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NEM UM PASSO EM FALSO
Quem tá me procurando?
Lá atrás, no beco.
Ele não pode entrar? Por quê? Ele é branco?
Ah, não. Quem é o cara?
Não sei, ele disse que o chefe dele queria
alguém de confiança para um lance.
- E quem é o chefe, Jimmy? - Não conheço.
Eu soube que você queria um trampo rápido.
Achei que a gente fosse amigo.
E agora quer me meter numa enrascada?
Você tem sorte de alguém te querer, depois da lambança no Hotel Gotham.
Eu levo a comissão, de qualquer maneira.
Vai lá saber o que é.
Me dá seu berro.
Curtis, não faz... Curtis. Curtis. Viu?
Encrenca.
Pura encrenca.
- Você é o Curt? - Quem é você?
Jones.
Trabalha pro Frank?
Já trabalhei pro Frank. Mas isso não é pra ele.
Se for pra ele, estou fora.
O que acabei de falar?
Pro Watkins?
Tenho cara de capanga do Watkins?
Então qual é a jogada?
Tem um funcionário que precisa buscar algo na empresa dele pra gente
e levar para a casa dele.
Você é da equipe de babás,
que vai vigiar a família até ele voltar.
Ninguém se machuca. Três horas de serviço.
Pra isso, vou te dar dois mil agora, e mais três quando terminar.
Por três horas?
Disseram que seu preço era cinco mil.
Acha que pode fazer isso?
Aí ele me chamou de oportunista,
como se fosse uma oportunidade ser a esposa dele.
Enquanto ele apronta por aí... eu sei lá.
Você sabe como ele fica.
Bom, você sabia. Ele piorou muito, agora que ficou chique.
Acha que eu sou golpista, Ronald?
Acho que você tem segundas intenções.
Mas acho isso sexy.
Ah, entendi.
Então esse golpe é meu, não é?
Não se engane, Ronald.
Nós dois sabemos quem você está fodendo, aqui.
Como ousa dizer isso?
E tem outra coisa que me irrita.
Quantas vezes na semana eu me visto assim?
E ele ainda não notou que eu sou uma negação no tênis.
Não posso aceitar essa falta de atenção.
Não posso mesmo.
Você está uma graça. Venha cá.
O batom...
Você me ama?
Claro que te amo, Ronald.
Acho bom.
Estamos quase lá, viu? Eu te ligo.
Por que a pressa? Chegou cedo.
Sério? Vou acertar meu relógio.
E então?
Feche a porta ao entrar.
Imagine minha surpresa com a sua ligação.
Não vem com essa falsa modéstia pra cima de mim.
Eles querem você, Ronald, apesar de eu tentar dissuadi-los.
Então vai me dizer quem são eles?
Dizer "Gangue de Chicago" não basta.
Eles ainda não querem dizer.
Se o Frank estiver envolvido, você pode se mandar.
Todos têm bronca com o Frank, agora.
- Quem são "todos"? - Para os nossos propósitos, ninguém.
Olha, eles concordaram com o seu preço.
Três mil de cara, mais 4.500 quando terminar.
- O que é isso? - O quê?
Achou que eu ia topar isso?
Talvez seja assim em Chicago, agora. Aqui, não.
Tá, me devolve o envelope. Vou achar outra pessoa.
Ele vai na frente.
Ele não vai te esfaquear, Ronald.
Eu gosto de me sentar atrás.
Então sente-se atrás.
Senhor, se incomoda de ir na frente?
Sim.
Prefiro sentar atrás.
Isso é ridículo. Estamos perdendo tempo.
Fique à vontade.
Curt, esse é o Ronald. Ronald, Curt.
O terceiro está lá dentro.
Tem mais um?
É um serviço pra três.
Você não disse isso.
Ele disse que não seríamos só nós.
- Quem é esse cara? - Charley.
Não esse aí, esse chato aqui. E quem é o tal do Charley?
Também estou conhecendo os dois hoje.
Precisam repassar o plano?
Eu achei as instruções bem claras. E pra você, tição?
Meu nome é Curt. Como ele falou no carro.
Você é Curt Goynes?
Já ouviu falar dele?
Por que ouviria? Não conheço ninguém que o conheça.
Você conhece o Frank.
Que Frank?
O Frank Capelli.
Como conhece Frank Capelli?
Esbarrei com ele... uma vez.
Ah.
É, e se você é o Ronald, então deve ser Ronald Russo...
porque você bate com a descrição.
O que quer dizer com isso?
Está preocupado com a sua descrição.
Preste atenção, minha única preocupação
é isso dar errado por sua causa.
O que quer dizer com isso?
Você não tem culpa.
Você nasceu assim.
Eu nasci como?
Está bem. Não foi pra isso que fomos contratados.
E quem nos contratou, Charley?
Vai dizer na minha cara que não é coisa do Frank?
Não. Não, não. É uma organização de Illinois
que quer expandir para Detroit.
Ele me explicou que é...
uma ação inicial, só isso.
Eles aumentam a presença, e a gente aproveita. Só isso.
Que cara é essa, porra?
Às vezes, quando alguém mente,
tende a explicar demais. Só isso.
Ele gerenciava as apostas pro Watkins,
mas aí quis entrar no esquema também.
O Watkins emprestou pra ele uns 25 mil.
Mas o Goynes queria mais.
Exato. Eles sempre querem. Nunca estão satisfeitos.
Aí ele procurou os italianos
e marcou uma reunião no Gotham.
Ele queria jogar uns contra os outros. Negros e italianos.
Mas avisaram o Watkins, e a coisa ficou bem feia.
Morreu gente dos dois lados, Watkins perdeu a grana. Todos culparam Goynes.
Não pelas mortes, porque isso... acontece.
Mas o grande lance...
É que o caderninho do Watkins desapareceu. Todas as apostas, todas as dívidas,
os subornos, as recompensas.
Os nomes verdadeiros. Dez anos de atividades.
Então ele está com o caderninho?
Se o conteúdo vazar, todo mundo se ferra.
Colônia, de novo.
Pois é, Mary. Eu uso.
Às vezes eu uso colônia.
Ela ajuda a disfarçar outros cheiros.
É. Claro. Deve ser pra isso.
Eu fiquei acordada até tarde ontem. Que novidade, não é?
Novidade nenhuma.
Matthew? Mattie?
- Não tenho meias limpas. - Pega um par do seu pai.
- São grandes demais. - Não são tão grandes.
- Quer que amarre pra você? - Não.
- Tem certeza? Eu posso... - Não preciso.
Tá. A Amy vem cedo pra vocês prepararem a tarefa da escola.
Eu sei.
Bom dia.
- Não. - Nem tente.
É uma manhã normal. Nada mudou. Está bem?
Então, o que você faria agora...
em uma segunda normal?
Eu faria o café da manhã.
Então está resolvido.
O que vocês querem?
Você diria isso, em uma segunda normal?
Eu não sei.
Será que eu... eu posso... Meu Deus! Obrigada.
Mãe. Mãe?
Pode ir. Para lá.
Está tudo bem, Matthew.
Oi, garoto.
Bom dia.
Está tudo normal, Matthew, como em uma segunda qualquer. Tirando...
Então, sente-se.
Tudo bem. Pode ir, sente-se ali.
Está tudo bem. Tudo bem.
Então, Matthew...
Você prefere Sugar Smacks ou Trix?
Dá pra pararem de fingir que isso é uma conversa normal?
Matthew.
Sente-se.
Pai?
O que é isso? Quem são vocês?
Vamos. Na cozinha.
- Mary? Você está bem? - O que está acontecendo?
Estamos bem. Está tudo bem, Matt.
- Por que eles estão aqui? - Oi, Matt. Bom dia.
Há um documento em um cofre verde, na sala do seu chefe.
Eu e você vamos lá buscá-lo, enquanto eles ficam de babá.
- O que vocês... - Todo mundo vai ficar bem,
contanto que pegue o que está no cofre até as 10 da manhã.
- Manda ela calar a boca? - Ela é criança.
Eu não ligo. Quero silêncio.
Anda, vem pro quarto de brincar. Calma.
Vamos pro quarto de brincar.
Ei. Fique à vista.
Se quer que ela fique quieta, deixe ela ir para o quarto de brincar!
- Nós... - Calma, Mary.
Desculpe.
- Nervosinha. - Vamos.
Deixe ela lá, e fique sentada aí.
Tudo bem. Vou ficar aqui. Vou ficar bem aqui.
Forbert não vai trabalhar essa semana.
O meu chefe.
- Mel Forbert? - Ei.
Não sei a combinação do cofre.
Tudo bem, a secretária dele tem.
E até onde eu sei, você tem acesso à combinação dela.
Podemos conversar longe do meu filho?
Se podemos? Claro.
Matthew, fique com sua irmã.
Matthew, fique com sua irmã.
Ele conhece o Sr. Forbert.
Ele não conhece ninguém.
Vá para o quarto.
Não banque o herói, está entendendo? Não se atreva.
Tudo bem. Pode ir.
Obedeça ao seu pai. Vai para lá.
Não tenho acesso ao cofre.
Não quero saber.
Você vai dar um jeito.
Ele não ficou muito feliz quando falei
da combinação da secretária.
Pare com isso.
Aliás, eu queria saber uma coisa.
Atenda.
Ah, não.
- A porta é lá. - O bebedouro.
- O quê? - De passarinho.
- A Peggy está pronta pra carona? - Desculpe, Amy.
Esqueci de ligar pra avisar que Peggy não vai hoje.
Sinto muito. E veja, você vai precisar...
alimentar os beija-flores sozinha, viu? Desculpe.
Diga à sua mãe que está tudo bem. Tá?
Estamos bem.
Tchau.
É, acho que ainda não acabou.
É. Lá vem ela.
- Oi, Dawn. - Você está bem?
Está tudo bem.
- Mary? - Eu te ligo mais tarde.
Está tudo bem.
Nós brigamos e Peggy está triste, vamos
ficar em casa e resolver.
E... eu sinto muito sobre os beija-flores.
- Tem certeza? - Tenho. Estou bem.
Estamos todos bem. É sério.
Está bem.
Eu te ligo mais tarde. Tá bem?
- Tchau. - Tchau.
Bom trabalho, Mary. Você é uma baita atriz.
Venha cá.
Eles não querem nos machucar. Por isso estão de máscara.
Está bem. E agora?
Você tem 30 minutos.
Olha, não é assim tão fácil, sabia? Eu não posso simplesmente entrar lá...
Em vinte e nove minutos e 54 segundos meu chefe liga pra sua casa.
Cinquenta e um. Cinquenta...
Bom garoto.
Bom dia, Sr. Wertz.
Peguei os relatórios, e o Sr. Forbert...
pediu que os compare com o orçamento, parece...
Tá legal. Tudo bem. Ótimo. Está bem.
Pode deixar aí na mesa. Eu vou... Pode deixar aí.
- Você contou a ela. - O quê?
Ah, meu Deus, você contou. Ela ficou bem?
Não acha estranho eu me preocupar com a Mary?
O quê? O quê? Não. Não contei. Eu ia contar a ela.
Eu ia contar, mas a Peggy veio com o bebedouro do beija-flor, e...
e não importa. Agora há outra coisa, e eu só...
- Está bem. - Eu contei ao Phil.
Como combinamos.
Preciso abrir o cofre verde agora.
Por quê? Ele chorou, Matt. O Phil chorou.
Sinto muito. Qual é a combinação do cofre?
Eu vim trabalhar direto do Hotel Humpty Dumpty.
Sinto muito. Eu preciso da combinação do cofre verde.
Ah, "eu"? "Eu", Matt?
Mas e o nosso lance? Eu tenho informações.
- Está em qual gaveta? - Em nenhuma.
Tudo vai ficar bem. Eu prometo a você.
Tá, claro, mais uma promessa.
Eu vou contar pra ela. Eu não...
Estamos bem. Eu estou bem. Nós estamos bem.
Pelo menos falou com o cara, como combinamos?
Sim! Mas, eu não...
Eu ligo pra você.
Mas Matt! O que você... Não pode fazer... Não pode...
Você não pode fazer isso. Matt, não pode fazer isso. Espere.
Ele levou, Matt. Era o que eu estava tentando dizer.
Por que Mel Forbert...
Por que Mel Forbert o quê?
O Naismith. Ele prosseguiu assim mesmo.
"Assim mesmo"?
- Paula, isso não é bom. - "Assim mesmo" como? O quê?
- Nada bom. - Matt? Como assim, "o Naismith"?
Terminamos? Posso... Posso ir pra casa agora?
Espere na casa, depois. Vou ligar com instruções.
Legal. Eu queria parar pra comprar batata frita antes.
Ele disse pra irmos pra casa, e que ele... vai ligar.
Perdão, perdão. Vamos.
Vamos agora. Quero ver a minha família.
Como ele conhece o chefe do meu pai?
Não conhece. Eu já disse isso.
Ele trabalha lá, por acaso? Na GM?
Não sei. Conheci ele hoje, também.
E como sabe que ele não conhece?
Por que está fazendo isso?
Existe um terreno aí.
Um cara tirou de mim, e eu o quero de volta.
Onde?
Olha, garoto, vamos nos mandar em uns 15 minutos,
está bem? Então relaxa.
O meu pai vai ficar bem?
- Moço. - Sim, esse é o plano. Está bem?
Posso ir ver minha mãe?
Obrigado.
E o seu avião? Acabou a gasolina?
Na verdade, ele caiu.
Quer ver sua mãe, também?
Não.
Como assim, "depois"?
O quê?
Ele disse "espere na casa, depois". Depois do quê?
Depois de chegarmos lá.
Como você aguenta?
Também não gosto de lavar louça.
Não sei por que, mas detesto lavar.
Não quero saber nada sobre você.
- Somos mais parecidos do que pensa. - Pare.
Bem...
E se a gente não quer o que deveria querer?
Chave na ignição.
O quê? Por quê?
Porque eu mandei.
- Ei, a sua máscara. - Ela coça.
- Matt? - Estamos bem. Está feito.
Todos na sala, agora.
- Por quê? O que houve? - O que houve?
Preciso de toda a família na sala agora.
Cadê a menina? A pequena? Cadê a sua...
- Peg. - Ela está aqui.
Traga ela. Pode me ajudar?
Um minuto. Fique aí, tá?
Está assustando eles, já chega.
O que estamos fazendo aqui, Charley?
Seguindo as ordens. Pra sala.
Vai me ajudar ou não?
Não. O homem no beco mandou você esperar aqui...
que ele iria ligar com instruções.
Tenho outras ordens, que não são da sua conta.
E as ordens agora são para reunir sua família na sala.
Juntinhos. Sacou?
- Senhor, com todo respeito... - Ah, porra!
Mas que merda foi essa?
Abaixe a arma. Ronald, pense.
- Não vou abaixar. - Foi armação.
Pense, pense. Foi armação, cara.
Cadê a máscara dele, cara?
- Isso é errado. - Pense, Ronald.
Alguém atenda o maldito telefone!
Calma aí. Relaxe.
- Atenda o telefone. - Ok. Ok.
Alô?
Quem é?
Mary Wertz. Quem fala?
Quero falar com o que voltou agora.
É que ele...
não está mais conosco.
Chame seu marido.
Quer falar com você.
Alô?
O que estava pensando, Matthew? Gostaria de saber.
- Como assim? - O que houve?
- Pareço idiota? - O que houve?
- Matthew, shh! Matt, o que houve? - Mãe? Pai?
Matthew, por favor, sua mãe pediu silêncio.
Chame o Charley. Não me diga que ele saiu.
- Quem é? - Mandei chamar o Charley.
Ele não voltou.
Quer foder a gente, Jones?
Ponha o outro na linha.
Chame ele agora, ou vou levar isso pro chefão,
e vai ter pedaço seu espalhado nos 48 estados desse país!
- O que foi? - Eu quero o Charley.
Ele está indisposto, agora.
Tudo bem. Ouça com atenção. Dane-se o Charley.
Mate todos, e me encontre no Bar Flame Show em meia hora.
Vai receber sua grana e a deles.
Entendi.
O que você fez?
O cofre estava vazio. Forbert levou o documento pra casa.
Tive que pôr algo no envelope.
Você nos colocou em risco?
- O que eu ia fazer? - Você é louco?
Cale a boca. Calado!
Me dê a chave do carro.
Ele mandou deixar no carro.
Não.
Ronald.
Escute, você atirou nele.
Ele invadiu a casa, você o desarmou e você atirou nele.
- O que está fazendo? - Tome isto.
Tá, vamos embora.
Vou precisar de você. E quando for a hora, espero que me ajude.
Entendeu? Ei! Você entendeu?
- Sim. - Está bem.
Vamos.
Precisamos de um lugar pra dormir hoje.
Charley conhecia o cara, o Jones. Não percebeu isso?
Recebi adiantado.
É, e iam tirar a grana do seu cadáver.
Ele mandou que eu matasse todos. Até você.
Quem mandou você me matar? O Jones?
Ao telefone? Ou antes?
Ah, merda. Merda. Vai, vai, vai...
Eles me viram? São os capangas do Frank.
Sei por que o Frank quer me matar. Mas e você? Por quê?
Não faço ideia. Que o Capelli se foda!
Esse lance está acima do Frank. Pense bem.
Cinco mil pra bancar a babá por três horas?
E o que eles querem está em um cofre na GM?
Talvez a Gangue de Chicago exista.
É. E eles tentaram me matar.
Acham que só eles que sabem armar?
Eu também sei armar.
Essa merda vai ser um reajuste merecido.
- Desculpe, senhor. - Desculpado.
Espera. Que isso, Curt?
Foi Aldrick Watkins ou Frank Capelli? Fale logo a verdade.
Eu não sei.
Levante-se.
Caramba, cara. Acabei de me deitar.
Levante essa bunda gorda.
Quem armou pra mim?
Abra aquela porta.
Vire-se.
Agora para trás. Para trás. Para trás.
Para trás. Para trás, para trás, para trás, para trás.
Tenho dois filhos, Curtis...
ameaçaram matá-los se eu não entregasse você!
- Me entregasse pra quem? - Eu não sei.
Jimmy, vou atirar na sua barriga, te jogar lá embaixo
e deixar você sangrar.
Eu só sei que um cara me ligou há meia hora.
Me oferecendo dez mil pra te entregar.
Quinze mil pelo branco.
- Foi o Jones? - Ele não era branco.
Ele disse que o Sr. Watkins ficaria grato, em nome do Sr. Capelli.
Espere um minuto.
Então Capelli contratou Watkins pra me pegar?
Não sei se contratou. Não sei. Mas eles têm algum trato.
- Eles estão juntos? - Não sei.
- É mentira! - Não sei!
Pode me jogar lá embaixo que não vou saber.
Parece que o dono da casa, Matthew Wertz...
surpreendeu o intruso, o desarmou e atirou.
Está bem. Obrigado pela atenção. Somos gratos.
Sr. Wertz? Sou o detetive Joe Finney, da Procuradoria de Michigan...
Força-tarefa Crime Organizado.
Crime Organizado?
Sim.
A polícia de Detroit recebeu duas chamadas.
Uma de uma amiga, a Sra. Atkinson. Disse que estava preocupada.
E outra de um vizinho, que ouviu barulhos.
Crime Organizado? A Máfia?
É a pergunta de 64 mil dólares, não é?
Ele se irritou com a manha dela, então a levou pra lá,
só ficou ali um minuto. E logo saiu.
Eu o tinha seguido, e me virei também.
Aí cheguei por trás dele, mais ou menos... assim.
Os três tiros foram daqui?
Não, eu vim pra cá, e o vi tentando sacar a arma...
aí dei mais dois enquanto ele caía.
Mas não estava com a arma dele?
Quantos caras?
Um deles.
"Deles"?
Uma pessoa. Uma pessoa. Ele.
Primeiro, eu não vi nada. Só ouvi um tiro.
Fiquei no quarto quase o tempo todo.
É, "quase o tempo todo". Quando foi para o quarto?
Quando meu pai mandou eu ir?
Por que ele mandou você ir?
Eu não me lembro.
Eu fiquei de olhos fechados, o tempo todo.
Não acreditei no que estava acontecendo.
- É apavorante. - É. Então, eu não vi o que...
Mas consegue pensar em alguma coisa...
Em algum motivo para ele ter escolhido sua família?
Ele não gosta de gente feliz?
Pode deixar a chave?
Eu queria ouvir rádio.
Caramba.
Rudy.
Só um minuto, se não se importa.
Obrigado.
A Clarisse está?
Anjinho? Tem uma visita.
Está bem. Só um minuto.
Está tudo bem?
Eu soube que vão arrasar esse bairro,
até o cemitério.
E vão tirar os trilhos do bonde.
É. "Renovação urbana".
Está mais para "remoção de pretos".
É, isso mesmo.
Oi, Clarisse.
Quando foi solto?
Anteontem. Alegaram superlotação, então...
- Detroit é assim. - Detroit.
Precisa do que, Curtis?
Acho que ela ainda está com a minha mala.
Soube que esfaqueou alguém de cara.
Não foi assim. Ninguém gostava de mim lá dentro.
Um cara me atacou com uma faca e me defendi.
Só assim, pra sobreviver.
É, e deu certo.
Por enquanto.
E o que você fez lá, esse tempo todo?
Fiquei pensando. Eu pensei muito.
E quando você vai...
Em breve. Hoje, talvez amanhã.
- Pra onde você vai? - Kansas City.
- É mesmo? - Sim.
O cara quer 4.750 agora.
Ele construiu algo no terreno?
Até parece, não é? Não, ele só sabe que quero comprar.
Sabe que Aldrick Watkins não vai deixar você sair vivo daqui.
Eu sei. Eu vou resolver isso. Pode deixar.
Obrigado.
De nada.
Boa sorte, Curt.
Ei, Curt. Não volte mais aqui.
Eu nem pensaria nisso.
É o que eu acho que é?
Depende do que acha que é.
Vai me avisar se precisar de algo?
Claro. Não se preocupe. Eu vou entrar em contacto.
Bom.
Eu atendo. Eu atendo!
- Alô? - Pode falar?
- Sim. - Esta é a ligação que prometi.
Fica entre nós dois. Tenho sua palavra?
- Sim. - Pegue o carro da sua mulher.
Encontre-nos na oficina na esquina da Lafayette com a Russel em 20 minutos.
Sozinho, Matt. Agora desligue.
- O que ele disse? - Fala, pai.
- O quê? - Façam as malas.
- Por quê? - Agora.
Mala pra quê? Não quero ir. Para onde vamos?
Matthew! Pare com isso! Está bem? Faça a mala. Meu Deus!
Isso. Obrigado, Dawn. Somos muito gratos.
RUA LAFAYETTE
RUA RUSSELL
Aí vem ele.
Depressa. Vamos.
Entre no carro. Depressa.
Onde seu chefe mora?
Norte de Ohio. A uma hora daqui.
É pra lá que vamos.
Espere. Não prometo nada. Nem sei se ele está lá.
Só acaba quando pegarmos o documento. Entendeu?
O que está fazendo?
Não quero nenhuma gracinha.
- Espere, eu... - Sou Matt Wertz.
- Contador. Da empresa. - Sim.
Precisa de alguma coisa?
Preciso falar com o Sr. Forbert. Estes são...
São meus colegas. É urgente.
- Cadê o seu marido? - No escritório.
- Onde é? - Lá em cima. Eu sei onde.
- Tudo bem aí? - Sim.
Vamos entrar.
Entre.
Wertz?
Oi, Mel. A Louise me disse para subir.
Nunca fiz isso.
Nunca pedi nada para você, mas eu preciso...
- Eu preciso muito... - Do quê?
...pegar emprestado o documento que estava no seu cofre.
Não é possível. E por que quer ele?
Porque a pessoa que o preparou cometeu erros.
E eu... eu disse a ele que pegaria de volta...
para ele revisar e te devolver.
Mas fui eu que preparei. Eu mesmo.
Ninguém mais na empresa sabe que ele existe.
Tá bem, eu menti.
Isso é tão importante que eu precisei mentir.
E acabei fazendo o que fiz na empresa...
que eu nunca faria, se não fosse tão importante.
Bom, você precisa ir embora, Matt.
Eu não posso.
Vou pegar meu telefone.
Não, não, não.
Você precisa ir.
- Pelo amor de Deus. - Não posso.
O que está fazendo?
Quero te alertar que vou ter que ser bruto.
É uma questão de vida ou morte pra mim.
Sabe o que vai acontecer se você continuar com isso?
Sei. Sinto muito.
Vou socar você.
Que merda, Wertz!
Vou socar você. Lá vem meu soco.
Não posso entregar. O documento é confidencial.
Sinto muito.
Eu amo meu emprego!
Mas isso é tão importante que não ligo se eu for demitido.
Sinto muito. Sinto muito.
Não se preocupe. Não vai acontecer nada.
Já vamos sair daqui.
Senhora, foi um longo dia.
Vou colocar isso na senhora pra eu relaxar.
Entendeu? Obrigado.
Conseguimos. Vamos.
Tchau, Louise. Obrigado. Desculpe.
Você se divertiu?
Mel! Mel?
O que aconteceu? Meu Deus, Mel.
Vou chamar a polícia!
- Não. - Vou chamar...
Sem polícia! Por favor, amor. Nada de polícia.
Teve uma vez, no bar, no Coogan's...
Dawn, lembra disso?
Que um cara negro te abordou
e eu me meti, mas eu sou grandão.
E ele era baixinho.
Mas um cara armado? Eu nunca achei...
que o Matt faria isso!
- Brian. - O quê? Poxa...
Desculpe, Mary, seu marido me surpreendeu, só isso. Positivamente.
Sempre imaginei o que eu faria numa situação dessas.
Mas não quero pagar pra ver.
- Eu volto pro jantar. - Não vai sair, Matt.
Matt é o papai. Eu sou Matthew.
Matthew? Venha cá.
Calma, eu não mordo.
Você não está encrencado. Nem seu pai.
Os caras que fizeram isso
é que nos preocupam. Entende?
Um dia, se quiser, vá ao meu trabalho
que eu te mostro diagramas de mais de vinte anos
que vão até a Itália, acredite. Até a África.
Mas agora, você pode nos ajudar a esclarecer esse caso
respondendo algumas perguntas simples.
Já respondi perguntas.
Pois é, respondeu,
mas eu fiquei com uma pulga atrás da orelha.
Você disse que "um deles" apontou a arma para vocês.
Um deles. Um deles quem?
Não. Eu disse "ele". Ele...
Não, não. Você mudou para "ele".
Você mudou. Lembra?
Só que eu costumo seguir minha intuição,
eu sou assim, sabe?
Só quero saber, Matthew...
Quero saber se você lembra de algum nome...
ou de alguma característica desses caras.
Sabe? Doug Jones?
Frank Capelli? Aldrick Watkins? Algum desses?
Meu pai está encrencado?
Olha...
sinceramente, Matthew,
as pessoas só acabam se encrencando
quando não contam a verdade.
Eles eram três.
Eram três homens.
Sinto muito, Dawn.
Ele faz o que quer. Não posso impedir.
Tudo bem.
Está tudo bem.
Coitadinha.
Tudo bem. É um momento difícil.
Não, é outra coisa, mas não posso contar.
Pode me contar qualquer coisa. Sabe disso.
Como você consegue? Aliás, como alguém consegue?
- Como assim? - Qualquer coisa...
Tudo isso. Isso e isso...
É impossível.
Eu pensei que a gente poderia ir pra algum lugar?
Quem?
Nós duas.
Uma viagem.
Juntas, pra algum lugar.
Quero ver explicar isso pra eles.
Este é o documento certo, Matt?
Só quero que isso acabe.
O que é isso?
Um novo tipo de escapamento.
Um abafador.
Você confere, Matt? Um abafador?
Eu sei lá. Não me contam nada, eu só acerto as finanças deles.
Acertou bem mais que isso, lá atrás.
Pode apostar.
Chegamos.
Pode devolver meu carro, por favor?
Gostamos do seu carro.
- Dawn, por favor, chame ela. - Hoje não.
Minha vida está toda de pernas pro ar.
E a Paula Cole, Matt?
Perdão, eu não deveria dito isso. Preciso ir.
Dawn, por favor. Chame ela.
Matt, hoje não. Sinto muito.
HOTEL HUMPTY DUMPTY
AR-CONDICIONADO
TELEVISÃO
Você trouxe? Matt...
Espere. Espere.
- Matt... - Espere. Espere.
- Foi à casa do Forbert? - Fui.
- E você pegou? - Peguei.
- Tá, então você... - Espere.
- Espere. - Então está com o documento.
Espere. Eu ainda preciso ter...
uma conversa com você.
Eu tinha...
reservado um tempo pra isso, há uns dois dias.
Está bem.
Mas lembra, a Peggy veio com o lance do bebedouro de passarinho...
Enfim...
A conversa que eu pretendia ter com você há dois dias...
eu quero ter agora, pra você entender os eventos
que levaram até esse momento em que estamos hoje.
Então essa conversa que quero ter agora...
que reconheço que não adianta mais... Tudo tá...
Matt, cadê o documento? Onde ele está?
Chegou a falar com o Naismith?
- Sim, falei com ele semana passada. - E o que disse?
Preciso terminar.
Eu disse o que você me pediu. Que alguém importante na empresa
tinha um documento que envolve as 4 Grandes,
que os chefes dele na Studebaker se interessariam...
- Você disse isso? - Sim. Me deixa falar.
E ele quis comprar o documento.
Está bem. E?
Imagine que eu te contei isso há dois dias, está bem?
Você não ligou mais pra ele.
Não. Eu liguei, sim.
Mas o que eu queria dizer é...
Você se acovardou.
Eu não achei certo.
E então você amarelou. Meu Deus.
Não, foi um processo. Eu pensei muito.
- Eu não amarelei! - Não, não...
Já contactei um corretor.
Aluguei um carro pra ida à Califórnia.
Não sabia que você ia fazer isso!
- Meu Deus. - Não sabia que o Naismith iria...
Ai, meu Deus, você disse "assim mesmo".
No escritório, você disse "ele prosseguiu assim mesmo".
E eu não entendi. Mas agora sei...
o que "assim mesmo" quer dizer: você amarelou,
o Naismith soube, e ele prosseguiu mesmo assim.
E agora estou aqui, nessa merda de Hotel Humpty Dumpty...
com um cara que viu a sorte grande
virar a esquina, e literalmente a deixou passar,
enquanto planejava correr atrás dela.
Planejando, não. Eu estava executando um plano.
De não fazer o lance.
Que eu sei que combinamos de fazer.
- E qual foi seu plano? - Ligar pro Naismith.
E dizer que estávamos fora.
Exatamente o que eu ia te contar há dois dias.
Não, não, não, não, não.
- E agora... - Aqui estamos nós.
É. Aqui estamos nós.
Vou cancelar o carro alugado.
E eu vou ligar pro Phil.
Fica lá no fundo.
O Jones apita alguma coisa?
Como assim, apita?
Ele tem poder de decisão?
Está querendo envolver o Frank?
Estou pensando nisso.
Como vai abordá-lo?
Bem, até onde sei, você conhece a mulher dele.
Quer que eu vá até a casa dele?
Ele não vai fazer nada, Ronald.
Temos o que ele quer.
Você só precisa convencê-lo a levar 50 mil ao Café Roma.
- Cinquenta? - Exato.
E ele terá o documento.
Vinte e cinco. Vinte e cinco.
Se ele recusar, é porque chegamos no teto.
Se ele topar, vamos saber que tem muito mais de onde isso veio.
Sabe que ele não vai mexer um dedo até ver isso aí.
É, acho que você tem razão.
Pegue.
Leve isso também.
Curt, tem que se mandar. Não quero confusão aqui.
Que confusão?
São só 12 horas, no máximo. Amanhã a gente cai fora.
- Aumentaram a recompensa. - O quê?
Agora são 20 pra você E 25 pelo branco.
Quer dizer que estão oferecendo 45 mil... só pela gente?
- Foi o que eles me disseram. - "Eles?"
As duas gangues. Capelli e Watkins.
Achei que era mentira do Jimmy.
Não, é isso mesmo, Curt.
As coisas mudaram agora, cara.
Tá, e essa recompensa é pra morto ou vivo?
Pro branco, tanto faz. Mas você?
O Capelli te quer morto, o Watkins te quer vivo.
Isso não é bom.
E é por isso que você não pode ficar. Minha vida melhorou
desde que você foi preso.
Eu ando na linha há quatro anos. Tenho um emprego, agora.
Sou mensageiro no Gotham. Arrumei um broto.
E não quero mentir pra ninguém, e não quero ninguém metido aqui.
Tá legal. Quanto você ganha no Gotham?
Bastante. Onze dólares por dia.
Tá bem. Toma duzentos.
Vou dar cinco vezes mais, à noite.
E me arranja mais dois caras. Dou 200 pra cada um deles.
Veja se consegue os da Purple Gang,
se os italianos ainda não os expulsaram.
- Por que está fazendo isso? - Quero o que é meu.
E desde quando...
Não vem me dar sermão, Lonnie.
Você não faz ideia do que está acontecendo.
Vai me ajudar ou não?
Está bem.
E você diz a eles pra ficarem de olho,
que eu vou dar um sinal, virar o copo, cair no chão.
E aí eles mandam ver.
Preciso perguntar isso: por que precisa da gente?
O cara que tá comigo quer me entregar.
E como sabe disso?
É o Ronald Russo.
Frank! Se não vai descascar,
pode tirar os olhos das batatas pra mim?
Odeio tirar os olhos.
Frank!
- Você vai atender? - Vou!
O que você quer?
- Oi, Frank. - O que você quer?
Surgiu um probleminha.
Vamos jantar agora.
Vou ser rápido.
Você deve ser a Veronica.
É Vanessa.
Desculpe. Vanessa.
Pode subir.
Hotel Gotham. Ao meio-dia.
E se ele disser não?
Convença ele. Ele tem que topar.
Vai dar certo, mas conte o plano todo.
Está bem. Eu falo com o chefe.
Isso, e diga que ele tem que ir pessoalmente.
Ele tem que ir. Só assim vai dar certo.
Ele disse que devolve o caderninho e descola 50 mil, ou até mais.
- Muito mais. - E o que ele quer?
Garantia de vida. E cinco mil pra ele.
Então os 50 não são 50, são 45.
Por esse preço, não é melhor entregar Goynes pra Joe Finney?
E o outro cara, qual é o nome dele? Russo?
Ele é problema do Capelli.
Tudo bem, mas o que eu falo pro Goynes?
Diga a ele...
Que estarei lá. Vai ser um prazer.
Um Cadillac conversível?
Queriam me matar pelo projeto de um Cadillac conversível?
Foi o que eu soube, só sei isso.
Pois é, Frank, agora sei que está mentindo.
Porque eu sei que é um sistema novo de escapamento.
Talvez seja um escapamento novo pra um Cadillac,
mas que diferença isso faz?
Era pra roubar o documento,
e nós roubamos.
Por que você está aqui? O que quer?
Tenho uma proposta pra você.
Vou pegar no meu bolso.
Mas antes tem que admitir que você me escolheu pro serviço de babá.
Sei que quer se livrar de mim. E você sabe que quero me livrar de você.
Nunca te dei rasteira.
Eu estava no esquema, você sabia.
Podia até estar, mas estava fazendo tudo errado.
Nunca é culpa sua, não é? É isso?
E já que acha que sabe por que eu te quero morto,
é melhor fazer um exame de gonorreia.
Considere um presente meu através da minha mulher, "Veronica".
Não sei do que está falando.
Ela já me contou.
Deveria te matar, mas vou te dar um troféu.
Pode ficar com ela.
Frank. Ela não é pro meu bico.
- Concordo. - É a sua esposa.
É, exatamente. Isso.
E agora que resolvemos ser francos,
por que não me conta a sua proposta?
Está bem. O lance é esse.
Cadê a outra metade?
Goynes quer 50 mil por tudo.
- Cinquenta? - Sim, mas tenho um plano.
Ele pensa que você vai achar pouco,
pra garantir trato que você tem.
Mas eu acho o seguinte:
você tira o Jones do lance,
encontramos o negão no Café Roma, às 20:30h.
Ele leva a outra metade, fazemos a troca,
e aí apagamos o Goynes. E dividimos a grana.
Dividimos?
É. Meus 25 saem da recompensa.
Que eu mereço, porque vou salvar seu trato
e entregar o negão.
E quer saber? Ele vale bem mais que isso.
Por quê?
O Goynes sempre anda com o caderninho do Watkins.
O das apostas?
Acho que ele está armando um lance por fora com ele.
Então fechamos.
Bem...
Soube que precisa de gente em Reno.
Poderia me mandar pra lá.
Eu queria... Frank, preciso de algo permanente.
Posso me endireitar, Frank.
Merda! Só preciso de um lugar para recomeçar, sabe?
Vamos resolver isso primeiro.
Tá bem.
Obrigado, Frank.
Está dando pra ele, eu sabia!
- O quê? - Ele acabou de confirmar.
Não sei do que está falando. Eu não...
Ele acabou de admitir.
Frank, eu jamais faria isso! Não, por favor! Por favor!
Está de brincadeira.
Ele disse que Goynes anda com ele o tempo todo.
E se ele estiver armando algo escondido da gente?
É um plano do Russo. Que armação pode ter?
Acha que o pessoal de Reno vai aturar esse amador do Ron Russo...
fazendo um monte de merda por aí?
Reno nunca vai ter que se preocupar com ele. Ouviu?
Essa ganância cega do Russo, nos deu a saída.
Beba seu bourbon antes do gelo derreter.
Vai ficar pro jantar?
- Quer um Chianti? - Não.
Vinho faz bem. Pergunte a Jesus.
Ficar sóbrio também. Pergunte a Pôncio Pilatos.
Frank.
Prazer em revê-lo, Curtis.
- Trouxe os 50 mil? - Sim, bem aqui.
As duas metades estão aí?
Vamos parar com essa merda. Temos o documento.
Você quer, e ele é seu.
Por um preço, mas é um preço novo.
Que preço novo?
O dobro da recompensa pela gente.
- Sério? Noventa mil? - Isso.
- Noventa? - Cinquenta, quarenta.
- Está brincando. - Não, é sério.
O dinheiro não é meu, então vou precisar de aprovação.
- De quem? - De quem você acha?
De quem precisa aprovar tudo.
- Não. Não vamos vender agora. - Ronald, que tal me deixar resolver?
Mãos sobre a mesa.
Ronald.
Não fui eu. O Frank fodeu a gente.
Ron, o problema é que você não sabe como você é burro.
E isso deixa você imprevisível. E nada confiável.
E desleixado.
- Desleixado? - Você me ouviu.
Isso tudo é ofensivo. Vamos.
Espere, espere. Pra onde vamos?
Levantem-se!
- Aonde vamos? - Não é um bom lugar.
- Pra onde vamos? Está bem... - Às vezes, eu também sou desleixado.
Ah, meu Deus. Abaixe-se.
Frank! Não se mexa! Fique parado, porra!
Encoste-se naquele carro.
Quem te contratou? Quem, Frank?
Foi o seu cafetão que me contratou!
Merda.
Merda! Quem te contratou?
O cafetão da sua mãe.
- Quem te contratou? - O cafetão dela.
Vai me obrigar a perguntar de novo?
Eu venho com uma bandeira branca e você quer me foder?
- Goynes, não deixa ele me bater. - Vai à merda, Frank!
- Foda-se Reno e suas mentiras. - Foi ele quem...
Pela última vez, quem te contratou pra conseguir o documento?
Pessoal, por favor. Não. Eu sento atrás. Eu me comporto.
- Entre aí agora. - Olha a costela...
- Merda! Não, eu sou claustrofó... - Cala a boca, porra.
Hugh Naismith.
Sim, Sr. Naismith, eu peguei o serviço
de Frank Capelli, e queria combinar o pagamento e a entrega.
Espere, espere aí. Quem está falando?
Não interessa. Temos o item que solicitou...
e queremos ser pagos.
Eu não conheço você. Eu estava lidando com o Frank.
Como vou saber que têm o que eu quero? Isso não está certo.
Espere. Espere aí.
Tá bem: "o composto consistindo em uma mistura de frações..."
"De butano e propano contendo"
"aproximadamente 25% de insaturados, foi adicionado a uma massa catalítica..."
"A uma temperatura de cerca de 495."
Quer que eu continue a ler?
Posso saber como conseguiu isso?
Com um tal de Mel Forbert.
Posso liberar minha manhã. Que horário?
Ótimo. Vai estar com a grana?
Os 125 mil. Foi o trato.
É... 125 mil. Correto.
Mas o trato com você é o mesmo que eu tinha com Capelli e Chicago.
Ninguém na Studebaker, na Studebaker- Packard, nem nas outras sabe disso.
Sim, claro.
Então, ao meio-dia. No Hotel Gotham...
será no Salão Holiday. Nos aguarde
no saguão, vamos buscá-lo.
Cento e vinte e cinco mil?
É, foi o que ele disse.
Que merda.
Cadê o filho da puta?
Ele foi pra casa.
E quando chegar lá, vai chamar a cavalaria.
Se ele for pra casa, não vai chamar ninguém. Acredite.
Merda.
Merda. Merda.
Vanessa.
O que está acontecendo? O que você...
Vanessa, não. Não.
Oi, mãe.
Eu fui caminhar, mais cedo,
e aquele policial, Finney...
me viu, e... eu...
talvez tenha contado algumas coisas.
Você contou a verdade.
Desculpe.
Não. Não. Não é culpa sua.
Está bem? Todos fazemos escolhas.
Seu pai vai ter que lidar com as consequências das dele.
Mas você fez o que fez, e era a coisa certa.
O quê?
Se pararmos em Naismith, estamos cobrando barato.
Na verdade, eu pensei o mesmo.
- Verdade. - Tá legal, a questão é...
que tem alguém acima de Naismith, e acima de Forbert.
Deveríamos lidar com ele.
- Então vamos deixar o Naismith pra lá? - Não.
- Perder os 125 mil? - Não, não, não.
- Qual é. - Não disse isso.
- É loucura. - Não. Não vamos perder nada.
Vamos somar. Com a grana de quem eles estão escondendo o lance.
Olha a ganância, Goynes.
Preciso de mais grana.
Nunca fica satisfeito, né?
Tudo bem. Esqueça.
Se não quer participar, não precisa.
Não foi isso que eu disse.
É ousado.
Muito ousado.
Está bem, está bem. Onde, então?
Em qualquer lugar. Sandusky.
Em Toledo. Que tal voltarmos pra Detroit?
Louise, escute. Preciso que pense racionalmente.
Não há nenhuma razão lógica pra eles voltarem pra cá.
Eles pegaram o que queriam. Não tenho mais nada pra eles.
Isso não é verdade.
Senhor, queremos saber...
- Queremos saber... - Ei.
Eu te conheço?
Não sei do que está falando, amigo.
Escute, quem pagou você?
Não sei do que está falando.
Quem te pagou pra esconder o documento?
Escritório de Mike Lowen.
Aqui é Mel Forbert para o Sr. Lowen. Diga que é urgente.
Cancelou o aluguel do carro?
O que acha, Matt?
Eu acho que sim. Claro que sim.
Não.
- Sério? - É, mantive o carro.
E o compromisso com o corretor.
Verdade?
Paula?
Paula, e a mesa? Leva tudo?
Só a terceira gaveta. O resto pode ficar.
- Oi, Matt. - Oi, Phil.
Você vai... com Phil?
Phil.
Foi uma boa ideia. Califórnia. Então...
Talvez um dia eu veja você e a Mary por lá.
Ele chegou cedo. E veio sozinho.
- Isso é bom. - Ele é confiante.
Dá essa impressão.
Mike Lowen. Boa tarde. Mike Lowen.
Você não lembra, não é?
Provei o uísque, e pra minha grande surpresa, não é intragável.
O que vão querer?
- Nada para mim. - Eu aceito um scotch.
Excelente escolha.
Devia ter visto a minha cara
quando o caddie atravessou o campo.
Eu nunca vou a lugar nenhum de supetão.
Podem perguntar à minha mulher. Ainda assim, estou aqui.
Aqui estamos. Parabéns.
Este momento...
dói pra cacete.
Certo, mas vamos ter que contar.
Vou fazer as continhas ali.
Com licença.
Então, onde pisamos na bola?
Qual foi... Qual é o termo, mesmo?
O elo entre mim e vocês? Quem foi, e como chegamos aqui?
Por que isso importa agora?
É preciso aceitar todas as verdades,
por mais dolorosas,
ou não há crescimento.
Essa é a chave. Crescimento! Progresso!
E não há crescimento sem sonhos, e o risco é ter ambição demais.
Por isso quero saber a causa: meu pessoal, minha estrutura?
Meus pontos fracos? Minha ambição?
E como foi que acabei sendo ludibriado?
Tudo que importa é que estamos aqui, como disse...
e sabemos de tudo.
Sabem o quê? Se me permite.
Estou pagando muito caro, quero saber pelo quê.
Black Bottom. Paradise Valley. Já ouviu falar?
Você arrasou bairros inteiros. Arrancou os trilhos do bonde
e instalou essa política econômica discriminatória.
Onde as pessoas vão morar?
Nosso país está se remodelando, senhores.
Está acontecendo por toda a nação,
em mais de cem cidades. Então, me diga...
- Tá. - Pelo que estou pagando?
E você não tem controle?
"Eu não criei o rio, só remo a jangada."
Novamente, pelo que estou pagando?
Pelo mesmo que pagou ao Forbert. Silêncio.
Sobre?
Você sabe muito bem.
Não há provas concretas de que o carro tenha a ver
com a poluição em Los Angeles
ou em qualquer outra cidade do planeta.
E o catalisador nunca será...
reduzido a um tamanho que caiba sob o capô de um carro.
Eu atendo.
Mande ele "ficar frio".
Sim.
Aqui é o Naismith.
"Fica frio", Hugh.
Uma óptima jogada.
E por falar em ambição, eu dei à Studebaker...
Aliás, à "Studebaker-Packard" um ano, dois, mesmo com a fusão.
Tá, eu falo com ele. Agora tudo isso faz sentido.
O pateta, Naismith, soube que as Quatro Grandes estão trabalhando juntas
e quer descobrir em quê. Doido para impressionar seus chefes,
que desconhecem o plano dele, ele contrata... quem ele contratou.
Eles chamam vocês. E vocês conseguem descobrir o alfa do bando.
E assim, os opostos se encontram.
Vocês e eu.
Contra todas as leis da história, da natureza, de classe...
- Não, casta. - Joia.
Como está a contagem, Ronald?
Contei 375, exatos.
Sei que acham que estamos seguindo as suas regras, mas fiquem sabendo...
que vocês nunca "criam" as regras, nunca.
Só as seguem, achando que têm autonomia,
achando que têm controle, mas é ilusão.
Se iludem que estão no controle, o tempo todo, e isso é fato.
Fato que nunca vão entender,
e vão morrer sem entender,
assim como vou morrer sem entender a genialidade
do universo de Deus, porque não o criei.
Mas eu e outros como eu criamos essas regras...
neste mundo, neste negócio, e vocês as seguem, agora,
mesmo que saiam daqui com meu dinheiro. Fui claro?
O que é claro é que temos sua grana.
É só dinheiro. Eu tenho muito. Vou continuar tendo ainda mais.
É como a cauda da lagartixa. Corte ela, e cresce outra no lugar.
Eu trabalho, ele cresce. Eu durmo, cresce.
Na verdade, seja qual for o desfecho aqui,
eu vou pra casa, vou ligar pro meu banqueiro, e dormir como um bebê.
Ainda não se lembra, não é?
Não faz mal, foi há anos. Eu estava em um comitê de quatro pessoas.
Eu era da Ford, na época.
Quis te recrutar, depois do exército.
Você fez jogo duro. A GM fez uma oferta melhor.
Tá, me pegou.
Sim, eu me lembro. Michael Lowenstein. Com os pontinhos.
Trema. Löwenstein. Sou sueco.
O "stein" é mal interpretado, como pode imaginar,
e inibiu oportunidades de negócios
que eu busquei no exterior, por décadas.
E não ajudou muito aqui, também. Se entende o que eu quero dizer.
Ah, é, "Stein". Que atraso, né?
Aposto que você entende, Sr. "Russo".
Está bem, chega.
A grana está toda aqui. Vamos indo. Pode ir, também.
Vou pegar meu chapéu.
Foi um divisor de águas pra mim, o ano de 1928.
Eu pensei: "Estamos perdendo gente para a GM?" No mesmo ano, nos superaram.
Nós, que inventamos a coisa toda, viramos o azarão.
Eu saí da Ford naquele ano
e decidi investir na indústria como um todo.
Fiz bem. Todas essas empresas, pra mim,
são farinha do mesmo saco.
Não acredito à importância que dão para a hierarquia.
E crio espaço para elas terem liberdade. Funcionou...
Até agora.
Há confiança mútua. Acredito que tenha uma coisa minha.
Ele tem a outra metade.
CONFIDENCIAL
Confiança mútua.
Sabe o que eu adoro? Quando personagens
já esquecidos nesse romance da vida
aparecem no fim e toda a história se completa.
Foi um prazer. Individualistas. Desafiadores de regras.
Dois homens que apesar de tudo, chegaram ao mesmo lugar
vindo de lugares bem diferentes.
Sonhem, senhores! A Lua é o limite!
A GM, é?
Foi há muito tempo.
Ótimo. Vamos lá pegar a grana do Naismith.
Ah, não. Eu paro por aqui.
Como assim: "Ah, não"?
Chega. Pode ficar com toda a grana do Naismith.
Então vai abandonar o plano?
Você não sabe quando parar, não é?
É o mensageiro.
- O Lonnie? - É.
Deixe ele entrar.
Desculpe, Ronald.
Aldrick.
Curtis.
O que é isso?
- Aldrick, está tudo ali. - Vamos.
Sinto muito, cara.
Aldrick. Eu armei tudo isso pra você.
Não vai pegar a grana?
Aquele dinheiro é caro demais. Já tenho o que eu quero.
Então? Como foi?
A sorte me sorriu, meu bem. Sorriu pra mim.
Ah, que lindo. Ronald!
Tem mais?
Tem quanto aí?
Tem 375 mil, meu bem.
Tem 375?
É.
Eu tenho 31. Isso dá...
Dá 406 mil.
Ronald, eu não acredito!
Como você... Como conseguiu isso?
Ah, meu Deus, Ronald, querido.
Nossa. Podemos fazer qualquer coisa.
Ir pra qualquer lugar. No mundo todo.
Podemos até andar de avião, Ronald.
Podemos andar dez vezes de avião. Olha só, eu nem...
Você conseguiu.
Ainda não terminou. Calma.
- Cadê o carro? - Vaga cinco.
Tá, pegue ele e me espere na entrada.
Está bem.
Não, não. Eu levo essa.
Está bem.
Eu vou logo em seguida.
- Aldrick. - Olá, Joe.
Um passarinho me contou que você está com uma coisa minha.
Então, acho que devo agradecer.
Antes disso, vou te apresentar dois cenários.
E pra ser claro, os dois terminam com Curtis Goynes morto.
Cenário um: você soluciona os assassinatos de Charley Barnes,
Douglas Jones e Frank Capelli.
Depois de um julgamento difícil...
que mergulha no caos uma Detroit já muito segregada...
você ganha um aumento de... mil por ano,
se tanto.
E eu garanto que Goynes morra na prisão.
Ou o número dois: você ainda soluciona os assassinatos,
mas o criminoso é morto por seus pares.
O que faz de você um herói, e faz dele um exemplo para outros...
que podem estar tentados a traírem seus parceiros.
E em vez dos 25 mil...
que vão pingar na sua conta até você morrer,
você recebe um bônus imediato que é o dobro disso.
Finalmente! Acredita que custa 45 centavos pra estacionar, sem carência?
- Trouxe o mapa? - No porta-luvas.
Essa é a minha garota.
Você não é o único que planeja aqui, Ronald.
- Mudança de planos. - Ah, é?
É, vamos pra bem longe.
Tudo bem.
Vire à direita aqui.
Deixe o carro ligado.
Ronald, dá pra relaxar? Não fomos seguidos.
Olhe em volta. Não tem nada aqui.
É o seu preferido! Pode abrir.
Abra logo.
Tá.
Tá bem.
- Ah, merda. - Tchau, Ronald.
Que merda.
- Sim, senhor? - Pode sair do carro, por favor?
Posso saber do que se trata?
Saia do carro.
Tenho o direito de saber por quê.
Fique aqui.
Boa viagem, Sra. Capelli.
Oi. Pode entrar. Estamos comendo.
Obrigado.
Vou chamar a Mary.
É o Matt.
Meu Deus, Matt.
Meu Deus. E ainda é terça.
Detetive Finney.
ASSOCIAÇÃO AUTOMOBILÍSTICA
- Por aqui. - Obrigado.
Acho que isto aqui é seu.
Está tudo aí. Você disse 375 mil, mas acho que se enganou.
A quantia real é 406 mil e uns trocados.
Contei errado, então.
E apareceram mais 50, também.
Eu queria te dar um agrado...
Não, o dinheiro é seu.
Sim. É claro.
Olha, escolha uma daquelas garrafas.
A da esquerda é muito boa.
Custa 88 dólares no atacado.
Me avise se eu puder fazer algo mais.
É claro.
Obrigado, Joe.
Os gananciosos têm olhos, mas não enxergam.
Inclusive eu.
Vou perguntar uma coisa.
Por que achou que poderia confiar em mim?
Você é confiável, Aldrick.
Peguei os 25 mil que emprestei pra você, naquela época, mais juros.
Peguei mais 50 pro policial.
Como imagina que o resto deva ser dividido?
Só quero cinco mil.
Só o que é seu.
Só o que é meu.
Estamos quites?
Aproveite Kansas City.
Em 1969, o Depto. de Justiça abriu um processo antitruste contra a GM,
a Ford, a Chrysler e a American Motors por terem ocultado por 15 anos
a tecnologia de redução de poluição em carros.
As montadoras fizeram um acordo com o governo,
e, em 1975, o catalisador tornou-se peça obrigatória
em todos os automóveis fabricados nos EUA.
Não houve multas.
Legendas: Chris Eksterman
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