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Vieram duas pessoas do hotel perguntando por você.
Acham que você tentou matar um tal Andrés.
Eu os ouvi dizer que têm provas. Um filme.
Yanes está no hotel. Andrés, fique aqui.
-Ele não vai procurá-lo aqui. -Tudo bem.
Alfredo!
-Beatriz, espere. -Sofia, o que é isso?
Acabou. Vou pedir a anulação.
-O que está fazendo com minha esposa? -Nada
Roubarei o cofre durante o baile.
Depois levarei o conteúdo para o Garrido.
Vá embora, saia daqui.
O conteúdo do cofre que está no escritório do seu marido.
Você aí!
EM MEMÓRIA DE JUAN LUIS GALIARDO
-Não pode ficar aqui. -Vim ver minha esposa e perdi a carteira.
-Não há nada aqui. -Eu a acompanhei até a cela. Ficou lá.
-Espere aqui. -Obrigado.
-Sr. Murquía, o que o traz aqui? -Detetive, como vai?
-Eu sei o que o trouxe aqui. -O quê?
A sua esposa, mas tenho boas notícias.
Meu subordinado descobriu que ela é inocente, e eu a soltei.
Ela já está no hotel. Já pode voltar e vê-la lá.
-Não encontrei sua carteira. -Eu sim. Com licença.
Dom Diego.
-Sim? -A pasta com as coisas que Garrido roubou.
O caso está encerrado. Leve-a.
-Obrigado, Detetive. -De nada.
Você é um ótimo profissional.
-O que você fez é uma loucura! -Já basta a minha mãe dizendo isso.
-Como o Andrés está? -Ele levou um susto, mas está bem.
-Prometi que iríamos até Monteverde. -Primeiro, há algo mais importante.
-Está falando da Isabel? -Aconteceu alguma coisa com ela?
Ela foi embora.
O erro dela foi se apaixonar por você. Isso sempre dá problemas.
-Esses problemas acabaram. -Eu espero, Julio.
Garrido tinha um bilhete com seu nome. Temos que achar e destruí-lo.
-Você sabe onde está? -Escondi na sala de jantar dos empregados.
Quando fui buscar, não estava mais lá.
Hernando deve ter levado com os outros documentos.
Era um papel pequeno, manchado com o sangue do Garrido.
-Qual é o problema? -Eu vi na delegacia, dentro da pasta.
-Eu poderia ter pegado... -Não se preocupe, eu cuido disso.
-Vou com você. -Não, Diego estará me observando.
Faça o que prometeu a Andrés e vá para Monteverde. Acharei o bilhete.
O que houve?
-Um homem morreu por nossa culpa. -Garrido fez a sua escolha.
Não teria sido melhor se tivesse contado ao Diego?
-Você aceita? -Só disse que lhe daria uma chance.
Obrigado, Alfredo. É mais do que a minha mãe já fez por mim.
Ela te deu a gerência do hotel e você não foi muito bem.
-Agora é diferente, eu juro. -Eu espero.
Mudei de ideia porque acho que você não deve pagar pelos erros da sua família.
Javier! É a Alicia.
-O que aconteceu? -Ela está livre.
Mateo, diga à Dona Teresa que cheguei e que tenho o que ela queria.
-Sim, senhor. -Vou para o meu quarto.
-Alicia. -Você nos deu um susto enorme.
-Alicia, estou tão feliz. -Também estou feliz em vê-los.
-Mas estou cansada e quero descansar. -Claro.
-Quer a minha companhia? -Não precisa. Com licença.
Diego.
-Eu senti muito a sua falta. -Meu amor. Estava muito preocupado.
-Diego, estão com você? -Sim. Estão aqui.
-Por favor, nos dê licença. -Sim.
-Está tudo aí? -Sim, senhora.
-Tenho que ir até Monteverde. -Com Dona Alicia?
-Não, vou sozinho. -Isso pode ser perigoso.
Não deixarei o Yanes ficar livre depois do que ele fez.
-Espera. -O que foi?
Vou com você. Está fazendo isso por mim. Não vou deixá-lo ir sozinho.
Alicia.
Sim?
Mateo me contou que Isabel Beneito foi embora sem falar com Dona Ángela.
O que houve? O que você devia a ela para se entregar no lugar dela?
Lealdade. Isabel sempre foi muito boa comigo.
Eu sabia que Ayala descobriria minha inocência. E lhe dei tempo para fugir.
Para fugir do Agente Ayala? Ou seria do hotel?
Da polícia. A lei não é indulgente com os criados, comigo seria diferente.
Isabel poderia ter um segredo, por isso matou o Garrido e fugiu.
Que segredo ela poderia estar guardando?
Eu vi o Garrido roubando, ele ia me matar.
A Isabel viu isso e salvou a minha vida.
-Tem certeza de que é tudo, querida? -Por que pergunta isso, Diego?
Garrido era seu braço direito. Ele roubou e ia matar a minha filha.
E se alguém tem direito de ficar brava, é ela.
-Cuidado com o que você fala. -Sim, senhora.
Vá descansar, Alicia. Esperamos você para almoçar.
Vou pedir para prepararem o quarto.
-Viu alguma coisa? -Não.
Tem certeza? Ele pode estar escondido.
-Por que veio, se está tão assustado? -Não estou com medo, é só respeito.
-Vamos entrar? -Como?
Você trouxe uma chave ou um grampo?
Um método não tão sofisticado, mas funciona.
Veja.
Esse deve ser o filme. Ou o que restou dele.
Queimado. Perdemos as provas contra o Yanes.
-Então vamos embora. Ele pode voltar. -Para quê? Ele foi embora.
Espere.
O que está fazendo?
Telefonista, aqui é Fernando Yanes. Qual foi o último número que liguei?
Sim, com ele. Obrigado.
-Para quem ele ligou? -Para o fotógrafo, Núñez.
-Quem é ele? -Eu e a Alicia falamos com ele.
Ele disse que não conhecia o Yanes.
Tenho certeza que ele falou sobre a prova que o relaciona com o acidente.
Se tivesse sido um acidente, não estaríamos aqui.
-Ele me conhece, mas nunca viu você. -Não. Não, não vou fazer isso.
Não quer saber quem tentou te matar? Faça algo!
-Finja que é um cliente... -E pergunto por Yanes, que fugiu?
Julio, ele vai perceber. E se é amigo da pessoa que tentou me matar,
talvez ele saiba quem sou eu. Já me arrisquei vindo até aqui.
-Então, o que quer fazer? -Voltar, antes que percebam que saímos.
Agente Ayala, que surpresa. Você por aqui de novo?
-Sim. Gostaria de falar com você. -Vamos para o meu quarto.
Com licença, um segundo.
Mateo, peça ao Espinosa para levar um chá ao meu quarto, por favor.
-Sim, senhora. -Obrigada.
Venha. Talvez minha mãe não tenha notado nada.
Espinosa: vá ao quarto da Dona Alicia.
Acredito que estava saindo para falar comigo. E esse era o motivo?
"Sua esposa está lhe traindo com o garçom, Julio Espinosa".
É o bilhete?
-O que vai fazer com isso? -Esse papel já trouxe muitos problemas.
Obrigado, Agente.
Não estou dando uma segunda chance para ter a gratidão de vocês.
Um homem já morreu. Pensem no que estão fazendo.
Isso não pode terminar bem.
E tem mais.
Meu homem não conseguiu entrar na casa do Yanes, mas sim no cartório.
Ele descobriu algo que não irão gostar.
A casa do Yanes era do seu pai, Dom Carlos Alarcón.
-E por que deu a casa para ele? -Por que não pergunta à sua mãe?
Minha mãe só diria mentiras. E me pediria para não interferir.
Talvez ela não saiba, mas tem uma pessoa que sabe: Yanes.
-E você precisa encontrá-lo. -Como?
Fui à casa dele. Sua última ligação foi para o fotógrafo Nuñez.
Ele poderia saber.
Ele já nos conhece, mas não conhece o senhor.
-Não temos dados para interrogá-lo. -E quando isso o impediu, Agente?
Hoje tenho a tarde livre. E pensei em dar um passeio por Monteverde.
-Fico feliz que sua irmã esteja livre. -Você acredita nisso?
-Foi presa por proteger uma criada. -Um gesto nobre, que deveria contemplar.
-Não esqueci o que você fez por mim. -E pelo filho que achei que teríamos.
-E nem teve coragem de dizer a verdade. -Não queria machucá-lo ainda mais.
Nada dói mais que uma mentira.
E não é uma mentira não me falar sobre o pedido de anulação?
-Quem te disse isso? -Você é um homem bom, não faria isso.
-Sua mãe e Beatriz que estão fazendo isso. -Elas estão me apoiando.
-Mas a anulação é uma questão nossa. -Não deveríamos conversar a sós?
Alfredo, como você disse, se sacrificou uma vez por mim.
E tudo que fiz, foi para não perdê-lo. Isso não desaparece da noite para o dia.
Não desapareceu, Sofia. Você acabou com isso. Com licença.
Javier.
Venha comigo ao escritório.
Eu sei como é ser excluído dessa família.
Não vou fazer o mesmo com você. Você será meu assistente, mas um erro...
-Não vou cometer erro algum. -Não é por você, é pelo hotel.
O trabalho é muito delicado. Um erro pode significar a nossa ruína.
-Já ligaram. O dinheiro está pronto. -Muito bem.
Javier, quero que vá ao banco e busque o dinheiro dos salários.
-Dinheiro? -Isso é um problema?
Não, como você quiser.
Castera, ligue para o banco, diga que o Sr. Alarcón buscará o dinheiro.
-Precisa de alguém para acompanhá-lo? -Não, não é necessário.
Vamos.
-Vejo que voltou aos velhos hábitos. -Mas é verdade, dois homens me atacaram.
-Não acreditam em mim, não é? -Pelo contrário, por que acreditaríamos?
Com seus antecedentes...
Sua mãe acreditaria?
Vou fazer uma proposta, Dom Javier.
Vamos ignorar o fato de você tentar nos enganar tão descaradamente.
Em troca, você vai buscar o dinheiro de onde escondeu.
-O que você acha? -Eu não menti, Alfredo. Fui assaltado.
-Você tem duas horas. -Precisa acreditar em mim.
Duas horas.
Aqui está o dinheiro. Mando devolver ao banco?
Sim. Não devíamos ter pedido para ele depor a meu favor?
Tudo em seu devido tempo. Ele voltará desesperado e não irá recusar.
Não sei como você conseguiu que Alfredo o colocasse como assistente dele.
É o melhor lugar para ajudar a Sofia e o hotel.
Bom, mas não estrague tudo. Não vamos perdoar outro erro.
-Preciso de dinheiro, Sebastian, rápido. -Pensei que já tinha se endireitado.
-Não é tão simples. -Quanto?
-Vinte e cinco mil pesetas. -Pegue uma bebida, eu pago.
Preciso do dinheiro.
-Estou disposto a fazer qualquer coisa. -Quanto você tem?
Só cinquenta.
Espere aqui, eu já volto.
-É esse? -É.
-Javier Alarcón, este é o Juan Santos. -Começamos com 10 por rodada.
Você tem dinheiro?
Ele não, mas a família dele tem.
Acho bom que estejam dispostos a pagar por suas perdas.
-Não vim aqui para perder. -Jogue logo.
-Por favor, me desculpe. -O dobro ou nada.
Tenha cuidado com a caixa do chapéu. Leve a pequena em pé.
-Não me diga que vai embora do hotel. -Não se preocupe, uma parte ficará.
Ou esqueceu que agora aqui também é minha casa?
-Como posso esquecer isso? -Eu volto, não duvide disso.
Alfredo!
Com licença, vou me despedir do meu filho.
-Já está indo embora, mãe? -O que mais posso fazer?
-Beatriz. -Eu disse que vamos sentir falta dela.
Não duvido. Como vão as negociações do Castera?
-Conseguiu algum depoimento? -Estou tentando, mãe.
Enquanto isso, deixo você em boas mãos.
-Quer que a acompanhe? -Não, continue trabalhando.
Beatriz pode me acompanhar.
Não esqueça as malas. Lembre-se, prudência e não tenha pressa.
-Meu filho é... -Muito nobre.
E moralista. Mas sei que gosta de você. E quando tiver a anulação, ele será seu.
-Sabe que isso tem um preço. -Não se preocupe.
Assim que tivermos filhos, farei com que Alejandro não herde nenhum título.
Não sei no que meu filho está pensando. Nosso sobrenome nas mãos de um bastardo.
Bom, seja paciente e muito discreta.
-Mateo. -Sim, senhora?
Sei que meu marido é o gerente do hotel, mas preciso saber uma coisa.
A quem você é leal? A ele ou aos Alarcóns?
Aos Alarcóns.
Quero que faça uma coisa.
-Mas ninguém deve saber que eu ordenei. -Sim, senhora.
-Dom Antonio. -Pois não?
Tenho uma mensagem da Dona Elisa de Vergara.
Dona Elisa me pediu que redigisse este documento para você assinar.
Ela não confia na minha palavra?
Não posso falar pela Dona Elisa, mas...
se alguém quer cumprir com sua palavra, não devia ser problema colocá-la no papel.
Há um lugar maravilhoso para passear, perto do lago. Não é muito longe.
-Aqui está. -Obrigado, Dom Antonio.
Enviarei para Dona Elisa imediatamente.
Se me derem licença, vou dar um passeio.
Telefonista, com a Marquesa de Vergara.
Enviarei o documento que sua mãe pediu ao Sr. Castera.
-Levo mais alguma coisa, Dom Alfredo? -Não.
Tudo bem.
Pode selar o envelope? Sua mãe disse que era importante que ninguém o lesse.
Pode deixá-lo aqui.
Dom Alfredo, não leia esse documento. É uma armadilha.
Sua mãe não me pediu isso.
-Uma armadilha? -Sim.
Mas Dona Beatriz o assinou.
Não me interessa de onde saiu esse papel, apenas que você assinou.
Alfredo...
Se casarmos e tivermos filhos, você excluirá o Alejandro da herança.
E fará o necessário para o seu primogênito herdar o título de Marquês?
-Eu sinto muito. -Meu Deus, Beatriz.
Acabei de descobrir que minha esposa e sua mãe me manipularam
e agora você faz a mesma coisa comigo e com meu filho?
-Seu filho? -Sim, é meu filho. Sou o pai dele.
Você não é um pai qualquer, é um nobre, o Marquês de Vergara.
Você tem uma responsabilidade. E passará o título ao filho de um estranho?
Eu o batizei como Vergara. Nos olhos de Deus, ele é meu filho.
-Eles te enganaram. -Eu amo esse menino.
Eu não quero separá-lo dele. Nunca vai faltar nada a ele.
Você não sabe como é se sentir desprezado. Não vou deixá-lo crescer se sentindo
rejeitado pelo pai, muito menos por um título.
Não é só um título.
Se casarmos, ele será o principal herdeiro da fortuna da minha família.
Gostaria que o herdeiro tivesse seu sangue, um filho nosso.
Se casarmos. Ninguém falou sobre casamento, só você e minha mãe.
Você tratou a mim e meu filho como mercadoria barata.
Só vim aqui porque amo você. E sei que podemos ser felizes juntos.
Não, Beatriz, quero que você vá embora agora.
Foi você, não foi? Você mandou aquele documento para Beatriz.
-Sim. -Mais uma mentira sua.
-Jurei que não mentiria mais para você. -Você não jogou limpo.
Nem a sua mãe e a Beatriz. Eu as ouvi.
Elas queriam enganá-lo e prejudicar o nosso filho.
E por que não me contou?
Sabia que fazendo isso, você descobriria.
E ficaria bravo comigo.
-Não fiz isso para recuperá-lo. -E por que fez?
Por nosso filho. Mesmo não tendo ele, eu o amo e quero o melhor para ele.
Não espero que você me perdoe, só que cuide bem do Alejandro.
Como pode ver, também sou capaz de me sacrificar por quem eu amo.
Obrigado. Da próxima vez, não precisa fazer uma coisa dessas.
Acreditarei em você.
-Senhorita, poderia trocar as toalhas? -Claro, senhor.
-Obrigado. -É para isso que estamos aqui.
-Camila, nunca toque os clientes. -Desculpe, não estou entendendo.
Nenhum contato com os clientes. Não fica bem. Parece falta de respeito.
-Nós os servimos, não somos amigos deles. -Eu sinto muito. Não acontecerá de novo.
É importante que você aprenda com os erros.
E tente não cometer o mesmo erro duas vezes.
Sim, senhora, não vou esquecer.
Ela não me repreendeu, nem nada. Pelo contrário, me deu conselhos.
-Não sei por que dizem que é rigorosa. -Você descobrirá isso sozinha.
Está estranha desde que Dom Ernesto se foi. O sal, por favor.
Meu Deus.
Sinto muito. Como derramei o sal, queria espantar o azar.
Sim, e me acertou em cheio. Não riam. Não sabem como arde.
Venha, vamos limpar com água.
Abra os olhos.
-Melhor agora? -Esse é o meu quarto, não é? Que bagunça.
-Não pode ser tão supersticiosa. -A sorte existe. Não podemos ignorá-la.
Não, eu já percebi isso.
-Deixe-me ler a sua mão. -Não, não acredito nessas coisas.
Todos que dizem isso é porque têm medo que no futuro aconteça algo ruim. Deixe.
Não quero saber, se continuarei azarado, não vou gostar.
Por favor.
Tudo bem. Mas se vir algo ruim, não me conte.
Esta é a sua linha da vida.
Está vendo essa curva? Significa que teve uma infância feliz.
Esta é a sua linha do amor. Também é muito comprida.
Mas aqui, de repente, é interrompida.
Andrés, algo importante deve ter acontecido com você recentemente.
-Vai embora. -Eu não terminei.
Tanto faz, já disse que não quero saber nem do passado nem do futuro.
O que tiver que acontecer, acontecerá. Agora, deixe-me sozinho.
-Trabalhou 15 anos na Villa Nápoles? -Sim, senhora.
-Foi demitido? -O dono morreu e o filho fechou o hotel.
-Você tinha folga? -Um dia por semana, senhora.
Aqui os maîtres só descansam dois dias por mês.
-Posso me adaptar a isso. -Isso é fácil de dizer.
A quantidade de dias de folga não é importante para mim.
Muito bem. Nós avisaremos assim que tomarmos uma decisão.
-Por que não gostou desse bom homem? -Está acostumado à vida boa.
Não se adaptaria.
-Parece disposto a se adaptar. -Só disse isso pelo salário. Não serviria.
A questão do maître está ficando eterna. Deveria reduzir suas exigências.
Desculpe, Agente, gostaria de ajudá-lo, mas não conheço nenhum Fernando Yanes.
Não? Tem certeza? Porque visitei a central telefônica local
e disseram que o Sr. Yanes o ligou antes de fugir de Monteverde. Não foi?
Espere. Claro, o Sr. Yanes.
Sim, é verdade. Ligou para dizer que estava indo embora, só isso.
Só suporto uma mentira por dia e esta é a segunda. Não terá outra chance.
Não sei aonde foi. Só deixou o contato de uma pessoa para caso de emergência.
-Você pode lhe enviar uma mensagem. -Somente em caso de emergência.
Esta é uma.
Não é justo, Agente. Fiz tudo que pediu.
Exatamente, e não quero que o avise. Amanhã à tarde você estará livre.
-Sabe onde está o Yanes? -Não sei agora, mas amanhã vou saber.
Pedi a Nuñez que enviasse uma mensagem o mandando ir ao armazém ao meio dia.
-Você nos acompanhará? -Eu tirei o dia de folga para ir.
Estaremos lá.
E não terá problemas por prender o Nuñez?
Ele só vai ficar hoje. E o que pode acontecer comigo?
Estou sob as ordens do Hernando. Seria impossível cair mais baixo.
-Está nervosa? -O que vamos fazer amanhã é perigoso.
Ayala estará lá, eu também. Você não precisa ir.
Quero ir. Não me preocupa o perigo, mas sim o que Yanes dirá.
-Por quê? -Ele tinha alguma relação com meu pai.
Meu medo é que o segredo dele envolva a minha família.
Os Alarcóns são uma família complicada.
Minha família é assim.
É bom saber a verdade.
-Você acha? -Sim.
Teria sido bom que Diego descobrisse a verdade?
Acho que não.
-O que está fazendo aqui? -Quero falar com você.
Não é um bom momento. A menos que venha se despedir.
Acho que não está fazendo muitos progressos com Alfredo.
-Está rindo de mim? -Claro que não, querida.
-Algum problema com seu amado Alfredo? -Desde quando se importa com o Marquês?
-Ele ainda é o marido da minha filha. -Dona Elisa me contou muitas coisas.
E sei como lhe incomoda tê-lo como sócio e gerente do hotel.
A felicidade da minha filha, Sofia, é mais importante para mim.
Você terá que tomar uma decisão.
-Qual? -Se o Alfredo conseguir a anulação,
acabará se casando comigo. E vou levá-lo para Villalba.
Ele ficará muito feliz lá e não será mais o gerente do hotel.
Acho que não demoraria muito para convencê-lo a vender sua parte.
-Está propondo um acordo? -Isso mesmo.
Faça o Alfredo conseguir a anulação e lhe devolvo o seu hotel.
A escolha é sua.
A felicidade da sua filha ou o controle total do hotel.
-Não precisa fingir comigo, mãe. -Eu só estava...
Tudo bem, sei o que está acontecendo. Trabalha mais desde que Ernesto se foi.
É minha responsabilidade. Estou fazendo o que tenho que fazer.
Não duvido da sua capacidade. Sei que trabalha o dia inteiro.
-Tenho feito isso há 40 anos. -Sim. Mas não é a mesma de 40 anos atrás.
Por favor, escolha um novo maître. Não pode ser tão difícil.
Nem todos se qualificam como maître para um lugar como este.
Quando Dom Ernesto começou a trabalhar, você teve as mesmas exigências.
Ele foi contratado sem o seu apoio e foi o melhor maître que tivemos.
Como você não podia se decidir, eu decidi por você.
-Miguel Vera. -Ele se registrou por escrito.
Foi mordomo do Barão de Ans. É nosso novo maître. Pedi que viesse.
-Minha recompensa por 40 anos de serviço. -Não seja dura com ele, mãe.
-Alguma notícia do Javier? -Já vai aparecer. Vejo você depois.
-Senhorita. -O que está fazendo aqui?
-Pensei que havia ido embora. -Primeiro queria te mostrar isso.
-Outro esquema da minha mãe? -Ela não tem nada a ver com isso.
Na verdade, sei que você não vai gostar. Leia, por favor.
Como pode ver, eu já assinei.
Sei que é um pouco cedo para falar disso.
Mas não é um segredo que ainda te amo como sempre amei.
Se algum dia casarmos, reconhecerei o Alejandro como meu próprio filho.
-Por que fez isso? -Porque estava errada.
Deixei-me levar pela sua mãe, pensei que era como poderia recuperá-lo.
Só você é importante para mim. Nem ela, nem o marquesado. Só você.
Sinto muito, mas ainda sou casado.
Não se preocupe, eu entendo.
-Quero ver o advogado da família Vergara. -Vou providenciar, senhora.
PARA ALFREDO DE VERGARA
-Ninguém viu Javier desde ontem à noite. -Tenho homens em várias ruas.
Na estação e no cais.
-Ele não poderá fugir. -E se ele não fugiu?
Ele virá sem o dinheiro e terá que aceitar o que você pedir.
Sim, a menos que algo tenha acontecido com ele.
Nós dois sabemos o que aconteceu. Ele bebeu em Cantaloa e dormiu na rua.
Vou mandar alguém procurá-lo.
Dom Antonio. Dona Teresa quer falar com o senhor.
-Qual é o problema, Mateo? -Achei isso na recepção. É para o senhor.
Dona Teresa, queria falar comigo?
Soube que precisa que alguém conte o que aconteceu quando nasceram os bebês.
E você vai impedir isso?
Eu irei depor.
Sabe que sua filha vai perder o marido e a guarda da criança?
Estarei sob juramento e terei que dizer a verdade, por mais dolorosa que seja.
Feche a porta.
-Aproveite o seu dia de folga, Agente. -Claro. A delegacia está em boas mãos.
-Agente Ayala, preciso da sua ajuda. -Estou de folga, meu superior o ajudará.
-Qual é o problema? -Não, quero que você cuide disso.
Com muita discrição.
Leia.
PARA ALFREDO DE VERGARA
"Para ver o filho da Dona Teresa vivo, Dom Javier Alarcón, vão ter que pagar...
-Quarenta mil pesetas? -Agora entende a minha insistência?
Ayala, preciso de você para isso. Quer dizer, você e nossos homens.
-Já devíamos ter saído. -O que posso fazer?
Os clientes não param de pedir.
Julio, espero você lá fora em 15 minutos.
Guillermo, sabe chegar ao antigo armazém de Monteverde?
-Sim, senhora. -Vai dar um passeio?
Não sei. Estava pensando nisso.
Ultimamente passa mais tempo no carro do que no hotel. Eu vou com você.
Você está certo, não deveria usar tanto o carro do hotel.
Por que não vamos passear nos jardins?
-Ela disse para onde queria ir? -Para Monteverde, senhor.
Vamos até lá. Ou há algo que não quer que eu saiba?
-Claro que não. -Então, vamos. Rápido.
Então, é aqui que você queria vir?
Um lugar um pouco estranho.
-O que pode ter aí dentro? -Nada.
-Vamos voltar para o hotel. -Se marcou com alguém aí, entre.
Não se preocupe, Alicia, espero você aqui.
Agente Ayala?
Não se incomode.
Estamos só nós dois. Sozinhos.
O Nuñez me entregou?
Por que você queria matar o Andrés? E como conheceu o meu pai?
Qual pergunta quer que responda primeiro, Alicia?
Posso te chamar pelo seu nome, Alicia?
Não vim aqui para você rir de mim.
Diga, por que meu pai te deu aquela casa?
Então você também sabe isso.
Achei que sua família era melhor mantendo segredos, Alicia.
Diga-me a verdade.
-Não sou eu quem tem que dizer isso. -Então, quem deveria me dizer?
Esqueça tudo isso. Vá embora e não machucarei você.
Nem você, nem o Andrés, nem aquele rapaz que acompanhou você.
-Não saio daqui até você me contar tudo. -Farei tudo para você me deixar em paz.
Fique longe de mim.
-Fique longe de mim! -É muito corajosa, mas é uma mulher.
Vou lhe matar.
Não!
-Não! -Diego!
Diego!
Não!
Socorro!
Socorro!
Por favor, me ajudem!
Legendas: Simone Campbell
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