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Original subtitles

Só o depoimento de um Alarcón pode livrá-lo para sempre deles.

Suponha que coloquemos Javier Alarcón em problemas para depois ajudarmos.

Javier.

Venha até o escritório.

Castera, ligue para o banco e diga que Javier Alarcón retirará o dinheiro.

-Dois homens roubaram meu dinheiro. -Tem duas horas para resolver isso.

-Não deveríamos ter pedido para depor? -Tudo a seu tempo.

Em duas horas, ele voltará desesperado demais para recusar.

Preciso de dinheiro, Sebastián, rápido.

-A rodada é 50. Tem dinheiro? -Ele, não, mas a família tem.

"Se querem ver o filho de Dona Teresa, Javier Alarcón, vivo,

terão de pagar 40 mil pesetas."

Se o Alfredo conseguir a anulação, ele se casará comigo.

Creio que não demore para convencê-lo a vender a parte dele.

-Está propondo um trato? -Estou.

Decida.

A felicidade da sua filha ou voltar a controlar o hotel.

Eu darei a declaração.

A casa de Yanes pertencia ao seu pai, Dom Carlos Alarcón.

-E por que meu pai deu a casa a ele? -Por que não pergunta à sua mãe?

Talvez ela não saiba, mas tem alguém que sabe: Fernando Yanes.

O homem que tentou matar Andrés.

Ele irá ao antigo armazém de Monteverde amanhã ao meio-dia.

Vai passear? Vou com você.

-Então era aqui que queria vir? -Vamos voltar ao hotel.

Se veio ver alguém, entre.

-Diga a verdade. -É muito corajosa, mas é só uma mulher.

Não!

Diego, não!

Por favor, ajudem!

-Como pretende fazer? -Interrogaremos a família e os criados.

Gostaria de resolver isso sem que Dona Teresa saiba.

Sequestro não é um problema pequeno. Isso complicará as coisas.

E a família tem o direito de saber o que houve com Dom Javier.

Sei que é um pedido delicado, mas gostaria que tentassem.

-Neste caso, começaremos pelos criados. -Obrigado.

Farei o possível para realizarem seu trabalho com discrição.

Com licença.

-Não viu Dom Javier voltar? -Não, agente.

E, quando fui servir o café da manhã, ele já não estava.

-Mais alguma coisa? -Não, obrigado.

-Interrogarei a governanta. -Nem pense nisso.

Seria o mesmo que falar com Dona Teresa.

A que se deve a presença de vocês aqui?

A nada que deva preocupar-se, senhora.

Considerando que só aparecem quando há um assassinato ou um roubo,

não devo me preocupar?

Quem vai me contar: você ou um dos meus empregados?

-Um médico, por favor. -Andrés, me ajude.

Meu Deus, Dom Diego.

Por aqui, levem-no ao nosso quarto.

-O que houve? -Yanes...

-Yanes fez isso? -Cuidado. Por favor, tenha cuidado.

E agora, de qual crime cuidamos?

Continue com o caso de Dom Javier. Eu verei o que houve com o Sr. Murquía.

Dona Alicia, ele deve a vida à senhora, mas terei de suturar a ferida.

-Com o que o feriram? -Com um furador. Era bem grande.

-Estava sujo ou enferrujado? -Acho que sim.

Para que é isso?

Usa-se algo incandescente para ajudar na coagulação do sangue.

-O que houve? -Fomos atacados em Monteverde.

-O que faziam em Monteverde? -Por favor, não deixem Dom Diego se mover.

Ele está inconsciente.

A dor o acordará. Coloque algo na boca para ele morder.

Será melhor que nos deixem a sós. Avisarei quando terminarmos.

Vamos deixar o doutor trabalhar.

-Como ele está? -Ainda é cedo para dizer.

-Diego é muito forte. Ele sobreviverá. -Ele perdeu muito sangue.

Se quiser, pode dormir no meu quarto hoje, assim Diego descansará melhor.

Ouça sua irmã.

-Dona Alicia, não é uma boa hora, mas... -Como chegou tão rápido, agente?

Prontidão é vital na minha profissão e uma das minhas virtudes.

Preciso falar com a senhora sobre questões ligadas ao ataque.

Estou à disposição, agente.

Qual é o problema, Sofia?

Sei que me traiu, mãe.

Ouvi quando falava com o advogado do Alfredo.

Testemunhará contra mim no processo de anulação do casamento, não é?

Por que, mãe? Minha felicidade não importa?

Sem poder não há felicidade, querida. Ou acha que seria mais feliz na pobreza?

Você e seus irmãos foram muito felizes enquanto mantive o hotel nas nossas mãos.

Com nossa propriedade em perigo, precisarão fazer sacrifícios.

-Já fiz sacrifícios suficientes. -Tentou conter Alfredo e fracassou.

Deixar Beatriz levá-lo, é o único jeito de recuperar o hotel.

Não renunciarei ao Alfredo, nem ao menino. Farei o que precisar para recuperá-lo.

Mesmo que signifique destruir o hotel e sua própria família?

Esqueça, Sofia. É uma batalha perdida.

Não, mãe. Eu o amo. Enquanto ele estiver aqui, não desistirei.

Se, para isso, tiver de enfrentá-la, eu enfrentarei.

-Preciso de mais água quente. -Agora mesmo.

E o meu genro?

Farei o possível, mas o ferimento é profundo.

Pedi a ele que esperasse aqui.

-Sinto muito, Alicia. -Você não tem culpa.

Eu também sinto muito.

Deveria estar aqui para evitar esse desastre, mas não pude.

-Não pude ir com ela por causa do Diego. -Ele insistiu em me acompanhar.

Entrei sozinha achando que estariam lá, mas só estava o Yanes.

-Ele me atacou e o Diego apareceu. -Descobriu algo?

Ele me ameaçou e disse para não me meter nos assuntos dele.

Emitirei um mandado de busca e apreensão

pela tentativa de homicídio de Dom Diego Murquía.

Lamento que isso tenha acontecido, mas teremos algo sólido contra ele.

-O médico disse algo? -Ainda não. Precisamos esperar.

E Javier? Onde ele se meteu em uma hora dessas?

Uma criada foi procurá-lo, mas ele não dormiu no quarto.

Nunca tomará jeito. Ele é incorrigível.

-Como ele está, doutor? -O Sr. Murquía recuperou a consciência.

O corte é profundo, mas os órgãos estão intactos.

-Ele se recuperará? -É cedo para saber.

Vamos torcer para não infeccionar. Se a febre aumentar, me avisem.

-Pode deixar. -Ele perguntou por você assim que acordou.

Posso ir vê-lo?

Alicia...

Sinto muito.

-Não diga isso. -Está assim por minha culpa.

Estou assim porque um homem quis fazer mal a você.

Ainda bem que fui eu quem se machucou,

e não você.

Salvou minha vida.

-Não sei se me recuperarei, meu amor. -Claro que sim.

Eu te amo.

Sempre te amei. Tudo o que fiz foi para ficar ao seu lado.

Eu sei.

Sei que não mentiria a um homem que pode morrer.

-Não vai morrer. -Posso perdoar...

qualquer coisa...

menos que minta para mim.

Jure que não há outro homem.

Jure.

Eu juro.

Fui à Monteverde porque queria saber por que e como meu pai morreu.

-Jesús, viu meu filho, Javier? -Não, senhora, desde ontem à noite.

Dona Teresa, a que devo sua companhia?

Esqueça a gentileza e cumpra sua palavra. Quero Alfredo fora deste hotel.

Entenda que não posso transformá-lo em meu marido da noite para o dia.

Preciso de tempo.

Minha filha sabe que testemunhei contra ela.

Não ficará quieta, e não gosto de vê-la sofrer.

-O que quer que eu faça? -Tire logo o Alfredo daqui.

Ou retirarei minha declaração e não terá a anulação.

A última vez que viram Dom Javier foi ontem quando saiu para ir à vila.

-Sabem aonde ele foi? -Ele geralmente vai ao bar.

Acham boa ideia continuarmos investigando aqui?

Sim. Além disso, preciso de uma bebida.

Iremos depois, no mesmo horário que Dom Javier foi.

Contará o que está acontecendo?

Meu filho não dormiu no hotel.

E não estão aqui por causa do meu genro.

O que houve com Javier?

Temos motivos para crer que Javier foi sequestrado.

E todo esse sigilo tem a ver com o trabalho que ele fazia para você?

Alfredo teve de reconhecer a parte dele nisso tudo.

Agora só quero que Javier volte.

Ele se envolve em problemas, mas é como um gato.

Sempre cai em pé. Ele ficará bem.

Claro. Para que se preocupar?

Você sempre cuida de nós.

-O que houve com a Sofia? -Nada. Foi muito para ela.

-Deveria descansar. Vem comigo? -Não. Quero ficar mais um pouco.

Acabei de saber sobre Dom Javier.

-Diego. -Está aí?

-Diego? -Mãe...

é você?

-Ele está delirando. -Mãe.

Está pegando fogo. Rápido, chame o médico!

O ferimento infeccionou. Prepararei cataplasma de folha de confrei.

-Ele vai se recuperar? -Não está nas minhas mãos, senhora.

-Há algo que se possa fazer? -Rezar.

-Quer jogar? -Foi o que disse a Javier Alarcón?

-Dizem que foi a última pessoa que o viu. -Jogamos dados.

-E depois? -Ele foi embora.

Se o virem, digam que quero falar com ele. Está me devendo dinheiro.

-Disseram que não gosta de dívidas. -E quem gosta?

Mas você e seus amigos já bateram em pessoas para recuperar dinheiro.

-E Javier Alarcón foi sequestrado. -Se quiserem, podem revistar o lugar.

Não tenha dúvidas de que revistarei.

-Acho que ele está envolvido. -É possível.

Pedirei ao juiz um mandado de busca para o bar

e o antro de jogatina de Santos.

-E tem mais. -O que é?

O bilhete do sequestro. Pense bem. Apareceu de repente na recepção.

Se Santos ou um dos capangas entrasse no hotel, chamaria atenção.

-Mas ninguém viu nada estranho. -No que está pensando?

Que Santos teve a ajuda de alguém de dentro do hotel.

Que dia! Parece que os Alarcóns estão com mau-olhado.

Língua solta é pior do que mau-olhado.

Não banalize as coisas.

Me perdoe, Dona Ángela.

Está tendo uma festa na vila e pensei em ir.

Talvez possa me acompanhar.

Eu?

-Não posso, tenho muito trabalho. -Tudo bem.

Amanhã será uma manhã tranquila. Posso cobrir você.

-Escute, Camila. -Diga.

-Chame o Antonio, ele gosta de dançar. -Tudo bem, vou chamar.

-O que foi? -O que acha? Contarei no nosso quarto. Vá.

Dona Alicia, sei que Dom Diego se feriu

porque a senhora e Julio queriam me proteger do Yanes.

Sinto muito, é minha culpa.

-É uma vítima, Andrés, como Diego. -Obrigado, senhora.

Não me chame assim.

Depois do que passamos, me chame pelo meu nome.

Não. Imagine se falo assim em público. Que desastre seria.

Espero que encontrem logo Dom Javier.

Infelizmente, não tenho irmão,

mas imagino que essa incerteza seja algo horrível.

Sim.

Andrés...

-Seu consolo me ajuda. -Fico feliz por ouvir isso.

-Andrés, sabe onde o Julio está? -Ele acabou de subir para o quarto.

Julio.

Se me olhar nos olhos, não conseguirei falar.

Então não vou entrar.

Não podemos continuar com isso.

Garrido morreu e meu marido está lutando para sobreviver.

Tudo por nossa culpa, Julio. Por causa do que fizemos.

Nosso amor não pode ser bom.

Não pode ser, porque só traz desgraças.

Sinto muito...

mas não aguento mais. Sinto muito.

Julio.

-Dom Javier, o que faz aqui? -Fale baixo.

Sua família está muito preocupada. A polícia está atrás de você.

-Outro motivo para falar baixo. -Vou avisar sua irmã.

-Não diga nada. -Dona Alicia está passando mal.

Eu sei. Ela acabou de vir aqui.

Está arrasada, mas não por minha causa.

-A Alicia veio aqui? -Sim.

-Então ela sabe que você está bem. -Não.

-Ela me confundiu com você. -Comigo? Desculpe, mas é impossível.

Eu sei. Você é menor do que eu. Bom, quase.

Mas ela não me viu. Ficou no corredor. Ela estava muito triste, Julio.

-Aconteceu algo com o Diego? -Não.

Mas você não se importaria, não é?

Assim poderia ficar com ela.

-Não sei do que está falando. -Sabe, sim. Eu ouvi tudo.

Pena que ela veio terminar o caso de vocês.

Sinto muito, Julio. Pode ser mais bonito e jovem,

mas não tem como competir com um marido moribundo

e rico.

Se não quiser que eu conte, é melhor me ajudar a ficar escondido.

E o que vai contar se, como disse, o caso já acabou?

Mas aconteceu. Isso basta para minha mãe expulsar você.

-O que quer que eu faça? -Primeiro, não conte a ninguém.

Segundo, me ajude a ficar escondido até pagarem meu resgate.

-Para quem vão pagar? -Para quem acha? Para mim.

Então você é o sequestrador e o sequestrado?

-Isso mesmo. Vai me ajudar ou não? -Como se eu tivesse escolha.

Andrés virá logo. Vamos procurar outro quarto.

Você primeiro.

Quem está aí?

Não se preocupe.

Sou eu.

Sou só eu.

Estava surpreso por demorar tanto para vir.

Dom Carlos. Veio para me ver morrer, não é?

Tem esperado impaciente a minha hora chegar.

Não me olhe assim!

O que esperava que eu fizesse?

Se não tivesse me traído,

estaria vivo.

-Do que está falando? -E eu não estaria...

-morrendo. -Diego.

Não pense que descansaremos em paz.

Sua filha, Alicia,

é muito inteligente. E deixamos muitos rastros.

Ela vai encontrar.

E talvez ela descubra...

tudo o que fiz.

Mas talvez ela também descubra, afinal, quem você é.

Ninguém pode se hospedar no quarto 12. Acabou de ser pintado.

É mais seguro e muito mais confortável.

Suas camas são horríveis.

-Vou pedir algo para jantar. -O que está fazendo? Vão descobrir.

Eu sei. Estava brincando.

Por que pediria serviço de quarto se tenho um garçom aqui?

-Não me olhe assim. Não estou louco. -Por isso se sequestrou?

Considerando a situação que estou, é a coisa mais sensata que poderia fazer.

Desta vez, eu me meti em problemas por tentar ajudar minha família.

Garanto que sua família vai adorar o que você está fazendo.

Ficarão felizes por me verem voltar a salvo.

Pouco depois, recuperarei o dinheiro que acham que perdi. Planejei tudo.

Então você mandou um bilhete pedindo resgate.

-Sim. -Onde e quando vão entregar?

-Não pus no bilhete. -Começamos bem.

Vou fazer outro.

Javier, não percebe que isso é uma loucura?

Não mais do que se envolver com um empregado.

Nunca pensei que Alicia amasse Diego, mas um garçom?

Suas companhias são melhores?

Ando com empregadas e garotas da vila, mas não me apaixono por elas.

Com certeza, elas são muito jovens.

-Chega de piadas. -Não. Tudo isso é uma grande piada.

Tomara que não acabe mal.

Fique calmo, Andrés, sou eu.

Tive um pesadelo com Yanes e o que ele fez com Dom Diego.

Será a ruína dele. A polícia está atrás dele.

Ele irá preso pelo que fez.

Isso acabará logo. Agora descanse.

Andrés?

Que belo dia! E ainda não cumpriu sua promessa de me mostrar os jardins.

Alfredo, o que houve? Parece que estou falando sozinha.

Desculpe, mas estou preocupado com o que houve com o Javier.

Independente do que os Alarcóns digam, a culpa não é sua.

-É culpa dele. -Não desta vez.

Castera e eu armamos uma cilada para ele.

-Talvez devêssemos pagar os 40 mil. -É muito dinheiro.

-A vida de uma pessoa é inestimável. -Querido, depende da pessoa.

Com licença, senhor. Chegou isso.

-Tem o selo da Casa Real. -Vamos, abra.

Querem que eu vá para o Gabinete de Protocolo.

E que ajude com os preparativos do casamento de Sua Majestade.

Você fará um ótimo trabalho.

-Tem algo a ver com isso? -Quase nada.

Se pediram, é por mérito próprio.

E porque seu pai conhece o Duque de Sotomayor,

o braço direito do rei.

Ele só fez com que seu nome aparecesse entre os candidatos.

-E então, o que acha? -É lisonjeiro e irresistível.

Mas preciso pensar.

O casamento está chegando. Precisam da sua resposta o quanto antes.

Eu sei, mas não posso deixar o hotel assim.

Entendo que não queira ser precipitado,

mas, se quer mesmo romper com a família Alarcón,

não creio que terá uma oportunidade melhor.

Alicia.

-Achei que tivesse sido clara ontem. -O que houve com Diego não é sua culpa.

E não se preocupe com Javier. Garanto que está bem.

Tomara que tenha razão.

-Mas não é só isso. -E o que é?

Diego passou a noite com febre, delirando.

Num momento em que achou que falava com meu pai,

disse que, se não o tivesse traído, ainda estaria vivo.

-Diego disse isso? -Sim.

E que eles deixaram rastros do que fizeram.

E então olhou para o cofre.

Garrido se empenhou para conseguir os documentos,

e Diego queria muito recuperá-los.

Não estou surpresa.

Neles estão todos segredos sujos do hotel e dos hóspedes.

Meu pai não era o grande homem que eu achava.

Sinto muito.

-Mas não é isso que me preocupa. -E o que é?

Venha comigo.

-O que é isso? -É o livro-caixa.

Olhei tudo da época da morte do meu pai.

Foi feito um pagamento logo antes do meu pai morrer.

Produtos químicos.

-Veja. Arsênico. -E a entrada foi do Diego.

Sim. Diego assinava todas as faturas, mas não fazia todos os pedidos.

E como descobrimos quem fazia?

PRODUTOS QUÍMICOS: CAIXAS DE ARSÊNICO

Não vejo nada estranho.

Usamos muito esses produtos. Herbicidas, fertilizantes...

-E o arsênico? -É usado para muitas coisas.

Mas não tantas caixas.

-Lembro que pediram por causa dos cupins. -Cupins?

Para misturar com verniz e passar nas vigas.

Um ninho de cupins pode ser fatal.

-Mas acabou não sendo usado. -Por que não?

-Porque não tinha pó de madeira. -E o que houve com todo o arsênico?

Creio que foi guardado na despensa.

Tudo bem. Obrigada, Mateo.

Mateo, e esse pacote? Pensei que não era para usar o quarto 12.

-Acabou de ser pintado. -Sim, mas o hotel está cheio.

O senhor e a senhora de Orduña estão nele. São recém-casados.

Queriam ficar sozinhos. Não creio que se importarão com o cheiro.

Obrigado.

Veja, trouxeram um petisco. Que atenciosos.

São restos.

Que descuido, para um hotel tão elegante.

Depois reclamamos, se quiser. Agora ficará muito mais condescendente.

-É? -É. Venha aqui.

Gostaria de falar de novo com os criados.

Farei o possível para não incomodar os hóspedes.

Incomode quem precisar. Se quiser, esvazie o hotel.

Ouviu isso, Hernando?

Trarei mais homens para vasculharem o hotel.

Dona Teresa, recebeu algum outro bilhete?

Algum indicando o lugar e a hora para entregar o dinheiro?

Não. Encontre meu filho antes. Não cederei a essa extorsão.

Estaria encorajando outros bandidos.

Onde está meu marido?

-Aconteceu algo com ele? -Houve um milagre.

-Cuidado, o machucado. -Desculpe.

Onde estava? Eu estava doido para vê-la.

-Você está bem? -Eu praticamente não dormi.

Disseram que não saiu do meu lado.

Você delirou a noite toda.

-Não se lembra de nada? -De nada.

Espero não ter dito nada que a tenha aborrecido.

Não, mas fiquei assustada.

De repente, acordou e ficou me olhando fixamente,

mas era como se não visse nada.

A última coisa que me lembro que você disse foi que eu era o único.

Eu me deixei levar.

Não sabia se acordaria de novo, mas só queria descansar ao seu lado.

Também me lembro que disse

que foi à Monteverde por causa do seu pai.

-Para descobrir sobre a morte dele. -Sim.

-Descobriu algo? -Não.

Se eu puder ajudar em algo...

Eu digo.

Tem algo errado?

Não, só estou surpresa.

-Ontem estava tão doente, e hoje... -Eu renasci.

Tudo o que quero é comemorar com você. O que quer fazer?

-Deveria descansar. -Não quero.

Parece que voltei do inferno e tudo o que passou não importa mais.

Eu gostaria de dar um passeio,

dar uma volta com você, passarmos o dia todo juntos.

Volte para a cama.

Enquanto isso, ligarei para o médico. Prometa que não sairá aqui.

Eu prometo.

Sim, entre.

-Uma pequena cortesia do hotel. -Parece ótimo.

Farei sua cama.

E, por favor, leve os restos do hóspede anterior.

-Que descuido horrível. Nos desculpem. -Não se preocupe. Já compensou por isso.

Muito obrigado. Tenham um bom dia.

Finalmente. Mal podia respirar. Para qual quarto vamos?

-Cuidaremos deste andar. Você, suba. -Sim, senhor.

-Para nenhum. Estão vasculhando o hotel. -E o que faremos?

Sei de um lugar seguro. Venha.

-Tem certeza de que não olharão aqui? -Aqui, sim. Mas, aqui, não.

Ora, ora.

-Era aqui que minha irmã e você... -Isso não é da sua conta.

É só para saber se troco os lençóis.

Este quarto não tem nada a ver comigo e com sua irmã.

Era do seu pai. Descobri por acaso.

Sim. Tudo isso era do meu pai.

Veja, a antiga garrafa de bolso dele. Ele nunca se separava dela.

Uma noite, bebeu muito e disse que preferiria ver Alicia com um garçom

a vê-la com Diego.

-Que ironia, não? -E como Dom Diego reagiu?

Acho que ele não ouviu.

-O que está procurando? -Isto.

Escreverei um bilhete com a mão esquerda para não saberem que sou eu.

E você fará chegar à minha família.

Deixarão o dinheiro no bosque amanhã de manhã.

-Não vão deixar. -Vão, sim. Não conhece minha mãe.

Talvez não conheça, mas eu a ouvi dizer que não cederá a esta extorsão.

Se sair pelos fundos do hotel, ninguém o verá.

Por que não reaparece e diz que conseguiu fugir?

-Não passei por tudo isso à toa. -E o que fará?

Ainda não sei, mas terei de mudar um pouco meu plano.

Agora vá.

Legendas: Valéria Egidio

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