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P�DUA, 1969.
- Tem isto? - Sim.
- � para a m�quina de lavar. - Vou precisar de 50.
- Tenho que pedir em Bolonha. - Ent�o, pe�a.
PRA�A FONTANA UMA CONSPIRA��O ITALIANA
OUTONO QUENTE
Ter casa � um direito! Ter casa � um direito!
MIL�O, TEATRO L�RICO
Agnelli, Pirelli, mentirosos, ladr�es!
Queremos casa e trabalho! Queremos casa e trabalho!
Queremos casa e trabalho! Queremos casa e trabalho!
Queremos casa e trabalho! Queremos casa e trabalho!
Queremos casa e trabalho! Queremos casa e trabalho!
Ter casa � um direito! Ter casa � um direito!
Agnelli, Pirelli, mentirosos, ladr�es!
Agnelli, Pirelli, mentirosos, ladr�es!
Um pouco mais � direita. � direita, um pouco � esquerda.
N�o, n�o, mais alto. Um pouco mais alto.
Vamos decidir logo, certo?
Sim?
- Bom dia, Dr. Allegra. - Ele n�o est�.
Estou brincando! J� o passo.
Sim, cumprimentos � sua esposa.
Sim, entendi, estou indo.
Panessa, porque n�o deram uma rota de fuga?
Comiss�rio, use isto. Eles n�o est�o brincando.
Fale com eles ent�o.
Calma, sou jornalista! O que est�o fazendo?
Parem, eu cuido disso!
- Sinto muito, Nozza. - Eu sinto muito mais.
- Magoou-se? Como est�? - Estava melhor antes, obrigado.
N�o gosto disso, est�o todos muito exaltados!
Como � que aconteceu?
Havia muita gente, fuma�a...
Arrebentaram a cabe�a dele com um cano, os filhos da m�e.
Quem s�o eles? Viram eles? Encontraram o cano?
- O que ele quer? - Eu cuido disto.
Por que ele tem a arma na m�o? V� l� e tire-a. V�!
- Qual era o nome do rapaz? - Antonio. Antonio Annarumma.
Chega de perguntas, deixe-o.
Mande cobri-lo.
ROMA, VIA TRIONFALE
- Quer que v�, ministro? - N�o, obrigado, fique aqui.
Que papel ter� me atribu�do o Senhor
no meio deste mar agitado?
N�o entendo, Padre, n�o consigo ver.
Quando olho para o homem, vejo s� vaidade e indisciplina
artimanhas e falta de esp�rito comunit�rio.
Falta de amor, a n�o ser em proveito pr�prio, covardia,
oportunismo, viol�ncia em vez de ideias.
Por vezes, acho que a �nica dignidade reside nas coisas,
�rvores, pedras, natureza.
�s vezes, acho que a It�lia precisa de uma cat�strofe
para destruir tudo o que juntamos.
Projetos de casas, carros, cimento,
e tornar tudo num deserto.
Numa terra nua, como antes,
para que a natureza se apodere
e comece de novo, com as primeiras formas de vida.
Do primeiro Homem, ao primeiro fogo.
Em rela��o a este cataclismo, Padre,
sinto que estou preparado para ser...
a primeira v�tima.
Meu filho, esse � o pecado do orgulho.
Ou desespero.
Vou ler a mensagem de Saragat.
O b�rbaro assassinato do jovem de 22 anos
o policial, Antonio Annarumma,
nascido numa fam�lia de trabalhadores bra�ais
numa das regi�es mais pobres da It�lia, Avellino,
foi morto em Mil�o cumprindo o seu
dever de defensor das leis democr�ticas,
deve alertar todos a isolar e incapacitar os delinquentes
de praticarem o mal.
Esse Nozza est� sempre a justificar os que protestam.
Annarumma n�o foi assassinado,
a culpa foi uma colis�o entre dois jipes.
Foi at� filmado pela televis�o francesa.
E tudo isso no jornal da ENI,
um jornal pago por n�s!
Compreendo, Presidente.
No entanto, falar em assassinato,
como no seu telegrama... Eu sugeriria prud�ncia.
Prud�ncia?
Com o pa�s a ferro e fogo, com as casernas em revolta!
Washington est� preocupado por subestimar o avan�o comunista.
O Presidente Nixon disse-me claramente!
N�o aprecia em nada a sua abertura � esquerda!
Os americanos simplificam.
Muitos italianos votam nos comunistas
para n�o terem problema de dialogar com eles.
Tolice! Temos de dar uma resposta, n�o di�logo!
A democracia est� em perigo, a na��o corre risco de ru�na!
Eu sempre admirei, Presidente,
o seu amor pelo grande poeta alem�o Goethe.
E ent�o?
Sabe melhor do que eu o que ele dizia:
"O inc�ndio de uma fazenda � uma trag�dia,
"a ru�na da p�tria, apenas uma frase."
MIL�O, SOCIEDADE ANARQUISTA PONTE DELLA GHISOLFA
"A classe m�dia vai come�ar a tremer, preferimos as bombas."
� idiota, os anarquistas sempre usaram bombas!
Contra reis e tiranos! N�o � toa!
Escreve isto depois das bombas nos
trens e da pris�o dos camaradas?
O que voc� �? Um provocador?
Cardeal Pino, talvez falte coragem,
mas muitos pensam como eu! Vamos l�, falem!
Fora! V�, fora daqui!
De gente como voc�, � melhor manter dist�ncia.
Nossos camaradas de Roma s�o melhores, voc�s s�o padres!
Um dia vai me explicar porque � que
eu n�o e aquele Sottosanti ali sim!
"Nino, o fascista" h� 3 meses estava na Legi�o Estrangeira!
E da�? Uma pessoa aprende, muda de ideias!
Adeus, senhores, sauda��es.
Fiquem com o Cardeal Pinelli e Nino, o Fascista.
Com licen�a, senhor. Mandaram que viesse at� aqui.
Entre.
Feche a porta, por favor. Obrigado.
Vim pedir uma licen�a para um bar e n�o sei...
Sente-se, Rovelli.
- O senhor me conhece? - � o Departamento Pol�tico.
Conhecemos todos os anarquistas.
"A Lixa"?
Por que deu esse nome ao local?
N�o � uma sociedade pol�tica, � um lugar para beber, dan�ar...
Estranho um anarquista abrir isto.
Por qu� estranho?
- Porque �. - N�o h� raz�o para recusa.
Gastei muito na reforma. Ponha-se no meu lugar.
Ent�o, ponha-se no meu. Assim podemos nos ajudar.
Outro dia explodiu outra bomba. J� s�o 15 desde o in�cio do ano.
N�o temos nada com isso.
Aqui est�o todas as a��es
cuja autoria voc�s reivindicaram.
Com diferentes assinaturas, mas todas de voc�s.
Desde Abril, prendemos v�rios companheiros.
Eu n�o sei de nada. Sou o �ltimo da hierarquia.
- E quem seria o primeiro? - Somos todos iguais.
E G�useppe Pinelli?
� apenas o mais experiente, uma esp�cie de pai para n�s.
Vamos fazer assim, eu lhe dou a licen�a,
mas se ouvir alguma coisa sobre fogos de artif�cio, assobie.
N�o sei assobiar, nem cantar.
Quando naquele terr�vel 8 de setembro,
o traidor abandonou a p�tria
ergueu-se do mar a 10� Flotilha
e empunhou as armas gritando "pela honra"!
A nossa 10� Flotilha...
Uma It�lia com os oper�rios sempre em greve,
onde nada funciona e os padres querem se casar,
as mulheres divorciar e os filhos se drogar.
Uma It�lia onde n�o h� respeito, onde a autoridade n�o conta,
onde matam pol�cias! � essa a It�lia que querem?
Quem � este belo rapaz?
MINIST�RIO DO INTERIOR SERVI�O SECRETO
� uma fonte de Calabresi, o comiss�rio de Mil�o.
Sim, conhe�o, � muito bom. E como se chama o rapaz?
A.B., An�nimo de Bollate.
Sabe como me chamava quando trabalhava para a CIA?
Delilah, com "h" no fim. N�o ria!
Um pseud�nimo deve ser sugestivo, feminino, passional.
- Gosta de �pera? - Sim.
O que me diz de "Ana Bolena"? Grande rainha, grande mulher!
O outro mudou para Roma para criar problemas.
Criou o seu pr�prio grupo.
O que ele faz? � bailarino?
- E o resto da companhia? - Deixe que cantem, por ora.
ROMA, 22 DE MAR�O, SOCIEDADE ANARQUISTA
Desculpem-me!
Ser� que nunca podemos come�ar uma reuni�o na hora?
O que se passa com os romanos?
Eu sou de G�nova. Merlino � de Roma.
Sim, foi minha culpa. Desculpe, Pietro.
Vamos l�, vamos come�ar!
Boa noite, sou o comiss�rio Calabresi.
Posso falar com o seu marido?
- Seis? - D�cimos.
- Nove? - Cent�simos.
� o comiss�rio Calabresi.
O que aconteceu?
Nada. Uns senhores para falar com o papai.
Estou aqui, comiss�rio. Aconteceu alguma coisa?
Nada, queria apenas conversar, assim... amigavelmente.
Preciso ir para a esta��o no turno da noite.
N�o se preocupe. N�s o levamos.
Na noite das bombas no trem,
em 8 de agosto, estava trabalhando?
Isso outra vez? J� me perguntaram.
Eu n�o estava l�.
Est�o obcecados!
Talvez n�o tenha nada com isso, mas na Sociedade h� rapazes,
n�o pensam nas consequ�ncias.
- N�o digo que � como eles. - Mas eu sou!
T�m pouco ju�zo, como � comum aos jovens, mas dou conta deles.
Faz isso com o Valpreda tamb�m? O bailarino?
O que o Valpreda tem a ver com isso?
- � verdade que o expulsou? - � verdade. E ent�o?
Por qu�? O que ele fez?
� um assunto nosso.
Estava dando em cima da namorada de outro.
Assuntos particulares.
Que moralismo!
- E eu devo acreditar? - Fa�a como quiser.
E sobre Feltrinelli, o que me pode dizer?
Encontrou-se com ele recentemente?
N�o sei nada do Feltrinelli,
voc� v� ele mais do que eu. Tenho que repetir em chin�s?
Pelo menos, admita que ele lhe passa algum dinheiro.
Financia grupos de esquerda,
voc�s devem ter recebido alguma coisa.
N�o se vai comprometer se me disser.
N�o se torna num espi�o.
Est� com fome? Prefere comer ou ir dormir?
O que foi?
- Nada. - Como nada? E ent�o?
O comiss�rio sabia que expulsei o Valpreda.
- Temos um espi�o. - Quem pode ser?
Se eu soubesse, ele j� estaria fora.
Acha que est�o fazendo algo estranho na Sociedade ou...
Acho que n�o, mas n�o sei se os rapazes me contam tudo.
Caro Giannettini, � jornalista,
especialista em assuntos estrat�gicos.
Muito querido pelos nossos irm�os
do Servi�o Secreto Militar.
Mas � tamb�m um homem de direita,
profundamente, eu diria, de direita.
Por que quis me ver?
Sei que est� para ir ao V�neto,
mandado pelo Servi�o Secreto
e n�o quero chatear os nossos colegas militares.
N�o quero que me passe informa��es,
s� quero saber mais coisas sobre certas pessoas.
Infiltramos a direita e a esquerda
como uma faca na manteiga,
mas os de V�neto s�o uns fascistas um pouco estranhos
e n�o consigo decifr�-los.
E ent�o, � democrata-crist�o?
A sua tese sobre Celine, o que dizem os editores?
� dif�cil, espero uma resposta, mas...
Pronto, fa�a comigo. Ser� o autor
principal da minha editora,
com nosso amigo Hitler e nosso camarada Mao.
- Bela companhia, que honra! - Bela mesmo, democrata-crist�o!
- Acabe logo. - Est� falando s�rio?
Claro, se esperar pelas grandes editoras, vai morrer antes!
- Nem sei como agradecer! - Nada h� nada para agradecer.
Lembra do nosso col�gio interno?
Que anos tristes!
Quem era o idiota que queria ferrar todo mundo?
- Manlio, "o Educador". - Educador, o caralho!
Um idiota! A sorte era que voc� me defendia.
Que horas s�o?
Preciso ir para a esta��o. Desculpe, Guido.
- Sentem-se, por favor. - E os outros?
- Est�o chegando. - Mande-os embora.
Todos l� para fora.
�s vezes, gostaria de ser cego, como eles.
� insuport�vel ver certas coisas.
Gostaria que n�o existissem.
O Cristianismo encheu nossa barriga
de detest�veis bons sentimentos.
Todas as falhas na ordem do universo devem ser eliminadas.
O que o idiota est� fazendo? Fa�a-o parar.
Guelfo!
Obrigado por terem vindo.
N�o � a primeira vez que nos encontramos,
mas hoje temos uma visita que esper�vamos.
Traz documentos importantes, garantindo que teremos apoio.
A situa��o � favor�vel.
As a��es nos trens foram um sucesso.
Sobraram para os comunistas.
O que era uma ideia pode tornar-se em a��o.
A It�lia andou na escurid�o durante anos, sem ideais.
Agora, n�s, filhos dessas
prov�ncias cinzentas e esquecidas,
fomos convocados a agir.
H� muita gente pronta para nos seguir.
S� esperam a ordem.
Os italianos seguem quem lhes inspire seguran�a.
Companheiros, por favor, sil�ncio.
Giangiacomo Feltrinelli pediu para intervir.
MIL�O, UNIVERSIDADE ESTADUAL
Todos sabem quem �: o editor, n�o � preciso apresent�-lo.
N�o h� d�vidas: o golpe de Estado que est� sendo preparado,
tem como modelo o grego de h� dois anos.
Ocupa��o dos centros nevr�lgicos.
Controle das f�bricas e dos meios de comunica��o,
suspens�o das garantias constitucionais,
pris�o e deporta��o de todos os opositores pol�ticos.
Para isso, o primeiro passo � alimentar a tens�o no pa�s,
radicalizar o confronto,
nas f�bricas, nas escolas, nas universidades.
Por isso, convido a pensarem em formas concretas de resist�ncia,
at� mesmo a armada.
A Gr�cia n�o acabaria assim, se a esquerda se organizasse
em vez de confiar no rei e nas rel�quias da democracia.
Deveria armar as massas. Lembrar as palavras de Lenine:
"A democracia � o fuzil no ombro do trabalhador."
Voc�s, jovens do movimento estudantil,
ser�o decisivos no confronto de classes.
Pinelli.
Somos namorados? Est� sempre a me seguir...
Tenho uma curiosidade.
O que t�m em comum um ferrovi�rio
que ganha poucas liras por m�s
e um bilion�rio que brinca com os revolucion�rios?
Uma certa simpatia pelos �ltimos.
Pelos que est�o no fundo, pelos que foram exclu�dos.
Por que disse que n�o o conhecia?
N�o conhe�o, vim apenas ouvi-lo.
Nem concordo muito com o que ele diz.
N�o concorda?
Nem quando ele diz: "procurem formas
de resist�ncia, at� mesmo a armada"?
� assim que sabem tudo! T�m espi�es
em todo o lado! Muito bem!
N�o gosto do seu tom.
N�o gosta do meu tom...
Ou�a, tem um minuto?
Como v�, nada de pistolas, metralhadoras ou bombas.
Claro que alguns pensam que at� os livros podem ser armas.
Felizmente, por enquanto, public�-los n�o � crime.
Nem mesmo publicar estes?
N�o � obrigado a comprar. Voc� escolhe, ningu�m obriga.
Gosta de livros, comiss�rio? L�?
Sim, Pinelli, claro.
Acha que policiais s�o necessariamente ignorantes?
Ent�o tome, este � o meu preferido.
Feliz Natal.
Fala de quando a festa acaba, de quando partimos
e podemos finalmente falar do que n�o conseguimos em vida.
Tamb�m gostaria de dizer muita coisa.
Ent�o venha conosco, as portas
est�o abertas para o companheiro Calabresi!
Vou pensar.
Mas antes liberte os anarquistas presos sem provas.
Se est�o presos, algo fizeram. Onde h� fuma�a h� fogo.
Depende de quem o acende.
Deixe-me retribuir. Tome.
Fala da China e da R�ssia.
Pa�ses que fizeram a revolu��o.
N�o sei se gostaria de viver l�.
Ditaduras onde contam at� as vezes que vai ao banheiro,
eu as odeio tanto quanto aos fascistas.
� verdade, s�o anarquistas. N�o querem o Estado.
Os ingleses escreveram que na It�lia haver� um golpe de Estado
semelhante ao grego.
O que pode me dizer sobre esse artigo?
Acho que o pa�s corre algum risco.
"Ao contr�rio da vingan�a, um prato que se come frio,
os golpes de Estado, em pa�ses como o
nosso, s�o pratos servidos quentes."
Foi escrito por um jornalista pago pelo Servi�o de Defesa.
Quem est� no topo desses planos subversivos?
S�o realidades aut�nomas com
estrat�gias e objetivos diferentes,
como quando se atira uma pedra na �gua
e se formam c�rculos conc�ntricos.
Acha que os policiais est�o envolvidos?
A base, o quadro intermedi�rio e os altos postos s�o leais.
Mas alguns oficiais frequentam reuni�es da Nova Ordem
ou da Frente Nacional do Pr�ncipe Borghese.
- At� mais, Pietro. - At� mais.
Vai at� Mil�o nessa carro�a? Tem certeza que vai chegar?
Eu chego, eu chego... Pietro sempre chega!
Preciso ir ao juiz devido a um
panfleto que escrevi sobre o Papa!
- Que loucura. - Incr�vel!
- Boa viagem. - Tchau.
Sou o agente Ippolito, passe-me o chefe.
Senhor, gostaria de informar que Valpreda saiu agora para Mil�o.
Levou uma mala. N�o sei o que tem l� dentro.
Deve chegar l� amanh� cedo.
�s suas ordens.
OS INOCENTES
PARIS, 12 DE DEZEMBRO DE 1969
At� agora, o voto � incerto.
O discurso que Aldo Moro,
ministro dos Neg�cios Estrangeiros
e presidente da Comiss�o, vai pronunciar
deve ser decisivo.
A Junta Militar grega
n�o s� pretende garantir
a restaura��o da liberdade democr�tica no seu pr�prio pa�s,
como age para que ditaduras similares
se estabele�am em outros pa�ses da Europa.
Ent�o, confirmando a recusa
a qualquer atentado � democracia,
e o "n�o" para a repeti��o de
experi�ncias fracassadas e devastadoras,
a It�lia vota contra e pede
a expuls�o da Gr�cia desta comiss�o.
Com licen�a. As chaves.
Eu nunca gostei de Sottosanti.
Sottosanti pode tirar Tito e os outros
da pris�o de San Vittore.
Ele veio da Sic�lia por isso!
Por isso est� indo ao banco?
Ele quer dinheiro para testemunhar?
N�o, � o reembolso de despesas!
Vou ao banco levantar o meu 13� sal�rio!
- N�o gosto, est� errado. - Chega!
Eu � que sei se estou fazendo bem ou mal.
Pino!
Toma, est� frio.
SEXTA-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO
Venha comigo, r�pido, para a Pra�a Fontana!
Explodiu uma caldeira! Muitos mortos e feridos!
Nozza, o que est� fazendo aqui?
Estava pr�ximo, no bonde.
Dizem que foi uma caldeira.
Uma caldeira n�o faz uma coisa destas. Uma guerra, sim!
Cerri! E ent�o?
� uma bomba muito poderosa.
Achei um pouco do detonador. Nunca tinha visto algo assim.
Havia outra bomba no Banco Comercial, mas n�o explodiu.
Tr�s pequenas explodiram em Roma, sem v�timas.
Uma bomba no Banco Nacional dos Trabalhadores.
Duas no Altar da Na��o.
Mas na Pra�a Fontana h� quantos mortos?
14, por enquanto. Mas h� outros em estado cr�tico.
Ministro, por favor, n�o apanhe o seu voo,
siga o protocolo de emerg�ncia.
Souberam da bomba perto da Pra�a La Scala?
Vou ver agora do que se trata. Eng. Cerri, d� a sua opini�o.
Estamos recolhendo provas.
Al�m do detonador, h� partes de um mecanismo de um rel�gio.
E este cheiro de desinfetante?
� t�pico do glicol. Chama-se gelatina explosiva.
- Doutor, est� ferido? - Por qu�?
Estava aqui pendurada na parede, na Pra�a Cordusio.
OUTONO POR UMA LONGA LUTA
Havia uma caixa perto, com fios, talvez um rel�gio.
Um manifesto anarquista e fios. Proposital para deixar assinado.
N�o � a primeira vez que deixam.
- Desta vez foi bem grande. - Quer que fa�a uma lista?
O Pal�cio de Justi�a, o supermercado, Senado...
Aquilo eram foguetes. Isto � uma bomba, h� mortos!
Tem alguma l�gica assinar algo horr�vel como um massacre?
Concordo com o presidente, vamos adotar medidas de exce��o.
O que entende por medidas de exce��o?
Suspens�o tempor�ria dos direitos constitucionais,
prorroga��o da cust�dia judicial
e simplifica��o dos procedimentos
de investiga��o.
Tudo previsto no texto �nico de seguran�a p�blica.
Nunca utilizado ap�s a II Guerra Mundial.
E voc� � o ministro da Defesa? Bela defesa!
E voc� o ministro do Interior? Belo controle da situa��o!
O ministro Restivo colocou o dedo na ferida.
� evidente que, diante destes fatos,
n�o h� outra solu��o.
As decis�es devem ser divididas
com todo o governo.
N�o podemos assinar um ato t�o grave, sem antes ouvir Moro.
Moro, Moro, sempre o Moro.
- N�o podem decidir sem ele? - Ele est� em Paris.
Desculpe, Presidente. Desculpem-me, todos,
mas preciso ir � televis�o ler um comunicado
e ainda estou com febre...
Mas antes quero dizer que estou muito preocupado.
Daqui a dois dias, a direita far� uma grande manifesta��o.
N�o seria oportuno proibi-la?
N�o, meu caro.
Se n�o quer declarar o estado de emerg�ncia,
como disse o presidente,
ent�o, lembre-se, todos t�m o direito de manifestar.
Mexam-se, vamos!
Acho que n�o cabe todo mundo, Pinelli. N�o h� lugar.
- Quantos mortos? - 14, por enquanto.
N�o estamos envolvidos. Por que nos prender?
Agora � voc� quem nos diz o que devemos fazer?
Segue-nos com a sua mota?
- Aonde vai? - Vou ficar com os outros.
A a��o firme imediatamente realizada
e a certeza de que eu, em nome do governo,
garanto ao pa�s neste momento,
que nada nem ningu�m ser� deixado por descobrir e punir
por ter destru�do vidas humanas
e ferido a alma de todos n�s.
- N�o entendi o nome? - Delle Chiaie Stefano.
Sr. Pr�ncipe, o Sr. Delle Chiaie est� aqui.
...momentos de tens�o e conflito social.
Mas aqui estamos diante de crimes organizados
com fria determina��o.
� importante, cidad�os, que nos reconhe�amos nas leis,
que sejamos parte de uma comunidade
que pode se perder, se n�o nos unirmos na lei.
N�o disseram que Rumor
ia declarar o estado de emerg�ncia?
O que est�o fazendo? Dando para tr�s?
O que esses idiotas de Mil�o fizeram?
Falaram num grande acontecimento.
Um massacre de civis?
- � a guerra, Pr�ncipe. - Cale-se, n�o use essa palavra!
Os soldados podem diz�-la, os a�ougueiros n�o.
- Licia, sou eu, ouviu o r�dio? - N�o, por qu�?
Houve uma bomba num banco. Dizem que morreu muita gente.
Meu Deus, Pino!
Fomos trazidos para o quartel. Mas n�o se preocupe,
� para as perguntas de sempre,
s� que vamos ficar aqui a noite toda.
Mande aqui a minha m�e para vir buscar o dinheiro.
- Traz voc� quando voltar! - Est� bem.
- Est� vendo? - Vamos, r�pido!
A bomba foi colocada de modo
a atingir o maior n�mero de v�timas.
Debaixo da mesa, no meio do sal�o.
Encontrei fragmentos de metal, de uma caixa, entre os detritos,
igual ao que encontramos na bolsa no Banco Comercial.
� de uma marca alem�, Juwel.
Aqui h� um detonador e um rel�gio.
Parece uma liga��o dupla, � uma coisa um pouco estranha...
Muito bem, �timo trabalho.
Mas � melhor mandar tudo para Roma
para ser analisado pela Central. Eu cuido disso.
Somos perfeitamente capazes de...
N�o, � melhor em Roma.
Damos tudo ao professor e o Minist�rio cuida de tudo.
Voc�s, do Departamento Pol�tico. O senhor, Calabresi,
ponha press�o nesses Bakunins,
fa�a-os cantar. Quero v�-los chilrear,
como os tentilh�es da bela Ilha de Ventotene.
Est�o convencidos que Pietro est� envolvido nisso.
Valpreda � maluco, mas n�o creio que tenha planeado um massacre.
Mas quando o expulsou disse...
Eu disse que est�vamos melhor sem ele!
Foi uma avalia��o pol�tica.
Ent�o, qual � a situa��o l� fora?
O que est�o dizendo?
Algu�m pensa que pode ter sido um de voc�s?
H� muitos anarquistas, alguns mais duros...
- Vamos aos nomes. - Continua.
Est�o dizendo que procuram Valpreda.
E ent�o?
Eu vi que Pinelli ficou preocupado.
Por que? Pinelli sabe de alguma coisa?
Eu n�o disse isso.
Disse que ele sabe mais do que diz.
Eu n�o disse isso, disse que acho...
- Eu suponho que Pinelli... - "Eu penso, suponho..."
N�o est� me dizendo nada.
O que sabe o Pinelli?
O que sabe ele sobre Valpreda?
H� alguns dias, vi que escrevia � m�quina
uma carta para um companheiro de Roma.
Ele advertia sobre Valpreda.
Estamos come�ando a raciocinar.
Sim, mas n�o sei de mais nada!
E Pino n�o tem nada com isso!
Sabia que o esquadr�o antibomba desmontou a outra bomba?
Podia explodir perto do Scala. Queria arriscar outro massacre?
Podia ser uma prova decisiva da liga��o
entre a bomba da Pra�a Fontana ou de Roma!
Temos a bolsa onde estava. Quer Ver?
Quero ver, sim!
Comiss�rio, andava a sua procura.
Por que o pedido para revistar a casa de Feltrinelli?
Preciso de explicar quem � Feltrinelli, juiz?
Sei muito bem quem � Feltrinelli.
Mas d� um motivo.
Qual a acusa��o contra Feltrinelli?
Nada, hip�teses, intui��o!
Intui��o?
Temos um bando de anarquistas presos, ningu�m me disse nada.
Soube pelos advogados que vieram reclamar.
Quais as bases para estarem aqui?
Colocaram bombas o ano inteiro, muitos j� est�o presos.
Mas estamos investigando esta bomba!
Algum daqueles anarquistas tem responsabilidade objetiva?
Houve uma esp�cie de reivindica��o.
Encontramos isto a alguns quarteir�es do banco.
N�o estou convencido.
Vamos mandar examinar em Paris.
- Certo, mandamos. - N�o, a Procuradoria enviar�.
Mandem para o meu escrit�rio.
Por que essa desconfian�a, doutor?
Est� falando com oficiais do Estado.
Tamb�m est� falando com um oficial do Estado,
n�o fique ofendido.
Mandem-me tudo. Cada um faz o seu trabalho.
At� logo.
N�o leve a mal. � jovem, ainda pensa
que pode tudo. Vai parar com isso,
como todos. Estes s�o os documentos para Basileia.
Um emigrante italiano disse a um jornal su��o
que teria havido um atentado em Mil�o.
V� at� l� e volte.
Eu? Vou a Basileia agora?
Parece que � um dos homens da Sociedade de Feltrinelli.
Esse � um assunto delicado e s� confio em voc�.
Eram cerca das 16h30, o banco estava cheio,
porque era dia de mercado em Mil�o,
e �s sextas-feiras as negocia��es
da semana s�o conclu�das.
Um estrondo e um clar�o devastaram o edif�cio.
Um buraco de 1 metro de di�metro abriu-se no ch�o,
no local onde os clientes faziam as suas transa��es banc�rias.
As primeiras v�timas foram levadas
pelos cidad�os pr�ximos do local...
INVESTIGA��O PARALELA
Ou�a, Merlino, tenho uma c�pia das suas declara��es.
Gostaria de esclarecer algumas coisas.
Confirma que faz parte do grupo anarquista 22 de Mar�o?
Sim, confirmo.
Quantas pessoas fazem parte?
Fixos, seis ou sete.
Disse sete?
Sim, como os sete reis de Roma, os sete pecados capitais,
as sete maravilhas do mundo, os sete samurais...
Sete queriam fazer a revolu��o?
Os ap�stolos n�o eram muitos mais.
Sabemos que um de voc�s gostava
de brincar com explosivos. Quem era?
- Se j� sabe, por que pergunta? - Responda. Depois eu explico.
O milan�s, o bailarino, Pietro Valpreda.
Continue, fale-me sobre ele.
Sim. Posso tomar um caf�?
Pietro guardava os explosivos num buraco na Rua Tiburtina.
Mas agora n�o encontrar�o nada. Ele levou tudo h� uma semana.
Quem garante que n�o est� mentindo?
Bem, o senhor decide.
Confirma que � o agente da pol�cia Salvatore Ippolito,
infiltrado na Sociedade 22 de Mar�o,
conhecido como Andrea, o Genov�s?
- Confirmo. - Por favor, sente-se.
Onde est� Valpreda agora?
Em Mil�o. Partiu de Roma na noite passada.
Queria estar em Mil�o na manh� do dia 12.
- Para fazer o qu�? - Talvez... aquilo que fez!
Entende o que est� fazendo?
Testemunha como funcion�rio p�blico. Tem certeza?
N�o! Desculpe.
Era uma suposi��o.
Ou�a bem, Merlino. Sabemos que esteve na Gr�cia em 1968,
com l�deres extremistas de direita,
convidados pelo governo dos coron�is.
N�o � uma companhia curiosa para um anarquista?
Sim, naquela �poca eu era de direita.
Mas o movimento estudantil me fez mudar de ideia.
Mudei de vida e nunca mais os vi.
Nem mesmo este, Stefano Delle Chiaie,
l�der da Vanguarda Nacional?
N�o eram muito amigos?
Sim, �ramos, mas cortei rela��es.
Agente Ippolito, na sua opini�o,
Merlino � de direita ou esquerda?
Nas reuni�es coloca-se como extrema-esquerda,
mas continua a frequentar gente de direita.
Tipo quem?
Tipo Stefano Delle Chiaie, chefe da Vanguarda Nacional.
Fiz um relat�rio sobre um encontro que tiveram no dia 11.
Dia 11? Um dia antes do massacre?
Tem certeza?
11 de dezembro, coronel. Tenho certeza.
Encontrei Mario Merlino na rua no dia 11.
Foi um acaso. N�o o via h� anos.
Desde quando estiveram juntos na Gr�cia recebendo instru��es?
- N�o sei do que est� falando. - Claro que sabe.
Os seus documentos s�o claros.
Devem infiltrar-se em grupos esquerdistas
para estimular rea��es violentas
e justificar o papel das For�as Armadas. Por isso, Merlino
finge-se anarquista e por isso se
encontraram, para os �ltimos detalhes.
Suposi��es, n�o h� provas.
O que diz de Junio Valerio Borghese?
Pr�ncipe Junio Valerio Borghese.
Um her�i, um soldado.
Qual a rela��o da Vanguarda Nacional
com a Frente Nacional de Borghese e a Nova Ordem?
Fraternidade e diverg�ncia.
Se � que consegue entender isso.
H� v�rios amigos aqui. Bons companheiros.
Mas foram colocados com uns bandidos...
A pol�cia coloca todos juntos, de esquerda e de direita.
Estes aqui, por exemplo, s�o da Nova Ordem.
- Aquele � um fascista de Roma. - N�o, ele n�o � fascista.
Eu vi ele na esta��o com Sottosanti!
O que est� dizendo? Quando?
H� poucas semanas.
- O que estavam fazendo? - Nada...
Cumprimentaram-se, depois ele deu um pacote a Sottosanti.
Tem certeza? Olha bem, este � Di Luia.
Um fascista amigo de Delle Chiaie...
Vem para mais uma rodada.
- Mexa-se. - Fica de olho nisso.
Eu j� disse! Quantas vezes vou repetir?
No dia 12, sa� de casa �s 14h, fui ao bar,
fiquei at� �s 17h ou 17h30, jogando cartas com dois amigos,
Magni e Pozzi.
Sim, eles confirmam, mas s�o seus amigos.
O barman disse que voc� tomou um caf�
com um homem que ele n�o conhece
- e depois foi embora. - Ele n�o me viu do balc�o.
Mas o Pozzi n�o confirmou?
Digamos que est� dizendo a verdade. Depois o que fez?
Fui ao Ghisolfa.
�s 18h, sa� de l� com a minha moto
e fui ao Clube Scaldasole, onde voc�s me esperavam.
� poss�vel crer que enquanto os anarquistas armavam tudo,
voc�, que sabe tudo de todos, estava jogando cartas?
Eles n�o estavam preparando nada.
INTENSIFICADA A CA�A AOS CRIMINOSOS
� s� fuma�a!
Prendem um bando de anarquistas,
ficam um pouco e depois os soltam!
Esperar que algu�m como Rumor
declare o estado de emerg�ncia...
Todos � espera sei l� do qu�!
"Todos" quem?
Os camaradas, do primeiro ao �ltimo!
Cancelaram o protesto em Roma
por medo de incidentes. Que g�nios!
As pessoas est�o mortas e eles com medo de incidentes!
Nem pensam nos funerais dos coitados!
E se os camaradas fossem para Mil�o em vez de Roma?
E se empalassem os comunistas, um por um?
A PISTA VERMELHA
- Como foi na Su��a? - Uma pista falsa.
Aqui, como estamos?
Soltamos grande parte dos anarquistas,
mas surgiu um taxista.
Acha que transportou o terrorista.
- Adivinhe com quem se parece? -Algu�m que conhecemos?
Valpreda. J� o pegamos.
Mal posso esperar para ver o idiota que me trouxe aqui.
- Doutor, bem-vindo. - Aonde o levam?
- Para Roma, os ju�zes pediram. - Por qu�?
Porque a �ltima bomba explodiu no Altar da Na��o.
Todas as investiga��es est�o sendo transferidas.
Sexta-feira � tarde, as 16h15, estava na Pra�a Beccaria
quando chega este indiv�duo com uma bolsa que parecia pesada.
Ele entrou e me pediu que o levasse
ao Banco da Pra�a Fontana.
Ele disse: "vou num instante ao Banco,"
"encontro com uma pessoa e depois me leve � Rua Albricci."
Sente-se, acomode-se.
- Posso? - Por favor.
A Rua Albricci fica a quatro ou cinco
quarteir�es da Pra�a Fontana.
N�o � estranho apanhar um t�xi para andar 800 metros?
Sim, eu tamb�m achei.
Valpreda tem a doen�a de Buerger,
caminha com dificuldade.
Quem p�e uma bomba tenta passar despercebido.
Mas este homem n�o parece inventar hist�rias.
Ele pegou o meu t�xi!
Se tivesse ido em outro, seria melhor.
N�o, foi melhor pegar o seu. Assim recebe a recompensa.
Se o senhor diz isso...
- Tem alguma coisa para beber? - Depois. Vamos continuar.
Ele entrou no t�xi...
Fomos at� ao Banco e ele entrou.
Ao voltar, n�o havia mais bolsa.
- E a pessoa... era esta? - Eu j� disse aos policiais.
Mas quero que fale para mim tamb�m.
Era esta, sim ou n�o?
Se n�o for, � algu�m muito parecido.
"Parecido" n�o! � ou n�o �?
Ent�o... �.
Em respeitoso e digno sofrimento,
Mil�o despede-se das v�timas
do atentado da �ltima sexta-feira,
no Banco Nacional de Agricultura.
Essa imensa multid�o que se reuniu
aqui expressa a perplexidade,
a repulsa e a dor dos italianos.
Diante do Duomo, uma frase simples:
"Mil�o une-se pelas v�timas inocentes e reza pela paz."
MIL�O UNE-SE PELAS V�TIMAS INOCENTES E REZA PELA PAZ
O INTERROGAT�RIO
Passou este cheque de 15 mil liras?
Sottosanti descontou o cheque imediatamente.
Por que n�o me contou que se encontraram no dia 12?
N�o achei que fosse importante.
Eu decido o que � importante.
Era um reembolso, porque ele veio da Sic�lia
testemunhar a favor de companheiros presos.
Um reembolso? Ou o pre�o de um falso testemunho?
- Ou pior? - Pior o qu�?
Do que est�o me acusando? Est�o loucos?
Todos sabem o que penso sobre a viol�ncia.
Vamos admitir que sim. Por que n�o me contou sobre o encontro?
Para n�o criarem uma hist�ria em cima
dos fatos, como est�o fazendo.
Alguma coisa n�o me convence.
N�o est� contando tudo.
E n�o seria a primeira vez.
N�o sei do que est� falando.
Do seu bilhete de trem.
Diz que em 8 de agosto, dia das bombas nos trens,
estava na esta��o. Foi para Roma e sabemos porqu�.
- Por qu�? - Foi se encontrar com Valpreda.
Eu lhe fiz um favor: levei material para
a produ��o de candelabros Art Nouveau.
Candelabros Art Nouveau?
Levei contas e vidros coloridos.
O que acha que somos? Contas e vidros coloridos?
Qual a import�ncia da noite de h� quatro meses?
Est�o me acusando das bombas nos trens ou na Pra�a Fontana?
Posso saber o que querem de mim? Estou preso h� tr�s dias!
N�o me toque!
Vamos fazer assim: assina um documento em que declara
que Valpreda manifestou a necessidade de a��es violentas.
N�o vou assinar nada.
N�o t�m nada contra ele e querem que eu lhes d� algo.
Est�o loucos?
Agora chega, n�o falo mais.
Valpreda e o taxista est�o indo para Roma para o confronto.
S� falta o testemunho de Pinelli.
Pinelli sabe muito. Ele vai ceder.
N�o, n�o cedeu. Ele se fechou, est� mudo.
Ent�o temos que "lan�ar a isca"!
Diga que Valpreda confessou e observe a rea��o.
N�o � desprevenido, n�o vai cair.
Precisamos de algo mais concreto.
Fabriquem. Quem quer, acredita.
Isso dito por algu�m que j� viu muitos milagres de San Gennaro.
Acredite, Pinelli n�o � mais esperto que os napolitanos.
Estou aqui h� 72 horas e dormi apenas quatro!
N�o comi nada, sou interrogado
de dia e de noite. Com que direito?
O seu direito de me manter aqui j� expirou!
O seu �libi expirou. S�o muitas contradi��es.
Digam l�, n�o querem pegar a mim ou Valpreda,
querem o Feltrinelli!
Quem acreditaria que um grupinho de
anarquistas pensaria num plano t�o louco?
Mas se s�o marionetes de Feltrinelli,
tudo muda!
Comiss�rio, suspenda tudo. Valpreda confessou.
Ele p�s a bomba. Era ele quem estava no t�xi.
N�o acredito.
Ele assinou a confiss�o. Acabaram de mand�-la de Roma.
- Vou buscar. - Comiss�rio.
J� sabe.
Os anarquistas n�o t�m nada a ver com a bomba e os mortos.
Se fosse assim, seria o fim da anarquia.
Eu n�o acredito. N�o acredito, � falso!
� mentira!
Querem me envolver nisto! Fascistas!
Chega, chega, chega!
- Querem me ferrar! - Seja bonzinho.
Sim, vai se ferrar! Tenho de traduzir?
- O que foi? - Pinelli, cala-se!
DEPARTAMENTO DE POL�CIA:
VALPREDA CONFESSOU TER POSTO A BOMBA
O que aconteceu?
Meu Deus!
- Ele se jogou. - Como,"se jogou"?
Ele caiu, comiss�rio. Tentamos segur�-lo.
Ele se jogou.
Vamos, r�pido!
O que est�o dizendo?
Para tr�s! N�o toquem nele!
Ainda est� respirando. Chamaram a ambul�ncia?
- Ele estava gritando. - E ent�o?
Tentamos impedi-lo.
Tinha muita fuma�a, abrimos a janela.
Ele queria fumar, caiu, n�o conseguimos impedir.
Quietos! Quietos!
Isso n�o pode acontecer.
Ele n�o se mexe.
Comiss�rio, ele pediu um cigarro.
Levantou, foi at� � janela e se jogou.
Tentei impedi-lo.
Ele se jogou.
Deixem ele em paz. Todos l� para fora, eu cuido disto.
Fora, saiam. Fora, fora.
- O que ouviste? - O que ouviste?
Fora, saiam todos daqui! Fora, vamos!
Diga-me o que ouviu.
Diga-me o que ouviu.
Pode me contar. Deve me contar!
Sra. Pinelli? Somos jornalistas.
Algo aconteceu na Delegacia.
- Na Delegacia? - Ningu�m a avisou?
- N�o, por qu�? - Aconteceu uma trag�dia.
O seu marido est� no hospital.
Desculpe, senhor, tenho de voltar ao comando.
- V�, tenente. - Com licen�a.
Temos de estar atentos. H� jornalistas l� em baixo.
Precisamos ter a mesma vers�o.
Como? Antes de entender o que aconteceu?
Ele se jogou, comiss�rio, foi isso
que aconteceu. N�o �, Panessa?
N�o fizemos nada, havia fuma�a, a janela aberta...
Ningu�m tocou nele.
Vamos dizer que foi uma trag�dia.
A tens�o, o cansa�o,
a fuma�a, n�o tinha comido, sentiu-se mal,
apoiou-se, a janela estava aberta,
ele desmaiou.
- Desculpe, n�o vai funcionar. - Por qu�?
Um homem sendo interrogado cai da janela.
- Ningu�m vai acreditar. - Quem � o juiz respons�vel?
N�o, Paolillo!
N�o podemos contar com um juiz objetivo.
N�o foi acidente.
Ele se jogou porque foi descoberto, ficou perdido.
Suic�dio como admiss�o de culpa.
Culpa de qu�?
Ele n�o admitiu nada. N�o h� nada contra ele.
Ele sabia, estava encobrindo!
Quando viu que foi descoberto, se jogou.
Foi assim, n�o � verdade?
Porque se n�o foi assim, n�o sei e n�o quero saber,
mas se n�o foi assim,
nunca mais ningu�m confiar� na pol�cia, entendem?
Entenderam bem?
Algu�m poderia, por favor, atender o telefone?
Sou Licia Pinelli. Por que n�o me avisaram?
Senhora, estamos muito ocupados, desculpe-me.
Vou ligar assim que puder. Desculpe-me.
Doutor, com licen�a, sou a m�e de Pinelli. Sou a Sra. Pinelli.
Doutor, por favor...
"� o fim da anarquia", gritou.
Correu em dire��o � janela
e como um felino se jogou no vazio.
Um dos nossos tentou cont�-lo, mas ficou com o sapato na m�o.
E no voo ele cal�ou novamente?
N�o entendi.
O colega est� dizendo
que ele estava com os dois sapatos.
O que o Sr. Palumbo sabe? Quando chegou?
N�o cheguei, j� estava l�. Estava com os dois sapatos.
Esta morte aqui dentro n�o nos agrada em nada.
Pinelli come�ava a falar, a admitir as coisas.
O interrogat�rio girava em torno de amigos seus,
nomes que n�o posso dizer.
Quem conduziu o interrogat�rio?
O Dr. Calabresi.
Comiss�rio, como foi?
Eu n�o estava na sala.
Os meus colegas estavam esclarecendo as contradi��es.
Quais contradi��es?
Algumas coisas n�o batiam certo.
Sentiu-se perdido e se jogou.
O que havia contra ele?
Ou�a, Sra. Cederna, antes gostaria de lhe dar os parab�ns,
sou seu admirador. Tem um texto impec�vel!
O senhor � muito gentil.
Responda-me: o que havia contra ele?
Havia motivos "reais", acredite!
- Quer dizer, fundamentados? - Fundamentados.
Exatamente, motivos muito bem fundamentados.
Pinelli era um grande suspeito e n�o suportou.
O comiss�rio Calabresi vai explicar melhor.
Com licen�a, s�o 3h da manh�,
e o Dr. Allegra e eu temos que falar com o ministro.
Desculpem-me, boa noite a todos.
Com licen�a, bom trabalho.
Venha, tenente.
Comiss�rio, por que a esposa n�o foi avisada?
Foi avisada por n�s, jornalistas.
N�o era a sua fun��o?
Primeiro preocupamos. em lev�-lo ao hospital
Depois, �amos procur�-la.
- Depois de morto? - O que est� dizendo?
Quando j� n�o pudesse dizer mais nada?
Eu estimava Pinelli. Era uma pessoa decente.
O senhor o estimava, era um homem decente,
mas o Sr. Guida disse que era um grande suspeito.
Qual dos dois Pinelli � o verdadeiro?
Por que o cobriram assim?
Pe�a que tirem o len�ol. Eu quero v�-lo!
Quero v�-lo! Quero ver tudo o que fizeram com ele.
N�o est� dormindo?
Fiquei acordada a noite toda. N�o consegui dormir.
O beb� est� agitado, n�o sei porqu�.
Ouvi o r�dio. O que aconteceu?
O r�dio n�o disse?
Eles sabem? N�o sei o que aconteceu.
Eu n�o estava l�! Eu n�o estava l�!
Desculpe.
Adeus, bela Lugano.
Minha doce terra hoje
expulsos sem motivo,
os anarquistas v�o embora.
M�e, n�o chore, � o que eles est�o esperando.
- Quem? - Eles.
N�o vamos dar para eles essa satisfa��o.
O Servi�o de Informa��o emitiu um documento falso.
As autoridades n�o ter�o uma vis�o verdadeira da situa��o,
algo que encontrar� no meu relat�rio.
Tem certeza que esse Merlino, no dia anterior ao massacre,
encontrou o l�der da Vanguarda Nacional, Stefano Delle Chiaie?
Foi muito bem confirmado.
Ent�o, infiltrados entre os anarquistas
havia tanto elementos neofascistas
quanto do Servi�o Secreto.
Movimentos subversivos, de direita ou esquerda,
sempre foram monitorizados.
Eles n�o podiam ter evitado as bombas,
impedindo que explodissem?
Algu�m achou que as bombas poderiam ser exploradas.
H� cinco anos, a It�lia esteve perto de um golpe de Estado.
O Presidente Segni, talvez mais do que pretendesse,
deixou-se comprometer.
Eu era o presidente do Conselho e Saragat o ministro da Defesa,
n�s enfrentamos Segni.
Saragat acusou Segni de alta trai��o,
o �nico crime pelo qual um
chefe de Estado pode ser julgado.
Segni ficou doente,
teve um colapso.
� triste ver uma pessoa idosa sofrer.
Confio em voc�. Quero confiar em voc�.
Dizem que voc� n�o investigar� a morte do meu marido, n�o �?
Sim, ficou decidido que
aconteceu alguns minutos ap�s a meia-noite.
O meu turno acabava a meia-noite
e portanto a investiga��o ficou com outros.
Acha que a Justi�a � justa?
Sim senhora, a Justi�a � justa.
Ent�o, se algu�m mentiu, v�o descobrir, n�o �?
Quero acusar o chefe da pol�cia.
N�o aceito o que disseram sobre o meu marido.
N�o estava envolvido. N�o era um fan�tico.
Detestava viol�ncia! E n�o era um suicida, eu sei disso.
O INTERESSE DE ESTADO
Depois do triste caso de Pinelli,
a opini�o p�blica desconfia de uma horr�vel conspira��o.
Est� desconcertada e quer saber a verdade.
N�o s� os socialistas e comunistas perguntam,
mas tamb�m os liberais, os republicanos,
muitos democratas-crist�os e at� Sua Santidade.
Est� come�ando a circular uma express�o sugestiva e terr�vel:
"Massacre de Estado".
Seria um desastre se essa express�o ganhasse for�a,
mas institui��es de seguran�a, Servi�o Secreto...
N�o sabemos bem a quem perguntar,
aos ministros competentes, ou ao senhor, Presidente.
A sua contra investiga��o n�o me convence.
A pista aponta para a direita?
Os ju�zes de Mil�o e Roma pensam o contr�rio.
Se o senhor pensa assim, Presidente,
n�o quero importun�-lo mais.
Espere! Espere.
Essa contra investiga��o ser� encerrada.
N�o pode tornar-se p�blica, � desestabilizadora.
Ent�o, outros tamb�m devem evitar
o abismo para o qual est�o precipitando o pa�s.
H� meses que ocorrem atentados, semeando o p�nico,
feridos e at� a morte.
Isso porque jovens extremistas de direita
t�m cobertura e a coniv�ncia do Servi�o Secreto.
Esses jovens s�o apenas bonecos,
mas quem os infiltrou,
quem os levou � beira do abismo, quem conspirou,
n�o tem justifica��o.
Ningu�m... Ningu�m conspirou.
Eu... sempre defendi a democracia, a Rep�blica.
Sim, sim, sim...
A nossa democracia � jovem, ainda � fr�gil,
precisa de ar e luz para respirar.
Se tornar p�blico o que acabou de ler,
explode uma guerra civil,
porque para muitos seria intoler�vel apenas a ideia
de que uma parte do Estado tenha encoberto este horror.
Por isso, n�o faremos nada.
Somos for�ados a cobrir tudo, como os gatos com sua sujeira.
Mas o senhor, Presidente, talvez devesse
afastar da sua pessoa
press�es de tenta��es autorit�rias.
Ignore-as.
Aldo...
Seria melhor que me acontecesse como a Segni, n�o?
Vim para lhe desejar boas festas.
Feliz Natal, Presidente.
A LIGA��O DO V�NETO
Era fim de outubro.
Est�vamos voltando de um bar, t�nhamos bebido um pouco.
Enquanto ia para casa, em Arcade,
Ventura come�ou a falar dos "foguetes ing�nuos",
chamava assim �s bombas colocadas nos trens.
Dizia que era uma coisa de amador,
mas que o grupo se equiparia para fazer melhor.
A certa altura, abriu o porta-luvas.
Pegou um rel�gio de m�quina de lavar.
Disse que ligado a uma bateria e ao explosivo certo
podia mandar pelos ares um pr�dio inteiro.
Desculpe, professor,
� um homem decente, ensina,
� conselheiro municipal da democracia-crist�...
Passa meses ouvindo algu�m dizer que deviam fazer como na Gr�cia,
que fala de bombas em trens,
pelas quais foram presos anarquistas inocentes,
e o senhor n�o faz nada? N�o procura a pol�cia?
Achei que fosse tudo inven��o.
Que dizia isso para se vangloriar.
Se o tivesse entregue antes, evitaria a sua pris�o perp�tua.
N�o o estou denunciando, apenas digo o que ouvi dele.
Se o chamar dir� que foi tudo fantasia.
Entende a responsabilidade que tem sobre os ombros?
Todos os mortos e os que ficar�o o resto da vida inv�lidos!
Diante de tudo isso, tem problemas de "amizade"?
Vou ser claro: se pretende negar o que acabou de dizer
vou acus�-lo de cal�nia com agravante.
S�o quatro anos de pris�o.
O que devo fazer, advogado? Diga-me!
Liberte-se dessa ang�stia, professor.
Tenha f� na justi�a.
Ou�a, professor...
Vamos fazer um pacto.
Precisamos saber quem � realmente o seu amigo Ventura.
Eu proponho que grave as suas palavras.
Assim, nem eu nem o senhor decidiremos o seu destino.
Ser� o pr�prio Ventura, com aquilo que nos dir�.
Ser� condenado ou absolvido.
Amigo? Eu conto as coisas e voc� fala com a pol�cia!
- N�o � bem assim. - N�o venha com conversa mole!
- N�o � bem assim! - N�o venha com conversa mole!
N�o precis�vamos disto.
Sua ratazana, voc� falou!
Vou quebrar seu pesco�o, idiota!
Disseram que um idiota nos entregava ao Procurador!
- N�o acredito que foi voc�! - N�o fui eu, eles sabem tudo.
O que sabem eles?
Vou esmagar sua cabe�a como uma noz, mas muito devagar!
Franco, deixe-o falar.
Sabe se nos vigiam?
N�o sei o que sabem ou n�o. N�o me lembro!
N�o lembra, n�o sabe?
Vamos, mais detalhes, professor!
Diga algo preciso. O que � que eles sabem?
O que disse para eles?
N�o foi f�cil obter esses relat�rios.
Treviso n�o � como Roma.
Esse professor Lorenzon � inacredit�vel.
Primeiro, acusa, depois nega, depois enrola a l�ngua,
faz at� grava��es tipo 007. Temos que recrut�-lo!
� o juiz que me preocupa.
N�o precisamos de outro chato como Paolillo.
Sim...
Vamos interromper essa hist�ria de Treviso
e concentrarmos em Roma.
� complicado transferir a investiga��o para a capital?
Escrevem que sou da CIA! Que fui treinado nos EUA!
Aqui est� o meu passaporte. Fui � Espanha, em lua-de-mel,
e a Basileia, onde voc�s me mandaram.
Sabe quantas vezes me chamaram de "chefe de pol�cia fascista"?
S� porque dirigi a pris�o de Ventontene?
Os jornais s�o lidos e esquecidos logo de seguida.
Vou processar o "Luta Cont�nua".
A pol�cia e o Minist�rio deviam fazer o mesmo.
- A pol�cia...? - N�o se sentem ofendidos?
Num processo, tudo pode acontecer.
Podem surgir pequenas discrep�ncias,
vers�es diferentes...
Sou acusado de ter torturado Pinelli!
De t�-lo matado com um golpe de carat�,
de t�-lo jogado pela janela!
Picham diante da minha casa.
Gritam com a minha mulher ao telefone!
CALABRESI, VOC� � O ACUSADO
O que diz a sua mulher dessa hist�ria do processo?
Ela � contra, me disse para esquecer.
Ou�a, Gigi, d� aten��o � sua mulher.
Fa�a com que durma tranquila.
Onde est� o dep�sito de armas, o rel�gio, o recibo,
- a prova que n�o inventou tudo? - Por que faria isso?
Sr. juiz, n�o v� que ele � um coitado,
um mentiroso do interior?
Enviado pelo outro juiz canalha...
Cuidado com os termos! N�o admito ataques a colegas.
Professor, sinto muito,
mas as suas acusa��es n�o est�o baseadas em evid�ncias.
As grava��es n�o t�m nada de concreto.
N�o posso envi�-las ao tribunal.
Mas devo adverti-lo, e o seu advogado vai confirmar,
que corre risco de processo por cal�nia.
DIZER A VERDADE
MIL�O, OUTUBRO DE 1970
Sil�ncio!
Estamos num tribunal de justi�a!
Exijo decoro!
Tanto pessoas da pol�cia como representantes da esquerda
podem confirmar: Pinelli e eu t�nhamos uma rela��o amig�vel.
- Mentiroso! Que amizade! - Sil�ncio!
Continue, Dr. Calabresi.
Na noite que o levamos, ele nos seguiu de moto.
N�o havia lugar na viatura.
Eu quero refor�ar
que o clima do interrogat�rio do dia 15 era sereno, sem tens�o.
Sim, estava morto!
Sil�ncio ou vou mandar esvaziar a sala!
Sou o juiz investigador de Treviso, Giancarlo Stiz.
- Tenho algumas perguntas. - Sobre o qu�?
Sobre algumas grava��es que fez
envolvendo o Sr. Giovanni Ventura.
Sim, e ent�o?
Podemos continuar a conversa l� dentro?
Li o inqu�rito do juiz Calogero.
Devo decidir se encerro ou n�o o caso,
mas ainda n�o estou convencido.
As conversas gravadas
foram transcritas por um agente de Alcamo, um siciliano.
Com todo o respeito pelos sicilianos,
o que poderia ele saber sobre
discuss�es entre gente de Treviso?
Absolutamente nada.
Gostaria de ouvir as grava��es com voc�. Est� disposto?
J� me arrisquei a um processo por causa dessa hist�ria.
Porque deveria ouvir?
Eu estava aqui. N�o conseguia ver a porta de Calabresi,
mas via muito bem a porta de Allegra.
Se Calabresi tivesse sa�do, eu teria visto.
Primeiro-sargento Panessa, acomode-se.
Talvez Valitutti n�o tenha visto o comiss�rio sair
porque estava olhando para outro lugar.
Talvez estivesse dormindo.
S� sei que o comiss�rio n�o estava na hora do suic�dio.
O Dr. Calabresi n�o havia acabado de "lan�ar a isca"?
N�o tinha dito a Pinelli que Valpreda tinha confessado?
- Sim, ele disse antes. - Antes, quando?
No primeiro interrogat�rio, �s 19h, acho.
O que est� dizendo?
N�o estava presente nessa hora. Declarou aqui!
Ent�o, o comiss�rio deve ter me contado.
Primeiro-sargento Panessa, pense antes de falar.
Est� a um passo da acusa��o de falso testemunho.
Tenente Lograno, por que um oficial do ex�rcito
assiste a um interrogat�rio?
No caso de investiga��es complexas,
� a praxe, para coordenar os �rg�os.
Entendo. Quando Pinelli caiu,
foi o �nico a ir at� ao p�tio. Por qu�?
Achei que algo poderia ser feito.
N�o, a pergunta � outra.
Por que � que foi sozinho e os outros ficaram na sala?
Excel�ncia, a pergunta n�o � pertinente.
Estamos discutindo
se o Dr. Calabresi foi difamado ou n�o,
e n�o de que escadas desceram ou subiram os agentes.
Ou�a, preciso de um favor.
Amanh� tenho um encontro em Roma mas n�o posso ir.
Pega um papel e caneta.
Escreva este n�mero: 653015.
Escreveu? Liga, Guido vai atender.
Diga que vou entrar em contato. Tchau.
Est� bem claro o que Ventura disse.
Fala de um encontro em Roma,
de um n�mero de telefone onde Guido atender�.
Mas na transcri��o diz apenas que ele tem um encontro.
N�o h� o nome nem o n�mero de telefone.
Trechos inteiros de conversa foram pulados.
Temos que rever as grava��es.
Voc� conhece essas pessoas?
Ajude-me a descobrir o que h� por tr�s desses telefonemas.
- � �til? -� �til.
Professor, por favor,
o "Luta Cont�nua" escreveu que Pinelli
recebeu um golpe de carat�.
Esta marca demonstra isso.
A prova de uma les�o bulbar.
O que pode nos dizer?
O bulbo n�o pode ser ferido com um golpe de carat�.
� tecnicamente imposs�vel.
Essa marca n�o foi provocada por um golpe.
O que �, ent�o?
� t�pica de um corpo deixado por mais de 4 horas
com a cabe�a apoiada na maca do necrot�rio.
Est� presente em todos os cad�veres.
Sra. Pinelli, nos membros inferiores de seu marido
havia escoria��es que podiam ser sinais de luta.
Por acaso, j� as tinha visto?
Sim, eu vi. Ele se machucou brincando com as meninas.
Eu n�o tenho medo da verdade.
Se sei a verdade, digo.
Quer a minha impress�o sobre este julgamento?
N�o vai chegar a nada.
O seu advogado vai recusar o juiz,
muito complacente com Pinelli,
e encerrar� os procedimentos.
Eu n�o quero isso. Significaria come�ar do in�cio.
Mas uma coisa � certa:
voc�s erraram em apostar em Valpreda.
Aposto dez anos do meu sal�rio que Valpreda n�o p�s a bomba.
N�o foi ele, foi outra pessoa.
- Quem? - Nino Sottosanti.
Sottosanti tem um �libi.
Almo�ou com Pinelli e �s 16h30
pegou um �nibus para fora de Mil�o.
Mas ningu�m o viu entrando no �nibus.
Nino Sottosanti, Nino, o Fascista, legion�rio,
neonazista at� h� 3 meses,
antes de se converter � anarquia,
e principalmente, como dizem, s�sia de Pietro Valpreda.
� uma velha hist�ria.
Talvez, mas h� alguns dias, um colega esteve com o taxista
com uma foto de Sottosanti e perguntou:
"Quem �?", e ele: "Valpreda!"
Isso explica porque o homem pegou o t�xi por poucos metros.
Faz algo estranho para que o taxista reparasse nele.
Boa hist�ria, por que n�o a escreve?
J� escrevi, mas o editor n�o quer publicar.
Ele gostou, mas n�o quer.
Um pouco como os seus superiores:
o respeitam, mas deixam sozinho.
O p�ster anarquista era igual ao de maio de 68 na Fran�a.
Eu queria ter mandado analisar em Paris, lembra?
A Interpol mandou o relat�rio tamb�m para mim.
N�o sabiam que tinha sido afastado das investiga��es.
Eu mantenho eles aqui para
lembrar que a Justi�a � uma coisa,
e as pessoas que deviam exerc�-la, outra.
Quando penso que repreendi a Sra. Pinelli por duvidar
que a Justi�a fosse justa...
O que disseram os franceses?
Que ambos foram impressos na Aginter Press.
Esse nome n�o lhe diz nada?
O primeiro relat�rio do Servi�o Secreto
dizia ser uma central da anarquia.
Mas era uma ag�ncia de extrema-direita em Lisboa,
especializada em infiltra��es e provoca��es,
financiada pelos governos fascistas
da Gr�cia, Espanha, Portugal...
E parte do Servi�o Secreto da OTAN.
E a pol�cia de Mil�o sabia de tudo.
A pol�cia? Eu nunca soube de nada.
Mas os seus superiores, Guida e Allegra, sim.
E tamb�m o professor vindo de Roma na noite do dia 12,
enviado pelo Servi�o Secreto, ou seja, pelo Prefeito D'Amato.
Eles sabiam, mas julgaram irrelevante
e me afastaram da investiga��o.
Quem �?
Aquilo que disse no outro dia, me fez pensar.
Reli as p�ginas da investiga��o.
A hip�tese de ter sido Sottosanti
n�o est� descartada.
Fico feliz de ter, pelo menos, provocado a d�vida.
O senhor ocupou-se do �libi de Valpreda.
Mostrei que o taxista foi muito impreciso.
E interrogou pessoas que disseram t�-lo visto em Roma.
Sim, cerca de duas, mas achei pouco confi�veis.
A ex-mulher, que tinha raiva dele, e um ex-presidi�rio.
Mas havia tamb�m pessoas do seu conv�vio,
que n�o tinham motivo para serem hostis.
Todos confirmaram que ele estava em Roma depois do massacre.
Suponhamos que seja verdade, o que significaria?
Algo muito importante fez Valpreda
voltar rapidamente para Roma.
Talvez acertar as contas com quem lhe montou a armadilha.
Por que n�o se interrogou sobre isso?
Por que os jornalistas democr�ticos
n�o investigaram a fundo
antes de recolherem assinaturas contra mim?
Comiss�rio, est� obcecado! Foi uma provoca��o.
N�o se importa com a armadilha na qual Valpreda caiu.
S�o tantas armadilhas nesta hist�ria.
E uma � para voc�.
Descobri h� pouco tempo e ia lhe mostrar.
Vem de uma ag�ncia muito pr�xima do Servi�o Secreto.
� o documento que fabricou a mentira
e depois foi parar nos jornais,
dizendo que o senhor foi treinado nos EUA, pela CIA.
Os jornais n�o inventaram isso, foi o Minist�rio.
EXPLOSIVO
�timo, muito bom! Parab�ns!
Reviraram a minha casa e o escrit�rio
h� pouco tempo, n�o encontraram nada,
agora tudo outra vez?
N�o � o seu dinheiro. S�o cidad�os
est�pidos como eu que lhe pagam!
Doutor, olhe, aqui est� escrito "Vitezit".
- � um rem�dio? - N�o, senhor, � um explosivo.
N�o sei nada sobre esse papel. Puseram l� para me incriminar.
Vou ajud�-lo a refrescar a mem�ria.
Essas instru��es est�o numa caixa com 25 kg de explosivos.
N�o entendo porque diz isso. O meu neg�cio s�o os livros!
De explosivos conhe�o apenas os pensamentos de Nietzsche,
de Marx, de Evola, de Pound, de C�line.
Uma caixa desse tipo foi roubada em dezembro, perto da sua casa,
e, claro, o folheto de instru��es foi junto,
e foi encontrado numa gaveta, na sua casa.
Est� bem encrencado. Se sabe alguma coisa, � melhor dizer j�.
Caso contr�rio, serei preso?
N�o, hoje � um homem livre.
Amanh�, n�o posso garantir.
Ent�o, posso ir?
� vontade.
Vamos.
Na agenda de Lorenzon, h� um n�mero...
� um n�mero de Roma.
Disse que lhe deu para ligar para um tal de Guido
avisando que n�o poderia encontr�-lo. Posso saber quem �?
N�o sei, tirando Lorenzon, n�o conhe�o nenhum Guido.
Voc� disse que estava tudo certo...
Uma merda!
Stiz n�o me larga!
Estou ferrado! Precisa me ajudar!
N�o me custa nada dizer que o tal Guido � voc�!
Viu quantos suic�dios estranhos houve nos �ltimos tempos?
O porteiro em P�dua caiu pela escada.
O tesoureiro do pr�ncipe Borghese
morreu afogado.
O professor de Roma caiu pela janela da cl�nica.
O que tinham em comum? Uma crise de consci�ncia?
Quer me assustar?
Ao contr�rio, quero tranquiliz�-lo.
Se o juiz Stiz insistir, vamos ajud�-lo a fugir.
N�o tem medo que te peguem?
Sou um animal que n�o deixa pegadas.
Sim, como as cobras.
Controles El�tricos.
A sua empresa me prometeu 50 rel�gios no m�s passado.
Mas est� atrasando! Tenho pressa!
Chega de perder tempo! Quando v�o mandar isto?
- Gostaria de se sentar? - N�o, prefiro assim.
- O seu advogado? - Eu sou o advogado.
Sendo advogado, para que precisa de 50 rel�gios?
Eram para o capit�o Hamid, do Servi�o Secreto Algeriano.
Eram para uma a��o em Israel.
Sabe onde mora?
N�o tenho ideia. Ele vinha at� mim.
Posso pensar que esse capit�o � fruto de sua imagina��o.
N�o sei como ajud�-lo.
Este � id�ntico a um daqueles que comprou.
Um rel�gio assim detonou a bomba da Pra�a Fontana. Reconhece?
O problema � que n�o reconhe�o o senhor.
Nem a voc� nem � sua justi�a.
Voc�s, magistrados, ou melhor, "minustrados",
s�o os reis de um bando de moscas.
A Controles El�tricos de Bolonha vendeu 56 rel�gios,
ent�o h� outros seis por a�.
S� quando provar que o rel�gio
da explos�o era dos meus, ter� vencido.
CALABRESI ASSASSINO
Havia mil caixas, mas estava
com medo, n�o podia ficar com elas.
N�o era a primeira vez que
Giovanni me pedia coisas arriscadas.
Quais seriam essas coisas?
No outono, depois do atentado ao trem,
pediu que eu sa�sse para comprar caixas de metal.
As de madeira que usara no atentado
n�o provocaram o efeito de compress�o que ele queria.
Espere, est� falando das bombas de agosto nos trens,
pelas quais os anarquistas foram acusados?
Sim, foram acusados, mas n�o foram eles.
Continue. E as caixas de metal, comprou ou n�o?
N�o, eu recusei. Depois, quando fui � editora, elas estavam l�.
Outra pessoa comprou.
Lembra-se da marca?
Uma marca alem�... Juwel.
Da Procuradoria em Treviso, para a Procuradoria em Mil�o.
Al�m dos processos criminais de Franco Freda
e Giovanni Ventura,
j� acusados pela organiza��o dos ataques de abril de 1969,
no Mercado e na Esta��o Central de Mil�o,
e a 6 e 9 de Agosto do mesmo ano, em alguns trens,
os acima citados s�o acusados tamb�m
pelo atentado de
12 de dezembro de 1969, em Mil�o,
no Banco Nacional de Agricultura,
na Pra�a Fontana.
Os documentos s�o devolvidos
para a jurisdi��o do seu tribunal.
Muito bom, parab�ns!
Viva a democracia!
ALTA TENS�O
SEGRATE, 14 DE MAR�O DE 1972
- Foi identificado? - N�o.
Tinha identidade com o nome de
Vincenzo Maggioni, mas parece falsa.
Conseguem reconstruir as impress�es digitais?
Est� tudo queimado, creio que n�o.
O CORPO ENCONTRADO EM MIL�O � DO EDITOR FELTRINELLI
Sabia que era ele?
Pensei imediatamente, o laborat�rio confirmou.
- N�o tinha fugido da It�lia? - Sim, voltou clandestino.
- Estava envolvido com a bomba? - N�o.
Acho que n�o.
Foi um acidente ou foi assassinado?
Mas o que est� dizendo?
Voc� vai acabar mal. Ser� um suicida tamb�m.
- Sim, muito bem. - Como o Pinelli, canalha!
Foi engano.
Somos loucos a querer filhos num mundo assim.
- Bem-vindo � Frente Oriental. - Como vai?
Nada mal, e voc�?
O relat�rio do perito � minucioso,
mas algo n�o bate direito.
Ele acha que na caixa Juwel
da Pra�a Fontana havia gel explosivo.
Eu acho que, com a quantidade de gel que a caixa tinha,
n�o seria poss�vel abrir aquele buraco no ch�o.
Mas a bomba estava sob uma mesa muito pesada.
Pode ter sido um efeito multiplicador.
N�o, n�o explica toda aquela devasta��o.
Outra coisa me chamou a aten��o.
Os jornais disseram que havia
partes de um rel�gio e de um detonador.
Normalmente, um exclui o outro.
Mas aqui no relat�rio, o detonador desapareceu.
Menciona apenas os fragmentos de um rel�gio.
Logo ap�s a explos�o,
enquanto estava no Banco, como se sentia?
- Est�vamos em choque. - Digo, fisicamente.
Estava com muita dor de cabe�a, por causa do cheiro muito forte.
- Que cheiro? - Tipo am�ndoas...
Por que pergunta?
Porque cheiro de am�ndoas e dor de cabe�a
s�o t�picos de explosivos pl�sticos
e o gel s� cont�m uma percentagem muito baixa.
Ent�o, que explosivo era?
Eu diria que Tritol, como no Vitezit.
Mas n�o � f�cil encontrar Tritol.
S� os militares t�m isso.
- Ent�o, veio de uma base? - Ou do tr�fico ilegal de armas.
H� muitas galerias, t�neis e rios aqui.
Na semana passada, um agricultor caiu com o trator numa gruta.
Ele fez uma descoberta que seria melhor n�o ter feito.
O que vai ver oficialmente n�o existe.
- O que �? - Um dep�sito secreto.
Armas, muni��es, explosivos.
Tudo para armar a resist�ncia em caso de invas�o comunista.
- Quem sabe deste lugar? - Poucos: oficiais da OTAN,
a pol�cia e o Servi�o Secreto.
Talvez at� algu�m pago pelo nosso Servi�o Secreto.
Algu�m que decidiu usar as bombas
mesmo sem uma invas�o.
Esquece que viu isto. Como eu fa�o.
Aqui fica um conselho: esquece todo o resto tamb�m.
- Bom dia, comiss�rio. - Bom dia, Prefeito.
O que faz em Mil�o?
Ent�o, esta � a famosa sala.
Gostei da sua postura no processo.
Impec�vel apesar de todo aquele circo.
Sinto muito por todo o transtorno que teve.
Esta hist�ria precisa ser encerrada.
Tenho uma proposta para voc�.
Quero voc� em Roma, comigo.
- Em Roma? - Volte para a sua bela cidade,
leve a fam�lia para o sol.
Mil�o n�o gosta de voc�, venha embora.
Em Roma, quem gosta de mim?
Essa hist�ria da CIA, do treino nos EUA,
partiu do seu escrit�rio, no Minist�rio.
Um caso inacredit�vel de homon�mia.
Calabrese era o nome de outro oficial, entende?
Se serve de consolo,
despedi imediatamente o respons�vel por essa asneira.
N�o, n�o me consola porque a hist�ria continua circulando.
Faremos parar.
Venha trabalhar comigo, ser� o meu bra�o direito.
Est� na hora de dar lugar aos jovens.
- Imagine que eu queria v�-lo. - Sabia que �amos nos entender.
O emprego � seu.
Queria discutir a minha ideia da Pra�a Fontana.
Sim, pode falar.
Um especialista disse que, para causar aquele buraco,
seriam necess�rios 6 kg de explosivos,
sobretudo se falamos de gel.
A caixa met�lica s� comporta 4 kg.
- Como se explica? - Como o especialista explica?
E principalmente quem � ele?
Ele n�o sabe explicar. Eu estou tentando.
N�o era uma bomba, eram duas.
Duas bolsas, duas bombas.
A primeira, de gel explosivo, com baixo potencial,
com um rel�gio, tem um cheiro de desinfetante caracter�stico.
� uma bomba simb�lica.
Deve explodir com o Banco fechado,
sem mortos ou feridos.
Quem a colocou? Valpreda, como todos disseram.
Continue.
Entra em cena a segunda bomba. Desta vez, o cheiro � diferente:
Am�ndoas, am�ndoas amargas.
Tritol de alto potencial explodido por um detonador.
Essa � a bomba do massacre.
Quando explode, faz explodir a outra tamb�m.
Quem a colocou � um fascista, muito parecido com Valpreda,
faz por ser bem notado pelo taxista,
para ser confundido com Valpreda.
Assim, os anarquistas levariam a culpa.
Pode ter sido ele,
um fascista infiltrado no Ghisolfa.
Ou este, um amigo de Merlino e Delle Chiaie.
Ou este outro, colaborador de Freda.
Todos de direita, todos infiltrados
e todos muito parecidos com Valpreda.
O Tritol vem dos dep�sitos da OTAN,
traficado por neofascistas do V�neto.
Um esquema perfeito: duas bolsas, duas bombas,
e um s� culpado: o bailarino an�rquico.
O culpado ideal.
Ou�a...
Que novela! Que imagina��o!
J� que estamos na fantasia, ou�a o que vou lhe dizer:
N�o s�o s� duas bolsas e duas bombas,
mas tamb�m duas fac��es diferentes.
A primeira bomba � como diz:
deve explodir com o Banco fechado,
fazer barulho, n�o v�timas.
Deve ser atribu�da a Valpreda,
que provavelmente n�o sabe nada sobre tudo isso.
Essa bomba deve ser colocada por um s�sia.
Talvez um desses tr�s.
Essa bomba tem muitos
defensores nas nossas institui��es,
porque assusta, agita a opini�o p�blica,
a prepara para aceitar uma mudan�a na Constitui��o
que pode levar ao fim do caos, das greves.
Mas a n�vel internacional alguns acham que n�o basta.
Querem uma ditadura real, como na Gr�cia.
Foram esses que colocaram a segunda bomba,
que causou mortes.
Esses quem?
A parte mais extremista da OTAN.
Alguns setores das nossas For�as Armadas,
alguns membros da Nova Ordem v�neta,
na folha de pagamento do Servi�o Secreto americano.
Alguns funcion�rios da embaixada
americana, ligados � extrema-direita.
E voc�s? O que fizeram?
Acha realmente que homens do Estado
desejariam a morte de tantos inocentes?
Voc�s encobriram tudo, foi o que fizeram.
Hist�rias, tanto a sua quanto a minha,
no entanto, muito sugestivas.
Como nas hist�rias, h� sempre um fundo de verdade.
Mas essa verdade, o senhor entende,
n�o pode ser dita.
Por que n�o?
Porque a guerra n�o acabou. Na verdade, est� come�ando.
O melhor est� para vir.
Estamos todos na frente.
Uns fazem o trabalho limpo, outros o trabalho sujo.
N�o sou uma empresa de limpeza, sou comiss�rio de pol�cia.
A minha guerra � contra os criminosos.
- Teve um pesadelo? - N�o.
Estava falando.
O seu pai ainda me daria emprego na sua empresa?
Eu me vejo entregando roupas esportivas aos figur�es.
- Est� brincando? - Por qu�?
Quando a investiga��o acabar, vou deixar a pol�cia.
N�o acredito, adora o seu trabalho.
Voc� vai ver.
- Esqueceu de alguma coisa? - N�o, n�o!
Vim trocar a gravata. Esta cor-de-rosa � melhor?
- As duas s�o horr�veis, v�. - Obrigado.
O ATENTADO DA PRA�A FONTANA N�O TEVE CULPADOS
DEPOIS DE 33 ANOS, TODOS OS R�US FORAM ABSOLVIDOS
EM 1992, A PROMOTORIA REABRIU O CASO E INCRIMINOU
DELFO ZORZI, CARLO MARIA MAGGI, CARLO DIGILIO
E OUTROS NEO-FASCISTAS
FORAM CONDENADOS EM PRIMEIRA INST�NCIA
E ABSOLVIDOS NO RECURSO PARA A CASSA��O
A CASSA��O RECONHECEU A CULPA DE FREDA E VENTURA
MAS N�O VOLTARAM A SER CONSIDERADOS PROCESS�VEIS
AS FAM�LIAS DAS V�TIMAS TIVERAM DE PAGAR OS CUSTOS DO PROCESSO
PELA MORTE DE GIUSEPPE PINELLI,
A POL�CIA FOI ABSOLVIDA DE QUALQUER RESPONSABILIDADE
PELA MORTE DE CALABRESI FORAM CONDENADOS LEONARDO MARINO,
OVIDIO BOMPRESSI, GIORGIO PETROSTEFANI E ADRIANO SOFRI,
EX-INTEGRANTES DO "LUTA CONT�NUA"
ALDO MORO FOI ASSASSINADO PELAS
BRIGADAS VERMELHAS, EM 9 DE MAIO DE 1978
PARA A JUSTI�A ITALIANA, TODOS OS CASOS EST�O ENCERRADOS
PRA�A FONTANA UMA CONSPIRA��O ITALIANA
Tradu��o pt-pt Adriana Miranda Ribeiro
Adapta��o pt-br drcaio
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