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Cólera?
E o que sugere que façamos?
Primeiramente, avisar os funcionários e os hóspedes.
Temos que tomar medidas...
Colocar o hotel em quarentena?
Se for necessário, sim.
Partiremos amanhã. É o que sempre quisemos.
Essas são as condições que alegaremos para obter a anulação.
-Leia e se concordar... -Não.
Não concordo. Não vou assinar.
Meu amor, temos que falar sobre isso, sozinhos.
O nome dele é Samuel Arriaga.
Ele era o amante de Marta Santos, a primeira esposa de Diego.
Diego sabia que ela o traía e a matou.
Faz 12 anos que ele procura por Diego para vingar essa morte.
É estranho termos um surto de cólera neste lugar.
Confio que vamos ajeitar as coisas.
Não me esperavam? Parece surpreso em me ver.
Desculpe, Dr. Arandia, é claro que o esperávamos,
mas quem o trouxe da estação?
-Um carro do hotel. -Nós não mandamos um.
Bem, isso não importa agora. Estou aqui.
Diga-me quantos pacientes temos.
Quatro, doutor: uma camareira, dois garçons e Dom Diego Murquía, o dono.
-Qual é o caso mais grave? -A camareira, doutor.
-Vejo que sabe o que está fazendo. -Sim, sou enfermeira.
Uma enfermeira muito boa.
Bem, vamos tentar salvar a vida dessa moça.
-Doutor, ela está com cólera. -Sim, e não podemos lutar contra isso.
Mas o fato de ter sido acometida, só quer dizer que sua imunidade está comprometida.
O que vai fazer, doutor?
É o senhor quem vai fazer.
Suture a incisão que fiz.
-É tão sério assim? -Ela não vai sobreviver até amanhã. Veja.
A bactéria a come viva.
Vou dar uma olhada no outro paciente grave.
O Sr. Murquía.
Sim, ele está no quarto 54.
Quando terminarmos a sutura, nos juntaremos ao senhor.
-Segure isso, por favor. -Sim.
Doutor...
Doutor, por favor...
Samuel Arriaga,
finalmente nos encontramos.
Você esteve perto esse tempo todo.
Pôde me matar muitas vezes.
Suponho que, com o tempo, isso passará.
O que passará?
Vou parar de pensar em Belén
e você vai parar de sentir o que sente...
Por Julio.
Desejo-lhes o melhor.
Não vou negar
que invejo a sorte deles.
Dois apaixonados que superaram tudo.
Quer dançar?
-O quê? -Você quer dançar?
Senhorita...
Desculpe-me.
Não sei por que fiz isso.
Andrés, Andrés...
Este é seu quarto, é melhor que eu me vá.
Sim, é claro.
Boa noite.
Bom dia... Boa noite.
O que há de errado?
Esteve distraída a noite toda. É como se não estivesse aqui.
Não há nada de errado.
Então por que me sinto como se não estivesse animada por partirmos?
Sonhei com isso por muito tempo e você sabe.
Não acredito que finalmente estamos indo.
E se eu dissesse para esperarmos alguns dias?
Não.
-Espere, deixe-me explicar. -Nossa vida aqui acabou, Alicia.
-Dessa vez, vamos pensar somente em nós. -Não seria por muito tempo, só...
Amanhã ao meio-dia, quando tocarem os sinos,
esperarei por você na colina.
Se você vier, eu serei o homem mais feliz do mundo.
Mas se decidir ficar...
Se decidir ficar, eu me vou mesmo assim.
Não faça isso.
Se sou tão importante para você como é para mim, você irá à colina.
Eu não posso simplesmente deixar tudo. Minha família, o futuro dela.
Para mim, o único futuro somos nós.
Estarei esperando por você.
Por que está fazendo isso?
Era só...
esperar a doença acabar comigo.
Você não entendeu nada.
Se estivesse em minhas mãos, faria de tudo para curá-lo,
antes de cumprir minha vingança.
Sua doença reduz o valor de sua morte.
Está claro que não vou poder fazer nada
para dissuadi-lo.
O que pode dizer que o justifique.
Matou a mulher que mais amei.
Quem é você...
para me repreender por algo?
A mulher a quem mais amou, era minha mulher.
Ela era tudo para mim.
E você a matou.
Foi culpa sua.
Você ainda não se deu conta.
Marta morreu por sua culpa!
Tudo estava perfeito...
até você aparecer.
Por que está acordado? Ainda não amanheceu.
O que aconteceu aqui, meu amor?
Por que está acordada?
Ah, é claro.
Sua jornada.
Sim, eu disse que queria partir antes do amanhecer.
Quero chegar ao meio-dia.
Quer que leve algo à minha mãe ou ao meu irmão?
Sente-se.
Adrián, vou me atrasar.
Disse para se sentar.
O que foi, Adrián?
O que vou fazer sem você?
Querido, é só uma semana. Quando se der conta,
-já estarei aqui de novo. -Há quanto tempo ama outro?
Adrián...
Não minta para mim.
Há quanto tempo pertence a outro homem?
Olhe em meus olhos quando falo com você.
Como pôde?
Você tinha tudo.
Uma vida invejável, o amor incondicional de seu marido.
Você acha que eu merecia isso?
Adrián,
o amor não é matemática.
Você mesmo disse isso.
Vou repetir.
O que vou fazer sem você?
Por que diz isso?
Sabe que estou atada a você. Você é meu marido.
Eu não poderia deixá-lo, nem se eu quisesse.
O que vou fazer sem você?
Eu a amei...
-como ninguém. -Não!
Você não a amava como amava Alicia.
Não foi capaz de matá-la.
Talvez...
me faltou coragem para cometer
um ato tão horrível...
-duas vezes. -Alicia o abandonou.
Como Marta, ela se entregou para outro
e amou outro mais do que havia amado você.
Calado.
Adrián...
Sei que seu último pensamento será em Alicia...
não em Marta.
Assim como sei que o último pensamento de Marta...
foi em mim.
Nunca me perdoarei por não ter entrado naquela casa antes.
Esperava Marta com a alegria
e a despreocupação de um adolescente.
Íamos começar uma vida juntos
e eu poderia ter evitado isso tudo.
Marta!
Marta!
Naquela noite, quando você a matou,
também matou a mim.
Eu tenho apenas uma bala
que o espera há 12 anos.
É o bastante para acabar com você.
Nós dois vamos queimar no mesmo inferno, Adrián.
Mas você chegará lá primeiro.
Imaginei que fosse encontrá-la aqui.
O doutor me pediu água para os pacientes.
Eu lhe devo desculpas, Angela.
Como diretor, devia tê-la apoiado.
Você já se desculpou. Não se atormente.
É difícil aceitar que algo assim aconteça no Gran Hotel.
Não, não somente pela cólera.
Estive pensando em sua ideia para melhorar a vida dos funcionários
e a senhora tinha toda razão.
Eu detenho o cargo de diretor há muito tempo
e até vê-la atuar, não havia me dado conta
de que nunca fui um.
O que importa é que abriu os olhos, Dom Alfredo.
Agora, eu o tenho a meu lado.
Certamente, mas temo que à distância.
Estou certo de que isso lhe será mais útil do que a mim.
Estou lhe cedendo meu cargo.
Compreenda que devo colocar minha família à frente
da honra, do dever,
à frente de tudo.
Não é hora para fugir, Dom Alfredo.
Tenho que salvar meu casamento e este não é o melhor lugar.
A senhora tem aptidão e caráter mais do que necessários para o cargo.
Está em suas mãos, mudar a vida de todos no Gran Hotel.
Tenha um bom dia.
-Onde você estava? -Venha. Não há tempo a perder.
POR FAVOR, NÃO SAIA HOTEL EM QUARENTENA
Dom Alfredo...
Sim, Mateo?
Permita-me lembrar-lhe suas próprias palavras.
Ninguém pode deixar o Gran Hotel.
Ninguém exceto o diretor.
E sua família.
E sua família.
É melhor assim.
Não podemos arriscar a vida de nosso filho.
Agora, o mais importante são vocês dois.
Assim, muito bem.
-O que está fazendo? -Não se aproxime!
Javier!
Javier, essa água está infectada pela cólera.
Eu sei, e estou disposto a bebê-la.
Prometa que vai falar comigo,
ou vou me infectar.
Pelo amor de Deus, você enlouqueceu?
Você me enlouqueceu. Não quer falar comigo e não consigo convencê-la.
Tudo bem, vamos conversar, mas deixe esse copo no chão.
E voltará para mim.
Não, eu não voltarei para você.
Você me ouviu, meu amor. Eu te amo demais,
e se não voltar para mim...
Pare!
Pare.
Sabe o que está fazendo?
Você não imagina como as pessoas sofrem. A cólera é uma doença horrível.
Vômitos, enjoos, diarreia.
-Diarreia? -Sim.
Horrível. Não dá nem tempo de chegar ao banheiro.
Até que ficam desidratados e morrem.
Quer mesmo passar por tudo isso?
Para tê-la de volta,
passo por qualquer coisa.
Isso não vai acontecer.
Não!
Não.
É cedo demais para saber se você foi infectado.
Que idiotice!
-Valeu a pena por isso. -O quê?
Valeu a pena tudo o que fiz se estamos finalmente juntos.
Laura,
eu só quero saber uma coisa.
Ainda sente algo por mim?
Então pode me perdoar.
Eu sei que sou um idiota e fiz muitas coisas estúpidas.
-A maior delas foi mandá-la embora. -Não, não.
Com esta aqui, você se superou.
Alegra-me saber que valoriza minha prova de amor.
Prova de amor?
Você se infectou com uma doença terrível que pode ser fatal.
Acha que posso ficar com alguém tão louco assim?
Não. Você e eu não podemos ficar juntos.
Não nos fazemos bem. Somos nocivos um ao outro.
Não posso ficar com alguém tão instável.
Vai me deixar aqui sozinho, doente?
E se eu morrer?
Você sobreviverá.
Pode estar sem seu cantil de álcool, dessa vez,
mas nem minha partida, nem mil cóleras
podem acabar com Javier Alarcón. Tenho certeza disso.
É claro. O que disser, inspetor.
Assim que pudermos sair desse hotel, eu lhe farei uma visita.
Obrigado, senhor.
Ainda não sabemos nada sobre Samuel Arriaga.
Pode parar de se olhar, e me escutar?
Não estou muito pálido?
O inspetor quer nos ver
e nos informar sobre o que aconteceu durante a prisão.
Talvez possamos pedir a Dona Teresa que nos acompanhe
e explique por que ele escapou.
-Acha que ela está por trás disso? -Estou convencido que sim.
Como também sei que você não tem cólera.
O quê?
Tem certeza?
-Ayala, o que eu faria sem você? -Por Deus, Hernando!
Às vezes, com sua atitude, me arrependo de meu bom juízo.
O que está fazendo aqui?
Onde está meu genro?
Dom Alfredo foi embora, com a esposa e o bebê.
Eles partiram ao amanhecer.
Sofía foi embora sem me dizer adeus?
Ela temia pela saúde do filho.
Em uma hora dessas, Alfredo abandona a direção do hotel.
-Terei que cuidar de tudo. -Dom Alfredo me ofereceu o cargo.
Veja a senhora mesmo. Ainda não assinei.
Quem aquele covarde pensa que é para lhe oferecer o cargo de diretora?
Eu vou dirigir o Gran Hotel,
pelo menos até que o atual dono se recupere de sua doença.
Não, senhora.
Eu decidi aceitar o cargo.
E a senhora tem razão, é o proprietário, Dom Diego, quem dá a última palavra.
Sugiro que lhe pergunte
quem ele prefere no cargo, a senhora ou eu.
Se acha que pode fazer o que quiser, está enganada.
Essa não é minha intenção, senhora,
mas saiba que não serei tão dócil ou complacente quanto seu genro.
Mateo...
Quando isso chegou?
Não sei, Dona Teresa. Hoje o correio nem passou.
Obrigada.
Minha querida Teresa,
esta carta devia começar com "perdoe-me",
mas agora, de frente ao papel,
a única coisa que consigo escrever
é um simples "eu te amo".
Talvez porque seja a verdade, apesar de não acreditar em mim.
Eu sei, porque há muito tempo não amava alguém.
Fazer o que fiz foi inevitável,
mas saber que a magoava, acabou comigo.
Então espero que o documento que acompanha esta carta
possa aliviar a dor que causei.
Estou indo para longe, Teresa.
Todavia,
com a certeza de que, se me perdoar,
nós nos encontraremos de novo,
neste mundo ou no próximo,
para que, enfim, eu possa amá-la,
livre,
sem o peso de meu ódio,
da forma que merece ser amada.
Para sempre seu,
Samuel.
Obrigada, meu amor.
Alicia...
Pensei que estivesse com Julio.
Ele está indo embora do hotel hoje.
Vai embora com ele, não vai?
Suponho que uma mãe deve permitir que os filhos deixem o ninho.
Já a segurei por muito tempo.
Não, não é isso.
Não sei se poderei partir
e deixar tudo...
e todos.
-Diego me pediu se... -Filha...
você ama Julio de verdade?
Então nem aquele miserável, nem nada, devem impedi-la de ir.
Este documento confirma a verdadeira identidade de Diego.
Com isto, você finalmente será livre.
Como conseguiu isso?
É por isso que tenho lutado todo esse tempo, mãe.
O que quer que aconteça, Diego pagará pelo que fez.
O hotel será dos Alarcón novamente,
e você, minha filha,
poderá finalmente ser livre.
Obrigada, mãe.
Vou avisar Ayala.
Irene, qual é o quarto do Detetive Ayala?
-Vinte e três. -Obrigada.
Senhora!
Ajudem, por favor!
Por que não fala com ela novamente?
Porque sei o que vai dizer e não quero ouvir.
Eu a conheço muito bem.
Ela se sente culpada e Diego tentará se aproveitar.
O que vai fazer?
Ela sabe onde estarei. Se me ama, virá.
Não, você tem razão.
O negócio é que as mulheres são assim, não são?
Imprevisíveis. Você pensa que as conhece
e aí, elas fazem algo e o enlouquecem.
Do que está rindo?
Vou sentir falta de sua profundidade.
Não sei se vou sentir falta de você tirando sarro de mim.
É claro que vou.
Andrés...
Alicia estará lá.
Nunca conheci um casal que se amasse como vocês dois.
ENTRADA PROIBIDA
Alicia...
Alicia, filha!
-Por que ela está inconsciente? -É uma pequena concussão pela queda.
Não precisa se alarmar.
-Será que ela está com cólera? -Não sei. É possível.
Tenho que fazer alguns exames.
Senhora, espere lá fora, por favor. Está muito nervosa.
-Que horas são? -Senhora, por favor, não se mexa.
Não se levante. Você deve poupar sua energia.
-Tenho que ir. Ele está me esperando. -Não, espere um momento, por favor.
-Você está fraca, é cedo demais... -Nada que disser importa mais do que isso.
Senhora, você poderia...
perder o bebê.
Julio!
Julio?
FIM...
OU NÃO
PREFEITO DE SANTANDER UM EXEMPLO DE CARÁTER
AGORA SIM...
FIM
Legendas: Joao Neto
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