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DESAFIO AO DIABO
Aten��o! Aten��o!
O primeiro piloto do v�o 325, por favor, dirija-se ao port�o 6.
Repetindo: primeiro piloto do v�o 325, no port�o 6.
Senhorita, o v�o 471 de Beirut est� no hor�rio?
Um momento, vou verificar. Est� no hor�rio, senhor.
Grato.
- Alguma novidade? - Nada.
- Ele n�o quer mesmo entregar? - Insiste em dizer que foi roubado.
Ah, �? Pior para ele, vamos.
- Tem certeza que ele mora ali? - Absoluta.
- Ele j� deve entrar em casa. - L� vem ele! N�o deixe que o veja!
Abra.
Espere, o silenciador.
N�o � aquele porco do Carlo?
� ele!
J� estou indo! Tenha um pouco de paci�ncia, por favor!
- Quem �? O que deseja? - Abra, em nome de Deus!
- O que quer? - Por favor, me deixe entrar!
Estou ferido, estou sendo seguido!
- Seguido? O que voc� fez? - Deixe-me entrar.
Me chame o Padre Renigio, eu conto � ele.
- Padre Renigio, a esta hora? - Abra, em nome de Deus!
Ou ter� na sua consci�ncia a vida de um homem.
D�-me um pouco de �gua, por favor.
- Mas est� ferido, meu filho? - � o que estou tentando dizer!
Espere um pouco, meu filho, vou lhe trazer algo mais forte.
Beba isto.
Bom, n�o �? Vou chamar o Padre Renigio agora.
- Obrigado. - N�o julgue pela garrafa...
Este � um verdadeiro brandy, safra de 84.
Me mandaram comprar algo barato, mas como eu tamb�m bebo...
Carlo! Voc� aqui?
Pejo!
- Agora me chamo Padre Renigio. - Desculpe, Padre.
N�o, n�o. Tudo bem.
- Est� ferido? - Sim, mas n�o � nada grave.
S� vim me refugiar aqui porque est�o querendo me matar.
Te matar? Quem est� querendo me matar?
- Cyro. - Cyro?
- Ele n�o mora em Beirute? - Sim.
Ele estava em Beirute. Mas veio para Roma para me matar.
- Foi ele que atirou em mim. - Mas por qu�? Qual o motivo?
� uma longa hist�ria.
- � melhor cuidar desta ferida. - N�o � nada, � s� um arranh�o.
N�o � s� um arranh�o.
Sinto muito, Carlo. Mas n�o vejo como posso ajud�-lo.
Ele acha que eu quero chantage�-lo!
Ele n�o acredita que Alma me roubou os documentos.
Mas no dia que Marco trouxe-lhe o dinheiro em nome de Cyro...
e para levar os documentos do seu chefe...
Voc�...
N�o sabia mesmo que n�o estava mais com eles?
N�o. E Marco n�o me deu o dinheiro.
Tem certeza que a garota o roubou?
Alma esteve comigo na noite anterior.
E eu tive a p�ssima id�ia de falar dos documentos de Cyro.
E de como os consegui.
E dos 4 milh�es que Cyro tinha me prometido.
E que Marco ia me dar.
Eu fui um imbecil, eu sei.
Mas eu confiava em Alma.
N�o sabia que era uma ladra.
"4 milh�es? N�o seja bobo, pe�a mais", ela me disse.
Eu disse � ela que quando Cyro tomava uma decis�o era dif�cl convenc�-lo.
"Dif�cil pra voc�!", ela disse. E assim terminou a discuss�o.
Mas na manh� seguinte, quando Marco veio com os 4 milh�es...
- Os documentos tinham sumido! - Se acalme.
Repouse, est� com febre.
Ele quer me liquidar, entendeu?
E Alma vai chantage�-lo!
Ela vai arruin�-lo, estou dizendo!
Ele... e sua posi��o.
O casamento da filha dele, tudo!
Eu n�o quero isso, entendeu? N�o quero...
Onde est� Cyro? Ele est� me procurando!
N�o tenho documento algum!
Acalme-se, voc� est� a salvo. Ningu�m lhe far� mal aqui.
Estou dizendo, ele quer me matar. Mas eu mato ela!
Aquela bruxa, eu mato ela!
O envelope sumiu, e eu n�o...
Foi ela! Eu mato ela...
Irm�o, com licen�a.
Os outros Padres j� v�o descer para a missa.
Obrigado, Irm�o Gaudenzi.
- Como est� o homem ferido? - Est� repousando.
Bom, bom.
Gostou, querida?
Voc� n�o vai direto para casa hoje � noite, vai?
Podemos conversar abertamente. Por que me diz sempre n�o?
Por que ando muito ocupada, n�o tenho tempo.
E o que anda fazendo? Botando chifres no seu marido?
Quem sabe, minha cara.
- Mas com o seu. - Como voc� � engra�ada!
Senhoras e senhores, a estrela argentina da can��o, Sonia...
que cantar�, "Viram voc�".
"Viram voc� passeando com outra."
"Me disseram que a segurava pela m�o."
"E eu n�o acredito que seja s� uma amiga."
"Pode ter sido..."
"Pode ter sido uma aventura."
"Viram voc�..."
"E voc� n�o pode negar."
"Me disseram que voc� olhava para ela com amor."
"E n�o me venha me dizer que n�o me ama mais."
"Sabe como as pessoas falam mal de todo mundo."
"Viram voc� passeando com outra."
"Me disseram que a segurava pela m�o."
"E eu n�o acredito que seja s� uma amiga."
"Pode ter sido..."
"Pode ter sido uma aventura."
"Viram voc� e n�o pode negar."
- Um Cinzano soda. - Agora mesmo, senhora.
- � sua vez, senhora. - Obrigada.
- Depois, ent�o. - Claro.
Senhoras e senhores, a estrela da noite.
Com voc�s, a grande vedete internacional, Alma Del Rio!
Um Dubonet.
- Vem comigo esta noite? - Com prazer.
- Agora mesmo? - Daqui h� uma hora, se incomoda?
- Certo, eu te espero. - Sra. Alma, algu�m quer lhe falar.
- Quem �? - N�o sei.
J� estou indo.
Tin-tin.
- Boa noite, Alma. - Pejo? � Voc�?
N�o o reconheci.
Parece imposs�vel, isso sim � uma bela surpresa.
O que est� fazendo vestido de padre?
Olha s� pra voc�, que gracinha!
N�o me olhe com essa cara, venha aqui e me d� um abra�o!
J� faz tanto tempo que n�o nos vemos.
Onde esteve escondido todos estes anos?
- Em um monast�rio. - Corta essa, Pejo, fala s�rio!
- N�o acredito! - Alma, acredite, sou um padre agora.
- Est� falando s�rio? - Sim, claro.
Padre? Por isso que ningu�m nunca mais te viu.
Eu pensei que estivesse preso. Me diga, por que veio aqui?
- Porque Carlo foi me procurar. - Carlo sabia de voc�?
Sim, mas eu implorei para ele n�o contar a ningu�m.
Aquele Carlo... Sabe guardar um segredo.
Perguntei a ele sobre voc�, �s vezes. Ele nunca me disse nada.
- Foi ele que mandou voc�? - N�o, ele est� ferido, est� mal.
- O que houve? - Ele levou um tiro.
- Quem atirou nele? - Cyro.
Ent�o Cyro voltou?
- Pata mat�-lo. - N�o merece menos.
- � um babaca. - Alma!
- Devolva aqueles documentos. - Nunca vou fazer isso!
E n�o me olhe com essa cara!
Pare de me encher! N�o veio aqui me dar li��o de moral, veio?
At� porque alguns anos atr�s voc� era o pior idiota que existia, Pejo!
� exatamente porque eu era um grande idiota...
que eu entendo que s� pode ser feliz, quando se est� em paz consigo mesmo.
J� chega com essa conversa!
E guarde seus serm�es para a sua congrega��o fan�tica.
Comigo � tempo perdido. E aqui n�o � lugar para voc�.
D� o fora daqui.
N�o sairei daqui enquanto n�o me der os documentos.
N�o sei do que est� falando. E n�o tenho documento algum!
Sabe bem do que estou falando.
Certo, eles est�o comigo.
- E eles v�o me deixar rica. - Mas tamb�m podem custar sua vida.
Tudo tem um pre�o neste mundo, meu caro.
E desta vez, vale a pena arriscar.
Cyro fez uma vida nova em Beirute.
Sua filha se casar� com um figur�o. Um homem importante.
Gente de respeito, Carlo me disse.
Tem que pagar bem, se n�o quiser que eu estrague o casamento.
E n�o s� os 4 milh�es que Carlo pediu, tem que ser esperto.
Sabe o que aconteceria se algu�m da fam�lia, ou mesmo o noivo...
lesse todas aquelas cartas?
Que a noivinha � filha de um chantagista, um ladr�o.
Um trapaceiro.
Cyro teria que fazer as malas e fugir de Beirute.
Onde ele conseguiu uma posi��o invej�vel.
Esses documentos valem ouro para qualquer um que os tem.
E aquele idiota do Carlo pediu 4 milh�es!
N�o, para mim n�o � suficiente! E eu sei como conseguir mais!
Muito bem, mas agora � voc� que vai me escutar.
N�o est� curiosa para saber por que eu me tornei um padre?
Como vou saber? Voc� sempre foi meio esquisito.
Esquisito? N�o. Eu era s� um imprest�vel.
Vou lhe contar tudo desde o in�cio.
T�nhamos sa�do da cidade. Nossos motores uivavam loucamente.
Liber�vamos toda a nossa viol�ncia...
em corridas ousadas, em ultrapassagens perigosas.
Quer�amos nos divertir a qualquer custo.
Ao meu lado estava Frija...
uma garota que estranhamente tinha nojo de mim.
Tire suas m�os de mim! Babaca!
No outro carro estava Gianni. De certa forma, o chefe da gangue.
Junto com Maga, a "sem-c�rebro", como gostava de ser chamada.
E no terceiro carro, no final, com sua namorada Jenny...
vinha Gugo, que adorava bancar o poeta maldito.
E encontrava no �lcool sua �nica fonte de inspira��o.
Mas suas composi��es n�o eram nada sublimes.
Droga!
Ainda era dia, j� est�vamos bastante embriagados...
e com vontade de fazer alguma loucura.
Whisky, whisky!
Droga, droga!
Tamb�m quero droga!
N�s ador�vamos assustar os outros motoristas na estrada.
E o pobre coitado que conseguiu evitar uma batida de frente...
saindo da estrada, foi surrado selvagemente.
Estampado, at�.
E abandonado mais morto que vivo no meio da estrada.
�ramos como animais. Ador�vamos o gosto de snague.
Da viol�ncia incontrol�vel.
Tamb�m �ramos cru�is.
Mas hoje sei que �ramos somente um bando de covardes.
Coloque de volta onde pegou. Idiota.
Por aqui!
Vire � esquerda! Vire � esquerda, Pejo!
T�nhamos perdido a estrada, mas n�s n�o nos importamos.
Bastava somente ir adiante. Bastava s� correr sem um destino.
A noite chegou.
Acabamos no p�tio de um antigo castelo.
Para acordar os moradores, fizemos um enorme barulho em torno da fonte.
Ningu�m apareceu. Curiosamente, n�s paramos.
Algu�m em casa?
Algu�m em casa?
Algu�m em casa?
Pejo.
Um castelo para comer.
Um castelo para dormir.
Um castelo para beber.
Parecia deserto, desabitado.
Apenas um sil�ncio espectral ao nosso redor.
Era um sil�ncio opressivo, impressionante.
Parecia um mundo irreal.
T�nhamos perdido toda nossa arrog�ncia, toda nossa coragem.
Se � que t�nhamos coragem.
De repente, e quase como um sonho ...
nos encontramos em um grande sal�o.
Diante de uma mesa totalmente posta, iluminada por candelabros.
Cretina.
Sobre ela, havia tudo que pod�amos querer.
Um verdadeiro banquete.
Parecia que estava nos esperando.
Sem fazer muitas perguntas, nos atiramos como lobos famintos.
Bebemos como rec�m-nascidos.
O �lcool elevou nossas velas, foi para as nossas cabe�as.
O que se sucedeu precisa de poucas palavras para ser descrito.
Droga.
Isso sim, vai queimar.
Era uma orgia de sentidos, de sexo.
Uma orgia hist�rica, animalesca.
Que teve Gugo, o poeta maldito, como seu guia.
As garotas estavam descontroladas, pareciam enlouquecidas.
Sobretudo Frije, que havia perdido o pouco controle que tinha de si.
Tinha uma f�ria descontrolada. Assim como o resto de n�s.
Feras diab�licas, completamente dominadas pelos sentidos.
Assim que a orgia atingiu seu �pice obssessivo...
uma estranha figura apareceu. Que nos observava sem nada dizer.
Era uma figura sem idade, fora do tempo.
Uma figura que jamais esqueci.
E que teve um papel decisivo na minha vida.
Senhores!
Por favor, senhores!
Eu interrompi sua brincadeira, senhores. Mas em poucos minutos...
ela falar� comigo e com esse barulho eu n�o conseguirei...
n�o conseguirei ouvir sua voz.
Seu cabelo...
Era...
Era como emergir a m�o na �gua.
Na �gua viva de uma torrente.
De uma torrente de sol.
Seus cabelos ainda s�o do mesmo jeito, como eram aantes.
Antes da sua morte, quero dizer. O tempo � meu inimigo.
Voc�s me entendem? Seus olhos...
At� mesmo seus olhos ainda s�o os mesmos.
Como eram antes.
Quando eu a olhava nos olhos...
Era como se estivessem perdidos, desorientados.
Era... o infinito.
Entendem? O infinito.
As palavras daquele homem estranho penetrou em n�s atrav�s do �lcool.
N�o nos demos conta do tormento daquela alma...
e fizemos piada dele, sem perguntar...
que coisas estranhas aconteceram naquele castelo misterioso?
Eu n�o queria que o tempo destru�sse tudo.
Da Terra � Terra.
Terra...
...� a mesma terra barrenta que se � enterrado.
Estamos todos condenados � morte.
Como � vida. N�, eu me revoltei...
contra a injusti�a desta condena��o.
N�o aceitei a fatalidade da morte. N�o aceitei a fatalidade da vida.
Por ela. Por sua beleza, que eu quis que durasse eternamente.
Como uma est�tua.
Entendem?
O Diabo. Voc�s conhecem o Diabo?
Eu conheci o Diabo, por ela!
Pela continuidade de sua beleza, da qual eu n�o queria me separar.
Eu...
Eu vendi minha alma.
Eu n�o sei. N�o sei onde est� o corpo dela.
Mas toda noite eu ou�o apenas a sua voz.
� como...
uma cascata de som sem uma fonte precisa.
Mas n�o � isso que ela quer. N�o � isso!
N�o.
Ela n�o quer viver.
Ela quer...
Um enterro de verdade.
� o fim. Quando o galo cantar, eu morrerei.
E partir de ent�o, minha alma...
estar� perdida eternamente.
Me ajudem!
Me ajudem a encontr�-la!
Procurem por ela!
Se a encontrarem, e lhe derem um verdadeiro enterro...
ter�o todas as riquezas deste castelo.
Pelas suas palavras, o confundimos com um louco.
Mas ele tinha atingido nosso ponto fraco.
Ele nos ofereceu todas as riquezas do castelo.
Era a oportunidade que est�vamos esperando.
A chance de ficarmos ricos.
E tratava-se apenas de achar uma mulher...
que devia estar escondida em algum canto do castelo.
Pejo, pegue aquilo.
Olha s� para ele. Depressa!
Coitado.
Vamos.
Me pe�a desculpas.
Para n�s, era como uma brincadeira.
E o estado de semi-consci�ncia, t�pico da embriaguez...
tornava tudo irreal.
Venha c�.
Maga, por ali. Voc�, por ali.
E voc�, por ali.
Est�o esperando o qu�?
Levante-o.
Aquela terr�vel emo��o tinha nos destruido.
Tinhamos que parar um momento para nos reunir.
Para tentar ver as coisas mais claramente.
Mas sempre havia uma garrafa na m�o de algu�m...
o que nenhum de n�s conseguia resistir.
E, al�m do mais, o �lcool nos fazia esquecer o medo.
E assim continuamos a busca.
Sem perceber que j� tinhamos passado pela primeira prova��o.
Pare com isso!
Pode parar com isso?
Quem fez isso?
- Olhem ali, uma aranha! - Onde?
Uma espada.
Era para ca�ar.
Come�amos a entender que a nossa tarefa...
naquele castelo imenso, era absuda.
Um cansa�o tomou conta de n�s, quase nos paralisando.
Foi uma rea��o � nossa excita��o mais cedo.
Idiota!
� ela! Aquela mulher!
Olhe ali, Gugo!
Foi uma apari��o.
A apari��o de uma alma errante e infeliz.
Sua beleza era indescrit�vel.
Era uma vis�o que nenhum de n�s poderia renunciar.
T�nhamos quase atingido nossa meta.
De repente nos encontramos em uma escada que parecia intermin�vel.
Uma aranha enorme, repugnante...
Mas que ao mesmo tempo, e estranhamente...
nos inspirava confian�a. Estava nos espionando.
E para todas as nossas terr�veis prova��es...
tinhamos uma testemunha nada comum.
Os degraus pareciam nunca terminar.
Fomos levados ao nosso limite.
Mas para onde aqueles milhares de degraus nos levariam?
Para o c�u?
A passagem est� bloqueada.
A porta se abriu como num passe de m�gica.
Nos deparamos com uma sala imensa.
De cristais. De cristais por toda parte.
Que, inexoravelmente, nos mantinha prisioneiros.
E quanto mais tent�vamos superar aqueles obst�culos transparentes...
mais presos fic�vamos.
Nos impedia de nos comunicar uns com os outros.
A ansiedade nos atormentava, nos deixava loucos.
E pouco a pouco, a loucura foi tomando conta de n�s.
Os mais fracos foram os primeiros a cair, especialmente os homens.
Gugo, hist�rico por natuereza, n�o conseguiu aguentar.
As garotas! As garotas!
Pejo!
O Inferno... O Inferno deve ser algo assim.
Mas o que acredit�vamos j� estar morto e sepultado...
em nossos cora��es...
e seguindo aquele sofrimento prolongado...
come�ava pouco a pouco a reabrir-se.
Jenny, o que foi?
A aranha! Ela foi para l�!
A aranha! Est� ali!
Est�vamos definitivamente condenados.
A aranha. Vamos segui-la.
Uma fr�gil, vaga esperan�a de fuga, de salva��o...
atraiu nossa aten��o.
O fio da nossa amiga aranha.
Outra escada. Descendo, dessa vez.
A aranha.
Foi uma descida igualmente intermin�vel.
Regida pela aranha que, por acaso, apareceu para n�s.
Finalmente, um longo corredor apareceu na nossa frente...
que poderia nos trazer de volta � vida.
A ilus�o n�o durou muito tempo.
A queda foi ainda mais brutal pelo sentimento de desesperan�a.
Milagrosamente, nenhum de n�s, al�m da dor da queda...
sofreu qualquer les�o grave.
Gugo foi o primeiro a retomar o gosto pela vida...
e com todas as suas for�as.
� o Dem�nio!
O Dem�nio!
Desta vez, n�s nos salvamos.
Salvos, acima de tudo, por n�s mesmos.
E t�o diferentes, depois daquela noite de prova��o.
Em que haviamos destru�do as ra�zes de nossos maus instintos.
A recompensa veio por si s�.
A jovem castelana, a pureza...
Talvez fosse nossa pr�pria alma, aparecendo para n�s.
A riqueza n�o mais nos interessava.
Sentiamos somente uma grande pena daquele velho...
que no momento em que encontramos a mulher...
pela qual ele estava dispoto a sacrificar tudo...
a perdeu definitivamente, perdendo inclusive a si mesmo.
Nosso �ltimo gesto, antes de deixarmos o castelo...
foi dar um piedoso enterro � aquela jovem mulher.
E permiti-la, enfim, o eterno repouso.
O homem que tinhamos agredido, ainda estava l�, na estrada...
exatamente como o deixamos.
Talvez fosse uma maneira de nos redimir.
O transportamos cuidadosamente, para tentar atend�-lo.
Estranhamente, seu rosto parecia com o do velho do castelo.
Tome, voc� venceu.
E conseguiu tamb�m arruinar minha noite.
Pode ir agora!
Vai ficar a� parado? Suma daqui!
FIM
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