All language subtitles for Lo spietato 2019

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Original subtitles

NETFLIX APRESENTA

- Viva. - A� est�s tu.

E ent�o?

- Como est� tudo? - Bem.

- Tudo bem? - �timo.

- Chegou ontem de Londres. - Lindo.

- Pl�stico? - � temperado, ent�o.

- E se o meu dedo escorregar? - Passo-me.

- O que � isto? - Deixa estar, eu resolvo. Deixa...

Ouve...

- Sabes quem me fazes lembrar? - Quem?

�s igual a ele.

A quem?

Ao Dustin Hoffman, em Encontro de Irm�os. Sabes?

Que filme �?

- � aquele em que ele... - Em que ele o qu�?

- Em que faz o qu�? - Faz de deficiente.

- Vai � merda! - Atende.

- Mas tem cuidado. - N�o te preocupes.

- Por favor. - Vai atender.

Est�?

Gianni,

o Kemal quer falar contigo.

Ol�, Kemal. Tudo bem?

Espera, j� te ligo.

E ele � um interveniente internacional importante.

Sabes que estas coisas acontecem. Lamento.

De acordo?

N�o, nem por isso.

N�o te safas disto com falinhas mansas.

Desculpa, quem �s tu?

Nem te conhe�o. A mercadoria era do Kemal.

- Ent�o... - Era minha tamb�m.

Que estranho, n�o sabia. Qual � o problema?

O teu problema � teres de pagar o produto.

Ou meto-te a arma na boca

e estoiro-te os miolos.

Percebes, Gianni?

Tens uma semana.

Sabemos onde te encontrar.

N�o havia muito a dizer.

Todos tinham de morrer.

�a va sans dire.

Porque tiveram todos de morrer?

� melhor come�ar pelo in�cio.

Ainda me lembro de quando deix�mos a Cal�bria e Plat�.

Eu, a minha m�e e o meu irm�o Luigi.

Pass�mos o dia todo e a noite toda no comboio.

Mil�o ainda era um mist�rio para mim.

Estava convencido de que ia a um lugar invulgar.

Mas, nessa manh�, quase nem vi o centro da cidade.

O meu pai mudara-se para l� h� uns tempos.

Tinha arranjado casa nos arredores,

em Buccinasco, para ser preciso,

que ent�o se chamava Romano Banco.

Poucas casas, n�o como em Plat�, mas quase.

A grande diferen�a era ser muito mais fria.

N�o...

Depressa percebi que isto n�o era um novo mundo.

Em Plat�, o meu pai era pastor.

Em Buccinasco, reinventou-se como pedreiro.

- Queres? - N�o, obrigado.

Tens de comer.

O meu pai era um homem de outros tempos.

S� abria a boca para comer e praguejar.

Eu sabia que ele pertencia � 'Ndrangheta em Plat�.

Mas, ap�s um deslize, ele foi "despojado".

Por isso partimos.

Podia ter sido pior. J� mataram gente por muito menos.

Mario, n�o se esque�am do f�gado para a Sra. Barzagli ou ela faz uma fita.

Sim, pai.

Olha s�, vou irrit�-lo.

Magrebino,

diz-me uma coisa,

como se lavam, se deixam o manjeric�o na banheira?

Barbieri, vai � merda!

Meu Deus, ouviste? � milagre!

Um motim norte-africano!

Nunca pensei em vir a ser um criminoso.

Mas ia a passar em frente ao bar local, o Saloon,

e l� estavam eles, os verdadeiros criminosos.

Pessoas que roubavam e matavam

tal como eu entregava pe�as de vaca e porco.

Via os primos Gaetani.

Estavam sempre juntos.

Se um l� estava, o outro tamb�m.

O dono do Saloon tamb�m estava l�, o Spadafora.

Estavam no topo da cadeia alimentar.

Eram uns "meninos do pap�".

Tinham via aberta para a 'ndrina, gra�as aos parentes ilustres.

N�o como eu, marcado pela desgra�a do meu pai.

Eram respeitados por todos, sem terem de se esfor�ar por isso.

Santo!

Queremos apresentar-te a Mariangela e os pais.

- Muito prazer. - Tamb�m s�o de Plat�.

Mudaram-se agora para c�.

Mario!

Amanh� juntam-se a n�s no jantar de fim de ano.

Voc�s dois podem conversar.

Olha para ela!

Ouviste a tua m�e?

Se fizeres merda amanh�, escusas de voltar para casa.

Mexe-te!

31 DE DEZEMBRO DE 1967

Dezoito.

O sangue.

Sessenta e tr�s.

A esposa.

Trinta e oito.

As bengaladas.

Tr�s seguidas!

Larga-me.

A culpa � tua, ele devia estar aqui.

Faltou ao respeito a todos!

Olha a lourinha!

Querem companhia para a noite?

Para onde v�o?

Aonde v�o?

Oito, sete, seis...

Cinco, quatro, tr�s, dois, um...

Feliz Ano Novo!

Feliz Ano Novo!

Feliz Ano Novo!

Hoje em dia chamam-lhe karma.

Naquela altura era apenas azar.

Prenderam-nos por causa da lambreta, a mim e ao Barbieri.

Tinha sido roubada e suspeitaram de n�s.

Na esquadra, mandaram-nos para Beccaria, a pris�o juvenil.

Mas n�o podiam manter-nos l�, era tempor�rio.

Ent�o disseram aos nossos pais que podiam ir buscar-nos.

Sim?

N�o, lamento, n�o conhe�o o Santo Russo.

S� fui para Beccaria porque o meu pai n�o me queria em casa.

Quatro meses sem motivo. N�o tinha feito nada.

Nada...

� absurdo, mas � verdade. Est� tudo registado.

O nome do meu companheiro de cela era Salvatore Mammone,

mas todos lhe chamavam Slim.

Mas magro � que ele n�o era.

Tive a rece��o oficial a Beccaria,

cortesia do Ren� e sua trupe.

Melhor do que �gua com g�s, n�o?

Vai � merda!

Quem te ensinou milan�s? O Don Backy?

O que te aconteceu?

Nada. Ca� nas escadas.

Reza comigo.

Pai Nosso,

que estais no C�u...

Santificado seja o Vosso nome.

Venha a n�s o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade...

Assim na Terra como no C�u.

O p�o nosso de cada dia nos dais hoje...

... e perdoai-nos as nossas ofensas...

... assim como perdoamos a quem nos tem ofendido.

E n�o nos deixeis...

E n�o nos deixeis cair em tenta��o.

E n�o nos deixeis cair em tenta��o.

Mas...

Livrai-nos do Mal.

�men.

- Ent�o? Est�s a bater uma punheta? - Algum problema?

�s um palha�o.

Pareces um drogado.

Sabia que eras calabr�s. Falaste a dormir.

S� sou calabr�s a dormir.

Tens vergonha?

O Slim era de Taurianova, perto de Plat�.

Mas, antropologicamente, �ramos duas esp�cies diferentes.

Ele tinha sido condenado por assalto e agress�o num bar de Lambrate.

Era forte. Muito forte.

Mas era um bom tipo, na verdade.

Demo-nos bem desde logo.

E, quando dois sulistas se d�o bem,

acaba-se a divers�o para os outros.

Melhor do que �gua com g�s?

- Basta! - N�o queres pedir perd�o?

Perdoa-me!

Vamos.

- Todos quietos! - Tenham calma e ningu�m se magoa.

P�e o dinheiro no saco.

Prepara o dinheiro!

Prepara o dinheiro.

Mete-o no saco.

Todo!

Baixem-se e n�o se levantem!

Ningu�m se magoar�, se ficarem calmos.

Esvazia a caixa!

Depressa!

Mete a� o dinheiro.

Que merda est�s a fazer?

Anda, vamos.

Vamos, cuidado.

Anda, vamos!

Estamos atrasados para a missa!

Meus senhores, Bertha e Olga,

diretamente da Alemanha de Leste e Pol�nia.

E, por fim, a nossa especialidade,

diretamente da movimentada Londres, Jane.

Porque lhe chamas a especialidade?

�s uma puta ordin�ria, n�o �s?

Olha-me s� para isto!

- Que horas s�o? - Devem ser 6 horas. Precisamos de caf�.

N�o, anda.

Juntas-te a n�s?

Soube que est�o a planear algo em grande.

- O qu�? - N�o sei.

Algo complicado.

Olha s�.

Tens muito dinheiro, mas n�o queres dar nas vistas.

N�o vale a pena usar dez an�is, pulseiras, colares de diamantes...

� t�o piroso.

Percebo porque os �rabes usam muito ouro para mostrar a sua fortuna,

mas para quem n�o � �rabe � s� piroso

e chama muito a aten��o.

J� olhaste para ti?

Como assim?

V� como te vestes. N�o podes falar.

Que est�s a tentar dizer?

Meus senhores, que tal vai isso?

Quem �s tu?

Desculpem, n�o quis intrometer-me.

Mas como voc�s s�o os melhores daqui,

n�o, de toda a cidade de Mil�o,

s� queria dizer que, se alguma vez precisarem de ajuda,

para o que quer que seja,

estou ao vosso dispor.

Eu conhe�o-te.

�s o filho daquele ladr�o, o Pantaleone Russo.

Se n�o me engano, sa�ste agora de Beccaria.

Beccaria?

Sim, de Beccaria.

Digamos que foi l� que aprendi a estar no mundo.

Senta-te.

Sim, era o que ia fazer.

Vejamos se �s bom.

Conheces a ourivesaria em Mede?

Sim.

A minha filosofia foi sempre "n�o fazer nada por nada".

E aqui n�o tinha nada a perder.

Nunca sonhei ir a Mede Lomellina fazer turismo,

quanto mais fazer um assalto.

T�nhamos de avaliar a situa��o.

A ourivesaria n�o estava aberta a todos, era preciso tocar.

E a esquadra dos Carabinieri era mesmo ao lado.

A rota de fuga era um labirinto de ruas estreitas pela cidade.

Era f�cil correr mal.

Mas como ir�amos entrar?

N�o podia ser aos tiros.

Descobrimos logo.

Deixem-me falar, eu trato disto.

Cospe a pastilha.

Deita fora a pastilha.

Merda!

Qual � a piada? Tira esse anel de cigano.

Porque fiquei com a farda de agente?

Achas mesmo que eu seria pol�cia, com a minha figura?

Eu devia ser um oficial. Sinto-me uma anedota.

Vamos recapitular.

Sou o Marechal Russo e voc�s os subalternos.

Perceberam?

Mostra o distintivo.

Aqui est� ele. Gostas?

Chega de palha�ada. Vamos.

- S�o os Carabinieri. - Podemos entrar? Temos pressa.

Marechal... Vai-te lixar.

Eu sabia que a gaveta de cima ao lado da secret�ria estava aberta

e ele podia tirar facilmente a .38.

E havia um bot�o de alarme.

Bom dia a todos. Sr. Angelini?

H� algum problema?

N�o, nenhum. � apenas um procedimento de rotina.

- Do que se trata? - Mexa-se e eu disparo.

Perceberam? Quietos.

N�o se mexam.

Salvatore.

Salvatore, chega.

Quase o mataste.

Leva-o para ali.

V�, mexam-se!

- Depressa. - Isso mesmo.

Menina,

v� tamb�m. Vai correr tudo bem.

Isso, muito bem.

Amarra-os.

- Onde est�o as cordas? - Onde achas? Na mala!

- Calma. - Que merda te deu?

- Amarraste-os? - Sim.

Ele est� a tocar porqu�?

N�o sei, anda!

Porque toca? Passa-se alguma coisa?

Vamos.

Espera.

Vira ali!

- Para onde vamos? - Para a esquerda!

V�, vamos l�!

Vamos!

Conseguimos!

V�o-se lixar, cabr�es!

Vejamos o que temos.

Foda-se!

Eles conseguiram!

Claro que conseguimos.

Pensei que estavam lixados.

Mas s�o lend�rios!

N�o quiseste a tua parte,

mas ao menos uma lembran�a para a namorada.

N�o tenho namorada.

Fica para quando tiveres.

O que entusiasmava mesmo os Calabreses

era a festa de Nossa Senhora de Polsi,

embora em Mil�o seja uma experi�ncia totalmente diferente.

Eles iam para o campo com a fam�lia,

matavam cabras e at� cabritos, cozinhavam-nos, comiam-nos

e, claro, falavam de neg�cios.

Eram sempre os mesmos,

o advogado da 'ndrina, Giovanni Bova,

especialista em �libis e diagn�sticos mentais falsos.

- Ol�. - Ol�.

Os habituais como o Giuseppe Caccamo e o Pino...

Pino.

... e o seu s�cio Antonio Aric�.

Ol�, Pino.

Tamb�m era conhecido por Pino. Nunca percebi porqu�.

Eram especialistas em roubo e venda de m�quinas de escrever.

Porque � que todos aqui se chamam Pino?

- Que importa isso? - Vai � merda.

Posso ajudar-te?

N�o � preciso, obrigada.

Ser� um prazer. Deixa estar, eu levo.

� pesado.

Vamos l�.

Para que servem os homens, certo?

Posso fazer alguma coisa mais?

N�o, obrigada, Santo. Eu fa�o.

J� nos conhecemos?

Ent�o n�o me ajudaste para pedires desculpa por aquela vez?

Desculpa, qual vez?

A passagem de ano em casa dos teus pais. H� muitos anos. Eu chorei.

A feia... Quer dizer, a Mariangela, desculpa.

Ainda bem que te lembras de mim.

Claro que lembro.

Caramba, como mudaste.

Cresci, s� isso.

Est�s bonita.

Tu tamb�m mudaste.

N�o te vestias assim t�o bem.

Achas?

O tempo fez-nos bem a ambos.

Diria eu.

Um momento.

Vou ver o meu irm�o.

- O que se passa? - Nada, Santo.

- Nada? Deixa ver. - N�o, deixa estar.

Quem foi?

- Santo, deixa l�. - Diz-me quem foi, caralho!

O Spadafora.

Porqu�? O que fizeste?

Foi ontem � noite, eu devia-lhe dinheiro. Perdi uma aposta.

N�o te preocupes.

Quanto lhe deves?

150 mil.

N�o fa�as nenhuma asneira, Santo.

- Santo! - Foda-se... Santo!

Ol� a todos.

Ol�, Santo. Tudo bem?

- Queres vinho? - Sim, um pouco.

Obrigado. �s sempre t�o gentil.

Porque n�o haveria de ser? �s um bom rapaz.

Respeitoso,

sabes comportar-te.

Como se diz?

"Tal pai, tal filho."

Se dependesse do pai dele, o Santo morreria � fome como ele.

Mas vejam este tipo.

� um cavalheiro!

Um homem de sucesso!

O passado � passado.

Vamos festejar. Sa�de.

N�o, brindo a ti.

Vamos dan�ar.

Toquem m�sica.

Ent�o a Mariangela j� n�o � feia?

Desabrochou?

� linda, imaculada. Como a Virgem Maria.

Cuidado ou ainda acabas por casar com ela.

Sei sempre o que devo ou n�o fazer.

- Falou o perfeccionista. - N�o me lixes.

J� disse que sei. Falamos do neg�cio?

Sim.

Se correr bem, ser�o mil milh�es.

N�s os dez ficamos com 30%.

At� numa ourivesaria

conseguimos o dinheiro no dia seguinte.

Aqui s�o seis meses.

E depois h� o primo de algu�m que conhece outro tipo.

Diz para fazermos isto e aquilo.

Credo, acabamos com 20 milh�es e temos de discutir.

- Sabes que mais? - O qu�?

Prefiro assaltos. Rendem mais.

Isso � indiscut�vel.

O meu pai vai matar-te por isto!

Que raio est�s a dizer?

- Percebes? - Sim.

- Estas coisas irritam-me. - J� percebi.

O in�cio do neg�cio dos raptos em Mil�o

foi como o primeiro homem a andar na Lua.

O industrial raptado em 14 de janeiro foi libertado.

Foi libertado em Bornago, a poucos quil�metros de Cassano d'Adda.

O resgate pedido...

O industrial foi largado de pulsos acorrentados.

Havia um mediador ingl�s que fazia seguros contra raptos.

Dois mil milh�es de cobertura m�xima, pagos no estrangeiro.

At� havia uma lista de raptores

que mostrava quais eram melhores, caso f�ssemos raptados.

Os piores de todos eram os calabreses. �a va sans dire.

A entrega do dinheiro do resgate era sempre a parte mais stressante.

A Pol�cia atrapalhava sempre.

Mas eu tinha sempre as minhas pr�prias estrat�gias para resolver isso.

V� � EST�TUA DE JESUS

Sim?

Ele est� aqui e a Pol�cia anda no seu encal�o.

Deixem-nos. Sigam-no.

Dessa vez, organizei uma ca�a ao tesouro por Mil�o.

Ele seguia as instru��es em cada etapa.

Para, sai, l�, entra, arranca

e a Pol�cia n�o faz ideia.

Enlouquece-nos,

mas � eficaz.

ATIRA O PACOTE!

P�e o disco.

Vai-te embora!

- O que foi? - � melhor ires embora.

Porqu�?

O meu irm�o.

Tudo bem, que mal faz?

- Vamos desistir. - Est�s com medo?

Posso fazer isto sozinho.

N�o, estou � farto de esperar ao frio.

Vai-te embora. Eu fico.

Se ele n�o sair, vou mesmo.

Ent�o vai.

E vou.

Vais, mas ainda aqui est�s.

J� vou.

A� est� ele.

Eis como eu vejo a situa��o.

"Tu conheces-me, Spadafora.

Se tens problemas com o meu irm�o, falas comigo e eu resolvo.

Mas porque lhe bateste?"

Mas n�o valia a pena teorizar muito.

Iria dizer o qu�?

N�o fazia sentido, n�o tinha l�gica.

Mando-o desculpar-se

e depois dou-lhe o dinheiro?

N�o.

Nem pensar.

Vai!

Que est�s a fazer, porra? Anda para a frente, n�o recues.

Mas que raio?

Aproxima-te.

Bate-lhe.

- Que � isto? - � por bateres no meu irm�o.

Foi o meu primeiro milagre, como dizem os Calabreses.

Os Calabreses n�o s�o como os Sicilianos,

que se re�nem, falam e deliberam antes de matarem algu�m.

N�s resolvemos os problemas sem pensar demais.

Ningu�m suspeitou de mim no caso do Spadafora.

Ningu�m fez perguntas.

Todos tinham a consci�ncia pesada.

Eu n�o podia fazer nada.

Era �bvio, tinha de casar com ela.

A partir de agora, est�s em pris�o domicili�ria.

- Est� calado. - Santo.

At� na igreja mascas pastilhas?

T�pica noiva, faz-nos esperar.

- O que tem o Pantaleone? - Est� irritado.

� por comer tanto chili.

Vai-te lixar.

Santo.

Ela chegou.

Ent�o? Tudo bem?

Foi tudo gra�as ao diamante que o Spadafora me deu.

Um dos que roub�mos em Mede.

O sacana do ourives a quem pedi para por a pedra no anel

ficou com a original e substituiu-a por uma imita��o.

Era imposs�vel dar pela diferen�a.

Um ladr�o a roubar um ladr�o.

Quando a Pol�cia o apanhou com o diamante roubado,

o ourives foi preso e denunciou-nos.

Fic�mos pasmados com a trai��o.

Dom Fortunato, fa�a alguma coisa.

Santo e Mariangela Assunta,

em nome da Virgem Maria e na presen�a das vossas testemunhas...

Depressa!

Santo, aceita Mariangela como sua leg�tima esposa?

Sim.

- Mariangela, aceita... - Sim!

Em nome de Deus, declaro-vos marido e mulher.

Em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo. �men.

- Em que m�o �? - Que lindo casal.

- Vamos. - Vemo-nos mais tarde.

Felicidades!

Tudo bem, agora �s uma mulher respeit�vel.

Juntem-se!

Deixem passar a noiva.

Parab�ns!

- Que merda � esta? - Os meus clientes s�o respeit�veis.

V�o com calma!

Santo, n�o te preocupes. Resolvo isto num instante.

E tu?

C� est� ele.

Quando comecei, sonhava pertencer � classe m�dia.

Queria ter uma fam�lia, uma casa, um neg�cio.

Nunca pensei que casaria para pagar as contas, como toda a gente.

Enquanto estive preso em San Vittore,

a minha esposa teve de pagar as contas.

A Mariangela voltou para casa dos pais

e trabalhava em casa, para poder sustentar-se a si e ao pequeno.

Fazia vestidos para bonecas, a mil liras cada um.

Eu n�o fazia formalmente parte do cl�, devido ao erro do meu pai,

e, por isso, ningu�m cuidou da minha esposa na minha aus�ncia.

N�o pod�amos continuar assim.

Ent�o, subi a parada.

� s� merda.

O tr�fico de carros, comparado com ser gangster,

era mesmo muito bom.

Tem 118 000 km. N�o andes muito.

Os Gaetani montaram um sistema eficiente.

Ganhava-se muito com pouco risco

e era limpo...

Bem, quase.

Olha. Tem ali um buraco.

Dois mil a menos por causa da marca.

Abracadabra.

Um,

dois

e tr�s.

- Desculpe, mas s�o 15 milh�es. - Como assim?

Dissemos 15 milh�es.

- Combin�mos 7,5. - Sim, por cada um.

N�o te metas nisto.

Fodi a tua irm� durante quatro anos e meio.

Que merda est�s a dizer?

- N�o fales na minha irm�. - N�o te armes em japon�s comigo.

Segunda coisa, imobili�rio.

Um centro de congressos aqui, um complexo de 28 apartamentos ali

e, em pouco tempo, enchemos os sub�rbios de bet�o.

Fazer subcontratos era f�cil e pouco arriscado.

Quase todos sabiam que lidar connosco significava lucro.

Mas alguns n�o entendiam.

E depois havia os milagres.

Posso dizer sinceramente que nunca matei ningu�m que n�o merecesse.

Mafiosos que sabiam os riscos que corriam.

Haveria muitos depois do Spadafora.

Fazia parte do trabalho.

Eram redundantes e eu tinha de fazer cortes.

N�o me orgulho disso, mas por vezes era necess�rio.

Era a lei do capitalismo. �a va sans dire.

A minha mulher n�o sabia de nada, como vos disse.

N�o a metam nisto.

Venham, venham ver o primeiro quarto.

� um espa�o amplo, luminoso, como podem ver,

com �tima vista sobre Mil�o.

Esta sala recebe luz o dia todo, est� virada a sul, leste e oeste.

- Gostas? - Sim, � linda.

Agora n�o podia arranjar um emprego honesto.

Que perspetivas tinha?

Ganhar 1,5 milh�es por m�s?

Como poderia continuar?

Deixei para o fim a melhor divis�o.

Vamos acabar em grande.

- Podes ir, n�s j� vamos. - Venham comigo.

- Gostas? - Sim.

- N�o pareces convencida. - Porqu�? N�o, eu gosto.

Se n�o tens a certeza, n�o a compramos.

N�o, vamos comprar.

- Ficamos com ela? - Sim.

Cuidado com o degrau.

Vejam s� isto.

N�o � o melhor terra�o de todos?

� lindo, Santo. Estamos perto da Madonnina.

Gostas?

Seria incr�vel morar aqui.

Claro, querida, � um s�mbolo de estatuto.

Quem manda nisto?

Ent�o?

Apanha.

Que tal vai isso?

Est� tudo bem.

- Tudo bem? - O meu carro fica seguro aqui?

Para j� s� os estaciono,

mas, quando tiver mais dinheiro, irei exp�-los.

Claro!

N�o.

Merda! Porra! �s algum idiota? N�o me viste?

Olha para os danos! Que danos!

Que danos! Olha para os far�is!

Olha para isto!

Olha s�!

- Meteu-se � minha frente. - N�o, a culpa foi tua!

- N�o deu tempo... - Basta!

H� problema?

Boa, um cavaleiro andante.

O que disseste?

Ouve, vamos partir desta premissa.

Este brinquedo � um Porsche

e a est�pida da tua amiga fez-lhe uma mossa.

- Olha os danos. - E ent�o?

Como assim?

- Podemos resolver isto. - N�o, deixe estar, eu resolvo.

V�, pede desculpa.

N�o me parece. Porqu�?

N�o queres pedir desculpa?

L� os meus l�bios. N�o!

- Obrigada. - Quem pensas que �s, caralho?

E agora? J� queres pedir desculpa?

- Basta! - Pede desculpa.

- Desculpa. - De joelhos.

- Obrigada. - Desculpa.

Diz-lhe como lamentas.

- Basta, j� chega! - Muito bem.

Agora sai daqui,

seu cabr�o.

Percebeste?

Paneleiro de merda.

Sai daqui.

V�, toca a andar.

Pira-te. Isso mesmo.

Vai-te foder.

Esta gente...

Tudo bem?

Sim, ele s� me insultou. Estas coisas acontecem.

Agrade�o a sua interven��o,

mas n�o era necess�rio.

Tenha um bom dia.

- Desculpe, j� nos conhecemos? - Que eu saiba, n�o.

Talvez em Brera?

Em Brera?

Sim, em Brera. Algures...

Costuma ir aos eventos da Academia?

Sim, claro.

�s vezes.

Tais como?

Como...

N�o me recordo, assim de repente.

N�o sou bom com nomes.

Tudo bem. Obrigada mais uma vez. Adeus.

Mas vejo que � uma artista.

- Como sabe? - Bem...

Pelos modos franceses, pela forma de andar.

Modos franceses?

Certo.

� que eu tenho um apartamento de luxo

no centro de Mil�o

e preciso de o mobilar. � um loft, em open space,

e talvez pudesse ajudar-me.

De facto, eu pinto murais trompe l'�il.

�timo. Um mural seria perfeito. As paredes s�o t�o brancas.

Se me der o seu contacto...

Aqui tem o meu cart�o.

Estou muito ocupada, mas talvez possa recomendar algu�m.

Annabelle?

Annabelle.

Nunca conseguir�s uma mulher assim.

Vais ver.

- Toma conta do meu carro. - N�o te preocupes.

Pensei "Paris morreu.

Est� cheia de acad�micos convencidos."

Eu aborrecia-me de morte.

Ent�o um dia fiz as malas e vim embora.

Gosto de Mil�o.

Sente-se a revolu��o no ar,

a experimenta��o,

contamina��o.

A minha m�e n�o aceitou bem. Queria que eu ficasse em Fran�a.

Ela tem medo dos raptos e dos tiroteios.

- Imagine-se... - E com raz�o. Estamos em Mil�o...

Mas os tempos s�o outros. Mil�o mudou.

J� n�o se veem criminosos nem terroristas.

N�o, agora o contexto

j� n�o � o mesmo,

a situa��o pol�tica...

Perd�o.

Querem pedir?

Sim, quero truta fumada com polenta violeta.

Sem zimbro, por favor, sou al�rgica.

E para o senhor?

O mesmo.

Querem vinho?

Combina bem com um tinto do Langhe.

�a va sans dire.

Exatamente.

Que vinho trago?

O que a senhora acabou de pedir.

- Desculpe, pode repetir? - O que a senhora acabou de pedir.

Um Barolo reserva.

- Obrigada. - �timo. Temos um 72 na adega.

Excelente. Pode ser?

Sim, �timo. Traga esse. Obrigado.

- Trago j�. - Obrigado.

Ele n�o �...

N�o � o nome de um vinho.

"�a va sans dire" � uma express�o,

significa "� �bvio".

Eu sei, estava a brincar.

Ele n�o percebeu a piada.

E, tu, onde estudaste

para ser empres�rio?

Universidade de Buccinasco.

A Universidade de Buccinasco n�o existe.

Existe sim e � bem melhor do que a tua.

Boa resposta.

�s simp�tico, para empres�rio.

E tu �s muito inteligente.

V�-se que tens estudos.

Quando falas, pareces um dicion�rio.

Vou � casa de banho.

Espet�culo...

O que foi?

Nunca sa� com ningu�m como tu.

Um empres�rio?

Algu�m t�o mal resolvido.

A s�rio?

As pessoas fazem terapia por coisas dessas.

Enganas-te, sou muito bem resolvido.

Lembra-te de pores isto quando chegares a casa.

N�o � o que est�s a pensar.

O problema � teu, n�o meu..

Onde queres que te deixe?

Em tua casa.

Podes mostrar-me o apartamento que tenho de pintar.

Claro.

A minha casa.

Tens de pintar o apartamento. J� me tinha esquecido.

No que me diz respeito,

nunca me considerei parte da 'ndrina dos Gaetani.

N�o queria ser um funcion�rio.

Eu tinha no sangue um esp�rito empreendedor,

como os bons self-made men

que come�aram do nada.

Agora eu era um veterano e queria fazer os meus neg�cios

sem ter de seguir aqueles dois anormais.

J� viste o espa�o que tem?

Precisaremos, quando o neg�cio florescer.

Gra�as aos sicilianos de Trezzano sul Naviglio,

conheci Michele Ventura.

Deixa estar, eu fa�o isso.

Diz-me como funciona.

A hero�na � o futuro, Santo.

Confia neste idiota

e podes ganhar 100 milh�es por m�s, de olhos fechados.

Como?

Importamos o produto em bruto e refinamo-lo aqui.

Seremos polivalentes

e teremos produto em todas as ruas, pra�as e sal�es.

Investimos algum do lucro em a��es

e o resto fica a salvo na Su��a.

Parece-te rid�culo? N�o, � procedimento.

Santo, na vida temos de ter um esp�rito empreendedor e pragmatismo.

Percebes?

�a va sans dire.

Desculpa, quanto?

Cem milh�es por m�s?

Cem milh�es por m�s.

Nada mau.

Carlo Alberto, despacha-te ou n�o te deixam entrar na creche.

- Queres caf�? - Sim, por favor.

Onde estiveste ontem � noite?

Ontem � noite?

Chegaste �s duas da manh�.

Querida, n�o fales em dialeto. N�o � bom exemplo para o mi�do.

Ele j� percebe tudo.

Estive a pensar...

Quero matricular o Carlo Alberto nos Salesianos.

Est� bem, informa-te e fazemos isso.

- J� me informei. - E?

Fica longe daqui. Vou demorar imenso a lev�-lo.

� por causa do apartamento no centro?!

Sim, era bonito,

mas em Buccinasco � melhor.

Tem �reas verdes, os mi�dos podem brincar, temos c� os amigos.

Viver junto ao Duomo � stressante.

Tr�nsito, smog, polui��o, al�m dos carteiristas.

N�o quero os mi�dos a viver assim.

- Talvez tenhas raz�o. - Claro que tenho.

O que foi?

Nada. Porqu�?

N�o sei, pareces abatida.

Est�s pouco animada.

N�o tens de ter vergonha, as coisas mudaram.

Talvez devesses ir ao psic�logo.

N�o tenho um problema.

N�o disse que tinhas, n�o me interpretes mal.

- Mas pareces um pouco... - Um pouco...

Deprimida.

O pai vai trabalhar.

N�o arrelies a m�e.

Porta-te bem.

- Adeus. - Adeus.

Eu marco uma consulta.

Santo.

N�o andas metido nas drogas, pois n�o?

Porta-te bem, mi�da.

Est�s louca?

Nem os Gaetani sabiam da Annabelle.

E eu neguei sempre, era mais seguro.

Linda!

- Tira uma fotografia de cara. - Sim, depois.

O mundo da m�fia � igual em todo o lado.

O Buscetta n�o era de fiar por ter uma amante.

Mas nunca acreditei nas regras da honra.

Se o peixe gra�do como os Gaetani

tiver um dos seus lacaios preso durante muito tempo,

podem ter a certeza

de que, a pretexto de querer ajudar,

mais cedo ou mais tarde,

vai fazer-se � mulher dele.

Qual � a sua profiss�o?

Escreva "empres�rio".

E qual o ramo?

Constru��o.

Russo S.A.R.L.

Constru�mos projetos comerciais e residenciais.

J� viu as novas torres em Segrate?

N�o.

Constru�mo-las n�s.

Se precisar

de algum tipo de constru��o, ligue-me.

Far-lhe-emos um bom pre�o. �a va sans dire.

Obrigada.

Chegara a hora de expandir a rede.

Os calabreses estavam prestes a inundar Mil�o com hero�na.

Eu � que tive a ideia dos provadores da droga.

Muitas empresas t�m grupos de foco que testam produtos.

Porque n�o fazer o mesmo?

Os drogados testam-na e veem quanto tempo dura a moca.

Com base nas suas respostas, aferimos a qualidade do produto

e definimos o pre�o.

Para nos mantermos no mercado, o produto tem de agradar aos clientes.

� assim que o vejo.

Que tal �?

Boa?

�timo.

Cortem esta quatro vezes.

- Cortem quatro vezes. - Quatro.

J� lhes disse. Porqu� repetir?

- N�o me chateies. - Vai � merda.

Ent�o, que tal �?

Como?

N�o faz efeito?

Que caralho...

Cortem esta duas vezes.

Que caralho.

Cortem duas vezes.

Porque descarrega no meu primo?

- � teu primo? - Ent�o?

Como �?

Foda-se, est� morto.

Perdemo-lo?

Como �? � boa?

Cortem esta oito vezes.

- � excelente. - Oito vezes!

Oito. Cortem esta oito vezes.

A for�a dos calabreses

era n�o abusarmos do nosso produto.

Quem o faz, torna-se perigoso.

A palavra de ordem �...

... "enfatia".

Enfatia. Como simpatia, digamos.

Obedecemos

aos movimentos "enf�sticos",

fant�sticos, entusi�sticos,

a maravilha do orgulho infantil do exibicionismo.

Devemos ser oportunistas

e especialistas

em ciclopia enciclop�dica,

que nos faz ver com um olho

por entre as vozes da vida estilizada

classificada pelas enciclop�dias.

Todos temos de reclamar o direito

� expatria��o para um quarto mundo extraterrestre

protegido da amea�a "enfat�nica",

do planeta dos "enf�rticos".

O planeta do �nfase,

que se torna arte.

Muito bem!

Foi �timo. Foi mesmo...

- Obrigado. - Giampi, este � o Santo.

- Muito prazer. - Igualmente.

- Mas onde est� a obra? - Ele � a obra.

� um ator? Um m�mico?

N�o.

Sou um conceito.

O qu�? O que est� a vender? N�o entendo.

Inspira��o.

E a inspira��o � abstrata.

Est� a gozar comigo?

- Deixa-o. - Vender inspira��o.

O Santo � empres�rio, n�o sabe o que � arte.

N�o, n�o � verdade. Sei o que � arte.

Mas n�o entendi este conceito da inspira��o e de como funciona.

Com licen�a.

Estou a falar com ele...

Quero perguntar-lhe como funciona a inspira��o.

Decidiste estragar a minha noite?

Porque est�s aqui? N�o tens o que fazer?

J� te esqueceste que esta casa tamb�m � minha?

Pensei que t�nhamos um acordo.

N�o dissemos que seria uma rela��o aberta?

Isso n�o...

De repente tornaste-te calabr�s?

Eu?

At� concordei em partilhar-te com a tua esposa.

Se bem me lembro.

A ARTISTA E O EMPRES�RIO

Sra. Russo, entre.

Est� pronta?

Creio que sim.

Quando quiser.

Desculpe, estou um pouco cansada.

J� tem dois filhos?

Casou muito nova.

Que mais podia fazer?

Nunca pensou em trabalhar, ser independente?

Vejo os meus filhos e sinto-me realizada.

E isso chega-me.

E quando olha para o seu marido?

Quando o vejo, penso muitas coisas.

Pergunto-me o que lhe passa na cabe�a.

O meu marido tem sempre algo na cabe�a.

Projetos, ideias, ambi��es.

Que se importa ele comigo?

Se puder pagar a algu�m para me ouvir, � o que faz.

Ap�s tantos anos de casamento, j� n�o sei o que ele pensa.

Nem sei se ele me amava realmente.

Mas casou comigo e os nossos filhos s�o importantes para ele.

N�o o culpo se n�o me amar.

Afinal, ele nem se ama a si mesmo.

Ele quer ser outra pessoa, ter uma vida diferente...

... sem mim.

Acha que o seu marido anda a tra�-la?

Como se atreve?

O meu marido � um homem respeit�vel. Como pode pensar isso?

Como � que aconteceu?

Encontraram-no na rua.

Completamente � toa.

E tinha droga com ele.

O Slim foi sempre uma bomba-rel�gio.

Estava totalmente descontrolado.

Tornou-se um risco.

Nunca percebeste que o teu amigo era um drogado?

N�o, nunca percebi.

Vamos tratar disto.

Temos outro problema.

Liga ao Bova.

Digamos que o Bova � o problema.

O Bova � o problema.

Tivemos dificuldades com as negocia��es.

O Slim est� metido nisso.

Entre o submundo e o Estado temos os advogados.

Carreiristas e mercen�rios que s� pensam neles mesmos.

Pessoas capazes de fazer prender outra pessoa

em troca da liberta��o do seu cliente.

Era isso que o Bova estava a tentar fazer.

Lixar o Slim para libertar outro recluso.

Quanto te pagaram os tipos de Trezzano?

Como assim?

Ouve,

sempre fizemos vista grossa aos teus jogos de estatuto.

N�o me importa que ajudes o Juiz Massari a atingir a sua quota.

Isso � contigo.

Tu �s esperto, ele � tolo.

Mas por acaso tamb�m nos tomaste por tolos?

Santo, fiz tudo o que podia pelo Salvatore.

Protesto. Treta.

Eis o que vamos fazer.

Falas com os teus amigos na Pol�cia e liberta-lo.

Tens outra hip�tese para corrigires isto.

Como se diz? "O cliente tem sempre raz�o."

N�o posso faz�-lo.

N�o posso libert�-lo.

Se n�o libertar o homem deles, os sicilianos vir�o atr�s de mim.

Ent�o, tens de escolher.

Parece-me razo�vel.

Sempre disse a todos que �s bom no que fazes.

E �s bom.

Mas ningu�m � indispens�vel.

N�o te esque�as.

Senhor, aben�oa esta casa.

Onde est� o Santo?

N�o est� c�.

Ele devia ir confessar-se antes da b�n��o.

H� problemas?

O meu marido n�o respeita os votos que fez perante Deus.

N�o cometa o mesmo erro. N�o perca a f� no matrim�nio.

N�o sabe do que ele � capaz.

N�o entre em detalhes, por favor.

Se o Santo insiste em pecar, enquanto devota, deve rezar.

Reze pela salva��o da sua alma e dos seus filhos.

Rezar. Nossa Senhora ouve-nos.

Promete-me que a verei mais vezes na igreja?

- Prometo. - �timo.

Aben�oo-a, em nome do Pai, do Filho

e do Esp�rito Santo.

- �men. - �men.

Anda beber um copo. Est�s em casa.

Como est�s, Slim?

Bem e tu?

Agora que voltaste, temos de falar.

J� decidimos. O Bova tem de morrer.

O sacana queria deixar-te na pris�o.

Em vez disso, queria libertar o cabr�o do siciliano.

Temos de o matar.

Aquele cabr�o.

Tens de o matar.

Tens a certeza?

Todos concordamos.

E quem tratar� dos nossos problemas legais?

Quando um Papa morre, sucede-lhe outro.

N�o sei se conseguirei faz�-lo.

Faz-me este favor.

- Sa�de. - Sa�de.

Foda-se.

Vieram a minha casa, filhos da puta?

A quem est�s a ligar?

Os mi�dos?

Deitei-os agora. O que h�? A quem est�s a ligar?

- Isso � comigo. - Santo...

O que se passa?! N�o v�s que fomos roubados?

Santo...

Santo, olha para mim, est� tudo bem.

J� n�o preciso disso.

- Que fizeste ao teu cabelo? - Nada.

J� n�o preciso dele.

- Deste tudo? - Sim.

Fi-lo por ti, pela tua salva��o.

Os teus pecados s�o agora os meus. J� n�o tens de ter medo.

N�o est�s mesmo bem, querida.

Precisas dum exorcista, n�o dum psic�logo.

N�o entendes. Nossa Senhora ser� misericordiosa contigo.

Embora j� n�o o sejas para ningu�m,

nem para aqueles que amas.

Escuta-me bem! Sabes o que vais fazer agora?

Liga para eles e diz-lhes que devolvam tudo.

Percebeste? Tudo.

Todos os brincos,

os casacos de pele, tudo!

Percebes? � tudo meu! Foi comprado com o meu dinheiro!

A quem ligaste? A quem ligaste, porra?

Aos cabr�es da par�quia de Buccinasco?

Ou aos de Corsico?

Liga-lhes e diz-lhes que devolvam tudo! Percebeste?

Foda-se!

Acredita, Santo. � a �nica maneira.

Que merda est�s a dizer?

O que te deu? Quase o mataste.

Casa comigo.

Sei quem realmente �s.

E tenho a certeza...

... de que posso fazer-te feliz.

Ouve, Carlo Alberto,

o pap� estar� sempre aqui para ti, percebes?

Percebes?

Mas, a partir de agora, ser�s o homem da casa.

Est� bem.

Bem, vou ser direto.

Tens de dizer algo � mam�, da minha parte.

Mas tens de repetir mesmo o que te digo.

� importante.

Se � importante, porque n�o lhe dizes tu?

N�o, tens de ser tu a dizer, para ela n�o ficar triste.

Percebes?

Sim?

Ent�o...

Ora bem...

Talvez n�o imediatamente, mas em breve,

at� a m�e ir� perceber que � a melhor solu��o para todos

e, mesmo que j� n�o vivamos juntos,

nunca nos faltar� nada.

Sabes quem sou, certo?

Posso entrar?

Entra.

Imaginei que isto aconteceria, mais cedo ou mais tarde.

Ele falou-te de mim?

Sim, algumas vezes.

- Menina Bermont... - Annabelle.

Annabelle.

Reza?

- Eu? N�o. - Claro que n�o.

N�o a julgarei por isso, n�o me compete.

Posso sentar-me?

Sim.

Pensa que o conhece, mas est� enganada.

Se ele n�o teve coragem de dizer,

ent�o tenho de ser eu a faz�-lo.

Para bem do Santo

e pela salva��o da sua alma.

Os pecados dele s�o agora os meus.

Assumi os seus pecados, porque o amava.

Mas a partir de agora ter� de ser voc� a faz�-lo.

Se o ama, ter� de estar pronta para isso.

N�o entendo.

O nosso Santo � um ladr�o.

� um assassino.

Roubou, matou, sequestrou.

Ele e os seus amigos de Corsico e Buccinasco.

H� uns anos, tamb�m voc� poderia ter ido parar � sua bagageira.

Percebe agora porque ter� de rezar por ele?

Prometa que o far�.

Annabelle?

Annabelle?

Annabelle?

� um jantar de benefic�ncia.

Traz as mochilas.

O que esperavam?

A minha ONG angaria fundos, n�o d� esmolas.

N�o me diga que esta gente n�o pode pagar cinco milh�es por uma mesa?

Santo!

Vamos andando.

Com licen�a.

Claro.

Quer uma pausa?

Posso continuar.

Muito bem.

Os turcos e o Attanasio tiveram de morrer porqu�?

Desculpe, como?

Porque tiveram todos de morrer?

Tudo come�ou ap�s uma grande vigarice.

Um esquema.

Roub�mos aos turcos 100 kg de hero�na.

Os Gaetani e eu conseguimos sacar quase 100 kg de hero�na aos turcos

sem pagar um tost�o.

Fizemos um neg�cio espec�fico.

Um acordo de cavalheiros � o que vale.

Infelizmente, isto acontece. Que fazer?

Esper�vamos uma visita punitiva.

N�o lid�vamos com idiotas.

Mas n�o fizeram nada. Nada.

O tempo passou e esquecemos isso.

N�o sei como nos encontraram.

Nem sabiam o meu nome verdadeiro. Apresentei-me como Gianni.

Gianni,

o Kemal quer falar contigo.

E foi isso que me chamaram at� ao fim.

Percebeste, Gianni?

Fiz-me de parvo.

Eles estavam armados. Que podia eu fazer?

O que aconteceu depois foi uma simples consequ�ncia l�gica.

Que foi? Est�s nervoso?

O que foi? Estou gelado.

N�o pareces animado.

Relaxa, � a �ltima vez.

Eles v�m a�.

Gianni...

Gianni...

Desaparece.

Vai-te embora, caralho. Vai!

Aquele idiota do Nuri

foi preso em Br�scia a traficar coca.

Falou em mim e contou-lhes tudo.

Soube que ele cedeu logo.

E tamb�m h� algo do Mario. Sei que n�o � muito.

N�o devias ter de lidar com isto.

O Mario disse que tentou falar com os Gaetani,

mas eles dizem que tens de ser paciente.

Que merda � essa?

N�o sou um subempreiteiro que s� recebe quando trabalha.

S� fa�o parte da organiza��o quando lhes conv�m.

Dizem que n�o est�o a ganhar dinheiro.

Pois sim.

E os mi�dos?

Est�o bem.

Tenho boas not�cias.

Falei com o Tropea, o advogado.

Outro dos bons.

Conseguiu que sejas transferido para outra pris�o.

- V�o transferir-me? - V�o.

Para onde?

Para B�rgamo.

Diz que as condi��es s�o melhores.

Desculpe, posso fumar aqui?

Eu sabia o que havia em B�rgamo. Ou melhor, quem.

Uma col�nia de gente de Plat�.

Todos parentes dos Gaetani, amigos e traficantes.

Gente que est� presa h� anos e que t�o depressa n�o sair�.

Pessoas que n�o recusam um favor ao chefe local.

Era �bvio. Queriam matar-me.

O que se passa?

N�o est�s contente?

N�o era o que querias?

Haja o que houver...

... quero que saibas que te amo,

embora n�o o tenha dito muitas vezes

e tenha sido um p�ssimo marido.

Mas eu amo-te.

Percebes?

- Percebes? - N�o te esforces...

Vemo-nos daqui a uma semana.

Talvez traga os mi�dos.

Mariangela...

... preciso que me digas.

Amas-me?

�a va sans dire.

O que aconteceu?

Nada de grave. Em breve estar�s recuperado.

N�o tens nada a temer.

Arrepende-te, Santo.

Arrepende-te.

Arrepende-te.

O arrependimento n�o serve de nada, Russo.

Pelo menos tenha a dec�ncia de o admitir.

N�o me ligou porque percebeu que tinha errado.

Foi planeado, para salvar a sua pele.

Custo e benef�cio, lucro e preju�zo, como de costume.

� a sua l�gica, Russo, e � mais implac�vel do que voc�.

�a va sans dire.

Temos acordo ou n�o?

�a va sans dire.

- Pol�cia! - Fujam!

166 DETEN��ES

14 PENAS PERP�TUAS

100 CONDENA��ES ENTRE OS 20 E 30 ANOS

NENHUMA ABSOLVI��O

10 MIL MILH�ES DE LIRAS EM BENS APREENDIDOS

Deixem-me em paz, seus b�fias!

10 ACUSA��ES DE RAPTO

22 POR HOMIC�DIO

63 POR ASSOCIA��O MAFIOSA

Calma.

76 ACUSA��ES POR HOMIC�DIO

Podemos parar para comer? Estou cheio de fome.

Um momento.

Agora sou o alvo principal dos calabreses.

E s�-lo-ei para sempre.

Depois do julgamento, nunca mais vi a minha esposa nem os meus filhos.

Enfim, tinha de ser assim. Paci�ncia.

Mas essas perdas ficar�o para sempre comigo.

Vivo no meio do nada,

mas pelo menos n�o me arrisco a encontrar gente de Plat�.

Isso seria muito mau.

- Bom dia. - Bom dia.

- � c�o ou cadela? - Cadela.

- E o seu? - C�o.

N�o se percebe?

- N�o � de c�, pois n�o? - N�o, sou italiano.

- A s�rio? - Sim.

De onde, em It�lia?

- De Mil�o. - Certo.

Conheci outra pessoa. N�o sabe nada de mim.

- Sou da Cal�bria. Conhece? - N�o.

Ela conhece-me pelo nome falso.

Pode ser a companheira perfeita para a minha nova vida.

N�o acham?

Legendas: S�nia Pereira Cardoso

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