sobre ele.

- Olhai! - Ele n�o v�!

Edmundo!

Edmundo! Edmundo!

Oh, trevas! Oh, desola��o!

Edmundo, ati�a todas as fa�scas da Natureza e acaba com este horror!

Fora! Traidor, celerado. Chamas por aquele que te odeia de morte?

Foi ele que te entregou. � demasiado honrado para n�o ter pena de ti.

Louco que fui! Nesse caso, Edgar foi caluniado.

Ponde-o fora do port�o!

Que procure com o olfato o caminho de D�ver.

O cego, fora. O cad�ver do servo, para a estrumeira.

Estou ferido.

Esta ferida vem em m� ocasi�o. Dai-me o vosso bra�o.

Mas vale ser-se desprezado e sab�-lo, do que ser-se desprezado

e lisonjeado.

� melhor saber que estou condenado;

ser-se condenado e bajulado � pior.

Os mais oprimidos e rejeitados pela Natureza,

ainda t�m esperan�a, s� os grandes � que lamentam a mudan�a para pior.

Oh, vento, sopra! Reduziste-me a p�.

J� n�o tenho medo de ti.

Parte, vai-te embora.

A mim j� n�o podes valer, mas tu ainda podes passar mal.

Como haveis de ver o caminho!

N�o tenho mais caminhos, para que quero eu os olhos?

Quando tinha os olhos, tropecei.

Oh, caro Edgar, meu filho!

Se pudesse tocar-te mais uma vez,

diria que voltei a ter olhos.

� o pobre Tom. Aonde vais tu, camarada?

� algum mendigo?

� mendigo e louco tamb�m.

N�o � tolo de todo, caso contr�rio n�o andava a pedir.

Vi um rapaz assim ontem, durante a tempestade.

O que me fez pensar que o homem � um verme.

Pensei, ent�o, que o meu filho fosse um monstro.

Soube muita coisa desde ent�o.

Para os deuses, somos como as moscas, que os meninos travessos

matam para se divertirem.

Quero que seja meu guia.

Mas, senhor, � um doido!

� um sinal dos tempos, um doido guiar um cego.

- �, brejeiro nu? - O pobre Tom est� com frio.

Anda c�!

N�o posso fingir por mais tempo!

N�o h� outro rem�dio!

Benditos sejam os teus olhos meigos. Mas deitam sangue?

Conheces o caminho para D�ver?

Todos os atalhos e carreiros, caminhos e barreiras.

O pobre Tom j� teve muito medo. Guarde-te Deus do Dem�nio.

Toma esta bolsa.

- Conheces D�ver? - Sim, mestre.

H� um rochedo, cuja crista elevada domina o mar.

Leva-me at� ao seu cimo e eu te tirarei da mis�ria.

Chegado l�, j� n�o preciso de guia.

D�-me o teu bra�o. O pobre Tom h� de dar conta do recado.

Seja bem-vindo, senhor!

Admira-me que o meu complacente marido ainda n�o me tenha procurado.

- Onde est� teu amo? - No pal�cio. Est� irreconhec�vel.

Disse-lhe que um ex�rcito desembarcara, e ele s� sorriu.

Disse-lhe que est�veis a caminho, e disse que era pior assim.

Quando o informei da trai��o de Gloucester e dos servi�os leais do filho,

chamou-me est�pido e disse que eu virara tudo do avesso.

Ent�o, n�o ireis longe. O seu esp�rito n�o o deixa empreender coisa alguma.

Os votos que pelo caminho formulamos poder-se-�o cumprir.

Volta para junto do meu irm�o, Edmundo. Que ele se apresse.

Nada de palavras.

Baixai a vossa cabe�a.

Serei menos que um c�o? N�o mere�o a vossa aten��o?

Nem a poeira que o vento brutal vos atira � cara valeis.

Todos os que n�o conhecem

a sua raiz morrem como um galho seco.

Basta!

Os infames s� gostam das inf�mias.

A pr�pria sujeira �-lhes mais cara e querida.

O que fizestes? O que fostes fazer?

Monstros terr�veis, sem cora��o!

Cobarde miser�vel!

Tens faces para bofetadas e fronte para ultrajes!

N�o v�s a diferen�a entre a honra e o sofrimento.

Manda tocar os tambores! A p�tria est� amea�ada pelos soldados de Cord�lia.

Enquanto tu, ap�stolo da pacatez,

n�o fazes mais que indagar:

Olha para ti, diabo, e ver�s

que a deformidade moral n�o � t�o horrorosa no Dem�nio como numa mulher!

- Que me dizes? - Senhor, o duque de Cornualha morreu.

Isto mostra que h� justi�a no C�u!

Esta carta � de vossa irm� e pede resposta imediata.

Vou ler e darei resposta.

Por que voltou o rei de Fran�a t�o inesperadamente para Fran�a?

Foi chamado por assuntos urgentes de Estado.

Meu bom Kent, como poderei eu compensar-te os favores que te devo?

N�o me chegam meios nem a vida.

N�o digais isso! Essas palavras me bastam.

Procurai-o por todo o lado!

Um regimento que o procure no campo das espigas altas.

Que pode fazer a sabedoria humana para lhe devolver a raz�o?

Existe um meio, senhora.

A enfermeira da Natureza � o repouso.

Procurai-o, procurai,

para que o desespero n�o o leve ao suic�dio!

N�o, eles n�o podem proibir-me de cunhar moeda.

� um direito meu.

Sou o pr�prio rei.

A Natureza est� acima da arte, neste sentido.

Aqui tens o soldo.

Este rapaz segura o arco como um espantalho.

Puxa a corda uma jarda.

Eis a minha luva de ferro.

Lan�o-a a um gigante.

A senha.

- Suave manjerona. - Passa.

Ah! Goneril, contra estas barbas brancas?

Fizeram-me festas como a um c�ozinho,

e mentiram-me que era inteligente demais.

E diziam "sim" e "n�o" a tudo o que eu dissesse.

N�o, n�o se deve acreditar em falas bajuladoras.

Diziam-me que eu era tudo.

Mas n�o sou imune � mal�ria.

Esta voz, reconhe�o-a! Ser� o rei?

Sou. Rei da cabe�a aos p�s.

Quando aponto o olhar, todos os meus vassalos tremem!

Perd�o a vida a esse homem.

Qual foi o seu crime? Adult�rio? N�o � crime de morte.

Fazei soldados. Tenho precis�o de soldados.

Botic�rio, dai-me uma on�a de alm�scar

para perfumar a minha imagina��o.

Aqui tendes o dinheiro.

Deixai-me beijar-vos a m�o.

Vou limp�-la primeiro; cheira a coisa morta.

Conheceis-me?

Lembro-me perfeitamente dos teus olhos.

Por que me fitas de trav�s?

L�-me esse cartel.

Nota o modo como est� redigido.

Ainda que as letras fossem s�is, eu j� n�o as poderia ler.

- Anda, l�! - Como, se n�o tenho olhos?

Estais doido?

Um homem pode ver sem olhos como vai o mundo.

Olhai com as vossas orelhas.

Vedes como aquele juiz se zanga com este ratoneiro?

Mostro-te agora um truque.

Baralho tudo. Um, dois, tr�s!

Agora, qual � o juiz? Qual � o ladr�o?

Atrav�s dos vestidos esburacados � que se v�em os pequenos v�cios.

Mas os mantos de peles, esses escondem tudo.

O pecado com coura�a de ouro faz com que a lan�a do juiz se quebre.

Mas se o armares de trapos, a palha de um pigmeu atravessa-o.

Ningu�m pratica crime nenhum.

Olha que digo ningu�m.

Anistiarei todos.

Eu tenho o poder de fechar a boca aos acusadores.

P�e �culos,

como um pol�tico miser�vel,

finge ver o que n�o v�s.

Tira-me as botas. Firme!

Conhe�o-te muito bem: Chamas-te Gloucester.

Precisas ter muita paci�ncia. Viemos a este mundo para chorar.

Sabes que a primeira coisa que fazemos

� gritar e gemer.

Vou pregar: Ouve-me.

Oh, que desditosos tempos!

Quando nascemos, choramos, por que vimos a este grande teatro de doidos.

Eis uma carapu�a!

Seria um delicado estratagema cal�ar de feltro uma for�a de cavalaria

e cair sobre os genros!

Apanh�-los de surpresa! E ent�o, mata, mata, mata!

Senhor, a vossa car�ssima filha...

Socorro! Qu�? Prisioneiro?

N�o me fa�ais mal. Pagar-vos-ei o meu resgate.

Ide chamar cirurgi�es. Estou ferido no c�rebro.

Tereis tudo quanto quiserdes, senhor.

Suportar tudo de novo?

Meu bom senhor!

Morrerei corajosamente como um noivo que se vai casar.

Quero ser jovial.

Sabeis que eu sou um rei?

Sois rei, e n�s vos obedecemos.

Esta majestade tem ainda vida!

Vede se sois capazes de agarrar a sorte; s� se for a correr...

Vamos, velho traidor!

Tirei a espada que te vai matar!

Que a tua m�o amiga fira com a for�a necess�ria.

Retira-te, labrego! Desaparece, monte de estrume!

Apodera-te da minha bolsa.

Entrega a carta que l� encontrar�s a Edmundo Gloucester.

Procura-o no campo bret�o.

Est� morto?

� pena que n�o esteja no cadafalso!

O leito dele � o meu c�rcere.

Liberta-me.

Tua afei�oada serva que gostaria de dizer: Tua esposa, Goneril>>.

O rei como est�?

Dorme sempre, senhora!

As tisanas de ervas medicinais

devolv�-lo-�o � paz.

Oh! Deuses piedosos!

Acalmai a dor da alma do infeliz!

Apraz a Vossa Majestade que o acordemos?

- H� tanto que dorme... - A vossa ci�ncia � quem ordena.

Por favor, aproximai-vos... Que a m�sica toque mais alta.

Meu car�ssimo pai,

fazei que nos meus l�bios eu lhe leve um b�lsamo salutar!

Que este beijo repare as ofensas

que as minhas irm�s infligiram � vossa veneranda pessoa!

Ainda que n�o fossem de seu pai estes cabelos brancos,

deveriam bastar para mov�-las � piedade!

Naquela noite, at� o c�o do meu inimigo seria bem recebido junto � lareira.

E tu, meu pobre pai, foste obrigado a pernoitar num palheiro.

Est� a acordar. � melhor que lhe faleis, senhora.

Alteza, fazei isso.

Como est� Vossa Majestade?

Para que me arrancais da sepultura?

�s uma alma aben�oada,

mas eu estou atado a uma roda de fogo.

N�o me conheceis, senhor?

Conhe�o-vos, sois um esp�rito. H� que tempo morrestes!

- Sempre assim desvairado! - Ainda n�o est� bem acordado.

Onde tenho estado eu?

Onde estou?

� a claridade do dia?

Estou a ser usado.

Olhai para mim e aben�oai-me.

N�o, meu senhor, n�o vos ajoelheis.

N�o fa�ais esc�rnio de mim.

N�o estou no meu ju�zo perfeito.

Penso que come�o a compreender.

Parece-me que vos conhe�o, e que tamb�m conhe�o este.

Mas n�o reconhe�o a minha vestimenta.

Onde passei eu a noite?

N�o se riam de mim, n�o?

Mas ou eu n�o sou homem

ou esta � a minha filha Cord�lia.

Sim, sou eu!

As vossas l�grimas tamb�m s�o �midas?

E � verdade!

S�o l�grimas.

N�o choreis ent�o mais. Se tendes algum veneno para eu beber, dai-me.

Sei que n�o me estimais;

as vossas irm�s fizeram-me mal,

e n�o tinham motivo, v�s sim.

N�o, meu senhor, tenho raz�o nenhuma!

� em Fran�a que eu estou?

No vosso pr�prio reino.

Para que me enganais?

Precisais de muita paci�ncia.

Pe�o-vos que esque�ais, e perdoai.

Ide saber se o duque mant�m a sua �ltima palavra

ou se tornou a mudar de opini�o.

� uma constante contradi��o.

Que me responda claramente.

Sucedeu alguma coisa ao mensageiro de minha irm�.

� muito poss�vel, senhora.

Agora, meu am�vel senhor,

sabeis o bem que vos quero e por isso confessai-me francamente...

Que os levem daqui e tenham em boa guarda!

At� que saibam a sua sorte.

Essas filhas e essas irm�s n�o ser�o capazes de aparecer?

N�o, n�o e n�o! Anda comigo para a masmorra.

L� cantaremos como ave na gaiola.

Quando me pedires a b�n��o,

sou eu quem hei de ajoelhar e pedir-te o perd�o.

Assim viveremos; juntos cantaremos,

juntos contaremos hist�rias e juntos havemos de rir

quando virmos as borboletas douradas.

Ouviremos os prisioneiros falar das coisas da corte;

havemos de conversar com eles

a respeito de quem ganha e de quem perde.

Nesta pris�o de pedra, sobreviveremos a todas as teorias falsas,

a todos os grandes do mundo,

a todas as mar�s baixas e altas da Lua.

Levem-nos!

Est�s aqui, Cord�lia. Somos insepar�veis.

N�o nos expulsar�o da masmorra com o fogo, como as raposas.

Enxuga as l�grimas.

Os anos h�o de devor�-los antes de nos fazerem chorar.

Levem-nos!

Ouve, capit�o! Leva-os � pris�o.

Subir�s de posto.

Se executares o que a� se ordena, far�s fortuna.

Os homens s�o filhos das circunst�ncias.

Cora��o terno n�o cinge espada!

Edmundo! Edmundo!

N�o me perguntes o que diz a ordem, mas diz se a vais cumprir ou n�o.

Ser� fielmente cumprida. N�o puxo carro�a nem trinco aveia.

Se � coisa que um homem possa fazer, est� feita desde j�.

Senhor, destes provas de coragem.

A fortuna foi-vos prop�cia.

Capturastes os inimigos. Solicito que n�o os entregueis.

Para combater, preciso de ter consci�ncia limpa.

O meu inimigo s�o os franceses, n�o o rei.

Achei por bem mandar o rei para lugar seguro e debaixo de guarda.

Toca na sensibilidade dos soldados,

e esta comisera��o pode minar a obedi�ncia.

Calma! Para mim, sois um s�dito, n�o um irm�o.

Depende do t�tulo que lhe vamos conceder.

� um cabo meu, representou-me na batalha.

Acalma-te. Os m�ritos dele levaram-no alto sem a tua ajuda.

Mas h� de ombrear seja com quem for.

Sobretudo, se casares com ele.

Os gracejadores, por vezes, s�o bons profetas.

M� foi a profecia.

Meu guerreiro, s� meu senhor e esposo.

Achas que o ser�?

N�o tereis poderes para impossibilitar tal passo.

Nem v�s.

Toca o tambor e anuncia o nosso casamento.

Alto, Edmundo, est�s detido

por alta trai��o.

Irm�, como tutor da minha esposa, ponho fim �s tuas pretens�es.

Porque j� est� meio-casada com este senhor.

Que com�dia!

Tu est�s armado, Gloucester. Que a trompa soe!

Se ningu�m aparecer para provar na tua presen�a

as trai��es detest�veis,

a� tens o meu cartel.

- Sinto-me doente, muito doente! - N�o admira.

A minha resposta � esta.

Haja o primeiro a chamar-me traidor que eu lhe respondo:

Mente como um c�o!

- Um arauto! - Um arauto!

Que a trompa soe! L� isto em voz alta.

Se algum dos oficiais ou nobres

desejar sustentar contra Edmundo,

suposto conde de Gloucester, que ele � muitas vezes traidor,

que apare�a ao terceiro sinal da trompa.

Perguntai-lhe que des�gnio o chama e por que respondeu ao sinal da trompa?

Quem sois? O vosso nome e estado?

Por que respondeis ao sinal dado?

O meu nome perdeu-se; foi ro�do pelo dente da trai��o.

Mas sou t�o nobre como o advers�rio, com quem me vou medir.

Por que atendeste ao sinal da trompa?

�s um p�rfido traidor!

Est�s sujo da cabe�a aos p�s,

traidor repugnante.

Aceito o repto!

Trompas, dai o sinal!

- Salvai-o! - Foi uma conjura, Gloucester!

Calai a boca, senhora!

Ou vo-la fa�o calar com este papel!

N�o o rasgueis. Conhecei-lo?

Est� bem! As leis s� a mim obedecem, n�o a ti.

Quem se atrever� julgar-me?

Oh! Que monstro! E tu conheces este papel?

N�o me pergunteis o que � sabido de v�s.

Ide atr�s dela, est� furiosa!

Fiz tudo de que me culpais, e muito mais.

Mas quem sois v�s?

A roda da fortuna desandou.

Que a dor despedace o meu cora��o

se algum dia vos odiei ou ao vosso pai.

Sei-o, nobre pr�ncipe!

Onde estivestes escondido? Como soubestes da mis�ria de vosso pai?

Velando por ele, senhor!

Amor � vida que nos fazes

preferir ang�stias a todos os instantes

a uma morte imediata!

- Que h�? - Est� morta.

Morta? Quem? Fala, amigo!

A vossa esposa, senhor.

E a sua irm� foi por ela envenenada.

Assim o confessou.

Trazei-as c�.

Esta senten�a do C�u faz-nos tremer!

E eu que tinha prometido casar com ambas...

Eis-nos casados todos tr�s!

A vida foge-me.

Pretendo fazer um bem,

n�o obstante a minha natureza.

Mandai algu�m ao castelo, depressa!

Mandei tirar a vida a Cord�lia e Lear!

Para a pris�o! Depressa!

Mandei tirar a vida a Cord�lia e Lear!

Corremos, corremos!

Gritai, brami, brami, oh!

Homens de pedra!

Tivesse eu os vossos olhos, que faria estalar de dor

a ab�bada dos c�us!

Fugiu-me para sempre...

Eu bem sei quando algu�m est� morto.

Est� morta como a terra.

� o fim do mundo que se aproxima?

Ou a imagem desse dia horr�vel!

Que venha e que o mundo desapare�a!

Esta pena buliu. Vive!

Se isso � verdade,

todos os meus sofrimentos ser�o redimidos.

- Oh, meu bom senhor! - Vai-te!

Assassinos! Traidores!

E eu que a poderia ter salvo!

Agora fugiu-me para sempre.

Cord�lia, Cord�lia, espera um bocado!

Que dizias tu?

Como a sua voz era doce,

o que � ador�vel na mulher.

Quem sois? N�o estou bom da vista.

- O vosso servo Kent. - Que bom rapaz ele era!

Corajoso e combatente... Morreu! J� deve estar podre!

N�o est�, meu bom senhor, sou eu mesmo.

A minha pobre inocente foi estrangulada!

N�o, n�o a vejo respirar!

Pois um c�o, um cavalo, um rato, todos vivem,

e s� tu nem um sinal de vida? Nunca mais voltar�s.

Nunca! Nunca! Nunca!

Nunca! Nunca!

D�i-me aqui. Desabotoai-me.

Obrigado.

Estais a ver? Olhai para os seus l�bios!

Olhai para ela!

Erguei a cabe�a, senhor!

N�o perturbeis a sua alma! Deixa-o partir!

Era odi�-lo querer-se-lhe prolongar a exist�ncia

neste mundo feroz!

Trazei os mortos.

� nosso dever chor�-los.

Amigos, sois os dois o meu apoio,

para livrar esta terra da desgra�a e da inf�mia.

Tenho uma viagem a fazer, Sir.

Meu amo chama-me.

N�o lhe devo dizer que n�o.

Fim

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