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- KOKUHAKU - CONFISS�ES
Coloquem as embalagens vazias no espa�o atribu�do e sentem-se.
A nossa escola foi seleccionada a n�vel nacional entre escolas,
como um modelo, na campanha nacional de promo��o do leite.
Voc�s aproximam-se do desenvolvimento das caracter�sticas sexuais secund�rias.
O c�lcio do leite n�o s� � bom para os ossos,
mas tamb�m para o sistema nervoso.
Confisquei estes filmes para adultos ao Kamiyama no m�s passado.
Watanabe conseguiu piratear a censura na loja do pai
e o Kamiyama distribuiu entre os rapazes.
Como bem sabem, as vossas mentes e corpos est�o-se a desenvolver.
A S�RIO? BEIJARAM-SE?
Chama-se puberdade.
N�o tenho a certeza do real efeito do leite num corpo e mente de 13 anos,
mas o exame anual de Abril certamente surtir� alguns resultados.
N�o que eu esteja aqui.
Deixarei de leccionar no final deste m�s.
A s�rio?
Fant�stico!
25 DE MAR�O 7� ANO, TURMA B - FIM DO PER�ODO
N�o fa�o ideia se fui ou n�o uma boa professora.
Calem-se, a professora est� a falar.
Obrigada, Hoshino.
A prop�sito, algu�m conhece o professor Sakuramiya?
Ele escreveu este livro. � espantoso.
� uma pessoa incr�vel.
Famoso como educador atrav�s dos seus livros, apari��es na TV...
Um ex-delinquente que deu a volta ao mundo e que regressou para leccionar, certo?
Correcto. No ano passado, descobriu que s� tinha alguns meses de vida,
mas decidiu continuar a ensinar at� ao �ltimo momento.
A minha primeira coloca��o foi para a escola onde ele leccionava.
A s�rio?
"Os fracos de cora��o magoam os ainda mais fracos.
"Ter�o eles alguma escolha para al�m da resist�ncia ou morte?
"Sim, voc�s habitam um mundo mais amplo do que isso.
"Se a vida � dif�cil onde est�o, porque n�o se refugiam noutro s�tio?"
- Refugiar. - Foi ela que disse. Vamos.
As palavras do estimado professor j� est�o a funcionar. Que poder!
Eu n�o me importo.
Comparada com ele, sinto que me falta algo enquanto professora.
Eu estabeleci duas regras para mim.
Primeiro, falarei sempre convosco de forma educada.
Segundo, farei um esfor�o para ver as coisas do vosso modo.
Nada de conversas casuais ao sol ou conselhos sobre algo...
Para quem deseja uma professora como as da televis�o,
atrevo-me a dizer que aparentei uma pessoa fria.
Desculpa, Noguchi.
Os teus e-mails � meia-noite dizendo "Oxal� fosse magra. Quero morrer",
n�o tiveram uma resposta simp�tica.
Simplesmente n�o consigo acreditar em tudo o que voc�s dizem.
Mas � a nossa professora...
Houve um incidente,
quando um jovem professor recebeu um email...
de uma rapariga que dizia que tinha perdido a vontade de viver.
Ele correu para o hotel onde ela estava.
Ela tirou-lhe uma fotografia, e mostrou-a aos pais,
que vieram disparados para a escola.
� t�o rid�culo.
Foi s� uma partida de uma rapariga zangada por ter sido admoestada na aula.
O professor foi ing�nuo por n�o ter suspeitado dela.
� a nossa professora. N�o confia em n�s?
N�o, porque s�o todos muito bons a mentir.
VEMO-NOS NO TELHADO.
Professora, estou a sentir-me mal. Posso ir � enfermaria?
Claro.
Desde esse incidente, a pol�tica da escola �,
se um aluno chamar um professor, responde um professor do mesmo g�nero.
Se um rapaz desta turma me chamar,
ir� o professor Tokura da Turma A.
Enquanto nossa professora, est� a evitar responsabilidades.
- "Evitar responsabilidades". - Pode parecer isso.
Mas s� para uma rapariga obcecada por ela pr�pria como tu,
preocupada com as hip�teses de casar com as estrelas pop.
Que ficou t�o triste uma noite,
que alegou ter perdido a vontade de viver.
Para que voc�s n�o voltem a falar sobre o desejo de morrer,
irei falar de uma coisa importante.
VIDA
Como sabem, sou m�e solteira.
Era suposto casar-me com o pai da Manami.
Ele tamb�m era professor e um homem que eu respeitava.
Eu fiquei gr�vida antes do nosso casamento
e ele descobriu que estava infectado com o HIV.
HIV... V�rus da Imunodefici�ncia Humana,
a causa da SIDA,
que aparentemente apanhou nas aventuras no estrangeiro.
N�o sustenhas a respira��o. N�o se transmite pelo ar.
Cumprimentos de m�o, tosse, espirros,
banhos p�blicos, piscinas n�o s�o vias de infec��o.
A vida quotidiana com uma pessoa infectada n�o apresenta nenhum perigo.
Eu pr�pria n�o estou infectada.
O HIV tamb�m n�o � necessariamente transmitido atrav�s do sexo.
Eu n�o acreditei e fiz um segundo exame.
Ter a crian�a sem casar.
Foi essa a nossa conclus�o.
Porqu� sem casar?
Mesmo que a crian�a n�o estivesse infectada,
a not�cia da infec��o do pai causaria uma descrimina��o incontorn�vel.
De certeza que isso � pior?
Isto causaria mais danos do que a falta de um pai.
Foi a sua decis�o e eu concordei.
Coitada da crian�a.
Fizemos o que fizemos, porque coloc�mos a crian�a em primeiro.
Mais do que ningu�m,
ele deve ter ansiado segurar nela.
A dor dele
era muito maior do que a minha.
Dei todo o meu amor � Manami.
Quando a Manami fez 1 ano, regressei ao trabalho.
Ela ficava numa creche at� �s 18 horas.
O Centro de Recursos Humanos apresentou-me a Sra. Takenaka,
que tomava conta da Manami depois das 18.
Ela tinha um c�o chamado Mook.
A Manami adorava esse c�o.
Aliment�-lo era a tarefa especial da Manami.
A Sra. Takenaka foi hospitalizada no ano novo.
Eu tinha que terminar tudo e estar na creche �s 18 horas.
Nos dias de reuni�es de professores, ia buscar a Manami mais cedo
e deixava-a na enfermaria at� que a reuni�o terminasse.
A Manami adorava a personagem Coelhinho de Algod�o.
Ela tinha o saco, o len�o,
len�os de papel, sapatos...
Shimomura, lembras-te desta carteira?
Por favor, eu quero, eu quero!
Acabei de comprar o casaco!
Porque n�o? � s� uma carteira.
Olhando para tr�s, talvez tivesse raz�o.
Porque no final...
Manami?
Foi o seu �ltimo acto de obstina��o.
Professora!
13 de Fevereiro.
A pol�cia declarou "morte acidental devido a queda na piscina".
Encontraram migalhas de p�o junto ao c�o.
Migalhas do mesmo p�o que era servido na creche da Manami.
Aparentemente ela ia todas as semanas para a piscina, em segredo,
para dar de comer ao Mook.
- Ela est� a chorar. - Porque est�s a chorar?
A Manami j� n�o est� entre n�s.
As suas m�ozinhas pequenas,
n�o voltar�o a tocar na minha pele.
As minhas m�os n�o voltar�o
a acariciar aquele cabelo e cara suave.
Enquanto sua guardi�,
a morte da Manami foi da minha responsabilidade.
Contudo,
isto n�o pode ficar assim.
A Manami est� morta.
Mas n�o foi um acidente.
Ela foi assassinada,
por alunos desta turma.
N�O VAIS ACREDITAR NO QUE A MORIGUCHI ACABOU DE DIZER
Qual � a vossa melhor protec��o?
S�o os vossos pais?
� uma arma?
O vosso aliado e protector mais fidedigno
� o c�digo civil juvenil.
Segundo o Artigo 41 do c�digo penal
os menores n�o s�o criminalmente responsabilizados.
Voc�s n�o podem ser presos.
N�o � maravilhoso?
Uma rapariga de 13 anos, como voc�s,
juntou veneno aos jantar da fam�lia, dizendo ser um "ritual sagrado".
Depois publicou detalhadamente os sintomas num blogue.
- O "Incidente da Lun�tica"? - Sim, "O Incidente da Lun�tica".
Um nome que ela usou no blogue
e que a imprensa escolheu usar, atirando mais achas para a fogueira.
No final, a raz�o para ela ter matado a fam�lia toda com cianeto
permanece um completo mist�rio.
O que apenas serviu para gerar ideias absurdas
e atribuir-lhe um estatuto de hero�na entre os seus pares.
DIZ-NOS QUEM DIABOS FOI.
O professor de ci�ncias que a ensinou sobre os qu�micos
foi perseguido sem miseric�rdia.
A rapariga vai escrevendo depoimentos contradit�rios numa casa de correc��o.
Ela regressar� � sociedade, na maior.
Voc�s podem assassinar e sair impunes.
FOI EXACTAMENTE POR ISSO QUE MATEI!
De qualquer forma,
n�o se pode prevenir um homic�dio.
Se tiverem vontade, agarrem num taco da equipa de basebol,
numa faca da aula de Economia Dom�stica, numa corda de saltar do gin�sio,
at� s� com as m�os...
...poder�o matar.
Isso magoa.
Desculpe.
Depressa...
Voc�s est�o mortos por saber o nome do culpado, correcto?
Pe�o desculpa,
mas n�o me apetece tornar o nome p�blico.
Essa � a parte importante!
O pai da Manami era o professor Sakuramiya.
Opt�mos por uma cerim�nia privada,
para que ele pudesse chorar a sua morte abertamente.
Foi a primeira vez que ele segurou nela.
No entanto a sua alma j� tinha desaparecido.
Ele contou-me que tinha evolu�do para SIDA.
Ele s� tinha alguns meses de vida.
Eu n�o sabia o que dizer.
Talvez...
No dia em que a Manami morreu, algo importante dentro de mim
morreu com ela.
Na semana passada, fui a casa da Sra. Takenaka
buscar algumas coisas da Manami.
Entre as coisas estava isto...
A carteira que ela implorou, mas que eu n�o comprei.
Porque estava l�?
A Sra. Takenaka encontrou-a na casota do Mook.
�s vezes rolam para aqui.
Voc� sabe como os alunos jogam � apanhada quando limpam a piscina?
Eu lembrei-me que um dos castigos por quebrar as regras da escola
era limpar a beira da piscina ou arrumar os balne�rios.
Eu n�o.
EU SEI QUEM FOI!
Nesse dia...
...a Manami foi sozinha para a piscina?
Foram dois assassinos.
Doravante, design�-los-ei de Alunos A e B.
O Aluno A tem excelentes notas e exteriormente n�o apresenta problemas.
Embora ocasionalmente tenha ouvido rumores perturbadores sobre ele.
Desde a prim�ria que ele prende c�es e gatos
para depois tortur�-los at� � morte na sua "m�quina de execu��o".
"M�quina de execu��o"?
Uma engenhoca estranha feita por ele.
Depois ele publica fotografias no seu site.
SITE DE PESQUISA DO PROFESSOR GENIAL
NOVA M�QUINA EM DESENVOLVIMENTO FIQUEM ATENTOS A ESTE ESPA�O!
Telefonei ao antigo professor dele, por via das d�vidas.
Disseram apenas que ele n�o era um problema.
Quando estava prestes a esquecer o caso...
- Qual foi a sua especializa��o? - O Aluno A veio ao meu laborat�rio.
Qu�mica.
Alguma coisa el�ctrica?
O teu pai deve ter mais conhecimentos do que eu.
Abra, tem uma coisa gira l� dentro.
N�o � fant�stico?
Sou a tua cobaia?
Fizeste isto para matar mais animais? � s� o que consegues dizer?
"Ploc".
O qu�?
Voc� n�o ouviu.
O som de algo importante a desaparecer para sempre.
FEIRA NACIONAL DE CI�NCIAS DO PREPARAT�RIO E SECUND�RIO
FORMUL�RIO DE INSCRI��O
"Carteira de Choque Anti-Ladr�es".
"Proteja os seus trocos dos ladr�es".
Ent�o n�o � uma "m�quina de execu��o"?
Como queira. Coloque a sua assinatura.
Da fun��o de desarme que ele adicionou, passando pela �nfase na seguran�a,
at� ao seu relat�rio de estilo puro e �vido de um aluno do 7� ano...
Tudo isso me deixou assustada.
"Uma contribui��o para a sociedade?"
Se acha que � assim t�o perigoso,
deixe a decis�o para os ju�zes.
De facto perguntei ao Director, mas os meus receios foram desprezados.
No final, a "Carteira de Choque Anti-Ladr�es"
ganhou o pr�mio de excel�ncia nas finais entre Escolas Preparat�rias.
SHUUYA, SHUUYA, SHUUYA...
CONCLUS�O: SHUUYA WATANABE
Pedi-lhe a verdade sobre a morte da Manami.
Estava a brincar...
Ele falou do caso com bastante alegria.
Como se ignorasse que a m�e da crian�a assassinada estava � sua frente.
A motiva��o para o Aluno A matar
eram ridiculamente simples.
Que o mundo reconhecesse o seu g�nio.
Ele queria ser aclamado como uma pessoa superior.
Contudo, no dia em que o seu projecto de ci�ncias foi not�cia nos jornais...
n�o foi ele que ganhou a aclama��o...
- RAPARIGA MATA 4 FAMILIARES - ...mas uma rapariga de 13 anos.
Ganha-se elogios por fazer o bem, mas na verdade ningu�m repara.
O incidente da Lun�tica n�o foi nada demais.
O que tem de especial o Cianeto de Pot�ssio?
Se fosse eu, cada coisinha
seria criada com as minhas m�os.
Quero mat�-lo.
Foi exactamente assim que me senti.
O Aluno B, ap�s ingressar na escola, come�ou a fazer desporto.
Mas eram treinos de for�a e ele nunca chegou a pegar numa raquete.
MORRE, MORRE, MORRE
Embora infeliz, ele n�o tinha coragem de falar com o conselheiro de curso.
A m�e tirou-o do desporto e ele frequentou cursos extra.
As notas dele n�o melhoravam e ele come�ou a ficar preocupado,
mas n�o tentou esfor�ar-se mais.
Ele acabou na esquadra da pol�cia onde ficou retido,
mas ficou chocado quando o professor Tokura foi busc�-lo.
Porque n�o � a professora Moriguchi?
Cala-te, idiota.
MORRE, MORRE, MORRE...
Por violar as regras sobre entrar em sal�es de jogo,
foi-lhe dado um castigo.
Duas semanas a limpar a beira da piscina e os balne�rios.
ELE JAMAIS TERIA CORAGEM DE MATAR.
Ouvi isto do Aluno B na sua pr�pria casa.
A m�e dele estava ao seu lado. Cada vez que ele falava ela dizia...
Coitadinho...
Ela disse-o vezes sem conta.
N�o em rela��o � minha filha mas em rela��o a ele.
Em Fevereiro, o Aluno A abordou o Aluno B,
para atra�-lo para o seu plano atroz.
Pergunto-me quem poder� ser?
O qu�?
Isso � a coisa que ganhou o pr�mio?
Agora tem mais poder, por isso quero test�-la.
Pode ser qualquer pessoa, mas a ideia era vaporizar os maus da fita.
Ent�o testemos nos maus da fita.
O Aluno B primeiro sugeriu o professor Tokura.
O Aluno A n�o respondeu.
Depois o Aluno B avan�ou com o meu nome.
Foi imperdo�vel.
O seu pr�prio aluno numa dificuldade e ela manda outro professor.
Ela j� foi cobaia.
O Aluno A eliminou essa ideia.
Que tal a filha dela?
Servir-lhe-� de li��o por p�r a filha antes das necessidades dos seus alunos.
O Aluno B descreveu as viagens da Manami
at� � piscina para alimentar o c�o.
E falou-lhe sobre a carteira que ela queria,
mas que eu n�o comprei no centro comercial.
A pessoa que seleccionaram como alvo
era a mais nova e a mais fraca.
Era a minha filha.
A tua m�e n�o te comprou isto, certo?
Ou ser� que j� comprou?
Foi o que eu pensei, porque ela disse-nos para comprar para ti.
Ela disse?
Um presente de S�o Valentim da tua querida m�e.
Abre,
tem chocolate l� dentro.
O que aconteceu? Ela n�o se mexe...
Ela est� morta.
Ele estava em p�nico... N�o parava de se lamentar.
Podes dizer a toda a gente que fui eu que a matei.
Depois de ter disto isso, fui para casa.
Ent�o aquele idiota...
Se percebessem que a carteira a matara,
as suspeitas recairiam em mim.
Ent�o pensei em fazer parecer que ela tinha ca�do.
Uma decis�o sob o impulso do momento.
Foi assim que a Manami morreu.
Como j� disse aos dois rapazes,
se a pol�cia declarou morte acidental eu n�o contestarei o veredicto.
Mas h� uma coisa.
O que a matou n�o foi a carteira.
Pedi para verificarem minuciosamente.
Esta carteira � incapaz de parar o cora��o de uma crian�a de 4 anos.
� uma obra de arte pat�tica.
Quer experimentar?
Manami ficou simplesmente inconsciente.
Ela afogou-se depois do B a ter atirado.
Essa foi a irrefut�vel causa de morte da Manami.
� t�o ir�nico.
O Aluno A tinha a inten��o homicida, mas n�o teve capacidade de matar.
O Aluno B n�o tinha inten��o, mas provocou a sua morte.
Mesmo que acusados pelas autoridades,
a lei juvenil ordenaria simplesmente p�-los sob cust�dia.
Inocentes, para todos os efeitos.
Julguei isso como sendo insuficiente.
Os professores t�m a responsabilidade de trazer os alunos ao caminho certo.
Quero que eles admitam o seu crime e percebam o valor da vida.
Quero que compreendam a gravidade do seu crime e que vivam com esse peso.
O leite que todos voc�s beberam...
Dois deles tinham uma mistura extra.
O sangue infectado com o HIV do professor Sakuramiya.
Calados!
Voc�s os dois foram am�veis em beber.
Obrigada.
N�o se esque�am de fazer um exame sangu�neo daqui a uns meses.
Caso tenha funcionado, ter�o um per�odo de incuba��o de 5 a 10 anos.
Considero ser muito tempo
para reflectirem sobre as coisas e perceberem o valor da vida.
Primavera...
quando as flores, �rvores, ervas, p�ssaros e at� as pessoas...
tudo brota para a vida.
Cada um de v�s,
por favor tenham umas f�rias de Primavera que valham a pena.
CONFISS�O DE YUKO MORIGUCHI
Fico por aqui.
Professora Yuko...
Consegue acreditar?
Depois da sua partida e do in�cio do novo per�odo,
como � que a nossa turma pode estar cheia de caras sorridentes?
6 DE ABRIL 8� ANO, TURMA B - IN�CIO DO PER�ODO
Abril... de repente estamos no 8� ano com um professor novo.
Werther � a minha alcunha desde a escola.
N�o significa que tenha passado os meus dias em sofrimento!
As piadas dele n�o t�m gra�a,
demasiado amig�vel desde o primeiro dia.
Hayakawa?
E Naoki?
Ausente outra vez com uma constipa��o.
Todos n�s sab�amos que ele n�o estava doente.
O que mais nos surpreendeu
foi que o Shuya afinal estava na escola.
Nos meus tempos de escola, n�o era um bom aluno.
Mas um livro em particular, de um homem em particular mudou a minha vida.
Aquilo n�o era uma piada sem gra�a,
era uma piada cruel.
"Enquanto vagueava pelo mundo, comecei a ler a B�blia."
"Nela, vislumbrei a verdadeira natureza da educa��o."
"Que homem, tendo 100 ovelhas,
"e perdendo uma delas,
"deixa as outras 99,
"para a salvar a que se perdeu?"
� o melhor!
Eu s� quero ser completamente honesto convosco.
Talvez eles sejam um bando de cobardes.
Qualquer que seja o vosso problema, venham ter comigo.
Estavam todos desesperados para fugir � verdade que nos confiou.
Ajudar-vos-ei com o que precisarem!
Eles est�o a fingir que s�o idiotas.
Quero ser um irm�o mais velho para v�s.
CONFISS�O DE MIZUKI KITAHARA
PROFESSOR M. SAKURAMIYA
Miyu?
Natsuki?
Sugi-June?
Missa-Po?
� assim Que eu gosto
Desculpem.
Ando a mentir-vos.
Naoki n�o est� ausente por motivos de doen�a.
Mas ele n�o anda a faltar �s aulas.
Ele quer vir, mas uma quest�o mental impede-o.
A �nica pessoa na turma que n�o sabe a raz�o � o pr�prio Werther.
QUEM REVELAR A CONFISS�O DA PROFESSORA SER� TRATADO COMO ALUNO C
Todos n�s recebemos esta mensagem an�nima
logo ap�s o final do per�odo anterior.
Que tal tentarmos criar uma boa atmosfera para o regresso do Naoki?
Muito bem, que tal tirarmos apontamento � vez,
e uma vez por semana, eu e a delegada Mizuki vamos entregar-lhe?
O que achas, Mizuki?
- Sim. - Levanta-te.
Obrigado.
Mizuki, n�o tens uma alcunha?
"Mizut�"...
Chamavam-me isso na prim�ria.
"Mizut�"...
"Mizu a tot�".
"Mizut�"
Mizut�? A partir de agora chamar-te-ei Mizut�.
Mizut�...
Mais alto!
Mizut�, Mizut�...
Onde est� o Naoki?
Se a professora anterior tivesse sido t�o entusi�stica como voc�,
talvez o Naoki tivesse escapado a este problema mental.
Aquela mulher era m�e solteira, n�o era?
Em primeiro lugar, levar a pr�pria filha para o trabalho...
Para evitar falar sobre o incidente, ela criticava a professora Yuko.
Ela estava t�o absorvida pela filha, que n�o tinha tempo para os alunos.
- Se me permite... - Pobre Naoki...
Se se aplicar, ele consegue fazer qualquer coisa.
Por favor, confie-me o seu filho.
Muito obrigada.
Naoki...
Mete-te na tua vida!
- A culpa � toda daquela mulher. - CONFISS�O DE YUKO SHIMOMURA
O meu querido Naoki transformou-se nisto...
Vou fazer xixi.
Ele odeia que toquemos naquilo que ele suja.
Ele limpa tudo incessantemente.
Apesar disso,
ele n�o lava o cabelo,
nem toma banho.
Aquela maldita...
Porqu� a Manami?
Porque � que ela teve que morrer?
O que est� a sugerir?
Como se o Naoki fosse culpado pela morte da filha.
Ele foi enganado para ajudar um amigo mau.
Coitadinho.
Naoki...
Afasta-te!
Tu n�o te arrependes de nada?
MORRE SHUYA WATANABE
ASSASSINO
12 PONTOS, 8 PONTOS
MORRE ASSASSINO
MAEKAMA ADICIONA 2 PONTOS
PONTUA��O DE CASTIGO DO SHUYA WATANABE
Esta mensagem foi enviada para todos.
O CASTIGO DO ASSASSINO MEDIDO EM PONTOS
Naturalmente foi an�nima.
Quem quer escrever algumas palavras de apoio para o Naoki?
"M" DE...
"Mant�m o sorriso!"
"A" DE
"A partilha � o melhor!"
"T" DE...
"Toda a vida � dif�cil!"
"A" DE...
"Anda ser feliz!"
Como � que ele est�?
Posso falar com ele?
Professor...
Chama-me Werther.
Mesmo que continuemos com isto, o Naoki jamais voltar�.
Acho que isto s� faz pior.
Mizut�, agora estamos num ponto crucial.
Ultrapassemos e veremos a luz.
- "D" DE... - "Desejamos todos"
- "OR" DE.. - "O teu Regresso!"
Porque ser�?
O meu bom filho, Naoki...
sempre que eles aparecem,
fica transtornado.
Aquele professor idiota,
enche a boca de palavras caras.
Por�m n�o faz nada de bom.
Coloquei comprimidos para dormir no seu almo�o.
O meu marido est� sempre no trabalho.
A minha filha est� ocupada na universidade em T�quio.
Somos s� os dois aqui.
Sou tudo o que aquela crian�a tem.
Tenho que proteg�-lo.
M�e...
Naoki.
Quem � este rapaz?
Porque sorri ele?
Estamos em Junho...
Temos um caso de bullying na turma.
A v�tima � o Shuya Watanabe.
Encontrei esta mensagem dobrada nos trabalhos de ontem.
N�o quero que a coragem de um aluno seja em v�o.
N�o � bullying mas inveja.
Algu�m anda atorment�-lo porque inveja as suas boas notas.
Mas l� por ele ser bom, isso n�o vos torna inferiores!
Ningu�m pensa isso por um segundo.
Ser inteligente faz parte da individualidade do Shuya.
Tal como voc�s t�m a vossa individualidade.
A individualidade de oprimir os fracos.
A individualidade de esquecer as coisas m�s.
Quero que voc�s todos apoiem essas identidades.
Porque continuo a velar por v�s.
Foste tu que denunciaste, certo?
Nem pensar.
N�o fui eu.
A raz�o pela qual suspeitaram de mim,
deveu-se � minha pontua��o de castigo...
MIZUKI - 0 PONTOS
Aliaste-te a um assassino.
N�o tens sentimentos?
N�o tens pena da professora Yuko?
Larguem-me.
Beijo... beijo...
Professora...
a nossa turma est� um caos.
O Naoki est� a chorar.
Provavelmente est� a recordar o incidente.
Ele sente pena da rapariga que morreu.
Eu compreendo isso.
Ele n�o mudou nada.
Continua gentil como sempre.
Meu querido Naoki.
M... A...
T... A... D... O... R...
"Matador - Morre"
PODEMOS ENCONTRAR-NOS NA PONTE KOSHU?
L� ESTAREI.
RESULTADO DO TESTE DE ANTICORPOS-HIV
NEGATIVO
Era s� isso.
Eu n�o estava preocupada.
Eu sabia que ficarias bem.
Queres um sumo?
Disseste que sabias?
Deduzi que a professora Yuko mentira.
Misturar SIDA com leite...
As pessoas foram parvas em acreditar.
Porqu�?
Pensa nisso.
Se pensasses a s�rio sobre vingar-te, sobre matar uma pessoa,
n�o dirias coisas daquelas.
Pergunto-me...
Ela nunca o faria.
N�o importa o quanto ela vos odiava.
Ela nunca o faria.
Foi s� uma forma de voz fazer pensar sobre as coisas.
Notava-se.
N�o tens medo?
De mim?
Apesar de eu ser o Aluno A?
Porque me mostraste os resultados do teste?
A minha vida n�o vale nada.
Mas a tua � preciosa.
Enviar mensagens, incitar toda a gente... Foste obviamente tu.
Hoshino.
Se fizeres mais alguma coisa...
...para a pr�xima � com a l�ngua.
Estava a brincar.
Comprarei tudo...
...tudo em que ele tocou.
� melhor n�o comeres. Podes apanhar SIDA.
No final do �ltimo per�odo,
a professora Moriguchi infectou o meu leite...
Ele contou-me, ent�o, a coisa mais terr�vel.
Aquela Moriguchi,
� o diabo incarnado.
Naoki, vamos ao hospital.
N�o importa.
N�o sejas parvo. Se morreres, o que ser� de mim?
- Sou um assassino, sabes. - Disparate.
Moveste o cad�ver para ajudar um amigo.
N�o era um cad�ver. Ela estava inconsciente.
Eu atirei-a para a piscina.
Mas... disseram...
Espera... tu n�o sabias que ela estava viva.
N�o � verdade, m�e...
Ela acordou, mesmo � minha frente.
Depois...
...eu...
Julho...
Ningu�m mais persegue o Shuya.
"NINGU�M MAIS PERSEGUE O SHUYA."
N�o olhes, � uma carta.
- Para quem? - N�o vou envi�-la.
Sabe bem, escrever sobre os meus sentimentos.
Fant�stico...
Fant�stico, Shuya...
Era tudo o que precisava.
S� queria que algu�m me elogiasse.
Estou sem m�e
h� muito tempo.
Tenho estado t�o sozinho...
Tudo aquilo sobre o qual nunca fui capaz de falar,
contei ao Shuya.
A rapariga Lun�tica...
� a minha alma g�mea.
Revelei o meu eu verdadeiro, que ningu�m conhecia.
Existe algu�m que queiras matar?
V�-se embora.
Naoki, se est�s a�, ouve-me!
Isolares-te n�o resolve nada!
Descarrega os teus problemas em mim.
Resolv�-los-ei todos. Acredita em mim, Naoki!
Aparece amanh� na escola para o encerramento do per�odo.
Estaremos � tua espera!
Obrigado por me acompanhares sempre.
Este Naoki...
j� n�o � o meu Naoki.
O meu gentil Naoki...
desapareceu.
Queridos Yoshihiko e Mariko,
adeus...
...e desculpem.
Levarei o Naoki e partiremos primeiro.
VAMOS PARA O C�U.
Naoki...
No dia seguinte, a cerim�nia do final do per�odo terminou mais cedo
e de tarde realizou-se uma reuni�o de professores.
Parece que o Naoki
matou a m�e.
Diz � pol�cia exactamente o que aconteceu.
Sim.
Professora... professora Yuko,
gostaria de lhe fazer uma pergunta.
A vida � assim t�o preciosa?
A s�rio? A vida de toda a gente?
Estou a reunir v�rias drogas.
Pensei...
us�-las para matar-me.
Mas tamb�m seria f�cil coloc�-las no ch� do Werther.
A vida dele n�o � importante.
Tu sentiste o mesmo em rela��o ao Naoki e ao Shuya.
N�o, n�o acredito que isso seja verdade.
Mas � assustador,
pensar que h� uma parte de mim
que se est� nas tintas se o Werther morre.
Contei-lhes tudo.
O Naoki foi encostado � parede.
A raz�o de ele ter feito o que fez...
Tudo...
...foi culpa do Werther.
Ningu�m me disse que matar era errado.
Em vez de livros ilustrados e contos de fadas,
a minha m�e lia-me a Lei de Ohm, o Teorema de Norton,
explicando sempre a engenharia el�ctrica.
Ela desmantelava os meus lindos brinquedos
e explicava-me como funcionavam.
A minha m�e era uma investigadora promissora na �rea.
Mas casou-se com o mais enfadonho dos homens
e a crian�a que tiveram
fui eu.
Para ser minha m�e,
ela abandonou um futuro brilhante na investiga��o.
�s um rapaz inteligente.
Tens o sangue da m�e nas veias.
Mas logo se arrependeu
e ressentiu a causa,
eu...
Porque n�o compreendes?
Como � que n�o consegues?
Se ao menos n�o te tivesse tido.
Se ao menos ela n�o me tivesse tido...
Desculpa.
Desculpa, desculpa.
Chega.
Incapaz de suportar, o meu pai divorciou-se.
A minha m�e decidiu recome�ar a carreira de investigadora.
Naturalmente, deixando-me para tr�s.
Tudo o que ela me deixou...
Estes livros maravilhosos influenciaram-me muit�ssimo.
Eles ter�o um papel importante no teu futuro.
Uma pilha de livros e uma frase de despedida.
Tens o meu sangue nas tuas veias.
Herdaste definitivamente o g�nio da tua m�e.
At� � pr�xima.
Foi ent�o que ouvi.
O som de algo importante a desaparecer para sempre.
CONFISS�O DE SHUYA WATANABE
Ploc.
Toda a gente desaparece.
Tamb�m queres?
Tamb�m eu desaparecerei.
Tal como o mundo em meu redor.
Todo ele.
31 de Agosto.
Acabei de plantar uma bomba na escola.
O detonador � o meu telem�vel.
A minha disserta��o intitulada "Vida" foi seleccionada pelo distrito escolar.
Na cerim�nia de abertura de amanh�,
esperam que eu leia perante a escola toda.
"Estimem a preciosidade da vida!"
"Jamais esquecerei as palavras da professora Moriguchi.
"Ap�s perder a sua �nica filha num acidente funesto,
"as suas palavras
"e a verdade contida nelas..."
Activarei a bomba assim que terminar.
Eu e os idiotas � minha volta explodiremos em mil peda�os.
Naturalmente, a imprensa vai adorar.
Contudo,
n�o posso tolerar a an�lise banal que se seguir�.
Por isso publico o meu �ltimo testamento,
sozinho neste site.
O meu pai voltou a casar-se no ano seguinte.
Segundo as leis da ci�ncia natural,
idiotas acasalam com idiotas,
resultando em filhos idiotas. - J� conversei com o teu pai.
A minha ideia � transformar o armaz�m numa sala de estudo para ti.
N�o queremos que o choro do beb� atrapalhe os teus estudos.
Ao continuar a ler os livros da minha m�e,
sentia que o nosso la�o sangu�neo fortalecia-se cada vez mais.
Eu queria empregar a genialidade que ela outorgara.
Sonhos de pessoas normais e in�teis a curvarem-se perante mim,
come�aram a crescer grotescamente.
O que � isto?
Um rel�gio rev�s.
Os idiotas que eu atra� com promessas de pornografia sem censura,
jamais conseguiriam apreciar a natureza da minha genialidade.
SITE DE PESQUISA DO PROFESSOR GENIAL
Primeiro, criei um site,
um local de encontro para prod�gios, e liguei-o � universidade da minha m�e.
"Aluno da prim�ria, g�nio da engenharia publica inven��es fixes - visitem!"
Talvez a minha m�e desse uma vista de olhos.
Mas...
COMENT�RIOS (0)
Ent�o fiquei furioso
e publiquei todo o tipo de lixo...
M�QUINA DE EXECU��O
COMENT�RIOS (181)
O QUE FIZESTE FOI OK.
- Yoshikazu Seguchi. - FEIRA NACIONAL DE CI�NCIAS
Fiquei encantado ao ver o nome dele no painel de j�ris.
Ele era um respeit�vel cientista e uma grande influ�ncia para a minha m�e.
Pensar que ele poderia ver as minhas cria��es,
seria um teste perfeito ao g�nio que herdei.
Se eu fosse seleccionado para um pr�mio,
talvez a not�cia chegasse at� ela.
Testei o prot�tipo na minha professora.
Passou com distin��o.
Ganhei o pr�mio nacional de excel�ncia.
Contudo...
ESTUDANTE DA PREPARAT�RIA MATA 4 FAMILIARES
Uma estudante da preparat�ria est� ajudar a pol�cia com a investiga��o...
Uma coisa daquelas n�o poderia receber a aten��o do mundo.
Ningu�m reparou,
especialmente a minha m�e.
Precisava de algo maior, que recebesse cobertura de toda a imprensa.
Um incidente em massa.
Um homic�dio.
Algo que requisitasse os talentos que herdei.
Um homic�dio especial,
que apenas um g�nio poderia realizar.
N�o importava quem mataria.
Mas precisava de um c�mplice.
Algu�m que n�o adivinhasse os meus verdadeiros pensamentos.
Algu�m que fizesse o que eu digo
e depois bradasse o meu crime ao mundo inteiro.
Um verdadeiro idiota entre idiotas.
Ali estava ele.
Podes dizer a toda a gente que fui eu que matei-a.
N�o te preocupes, n�o �s meu c�mplice.
Nunca foste meu igual.
�s um est�pido chor�o.
� �bvio que �s um falhado.
Eu s� lhe disse a verdade...
Porque � que ele...
CRIAN�A 4 DE ANOS AFOGA-SE NA PISCINA
...intrometeu-se?
Eu queria ser teu amigo.
Eu s�...
contigo...
Eu n�o tinha ningu�m.
Queres vir ver filmes?
- Sempre quis falar contigo. - Pensar que algu�m reparara em mim.
�s diferente daqueles idiotas.
Pareces relaxado... adulto.
Algu�m me aceitou.
Ent�o escolhi um alvo, como pediste.
Que tal a filha dela?
Porqu� a Manami?
Porque � que ela teve que morrer?
Pergunto-me porqu�?
J� n�o me lembro.
S� fiz o que me mandaram.
Eu at� inspeccionei primeiro o local.
Mas depois tu...
Podes dizer a toda a gente que fui eu que a matei.
Ele...
Ele queria tanto ser um assassino.
Mas n�o conseguiu.
A rapariga ainda estava viva.
Ela respirava correctamente.
� �bvio que �s um falhado.
Um falhado?
Ele queria matar mas n�o conseguiu.
O falhado � ele.
Olha quem fala.
Eu consegui realizar
aquilo que ele n�o conseguiu.
Porque � que te intrometeste?
Se quiseres contar ao mundo, est�s � vontade.
Ploc.
Um m�s depois, aquela professora idiota percebeu finalmente.
N�o pretendo contestar o veredicto da pol�cia.
Maldi��o.
O que a matou n�o foi a carteira.
Isto � incapaz de parar o cora��o de uma crian�a de 4 anos.
Raios!
Dois deles tinham uma mistura extra.
O sangue infectado com HIV do professor Sakuramiya.
Isso foi perfeito, Moriguchi!
Uma doen�a mortal...
Perfeito... se eu contra�sse isso,
o meu pai teria certamente que contar � minha m�e.
Ele teria que deixar-me v�-la.
Na verdade, ela moveria montanhas para encontrar-me.
N�s reconcili�vamo-nos, ela tomava conta de mim...
Um testemunho perfeito do meu g�nio.
RESULTADO: NEGATIVO
Ploc.
Depois disso, eu estava s� a matar tempo.
Os sorrisos...
As l�grimas...
Isto e aquilo...
Tudo... a pr�pria vida.
Simplesmente insignificante...
...uma perda de tempo.
VI-A NAQUELE DIA POR MERO ACASO...
Porque fez ele aquilo?
Atrasado.
Aquele que eu considerei um falhado.
A culpa foi da Moriguchi.
Ela estava a tentar matar-me.
Ela at� enviou um espi�o � minha casa.
Contudo, a minha m�e continuou a falar mal dela com ele.
Por isso � que ela foi assassinada.
Tentei desesperadamente evitar que ela fosse infectada.
Para impedir que ela morresse. Eu tamb�m ia ser assassinado.
Quero dizer...
Estarei vivo?
- CONFISS�O DE NAOKI SHIMOMURA - � certo que n�o parece.
Cheiro mal.
Mas � a prova de que estou vivo.
Estes dentes, esta caspa, estas unhas, este fedor...
Ter fome... tudo provas de que estou vivo.
Estou a morrer... estou a morrer!
Estou a morrer.
S� tenho 13 anos.
Moriguchi est� a matar-me.
Eu nunca beijei,
nunca namorei,
ou fiz alguma coisa.
Porqu�?
�s um falhado.
N�o sou nada!
Eu...
Naoki, �s um bom rapaz.
Sou, n�o sou, m�e?
Bom no desporto, nos estudos...
A matar...
Ter�s sucesso se tentares.
Desculpa, Naoki...
Porqu�?
Porque �s um falhado.
Cala-te!
Desculpa.
A tua pobre m�e,
n�o te educou correctamente.
�s um falhado.
De acordo com o advogado,
a crian�a aparentou receber com calma o veredicto do tribunal.
PROFESSORA, SOBRE "VIDA"...
E pensar que ele gostava tanto da m�e...
Aquele parvo.
Olha quem fala.
Nada.
O que queres dizer com isso?
- Est�s a assustar-me. - Que diabos sabes tu?
Sei tudo sobre ti.
Tu foste s� uma forma de matar tempo.
Mas eu estava farto.
Estou farto destas tretas da "Lun�tica".
E das tuas �nsias de seres como ela.
Coleccionas este lixo...
Identificas-te com a Lun�tica?
�s s� uma aspirante, com sonhos rid�culos.
�s uma idiota.
Shuya...
Tu n�o tens coragem de matar.
Porque n�o bebes isto para come�ar?
Complexo de �dipo.
� tudo o que �s.
Tens um problema emocional com a tua m�e que abandonou-te.
Contudo n�o tens coragem de ir v�-la.
Tens medo que ela te rejeite, certo?
Tu sabes muito bem que ela te abandonou.
Professora...
Vi-a naquele dia por mero acaso...
Eu...
Voc� n�o adicionou nada, pois n�o?
Quero dizer, n�o colocou sangue no leite.
Voc� nunca faria isso.
Foi o que sempre pensei.
Agora n�o tenha a certeza.
Agora estou-me nas tintas se o Werther morre.
Parece que o professor Terada vai ausentar-se uns tempos da escola.
Visto que o Shimomura acabou assim.
Mas a culpa foi do Werther...
A culpa foi minha.
Eu encontrei-me com ele ocasionalmente.
Ele era t�o entusiasta...
...t�o sincero...
T�o devoto ao Sakuramiya.
Ent�o confessei-lhe que o Sakuramiya era o pai da Manami.
Eu atra�-o e usei-o
para encurralar aqueles rapazes.
Naturalmente n�o lhe disse como morreu a Manami.
Ele ouviu os meus conselhos t�o atentamente.
Sobre as visitas � casa do Shimomura...
"N�o importa se � impopular, continue, pelo menos uma vez por semana..."
"Se fecharem a porta na sua cara, continue a chamar."
"Sakuramiya faria o mesmo."
N�o parei de lhe dizer isso.
Quando ele me falou do bullying contra o Watanabe,
eu disse-lhe para alegar que um aluno denunciara,
para ajudar a clarificar tudo.
Eu sabia muito bem que isso promoveria mais bullying.
Eu disse de prop�sito.
Fiquei decepcionada ao saber que parou.
Eu contava com a crueldade da turma
para lev�-los � morte ou ao suic�dio.
Voc�s foram mais bondosos do que eu pensei.
Professora...
- Isto � para si. - Obrigada.
Quanto ao sangue no leite...
"N�o retribuas �dio com �dio."
"Isso nunca trar� paz de esp�rito."
"Algum dia eles ir�o redimir-se."
"Acredita neles."
"Isso tamb�m trar� a tua salva��o."
Foi o que o Sakuramiya disse.
At� ao �ltimo momento,
ele n�o parou de dizer a coisa certa.
Enquanto eu..
fui em frente e contei-lhes em todo o caso.
Mas mesmo que eu tivesse feito isso,
as probabilidades de infec��o s�o praticamente nulas.
Mesmo que se apanhe SIDA,
agora j� n�o � uma senten�a de morte.
Os medicamentos podem reprimir a doen�a.
Com o Sakuramiya,
se tiv�ssemos descoberto o cancro mais cedo, ele n�o teria morrido.
Mas voc�s n�o faziam ideia...
Voc�s estremeceram � men��o do HIV.
T�o pat�ticos e ignorantes...
Professora...
Perdi a minha fam�lia.
E o Shuya...
Nunca o perdoarei.
Ent�o?
Achas que devo morrer?
Voc� n�o compreende.
O Shuya sente-se sozinho.
Ele s� quer que a m�e repare nele.
Porque ela partiu...
Porque a m�e dele abandonou-o...
ele s� precisa que o reconhe�am e...
Professora...
Em rela��o � vida...
N�o � nada demais.
Rid�culo.
Ela ainda estava quente.
Foi t�o arrepiante, que coloquei o corpo no frigor�fico.
� s� um menor a cometer um assassinato.
O c�digo penal juvenil proteger-me-�.
N�o serei condenado � pena de morte.
Que decep��o.
Quando comecei a sua constru��o, n�o tinha a certeza como o usaria.
Tr�s dias antes.
COMENT�RIOS (1)
Era da minha m�e e dizia que queria conhecer-me.
Sem um minuto de hesita��o, dirigi-me � sua universidade.
Departamento de Ci�ncias e Engenharia, Engenharia Electr�nica Laborat�rio 3...
Vi-a do outro lado da porta.
Se eu chamar por ela, correr�o l�grimas
e ela abra�ar-me-�.
Mas...
foi ent�o que compreendi.
O que eu queria que ela abra�asse, n�o era o meu corpo,
mas uma coisa maior,
o meu talento e...
...o grande feito que eu deixaria para tr�s.
Afastei-me da universidade.
De forma a deixar a minha marca no mundo,
eu descobrira como empregar a minha bomba.
O assassinato em massa iminente,
n�o ter� um idiota como o Shimomura como testemunha,
mas todos v�s que visitam este site.
Os acontecimentos hist�ricos de amanh�,
incluindo a minha morte,
dever�o ser atestados
e os meus desejos registados,
em benef�cio da minha m�e.
Neste mundo, h� pessoas que podem ser perdoadas por homic�dio.
Por eles...
...por mim, tamb�m.
...para construir um mundo novo e melhor,
tem-se o direito de transpor determinados obst�culos.
� o que o her�i de "Crime e Castigo"
Rask�lnikov diz antes de matar a velha agiota.
Mas o que quero dizer
� que a vida...
todas as vidas s�o preciosas,
todas as vidas s�o bonitas
e no mundo em que vivemos, todas as vidas t�m o mesmo valor!
Estava a brincar...
Querido, � a m�e. Lamento ter-te deixado t�o sozinho.
Quem fala?
H� quanto tempo.
� a Moriguchi.
Tenho a tua bomba.
Uma coisa simpl�ria montada por uma mente simpl�ria.
Foi canja desarm�-la.
- Tu divulgaste no teu site... - Cale-se!
N�o me calo.
Quero discutir a minha vingan�a.
Matar-te simplesmente,
n�o levar� a desprezares a tua vida,
mas sim em assassinato.
Continuei a visitar o teu site � procura de uma ideia melhor.
Foi ent�o que vi a ode � tua m�e.
Mas � errado mentir.
Enquanto tua ex-professora, devo corrigir as tuas falsas verdades.
O coment�rio com os contactos da tua m�e.
Achas que veio dela?
M�e...
E n�o � que te apressaste a ir para l� no dia seguinte?
- Vi-a do outro lado da porta. - Na verdade, tu sa�ste sem v�-la.
De forma a deixar a minha marca no mundo...
Como pudeste mentir daquela forma?
Sua maldita.
Tu esgueiraste-te para o laborat�rio,
levando as tuas inven��es deplor�veis na esperan�a que ela as visse.
Mas nem sinal dela.
N�o tenho raz�o, Watanabe?
Rapaz!
Que queres?
Esta � a Professora Assistente Jun Yasaka, certo?
Conheces?
� a pessoa que mais admiro no mundo.
Sim, mas agora o nome dela � Jun Seguchi.
Seguchi?
Neste momento, est�o em lua-de-mel.
Impressionante nesta idade.. ela est� gr�vida...
Tu deitas tudo ao ch�o e fugiste aos berros.
Impressionado por eu saber?
Eu estava a ver.
Fui eu que enviei os contactos do local de trabalho.
A Kitahara,
a rapariga que mataste,
contou-me o teu �nico ponto fraco.
Shuya sente-se sozinho.
Ele s� quer que a m�e repare nele.
Fiz uma pesquisa.
Foi f�cil descobrir o paradeiro da mulher,
por quem cometeste homic�dio para que ela reparasse em ti.
E foi f�cil descobrir com quem ela est�.
Cale-se!
Eu queria verificar com os meus olhos a extens�o dos teus sentimentos.
Depois de agires com tanta calma, estavas completamente confuso.
Foi ent�o que compreendi...
Que tu foste abandonado...
Pior, tu foste completamente esquecido.
Afastei-me da universidade.
Desespero total. Est� na hora de morrer, sem mais demoras,
e levar o m�ximo poss�vel de pessoas consigo.
Essa � a verdadeira raz�o para plantar a bomba.
�s est�pido?
N�o faz a m�nima ideia de como me sinto.
Tu � que n�o fazes a m�nima ideia.
Porque � que pessoas inocentes t�m que morrer?
Tu s� te preocupas com a tua m�e.
Porque � que a Manami e a Kitahara tiveram que morrer?
N�o importa quem mate.
- Ent�o mata a tua querida m�e. - Cale-se!
D�-me isso.
A pol�cia estar� a� em breve.
Por esta altura j� devem ter descoberto o corpo da Kitahara.
Pobre crian�a...
Ela foi a �nica
que conheceu o fraco e arrogante que tu �s.
� s� um menor a cometer um assassinato.
O c�digo penal juvenil proteger-me-�. N�o serei condenado � pena de morte.
Mesmo que a lei te proteja,
eu jamais te perdoarei.
Esta manh�, ap�s desmantelar a tua bomba,
fui ver uma pessoa.
Levei comigo
o teu precioso presente.
Consegui encontrar-me facilmente com a pessoa que ansiavas ver.
Aparentemente, ela acabara de regressar da lua-de-mel.
Convers�mos sobre tudo.
Contei-lhe o quanto a amavas.
Quantas pessoas foram sacrificadas.
Afinal,
parece que ela n�o te esqueceu.
Pare.
De qualquer forma, dei-lhe o teu presente.
Eu deixei-lhe a tua inven��o.
E despedi-me rapidamente.
A tua m�e era uma mulher encantadora.
Por isso rezei para que n�o pressionasse o bot�o.
Mas no final...
...levaste a tua avante.
Estava a brincar.
Tamb�m ouvi o som de uma coisa importante a desaparecer.
N�o foi "ploc"...
...foi "bum"!
Pare!
Watanabe,
a bomba foi constru�da e activada por ti.
Esta � a minha vingan�a.
Um aut�ntico inferno.
De agora em diante,
come�a a tua reden��o, um passo de cada vez.
Estava a brincar.
Baseado no romance de Kanae Minato
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