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- Quem é ele?
- Um prospector de Corumbá. Ele tentou fugir com a pedra.
- Sim, de fato. Isso não é um diamante!
Mas ele pode servir como um bom exemplo.
- O que aconteceu, pai?
- Pai!
- Arrume suas coisas.
Estamos indo embora hoje.
Essa pedra vale 20000 dólares.
Acho que essa é a última que acharei em minha vida.
Eu não quero dividir com ninguém.
- É inútil tentar fugir, pai. Eles irão nos seguir.
Lembra do homem que eles capturaram no Rio?
Eles pegaram a pedra. E fizeram aquilo com ele...
- Chega um dia em que precisamos arriscar.
A pedra que encontrei no ano passado devia
valer 2000 dólares e ele disse que valia só 700.
Ao tirar a parte dele, mais os gastos com
remédios e tabaco, sobrou menos de 300 e nós já estamos quebrados.
- Eles suspeitarão, pai!
- Todos sabem que eu estou doente do coração.
Preciso ir no médico em Corumbá.
- Como, pai? E a cheia? O rio estará cheio em 10 dias.
- Se não formos dessa vez, nunca iremos. Não faço isso por mim.
Quando eu morrer, não haverá um único homem
aqui que não seja um criminoso pelo menos duas vezes.
- É melhor ficar aqui, pai. Desista da pedra antes que eles descubram.
Ou então você sabe o que pode acontecer...
- Se descermos o rio de noite, ninguém nos verá.
Navegamos até Porto Vermelho, dormindo nas margens.
- Não haverá margem com os perigos. E as quedas d'água?
O pântano? As piranhas? Desista da pedra, pai...
- Espere aqui.
Precisa de ajuda, rapaz?
- Obrigado. Ele vai funcionar.
Que tipo de lugar é esse?
- Você chegou aqui e não sabe?
- Estou vindo de Blue Hills.
- Blue Hills? Com isso?
- Sim, amigo. Esse carro não precisa de estrada. Ele vai para qualquer lugar.
- E para onde pretende ir, rapaz?
- Para a Bolívia, meu amigo. Qual é o melhor caminho?
- Não há melhor caminho. Nessa época do ano,
esse lugar é quase uma ilha no meio de três rios.
- E para o oeste?
- Só se você cruzar a colina Pirapuã,
perto do rio Sangue na fronteira. Mas são mais de 400 milhas.
- É melhor eu ir. Onde posso arranjar gasolina?
- Uma milha daqui, indo para o norte.
- Obrigado.
- Rapaz, espere!
Desculpe. Eu estou indo para a vila também.
- Entre.
- É a minha filha.
- Qual é o nome desse lugar?
- Não tem nome.
Apenas guilda de garimpo do rio Sangue.
- Nunca ouvi falar.
- Tudo começou quando um menino achou uma pedra brilhante no rio.
Doutor Luis veio mais tarde com papéis do governo e se tornou o dono.
- Por que é tão deserto?
- Só as pessoas que não podem estar em outro lugar vivem aqui.
- Entendo. Bem, onde está a gasolina?
- Perdão. Eu estou doente e eu preciso procurar
um bom médico em algum lugar. Eu tenho que ir embora.
Não tenho certeza de que há um médico no lugar para onde estou indo.
- Eu pagarei o quanto você quiser. Eu e minha filha temos que ir embora.
- Sair daqui e ir pra floresta da Bolívia?
- Não vá sem mim. Eles vendem combustível ali. Um dólar por galão.
- Aqui estão.
- A mesma coisa durante 3 meses. Nada mais que isso.
- Ninguém quer encontrar pedras grandes aqui.
- Que quer dizer?
- Você sabe.
- Eles devem estar roubando. Você é a lei aqui! Tem que impedi-los!
- Ninguém jamais deixou este lugar vivo com um diamante roubado.
- É sua tarefa fazê-los trabalhar de novo.
Pegue.
- Espero que você se lembre de mim quando as maiores aparecerem.
- Apenas espere-as.
- O velho Matias está aqui.
- Mande-o entrar. Estamos perdendo dinheiro com ele.
Tente arranjar novos homens.
Entre.
- Com licença.
Bom dia. Capitão.
- Fale, Matias.
- Senhor, estou doente, muito doente. Não posso mais ficar aqui.
- O quê?
- Estou doente, senhor.
- Você já falou com o farmacêutico?
- Meu caso é muito sério, senhor. É por isso que quero ir embora hoje.
- Hoje? Me dê a conta dele.
Tão cedo, Matias?
- Eu posso ir com o estranho em seu carro.
- Carro?! Lá fora?
Matias Amaral, começou em 1944.
Produção: 46 quilates. Gastos no último ano:
3 libras de feijão, 1000 libras de farinhas,
carne, milho, brandy, velas, sabão, sal, açúcar.
Quem vai pagar por tudo isso, Matias?
- Você sabe que não tenho tido sorte ultimamente.
- Então eu terei que pagar por você.
- Mas você certamente ganhou dinheiro com minha última pedra.
- Isso é passado. Agora você não pode ir embora sem pagar ao menos o que gastou.
- Se eu não for hoje, nunca poderei ir embora.
- Então fique aqui.
- Eu estou indo de qualquer modo. Você não pode fazer isso.
Provavelmente morrerei, não posso mais trabalhar.
- Capitão.
Dê para mim.
A pedra, Matias!
- A pedra, seu ladrãozinho.
- A pedra, Matias!
Meu Deus.
- Deve ter 60 quilates.
- Você sabe o que posso fazer com você.
Seu contrato é claro: o que ganha é pro chefe.
Eu posso matá-lo e ficar com o diamante, mas serei generoso.
Você pode ir sem pagar nada. Eu ficarei com o diamante e você vai embora.
- Não adianta agora.
- Se eu o vir aqui amanhã, darei um jeito em você.
A lei aqui é para todos. Deve agradecer a Deus por estar vivo.
Dê as contas dele.
- É melhor devolver.
- Eu não sei o que quer dizer.
- Você sabe sim, o diamante.
- Ele conhecia o velho. Talvez tivessem um acordo.
- Vá em frente. Tudo que achar é seu.
- Deve estar com ele. Vamos tirar suas roupas.
- Qual é o seu nome?
- Qual é o seu?
- Sou Luis Mendes, o dono dessas terras.
- Meu nome é Paul.
- Paul do quê?
- Apenas Paul.
- Vamos para o bar conversar, senhor Paul.
- Não, obrigado. Estou com pressa para partir. Quem irá pagar pela gasolina?
- Eu pagarei. Foi nossa culpa. Encha o tanque.
Não se preocupe, ele terá um funeral decente.
Tire a (peça interna do carro).
- Ele logo descobrirá.
- Eu não sei o que estamos esperando.
- Morto ele não servirá para nós.
- Mas ele deve estar com a pedra!
- Além da pedra, ele deve ser um inspetor do governo
fiscalizando as fronteiras do inferno. E se um deles vier aqui,
todos sabemos o que pode acontecer com todo mundo.
- É mais uma razão para nós...
- Se ele não voltar, será bom para nós.
- Levará anos para descobrirem.
- Vai tão longe quanto Roncador. Nosso último comprado do Rio falava demais.
- Eu aposto que ele não é um inspetor.
- Talvez, mas por que ele viria aqui? E o jeito que ele fala.
- E se ele for... Prospecção deve ser bem feita. Ele deve ter um preço.
Primeiro devo saber de onde é esse homem. Mande alguém cruzar o rio
ao sul para investigar. Onde está a garota índia que você comprou?
- Não!
- Diga à Simone para deixá-lo encontrar a índia.
- Não com a minha índia.
- Faça o que mandei!
- Há outras além dela.
- Elas não servem.
- Por que não manda a sua?
- Faça o que eu disse. Mantenha um homem na praça.
Ele não pode sair daqui.
Não posso perder aquela pedra...
Feche o escritório, Moraes.
- O que aconteceu hoje ali embaixo?
- Um dos velhos. Ele tentou escapar com a pedra.
- E o outro de manhã?
- A mesma coisa. Todos querem fugir, mas...
- Quem não quer sair desse lugar?!
Quem?! Não há lugar mais sujo ou pior do que esse!
- Você sabe que não podemos partir.
- Estou ficando louca nesse lugar! Por você!
Disse que seria 1 ano e já são 8!
Estou apodrecendo dia após dia nesse lugar.
Coberta de poeira e sofrimento, cheia de ódio.
- Você pode sair de vez em quando.
- Para ver aqueles demônios? Você não me encontrou com mulheres como aquelas.
O que mais? Você não está cansado?
Que bem isso fará?
- Talvez ajude algum dia.
- Algum dia... Você será pego onde quer que vá!
- Pare! Nós iremos embora algum dia.
Quando recuperarem a pedra achada hoje, poderei comprar qualquer corte!
- Você só quer as pedras para seu benefício! Só para olhá-las, para tê-las!
- Elas são as melhores que você já viu! Vão te fazer feliz um dia!
- Desculpa. Eu o seguiria até o fim do mundo. Mas eu não aguento mais esse lugar!
[Fala indiscernível]
- Meu único jeito de conseguir a pedra agora.
- Sei que é seu único jeito.
- Hoje não.
- Mas você me prometeu!
- Semana que vem.
- Não irei aguentar!
- As índias não vêm agora.
- Então devolva meu dinheiro. Eu posso viver em outro lugar.
- Onde?
- Já chega!
- Ela vai presa um dia!
- Todo mundo vai preso.
- Padre! Toque!
Esteja aqui em breve. Quando eu voltar esteja aqui.
- Se eu puder...
- Tem que ficar aqui por enquanto. Onde está a índia?
- Qual índia?
- Preciso de você.
Há algo que tenho que saber.
Não irá me ajudar? Tem que me contar. Mas só para mim e ninguém mais.
- Consertou seu carro? Sente-se.
- Quero algo para comer.
- Deixem ele comer.
- Está gostando, amigo? É um bom lugar, apesar de tudo.
- Por favor, eu não aguento mais! Eu quero ir embora daqui!
Eu não queria ter entrado naquele barco.
"Não quer ir ao inferno, moça?" Eu odeio esse lugar!
- Dê a ela. O pequeno.
- Por que não deu antes?
- Eu sei o que faço.
- Está indo aonde, rapaz?
- Eu tenho que ir.
- Foi culpa sua.
- Ele não irá longe.
- Ele não voltará.
Eu lembro desse lugar. Tentei ajudar.
- Você fez o seu melhor. Além disso, não adianta.
- Sinto muito. Ele queria levá-la, mas não sabia que...
- Eu sei o que aconteceu. Agora é melhor que vá embora.
Eles sabem que está com a pedra.
- A pedra? Comigo?
- Sim.
- Eu nunca vi a pedra.
- Onde está então?
- Não sei, mas não está comigo.
- Não importa agora.
- Tem certeza que seu pai tinha a pedra?
- Sim, ele tinha. Não quero mais falar sobre isso.
Por que não vai embora? Irão matá-lo na primeira chance que tiverem.
- Há algo errado com meu carro. Não posso ir até consertá-lo.
- Se não acharem a pedra, não o deixarão ir.
- Como aguenta esse tipo de vida?
- Não há escolha.
- A comida, o dinheiro, a lei... Tudo pertence a ele.
- Então por que não o deixam, todos vocês? Sem o trabalho de vocês...
- A maioria são bandidos, fugitivos da justiça.
É por isso que vêm para lugares como este.
Você é o primeiro a vir aqui porque queria.
- Está enganada. Eu vim contra minha vontade.
- Gostaria de um café? Quer se sentar?
Nunca estive em outro lugar.
Cresci aqui. Para mim, este é o mundo inteiro.
- Pelo que vi, é melhor que vá embora daqui de qualquer modo.
- Sim, mas não sei para onde ir; além disso, durante 3 meses, é impossível.
- Por que não vai para a casa de alguém?
- Não adianta. Quando descobrirem que esteve aqui,
pensarão que sei sobre a pedra. Irão me pegar em qualquer lugar.
- Mas... Vamos sair. Eu sou o único culpado.
- Não diga isso. Você ajudou muito.
Se não fosse por você, não sei e que teria acontecido comigo.
- Deve ter algum lugar para se esconder. Uma caverna, qualquer lugar.
- Há um lugar, mas tenho medo de ir até lá.
- Nenhum lugar pode ser pior de que este, principalmente depois do que aconteceu. Onde é?
- Seis anos atrás, um prospector húngaro...
- Húngaro?
- Sim, era amigo do que meu pai.
Ele começou a se sentir estranho e alguns dias depois,
descobriram que ele era leproso. Colocaram um cordão de ferro em volta
do seu pescoço com um grande sino pendurado.
O homem foi banido para o outro lado do rio e deixado
sozinho, apenas com um gato, numa velha casa, até o ano passado,
quando o sino parou de tocar.
- Está pensando em se esconder lá?
- Sim, mas eu tenho medo. Ninguém chega perto desse lugar.
Mas meu pai jurava que o húngaro tinha só uma infecção,
mas sempre que tentava chegar perto, ele fugia.
Talvez tivesse vergonha de si mesmo. Duas vezes encontramos cartas para sua família.
Meu pai não tinha medo de pegá-las mas não
conseguiu ninguém para colocá-las no correio.
- Nós estaremos seguros. Eu vou com você. Vamos.
- De noite é impossível. Há um rio nas fronteiras... Só de manhã.
- Apronte-se agora.
- Já estou pronta. Não levarei nada além disso.
É sempre triste deixar o lar.
- Creio que não há mais perigo.
- Pobre homem, seis anos vivendo sozinho.
- Agora é melhor que eu vá embora. Tem medo de ficar aqui sozinha?
- Tenha cuidado. Siga a margem do rio e fique fora das fronteiras.
Se precisar de algo na vila, fale com a Simone, uma loira.
- Eu a conheço.
- É a única pessoa em quem pode confiar.
- Ok. Eu levarei o carro para o rio
quando estiver pronto, entendeu?
É melhor que eu fique.
- Não, pode ir. Não estou com medo.
Tenha cuidado nas fronteiras.
- É uma vergonha! Só um homem contra todos vocês, só um! Fale.
- Quando ele deixou o bar, eu o segui.
Perto do rio, ele desapareceu.
Até que me atacou por trás com um cano.
- Você é um mentiroso!
Se ele escapar dessa vez, você está perdido.
Tenho que saber onde esse homem esteve.
- A cabana do velho está vazia.
- Procura a moça também. Acho que estou começando a entender tudo.
Coloque todos atrás dele.
- Sente-se. Pensei que não tivesse gostado da minha casa.
- Não é o lugar, são as pessoas.
- É a mesma coisa no resto do mundo.
Eu comecei em Paris, quando eu era mais jovem e mais bonita.
O lugar era o melhor, mas as pessoas não, eram as mesmas.
O mesmo em Marselha, Dakar, Natal, Campo Grande...
E, nesse negócio, nós sempre nos cansamos.
- Mas parece ser um bom negócio.
O dinheiro do garimpo é sempre mau
Então saia disso...
- Eles não me deixarão ir.
E não acredito que haja um lugar melhor. O inferno é o inferno.
- Alguém me disse que eu podia confiar em você.
- Eu sei o que quer. É difícil.
- Eu poderia oferecer algo que vale a pena.
- Você a tem? O único jeito é comprar
o capitão, mas mesmo isso é perigoso.
- Vou me arriscar.
- Nunca irá embora, rapaz. Há algo estranho sobre esse lugar.
O que vem, nunca volta.
- Pare de pregar. Preciso de ajuda!
- São duas coisas que podem acontecer com você:
Ser feito em pedaços ou ficar aqui comendo e bebendo.
Em todo caso, uma pedra grande pode comprar muitas coisas.
Fique por um tempo.
- Mas...
- Voltaremos de noite.
- Obrigado.
- Essa pedra miserável.
- Agora eu entendo. É uma fortuna.
- Sim, eles sabem.
- Você acha que o acordo vai dar certo?
- Não. Desculpe falar assim, mas eu conheço essas pessoas.
- Então o que vai acontecer?
- Se você desistir da pedra, nunca irá embora.
- E se eu for embora?
- Então eles irão nos encontrar.
- É minha culpa que você esteja com problemas também.
- Queria que tudo estivesse terminado.
- Eu pegarei o carro para irmos embora se quiser.
- Eu nem mesmo sei o seu nome.
- Paul.
- Se você puder escapar, não perca tempo comigo.
Vá e não olhe para trás.
- Irei à vila essa noite. Se eu não voltar, mas eu vou,
mesmo que seja apenas para devolver a pedra.
- Não é da minha conta, mas por que veio para cá?
- Ah... Não importa agora.
- Você quer fugir, não quer?
- Sim.
- Eu posso ajudá-lo.
- Como?
- Encontre o barco no rio.
- Ele voltou de novo. Dez homens estão vigiando-o dessa vez.
- Vamos pegá-lo.
- Agora?
- Sim, agora.
- E aquilo de o seguirmos até o esconderijo?
- Não importa mais. Ninguém atira.
Quero o diamante primeiro, então, ele é de vocês. Vamos.
- Olha você tem que ir agora.
- Não posso ir agora. Estão me vigiando. Irei antes do amanhecer.
- É para você. Tenha cuidado.
- Atenção.
- Eu sei.
- Parece que as coisas vão ficar difíceis.
- Não o deixe escapar.
- Vamos, me dê.
- Não, se você vai embora, eu também vou.
- Espere aqui até que eu volte, escutou?
- Vou atrás dela. Alcance os outros.
- Quem está aí?
- Sou eu.
- O que aconteceu? Me diga!
- O estranho está perdido. Pediu para que eu lhe trouxesse isso.
- Ele está...?
- Eu não sei. Ele escapou do bar, mas dessa vez...
É melhor que se vá. Quando descobrirem que ele não tinha a pedra...
- Vou ficar!
- Por favor, não posso deixá-la aqui sozinha.
- Tenho certeza que ele voltará.
- Não seja teimosa, será pior para os dois.
- Vou esperar. Obrigada. Você se colocou em perigo por mim.
- Esqueça. Fiz porque quis.
- Não vai embora?
- Estou muito envolvida agora. Não faz diferença se eu ficar ou for embora.
- Cruzei o rio duas vezes para enganá-los.
- E eles?
- Ainda devem estar do outro lado.
- O que faremos?
- Temos que partir antes de amanhecer. Vou dizer como recolocar a peça no motor.
- Eu não estou com a peça.
- O quê?!
- Nina pegou. Ela percebeu tudo. Não quis me devolver.
- Nós a levaremos. Acho que terá de ir também.
- Creio que sim.
- Você já viu um motor?
- Sim!
- Então escute, pegue aquela peça, abra o capô e...
- O que você quer?
- Me desculpe,
sempre faço o que não deveria.
- Essa foi a última vez.
- A culpa é sua! Tudo seria diferente em outro lugar.
- Onde?
- Qualquer lugar!
- Tenho que pegar aquela pedra!
- Não, esqueça a pedra. Sinto que ela trará
coisas estranhas e ruins para mim... e para você.
- Vá embora!
- Venha comigo.
- Vá embora!
- Você é a única pessoa que amo no mundo, mas eu só quero odiá-lo.
- Posso dizer o mesmo.
- É sua culpa. Deve decidir: a pedra ou eu.
Temos que voltar para o mundo, correr o risco.
As coisas sempre foram assim: amar, odiar, trair...
- Não acredito mais em você.
- Não vá. Se for...
- Onde estão os outros?
- Ninguém vem aqui. Tem medo. Estão esperando no rio.
- Traga-os, estúpido!
- Coloque o lenço branco na janela se tudo der certo. Caso contrário, mantenha a janela fechada.
- Não se atrase.
- Falaremos disso mais tarde.
- Pensei que não tinham me visto vir até aqui.
- Vieram atrás de mim.
- Por que atirou?
- Eles irão suspeitar que somos apenas dois.
- Você parece interessado que somos apenas dois. Vamos pegá-los.
- Pegá-los?
- Está com medo?
- Não, mas temos que ser cuidadosos.
- Não seja covarde. Viu o tamanho daquela pedra?
- Sim.. Nada pode me impedir, vamos pegá-los.
- Vamos.
- Não vejo ninguém. Devem estar escondidos.
Vou tentar distraí-los. Tentem escapar pelo rio.
- Não! Agora que estamos nessa, vamos ficar juntos.
- Simone está aqui por causa de mim. Você também.
- Não é culpa de ninguém, mas ninguém irá sair daqui.
- Acho que ainda há tempo de responder o que perguntou ontem.
O homem que morreu aqui era meu pai. Eu mal o conheci.
Ele existiu vagamente na minha infância, mas significava muito para mim.
Ele sempre quis ficar rico e passar sua vida numa aventura atrás da outra.
Durante anos, recebi suas cartas falando da grande fortuna que tinha feito.
As cartas eram enviadas regularmente para minha mãe, que não podia lê-las.
As últimas cartas pareciam ter sido escritas por um louco e enviadas de
San Ramon, na Bolívia. No começo, ele explicou que tinha descoberto
uma mina de diamantes. Mas no final ele escreveu apenas "socorro, socorro".
No resto da carta, havia duas páginas repletas por essa estranha palavra
escrita centenas de vezes.
A palavra que ninguém entendeu: ding... ding... ding...
Ele era apenas uma sombra para mim, mas não consegui parar
de pensar naquela carta por um ano. Mês passado, quando tiver que ir para Goiás,
decidi vir por este caminho.
Não que eu esperasse encontrá-lo, mas pelo menos teria paz de espírito.
- Quando eu correr para fora, tentem escapar.
- Não se mexa, idiota! É um truque!
Fique aqui.
Quem disse para vir aqui?! Eles podem escapar!
Está vendo?
- Nina! A peça, preciso daquela peça!
- Me dê a pedra.
- Já me arrisquei demais por essa pedra.
- Você não vai consegui-la.
- Veremos.
- Não se mexam. Não deixe eles saírem, idiota!
- Não quero ser acertado pelas costas.
- Moraes! Brutus!
- Não adianta gritar. Eles estão nos esperando no rio.
- Ei!
Espere por mim!
Tradução e Legendas: Pedro Sobral e Yuri Ramos
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