Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
ESTE DOCUMENTÁRIO FOI TODO FILMADO EM UM SMARTPHONE
DURANTE 24 HORAS EM 8 DE MARÇO DE 2019,
DIA INTERNACIONAL DA MULHER, EM ARGEL.
5 de julho de 1962.
A Argélia pôs fim ao domínio colonial da França,
que havia durado mais de 130 anos.
Foi uma guerra sangrenta.
O país liberto viveu um período cheio de esperanças,
até que um regime autoritário tomou o poder.
Muitas promessas foram descumpridas.
OS LIBERTADORES DA ARGÉLIA TORNARAM-SE SEUS OPRESSORES.
O CICLO DE MEDO E OPRESSÃO COMEÇOU A ENFRAQUECER.
ARGELINOS SAÍRAM ÀS RUAS
REIVINDICANDO LIBERDADE, JUSTIÇA E DIGNIDADE.
A GOTA D'ÁGUA FOI O ANÚNCIO ULTRAJANTE
DE QUE O DEBILITADO PRESIDENTE BOUTEFLIKA
CONCORRERIA A UM QUINTO MANDATO.
OS PROTESTOS EM MASSA, PEDINDO UM FIM À HUMILHAÇÃO DO PAÍS,
TORNARAM-SE IMPOSSÍVEIS DE CONTER.
NARDJES A.
UM DIA NA VIDA DE UMA ATIVISTA ARGELINA
UM FILME DE KARIM AÏNOUZ
BEM-VINDO AO DISTRITO MÁRTIR OUMAKHLOUF MAHMOUD
Tudo bem, pai?
Tudo, e você?
Estou bem, estou bem.
Como estão as coisas em Tiaret?
Normais.
Está tudo bem? Não aconteceu nada?
Não, por quê? Aconteceu algo em Argel?
Mais ou menos. Estava tenso.
É, estava um pouco tenso.
É assim mesmo.
Afinal, é a capital.
É, está ficando mais discriminatório, mais pessoal...
"A Argélia é um Estado islâmico", "El Harrach é território islâmico"...
Isso é evidente...
Argel.
Dia 8 de março de 2019.
Já é a terceira sexta-feira, e não posso faltar ao protesto.
Só que todo o transporte público foi suspenso.
Então tenho que chamar um motorista do TemTem.
Como moro longe do centro, em Bachdjerrah,
é a única opção que tenho.
Meus pais moram aqui, e minha família é meu epicentro.
Dormi apenas três horas.
A véspera da manifestação
é como a véspera do Eid na infância.
Não estou com fome.
Nem com sono.
Acordo cedo e empolgada. Não quero perder nada hoje.
Antes de ir embora,
me despeço dos meus pais com o coração apertado.
É a vida. Sabe-se lá o que pode acontecer.
A Década Negra marcou a minha infância.
Foi um pesadelo para os argelinos.
Muita gente foi afetada. Muitas vidas mudaram.
Nem sei se rio...
ou se choro.
No verão passado, eu estava tão exausta da minha vida aqui
que tinha perdido as esperanças.
Parte de mim queria conseguir um visto,
uma passagem só de ida
e nunca mais olhar para trás.
Mas outra parte de mim,
uma parte habitada pela Argélia,
não se atreveria a ir embora.
Seria uma fuga.
Eu não poderia deixar minha terra natal.
Fala.
Se Deus quiser.
Depois de tantos anos, chegou o dia 22 de fevereiro.
Foi quando soube que não seria capaz de deixar o país.
Agora vou ficar.
Vá fazer as suas coisas, então.
Vou chegar um pouco atrasada.
Assim você não fica me esperando.
Está bem, até mais tarde.
Beijo.
Sim, mas eu me sinto na obrigação de ir.
Eu me sinto...
Eu me sinto na obrigação.
Sim, pode falar.
Você vem também?
Vem, e a gente vai junto!
Olá!
Abdalá, Asma, tudo bem?
Bom dia!
Djidji?
Quem está lá em cima?
Hoje é 8 de março.
Os argelinos são famosos pelo senso de humor.
Sugeriram no Facebook que as mulheres saíssem sem maquiagem
para assustar os policiais.
Eu fiz o contrário.
Eu não costumo sair maquiada.
Então hoje pus cílios postiços, fiz as unhas e me maquiei.
E agora vou sair.
Eu sou assim mesmo. Faço o que bem entendo.
Protestamos todas as sextas não só pela liberdade da Argélia,
mas de todos os argelinos.
UM só HERÓI: O POVO
Trabalho no Maghreb Café, um lugar de alegria:
com arte, encontros, gente jovem, trocas...
Mas desde 22 de fevereiro,
tornou-se um ponto de encontro para os manifestantes.
O proprietário é um ex-combatente da guerra de independência.
Eu me lembro da primeira sexta-feira.
O filho dele queria fechar o café na hora da oração.
O pai gritou com ele, exigindo que ficassem abertos.
Queria que os manifestantes pudessem descansar e beber algo
antes de marchar.
Muito obrigada!
VINAGRE
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
Parabéns, mulheres!
Uma senhora de idade!
Que legal!
AOS QUE AMAM O PAÍS: VOCÊS FICARÃO.
AOS QUE AMAM O PODER: ELE ESTÁ INDO EMBORA PARA SEMPRE.
Parabéns, mulheres!
Parabéns a vocês também!
Parabéns ao povo!
DEEM AS MÃOS, MULHERES. NÃO HAVERÁ QUINTO MANDATO.
Tire umas fotos.
Ulule.
Vocês todas ululem.
Na capital acabou o cachir
Na capital acabou o cachir
Na capital acabou o cachir
Ótimo, a gente se vê lá.
Beijo, se cuida.
Eu me lembro do primeiro protesto no dia 22.
Foi incrível!
Ninguém sabia quem tinha organizado.
Nós fomos por curiosidade.
Era a primeira vez que algo do tipo acontecia na Argélia.
Estou convencida de que muitos argelinos têm a mesma sensação:
pela primeira vez, sentimos que fazemos parte
do mesmo povo e do mesmo país.
De fato,
arriscamos ser presos ou alvejados com gás lacrimogêneo.
Risco sempre há.
Mas quanto mais saímos às ruas,
menos medo temos.
Somos uma república e não um reino!
Regime assassino! Regime assassino!
Regime assassino! Regime assassino!
Um, dois, três, viva a Argélia!
VOCÊS ESTÃO DORMINDO. NÓS SOMOS O DESPERTAR.
Ladrões, roubaram o país!
Ladrões, roubaram o país!
Caiam fora, é sério!
Eu devia estar com a minha sogra no hospital,
e não nesse protesto.
Não estamos de brincadeira.
Estamos cansados.
Caiam fora logo!
Estamos ocupados na sexta que vem. Temos compromisso.
MANIFESTAÇÃO PACÍFICA
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Eu digo a verdade.
Que Deus conduza o povo argelino à superação e ao triunfo.
Que Deus proteja nossas vidas. Mesmo doente, vim marchar.
São nossos filhos. É a nossa juventude.
Viemos apoiá-los.
Este é nosso país. Nós o adoramos.
Toda mentira desaparecerá com o auxílio de Deus.
Juramos, pelo raio que destrói
Pelos rios de generoso sangue derramado
Pelas brilhantes bandeiras que ondulam
Pairando com orgulho nas altas montanhas
Que nós levantaremos, e quer vivamos ou morramos
Estamos decididos que a Argélia viva
Sê, pois, nossa testemunha, sê nossa testemunha
Argélia livre e democrática!
Argélia livre e democrática!
Argélia livre e democrática!
Deus é maior
Presto testemunho
De que não há nada digno de adoração além de Deus
Digamos que o primeiro mandato tenha sido aceitável
Ainda que tenham nos enganado com a guerra religiosa
No segundo mandato, a história ficou mais clara:
"La Casa d'El Mouradia"
Já no terceiro mandato, saqueou os cofres do país
Culpa dos interesses pessoais
E, no quarto mandato, o presidente era um vegetal
E assim continua...
Os Ultras são uma escola
Para se juntar a nós, mande seu CV, e mostraremos como se faz
Hoje o povo libertará, libertará a Argélia
Hoje o povo libertará, libertará a Argélia
Hoje o povo libertará, libertará a Argélia
Queremos morar e ficar na Argélia
Argélia livre e democrática!
Argélia livre e democrática!
Argélia livre e democrática!
Fora FLN! Fora FLN!
Fora! Fora!
Fora! Fora!
- Fora! Fora! - Todos eles! Todos eles!
Todos eles! Todos eles!
Fora FLN! Fora FLN!
Fora FLN! Fora FLN!
SALVEMOS A LIBERDADE, A LIBERDADE SALVA O RESTO.
De quem é a culpa? Quem é responsável por isso?
Estamos cansados desta vida
Já amanheceu e não consigo dormir
Então eu fumo um pouquinho
De quem é a culpa? Quem é responsável por isso?
Estamos cansados desta vida
VOCÊS REPRESENTAM UM SISTEMA PODRE.
SOMOS O SISTEMA IMUNOLÓGICO DA ARGÉLIA:
GLÓBULOS BRANCOS, VERMELHOS E VERDES.
De quem é a culpa? Quem é responsável por isso?
Quem é responsável por isso?
Já amanheceu e não consigo dormir
Então eu fumo um pouquinho
Fora FLN! Fora FLN!
Fora FLN! Fora FLN!
Fora, fora! Não vamos ficar calados!
Fora, fora! Não vamos ficar calados!
Finalmente encenamos nossa peça! Você estava incrível!
Já amanheceu e não consigo dormir
Então eu fumo um pouquinho
Argelinos! Argelinos!
Argelinos! Argelinos!
Argélia livre e democrática!
Queremos democracia.
Queremos um país de gente jovem.
Não precisamos de gente velha no governo.
Os velhos precisam sair.
Os jovens devem ficar.
Somos um país de jovens, com menos de 25 anos.
É o país de origem deles.
Sua terra natal, sua pátria.
Eles não vão fugir. Não devemos querer sair do país.
É o nosso país. O nosso dever.
Vamos ter que explicar isso aos nossos filhos:
trata-se da história da Argélia.
É 1954! É a nossa história!
Não nos esquecemos da França!
O sangue corre em nossas veias.
Argélia livre e democrática!
Argélia livre e democrática!
Meu pai foi membro do Partido Comunista da Argélia.
Foi forçado a se exilar na Alemanha na década de 90.
Quando o vi pela primeira vez, eu já tinha quase três anos.
Quando ele retornou do exílio, eu já sabia andar e falar.
Eu tinha uns três anos.
Quando me segurou pela primeira vez,
percebeu que eu era bem parecida com ele.
Minha mãe nasceu na prisão
porque minha avó estava presa na época da ocupação colonial.
Minha avó foi solta depois que minha mãe nasceu.
Deixou minha mãe com a tia e juntou-se novamente à resistência.
Meu avô, que sua alma descanse em paz,
morreu em combate alguns meses antes da minha mãe nascer.
Como era filha de dois mártires,
minha mãe teve direito a uma pensão.
Ela chorou quando a pensão foi concedida.
Ela se sentia culpada.
Como se estivesse traindo seus pais.
Ela repetia que eles deram a vida não para deixá-la rica,
mas para que a Argélia fosse independente.
Infelizmente,
meus avós não conheceram uma Argélia livre e independente.
Ó Deus...
Vida longa à Argélia.
Meus pais tinham muita esperança de reconstruir o país.
Foi uma pena.
Os lobos se apossaram do país,
e a Argélia foi sufocada.
Fui criada numa família que não aceita injustiças.
Sinto que estou aqui para saldar uma dívida
com meus avós e com meus pais.
Na minha opinião,
cabe à minha geração assumir esse papel
e se fazer ouvir.
Palestina, Palestina
Palestina, os mártires
Palestina, Palestina
Palestina, Palestina
Palestina, os mártires
Tirem seus quepes e juntem-se a nós
Tirem seus quepes e juntem-se a nós
Tirem seus quepes e juntem-se a nós
O primeiro-ministro Ouyahia está escondido! Vocês policiais também são do povo!
O primeiro-ministro Ouyahia está escondido! Vocês policiais também são do povo!
O primeiro-ministro Ouyahia está escondido! Vocês policiais também são do povo!
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
Nada de quinto mandato, Bouteflika
A tropa de choque ainda está aqui?
Nada de quinto mandato, Bouteflika!
Manifestação pacífica! Manifestação pacífica!
Os argelinos!
Os argelinos!
Regime assassino! Regime assassino!
Regime assassino! Regime assassino!
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
SE VOCÊ NÃO É ARGELINO, NÃO PRECISAMOS DA SUA OPINIÃO.
Ladrões, roubaram o país!
Ladrões, roubaram o país!
Ladrões, roubaram o país!
PRECISAMOS DE UM PRESIDENTE DE VERDADE,
NÃO DE UMA FOTOGRAFIA.
Regime assassino! Regime assassino!
Regime assassino! Regime assassino!
O povo derrubará esse regime!
O povo derrubará esse regime!
CAIAM FORA
Já amanheceu e não consigo dormir
Então eu fumo um pouquinho
De quem é a culpa? Quem é responsável por isso?
Estamos cansados desta vida
COLETIVO DAS FAMÍLIAS DE DESAPARECIDOS NA ARGÉLIA.
O que me alegra hoje é andar pelas ruas.
É ver que os jovens já perceberam
que se não reivindicarem seus direitos,
ninguém fará isso por eles.
Esse movimento popular parece mais uma torcida num estádio de futebol.
Somente nos estádios a juventude tinha o direito
de entoar cânticos de protesto contra o regime.
Isso se alastrou pelas ruas, e ninguém poderá silenciá-los.
Hoje o povo argelino entrou para a história
ao inventar seu próprio jeito de protestar:
com festa, com dança e, sobretudo, com sorrisos.
Para ser sincera, antes de cada manifestação...
ficamos com medo.
E assim que terminam, tomamos um choque de realidade.
Pode ser que tudo corra bem num lugar,
e, em outros, nem tanto.
Manifestantes são agredidos. Muita coisa pode acontecer.
Então ficamos preocupados.
Por outro lado, há um momento em que todos se sentem seguros:
quando estamos na multidão.
É bem simples:
se vocês nos agredirem,
só precisamos responder com sorrisos e sufocá-los com pacifismo.
Vocês nos encheram de amargura
e estão nos corroendo por dentro como uma cárie.
Estamos deixando a escuridão com um sorriso.
Vocês brigam entre si.
Quanto a nós, ficaremos unidos.
Vocês são a injustiça e o terror.
Nós somos grandes.
Roubaram o país! Roubaram o país!
Seus ladrões!
Estamos cansados! Chega! Devolvam nosso país!
Deixem-nos viver em paz!
Paz! Estamos buscando paz!
Já cansamos desse regime.
- Paz! Viva a paz! - Paz e amor!
- Viva a paz! - Paz e amor!
Paz! Nós queremos paz!
- Paz e amor! - Paz!
Seus ladrões! Traidores!
Democracia! Amazigues, Árabes, chega de racismo!
Viva a Argélia! Viva!
Somos o povo!
O mundo todo está do nosso lado!
O mundo todo está do nosso lado!
Viva a Argélia! Viva a Argélia!
Até eu estou revoltada!
Como o meu país chegou a esse ponto?
Que Deus os puna!
Que Deus os puna! Que Deus os puna!
Amém!
- Vamos vencer amparados por Deus! - Amém!
Assim como nossos avós!
O presidente não faz ideia!
Viva a Argélia! Viva a Argélia!
Nada de quinto mandato, Bouteflika
DEVOLVAM NOSSO PAÍS
MANIFESTAÇÃO PACÍFICA
Há quanto tempo temos mantido a calma?
Há quanto tempo temos mantido a calma?
Há quanto tempo temos mantido a calma?
Já cansamos de esperar!
Precisamos retomar nossos direitos! Estamos cansados!
Estamos cansados desse regime, estamos cansados desse regime
Estamos cansados, estamos cansados
Estamos cansados, estamos cansados
Estamos cansados desse regime, estamos cansados desse regime
Estamos cansados, estamos cansados
Estamos cansados desse sistema, estamos cansados desse sistema
Estamos cansados, estamos cansados
Já chega, já chega dessa máfia do governo!
Já chega, já chega dessa máfia do governo!
VIVA A REVOLUÇÃO
Tomou um cântaro de injustiça e dele passou a beber
Traiu seus ideais e passou a desprezar todos
Seu pai não era assim, era digno e íntegro
As palavras se sucedem
Ele pede que eu o siga e arregace as mangas
Meu pai é uma autoridade, o nome dele está nos papéis timbrados
As palavras se sucedem
Ele pede que eu o siga e arregace as mangas
Meu pai é uma autoridade, o nome dele está nos papéis timbrados
Como ousa alguém indigno como você pedir algo de mim?
Como ousa alguém indigno como você pedir algo de mim?
Tomou um cântaro de injustiça e dele passou a beber
Traiu seus ideais e passou a desprezar a todos
Seu pai não era assim, era digno e íntegro
Ele cuspiu para o alto, e o cuspe caiu em seu rosto
Um cabila só respeita seus parentes
Ele cuspiu para o alto, e o cuspe caiu em seu rosto
Um cabila só respeita seus parentes
Todos dizem que o pai é inocente, mas o filho o desonrou
Todos dizem que o pai é inocente, mas o filho o desonrou
Tomou um cântaro de injustiça e dele passou a beber
Traiu seus ideais e passou a desprezar a todos
Seu pai não era assim, era digno e íntegro
Os antigos dizem "tal pai, tal filho"
Mas não acho que seja verdade
Os antigos dizem "tal pai, tal filho"
Mas não acho que seja verdade
Seu pai é um homem digno, como é possível que o filho não seja?
Seu pai é um homem digno, como é possível que o filho não seja?
Tomou um cântaro de injustiça e dele passou a beber
Traiu seus ideais e passou a desprezar a todos
Seu pai não era assim, era digno e íntegro
Não haverá quinto mandato para os filhos da França
Vinagre. Posso dar vinagre a ele?
Justamente, é como um remédio...
QUANDO O GOVERNO USA TODOS OS MEIOS PARA LEVAR O POVO À RUINA,
A DESOBEDIÊNCIA DE CADA INDIVÍDUO NÃO É MAIS UM DIREITO,
E SIM UM DEVER NACIONAL.
As gerações mais velhas sempre menosprezam as mais novas.
Duvidaram que pudéssemos fazer algo,
ou, sobretudo, mudar algo.
Mas eu discordo.
Sempre acreditei nesta geração.
Sempre acreditei neles.
De fato, nunca tiveram escolha.
Mas agora percebemos
que precisamos romper com a antiga Argélia.
Ao protestarmos juntos, vemos que nossas diferenças não nos separam.
Do contrário: o que fortalece muito esse movimento popular
é sua diversidade e suas diferenças.
Só depende de nós.
E hoje essa geração surpreendeu a todos.
Muito obrigada.
Está bem.
Onde você está?
Estamos no centro.
Todo mundo está indo para casa.
Vou tentar ir pela rua Debussy.
Agora eu estou na rua Didouche.
Te encontro na loja da operadora.
Na loja da operadora.
Na loja da operadora.
Ladrões, roubaram o país!
UM só HERÓI: O POVO.
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
Nada de quinto mandato, Bouteflika
Mesmo que enviem a tropa de choque e as forças especiais
Devo muito ao teatro.
Me ajudou muito.
É graças ao teatro que eu sou quem sou.
Já fiz muito teatro amador.
O teatro nunca me serviu como fonte de renda.
Com tudo que tem acontecido na Argélia,
escrevi com os meus amigos uma peça chamada "Liberdade".
É uma peça de rua
para ser encenada no meio dos protestos.
O quê?
Não.
Já chega.
Não.
Não.
Eu sei por quê...
Já disse que chega. Não vou mais ser educada.
Você não se toca.
Deus que me perdoe.
Não aguento mais esse tormento
E o tempo fica mais longo
Nada do que faço dá certo, e portanto a preocupação cresce
Minha vida está em um impasse
Eu digo "acabou" e cometo o mesmo erro mil vezes
Que bom ouvir isso...
Graças a Deus.
Você viu algum?
Não, não teve confronto lá, nem vai ter.
Tudo bem com você?
Se Deus quiser, mãe.
Estou bem. Estou bem.
Estou bem.
Não, estou bem.
Quem?
Deus que me perdoe.
Se Deus quiser, quando eu voltar.
Sim, sim.
Provavelmente, sim.
Felizmente.
Sério?
O problema não é esse, mãe. Não é isso.
Isso mesmo.
Então assim que...
Não, não, não.
Não preciso de nada, não se preocupe.
Está bem, mãe. Se cuida. Até mais tarde.
Não se preocupe.
Não, não, esquece isso. Não é nada.
É muita emoção... Isso, isso mesmo.
Não se preocupe.
Beijo, mãe. Está bem.
Às vezes eu digo a mim mesma que a Argélia não vai mudar,
que vai ficar na mesma após tanto tempo de desgoverno.
E às vezes eu me dou o direito de sonhar
com uma Argélia melhor.
Mas, na verdade, uma pessoa como eu não sonha.
O que nos mantém vivos é o objetivo de viver em paz.
Às vezes, queremos evitar entrar de cabeça em situações problemáticas.
Depois de um dia inteiro protestando,
eu não vou direto para casa.
Ando pela cidade e ligo para todo mundo.
O coração aperta de medo de que alguém não vai atender
porque más notícias podem chegar a qualquer momento.
Se alguém desaparece, temos que esperar 24 horas
para saber se essa pessoa foi presa, ferida
ou coisa pior.
E aí, irmã? Os outros ainda não chegaram?
Tudo bem, aceito um copo de água.
Estou aqui. Obrigada.
Obrigada.
Te amo, irmã.
Obrigada, querida.
Diga à Amel que estive aqui.
De qualquer forma,
quando ligo para casa no fim do dia,
eu sinto o alívio dos meus pais quando ouvem a minha voz
e sabem que estou sã e salva.
E o mesmo vale para mim: é reconfortante falar com eles.
Sinto que minha mãe mudou de tom ao falar comigo por telefone.
Ela tem um quê de superprotetora.
Se dependesse dela, eu nem sairia de casa.
Mas ela já percebeu que não tem jeito.
Ficar em casa,
com tudo que está acontecendo na Argélia?
E então ela passou a ter orgulho de mim.
Às vezes, sinto que ela está vivendo este momento histórico
indiretamente, através de mim.
Não sei. A Manel mandou esperá-la no centro,
mas não deu notícias, e não sei onde os outros estão.
Estou procurando um lugar para encontrá-la.
No Café Maghreb. Eu ligo para eles.
- No Maghreb? - Sim.
Tente ligar agora, se puder.
- Alô? - Tassadit!
Oi!
É a Nardjes. É a Nardjes.
- Oi, Nardjes, tudo bem? - Tudo, e você?
Escuta, eu falei com a Manel,
e ela disse que não tiveram notícias suas.
- Está tudo bem? - Foi um dia ruim.
Deus a proteja, querida. Onde você está?
Estou no centro, com o Amin.
Estou em El Biar.
Vou descansar e depois sair. Estou precisando.
Você está onde?
Estou precisando sair.
- Você está onde? - Não estou longe. Perto de casa.
Ah, você vai para casa?
Isso, e depois vou sair.
E aonde você vai depois?
Não, não, senhor! Obrigada!
- Espere. - Vai lá.
Tudo bem, vamos ao restaurante Olivier.
Vamos ao Olivier, então.
Tente falar com a Manel e os outros, porque não estou conseguindo.
Tudo bem, te vejo daqui a uma hora.
Beijo. Que bom que você está bem.
O que foi que eu fiz?
Eu não fiz nada.
Por ti, meu país
Sacrificamos nossas almas pela nossa terra
Nós já fomos gigantes
Humilhamos nossos inimigos na Guerra de Independência
E hoje somos gigantes
Por meio da paz, estamos protegendo nossos valores
Por ti, por ti, meu país
Nós fomos heróis e não permitimos
Que fôssemos recebidos por nada além da glória
Orgulhosos de nosso passado
E o presente se sobrepuja ao nosso passado
Deflagramos a Revolução
Ó eternidade, percebe nossa excelência
E então a grande vitória será nossa
Glória conquistada por nosso próprio esforço
Por ti
Por ti, meu país
O Exército de Libertação e sua Frente
Foram as duas luzes em nossa coroa
Disseram no início que a nossa dignidade
E o nosso povo reinam aqui
Compartilhamos a riqueza do nosso povo
A justiça faz parte dos nosso valores
Estou sem sinal.
Está bem, me liga quando terminar
e podemos ir juntos ou nos encontrarmos lá.
Tudo bem, vou ligar para a Manel e...
- Tente falar com os outros. - Está bem, vou ligar para Kadi.
Explique a Kadi o que aconteceu.
Ah, droga, está fechado.
Tudo bem, só vou pegar minha chave.
- Obrigada. - De nada.
Obrigada, amigo. Até mais.
Beijo.
Que gracinha!
- Não pode. Por que você foi lá? - Eu fiz por mim.
Não, por que foi ao palácio presidencial?
Queria se machucar?
Esse não é o objetivo, Manel!
Não é o nosso objetivo.
Estava tudo bem no centro da cidade.
Sim, mas acho que vou me fazer ouvir
onde quer que eu esteja.
Isso mesmo! Então por que ir a El Mouradia?
- Por quê? - Por causa da persistência das pessoas.
Algum dos feridos era conhecido nosso?
Não, eu não conhecia nenhum deles, mas...
hoje eu até tirei as calças de alguns rapazes feridos.
Eu vi a bunda de um cara!
Te juro!
Informação demais!
Fico tão carregada de emoções ao longo do dia
que voltar sozinha para casa dá medo. É por isso que saio à noite.
Se eu voltar para casa depois de um dia tão intenso
e ficar sozinha em casa, vou ficar super ansiosa!
Pode me trazer uma limonada?
Não, sem álcool.
É pecado doar os órgãos?
O quê?!
Sim, sim, sim, na Argélia é pecado!
- É sério isso? - Sim, doar os órgãos é pecado.
Mas não é o corpo que vai para Deus, é a alma!
Não é o corpo!
Quando anoitece após o protesto,
encontro meus amigos num dos nossos restaurantes de costume.
Fazemos um resumo do dia, se foi bom ou ruim.
Criamos o hábito de colocar para fora as emoções do dia,
para que ninguém leve negatividade para casa.
Estamos cansados.
Estamos cansados de ver nossa juventude sendo tirada de nós.
Então ainda não encontramos outra solução
que não viver o presente como ele é.
Estamos dando nosso toque pessoal a esse momento.
Estamos vivendo esse momento com muito otimismo
e bastante esperança.
Mais tarde, no restaurante, é hora de curtir!
Ficamos tão empolgados e saturados emocionalmente
com os eventos do dia
que concordamos que a solução é se divertir.
Quando nos divertimos, nós nos soltamos.
No meu caso, me acostumei a sair para dançar.
Eu me deixo ser levada pela música,
pelas luzes
e pela alegria.
Eu canto por amor no meio da guerrilha
Te amo para sempre, minha Argélia
Eu canto por amor no meio da guerrilha
Não queriam paz porque não conhecem a guerrilha
Nas nossas mentes ainda é guerrilha
Guerrilha, guerrilha!
Nas nossas mentes ainda é guerrilha
Guerrilha, guerrilha!
Não estou mais lá se você me procurar
Se ela me procurar
Se ele me procurar
Se você me procurar
Se ela me procurar
Não estou mais lá se você me procurar
Diga a todos que não estou mais lá
Eu voltei de tão longe, tão longe, que poderia ser do além
Sonhei que não éramos pobres, que nossos sucessores tinham morrido
Mas, na verdade, escaparam ou se esconderam atrás de barricadas
Você vai conseguir Mamãe disse: "Tenha coragem, filho."
Essa é legal também.
Qual o motivo? De quem é a culpa?
Estamos cansados desta vida
Já amanheceu e não consigo dormir
Então eu fumo um pouquinho
Qual o motivo? De quem é a culpa?
Estamos cansados desta vida
Digamos que o primeiro mandato tenha sido aceitável
Ainda que tenham nos enganado com a guerra religiosa
No segundo mandato, a história ficou mais clara:
La Casa d'El Mouradia
Já no terceiro mandato, saqueou os cofres do país
Culpa dos interesses pessoais
E, no quarto mandato, o presidente era um vegetal
E assim continua...
Procurei você por toda parte!
Procurei você por toda parte, sabia?
- Todos estão bem. - Que ótimo!
A Argélia é muito importante para o seu povo.
É muito importante para mim também.
Só quero dizer uma coisa a vocês:
vocês não nos conhecem.
Vocês se recusam a olhar para nós.
Vocês não sabem o que queremos.
Vocês nos fizeram odiar a educação, o trabalho e a existência.
Vocês mataram toda a beleza que tínhamos por dentro.
Vocês roubaram nossa inocência.
E quanto a mim?
Conheço vocês muito bem.
Vocês nos subestimaram.
Minha geração sofre há 20 anos por causa de vocês.
Até mais que isso.
Não vou esquecer.
Rebelde que sou,
posso garantir que nem eu,
nem meu povo
damos a mínima para vocês.
Vocês nunca falaram conosco.
Então não falaremos com vocês.
Quanto a nós?
Estamos falando com a Argélia de amanhã.
Não aguento mais esse tormento
E o tempo fica mais longo
Nada do que faço dá certo, e portanto a preocupação cresce
Minha vida está em um impasse
Eu digo "acabou" e cometo o mesmo erro mil vezes
Eu me torturo, e a força da lei caiu sobre mim
Eu digo "acabou" e cometo o mesmo erro mil vezes
Eu me torturo, e a força da lei caiu sobre mim
Deixe-me ir, meu coração está machucado
Deixe-me ir no barco de madeira
Deixe-me ir, meu coração está machucado
Deixe-me ir no barco de madeira
Quanto mais a história se enraizava, maior seu mistério se tornava
Eu fui obrigado a dizer adeus
Eu não posso voltar, e você sabe a resposta
Enquanto estou indo para o exterior
A HISTÓRIA VAI PARAR
"HIRAK", QUE SIGNIFICA "MOVIMENTO" EM ÁRABE,
FOI O NOME DADO AOS PROTESTOS CONTRA CORRUPÇÃO, DESEMPREGO
E DESVIO DE VERBAS PÚBLICAS POR PARTE DA ELITE POLÍTICA.
ELES TÊM OCORRIDO EM TODA A ARGÉLIA,
TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DESDE 22 DE FEVEREIRO DE 2019.
APÓS SEIS SEMANAS DE PROTESTOS,
O HIRAK FORÇOU O PRESIDENTE BOUTEFLIKA, DE 82 ANOS,
A RETIRAR SUA CANDIDATURA.
O POVO EXIGIU ELEIÇÕES LIVRES E JUSTAS,
ALÉM DO FIM DO CONTROLE MILITAR SOBRE O ESTADO.
ESSAS EXIGÊNCIAS FORAM IGNORADAS SISTEMATICAMENTE.
AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE DEZEMBRO DE 2019
NÃO RESULTARAM NA DERROTA DO PARTIDO DE SITUAÇÃO.
OS PROTESTOS CONTINUARÃO
ATÉ QUE AQUELES QUE OS ARGELINOS CHAMAM DE "ISSABA", OU "GANGUE",
ABRAM MÃO DO PODER.
HIRAK PERSISTE
AO MEU AVÔ, IDIR AÏNOUZ (1912-2004)
LITTLE BROWN MOUSE Tradução: Guilherme Gama
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.