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Original subtitles

(1954)

SRA. FOSTER. URGENTE

PRIMEIRO DE ABRIL

Primeiro de abril!

Jill e eu �amos atrasados

como costuma acontecer aos rec�m-casados.

N�o tinha nenhuma preocupa��o,

mas parecia que Irene sim.

N�o parava de chorar,

e suas l�grimas pareciam verdadeiras.

Disse que tinha perdido sua boneca.

Um duro golpe para qualquer menina.

Ent�o que... que se podia fazer?

Fomos procurar essa boneca.

Devia ter lembrado que era primeiro de abril.

Primeiro de abril!

"Laranjas e lim�es

dizem os sinos de S�o Clemente."

"Laranjas e lim�es

dizem os sinos de S�o Clemente."

"Devo-lhe cinco moedas

os de S�o Martim respondem."

"Quando me pagar�? As de Old Bailey perguntam"

"Quando for rico,

Shoreditch est� tocando."

R�DIO T�XIS

INFORMA��ES NA ENTRADA PRINCIPAL

Por que meu carro est� saindo?

Chega tarde. Dormiu?

Desculpe, Ted. Eu estava...

N�o � nada. Des�a, Joe.

Por qu�? Chega tarde. As regras...

Cale-se. Seja compreensivo, dormiu uns minutos a mais.

E o Jack ainda est� fora?

Sinto muito, Ted.

Esque�a. V� embora!

Est� bem.

Adeus.

Esse t�xi � seu?

Ainda n�o.

Lizzie Ackerman?

Harry Basase?

Johnny Riley?

Irene Evans?

Algu�m a viu?

Ernie Riggs, pare!

N�o repetirei isso!

� sua vizinha. Voc� a viu esta manh�?

Sim.

Onde ela est�?

- Um homem a levou. - Aonde?

Era um taxista da garagem.

Cale-se, n�o perguntou a voc�!

Errol! Ernie, comporte-se bem!

Algu�m sabe onde Irene est�?

Muito bem.

Bem, espero que todos tenham feito os deveres.

Ernie, voc� come�a.

"Alegro-me de estar na primavera.

O sol brilha com ardor.

Os p�ssaros nos galhos,

cantam de puro prazer."

Talvez me preocupe sem motivo.

Sim, mas seria bom avisar a m�e dela.

Telefonarei ao meio-dia.

Quando voltar, voc� ver�.

S� me faltava isso... vir � delegacia!

J� faltou,

mas, segundo a m�e dela, nunca tanto.

Pareceu-me apropriado avisar.

Fez bem. Com esses diabos nunca se sabe.

N�o � necess�rio insult�-la.

Era boa, at� que foi � escola.

S� aprendem a fugir.

Parece que n�o h� vigil�ncia.

Os pais tamb�m contam, Sra. Evans.

O que sabe disso, senhorita.

Vamos, n�o se preocupe. N�s a encontraremos.

Quem despacha?

Tom, venha ao escrit�rio.

Sim, claro.

- Boa tarde. - Boa.

- Aconteceu algo? - Uma menina desparecida.

Foi vista falando com um taxista em Binns Road.

Como era?

7 anos, cabelos castanhos, olhos escuros,

vestido azul, sapatos marrons. Irene Evans.

Sim, eu a vi.

Ah, sim? A que horas?

Bem antes das nove horas.

Tinha esquecido da boneca dela. Fomos procur�-la e fugiu.

- Um primeiro de abril, hem? - Sim.

Sabe aonde foi?

Crian�as! A pol�cia n�o � suficiente. N�s podemos ir.

- Que aconteceu? - Vamos a um sal�o de dan�a.

Se voc� chegar tarde, Joe ficar� com o 51.

O tesouro de mam�e, hem?

Pouca coisa.

N�o pude conseguir outra coisa.

Foi vista pela �ltima vez �s 8:50 h no solar.

- A ronda teve sucesso? - N�o, senhor.

Bem, deem o aviso que desapareceu.

Entregue � patrulha e que procurem profundamente.

Sim, senhor.

L� est�o Bob Tamplin e a esposa.

Que vestido bonito!

Olhe! Eu lhe falei dele, o novo namorado Mary Bryan.

E l� est� Muriel!

Ol�!

E quem mais?

Um tal Tom Manning. Lembra-se dele?

Manning? Refere-se a Tom Manning...

O que foi ao Canad� para aprender a voar.

Exato.

Apenas nos conhec�amos e me pediu a m�o.

Voc� deveria ter recusado.

Eu tentei, mas era muito persuasivo.

Um dia entramos em uma igreja,

e agora me tem colada. Nariz contra nariz...

Lembre-me de mandar para o Canad� Sra. Manning.

Estava gostando.

N�o minta. Assim que voc� p�de, olhou para o bar.

- Tom, pensamos que estava perdido. - Ol�, Bob.

Que deseja?

Cerveja com gasosa.

- Cerveja, Bob? - Por favor.

Duas cervejas, por favor.

Tenho que v�-la!

� a m�e, senhor.

Leve-a ao carro.

Bem?

Estrangulamento. Est� morta h� umas 10 horas.

Adiante.

Envie tudo para o laborat�rio e que examinem bem o len�o.

Que colham amostras de terra, lama,

grama, ervas e p�len

do lugar onde se encontrou o corpo.

Sim, senhor.

Receava que aconteceria algo assim.

Esses solares abandonados s�o um perigo.

Por que vamos em t�xi? N�o fica longe.

Se convida uma garota para dan�ar, tem que levar para casa de t�xi.

E por uma vez, n�o dirijo.

Vai me enviar ao Canad�?

Bem... n�o sei se poderei.

As casas da prefeitura s�o apenas para pessoas casadas.

Tommy, sabe algo da casa.

- N�s conseguimos. - Verdade?

Falei com Jim Skelton. Ele sabe alguma coisa sobre isso, � o seu neg�cio.

Por que n�o me disse?

Estava muito ocupada seduzindo Bob Tamplin.

Est�pido.

- Quando poderemos ir? - Em alguns meses.

Come�arei com o jardim.

Amanh� comprarei sementes. Poderei medir as cortinas?

Se houver janelas, sim.

Depois de esperar tanto.

E morado em pens�o?

A Sra. Hart foi muito gentil.

Ser� nossa primeira convidada.

Em nossa casa, Tommy...

Uma casa nova, unicamente para n�s.

E a compraremos quando for dono do meu t�xi.

Querido...

Fico feliz em ter lhe conhecido.

Foi um beijo muito curto.

Sra. Hart, n�o devia nos esperar!

-Voc� � o Sr. Manning? - Sim.

- � sua esposa? - Sim.

Somos da pol�cia, Sra. Manning.

Sentimos lhe incomodar t�o tarde.

N�o � nada. Que desejam?

Fazer umas perguntas a seu marido.

Sobre umas declara��es suas que fez esta tarde.

O que disse da menina?

Sim.

Ainda n�o a encontraram?

Sim.

Ent�o?

Encontramos �s 22 h.

Est� morta.

Sinto muito, Sra. Manning,

mas seu marido foi o �ltimo a v�-la.

E acreditamos que pode nos ajudar.

Claro que sim! Ajudarei...

A que horas saiu de casa?

�s 8:50 h, talvez um pouco antes.

Digamos, 8:48 h?

Sim!

Quanto demorou em chegar ao t�xi?

Uns 10 minutos.

Chegou �s 9:07 h.

Sim.

Isso s�o 19 minutos.

Sim, mas...

N�o voltou a ver a menina

depois daquela brincadeira que fez?

N�o.

Por onde saiu?

Peguei um atalho para cruzar o solar.

Mas havia uma cerca e eu tive que voltar

para sair.

N�o disse isso ao guarda, verdade?

N�o... n�o dei import�ncia.

Sinto muito, Sra. Manning. � a rotina.

Boa noite.

Mas... a garota?

Que aconteceu com ela?

Foi assassinada.

Boa noite.

Tom, tenho medo. Que v�o fazer?

N�o sei!

Disseram que tinha declarado.

Declarado? S� disse que eu a tinha visto!

N�o tem nada a ver conosco.

Verdade que n�o!

ENCONTRADA MENINA ESTRANGULADA

Identificada como Irene Evans. Vista pela �ltima vez por taxista.

Tom Manning! Nunca tivesse pensado nele.

Ou�a, Sherlock Holmes, quanto menos pensar, melhor!

Leve-o!

O chefe quer lhe ver, Tom.

Ent�o decidi vir aqui e contar tudo.

- Verdade? - Isso mesmo.

Eu o vi perseguir a menina.

Eu os tinha visto antes.

Primeiro a senhora falar�. Voc�, sente-se.

Bem, disse que algu�m perseguia a menina.

Sim!

Levantou a m�o dele em um gesto de raiva!

Assim!

Estava lutando com ela e a perseguia.

Es ele!

Sente-se Manning.

Perdoe de novo.

N�o � nada.

Ontem de manh�, quando chegou atrasado,

disse que dormiu.

Eu dormi?

Oh, sim... foi uma piada de Ted.

- Ted? - O encarregado da garagem.

Sua manh� parece que esteve cheia de piadas...

Reconhece isto?

Sim, acho que sim. Onde o encontrou?

Foi encontrado debaixo do corpo.

Pode explicar como chegou l�?

N�o sei, a n�o ser que eu...

A n�o ser o qu�?

A n�o ser que eu dei a ela para enxugar suas l�grimas.

Por que chorava?

Fazia parte da brincadeira.

N�o disse isso antes!

- O qu�? - Que ela chorasse.

Ou�a, tenta demonstrar que estou implicado?

Tentamos demonstrar que n�o fez isso.

Voc� ia vestido assim?

Sim, senhor.

Importa-se que dermos uma olhada?

N�o, claro que n�o.

Bem.

Traremos de sua casa a roupa de troca.

"Ao analisar as unhas da menina descobrimos fibras de seu palet�.

Havia part�culas em sua roupa id�nticas � do solar,

assim como o p�len de diferentes plantas

comuns nessa zona."

Como em qualquer solar.

Sim, mas estas as encontraram no ombro.

� significativo. Sua declara��o n�o diz isso.

Mas sua hist�ria � coerente.

Uma boa folha de servi�o como motorista.

Bom trabalhador, um esposo feliz.

Apreciado por todos.

N�o corresponde ao perfil.

Qual � o perfil?

Mas em pleno dia, caminho do trabalho...

� absurdo!

Nesses casos n�o precisamos de um motivo.

� assunto para os m�dicos.

- Tem bastante para continuar? - Sim, senhor.

Est� bem.

Thomas Manning,

est� preso pelo assassinato de Irene Evans.

Se quiser, pode n�o declarar nada.

Mas lhe aviso que qualquer coisa que diga, ser� anotada

e poder� servir como prova.

MUNRO & MUNRO ADVOGADOS

Bem, vejamos...

Old Bailey.

Aqui est�.

Passar� no dia 14. Temos sorte.

Sim.

Tenho outra boa not�cia: o Sr. Benson o defender�.

Nosso caso est� em boas m�os.

Quando verei o Sr. Benson?

N�o � necess�rio que o advogado

veja antes do julgamento as testemunhas ou o cliente.

Defender� Tom sem v�-lo antes?

�s vezes � melhor assim.

O Sr. Benson prefere manter uma vis�o objetiva.

Sim, uma sorte que contemos com ele.

Como � a sorte aqui?

Meu marido � inocente e precisa de ajuda!

Estamos ajudando, Sra. Manning.

Asseguro-lhe que faremos tudo quanto pudermos por ele.

Obrigada.

-Ol�, Sra. Hart. - Ol� querida.

Esta � a Sra. Peskett.

Como vai?

N�o quero me intrometer, mas dizia a Sra. Hart

como temos pena dela.

Por qu�?

Bem... se me desculpa,

eu j� ia embora.

Adeus.

Adeus, Sra. Hart.

Espero que tudo acabe bem.

Perdoe minhas maneiras.

S�o piores do que lesmas j� tive o suficiente.

Prepararei tudo isto para amanh�.

Viu o Sr. Munro?

Vamos, querida... Que disse?

Que temos muita sorte,

que sejamos objetivos, e que fazem o que podem.

E que significa isso?

Que nada lhes interessa.

E suponho que ser� porque n�o pagamos nada.

N�o acho que isso mude algo.

S�o como m�dicos. Fazem o que podem!

Os m�dicos veem voc�, falam com voc� e eles permitem que voc� os ajude.

Mas os advogados...

ficam fora e n�o lhe consultam.

Aqui em seu hist�rico diz

que em um acidente de avi�o, feriu a cabe�a.

Sim, mas n�o foi grave.

Desde ent�o sofreu colapso mental ou tonturas?

Ou�a, quer demonstrar que fui eu e n�o me lembro?

S� tento buscar os dados cl�nicos.

J� lhe dei os dados. N�o fui eu!

N�o precisa se aborrecer.

N�o estou aborrecido.

Ent�o tenha a gentileza de me responder.

Diga-me, quando essa menina lhe enganou e voc� caiu em sua armadilha,

estava aborrecido com ela?

Bem, de certo modo acho que sim...

Queria castig�-la?

Acho que a teria repreendido.

Quando levantou a m�o, foi para peg�-la ou bater nela?

N�o sei, exatamente... eu...

nem uma coisa nem outra!

Quer dizer que n�o se lembra?

Claro que me lembro!

Seu pai lhe batia quando era crian�a?

Sim. O seu n�o?

Mas n�o excessivamente?

N�o.

Alguma vez o viu bater em sua m�e?

PRIS�O

Jill, querida.

Trouxe camisa limpa e len�os.

Obrigado.

Que tal a nova casa?

Muito bem. Trabalhei no jardim,

plantei sementes na borda.

Bem.

Segui as instru��es.

Mas misturei todas,

ent�o os r�tulos s�o melhor colocados.

Isso despistar� os p�ssaros.

N�o suporto lhe ver assim.

Este lugar, � como um pesadelo.

Querido, n�o...

N�o deveria falar assim, mas devo lhe dizer...

Calma... n�o se preocupe comigo.

S�o todas essas pessoas...

Tenta encontrar explica��es para umas coisas que fez

e que n�o dei import�ncia em seu momento.

Tentam encontrar desculpas para coisas que n�o fez.

N�o acreditam em voc�, v� isso em seus olhares.

Ao final, voc�...

acaba se perguntando se fez.

Tom, n�o fale assim!

Pode perder a mem�ria, sem perceber.

Dizem que n�o se lembra onde estava

ou o que fez.

Qualquer coisa.

Tom, deixe de dizer isso!

Foi tal como voc� disse!

Voc� entende? Contou a verdade!

S� voc� sabe disso.

Voc� tamb�m sabe.

Prometa-me que n�o voltar� a dizer algo assim.

Prometa-me que nem pensar� nisso.

� o que eles pensam que conta.

Bom dia, senhora, em que posso lhe ajudar?

Sou a Sra. Manning.

Preciso ver o Sr. Benson. � pelo caso do meu marido.

Sim, claro.

O Sr. Benson n�o est�, Sra. Manning.

Esperarei.

Receio que demorar� em voltar!

Est� doente, sabe?

N�o tinha hora marcada, n�o �?

Gostaria de marcar uma.

Seu advogado cuida do assunto, encarrega-se disso.

Ele se recusa, eu j� perguntei a ele.

Receio...

Mas � muito importante. Ningu�m parece compreender isso.

Talvez se escrevesse...

� in�til. Tenho que falar com ele e logo.

Talvez possa lhe ajudar.

Sou Peter Tanner, advogado de of�cio no caso de seu marido.

Meu escrit�rio est� l�.

Sente-se Sra. Manning.

Bem...

Voc� ajuda o Sr. Benson?

Melhor dizendo, o "apoio".

� Tom... meu marido, quem precisa de ajuda, Sr. Tanner.

� o que ningu�m acaba de entender.

N�o vejo que pode nos ajudar em tudo isto.

� ele quem precisa de ajuda, n�o voc�, Sr. Benson.

� a vida dele que est� em jogo.

Devem defend�-lo e nem o viram!

Isso � o que os outros fazem.

Os outros?

A pol�cia, os m�dicos, e todos os outros.

Eles o est�o afundando e n�o estou surpresa.

N�o v� isso?

Ele deve sentir que seus defensores realmente t�m f� em sua causa.

Precisa que voc� diga isso a ele.

Iria com prazer se tivesse algo que discutir,

mas temos todas as provas necess�rias para o julgamento.

N�o � indiferen�a mesmo que pare�a isso.

Um velho princ�pio o justifica.

Velho? Pois �, sim!

Tudo aqui � velho.

Velho, empoeirado e morto.

Mas Tom n�o � velho,

nem tampouco voc�. ainda que fale assim.

Suponho que ser� por isto.

Para voc�, ele � s� um "destes".

Documentos empoeirados amarrados com uma fita.

Mas n�o � isso, � um ser humano!

Est� vivo e � bastante jovem para se atormentar!

Todos o chamam assassino e ningu�m que ajud�-lo!

Pode ajud�-lo, Sr. Tanner, ele confia em voc�.

Mas voc� n�o compreende,

tenho uma responsabilidade neste caso.

Vai contra nossas pr�ticas jur�dicas.

Claro que compreendo.

Est� amarrado, igual a esses documentos.

Voc� s� fala de pr�tica e princ�pios,

n�o de bondade, nem humanidade.

Sra. Manning, por favor...

O Sr. Munro disse que n�o tinha sentido vir aqui.

Tinha raz�o!

Quem �, minha esposa?

Meu nome � Tanner.

Defensor p�blico do seu caso.

Prazer em lhe conhecer.

Pensei que poderia ser �til que convers�ssemos um pouco.

Sim, compreendo.

Sente-se.

Vejamos... pela lama dos sapatos da menina

sabemos que ela esteve na margem do rio.

Sim, eu ouvi isso.

Sobre sua declara��o de seus sapatos...

est� completamente seguro que n�o havia lama?

Olhe, eu j� disse ao Sr. Munro. Ele n�o lhe informou?

Sim, ele me disse.

Ent�o?

Sr. Tanner... na verdade veio me perguntar se fui eu?

Sinceramente, Manning, n�o vim lhe perguntar nada.

Que al�vio. Aqui fazem cada pergunta...

Sim, eu sei... fazem seu trabalho. Fique calmo.

Ficar calmo? N�o acreditam em mim, nem uma palavra!

N�o importa o que possam acreditar,

nosso trabalho � demonstrar que se enganam.

Voc� acredita em mim, Sr. Tanner?

Ajudo a lhe defender.

Sim.

N�o lhe perguntei isso.

Sim, Manning.

Acredito de verdade.

Obrigado, senhor.

Oh, Sr. Tanner...

Um momento, senhor!

Creio que houve um erro...

Ol�.

Vim para me desculpar, mas j� tinha sa�do.

O Sr. Munro me deixou lhe esperar.

Compreendo.

Desculpe-me por perder a compostura.

Parecia t�o desumano...

Foi um erro meu pensar isso.

� que usava palavras t�o estranhas...

Farei o que puder por seu esposo, Sra. Manning.

E meus colegas tamb�m.

Tenho certeza que sim, se voc� os apoiar.

J� nos sentimos muito melhor.

Obteve alguma informa��o nova?

N�o.

Sr. Tanner, n�o devemos nos cegar.

A situa��o � grave.

Temos um caso muito pouco s�lido.

Se pode se chamar um caso.

TRIBUNAL CRIMINAL CENTRAL

Tento conseguir um lugar no tribunal.

No pr�ximo natal farei 5 anos que trabalho no tribunal 1

e n�o perdi nada.

� Manning, o que matou a menina, n�o?

Por suas fotos na imprensa, parece um jovem bonito.

Para mim parece um vigarista, como todos os taxistas.

Sinto pela esposa dele.

Dizem que � um encanto.

Bem, isso n�o o impediu, n�o �?

N�o p�em l�minas novas?

Poderiam cortar seu pesco�o.

Estando voc� a�...

Tudo ir� bem.

Tenha calma, n�o se deixe irritar.

Venha tomar seu caf�.

N�o coma tudo no caf� da manh�, Dicky.

Mam�e sai todo o dia.

Ou a semana. Depende do caso.

Bom, espero que seja algo bonito e simples.

Como um roubo. Ou uma fraude.

Talvez um assassinato, nunca se sabe.

Espero que n�o. Sou contra a pena de morte.

As pessoas tampouco aprovam um assassinato.

Mas ter que enforcar algu�m...

Bobagem, voc� n�o tem que fazer.

Afinal, � seu dever como contribuinte.

Se for um assassinato, irei embora.

Como quiser.

Mas li que um jurado pagou 100 Libras de multa

e tudo porque voltou tarde do almo�o.

Nossa!

Ent�o talvez seja melhor que eu pe�a um t�xi.

Acho que vou levar umas dessas

pastilhas para a garganta.

Nunca se sabe quem sentar� a seu lado.

Servi�o de t�xis?

Sou a Srta. Ribden-White. Lavender Grove, 23.

Quero ir ao Tribunal Central.

N�o sou colpada de nada, entende?

Vou ser membro de um j�ri.

Bom dia, papai.

Est� com pressa, certo? Que horas voc� voltou ontem � noite?

Meia-noite.

Trabalhando at� tarde, hem?

Sim, mesmo que n�o acredite em mim. Benson deve vencer hoje.

Meu querido filho...

sou seu advers�rio

e acredite, nem ele, nem eu ganharemos.

Como dizia o Sr. Rigby Swift:

"Neste tribunal, se faz justi�a,

os advogados nunca ganham um caso."

- Voc� me entende, papai. - Certamente.

Mas lhe lembro que 90% de todos os casos

ganham-se ou perdem-se na base das provas.

E isso � v�lido para hoje.

O fato de que seja inocente.

Seu trabalho n�o � se antecipar ao veredicto do j�ri.

Vamos, papai, n�o seja t�o formal comigo.

Falei francamente com o homem.

Fez o qu�?

Por que n�o? Ajudo a defend�-lo.

Precisamente,

a defesa nega a acusa��o.

E se ao falar francamente, ele tivesse confessado?

Mas n�o fez isso.

E se tivesse feito? Voc� o teria colocado em uma situa��o dif�cil.

Seu dever � ajudar na defesa, n�o ficar amigo do acusado.

Uma mensagem para o senhor.

Sr. Munro quer lhe ver imediatamente na corte.

Parecia apressado.

Vou agora mesmo.

Vamos nos ver na corte, papai.

O Sr. Harrington vai sair em uns minutos.

Muito bem, direi a ele.

Papai.

Chamavam do hospital, n�o operar�o at� as 11 horas...

ent�o ter� tempo de v�-la a caminho do tribunal.

Espl�ndido.

Querido, n�o deveria sair sem sua capa.

Pergunto-me se me deixar�o v�-la.

Vamos, deve ir depressa.

Telefonarei quando souber algo.

Preocupar-se n�o a ajudar�.

N�o, eu sei, querida.

Batchelor � um dos melhores cirurgi�es do pa�s,

mas tem que considerar a idade de sua m�e.

Devemos... estar preparados.

Tente n�o pensar nisso o dia todo.

O carro chegou.

- Adeus querida. - Adeus.

Bom dia. Algum favorito para a corrida?

Estrela da �sia. Imbat�vel.

Vem por um caso?

Sim, Thomas Manning. Sou a esposa dele.

Tribunal 1, primeiro andar. Chega um pouco cedo.

Eu sei, � que tenho encontro com o advogado. Obrigada.

- Os arquivos p�blicos? - � esquerda.

TRIBUNAL N� 1 Thomas Leslie Manning

Solicitar um adiamento � nossa �nica solu��o.

Sim.

- Ol�, Manning. - Bom dia.

Receio que temos m�s not�cias.

O Sr. Benson n�o pode vir, est� doente.

E ent�o?

Aconselho que nos autorize a pedir um adiamento.

- Minha esposa sabe disso? - Sim.

N�o sei o que dizer.

Nunca conheci esse Sr. Benson.

Voc� n�o poderia substitu�-lo?

Poderia, se me pedisse, mas...

devo lhe advertir que nunca participei de um caso t�o grave.

Nem eu.

Compreenda-me, Sr. Tanner...

tenho confian�a em seu talento,

mas a experi�ncia � uma grande vantagem.

E isso me salvaria se fosse culpado?

Isso... seria outra hist�ria.

Pois n�o fui eu.

e o Sr. Tanner sabe disso.

Quero que siga, se aceitar.

Muito bem, se voc� se sentir confort�vel com isso.

Eu estou.

Boa sorte.

Igualmente.

- Tome. - Obrigada, querida.

N�o perdi um assassinato desde Lay & Smith em 1947,

quando adoeci por esperar sob a chuva no caso Thatcher.

Thatcher? N�o me lembro!

Matou a fam�lia dele com um machado.

Como chovia! Pior que um dil�vio.

Que disse?

Seu esposo pediu ao Sr. Tanner que fizesse sua defesa

e ele aceitou.

Obrigada, Sr. Tanner. Fico muito feliz.

Fa�a-me um favor, Sra. Manning.

Quer esperar l� fora durante o processo?

- Mas Tom pensar�... - Eu explicarei a ele.

Ele n�o gostaria de lhe ver preocupada.

Acham isso muito grave, compreende?

Est� bem, Sr. Tanner, o que disser.

Quanta confian�a lhe deu!

E a Manning tamb�m.

Sim... quase come�o a desejar n�o ter conseguido.

Que � isto, um bazar beneficente?

Sim, parece isso.

Temos sorte, � um homic�dio.

D�o almo�o gr�tis com um homic�dio.

Oh, nossa!

Anime-se, senhora.

Tiram seu nome dessa caixinha.

Se n�o sair entre os 12 primeiros, acabou.

Espero isso.

Senhores jurados,

respondam ao ser chamados e sentem-se na tribuna.

O primeiro � o presidente.

Albert Edward Pettitgrew!

Pois j� estou!

Chynthia Maud Ribden-White!

Bom dia, John.

- Creio que chego um pouco atrasado. - Sim, um pouco, senhor.

H� not�cias do hospital?

Sim, operam �s 11 horas.

Sinto muito, senhor.

Obrigado, John. Esperemos que tudo v� bem.

O juiz estar� pronto dentro de 5 minutos.

Obrigado, Thomas

Not�cias de Benson? Vai defender?

N�o.

- E quem o defender�? - Eu.

Santo Deus!

Agradeceria se n�o se distanciasse do telefone, John.

Espero uma chamada de minha filha.

Compreendo, senhor.

Fiquem em p�!

Aqueles...

que de alguma forma atendem sua senhoria

e contribuem com o bom proceder

no julgamento que se inicia,

instalem-se. Deus salve a Rainha!

Que entre Thomas Leslie Manning.

Que entre Thomas Leslie Manning.

Chamam-nos amigo.

Thomas Leslie Manning,

� acusado de ter assassinado Irene Evans em 1 de abril.

� culpado ou inocente?

Inocente, senhor.

Acusado,

se tiver alguma obje��o contra qualquer membro do j�ri,

assinale-o quando se dispuser a prestar juramento,

e ficar� recusado.

Se��o de not�cias. � voc� Jack?

Espere um segundo.

N�o haver� nada para a edi��o de meio-dia.

No tribunal 1 � o crime da menina e no 4 um assunto de drogas.

No 3 uma fraude trabalhista.

Talvez haja outras roupas sujas.

A prop�sito, a Sra. Manning mereceria uma foto...

Ern, venha c�, comporte-se bem!

E voc� tamb�m, Edie, sente-se e seja boazinha.

E agora, qu�?

Pois n�o pode! � testemunha e ter� que esperar.

N�o para de importunar!

Edie, fique aqui e n�o fale com ningu�m, entendeu?

Vamos.

No andar de baixo.

Vejam bem a cronologia.

�s 8:50 h, o Sr. Clifford viu o acusado levar a garota

at� o solar.

A garota estava angustiada.

Pouco depois a Sra. Zunz o viu l�,

amea�ando e perseguindo a menina.

Aproximadamente �s 9 horas,

a Sra. Gurney o viu correr do solar para Binns Road.

Nesse lapso de tempo, membros do j�ri,

estabeleceu-se que a menina foi estrangulada.

A acusa��o demonstrar� que o acusado p�de mat�-la

e que de fato o fez.

Talvez o j�ri possa ver umas fotos

que comentarei depois, Merit�ssimo.

Bem, se olharem na p�gina 4,

ver�o a foto do cad�ver tal como se encontrou.

No Minster's ao lado de Holborn.

Menos de uma Libra. S�o de inverno.

Seguro? Como de longos?

At� abaixo de tudo.

E eu procurando! Por todos os lugares!

Mas sempre eram curtos para meu marido!

Ele me diz: "Adelina, quer que eu morra com os joelhos gelados?"

Seus joelhos! Suas pernas s�o muito peludas.

� melhor que v� depressa restavam muito poucos.

Essas impress�es no pesco�o...

parece que foram causadas com o uso da viol�ncia?

Pensei isso.

Acha que foram causadas antes da morte?

� poss�vel que sim.

Voc� declarou que,

ao examinar o cad�ver �s 10:15 h, em 1� de abril

que a morte aconteceu entre 12 e 13 horas antes.

Exato.

Quantas aut�psias j� fez em sua carreira?

Diria que fiz entre 9.000 e 10.000 aut�psias

deste tipo.

Obrigado, Dr. MacKkenzie.

Chamo Adelina Zunz.

Adelina Zunz!

Foi embora.

Quem disse a ela que podia ir embora?

Vai voltar.

� melhor para ela.

Ela caiu fora.

Quer dizer que saiu do recinto.

Mas sem avisar a ningu�m?

Mas cuide que ela volte o mais cedo poss�vel.

Retomaremos o processo �s 14:10 h.

Transcorre como esper�vamos, n�o houve surpresas.

- Como vai Tom? - Bem.

Voc� pode enviar comida. Existe um bar em frente.

Irei agora mesmo!

V� almo�ar, Sr. Tanner

e n�o se preocupe.

Quando acordar� da anestesia?

Compreendo.

Posso falar com minha filha?

Compreendo.

Tome seu almo�o.

N�o estou com fome.

Como quiser, mas sua esposa mandou.

N�o tem sopa de tartaruga?

Coelho, o fais�o do pobre!

Almo�o de coelho, hem!

Sou vegetariana.

E eu um totalit�rio.

Vai demorar, se voc� n�o pedir para ser servido.

Devemos dar exemplo, em especial com certas testemunhas desaparecidas

que n�o levam seu dever a s�rio.

Havia um saldo em uma loja.

E que tem a ver?

Procurava...

Procurava por todos os lugares...

procurava o Sr. Zunz.

Tenho que entender que seu marido se perdeu

ou desapareceu?

Sofre de frio nos joelhos.

Sra. Zunz, de que est� falando?

Eu explicarei.

Agradeceria muito.

Estava procurando...

"Unaussprechliche,

lange unterhosen"

Que disse?

Escreverei em ingl�s.

N�o escrever� nada. Que procurava?

Em uma loja...

Cal�as longas.

Sra. Zunz levarei em conta que � estrangeira...

Estrangeira, eu?

Sou brit�nica.

Ent�o me surpreende que n�o entenda a gravidade de sua situa��o.

Criou-nos dificuldades.

Poderia mult�-la com 100 Libras.

Entende o que lhe digo?

Sim, excel�ncia.

Sinto muito, excel�ncia.

Muito bem.

Fa�a a testemunha jurar.

Sustente o livro com a m�o direita.

Sr. Horace Clifford?

Trabalha como volunt�rio de servi�o social de Binns Road?

Sim.

Trabalha l� para ajudar pessoas de sua comunidade?

Sim, senhor.

Conhece o acusado?

Somente de vista.

Em 1� de abril,

viu o acusado

levando Irene Evans ao solar junto a Binns Road?

Sim, eu vi.

A que horas?

Eram dez para as nove.

Voc� percebeu a hora exata?

Olhei em meu rel�gio.

Veja, escutei o sino da escola.

e pensei que a menina podia faltar � aula.

O absentismo escolar � um problema local, Merit�ssimo.

N�o acho que seja somente local,

Sr. Clifford.

Tem raz�o.

Ernie!

Pare! Voc� vai ficar preso na porta.

Sra. Mabel Gurney.

Est� vendo?

Eu estava atrasada

Sou assistente. No Cinema Majestic.

Eu o vi sair do solar com tanta pressa

que voltei para olhar para ele.

Ent�o me bati com o Sr. Clifford e deixei cair minha bolsa.

Quando a peguei quis voltar a v�-lo,

mas havia desaparecido.

Voc� notou suas roupas?

Sim, senhor.

Estava empoeirada.

Ernest Higgs!

Dispensaremos o juramento, Sr. Tanner.

Sim, Merit�ssimo.

Conhece a diferen�a entre dizer a verdade

e dizer uma mentira?

Sim.

Ent�o entende que responder� com a verdade

a qualquer pergunta que eu lhe fa�a

ou esses senhores de l�.

Sim.

Chama-se Ernest Winston Higgs?

Sim.

E mora

no Edif�cio Prospect, 3, em Camden Town?

Deve responder sim ou n�o sem negar com a cabe�a.

Sim.

Veja, Ernest,

o taqu�grafo n�o pode escrever um gesto.

Quero que tente se lembrar

o dia anterior ao 1� de abril.

Acaso um homem falou com voc� na rua?

Sim.

E pode v�-lo em algum lugar deste tribunal?

N�o tenha medo de falar.

Pode v�-lo?

Senhor Tanner, acho que se me permite...

Eu agradeceria, Merit�ssimo.

Quer subir aqui?

N�o vou lhe comer.

Aproxime-se.

Como lhe chamam em casa?

Ern.

Ern, pode ver esse homem daqui?

Sim.

Onde?

Ali.

E diz que falou com voc�?

Sim.

Frequentemente?

Sim. Ele costumava nos dar bugigangas.

Bugigangas?

Com licen�a, Merit�ssimo acho que s�o doces.

Ah, sim, os de menta.

E se lembra se lhe disse algo?

Vamos, pode me dizer!

Que lhe disse?

"Cuidado, cara."

Sil�ncio na sala!

Lembra-se de outra frase que tenha dito?

Sim. Disse: "Voc� tem uma irm� mais nova?"

Pode continuar interrogando sua testemunha, Sr. Tanner.

Obrigado, Merit�ssimo.

Da boca das crian�as...

Que aconteceu?

Um menino falou como testemunha.

Mais algumas perguntas e ele resolveria tudo...

Al�?

Blackett falando do julgamento de Old Bailey.

Usava esse vestido ao sair para a escola?

Sim, senhor.

Prova n�mero 5, por favor.

E estes s�o os sapatos dela?

Sim, senhor.

Bem, Sra. Evans,

teve ocasi�o de avisar a sua filha

sobre falar com desconhecidos na rua?

Sim, senhor.

Quando?

Far� uma semana...

Sei que isto � muito doloroso para voc�, Sra. Evans, mas...

somente tente responder minhas perguntas...

com calma.

Lembra-se em que ocasi�o?

Sim.

Voltou tarde da escola e...

vi que algu�m havia lhe dado doces.

Sabe quem foi a pessoa que deu esses doces?

Sim.

Foi ele!

Todos sabem que sempre andava com eles.

Ele a matou!

Merit�ssimo, eu protesto.

A testemunha deve falar com provas.

Ele a matou! Ele a matou!

Sr. Tanner, vou aproveitar para fazer um adiamento.

Poder� continuar pela manh�.

Com sua licen�a, Merit�ssimo,

solicito que o acusado possa ver a esposa dele.

Ela est� no edif�cio.

Bem, Sr. Tanner.

Obrigado, Merit�ssimo.

Membros do j�ri,

J� n�o temos a obriga��o

de mant�-los isolados em casos de assassinato,

mas n�o preciso lhes lembrar da obriga��o solene

de n�o falar deste caso com ningu�m.

V�-los-ei amanh� �s 10:30 h.

L� est� a entrada da cadeia.

Toque a campainha e abrir�o.

Obrigada.

Mostre a ele seu melhor sorriso.

Esse � o juiz.

Que Deus o aben�oe.

Vai a seu clube, suponho, comer ostras e caviar.

Uma visita para Manning.

- Manning! - Tudo bem, vou busc�-lo.

Por aqui senhora.

Sente-se aqui.

Ol�, Tom.

Jill, querida.

Obrigado por vir.

- Foi gra�as ao Sr. Tanner. - Sim, eu sei.

Ouvi que pedia isso.

Ele diz que tudo est� indo bem.

Sim.

- Obrigado pelo almo�o. - Gostou?

Foi uma boa troca.

Amanh� trarei algo diferente.

Pensei em nossas f�rias.

Que tal se f�ssemos � costa?

O que voc� quiser.

Iremos a um lugar bonito e calmo.

Bem, n�o t�o calmo...

Est� certo.

Ser� encantador.

Os dois sozinhos,

sem nada de que se preocupar exceto de n�s.

Isto logo terminar�.

Tente dormir um pouco, querido,

n�o se preocupe.

N�o me preocuparei.

Eu amo tanto voc�!

Jill..

Por favor, n�o chore, Jill.

Desculpe, senhora, acabou o tempo.

E eu queria lhe animar.

Olhe os sapatos, Sra. Evans.

Parecem mais sujos do que de costume?

J� os vi pior.

Quando ela... brincava na margem do rio, por exemplo?

Sim, senhor.

A professora declarou

que sua filha faltava com frequ�ncia pela manh�.

Era porque ia ao rio?

N�o podia impedi-la. Era por aqueles patos.

Patos?

Os patos no rio.

Pedia comida para dar a eles.

Pensava que com laranjas e lim�es conseguiria atra�-los.

Quer dizer que dava isso a eles para comer?

Cantava para eles, senhor.

E acreditava nessa bobagem.

Ent�o que na manh� do dia 1� de abril,

n�o era imposs�vel que brincasse com os patos no rio?

N�o...

Suponho que n�o.

Obrigado, Sra. Evans.

Com sua licen�a, Merit�ssimo.

Membros do j�ri,

tenho a honra de lhes falar pela primeira vez

em nome do acusado.

Thomas Leslie Manning.

Neste caso, as circunst�ncias s�o determinantes.

As provas circunstanciais

apresentadas pela acusa��o poderiam confirmar a defesa.

Devo pedir que me desculpe, Sr. Tanner.

Devo... fazer uma breve pausa.

Como deseje, Merit�ssimo.

Oh, papai!

Nem sequer acordou.

Vamos, querida,

sua m�e n�o gostaria de nos ver tristes.

Ela sempre trazia alegria.

Pode voltar comigo?

N�o, tenho que ficar.

Terminaremos em breve.

- Leu os jornais? - Sim.

- A como vai Estrela da �sia? - 9 contra 4.

Em 1� de abril, pela tarde,

o acusado e a esposa dele sa�ram para dan�ar?

Sim.

Voc� o ajudou em algo?

Bem, eu... limpei os sapatos dele e escovei sua roupa.

Eram os sapatos que usou o dia todo?

Sim, senhor.

Ao limpar esses sapatos,

havia lama neles?

N�o.

Nenhum tipo de lama?

Nada de lama, senhor.

S� alguma poeira.

Obrigado, Sra. Hart.

Entendo que conhece bem o acusado, Sra. Hart?

Sim, senhor, desde que era crian�a.

E quando se casaram, vieram se hospedar comigo.

Voc� gosta muito dele?

Sim, senhor. � quase como um filho.

E faria qualquer coisa para ajud�-lo?

Sim, senhor.

Claro!

Nada mais, Sra. Hart.

Agora cito o acusado.

Segure este livro com a m�o direita.

Juro por Deus

que a declara��o que darei,

� a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade.

Thomas Leslie Manning. � seu nome completo?

Sim, senhor.

E mora com sua esposa,

como h�spedes,

na Av. Elmfield, 9, Candem Town?

Sim, senhor.

Em 1� de abril, de manh�, acompanhou Irene Evans

ao solar de Binns Road.

Estando l�...

em algum momento, aproximou-se da beira do rio?

N�o, senhor.

Durante esse dia, e antes de voltar � noite para casa,

voc� entrou em um banheiro p�blico?

Sim.

E enquanto estava l�

limpou seus sapatos?

N�o, senhor.

Mas poderia ter feito isso?

Bem, por que n�o responde? N�o dizia que era honesto?

Que teve a chance de ter limpado seus sapatos?

Bem, acho que sim, senhor.

Obrigado.

Bem, Sr. Manning,

costuma dar doces �s crian�a na rua?

Eu tenho, sim.

Por qu�?

Bem...

o senhor nunca fez isso?

N�o estou para responder suas perguntas, mas voc� �s minhas.

Eu perguntei: "Por qu�?"

Porque gosto das crian�as!

E prefere os meninos

ou as meninas?

Que tipo de homem acha que sou?

Isso � o que tentamos descobrir

Protesto, Merit�ssimo, meu caro colega est� provocando a testemunha.

O mesmo que voc�.

Sr. Tanner, n�o considerarei que dar doces a um menino

seja ind�cio de tentativa de assassinato.

Como disser, Merit�ssimo.

Senhor taqu�grafo,

apague as duas �ltimas perguntas e respostas do registro,

e o j�ri dever� ignor�-las.

Sr. Tanner?

Voc� declarou que ignorava que houvesse um cerca na borda do solar

em frente da rua principal.

Est� certo.

N�o passava por l� todas as manh�s a caminho do trabalho?

Sim.

Surpreende-se em saber

que essa cerca foi colocada h� seis meses?

Eu esqueci.

Ao contr�rio,

Eu lembro a voc� que voc� fez, quando lhe convinha.

Isso � mentira!

Talvez voc� possa julgar melhor isso.

Por acaso sugere...

O que sugiro � que tem mem�ria seletiva, Manning.

E toda sua hist�ria,

desde que foi visto acompanhando a menina fora do solar

at� chegar ao trabalho, � um monte de mentiras.

N�o!

Sugiro que perdeu a paci�ncia com a menina,

a perseguiu,

p�s as m�os no pesco�o dela,

e em um arrebate,

a estrangulou at� mat�-la.

N�o!

Isso n�o � verdade!

Obrigado, Sr. Manning. Isso � tudo.

� dif�cil de saber. O velho Tanner o destro�ou.

Agora se dirige ao j�ri.

Sugeriu-se que o acusado pode ter sofrido um colapso mental

e n�o estar consciente do que fazia.

Nada em seu hist�rico cl�nico justifica essa possibilidade.

A �nica defesa proposta pelo acusado

� que os sapatos da menina tinham lama e os dele n�o.

Mas que provas h� contra ele?

A fibra de l� encontrada sob as unhas da menina,

vinha de sua capa.

O len�o dele, e o de ningu�m mais, foi encontrado em baixo do cad�ver dela.

Ele foi visto com a menina.

Ele foi visto saindo correndo do lugar do crime.

N�o se encontrou mais ningu�m,

que diga ter visto l� outra pessoa,

naquele lugar,

com essa crian�a,

nessa manh�.

Membros do j�ri,

as dedu��es que se inferem destas provas

s�o t�o claras, s�lidas e irresist�veis

que � dever de voc�s, um claro dever,

de ditar um veredicto de culpabilidade.

Sr. Tanner,

sem d�vida n�o vai querer se interrompido em seu discurso.

Por isso que acho conveniente retomar a sess�o depois do almo�o.

Como desejar, Merit�ssimo.

Tinha limpado os sapatos dele, est� muito claro.

Claro como lama.

Sr. Pettigrew,

este julgamento tenta provar uma tentativa de homic�dio.

Ent�o o acha culpado?

Sim.

Creio que teve um colapso mental, mas se lembra do que fez.

Por isso limpou os sapatos.

Receio que penso o mesmo. Voc� n�o?

Sim. Creio que ele fez isso.

Mas n�o podemos ter certeza.

Mas n�o podemos deixar livre um assassino!

Se tiver raz�o, ent�o deve pagar por isso.

Mas se estiver errada,

nada vai ressuscit�-lo. Isso j� aconteceu.

Ainda assim, nosso dever � fazer o que achamos certo.

THOMAS LESLIE MANNING CONDENADO POR ASSASSINATO

Agora pelo presente mandato � condenado a morrer enforcado...

J� foi almo�ar?

Meio almo�o. Deixo pronto isto para o Tribunal 1.

N�o quero ficar at� muito tarde esta noite.

Esteve magn�fico, deveria estar orgulhosa dele.

Diga-me a verdade, senhor Tanner.

Leva a perda, certo?

N�o suponha isso. Depende do j�ri.

Eles acham que � culpado, voc� sabe.

N�o aceitaremos isso, Sr. Tanner. Apelaremos.

- Talvez n�o seja necess�rio. - J� est�o decididos.

N�o podemos saber isso.

Desculpe-me.

Est� bem, Venha, vamos comer algo.

Onde nos sentamos?

Que tal aqui?

Um cigarro?

Ol�!

Que gato bonito. Como se chama?

- Gosta de crian�as, hem? - Oh, sim.

Pensamos em ter uma grande fam�lia.

Esper�vamos uma casa e nos acabam de dar.

� sortuda!

Nova, 4 quartos e jardim.

Um jardim � necess�rio, n�o?

Com crian�as e cachorro...

Um cachorro tamb�m, hem?

Foi ideia de Tom.

Compraram a casa?

Tivemos op��o a isso. Outra ideia de Tom.

Entende muito de neg�cios, sabe?

Logo ter� sua pr�pria companhia de t�xis.

Vai se chamar "Noite e Dia".

Vou me lembrar disso.

J� quase economizamos para enfrentar a primeira presta��o do...

seu t�xi!

N�o ter� nem seu neg�cio, nem cachorro...

Nem sequer ver� o jardim.

N�o, n�o... tenha calma!

Ele est� sendo muito corajoso, voc� tamb�m.

Edie, que faz com esse gato?

Essa menina, v�o atropel�-la!

- Dever�amos... - N�o, n�o acontece nada.

Algu�m a parou.

N�o resta pescado.

- Salsichas. - Salsichas para dois, por favor.

S� nos resta uma. Restam feij�o-verde, sardinhas,

coelho cozido ou assado, espaguete.

O coelho.

1 salsicha, 1 coelho. Cozido ou assado?

Deixarei a seu excelente julgamento.

no qual tenho impl�cita confian�a.

Obrigado.

Edie!

Venha terminar de almo�ar!

Vamos, e ponha esse gato no ch�o!

J� me d� trabalho lhe manter limpa.

Venha, termine seu prato.

Tome.

Devo voltar imediatamente. Desculpa-me?

Claro. Esqueceu algo?

N�o. Melhor que eu n�o esqueci.

Fique com o troco... e o coelho.

Membros do j�ri,

antes do adiamento ouviram

os argumentos da acusa��o.

Agora prestar�o sua aten��o aos argumentos no caso da defesa.

Senhor Tanner.

Com sua licen�a, Merit�ssimo,

antes de come�ar,

pe�o que me permita voltar a citar uma testemunha da acusa��o

Voltar a chamar, Sr. Tanner?

Se me permitir.

Tem algo novo que deseje ajuntar �s provas,

Sr. Tanner?

Espero lan�ar uma nova luz, Merit�ssimo.

As provas j� foram ajuntadas, Merit�ssimo.

Meu caro colega pode interpret�-las como quiser

ao se dirigir ao j�ri.

Espero n�o influenciar o j�ri contra a l�gica das provas

mas lembrarei ao caro colega as palavras de Rigby Swift:

"Um advogado nunca ganha um caso."

Bastante certo, Sr. Tanner.

Este caso se decidir� na base de provas.

Entendo que � meu dever esclarecer tais provas.

Da boca das pr�prias testemunhas.

Bem, Sr. Tanner...

Se meu caro colega deseja emendar algo que negligenciou

n�o gostaria de impedir.

Merit�ssimo, cito de novo o Sr. Horace Clifford.

Sinto voltar a lhe incomodar, Sr. Clifford,

mas passei por cima de alguns pontos de sua declara��o.

� um prazer ajud�-lo.

Obrigado.

Bem, voc� declarou ter visto o acusado

levar Irene Evans ao solar.

Correto.

Conforme o testemunho da Sra. Gurney,

ela viu o acusado sair do solar,

ela... se bateu com voc� e deixou a bolsa dela cair.

Sim, creio que assim foi.

Nesse caso, voc� teria visto o acusado sair do solar

assim como quando ele entrou.

- Est� correto? - Sim.

Havendo-o visto entrar e sair do solar...

de sua posi��o, n�o poderia ver nada

do que aconteceu no solar?

Nesse caso, eu teria dito isso.

Responda a pergunta, por favor.

Receio que n�o vi nada.

Tinha entrado na tabacaria.

Oh, sim.

- Entrou �s 8:50 h. - Exatamente.

E saiu �s nove horas?

Sim.

Demorou dez minutos para comprar uma carteira de cigarros?

Conversei um pouco com o dono.

Oh, entendo.

Ao ver que Manning levava a menina ao solar

n�o se surpreendeu que n�o estivesse com ele quando ele saiu?

E por que deveria?

Pergunto se lhe pareceu estranho.

- Pareceu? - N�o.

Obrigado.

Tinha visto esta menina antes?

Creio que a vi brincando...

na cal�ada do tribunal?

Mas n�o fosse do tribunal?

N�o.

Reconhece isto?

N�o, receio que n�o.

Nega que h� uma hora, na rua,

desse este doce a essa menina?

Claro que nego.

E se eu jurasse que lhe vi fazendo isso,

que diria?

Diria que est� mentindo.

Entendo.

E iria se surpreender em saber que esse doce � id�ntico

aos encontrados nos bolsos de Irene Evans?

S�o comuns, qualquer um pode compr�-los.

Voc� os comprou?

N�o, era uma suposi��o.

Que queria supor?

Que muitas lojas os vendem.

Mas voc� nunca comprou.

Eu lhe disse que n�o!

Opor-se-ia em nos dizer

que tem no bolso direito do seu palet�?

Claro que me oponho.

Por qu�?

Por que se op�e, Sr. Clifford?

Por que mentiu?

E que podia fazer?

Qualquer um com doces no bolso

e que ofere�a a uma crian�a, � acusado de assassinato!

Voc� n�o foi acusado de assassinato, Sr. Clifford.

Conhece esta m�sica?

Eu...

ouvi em algum lugar.

Ouviu naquela manh�

no solar?

N�o!

N�o p�de, n�o estava no solar...

N�o, n�o estava!

Eu sugiro

que viu esse homem

deixar Irene Evans no solar.

Viu que ela se dirigia � beira do rio.

Voc� a seguiu.

E ficou atr�s dela.

escutou ela cantar.

Cantava para chamar os patos.

Era essa m�sica, verdade?

Voc� a chamou pelo nome dela?

Deu doces a ela?

Como esse?

Pegou-a pela m�o e levou?

E enquanto iam andando,

ela cantava essa m�sica?

Ela cantava essa m�sica? Responda-me!

Pare!

Pare!

Sil�ncio na sala!

Est� bom, j� pode parar.

Tome a outra metade.

Deus lhe aben�oe.

Vim lhes desejar sorte.

N�o... n�o sei o que dizer.

Defendeu muito bem.

Era necess�rio.

Obrigado por sua coragem.

Ol�, papai.

Eu lhe envergonhei?

Jamais presenciei atua��o t�o deplor�vel!

Se voc� tivesse o menor sentido de boa educa��o,

Sim?

Convidaria um caro colega para tomar um u�sque com soda!

Tradu��o das legendas: PARENTE - SERGIPE - BRASIL - 2

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