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Original subtitles

Se te acontecesse algo, eu nunca me perdoaria.

-É minha esposa e virá comigo! -Me solta!

Um cadáver não bastará para Ayala provar algo.

Eu guardei uma costela de Dom Carlos Alarcón.

Se o prato de porcelana ficar preto, é porque contém arsênico.

Dom Gonzalo Alarcón. Seu pai era irmão do Dom Carlos.

Ele esteve a ponto de arruinar a família por uma fraude relacionada com minas.

Alguém ia te matar.

-O que foi? -Morfina.

Deve ministrar ao paciente uma injeção de morfina a cada seis horas.

-Só meia seringa. Mais pode ser fatal. -Eu sei.

-Por quanto tempo vou ter que tomar isso? -Não sei. Até acabar a dor, imagino.

Que enjoo. O que o tiro não fez, essa maldita morfina vai fazer.

-Me sinto estranho fazendo isto, senhor. -Por que diz isso, Andrés?

Há pouco tempo era eu quem estava de cama.

Minha mãe disse que, quando sofri o acidente, trouxeram o médico aqui.

E se preocuparam muito com minha saúde. Lhes importava se eu viveria ou morreria.

Sempre me perguntei por quê. Não passo de um simples garçom.

Você é mais que isso, Andrés.

-Você cresceu nesta casa conosco. -Sim.

Ainda me lembro de quando brincava com você e suas irmãs, como se fôssemos...

-Irmãos? -Não. Ia dizer amigos.

Mas sei que sou só um criado.

E, por mais que me sinta próximo de vocês, nunca deixarei de ser um.

Por isso, às vezes me pergunto se em algum momento fiz algo de errado.

Algo tão ruim a ponto de merecer tal castigo.

Não, Andrés. Você não fez nada para merecer esse castigo.

-Como está Dom Javier? -Vai sobreviver.

-Obrigado. -Deixei-o sob os cuidados do seu amigo.

-Ele vai ministrar a morfina. -Que amigo?

Acho que se chama Andrés.

-Aqui é onde guardam a prataria. -E produtos de limpeza tóxicos, imagino.

-Que surpresa, Sr. Molins! -Que prazer revê-la, Lady.

-Como voltou ao hotel sem me avisar? -Sabe que não gosto de chamar atenção.

Claro. Por isso se veste humildemente e entra no hotel pela entrada de serviço.

-Estava no bar do vilarejo? -A senhora me conhece, Lady.

Permita-me apresentar minha amiga, Agatha.

Ela quer ser romancista, e estou lhe mostrando como funciona o hotel.

Este jovem é filho de uma das famílias mais importantes de Madri.

Senhorita. Prazer.

É um prazer vê-lo. E não vou mais tomar seu tempo.

-Agatha, venha ver a despensa. -Já vou, Lady.

-Se me dá licença, estou com pressa. -Entendo.

-Garçons não têm muito tempo livre. -Como é?

Suas roupas são humildes e desgastadas, então não é rico.

Suas mãos são bem cuidadas, mas não usa perfume nem joias.

Então você trabalha num lugar de luxo, como este.

E, desde que nos viu, está muito nervoso.

-Me saí bem? -Sim.

Só faltou dizer que hoje de manhã eu servi seu café.

Sim.

Por favor, não conte à Lady.

É mais fácil guardar um segredo quando se recebe algo em troca.

-O que quer? -Uma boa história.

E o que seria uma boa história sem uma pitada de romance?

Quero um beijo.

Tudo bem. Mas tem que fechar os olhos.

Javier. Javier.

-Acorda! -Não se preocupe, ele está bem.

Alicia, o que aconteceu?

Cruzei com Andrés ao sair com Diego.

Ele disse que ia ministrar a morfina, mas estava muito nervoso.

-Andrés te disse algo? -Nem precisou.

Temi que Andrés soubesse que suspeitamos do Javier e fosse cometer uma loucura.

Então inventei uma desculpa para o Diego e vim correndo.

Quando cheguei, ele estava ali sentado, pensando.

Não sei se é bom ocultar que ele é filho de Dom Carlos, um Alarcón.

Ele correria perigo outra vez e sofreria à toa. Sua mãe nunca o aceitaria.

Não sabe como é difícil vê-lo todo dia, nos servindo como se...

Como eu e muitos outros, não?

-Perdão. É injusto dizer isso. -Eu entendo perfeitamente.

Alicia me contou tudo.

Por que Dom Javier iria querer me matar?

Não sei.

Mas, se foi ele, vai parar na cadeia. Eu prometo.

Até que enfim te encontrei.

Dona Teresa! Como Javier está?

Não sei o que fez, mas ele está obcecado por você.

Eu não fiz nada. E saiba que sinto a mesma coisa por ele.

Francamente, o que você sente não me interessa.

Está bem. Se é assim, falemos com franqueza.

Sei que não gosta de mim e que fez de tudo para me separar do Javier.

Não é que não goste de você.

Mas atiraram no meu filho e isso é inadmissível.

E não fiz nada para separar vocês, mas farei.

Meu marido tentou matar Javier. Duvido que possa fazer algo pior.

Se for embora com Javier, meu filho não receberá um centavo de herança.

-Não pode fazer isso com ele. -Claro que posso.

Meu filho pode viver sem esposa,

mas garanto que não pode viver sem dinheiro.

-Ele me ama! -Quando estiver na miséria, te abandonará.

Para onde irá quando tiver envelhecido e não for mais atraente para ele?

Ou acha que vai ficar com você?

Não preciso fazer nada, senhora, só abrir seus olhos.

Sabe muito bem que seu caso com meu filho é passageiro.

Javier conhecerá outra mulher e te esquecerá.

Mas e você? Jogará sua vida fora por alguns meses de paixão?

Javier.

Adriana.

Já estou melhor.

Não sei se é pela morfina, mas...

O que foi?

Javier, eu te devo desculpas. Eu senti algo por você desde que te vi.

Eu sei. Eu também. E ainda sinto.

Eu chamei de amor, mas não passava de um capricho.

O que está dizendo?

Sou casada há muitos anos e tenho uma filha.

O que isso tem a ver com sentimentos?

Você viu o que seu marido me fez. E sua filha pode morar aqui.

Quando disse que me amava, não era mentira.

Sim. Era mentira.

Você só aumentou minha autoestima. Perdão. Sinto muito, Javier.

Eu não acredito em você! Adriana!

-Foi você, não foi, mãe? -Que bom que confia no meu poder.

Mas não basta para mudar os sentimentos de uma mulher.

Embora não veja isso agora, é melhor assim.

-Diego, você cuidou do meu sobrinho? -Ainda não tive a oportunidade.

Então encontre-a.

Não esperava te ver neste hotel de novo.

Apesar de ter condições, com a fortuna que herdou, sua tia não vai te cobrar.

Não vai conseguir me provocar desta vez. Não quero conflitos.

-O que quer, então? -O que já disse à minha tia.

-Me reconciliar com minha família. -Por isso escolheu essa data?

A morte de Dom Carlos deve ter parecido um ato de justiça divina para você.

Depois de seu pai morrer numa cela, como um criminoso.

Duvido que Deus se meta em assuntos tão sujos, como os desta família.

Não quer mesmo responder às minhas provocações.

Dona Teresa o convida para jantar conosco. Continue assim. Praticando boas maneiras.

-Em meia hora, diga que tenho uma ligação. -Sim, senhor.

Obrigado.

Que surpresa, agentes.

Vamos nos permitir um capricho. Alguns mais que outros.

Antes era eu quem me escondia aqui. Vejo que as coisas mudaram.

Que bom que Javier está se recuperando.

Amanhã ele estará na missa de um ano, assim poderá falar com ele.

Acreditem, eu sonhei com este momento.

Me reconciliar com minha família e curar as feridas abertas por nossos ancestrais.

Lamentei principalmente por você, prima, mas você sabe disso.

Claro que sim.

Gonzalo tem razão. É preciso abrir caminho para uma nova geração.

Está reclamando da minha generosidade?

É preciso reconhecer que papai e Diego fizeram de tudo

para Alfredo tomar as rédeas do hotel.

E eu aceito com prazer.

É uma honra ter um marquês na liderança do hotel.

Assim posso dedicar mais tempo à minha esposa.

Papai sempre quis que todos ajudassem no hotel. Inclusive eu.

-E quero contar com todos vocês. -Dom Carlos era um homem surpreendente.

E meu pai...

Bem, é uma pena que tenha acabado assim. Que não repitamos os erros de nossos pais.

-Senhor, tem uma ligação. -Obrigado. Com licença.

Vamos. Quero saber aonde esse homem vai.

Não podemos descobrir depois?

Hernando, não vou dizer que "Deus dá pão a quem não tem dentes",

porque sua gula assustaria um tubarão. Vamos.

-Certeza que ele veio por aqui? -Sim, mas depois não sei para onde foi.

-E se não foi a lugar nenhum? -Vamos.

Não, acho que será mais interessante saber o que está procurando e não impedi-lo.

-Algum problema, meu bem? -O Sr. Villanueva não voltou.

Deve estar indisposto. Vou ver se precisa de algo.

-Eu vou. -Isso não é função do gerente do hotel.

Com licença.

Sr. Murquía!

-Agente? -O senhor teria um fósforo?

É claro.

-Muito obrigado. -Não há de quê.

Siga o Gonzalo. Te encontro lá em cima.

Posso saber por que está seguindo Dom Gonzalo?

-Senhorita, isto é coisa séria. -Eu também sou observadora, agente.

E acho que Dom Carlos não morreu de causas naturais, não é?

Por que diz isso?

Não é coincidência dois oficiais se infiltrarem no hotel

justo no aniversário da morte do proprietário.

Se não se retirar imediatamente, conhecerá nosso sistema penitenciário de dentro.

-O senhor é policial, certo? -Isso mesmo.

Pode parecer estranho, mas tenho a sensação de estar sendo seguido.

-Não me diga. -Se importaria de ficar aqui de vigia?

-Sem problemas. -Agradeço muito.

Ele escapou, Hernando.

-Acho que escapou do senhor, isso sim. -Agente, não quer mesmo a minha ajuda?

Acho que ele entrou no quarto.

Cuidado! Ele vai sair.

-Já não tinha nada nas mãos! -Deve ter guardado lá dentro. Vamos.

Você fica aqui.

Deixe comigo.

Às vezes, você é surpreendentemente útil, Hernando.

Dom Diego, tem um minuto, por favor? Tive um problema no meu quarto.

-Um segundo. -Queria falar com você.

-Jesús, ajude esta moça. -Queria falar das coisas que aprecio aqui.

E será um prazer te ouvir amanhã. Estou ocupado. Espero que entenda. Jesús.

Aqui está!

Que bom que recuperaram o que é meu.

-Mas não podem entrar assim nos quartos. -Garanto que tive um bom motivo.

Seus motivos não me interessam. Têm um mandado de busca?

Não.

Sendo assim, me vejo na obrigação de pedir que deixem o hotel. Amanhã bem cedo.

Senhores.

-Aonde você vai? -Saia daqui.

Mandei sair!

-Com licença. Vou me ausentar. -Está se sentindo mal?

-Estou cansada. Gostaria de me deitar. -Eu te acompanho.

Dona Teresa, queria mostrar o discurso que farei amanhã depois da missa.

Claro, Alfredo.

Deve estar no quarto do Javier.

O armário está aberto. Vamos.

-O que está fazendo aqui? -Vieram atrás de você. Estou interessado.

-Vá embora. Não quero mais saber de você. -Cuidado, senão arranco suas tripas.

-Faça algo! -Ainda não. Espere até ele falar.

-Quer esperar até ele matá-lo? -Espere.

-Certeza que agora quer falar comigo. -Miserável!

Perguntaram de novo da festa com o cônsul, quando me pediu ópio. Repeti o que pediu.

-Já paguei por isso. -Me pagou para mentir uma vez, não duas.

-Pague, ou contarei que saiu do bar cedo. -Não vou pagar nem mais um centavo.

Julio, olha!

Acorda!

Tire-o daqui. Eu fico com Javier.

-Rápido, não tem ninguém. -Agora sei por que o chamam de Urso.

Javier.

-Alicia, o que está fazendo aqui? -Relaxe, aquele homem já se foi.

Mas eu ouvi tudo.

Você mentiu. Me disse que estava no bar quando tentaram matar Andrés.

-Javier, você precisa me dizer a verdade. -É verdade. Saí cedo do bar naquela noite.

Saí da festa do cônsul para subir ao quarto do Andrés.

Quando entrei no quarto, ele estava deitado, indefeso.

Era a chance perfeita.

Enchi a seringa e estava determinado a usá-la.

Todo mundo pensaria que tinha sido um erro, um acidente.

Mas não tive coragem.

Tudo se complicou quando Julio entrou para ver como Andrés estava.

Eu estava aterrorizado. Se ele me visse, me acusaria de algo que nem fiz.

Não tive escolha. Bati nele e fugi.

Me escondi num quarto vazio. No outro dia, quando soube que a polícia viria ao hotel,

deixei um recado a uma das camareiras pedindo que limpasse o quarto.

-Você esteve a ponto de matar Andrés! -Mas não matei. Sou incapaz de algo assim.

Por quê?

É pela carta, não é?

Estou a par dos segredos da família, por mais que tentem esconder de mim.

Perdi a cabeça quando soube que Andrés ia herdar tudo e eu, nada.

-Que papai o amava mais que a mim. -Ele é nosso irmão.

Por isso não consegui fazer nada, Alicia. Porque é nosso irmão.

Ele não o machucou naquela noite.

E não teve nada a ver com o acidente.

No casamento, ele ficou do meu lado o tempo todo. Eu acredito nele.

-Agora temos outro problema. -Sei quem pode nos ajudar com isso.

Viu a banheira? É enorme! Cabemos os dois juntos.

-Espero que não seja um convite. -Estou cansado demais.

E esta será nossa primeira e última noite neste hotel.

Pense que é uma noite a mais do que esperava passar num lugar assim.

-A propósito, Hernando, você ronca? -Não.

-Pelo menos, acho que não. -Ainda bem.

Não suporto gente que ronca.

Boa noite.

Agente!

Agente! Também não suporto gente que ronca.

Agentes, preciso de ajuda!

Eu espero lá fora.

Ele estava roubando o hotel e agrediu meu irmão.

Temos que levá-lo à cadeia agora?

Se preferir, podemos deixá-lo dormir conosco e levá-lo amanhã.

-Achou o que estava procurando no hotel? -Não.

E vocês poderiam me ajudar.

Onde seu marido guarda documentos de valor?

Que eu saiba, no cofre do escritório dele.

Seu marido deve ter guardado um documento num cilindro de couro.

Gostaria de saber do que se trata.

Podemos tentar, mas antes quero que seja sincero, agente.

O que está investigando no hotel? Tem a ver com a morte do meu pai?

Espero contar com sua absoluta discrição.

Sua mãe impediu que o Dr. Schneider examinasse o corpo de Dom Carlos

para que fosse enterrado de novo sem revelar novos fatos.

Oficialmente, seu pai morreu de causas naturais.

-E extraoficialmente? -Fiquei com uma costela do seu pai.

Isso me ajudou a descobrir que Dom Carlos foi envenenado com arsênico.

Mas não posso usar essa prova perante a lei.

-Então acha que minha mãe... -Só sei que sua mãe está se esforçando

para ocultar qualquer coisa relacionada com a morte de Dom Carlos.

E o documento que nos pediu para pegar tem a ver com isso?

Com seu primo, Dona Alicia. Dom Gonzalo.

O que ele tem a ver com isso?

Acredito que esse documento esclarecerá os últimos dias da vida do seu pai.

E nos ajudará a descobrir por que foi assassinado e quem o matou.

Está bem. Conseguiremos esse documento. Mas antes, conte tudo que sabe sobre isso.

O que procura está num lugar seguro, Gonzalo.

Achei que tinha boas intenções, mas vejo que estava mentindo.

Vim atrás da verdade e a encontrei.

Não, querido. A verdade é o que todo mundo acredita.

E quem desvia disso parece louco ou desesperado.

-Eu vi o documento. -E ninguém mais verá. Você não tem prova.

Gonzalo. Por favor, esqueça isso.

Seu pai e meu marido morreram. E, com eles, seu mundo e seus conflitos.

Não vale a pena perpetuar essa guerra.

Claro, Méndez. Mas tem certeza que dá tempo de sair na primeira edição?

Ótimo. Obrigado.

-O que quer aqui? -Vim propor um acordo.

Desde que casei, não negocio com camareiras.

E se a sua mulher descobrisse que você teve um filho comigo?

O único bebê que nasceu neste hotel foi o de Alfredo e Sofia. O seu morreu.

Está?

-Andrés está com Dom Javier. Temos tempo. -Estou ficando sem paciência.

Dei à luz dois meninos, Diego.

Tivemos gêmeos.

Impossível.

Duvidarão que sou mãe do Alejandro se eu mostrar esse bebê idêntico a ele?

-Não pode provar que é meu. -Pode ser. Mas armarei um escândalo.

E com certeza, Dona Teresa saberá quem é o culpado.

Quero dez mil pesetas. Amanhã.

Se não me der, Alicia saberá com quem está casada.

Preciso de mais tempo.

Você tem um dia. Agora some daqui.

Julio.

Descobriu algo mais sobre Dom Javier?

Foi ele que entrou no seu quarto e pegou a morfina.

Se você não aparecesse, ele me mataria!

Ele não ia te machucar.

-Então por que foi lá? -Só queria roubar a morfina.

-Tem certeza? A seringa estava cheia. -Usou para esvaziar os frascos abertos.

-Tudo isso é muito estranho, Julio. -Andrés, pense nisso.

Ele não teve nada a ver com a outra tentativa. Estava na igreja com Alicia.

Então quem tentou me matar ainda está à solta. E nem sabemos quem é.

Por que não tentou mais? Pode acontecer a qualquer momento.

-Julio, me diga se sabe algo mais. -Não. Não vou deixar nada te acontecer.

Obrigado. Você me meteu em muita confusão, mas estou feliz que esteja aqui.

Sei que posso confiar em você.

-Você está bem? -Sim, só um pouco cansado.

-Se quiser companhia para conversar... -Isabel, você é um anjo.

Perdão.

-Desculpe. -Não. Eu é que peço desculpas.

Que boba! Sei que não gosta de mim. Não importa.

-Não é isso. Eu gosto de você, mas... -É outra mulher.

Claro que é. Por que ela não está com você?

Se ela te amasse, faria de tudo para estar ao seu lado. Como eu.

Julio, não faz sentido ficar sozinho.

Quanto tempo vai esperar por algo que nunca vai ter?

Você merece ser feliz e eu posso te fazer feliz. Me deixa tentar.

Isabel.

Justamente porque gosto de você, não quero te magoar.

Sim, é outra mulher. E sei que é impossível, mas...

-Não posso. Desculpe. -Não precisa explicar.

Você não me pertence. Nem a ela. Eu é que peço desculpas.

Alicia, querida! Agatha já vai embora para Paris.

-Espero que tenha gostado do hotel. -Muito.

Acho que ela voltará logo. Sabe? Agatha está escrevendo um mistério!

-Tem uma imaginação sem limites! -Ainda falta muito.

-Sobre o que é? -O Mistério de Styles.

É sobre uma mulher rica que é assassinada em uma remota mansão no campo.

-Os principais suspeitos são os parentes. -Interessante, não?

Como a polícia é incapaz de solucionar o caso, contratam um detetive particular.

Um velho inspetor petulante e arrogante,

e seu ajudante muito menos inteligente que ele.

Vejo que conheceu o Agente Ayala.

Também tem um romance entre uma pessoa de classe alta e um criado.

Que fantasia mais atrevida!

Que bom que sua estadia no Gran Hotel te serviu de inspiração.

Vamos, senão vai perder o trem.

-Não sofra pelos homens, Srta. Alicia. -Como é?

Sou observadora e você é um livro aberto. E agora está em uma encruzilhada.

-Estou é casada. -Para o coração, isso não significa nada.

Decida-se. Quanto mais demorar, mais vai sofrer.

Espero que faça boa viagem.

Diego, se importa se...? Perdão, Alfredo.

Diego está no salão. Acostumem-se com o fato de que esta é minha sala agora.

-Só queria guardar uma coisa no cofre. -A combinação ainda é a do Diego.

Quando eu transferir meus documentos a outro cofre, pode mudar a combinação.

Entenda que também guardo coisas pessoais aqui.

-Se importaria de guardar meu colar? -E o porta-joias do nosso quarto?

O fecho está quebrado. Amanhã o joalheiro vem buscá-lo.

Ele estará mais seguro aqui. É um presente seu, não quero perdê-lo.

Está bem.

-Você viu a combinação do cofre? -Só as primeiras letras.

Incompleta não serve para nada.

"O Roseiral." O que é isso?

Não foi difícil de solucionar. É o lugar onde Diego se declarou.

-No fundo, é um romântico. -Que bom.

Enquanto estivermos na missa, terá tempo para pegar o documento.

-Já estão aqui? -Chegaram de manhã.

-Quando voltarmos, distribua pelo salão. -Sim, senhor.

-Alicia, vamos? -Claro.

O rosei...

ral.

Mãe, vou para o meu quarto.

-Conseguiu? -Venha.

Meu primo tem relação com a morte do meu pai?

Não sei.

É a escritura das minas que seu tio Ricardo usou em sua fraude.

Por que está com minha mãe e Diego?

-Porque as terras são da sua família. -Não eram do meu tio?

Pelo visto, não. Eram do seu pai.

Ele usou seu tio como testa de ferro para que pagasse o pato.

Não. Meu pai era um homem honrado.

Sinto muito, mas seu pai cometeu fraude e deixou o irmão apodrecer na cadeia.

Gonzalo queria isto para limpar seu nome. E tinha motivos para querer seu pai morto.

Senhoras e senhores, me permitem umas palavras?

Hoje nos reunimos aqui para recordar e honrar

a memória de Dom Carlos Alarcón,

fundador do Gran Hotel e seu primeiro gerente.

E agora que a direção do hotel recaiu sobre meus ombros,

eu a aceito como um fardo. Um fardo doce.

Porque, se agora seus ossos repousam sob um frio mausoléu,

aqui sua alma permanecerá sempre viva.

E alegre, como ele sempre quis que o lembrássemos.

Também quero agradecer à Dona Teresa pela confiança que depositou em mim

ao ceder-me o lugar que um dia seu marido ocupou.

E, obviamente, agradecer também minha querida esposa.

"Marquês de Vergara Falido.

Dom Alfredo de Vergara vende todas as suas propriedades e despeja sua mãe.

Os Alarcón o nomeiam gerente do Gran Hotel por caridade."

O que está acontecendo aqui?

Legendas: Juliana Gomes da Cruz

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