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Original subtitles

Aaaaaah!

Por favor... Aaaah!

Socorro!

Por favor, me deixa sair!

Por favor!

Me deixa sair!

Por favor!

Eu não fiz nada!

Eu não fiz nada! Por favor!

Damballa...

Aaaaah...!!!

Helena?!

Peça...

peça e seu pedido será atendido!

Não há mal... não há sofrimento

que não possa ser remediado, basta ter fé.

Hum...!

Eu preciso de sua ajuda, Helena.

Se precisa de ajuda, veio ao lugar certo.

Esse caso da Gruta interditada...

A polícia encontrou um rapaz ferido.

Já está no hospital, mas em estado grave.

- Eu rezarei por ele. - Não foi por isso que vim.

Quatro corpos!

A polícia encontrou quatro corpos lá dentro.

A perícia indica que o rapaz é o responsável

pelo assassinato desses indivíduos.

Você disse quatro corpos?

Ele não assume os assassinatos!

Não quer colaborar com a polícia!

Não temos testemunhas!

Nunca vi em toda a minha carreira crimes tão brutais!

É exatamente por isso que eu tô aqui, Helena!

Eu preciso que me ajude a encontrar uma resposta.

Hum! Eu?!

Você acredita em possessões demoníacas?

Eu acredito no poder divino!

O rapaz disse que só vai conversar com alguém da igreja.

E se recusa a falar, a comer...

Por favor, Helena! Vá até ele!

Conversa com ele!

A polícia precisa entender o que houve dentro daquela gruta.

Esse rapaz, como é que ele se chama?

O nome dele é Jesus!

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10!

Você é o Jesus?

Eu sou a Helena!

A polícia te trouxe até aqui?

Sim...!

Não era o que você queria?

Que alguém da igreja viesse aqui conversar com você.

Tá certo!

Você tem razão!

As pessoas, elas...

As pessoas, elas estão preocupadas com o acidente.

Hum! Acidente!

Eu vim aqui pra... pra te ajudar!

A senhora acredita em Deus?

Eu preciso mesmo responder isso?

É verdade!

Agora, se acredita em Deus,

acredita no poder do bem?

Helena...

Será que eu posso te chamar só de Helena?

Hum...

Isso aqui...

Isso aqui eu ganhei!

Ganhei quando me tornei freira.

Eu acho muito importante alguma...

alguma forma de conexão com Deus.

Pra muitos isso aqui é só...

um cordão, mas pra mim não!

Pra mim é uma conexão muito forte com a minha fé.

Eu também perdi um cordão.

Um cordão?

Você acredita no mal?

Acredito no poder da fé.

Eu não sabia o que era o mal até entrar naquele lugar!

Na gruta?

Antes de você entrar por aquela porta...

eu conseguia sentir a presença dele.

Ele tava ali...

perto da cadeira.

O que que você tá falando?

De noite é mais fácil se conectar com ele.

No silêncio!

Por isso muitas pessoas acabam dormindo com alguma coberta,

com a televisão acesa...

O escuro o aproxima!

Eu aposto que, se eu agora fechar os olhos,

eu vou conseguir sentir...

a respiração dele.

Ou através do ranger dos móveis.

o barulho das flores...

Escuta!

Não há nada aqui nesse quarto além de nós dois.

E Deus?! Hum?

Deus não tá aqui agora?!

Deus está sempre conosco!

Se Deus está aqui com a gente...

por que você acha que ele também não tá?

De quem você tá falando?

Do mal!

O mal tá aqui agora com a gente, nesse momento!

O mal só existe...

enquanto você permite.

Só depende da sua fé.

Helena...

algum dia você já perdeu a sua fé?

Perdi... Perdi!

Mas me reergui!

Você também pode... Se você contribuir com a polícia

e realmente contar tudo que você sabe,

tudo que aconteceu lá dentro daquela gruta,

você pode recuperar sua fé!

Tinha alguma coisa dentro daquela gruta!

A gente não devia ter entrado!

A gente não devia ter entrado!

Você já tá melhor?

Jesus... eu já te pedi pra não me tratar

como se eu tivesse doente!

A gente só tá preocupado com você!

Eu sei! Mas você sabe que eu não queria fazer essa viagem!

E você acha que tá sendo fácil pra mim também?!

Sabe o que parece?

Às vezes parece que só eu me lembro

de tudo o que aconteceu!

Você não pode falar isso!

Você não sabe o que se passa na minha cabeça!

Já faz um ano!

A gente precisa superar!

Então tá!

Você consegue, pelo menos, dizer o nome dele?

Pra mim essa história já morreu!

A gente precisa superar!

Você tá certa, meu amor!

Eu ainda não consigo dizer o nome dele.

Você acha que ele iria gostar desse lugar?

Eu acho que, de certa forma, ele tá aqui com a gente.

Eu não sei como, depois de tudo o que aconteceu,

você ainda consegue acreditar em Deus!

Você não acredita?

Olhando daqui ela parece inofensiva, né?

Só um pequeno buraco!

Um feixe escuro em meio a essa natureza de luz!

Mas não se enganem!

Há um mundo escondido

por detrás desse pequeno buraco aqui!

Muitos nem voltaram para contar o que viram!

A profundidade dessa gruta... é infinita!

E nisso, se não seguirem exatamente como eu tô guiando,

podem não voltar vivos pra contar!

E pra que essas lanternas?

É que caverna é muito escura!

Aí, por questão de segurança, a gente usa as lanternas.

Podia pôr uma mordaça na boca da Laura!

Por questões de ignorância mesmo!

Vai rindo, Caio!

Quero ver quando você der de cara com um!

- Morcego?! - Hum hum!

- Tem morcego aqui? - E muito!

Mas não se preocupem!

Os morcegos têm ó... medo da luz da lanterna!

Olha! É só ascender aqui atrás!

Ah tá!

E, Lúcia, você tem certeza

que não tem perigo nenhum pro bebê, né?

Claro que não! A gente não vai desbravar a parte subterrânea!

É só um pequeno trajeto!

Uns 10 minutos e a gente tá de volta!

É fascinante, não é?

Esse lugar é tão lindo...

e ao mesmo tempo é tão assustador!

Bom, pessoal, nós vamos seguir por aqui, tá bom?

Evitem encostar as mãos nas paredes.

As fezes dos morcegos contaminam.

Ó, não coloquem as mãos na boca

e nem nos olhos, tá bom?

Quando sairmos daqui... álcool em gel na mão.

Eu tô sentindo o barulho de água

mais forte nessa parte da gruta.

Deve ter algum tipo de fonte aqui.

É! O trajeto todo tem fonte de água.

Vocês vão ver! É uma água cristalina!

- Pode beber? - Não...! Não pode!

As fezes dos morcegos contaminam a água.

Beber dessa água pode até matar.

- Vamos, gente! - Vamos?

Desculpa!

Os outros não se aproximam de mim. Eles têm medo!

Eu não sou como os outros. Pode confiar.

Ele te acompanhou!

Deus está sempre comigo!

Eu não tô falando de Deus!

De quem você tá falando?

Eu disse que você sabe quem ele é.

Que, inclusive, você chama sempre por ele.

Ele quer muito sussurrar no meu ouvido algo sobre um lago.

Ele disse que... conhece a ferida na sua alma

e que hoje à noite ele vai conseguir entrar!

Ele vai te acompanhar até sua cama...

e vai esperar que você durma!

Helena...

por favor não dorme de bruços! Ele...

Ô doutor! Doutor, por favor, o rapaz começou a convulsionar!

Eu não sei o que aconteceu, doutor!

De repente, ele começou a ter uma convulsão!

Hum...!

Hum...!

Huuum!

Que susto!

Desculpa, só queria saber se você está bem.

Tô...!

O rapaz... o que aconteceu?!

Os médicos estão verificando. Ele foi sedado.

As convulsões estão sendo frequentes,

parece que em função da pancada na cabeça.

Eu quero ir pro convento! Você me leva, Marina?

Mas, Helena, ele falou alguma coisa sobre as possessões?

Não, não...!

Ele disse que a esposa estava possuída por um espírito--

Marina! Marina!

Aí, Marina, eu tô exausta! Eu quero voltar pro convento!

Posso voltar amanhã!

Tá certo!

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10!

Aaaah!!!

Esse que é o trajeto que os militares fizeram?

É sim! Eu era uma menina ainda, foi na década de 60.

Hum...!

Nossa, eu nunca vi tantos corpos num só funeral.

A perícia disse que foi falta de oxigenação.

Aí, depois disso, eles interditaram a gruta.

É verdade que tem uns que nem foram encontrados?

Pelo que eu ouvi,

parece que os militares foram fundo demais.

Ninguém ficou curioso em saber até onde essa gruta vai?

Desde menina que eu escuto

histórias macabras sobre esse lugar.

Dizem que a gruta é...

Hum...!

Enfim, histórias contadas numa cidade de interior!

Mas a gente não vai pagar pra ver, né?

- Vamos seguindo, pessoal? - Vamos!

Pronto, pessoal!

Esse foi o último trajeto do nosso passeio.

Ana? Cadê a Ana, gente?

Ela tava atrás de mim o tempo todo.

Ana! Ana! Ana!!!

Calma, cara, ela já deve tá voltando!

Deve ter parado próximo à entrada! Calma!

Tem noção do que pode tá acontecendo, seu filho da puta?

Calma, ele só tá tentando te acalmar! Tá ficando maluco?!

Maluco? Eu quero ver se você tivesse no meu lugar!

Se você encontrasse sua esposa

numa banheira de sangue com os pulsos cortados!

Já chega!

Ana! Ana! Ana!

- Jesus! Jesus, volta aqui! - Ana! Ana!

- Laura, cuidado! - Onde você tá indo?

Não vai lá, Laura, volta aqui!

Ana! Ana!

Ana!

Ana!

Ana...!

Calma, calma...

Aaaah!!!

Tá todo mundo bem?

Eu tô bem!

O que aconteceu?

A gente sofreu um desmoronamento.

Eu disse... que esse trajeto era imprevisível!

Muitos anos sem acesso a esse lado da gruta.

E depois do grito...

E Ana... Cadê a Ana, Jesus?!

Ana, você tá bem?

Eu tô bem, Laura...

Gente, me desculpa! Eu não faço ideia do que aconteceu!

Não sei por que eu me assustei daquele jeito!

Cadê o Caio, gente...?

Caio?

Caio?

Caio?

Droga, Caio, responde!

Caio?

Caio? Caio! Caio!

Caio!

Droga, Ana, você desperdiçou um terço da nossa água!

- Você consegue me ouvir, Caio? - Caio, responde, Caio!

Eu não sinto a minha perna...

A perna dele tá muito--

Caio... a sua perna, ela fraturou

na hora que a gruta desmoronou, tá bom?

Gente, a perna dele tá sangrando muito.

Se a gente não colocar--

Cala a boca, Lúcia!

Caio, desculpa ter colocado a gente nessa situação!

A gente vai sair daqui, tá?

Alguém me dá um pano, ou algo pra eu colocar aqui.

- Eu tenho uma blusa. - Me dá alguma coisa!

Olha, Caio, deixa eu falar com você...

A gente vai ter que colocar a sua perna no lugar,

eu preciso que você seja forte.

Ai, não mexe na minha perna...

Toma, isso deve manter a perna no lugar.

- Deixa eu pôr a blusa. - Não mexe na minha perna...!

Eu vou contar até 3, tá bom?

Um... dois...

Aaaaaah...!!!

Está tudo bem, minha filha?

Ô, Padre Gabriel...

Que susto...!

Que tragédia, minha filha!

Pois o rapaz não consegue se perdoar.

Tampouco eu consigo convencê-lo a me contar

o que aconteceu dentro daquela gruta,

parece uma tarefa perdida.

Minha irmã...

já se perguntou qual o seu papel

diante desse acontecimento?

Talvez não esteja lá

pra arrancar qualquer confissão do rapaz,

esse seria o papel da polícia.

Mesmo através de falsas verdades, por entrelinhas...

o jovem pode encontrar o caminho do perdão.

O senhor acredita em possessão demoníaca?

Acredito que, se há luz,

existem também as sombras.

Mas ele insiste em dizer, sabe?

Que encontrou um espírito maligno dentro da gruta,

algo que foi despertado por sua esposa.

Sabe que, quando ele me diz essas coisas,

quando ele conversa comigo,

eu vejo a verdade nos seus olhos.

Também vejo um medo...

um medo profundo!

Nesses anos todos, minha jovem irmã,

eu presenciei muitas vezes

o inexplicável!

O mal abre lacunas

pra se aproximar de pessoas indefesas.

Os demônios caminham entre nós.

Somente a fé pode nos proteger.

Não sei mais no que acreditar!

Busque Deus, minha filha!

Ele lhe dará a resposta.

Obrigada, Padre Gabriel!

Preciso de um pouco de água!

Não...!

A gente tem que economizar água.

Se a água acabar, nós--

Se essa água acabar,

a gente morre, no máximo, em cinco dias!

Mas já tem quatro dias! Ninguém achou a gente.

Mas é melhor a gente continuar por aqui.

Pelo menos aqui é um lugar que tem bastante circulação de ar.

O lugar é amplo.

Já desmoronou!

Não vai acontecer duas vezes.

Deixa eu dar uma olhada na tua perna, Caio.

Tá...!

Laura...

- Você tá melhor? - Tô melhor.

Ela tá mexendo ainda.

Acho que é um bom sinal, né?

Jesus...

olha...

vocês podem ir ali pra dar uma palavrinha?

Olha só...

eu não quero ser desagradável, mas...

se a gente continuar dando toda a nossa água pro Caio...

a gente não tem muito tempo.

Mas o que que você quer que a gente faça, Lúcia?

Não tem outro jeito! É só isso!

Eu não queria ser responsável por dizer isso...

mas, se o resgate não chegar logo, o Caio não vai resistir!

Olha só o que você tá falando!

Você tá conseguindo entender o que você tá falando?

Amor... infelizmente ela tem razão.

Olha, a perna do Caio tá...

terrível!

Mas você me disse que a perna dele tava melhor!

Eu sei, eu sei que eu disse isso,

mas eu não queria assustar ele!

O pé dele tá preto, a perna dele tá putrificando!

Se a gente não amputar o quanto antes essa perna...

a infecção vai espalhar e vai ser questão de minutos.

Não vai resistir!

Puta que pariu!

Ninguém mais coloca água na boca do Caio. Entenderam?

Cala a sua boca, Lúcia! Cala a boca!

Ana...

depois que a gente sair da porra desse lugar,

você vai esfregar a bunda na cara do Jesus, tá?

Ele tá precisando!

Aí, ó! Ele já começou a delirar.

Se a gente não fizer alguma coisa, ele morre.

A gente precisa encontrar uma saída o quanto antes!

- A gente tem que sair daqui! - Tá, você tem razão!

Eu e Lúcia vamos buscar uma saída. Fiquem aqui!

- Vamos, Lúcia. - Não, não!

Acho melhor eu e a Lúcia irmos!

- Você fica aqui com eles. - Não! De jeito nenhum, Ana!

Esse lugar pode desmoronar a qualquer momento.

Vamos sozinhos e você fica aqui com eles!

Não, você não tá entendendo o que tá acontecendo aqui.

Se a gente demorar,

alguém vai precisar cortar a perna dele, cara.

Mas eu não sei se eu consigo fazer uma coisa dessa.

Eu, eu não vou conseguir!

Você vai conseguir!

Olha pra mim! Você vai conseguir fazer isso!

Você vai conseguir salvar a vida do teu amigo!

Você vai conseguir fazer isso. Me promete?

Eu prometo!

Mas como eu vou saber o momento certo pra fazer isso?

Eventualmente, ele vai começar a vomitar.

É um sinal do corpo dando um...

um alerta pra infecção da perna.

Mas, se ele começar a vomitar frequentemente,

aí, é sinal que a infecção já espalhou.

Eu não sei se eu vou conseguir!

- Você precisa fazer isso! - Não sei!

- Não sei se vou conseguir! - Você vai conseguir!

Promete, por favor?

- Promete? - Prometo!

Caio, Laura...

eu e a Lúcia, nós vamos atrás de uma saída,

e o Jesus vai ficar aqui, pra caso apareça o resgate, tá?

Tá... tudo bem! A minha perna já tá um pouco melhor.

Laura, Jesus vai ficar aqui,

pra cuidar do bebê junto com você, tá bom?

- Ana...! - O que foi?

Oi...!

Tira a gente daqui!

Vamos, Ana! Não temos mais tempo.

Vamos!

Ana...!

Chegamos num beco sem saída. Olha!

Não pode ser! Se a gente voltar agora,

o Caio vai morrer, e daqui a uns dias vai ser a nossa vez!

Não! A gente tem água pra mais de uma semana!

A morte dele não é uma opção!

Será que você não percebeu que seu amigo já tá morto?

Me perdoa! Me desculpa!

Me desculpa! Me desculpa!

Mas a gente precisa encontrar uma saída!

Temos que encontrar uma saída! A gente não pode morrer aqui!

Tá entendendo? A gente não pode morrer aqui!

Jesus...

o Caio tá piorando!

Caio, meu amigo, aguenta só mais um pouquinho.

A Ana e a Lúcia foram tentar achar uma saída.

Elas já devem estar chegando!

Sangue...!

Minha garganta deve ter machucado... de tanto vomitar!

Puta que pariu!

- Puta que pariu! - O que foi, Jesus?

O que vocês estão escondendo de mim?

A perna dele tá morta.

- Apodreceu. - O quê?!

- A perna dele apodreceu! - O quê?

Elas foram buscar uma saída, porque...

se a gente não sair daqui hoje...

o Caio vai morrer!

O Caio vai morrer!

O que a gente vai fazer agora? O que que a gente vai fazer?

Eu não sei! Elas... elas falaram...

elas falaram pra eu pegar uma faca,

e se ele começasse a cuspir sangue,

era pra eu pegar a faca e... era pra eu...

era pra eu amputar a perna dele, porque...

a infecção tava generalizada!

Faz isso! Tá? Faz isso!

- Você tem que fazer, Jesus! - Não!

Tem que fazer, Jesus!

Eu não vou conseguir.

- Jesus... tenha dó! Jesus... - Não! Não!

- Ele vai morrer, Jesus! - Eu não vou conseguir!

Ele vai... O Caio vai morrer, Jesus!

Tá bom...! Tá bom!

Tá bom...

Calma, Caio! Tá bom? Calma, calma!

O resgate tá chegando, tá? Vai ficar tudo bem.

A gente não devia ter entrado nesse lugar!

Agora todo mundo vai morrer... um por um!

Calma! Você precisa confiar.

A Ana foi até lá pra achar uma saída. Ela vai conseguir!

Fica tranquilo. Vai dar tudo certo.

Eu sei que eu tô morrendo!

E quanto mais... a morte se aproxima...

mais eu consigo sentir!

Tem alguma coisa ruim aqui dentro!

E tá aqui perto!

Ele tá delirando.

Acaba logo com isso, Jesus. Vai!

Seu covarde...

Não tem coragem de amputar uma perna!

Não salvou seu filho, não trepa com tua mulher mais de um ano.

Agora eu sei porque ela tentou se matar.

Sabe o que a sua mulher faz, quando você não tá por perto?

Ela se masturba pensando em outros homens.

A sua mulher te odeia! Tem nojo de você!

Sabe o que eu vou fazer com ela aqui dentro?

Vou foder ela com força!

Como um covarde! Como você não consegue fazer!

Acaba com isso, Jesus!

Eu não consigo! Eu não consigo!

- Vamos, Jesus! - Agora!!!

Não consigo!

- Vamos! - Não consigo!

Dá pra mim! Desculpa, Caio!

Aaaaah...!

Aaaaah...!

Aaaarh!

Ana, olha pra trás!

Eu tô presa!

Lúcia, você não tá presa, não!

Tenta passar seu braço direito por cima da cabeça, vai!

Eu não consigo me mexer pra trás!

Meu corpo tá preso!

Tu não tá presa!

Tenta passar seu braço direito por cima da cabeça bem devagar.

Eu não consigo! Não consigo!

Não, você tem que conseguir! Você tem que sair daí!

Tenta passar o braço direito por cima da cabeça! Anda!

Ana... eu tô perdendo o ar!

Me ajuda, Ana!

Lúcia, tu tá tendo um ataque.

Calma! Respira! Foca na minha voz!

Agora com calma, tenta passar seu braço direito

por cima da cabeça! Com calma! Vem!

Eu não consigo! Eu não consigo!

Eu... eu não consi... Eu não consigo!

Lúcia, você tá tendo um ataque. Foque na minha voz!

Esquece o que tá acontecendo aí.

Tenta voltar um pouco pra trás,

aí, você vai passar o seu braço direito

por cima da cabeça! Anda!

Vai! Devagar!

Isso! Isso! Bem devagar!

Vai, Lúcia!

Aaaah!

Boa!

Eu consegui!

Eu consegui passar o braço direito!

Isso! Vem em direção à minha voz!

Você tá quase saindo do buraco!

Isso! Vem!

Urrrgh!

Muito bom! Vem! Vem!

Urrgh! Urrgh!

Isso aí, Lúcia! Boa!

Vai! Boa!

- Aaah! - Isso! Isso!

Boa! Isso!

Agora, a gente só não pode perder mais tempo aqui.

A gente precisa continuar, tá bom?

- Tá bom... - Tá bem? Vamos!

Aaaaaah!

Aaaah... aaaaah!!!

Ai, eu não acredito!

Esse trajeto também não tem saída.

Nós vamos morrer nessa porcaria de gruta!

Tá me ouvindo, Ana?

Ana?!

O que é isso?

Parece algum tipo de templo, né?

Os santos estão com as cabeças arrancadas!

Vamos embora, Ana!

Não, espera!

Não disse ter mais de 10 anos que ninguém entra nessa gruta?

Como que essas velas estão acesas?

- O que é isso? - Não, não! Não mexe nisso!

Ah, que cheiro horrível!

Vamos, Ana! Vamos embora daqui!

Esse cheiro... essas velas...

alguém tava fazendo algum tipo de adoração satânica.

Ouviu isso?!

Não é nada, Ana!

Ana?!

Ana?!

Ai, meu Deus! Meu Deus!!!

Meus Deus...! Aaah!!! Ah, meu Deus!

Ai, meu Deus! O que tá acontecendo aqui?!

Ana...! Cadê você?!

Aqui!

Não tinha jeito!

A gente tentou...

Ele morreu, Jesus!

Caio morreu... não tem mais volta!

Você não percebeu...

que vai todo mundo morrer nesse lugar?

Laura, me escuta...

- Laura... - Não!

Elas vão achar uma saída, a gente vai sair desse lugar.

A gente... a gente vai sair desse lugar!

O socorro vai chegar.

Olha pra mim, Jesus...

Olha pra mim!

Eu sinto o gosto do Caio.

E sabe o que é pior?

O pior é que eu desejei que ele morresse...

porque eu queria água!

Que tipo de mãe... que eu vou ser pra essa criança?

Você vai ser o tipo de mãe...

que não vai se acovardar de jeito nenhum,

em nenhuma circunstância, tá me ouvindo?!

Você tem que ser forte!

Você precisa ser forte.

Pelo seu filho!

Tá escutando?

Devem ser elas!

Mas se elas voltaram tão rápido...

é porque não encontraram uma saída.

Nossa Senhora, por favor...

não me abandone!

Não me abandone!

Nããão!!!

Jesus! A Laura entrou em trabalho de parto, corre!

Já consegue ver a cabeça dele?!

Tá saindo... eu consigo ver! Tá saindo!

Não vou ter minha filha nesse lugar!

Não dá tempo, a cabeça tá saindo, precisa ser forte!

- Eu não consigo! - Você precisa ser forte!

- Tá doendo muito, Jesus! - Preciso que você faça força!

Vai! Laura, eu sei que tá doendo...

mas precisamos que você faça força pra criança sair!

Um, dois, três!

Isso...!

Não tá adiantando, preciso que você faça mais força!

Mais força, por favor, Laura!

- Tá doendo! - Vai, Laura!

Mais força, Laura, mais força!!!

Vai se foder!

A culpa da gente estar aqui é sua! Você é uma fraca!

É! E é por isso que estamos aqui.

Eu sei, eu sei! Põe tudo pra fora, vai!

Mas eu preciso que você faça força! Sei que tá doendo muito!

Mas eu preciso que você faça força!!!

Isso...! Isso!!!

Tá começando a sair! Mais forte!

- Isso, Laura! Mais uma! - Tá começando a sair!

Um, dois, três!

Isso...!!!

- Tá saindo...! - Saiu!!!

Isso...!

Isso, Laura!

Pronto...!

Minha filha! Jesus...!

Jesus, minha filha!

Jesus! Ana... cadê minha filha?

Calma...!

- Ana... - Jesus, vem aqui!

- O que tem na minha perna? - Laura tá com sangramento!

Ela tá com hemorragia, Jesus, anda!

- Cadê minha filha?! - Eu sinto muito...

- Eu sinto muito! - O que foi?!

O bebê nasceu com o cordão enrolado no pescoço.

Eu não consegui salvar sua filha, eu sinto muito!

- Jesus, eu vou morrer! - Não!

Vou morrer! Promete que cuida da minha filha?!

Você não vai morrer, você vai ficar bem! Não vai morrer!

Ana, promete que vai cuidar dela?

Prometo, prometo!

- Vou morrer! Minha filha... - Tudo bem!

Tenta ficar calma, vou ver o que posso fazer.

Fica calma, tá bom? Toma um pouco de água!

Bebe... vem cá! Bebe!

Ela já tava morta.

A gente precisa economizar água.

Helena, conseguiu alguma...

Helena?!

Helena?

Helena?

Helena, o que tá acontecendo, Helena?!

Você tá bem?

Marina, desculpa!

Então, você conseguiu uma confissão?

Aaai, um grande trauma

a morte prematura do filho deles.

Pra mim, esse é o fio condutor de toda a história.

É o grande responsável pelo estado psicológico

dele e da esposa também.

Você acredita que uma depressão profunda

possa ser atribuído ao comportamento de Jesus?

Não sei, Marina!

Eu nem posso dar minha opinião, eu não sou especialista.

Vamos por aqui.

Então temos que encaminhá-lo pra uma clínica psiquiátrica?

Não sei...

Não sei se acredito nisso!

Acho que o rapaz precisa trabalhar esse trauma no fundo.

Eu acho que esse rapaz, ele perdeu a fé.

Fé? Ô, Helena...

essas fotos são dos corpos de Laura e Caio,

amigos íntimos de Jesus.

Eles foram encontrados na gruta exatamente como nas fotos.

Caio perdeu uma de suas pernas.

Laura teve um parto prematuro e hemorragia interna.

Levou um tiro na cabeça...

logo após o nascimento do bebê.

Se é depressão, possessão, esquizofrenia, não interessa!

O que esse rapaz fez...

foi um homicídio culposo premeditado.

Todas as provas indicam que ele é o culpado.

Ele matou friamente...

sua esposa, os melhores amigos e a guia de turismo.

Você já teve três conversas com ele

e até agora não conseguiu uma informação relevante.

Não precisamos mais da sua ajuda.

Você acredita em Deus?

Não, Marina. Porque...

honestamente, eu acredito que Deus me levou até este caso.

Não foi você, não foi o rapaz...

foi Deus que me trouxe até aqui, a essa situação.

Eu imploro! Por favor, me dê mais um dia.

Eu preciso de mais um dia!

Eu preciso entender o que se passou dentro daquela gruta.

Depois vocês façam o que quiserem com ele.

Vai ficar tudo bem!

- Me perdoa! - Vai ficar tudo bem!

Vai dar tudo certo!

Você ouviu?

Cadê essa criança?

Cadê essa criança? Cadê essa criança?!

A criança...

Lúcia?!

Lúcia... você tá me assustando!

Você me perguntou...

onde eu tinha enterrado o bebê, não foi?

Foi ali... onde ela tava cavando!

Huum...

Olha! Olha!

Você viu aquilo?

O que tá acontecendo na porra desse lugar?

A gente precisa sair daqui!

A gente tem que sair daqui!

Tem alguma coisa de ruim acontecendo dentro dessa gruta!

Eu não aguento mais! Eu não aguento mais!

Não, não, não! Não tem nada de errado nesse lugar!

A sede e a fome que tá fazendo a gente pensar desse jeito!

A gente tá enlouquecendo nessa porra desse lugar!

Você vai negar o que a gente viu aqui?

Eu tô cansada de você ignorando

tudo de ruim que acontece na nossa vida!

Agora você vai me dizer o quê?

Que tudo que a gente viu aqui e aconteceu,

foi coisa da nossa cabeça?!

Que a porra do resgate vai chegar!

Que o nosso filho vai ressuscitar, é isso?

A gente matou uma criança indefesa!

A gente matou uma criança indefesa!

A gente vai morrer aqui!

Cala essa boca!

- Cala essa boca! - Não!

Eu quero sair daqui!

Eu me rendo!

Eu me rendo a essa gruta!

Eu me entrego ao sacrifício!

Eu não aguento mais!

A gente vai morrer aqui dentro!

A gente vai morrer aqui dentro!

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10!

Essa é a última vez que a gente se encontra, Jesus.

A polícia não quer mais que eu venha até aqui.

Mas eu vim!

Eu não sou melhor do que ninguém.

Eu sou só um ser humano, assim como você.

Eu estou aqui por você.

O nome do meu filho era Renan.

Esse era o nome dele.

Eu não sabia da alergia dele ao medicamento.

Aquela noite ele tava tão...

ele tava tão bem!

Helena, por que Deus faria

uma coisa dessa com o meu filho?

Por que ele faria isso com uma criança?

Por quê?

Eu... eu entendo a sua dor.

Hum...! Mas ficar se culpando

não vai trazer o seu filho de volta.

Eu preciso que você me diga

o que realmente aconteceu naquela gruta.

Aaaah!

Aonde tá a Ana?

Ela pegou a minha arma!

Eu não faço ideia do que você tá falando!

Será que você não percebeu que a Ana enlouqueceu?

Hum...?

Ela não tinha saúde mental pra fazer essa viagem!

Cala essa boca!

Foi você que trouxe a gente

pra essa porra desse lugar, Lúcia! Hum!

Eu só quero a minha arma!

Pra que você quer a sua arma, hein, Lúcia?

Pra você me matar como fez com a pobre coitada da Laura?

Não vai fazer muita diferença!

Você esqueceu que a gente já tá preso

nesse lugar faz muito tempo?

E a água já acabou!

Eu não quero minha arma...

pra matar nem você, nem a maluca da sua mulher!

Eu quero a minha arma...

pra acabar com esse meu sofrimento!

Sabe o que vai acontecer?

Daqui há algumas horas...

a gente vai definhar até morrer!

Eu não sei onde é que tá a Ana!

Mas ela não deve tá longe.

A gente tá preso nesse lugar!

Ela te contou?

Hã? Te contou?

Que a gente encontrou um templo satânico? Hã?

- Você tá delirando. Tá! - Não, não!

Você tá delirando!

- Não! - Tá!

A porra da história era verdadeira!

Eu não contei...

porque eu nunca acreditei!

Os escravos...

mataram os seus senhores...

a sangue frio!

E vieram se esconder aqui...

nessa gruta!

Nesse mesmo lugar!

Esses mesmos escravos...

foram encontrados meses depois

sem sequer um arranhão em seus corpos!

A fé deles...

era voltada pra uma divindade satânica.

Aaaah...!

O demônio africano chamado...

Damballa!!!

Thula thula...

Baba thula...

Thula thula...

Baba sana...

Ekuseni!

Thulathul!

Thula baba!

Thulasana!

Thulathul!

Thula baba!

Ekuseni...!

Damballa?!

Ana...

Ana...

O que você tá fazendo com essa arma?

Ana, para com isso, Ana!

Ana, larga essa arma!

Ana... Ana, para com isso!

Guarda essa arma!

Ana...!

Ana...!

Ana! Ana...

Ana... Ana!

Aaaaah!

Aaaah!

Ana...!

Ana!

Ana! Ana!

Aaaah... aaaah!

Não! Me solta! Sai! Não!

Aaaah! Aaaah...

Aaaah... aaaah!

Aaaaah! Aaaah...

Aaaah! Aaaah! Aaah...

Aaah... aaah...

Aaaah! Aaah... aaaah!

Pai nosso que estais no céu...

Santificado seja o Vosso nome!

Venha a nós ao Vosso reino...

Seja feita a Vossa vontade...

Assim na terra como no céu!

O pão nosso de cada dia nos dai hoje!

Perdoai-nos as nossa ofensas...

Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido!

Não nos deixeis cair em tentação...

E livrai-nos do mal...

Amém!

Amém!

Thula thula...

Baba thula...

Thula thula...

Thulasana...

Thula thula...

Baba thula...

Thula thula...

Ekuseni!

Amor...?

Não fala nada...!

Eu te amo tanto...!

Eu te amava tanto...!

Não suportava...

não suportava a ideia de ver você tão feliz...

com aquela criança!

Então eu comprei um remédio...

Eu já sabia da alergia dele!

Pinguei algumas gotas na comida dele...

e quando eu vi...

você já tava... você já tava dando a comida pra ele!

Não... arh... aaah...

Aaaah... Não...!

Eu matei o nosso filho!

Eu matei o seu filho!

Eu matei! Me desculpa...!

Me desculpa! Me desculpa!

Não! Não... não... não...!

Aaaah!

Aaah... aaah...

Depois disso, eu vim parar nesse quarto.

O resgate chegou uma hora depois.

O corpo da Ana ainda estava quente.

Me disseram que...

que ela foi encontrada com vida ainda no lugar.

Se eu não tivesse dado tantos tiros,

talvez ela ainda estivesse aqui com a gente.

O Caio morreu...

com a fratura na perna...

a Laura teve o parto forçado,

e o bebê nasceu com o cordão enrolado no pescoço.

A Lúcia não aguentou a pressão da água...

e a Ana...

Você sempre teve razão, Helena!

A gente é responsável pelos nossos atos.

Se existe algum monstro...

que tava dentro daquela gruta...

esse monstro sou eu!

Deus te abençoe!

Você perdeu a sua fé!

O medo é o nosso pior inimigo, Helena!

Eu não tenho mais medo!

Quando a delegada voltar...

eu vou confessar o meu crime.

Eu vou pagar por tudo que eu fiz!

E, quem sabe um dia, Deus... Ele consiga...

me perdoar e deixar eu ficar de novo com o meu filho!

Eu vou rezar por você!

Helena...

Sua filha teve muita sorte de ter você como mãe!

Ele confessou.

Confessou ter matado a esposa...

Disse que vai contribuir e colaborar com a polícia...

e que vai aceitar a pena que lhe couber.

Obrigada, Helena!

É muito triste ver que os monstros...

somos sempre nós mesmos!

Ele falou que perdeu um cordão dentro da gruta.

Sabe dizer se vocês acharam alguma coisa?

Sim, a perícia encontrou um rosário.

Por quê?

Nada não...! Não... à toa!

Aaaah...!

Aaaah...!

Aaaah...!

Aaaah...!

Aaaah...!

Aaaah...!

Helena...! Helena... espera, Helena!

Eu preciso falar com ele!

Calma, Helena, espera! Espera... calma!

Jesu...?

Eu preciso dizer pra ele que acredito nele! Preciso dizer--

Quando saiu, acharam Jesus com os pulsos cortados no banheiro!

Ele tá em cirurgia agora, mas não sei se vai sobreviver,

porque ele teve uma hemorragia profunda.

Helena, espera! Deixa eu te explicar! Calma!

Não sobrou ninguém, meu Deus!

Deixa eu te explicar... deixa eu te explicar!

Helena... ele não foi o único sobrevivente!

Salvamos o bebê!

Que belezinha!

Minha filha!

- Como é o nome dela? - Esther!

Ela se chama Esther.

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10!

Thula baba!

Thulathul!

Thula baba!

Thulasana!

Ekuseni...

Thulathul!

Thula baba!

Thulasana!

Thul'ubabuzobuya!

Ekuseni!

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