Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
[Locutor]: "Não foi por falta de avisar que isso não ia dar certo."
"Eu falei, o Silvano Mecânico avisou."
"Até o Daniel Floresta disse."
"Todo mundo sabia que essa história de eleger gente sem noção de realidade"
"para a prefeitura da cidade ia acabar mal."
"Era um desastre anunciado."
[Vinheta]: "Cidade!"
[Paula]: Por que você não foi na reunião do sindicato?
[Sandro]: Bom dia, primeiro...
Tinha umas coisas mais importantes pra resolver.
[Paula]: Sei...
[Sandro]: Já fumei minha cota da manhã.
[Paula]: Vamos tentar de novo alterar a forma de usar o EPI.
Do jeito que tá não dá pra continuar,
toda semana tem algum acidente. [Sandro]: - Mudar o EPI não adianta.
Os equipamentos tão certos.
[Paula]: Uai, então qual é o problema?
[Sandro]: É a velocidade, né Paula.
É o ritmo do trabalho... Isso a diretoria não vai mudar.
[Paula]: Mas precisa...
As dez tem integração do pessoal que vai entrar no turno da noite.
[Sandro]: Tá bão.
[Paula]: "A Fertigrãos Fertilizantes "
é uma empresa de prestação de serviço de mistura,
armazenagem e revenda
de produtos: fertilizantes sólidos.
A segurança no trabalho
é um conjunto de ações e medidas
que são adotadas visando diminuir os acidentes,
doenças ocupacionais e assim proteger a integridade do trabalhador.
Apresento a vocês os seus melhores companheiros de trabalho:
os equipamentos de proteção individual,
os EPIs.
É de uso obrigatório.
Eu vou fazer a chata mesmo cobrando o uso.
E atenção sempre.
Sejam bem-vindos,
peguem seus equipamentos
e bom trabalho.
Falei com Zé da Lena sobre o que você me disse.
Pensamos em uma coisa.
[Funcionário 1]: - Semana que vem que começa?
[Funcionário 2]: - Parece que é?
[Funcionário 1]: - O que mais vai ter lá?
[Paula]: - É importante você assinar. [Cezar]: - Tô faminto.
[Paula]: - Você já assinou? [Cezar]: - O quê?
[Paula]: A petição.
O pessoal do sindicato está reunindo assinaturas
para que a diretoria tome providências reais sobre a questão da segurança.
[Cazar]: Dá aqui. Deixa eu ver.
[Sandro]: - É perda de tempo isso aí. [Paula]: - Não é não.
Principalmente se todo mundo assinar.
[Cezar]: Eu assino onde?
[Paula]: O Zé da Lena também disse que como a safra desse ano
foi bem maior que vão contratar mais uns trinta funcionários.
[Cezar]: Oh, Sérgio liberou a gente pra ir lá
a tarde no Renato dos Martírios.
[Paula]: Não vai assinar?
[Cezar]: - Ele tá chateado é? [Paula]: - Tá nada.
[Paula]: Ih, melhor passar cacau.
[Sandro]: Isso daqui já passou da hora de jogar fora.
[Cezar]: O que foi?
[Sandro]: Coisa velha, né Cezar. Dá problema mesmo.
Um dos motores tá enferrujado, vai ter que trocar,
acho que não compensa consertar não.
[Cezar]: Cê viu quem vai cantar na pecuária esse ano?
[Sandro]: Vi nada.
[Cezar]: Jorge & Mateus
Cê vai?
[Paula]: - Vai direto? [Sandro] - Hoje não.
[Maria Alice]: Ah, eu não tô conseguindo...
Eba!
[Margot]: - Pra que isso, Maria Alice? [Maria Alice]: - Pra mim brincar, mãe.
Cê já tem brinquedo demais.
[Ricardo]: Compra pra menina. É baratinho, pode deixar que eu pago.
[Margot]: Lógico, pra você é fácil bancar o titio legal, né.
[Rita]: Pode ir que eu termino aqui.
[Laby]: - Só vou terminar essa daqui. [Rita]: - Pode ir garota, deixa que eu termino,
não precisa fazer hora extra no primeiro dia. Tudo bem?
[Laby]: -Tchau Rita, até amanhã. [Rita]: - Tchau.
R$ 85,38. Cliente mais?
[Música]: "Você destrói o meu amor"
"Deixa em pedaços no corredor"
"Do apartamento, e pelo chão"
"Eu me pergunto..."
"E agora?"
"Eu penso em você a toda hora"
"São quatro e meia e o Sol derrama"
"Teu cheiro em tudo e eu na lama"
"Pelos quatro cantos do meu quarto"
"Na minha cama, no meu tabaco
"Te guardo"
"Te aguardo"
"Você não vai..."
[Locutor]: "Você está ouvindo a Love Songs."
"Eu sou o JB"
"sua companhia até as duas da madrugada"
"aqui na sua Libertade FM, a número um do seu rádio."
[Maicon]: Porra!
Pô Laby, brincadeira idiota!
A Laby tem umas brincadeiras idiotas as vezes.
Eu tava tomando sol tomando... Ela veio e me molhou todo.
[David]: Que drama.
[Maicon]: Toma.
[Ricardo]: Obrigado.
[David]: Você que tá enrolando como sempre.
[Maicon]: Eu não quero trabalhar feito um burro e não ganhar nada.
[David]: Tem nem duas semanas que a gente chegou aqui Davi.
[Maicon]: Relaxa, vai.
[David]: Oh Maicon, eu não vou ficar te sustentando aqui não.
[Zé da Lena]: Perde não, porra.
Ei... Aqui!
[Ricardo]: Valeu!
[Zé da Lena]: Marca aí, pô.
Ele é muito devagar.
[Zé da Lena]: Olha a marcação? Porra!
[Cezar]: Agora todo sábado ela quer ir lá na terceira idade.
[Sandro]: - Não tem idade mínima pra ir lá? [Cezar]: - Tem, uai.
Mas é quarenta.
[Sandro]: E quarenta é terceira idade?
[Cezar]: Pra eles é.
Lá é bão viu,
mas todo sábado é meio demais.
[Sandro]: Fala que você não quer ir, uai.
[Ricardo]: - Bão? [Sandro]: - Bão.
Senta aí.
[Cezar]: Cê quer ir não?
Passo lá na sua casa e a gente vai junto.
[Sandro]: Eu vou não, combinei com a Paula de ir na pecuária.
[Ricardo]: - Onde?
[Sandro]: No baile da terceira idade lá do Estadual.
[Ricardo]: Chapi!
Lá só tem gente velha.
[Cezar]: Tchau.
[Ricardo]: - Ih, ficou de bode. [Sandro]: - Ficou nada.
[Ricardo]: Você vai fazer o que domingo?
[Sandro]: Sei ainda não
[Ricardo]: A gente deve ir na roça dos meus pais nos Paulistas
Quer ir não?
[Sandro]: Melhor não.
[Ricardo]: A Margot é gente boa, você vai gostar de conhecer ela.
[Sandro]: Deixa quieto.
Eu tô pensando em aproveitar também e ir lá em Uberlândia.
Tem um tempão que não vou lá,
na última vez que fui shopping ainda nem tinha sido ampliado.
[Ricardo]: Até parece que você vai em Uberlândia atrás de shopping...
A gente pode combinar de ir na pecuária, a gente vai também.
[Sandro]: Melhor não.
[Sandro]: Volta Sandro....
Têm ninguém vendo.
[Paula]: Você sabe quem é aquela?
[Sandro]: Margot.
É a irmã dele que morava lá nos Paulistas e agora mudou pra cá.
[Paula]: Adorei aquela bota.
[Augusto]: Nem reparei na roupa dela.
[Sandro]: Tá falando da bota dele.
[Locutora]: "Visite o stand da grife os Vaqueiros na carreta,"
"o melhor da moda country."
"Chapéus, botas, calças, camisas e muito mais."
"Grife os Vaqueiros, presente na Expo Catalão 2019."
"Carreta grife os Vaqueiros, localizado em frente ao parque de diversões."
"Olá visitantes"
"meu nome é Flávia e sou uma dos cento e oitenta funcionários"
"da rede municipal de água e esgoto, SAE..."
[Laby]: Vou gravar.
[Música]: "Ei garotinha, o seu pai está em casa?"
"Ele foi embora e te deixou sozinha?"
"Eu tenho um forte desejo."
"Oh oh oh, estou em chamas"
"Diga-me agora garota, ele te trata bem?"
"Ele faz com você as coisas que eu faço?"
"Eu posso te levar às alturas."
"Oh, estou em chamas."
"Às vezes é como se alguém pegasse uma faca, garota."
"Afiada e cega e fizesse um corte de quinze centímetros..."
"No meio do meu crânio"
"À noite eu acordo com as lençóis ensopadas."
"E um trem de carga passando pela minha cabeça"
"Só você pode esfriar meu desejo."
"Oh oh oh, estou em chamas!"
[Locutor] "Família!"
"Sejam bem vindos"
"ao Parque de Exposições."
"Hoje uma noite muito esperada."
"O show mais aguardado."
"Quem quer Jorge e Matheus!?"
"Prepare o coração!"
"Nós precisamos ressaltar aqui os parceiros..."
"Em nome da Nova Liberdade."
Em nome de Catalão Banheiros Químicos,"
"59 anos de tradição e qualidade."
"Em nome da Prefeitura Municipal!"
"Em nome da Câmara Municipal!"
"Governo Federal, pátria amada Brasil!"
"Preparem o coração Catalão!"
" Vem aí...
"Jorge e Matheus!""
[Jorge] "Fala galera!
"Tudo bem, tudo bem?..."
[Locutor] "Um momento recados do coração."
"A Benedita manda um toque para o Flávio lá do bairro Muriaé."
"Talvez o motivo do fracasso do nosso relacionamento seja você."
"Pare e pense um pouco sobre isso."
"É, Flavio."
"acho que a Benedita não está muito contente com você."
[Paula]: - Sandro! [Sandro]: - Que foi?
[Paula]: Você ainda não assinou.
Toma.
[Ricardo]: Bão?
Não recebeu minhas mensagens?
[Sandro]: Recebei sim.
[Ricardo]: E não foi por que?
Te esperei um tempão lá.
Te liguei, você não atendeu.
[Sandro]: Não pude.
[Ricardo]: Podia ter avisado, né.
Você pode hoje?
Depois da troca de turno?
Sandro?
[Sandro]: - Que? [Ricardo]: - Pode hoje?
[Sandro]: Posso sim.
Desculpa, eu heim.
[Ricardo]: Poder ser lá nos eucaliptos,
não vai ter ninguém trabalhando lá nessa hora.
[Sandro]: Tá bom.
[Sandro]: Quando eu era pequeno eu morria de medo de aranha.
Não podia ver uma que eu assustava,
tremia todo.
Se fosse grande então.
[Ricardo]: Essa noite vai ser fria pra caralho.
[Sandro]: Um dia o Lázaro leu em uma revista que as fobias são curadas
quando a pessoa encara de frente aquilo que ela tem medo.
Aí ele colocou na cabeça que ia me ajudar e me levou um dia
depois da escola lá pra mata do setor pra caçar aranha.
[Ricardo]: E achou?
[Sandro]: Graças a Deus, não.
Aí ele me deu uma daquelas aranhas caranguejeiras, de plástico, peludas,
que era pra eu colocar do lado da
minha cama pra ir me acostumando.
Mas só de encostar naquilo eu me tremia todo.
[Ricardo]: Sandro.
Fica quietinho que tem uma aranha do seu lado.
[Sandro]: Onde? Cadê?
Idiota!
Teve a menor graça.
[Ricardo]: Teve sim, vai.
E esse Lázaro, quem que é?
[Sandro]: Morreu tem tempo já.
Era professor lá do Estadual.
Ele gostava de sair de casa de noite e ficar abordando os rapazes na rua
levava eles pra casa, essas coisas.
Era conhecido como o Lazinho da rodoviária
porque sempre tava por ali fazendo pegação.
Todo mundo comentava.
Eu acho que ele era a pessoa com a vida sexual mais pública da cidade.
Aí um dia um sobrinho dele achou ele morto dentro de casa.
Quarenta e tantas facadas,
mas nenhuma matou ele de fato.
Quem esfaqueou deixou ele amarrado no banheiro.
Morreu sufocado no próprio sangue.
[Ricardo]: Credo.
E isso foi quando?
[Sandro]: Tem uns dez anos
ou mais
Todo mundo só comentava que ele tinha procurado por isso,
que ficava dando em cima de qualquer um.
Essas coisas.
Aí no dia do enterro
o povo falou que quem quisesse saber quem era gay em Catalão
bastava ir no velório
que só ia ter viado.
[Ricardo]: Você foi?
Foram só cinco pessoas.
Quem era amigo dele ficou com medo...
Eu fiquei com medo.
[Paula]: Dedos de velha.
[Sandro]: Falta pouco para eles serem assim pra sempre.
[Paula] Ainda tô nova.
[Sandro]: Quarentona.
Mais dez vira uma cinquentona.
[Paula]: Cinquenta são os novos trinta.
Você vai mesmo, né?
O Augusto tá preparando tudo.
[Sandro]: - Que horas você pega hoje? [Paula]: - As onze e você?
[Sandro]: Também.
[Paula]: Bom...
Eu vou lá.
[Sandro]: -Vou ficar mais um pouquinho. [Paula]: - Humrum.
[Paula]: Pessoal...
Pessoal!
Um minutinho da atenção de vocês.
Dia 12
é meu aniversário...
e como só se faz 40 anos uma vez na vida...
resolvi comemorar.
Vou dar uma festa numa casa lá em Três Ranchos.
E tá todo mundo convidado.
- Maicon! [Maicon]: - Obrigado.
[Paula]: - E esse é o seu Ricardo. [Ricardo]: - Obrigado Paulinha.
[Paula] - Oh...
- Esse é o seu Cezar. [Cezar]: - Eu vou ficar na churrasqueira.
[Paula]: Por isso você vai sempre nas minhas festas.
- Oh, Zé...
[Zé da Lena]: - Eu vou levar a Lena.
[Paula]: - Pra você. Pra ir mulher.
Oh, dia doze em gente?
[Ricardo]: - Oi. [Sandro]: - Oi.
[Ricardo]: Só cacau que resolve isso aí.
Você vai na festa da Paula?
[Sandro]: Vou sim.
[Ricardo]: Tô pensando em chamar a Margot pra ir também.
Eu aproveito te...
apresento pra ela.
[Sandro]: Ela já me conhece.
[Ricardo]: Te conhece como meu colega de trabalho não como...
[Sandro]: Como o quê, Ricardo?
Isso não vai acontecer.
Eu já te falei.
[Ricardo]: Tá doendo não?
[Sandro]: Melhor você esquecer.
Esquece isso. Tá bom?
[Ramon]: Senhor, colocar a mochila no balcão para eu poder revistar.
[Ricardo]: Não. Você não vai mexer na minha mochila.
[Ramon]: Se você não roubou nada, não tem problema você colocar a mochila no balcão.
[Ricardo]: Não tem nada na minha mochila.
[Rita]: Só um minuto.
Que isso Ramon?
[Laby]: Ele quer que o moço abra a mochila.
Tá dizendo que ele pegou bebida aqui.
[Ramon]: Tá na mochila dele.
[Rita]: Tem certeza? Você viu?
[Ramon]: - Me disseram que ele pegou... [Rita]: - Você viu, Ramon?
[Ramon]: Vi não.
[Rita]: Tá bom Ramon, volta lá pra sua sessão. Volta...
[Ramon]: Uai, mas...
[Rita]: Sem mais, Ramon.
Volta pra sua sessão.
Desculpa moço é que ele é novo aqui.
[Locutor]: "A seca não dá trégua."
"o dia vai ser quente e a noite gelada."
"Temperaturas chegando aos cinco graus nessa madrugada."
"E a próxima música o Conrado dedica com todo carinho"
"para a simpaticíssima Renata."
[Paula]: - Bem-vindos, que bom que vieram. [Maicon]: - Obrigado. Isso é pra você.
[Paula]: Não precisava trazer nada.
[Maicon]: Lógico que precisava.
- Oi prazer, Maicon. [Augusto] - Augusto, prazer. Bem-vindo.
[Paula]: Tudo bem? Prazer, bem vinda.
[Ricardo]: Bão!
Tudo bom? Tá bonito.
Margot, minha irmã.
[Maicon]: Oi Margot, prazer.
Eu sou o Maicon.
Essa é minha irmã, Larissa.
[Ricardo]: - Oi, jóia. Prazer.
[Maicon]: Esse é meu irmão, David.
[Ricardo] - E aí, bão David. [David]: - E aí, beleza?
[Maicon]: Esse é o Ricardo.
[Ricardo]: Prazer.
[Rita]: Rita, agregada da família.
[Paula]: - Vamos aproveitar a festa, vamos beber.
[Ricardo]: Eu já tô bebendo.
[Paula]: - Vai vir mais alguém? [Sandro]: - Não, só a gente.
Você sabe mesmo pilotar isso daí?
[Paula]: Eu nasci em um rio, faço isso desde pequena.
[Ricardo]: Peraí! Peraí que a gente vai junto.
[Paula]: O seu.
[Ricardo]: - Obrigado. [Paula] - De nada.
[Maicon]: - Tem que usar isso daqui? [Paula]: - Sim, senhor.
[Paula]: Vi isso aqui enchendo.
Isso aqui tudo era área verde.
Aí fizeram a represa e cobriu tudo de água.
Mas foi bom pra cidade.
[Sandro]: Antes era uma floresta.
Agora é um lago que enche e seca de acordo com a vontade da usina.
[Paula]: Falou o ambientalista
que trabalha pro agronegócio.
O pessoal lá de Catalão tudo construiu casa na beira do lago.
Ali tem um lugar bão pra tomar banho.
[Sandro]: Quanto custou a decoração?
[Paula]: Foi baratinho.
O Augusto que fez tudo,
só compramos mesmo o material.
[Sandro]: Menos mal.
[Paula]: Por que? Não gostou?
[Sandro]: Se fosse uma festa de cinco anos.
[Rita]: De quem foi a ideia da decoração?
[Paula]: Minha.
[Rita]: Adorei! Quero fazer igual.
[Paula]: Até te indico o decorador.
[Rita]: Desde criança adoro filme de super-herói.
Ficava lendo as revistinhas, sabe?
[Paula]: Ah, que nem eu.
Criancinha e já obcecada com o Hulk.
Não perdia por nada o seriado na tevê.
[Rita]: E você, prefere qual?
[Paula]: Ele não prefere nenhum, achou infantil.
[Rita]: Ai que bobagem.
[Margot]: - Oi. [Paula]: - Oi.
[Margot]: Preciso dizer que amei o tema da festa.
Quero muito fazer igual.
[Rita]: E teve gente que achou infantil.
[Margot]: Que bobagem, gente.
Paula, preciso te dizer uma coisa...
O Ricardo me falou que você é do sindicato lá da Fertigrãos...
[Cezar]: Sandro!
Até que enfim saí da churrasqueira.
Tem que cuidar disso aí.
Ainda tem muito tempo seco pela frente.
[Sandro]: Todo ano é assim.
Eu tenho é que mudar pra um lugar úmido.
[Cezar]: Deus me livre se mudar pro sul.
Cê tem é que aprender como lidar com isso.
Todo ano tem seca, todo ano a umidade cai.
Deixa eu ver...
Aí, tá vendo...
Esse aqui é para pele oleosa, a sua é super seca.
Adianta nada pegar isso aí é perda de tempo.
[Sandro]: Minha pele toda tá ressecada.
Oh, minhas mãos tão uma esponja de aço.
[Cezar]: Tem que comprar um creme bão
Não tomar banho quente.
Se você souber se cuidar não vai ter tempo ruim que vai te fazer mal, não.
O meu problema é o frio da noite.
Quanto mais frio mais minha perna dói.
Essa aqui então, perto da canela.
Doí feito uma condenada.
[Sandro]: Como conseguiu essas marcas?
[Cezar]: Uai, foi tiro.
Quando eu comecei a namorar a Suzana,
isso quando eu era adolescente ainda,
o pai dela não gostava de mim de jeito nenhum.
Aquelas coisas, né.
Ela era uma Faiad e eu era um pobretão que não tinha onde cair morto.
Pro pai, a Suzana só queria fazer birra.
Aí foi, nós namoramos mais ou menos uns dois anos.
Aí chegou um dia que a gente tava lá na casa do véio,
lembro direitinho como se fosse hoje.
Ele sentado no sofá assim
e nós dois de frente pra ele.
A Suzana falou:
Oh pai...
aconteceu um imprevisto aí e nós precisamos casar urgente.
Nessa hora a cara do velho já mudou.
Ela continuou...
"Ssabe que é pai?
Eu tô grávida!
E se a gente não casar logo a barriga..."
Sandro.
Eu só lembro que aquele velho levantou daquele sofá,
sem dizer uma palavra e foi pro quarto.
A Suzi falou pra mim:
"Corre que ele vai pegar a arma."
Eu saí que nem um doido pra porta da rua,
foi quando eu ouvi os tiros e caí chão.
Três tiros.
Dois me pegaram.
[Sandro]: E aí?
[Cezar]: E aí, nada.
Eu fui parar no hospital, uai.
Três semanas depois a gente tava casando.
Entrei na igreja de muleta.
[Sandro]: Que história idiota.
[Cezar]: Achei que você sabia dessa história.
A minha sorte é que o véio nunca foi bom mira.
[Laby]: A festa tá animada já.
[Sandro]: Festa da Paula é assim,
o povo dança até o dia amanhecer.
[Laby]: Você não?
[Sandro]: E você?
[Laby]: Também não.
Não sou grande fã de festa.
[Sandro]: Nem eu.
[Laby]: Entra.
[Sandro]: Melhor não.
[Laby]: Entra, tá ótima a água.
Sempre te vejo comprando lá no Primavera..
[Sandro]: Eu já trabalhei lá, sabia?
[Laby]: Ah é, lá no Primavera?
[Sandro]: É.
Na época não era Primavera, era Machadinho.
[Laby]: Achei que sempre tivesse sido Primavera.
[Sandro]: Não, o Machadinho faliu.
Aí os donos do Primavera compraram o ponto.
Eles são lá de Davinópolis.
[Laby]: Não entendo como um supermercado pode falir.
A gente trabalha que nem um condenado, ganha mal pra caralho.
[Sandro]: Eu gostava de trabalhar lá.
[Laby]: Mas deve gostar mais lá da Fertigrãos?
[Sandro]: É.
É diferente.
[Laby]: Tem quanto tempo que você trabalha lá?
[Sandro]: 11...
Não, doze anos, já.
[Laby]: Deus me livre trabalhar tanto tempo em um lugar só.
[Sandro]: Você é nova
nem é tanto tempo assim.
[Laby]: É...
Apesar lá do Primavera ser um saco
eu até estou gostando daqui.
Meu irmão também.
Ele tá mais leve, sabe?
[Sandro]: De onde vocês são?
[Labry]: Porangatu, conhece?
[Sandro]: Só de nome.
[Larissa]: O Davi veio primeiro.
Tá morando aqui tem muito tempo já.
Aí ele chamou o Maicon pra vim, eu aproveitei e vim junto.
Pra equilibrar um pouco as coisas. Sabe?
[Sandro]: Acho que sei.
[Labry]: É coisa de irmão mais velho que quer controlar os outros.
Davi quer controlar o Maicon demais.
Com quem ele sai, onde ele vai.
Acho que o Davi nunca vai aceitar o Maicon do jeito que ele é.
Aí fica tratando assim, como se ele fosse uma criança.
[Sandro]: Sente?
[Laby]: O quê?
[Sandro]: A água puxando para baixo?
É que o lago é artificial,
a terra ainda está absorvendo a água.
Aí puxa pra baixo.
Tá sentindo?
[Laby]: Talvez.
[Maicon]: - Vamos dançar?
[Margot]: - Eu tô muito cansada.
Não consigo nem dar mais um passinho.
[Música]: "Quando anoitece lá fora me bate a lembrança"
"Do tempo em que éramos duas crianças"
"Pensando que o mundo era um favo de mel"
"Ah, esse amor inocente era pra toda vida"
"Jamais entre nós, nem adeus, nem partida"
"A nossa paixão tinha gosto de céu"
"Parece até que foi ontem, o primeiro beijo."
"Quando fecho os olhos, ainda te vejo."
"E sinto as batidas do seu coração."
"Ah, quanta coisa bonita num amor tão puro."
"Parece mentira que aquele futuro."
"Que a gente sonhou não passou de ilusão"
"Veio nos trilhos do tempo o trem do destino."
"Que foi te levando por outros caminhos."
"Deixando-me aqui na Estação Solidão."
"E nessas idas e voltas da minha saudade."
"Perdi o endereço da felicidade. Fiquei prisioneiro da recordação"
[Rita]: Fica tranquilo.
[David]: É um merda mesmo! Só faz merda.
[Rita]: Não vai fazer besteira.
[Todos]: Parabéns pra você!
Nessa data querida,
muitas felicidades,
muitos anos de vida.
Viva a Paula!
[Augusto]: Tem que fazer o pedido, amor!
[Cliente]: Pode ser esse daí.
[David]: Me acompanha aí.
R$ 67,00
[Sandro]: Vem.
Eles estão ali.
[Batalha]: Sandro Karnas?
[Sandro]: Sim.
[Batalha]: Rua Vinte de Agosto, 301?
Você consegue me explicar
o que estava fazendo seis horas da manhã,
parado,
ao lado da estrada de ferro?
É um lugar perigoso.
[Sandro]: Fui ver o nascer do sol,
acabei pegando no sono.
[Batalha]: Você conhece um homem chamado...
Ricardo Cardoso?
[Sandro]: Não.
[Batalha]: Tem certeza?
[Sandro]: Tenho.
[Batalha]: Mas ele te conhece.
[Sandro]: Pode ter sido algum engano.
[Batalha]: Ontem ele teve aqui
e me contou uma história.
Uma longa história.
Me disse até onde eu ia te encontrar.
Já tinha visto uma arma assim?
[Sandro]: Não.
[Batalha]: Quer tocar?
[Sandro]: Ricardo não é uma pessoa confiável.
[Batalha]: E você?
[Sandro]: Eu era.
[Batalha]: Você não se sente seco?
[Maicon]: Não vai falar nada não?
Hã?
[Música]: "Ah quero ser teu Orfeu."
[Maicon]: Onde você achou que isso dar, heim?
[Música]: "Cantar nos teus braços"
"Meu poema ateu"
"E fazer do teu sexo,"
"O meu verso controverso"
"Meu desejo é festa pagã."
"Quando eu te beijo no Copan."
[Cezar]: - Cê acha que a gente tinha alguma chance? [Sandro]: - Não.
Se antes o sindicato já não podia fazer muita coisa, agora então.
[Cezar]: - Tá chateado? [Sandro]: - Eu não.
Nunca pensei que a gente fosse ganhar isso.
[Cezar]: É, mas tá amuado desde cedo.
[Zé da Lena]: E aí?
Vocês tão sabendo sobre o Ricardo ontem?
[Cezar]: O que?
[Zé da Lena]: Parece que ele levou maior surra do irmão do Maicon.
[Cezar]: Uai, por quê?
[Zé da Lena]: O povo tá falando é que o irmão pegou os dois juntos
e resolveu aplicar um corretivo.
Deve ser por isso que ele não compareceu na reunião...
Bom... Agora tá na minha hora.
Ppreciso ir. Tchau.
[Cezar]: - Você sabia disso daí? [Sandro]: - Eu não.
[Cezar]: Será que machucou muito?
[Paula]: Foi melhor do que eu pensava.
[Cezar]: Você tá sabendo do Ricardo?
[Paula]: Só o que o Zé da Lena já contou pra todo mundo.
Aquele lá gosta de uma fofoca.
[Cezar]: Será o que aconteceu?
[Paula]: Isso não é da nossa conta.
Não tem nada a ver com nosso trabalho.
[Cezar]: Mas algum motivo deve ter.
Ninguém sai batendo nos outros de graça.
[Paula]: Isso eu também não sei.
Mas violência, né...
Desde quando resolveu alguma coisa?
Tchau Cezar.
Falou com o Ricardo hoje?
Você tá bem?
[Sandro]: Eu não tenho o telefone dele.
[Paula]: Ah gente...
Tem o telefone dele na ficha de funcionários no escritório.
Vou lá pegar.
[Zé da Lena]: "Atenção!"
"Devido a um acidente"
"o acesso ao inflável 04 está temporariamente fechado."
"Não se aproximem da área para não atrapalhar o trabalho dos bombeiros. "
"Repetindo."
"Devido a um acidente o"
"acesso ao inflável 04 está temporiamente fechado."
"Pedimos atenção extra ao uso dos EPIs e as regras..."
[Sandro]: - Oi. [Ricardo]: - Bão.
Tô com saudades dos nossos encontros na floresta.
[Sandro]: Eu vi você e com Maicon no carro lá perto dos trilhos.
[Ricardo]: É, eu sei.
[Sandro]: Fui eu que falei pro Davi.
[Ricardo]: Eu sei.
[Sandro]: Eu fiquei com ciúmes.
[Ricardo]: De quem?
De mim ou dele?
[Sandro]: Agora você vem me dizer que tá com saudades.
[Ricardo]: Mas eu tô mesmo.
Eu esperei.
Esperei.
Esperei.
Mas não depende só de mim, né.
Você que falou que era pra eu esquecer.
Deu a minha hora, vou chegar ali.
[Locutor]: "Nunca duvide da capacidade de amar."
"Mais um momento recados do coração."
"O Daniel do São João envia para a Gil do Progresso."
"Quando eu te vi pela primeira vez"
"eu sabia que você tinha as chaves do meu coração."
"E no sol poente voamos para longe."
"Para um paraíso partido onde o tempo iria parar."
"Paralisado eu cavei um poço fundo."
"Eu beijei a terra vermelha."
"Você segurou a lua e carregou as estrelas."
"Como se a vida fosse uma lembrança e a morte apenas uma possibilidade."
"Você o céu sem luz sempre fugindo do sol."
"Você está sempre fugindo do sol."
[Sandro]: Eu tenho tido um sonho estranho.
De noite e faz um frio de gelar os ossos.
Estou sozinho,
até que começo a escutar um rosnado de um cachorro.
Vou até o barulho e encontro um homem vestido de preto.
Com uma tatuagem de uma caveira bem no meio do pescoço.
Segurando um homem preso como se fosse um cachorro,
de quatro, com uma coleira.
Ele rosna pra mim como um cão raivoso.
E quando ele avança sobre mim
eu percebo que ele era igualzinho a mim quando era mais novo.
[Paula]: Tem muito tempo que têm esse sonho?
[Sandro]: Desde o começo do inverno.
[Paula]: Não deve ser nada.
Ou é tipo aquelas pessoas que têm um pressentimento que o tempo vai mudar.
[Sandro]: Idiota.
[Paula]: Uai, eu tô falando sério...
Não é bizarro?
Você acorda de manhã.
Vem pro trabalho.
Encontra as mesmas pessoas de sempre.
Faz as mesmas coisas de sempre.
Aí você entra naquele inflável que você andou por mais de uma década
e morre...
É tudo muito curto.
É tudo muito frágil, Sandro.
Não devia ser mais?
A vida não devia ser mais?
[Sandro]: Mais o que?
[Paula]: Sei lá porra!
Nós somos as últimas pessoas a conversar com o Cezar
e agora ele está morto.
Eu espero que a minha última conversa na vida
não seja sobre uma reunião fracassada do sindicato.
[Ricardo]: Como você tá?
[Sandro]: Uai, tô bem.
[Maicon]: O Ricardo me disse que vocês eram amigos há bastante tempo.
[Sandro]: É, tem uns dez anos.
A gente sempre trabalhou junto.
[Ricardo]: Que foi?
[Sandro]: Nada.
[Vinheta]: "Especial Rádio Cidade."
[Locutor]: "Na opinião desse locutor, essa briga na prefeitura não acaba tão cedo"
"e quem sofre é a população."
[Paula]: Vinho ou cinza?
[Sandro]: Pra quê?
[Paula]: Tô pesando em trocar de carro.
[Sandro]: E você tem dinheiro pra comprar carro?
[Paula]: Não, né...
Mas isso não impede
que eu faça planos...
Vinho ou cinza?
[Sandro]: Vinho.
[Paula]: Sabia.
[Sandro]: O que você quer dizer com isso?
[Paula]: Nada.
Mas isso diz muito sobre você.
[Sandro]: Imagino.
[Paula]: E aquele sonho lá com o homem cachorro?
[Sandro]: Quê que tem?
[Paula]: Ainda tá tendo?
[Sandro]: Tô sim.
Mas eu descobri que é um bom sonho.
[Música]: "Negue..."
"Seu amor, o seu carinho."
"Diga..."
"Que você já me esqueceu."
"Pise..."
"Machucando com jeitinho."
"Este coração"
"que ainda é seu."
"Diga que meu pranto é covardia."
"Mas não me esqueça."
"Que você foi meu um dia."
"Diga que já não me quer."
"Negue que me pertenceu."
"E eu mostro a boca molhada"
"Ainda marcada pelo beijo seu."
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.