All language subtitles for Santiago Amigorena - Quelques Jours En Septembre (2006 EE)

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Original subtitles

SEGREDOS DE ESTADO

5 de Setembro de 2001

Ol�...

N�o se lembra de mim?

Porqu�, nos conhecemos?

Mais ou menos, h� muitos anos.

O que voc� quer?

Bebia um caf�...

H� dez anos, quando soube que tinha vindo viver com a sua av�,

achei que n�o te ag�entava muito tempo.

Porqu�, se � a minha casa?

Aos dez anos j� tinha vivido em tr�s pa�ses...

e queria correr o mundo.

Aos dez inventava lembran�as;

agora, tento esquec�-las.

E consegue?

Recebi uma carta do Elliot.

-E depois? -Quer te ver.

-Para qu�? -N�o sei.

Ficamos de nos encontrar esta noite, em Paris.

Orlando?

O que � isto?

Uma das poucas coisas que ele me deixou.

N�o precisar� dela.

De onde conhece o Elliot?

H� dez anos, fazia o mesmo trabalho que ele.

M. Elliot, por favor.

Ligou dizendo que estava atrasado...

e pediu que o esperassem no quarto.

� no terceiro andar.

Muito cuidado.

Com qu�?

Com a pistola.

N�o � minha, emprestou-a de um amigo.

Jurei que n�o a usava.

Se n�o � para us�-la para que colocou balas?

Bem me disseram que era desconfiada...

-Quis meter-lhe medo. -Vai ent�o.

Meta-me medo.

Sr. Mulligan, espera.

Quarto 36, 3� andar.

Obrigado...

Deve ser o quarto errado...

-Quem procurava? -O meu pai.

-E est� vendo ele aqui? -N�o falo franc�s...

Espera! Chama-se como?

Mulligan.

Thomas Stephen Mulligan.

57 anos, cabelo escuro, pequena cicatriz debaixo do olho esquerdo?

Tem o cabelo branco, mas a cicatriz... Conhece-o?

S� o Elliot escolhia um nome t�o idiota...

Entra e fecha a porta.

Quando saiu da Fran�a o seu Mulligan n�o tinha um filho.

N�o sou filho dele, casou com a minha m�e quando eu tinha 13 anos.

Nesse caso posso apresentar-lhe a sua irm�?

-Minha irm�? -Isso, sua irm�.

Ele j� tinha fam�lia quando foi para a Am�rica.

Tem certeza?

Porque n�o me disse?

N�o sei.

Ol�...

M. Mulligan, por favor.

Pode ter feito a reserva em Elliot?

S� me pediram que mandasse subir duas mulheres...

e um rapaz americano, mais ningu�m.

Sim, n�o me esperam na festa.

Queria fazer-lhes uma surpresa...

Bom, espere enquanto sejam avisados.

Se avisar, deixa de ser surpresa.

Embora, o Elliot acaba de entrar num t�xi.

-Como sabe? -Estava aqui mesmo em frente.

-E foi embora? -Pega as coisas e n�o discuta.

Merda.

Venham.

-Conhece-o? -N�o.

Sorte a sua...

Lembra-se dele, voc�?

O William Pound; trabalhou com o seu pai.

Aparecia sempre que havia trabalhos sujos a fazer.

Quando viu o seu pai?

H� um m�s, disse-me que tinha que ir a Veneza...

e que demorava uns dez dias, mas nunca voltou.

Tentei ligar-lhe... Mas s� voltei a saber dele h� uma semana,

ao receber a carta mandando-me vir a Paris.

E a sua m�e, n�o soube dele?

Ela morreu h� dois anos.

-Lamento... -Morreu de qu�?

De c�ncer.

Desculpem, mas podem explicar o que se passa?

Tamb�m recebi carta dele.

S� que, antes dela,

h� dez anos que ela e eu n�o sab�amos dele.

Porqu�, o que houve h� dez anos?

As coisas... complicaram-se, no trabalho dele.

Foi obrigado a voltar para a Am�rica.

E a mulher dele?

Tinha acabado de morrer.

Boa noite, fala William Pound.

Acabo de matar um homem.

N�o se preocupe,

foi s� um porteiro de hotel.

O que me d�i foi ter cometido um fiasco...

Pois �, sinto-me ligeiramente tra�do.

Tra�do por mim mesmo.

�, eu sei.

V�m a�.

-Que � isto? -Uma tartaruga.

-E ela, como se chama? -� "ele" e chama-se Tartaruga.

Bom, o que fazemos agora?

Agora s�o 3 da manh� e dormimos.

Voc� dorme aqui. Vamos esperar at� o seu pai ligar outra vez.

Fica com o meu quarto que eu durmo no escrit�rio.

Se tiverem fome, sirvam-se.

Ol�...

-Dorme com ele? -Quando estamos sozinhos.

Anda.

Durma bem.

-Boa noite... -Boa noite, Srta. Montano.

Mas que discretos...

N�o faziam sacanagens a� no escuro, espero?

N�o quisemos importunar os seus convidados...

Procuramos um amigo seu, Monsieur Elliot.

Tamb�m s�o amigos dele?

M. Elliot trabalha conosco h� alguns anos.

Isso quer dizer...?

Representamos um grupo de bancos...

e M. Elliot aconselha-nos em certos investimentos.

Quando trabalhei com ele n�o entendia nada de dinheiro.

Ainda n�o � a especialidade dele, n�o � um economista.

Mas � um homem informado, com acesso a dados...

complementares em mat�rias financeiras.

Gra�as a essas informa��es...

os conselhos dele j� se revelaram extremamente certos.

Que bom, adoro hist�rias com final feliz!

O �nico problema � ele ter desaparecido h� algumas semanas.

E os �ltimos conselhos que nos deu...

foram que invest�ssemos grandes quantias em setores...

Inesperados.

H� dez anos que n�o o vejo.

N�s sabemos isso.

E tamb�m que mandou-lhe uma carta,

h� seis dias.

Ele faltou ao encontro.

Deve ter querido me sacanear;

como sabe que adoro tartarugas deu-me uma lebre.

A sede da nossa sociedade � em Riade,

mas aqui na Europa temos escrit�rios em Veneza.

Caso tenha not�cias de M. Elliot, � s� telefonar.

E mesmo n�o tendo not�cias, passe a nos visitar;

talvez tenhamos uma proposta a fazer-lhe.

Muito prazer, Madame.

Que � que acha, meu velho?

Muito f�cil...

N�o, n�o pensei no meu pai.

Ali�s, se quer saber, n�o pensei em nada.

Pois, con-cierge;

"con" � a palavra francesa para vagina e "cierge", para vela,

mas n�o pensei no �rg�o feminino nem na forma f�lica das velas...

Sim, � claro.

Obrigado, doutor, j� me sinto melhor.

At� mais.

"Tu de cabelos orvalhados...

Que nos olhas do alto pelas claras janelas do amanhecer,

pousa seus olhos angelicais na nossa ilha ocidental...

que, em grande coro,

sa�da a sua chegada...

� Primavera!�

6 de Setembro de 2001

-Bom dia, Ir�ne. -Elliot!

Lamento por ontem;

tomei cuidado mas ele deve ter seguido o David.

Foi o que pensei... Onde est�?

-Longe. Ela est� a�? -� minha frente.

Deixa que eu fale com ela.

Ele n�o morde.

-N�o quer falar com voc�. -Mas concordou em encontrar-se?

E o David, ainda est� com voc�?

-Est�. -Toma conta dele por mim.

Preciso v�-los, depressa.

N�o ser� f�cil, h� muita gente querendo ver-lhe...

O Pound � um empecilho, mas com os outros, me garanto.

Darei um jeito e entro em contato.

Foda-se esta merda...

Ir�ne? Fala William Pound.

-Como est�? -Demais...

E voc�?

A �ltima vez que soube de voc�,

h� coisa de seis anos, tinha morrido.

Ressuscitei h� uns meses...

O Elliot acabou de ligar?

N�o, foi algu�m que lhe roubou o celular.

Que ele disse?

Que quer me ver mas sem que voc� saiba.

Come�ou bem, h�?

Foi gentileza dele em ligar-lhe,

N�o sabia que ainda iam contatar.

Aceita um caf�?

N�o, h� tempos que deixei de tomar caf� com idiotas.

Importa-se de me explicar o que se passa?

De forma alguma.

-Ent�o? -Bom, acho o seguinte.

O seu pai sumiu no ar h� coisa de um m�s,

muita gente o procura...

e quer ver voc� e seu irm�o depressa e sem que ningu�m saiba.

Por que quer v�-los, por que tanta gente o procura,

por que sumiu...

N�o fa�o id�ia.

-E o cara que lhe ligou? -O William Pound?

Viu-o no hotel.

Quando trabalhava com o seu pai via-se como filho espiritual dele.

E o meu pai, como o via?

Como �, um idiota chapado mas perigoso.

O seu pai acaba de ligar.

Para dizer?

Que tome conta de voc� enquanto o esperamos.

�timo.

� legal, o maninho...

Que fazemos?

Levar o moleque para passear e depois vamos almo�ar.

-O cara n�o era perigoso? -� mas quer o seu pai, n�o a n�s.

Falam de qu�?

Se dev�amos come�ar por...

Montmartre, se pela Torre Eiffel.

-Pela Torre. -Boa id�ia.

Fazia o mesmo que o meu pai, h� dez anos?

N�o para as mesmas pessoas.

E agora, que faz? De quem � este carro?

Ainda trabalho para o governo, mas para uma secretaria.

O governo agora compra carros alem�es?

� a Europa...

Sabe o que ele fez estes dez anos, tirando tomar conta deste?

Mas sei que n�o p�de escolher...

e que ele n�o decidiu voltar para a Am�rica nem mudar de identidade.

Nem se me levava com ele ou me abandonava?

-Desculpem, isto �... -Do fuso-hor�rio.

Onde estamos, aonde vamos?

S�o quase tr�s; vamos almo�ar!

Que bom...

E ali o outro?

Pedimos ao criado que lhe leve um sandu�che.

Uma garrafa de Corton-Charlemagne.

E deixe-o decantar, est� bem?

E depois, o Volnay de 98.

Afinal fala franc�s?

N�o falo, mas d� para fingir em restaurantes.

Para...?

Sou Sommelier num restaurante franc�s.

E al�m disso, que faz?

Tem namorada?

Fui casado dois anos e divorciei-me h� seis meses.

Tem filhos?

Cinco, tr�s meninos e duas meninas.

N�o, n�o tenho filhos.

"Como uma tormenta numa nuvem e com profunda m�goa...

Com a noite eu chego e com a noite eu parto.

Viro as costas ao poente...

de onde confortos nos chegam.

Pois a luz, do meu c�rebro se apodera...

Com desvairada dor.�

Para o senhor.

Consom� de curgetes com hortel� e um Volnay de 98.

Dispenso a sopa.

Obrigado.

Algu�m divide comigo um cr�me br�l�e?

N�o obrigada, mas pede, n�s esperamos.

Eu divido.

Um cr�me br�l�e, por favor, e dois...

Colheres.

Quando o Elliot conheceu a m�e?

Em 93.

Sabe se trabalhava para o governo americano?

-N�o, estava desempregado. -E depois?

Depois das �ltimas elei��es tr�s homens foram falar com ele...

e pediram-lhe que voltasse a trabalhar.

Quem eram eles?

N�o sei... Mas acho que do governo.

Acha por qu�?

Eram como o cara que nos segue:

tentavam parecer t�o normais que at� metiam medo.

Obrigada.

Est� sendo seguida.

Boa noite, Srta. Montano.

N�o � ele.

H� not�cias de M. Elliot?

N�o... Mandou-me seguir?

-Mandei, mas n�o s� eu. -Eu sei.

M. Elliot ligou e deseja nos ver,

mas quer a senhora e as crian�as presentes.

Podemos contar com voc�?

S� se me der alguns dados adicionais...

sobre a sua colabora��o com o Elliot.

Que tipo de dados?

Quando viu o Elliot pela �ltima vez?

H� coisa de dois meses.

Ele devia ir a Veneza em Agosto.

Certo, t�nhamos ficado de nos encontrar em Washington...

mas preferiu mudar o local do encontro...

e transferiu-o para Veneza. Infelizmente, n�o apareceu...

Parece desconfiar de n�s, mas nada temos a esconder.

Ele mudou o local do encontro, por qu�?

M. Elliot aconselhou-nos a n�o irmos aos Estados Unidos

durante este per�odo... sens�vel.

Sens�vel, por qu�?

N�o fomos n�s que mudamos o local do encontro, mas ele...

O trabalho que M. Elliot faz � fornecer-nos informa��es,

n�o ser informado de coisas que ele ignora.

Continuo sem perceber o por...

Venha a Veneza e logo falamos.

-Eu vou. -Com as crian�as.

Com as crian�as.

O Elliot espera-nos em Veneza.

-Fant�stico, quando partimos? -Disse que n�o era ele...

E n�o era mas algu�m a ligar por ele.

Vamos de trem.

De trem, por qu�?

Ela sabe que, no aeroporto, v�o encrencar com a pistola dela.

Se nos apressarmos ainda pegamos o trem da noite.

Afinal sempre tomo o caf�.

Ah, e por qu�?

N�o sei, talvez prefira olhar um idiota nos olhos...

a t�-lo sempre �s costas.

Est� bem... Encontramo-nos onde?

N�o quer subir?

Os filhos do Elliot est�o a�?

Est�o.

Prefiro outro lugar.

Tem certeza? Lembra-se da Raymonde?

Daqui � uma hora, l�; pode calar-se?

Est� bem.

Telefone.

Obrigado...

William, aqui � a Ir�ne; estou um pouquinho atrasada.

Foi simp�tica em avisar...

Mas podia ter me ligado para o celular.

� verdade, podia...

Mas quis ter a certeza que estava mesmo na Raymonde.

Adeus.

Foda-se!

Perdi-os. Se David Mulligan sair de territ�rio franc�s, avise-me.

Ol�, doutor, aqui fala William Pound.

-N�o diga que voltou... -N�o matei mais ningu�m.

Tive s� um contratempo.

Cometeu um erro?

N�o, digamos que confiei na minha intelig�ncia...

e fiz uma burrada.

Voc�s t�m celular?

N�o sei se d� na Europa...

Nunca tive.

Vamos ter cuidado.

Se quer mesmo, encontra-nos. Mas vamos ter cuidado.

-Por qu�? -Porqu� o qu�?

Porqu� o cuidado � sempre com a gente?

� quest�o de meios, como com o Elliot;

querendo podem encontr�-lo, mas isso exige meios, tempo...

E n�o sei que meios t�m nem de quanto tempo dispomos.

Que foi?

N�o, nada...

Se voltar a querer que um celular n�o funcione...

h� maneiras mais f�ceis do que atirando-o de um trem.

Volto j�.

N�o, lembrei-me duma discuss�o com o meu irm�o.

Est�vamos em f�rias em Quimper.

N�o me lembro do motivo da discuss�o...

mas s� da vergonha que senti.

A mesma sensa��o que tive...

na minha primeira miss�o com o Elliot.

Ele lia Homero... � doido por poesia.

E confessei-lhe que n�o sabia quem era.

Disse Quimper?

Qu'un papa...

� claro, quim soa a qu'un,

"que um s� pai"!

E Homero! Mas � claro.

"Que um s� pai"; sou t�o est�pido...

� evidente.

Muit�ssimo obrigado, doutor.

Eles precisam n�o mostrar passaportes na fronteira...

-e voc� precisa de 500 d�lares. -De 800.

Mas dose dupla de croissants no caf� da manh�.

N�s somos o qu�?

Enxerga a gente como irm�o e irm�?

N�o sei...

N�o, acho que n�o.

Quando nasci ele queria um rapaz.

Por isso me chamou Orlando, nome mais est�pido...

Eu gosto.

� s�rio, e muita gente gostaria de ter um nome t�o original.

Muitos homens, sim.

Mas e o que � um nome?

E que significa?

Sabe o verdadeiro nome do seu pai?

H� algum nome mais real do que outros?

"Quando v� um gato em profunda medita��o...

A raz�o, cr� em mim, � sempre a mesma;

A sua mente est� absorta em embevecida contempla��o...

Da id�ia da id�ia... Da id�ia do seu nome...

Do seu inef�vel af�vel, Af�velinef�vel,

Profundo e insond�vel Nome.�

N�o sabia mesmo do David?

N�o, s� sabia que o seu pai tinha mudado de identidade.

Que tal o acha?

Como o pai dele.

Poeta.

Quando os homens nada mais t�m a dizer...

� hora dos animais come�arem a falar.

Posso perguntar uma coisa?

� claro.

Que voc�s fazem?

Tirando assustar turistas com pistolas.

A Orlando cria patos...

e eu ensino a espionar.

Trabalhou com o meu pai?

Sim, h� dez anos.

E que faziam, exatamente?

O seu pai nunca te contou?

Sabe o que � a diplomacia?

A Ir�ne e ele faziam o oposto.

Isso significa...?

Diplomacia � a arte de manter a paz;

para eles era mais a arte de provocar guerras.

� verdade?

Sim, mais ou menos...

E a prop�sito, s�o gansos.

A cria��o � de gansos, n�o de patos.

7 de Setembro de 2001

Esperem-me no caf�, eu n�o demoro.

N�o podemos ir?

Seria falta de educa��o, � gente que mal conhe�o.

Trouxe as crian�as?

Trouxe, se podemos cham�-las de crian�as...

M. Elliot acaba de ligar.

Dizendo que foi obrigado a alterar a data do encontro.

Ser� daqui a tr�s dias.

Se quer esperar aqui, cedemos-lhe um dos nossos apartamentos.

Obrigada...

T�m como contatar o Elliot?

Infelizmente n�o, � ele quem nos telefona.

Disse que tentou ligar para voc� mas sem sucesso.

Sabe o motivo deste novo adiamento?

Dissemos-lhe que M. Pound n�o tinha seguido voc�s at� Veneza...

mas percebeu que o adiamento nada tinha a ver com ele.

-Vai ficar? -N�o sei, vou propor �s crian�as.

Queriam andar de g�ndola, ir � praia...

N�o brinque com a gente, Srta. Montano.

Chega de �monsieurs� e de �madames� e sejam claros!

Qual � o porqu� da reuni�o?

M. Elliot, como j� explicamos,

forneceu-nos nestes �ltimos anos uma s�rie de conselhos...

orientando os nossos investimentos.

M. Elliot recebe � percentagem,

Como muitos ex-funcion�rios do governo americano...

conservou contatos...

permitindo-lhe prever decis�es do governo federal.

M. Elliot colabora conosco apenas ocasionalmente.

As comiss�es dele sempre variaram entre dezenas...

e centenas de milhares de d�lares.

Mas o que agora pede que n�s fa�amos...

� o levantamento global...

de todos os bens que temos em territ�rio americano.

Calculou a comiss�o a receber entre 20 e 30 milh�es.

E deseja que seja dividida entre os filhos.

Diz que o Elliot foi funcion�rio do servi�o secreto americano...

Sabemos que M. Elliot...

retomou o trabalho para o governo h� cerca de seis meses.

Se n�o fosse o caso n�o ligar�amos a um conselho assim absurdo.

Mas o governo americano nunca tolerou...

que agentes seus exer�am ao mesmo tempo...

� exatamente por isso que quer que os filhos recebam a comiss�o.

Falamos de 20 ou 30 milh�es.

M. Elliot j� � crescido, est� ciente dos riscos que corre.

E que significa exatamente, uma quantia t�o absurda?

Que M. Elliot pensa que nos pr�ximos meses...

Que tipo de acontecimento provocava tal queda?

O assassinato do presidente dos Estados Unidos...

Ou uma nova guerra.

Que est�o fazendo?

-Esperamos... -Minha vez.

Pois, quando tiver falhado.

A reuni�o foi adiada uns dias;

se quisermos ficar em Veneza colocam-nos num apartamento.

Bom, que querem fazer?

Ent�o?!

Eu fico.

-E voc�? -N�o sei.

Vou pensar.

Para que os tira sempre?

Para ver as coisas de v�rias maneiras.

-Que � que disse? -Nada.

Que n�o disse?

Qualquer coisa.

No seu restaurante tamb�m leva assim tanto tempo?

Quando est�o pagando, os americanos adoram esperar...

N�o sabia?

N�o gosta dos americanos?

Porqu�?

Como o pai dela gosta de poesia ela detesta;

como o pai � americano, ela os detesta.

Ele ser americano n�o justifica que todos nos odeiem.

Quer mais raz�es?

Por terem as pernas curtas.

Por gostarem do Schwarzenegger.

Por se ocuparem do corpo como se fosse uma m�quina...

e do c�rebro como se fosse um tomate.

Por acharem que t�m o poder de salvar a humanidade.

E � c�us, o que imaginam ser bom para a humanidade...

� em primeiro lugar e principalmente para voc�s.

Chega? Ou quer mais?

Parab�ns, ele e eu apostamos que nunca fala mais de tr�s palavras.

Deixou de fora algumas outras raz�es.

Pode odiar-nos por comermos comida sem gosto,

por termos sempre pavor �s doen�as,

por sermos contra o aborto mas a favor da pena de morte,

por nunca fazermos sexo e por metade de n�s...

Pronto, quase metade de n�s termos votado em George W. Bush.

Mas sabe,

o fato dos franceses terem um presidente est�pido...

nunca me impediu que ador�-los.

Deve ser cansativo sentir tanto �dio.

-Depende... -� mesmo?

� cansativo odiar querendo vingan�a e sabendo que nunca a teremos.

Voc� tem uma arma...

-E sabe que se vinga. -N�o precisarei dela.

Voc�s, americanos, s�o como os dinossauros.

T�m a toda a for�a...

e acham-se destinados a viver e a mandar para sempre.

Nunca pensou por que fazem tantos filmes sobre dinossauros?

Por se identificarem com eles.

Dentro de poucos anos...

-talvez dentro de vinte ou trinta anos- as pessoas tentar�o perceber...

como � que um imp�rio que tinha "o ex�rcito",

conseguiu desaparecer e tornar-se t�o insignificante.

Isso j� � mais interessante.

Posso comer metade?

-Mas eu divido. -Porqu�?

Sei o que para voc� significa "metade".

-As suas n�o s�o melhores... -Parem de agir como crian�as?!

Acha mesmo que os americanos nunca fazem sexo?

Eles acham que sim mas s�...

Aquilo � s� gin�stica.

Eles fazem sexo -n�s fazemos...

Mas achamos que � coisa de que se deva ter medo,

que �... uma coisa suja.

Mas voc� n�o acha sujo?

Pode ser...

Como comer tamb�m pode ser,

os animais e o ch�o s�o sujos...

Grande parte da atividade humana � suja.

Mas � o que a torna fascinante.

O ser humano � sujo.

Pois �, mas para os americanos ser americano n�o �.

A quest�o � essa...

Os americanos s�o seres humanos?

Porque n�o fala voc�? Somos ou n�o seres humanos?

N�o tenho certeza.

� poss�vel que sejam...

Talvez sejam seres humanos esquisitos,

como os japoneses.

Isso � t�o racista... Comparar-nos aos japoneses.

Foda-se.

8 de Setembro de 2001

-Aonde vai? -Fazer xixi.

47.62. 17.21.

E o Caparros ou o de Carvalho?

O Caparros est� na Argentina e o de Carvalho reformou-se.

Mas esteve com o Zyberski...

Com o Igor, tem certeza? E isso, quando?

Em Berlim em meados de Junho e em Hamburgo, final de Julho.

-E deve agora estar em Veneza. -Em Veneza?

Vai gostar de rev�-lo...

Teria preferido evit�-lo, mas fala.

041 5.220850.

Obrigado. N�o esquece de informar-lhe sobre meus banqueiros.

-Falava com quem? -Um colega do minist�rio.

Diverte-a voltar a ser espi�?

Pedi-lhe que alimentasse a minha tartaruga.

Nos vemos em casa.

N�o mudou nada...

Voc� sim, est� com um ar mais idiota.

Conta-me tudo, vamos.

-O Elliot. -O Elliot, o qu�?

Soube que o tinha visto duas vezes,

em Berlim em meados de Junho e Hamburgo no final de Julho.

-N�o te escapa nada... -Os encontros foram por qu�?

Fui s� ao contato, n�o assisti �s reuni�es.

Alguma id�ia deve ter?

Por acaso n�o...

Mas talvez conhe�a algu�m...

que fez uma grava��o da primeira das reuni�es.

-E isso talvez custe quanto? -N�o sei se quer vend�-la.

Principalmente a voc�s, franceses, que s�o uns babacas...

N�o me chamo "franceses" e pago o que ele pedir.

Liga-me para este n�mero.

Estou, me ouve?

A Ir�ne Montano contatou Igor Zyberski.

Onde?

Em Veneza.

Obrigad�ssimo.

-O maninho? -Subiu.

Voc�s discutiram?

N�o queria mais brincar.

J� gostou de algu�m?

Diria que sim... E n�o.

-N�o de uma forma definitiva. -Definitiva?

Definitiva, n�o.

Eu tamb�m n�o.

Mas tem vontade?

David?!

Est� tudo bem?

"Se a humanidade for destru�da,

se a nossa ra�a for destru�da como Sodoma...

mas houver um entardecer como este,

j� me contenta...

que o que for exprimido e o que for exprim�vel...

n�o possam ser reduzido...

e estejam ali, no brilhante anoitecer.�

Pensamos em ir jantar fora.

Porque n�o?

Que querem, os donos do apartamento?

O seu pai concordou em v�-los, mas s� na nossa presen�a.

Merci...

De qu�?

Obrigado.

Quando morreu a m�e dela?

Quer dizer, que lhe aconteceu?

Morreu em Bagd�, em 1990.

� uma longa hist�ria.

Est� bem, e...?

Quando fui para a Ar�bia Saudita em 1989...

o Elliot j� estava l�, com a Jeanne e a Orlando,

que teria uns nove anos na �poca.

O Elliot...

...negociava com as autoridades iraquianas,

alguma coisa fora do comum.

1989 � antes da Guerra do Golfo.

O que ele negociava?

Uns anos antes, durante a guerra Ir�-Iraque,

Saddam Hussein tinha rela��es estreitas com alguns americanos.

Que, acabada a guerra,

deram-lhe a sensa��o de poder lucrar com o que tinha feito.

� daqueles que acha...

que a Am�rica disse ao Saddam que podia invadir o Kuwait?

Quando se fala em "Am�rica" h� pelo menos dois lados,

ou tr�s ou quatro.

Digamos que um dos lados levou Saddam a pensar...

que podia apoderar-se das reservas petrol�feras do Kuwait.

E o meu pai era desse...

O seu pai negociava em nome desse lado, sim.

E voc� trabalhava para quem, para os americanos ou franceses?

Para ambos.

Mas o que tem isso a ver com a Orlando e a m�e?

Elas desconheciam a natureza do trabalho do Elliot...

e era um trabalho arriscado... � um trabalho arriscado.

E depois o que houve?

Vamos?

Por que se casou t�o novo?

N�o sei, devemos ter pensado...

sermos feitos um para o outro.

Pensamos que aquilo era...

O amor eterno, qualquer coisa assim.

E agora, o que acha?

Sobre o amor?

Depois de tr�s anos tornamo-nos mais como... irm�o e irm�.

Talvez precis�ssemos de mais, de qualquer coisa mais...

N�o sei.

-Nunca foi casada? -Nunca.

Nunca tive o mesmo homem mais de dois anos.

Mas acha poss�vel,

que podia ter o mesmo homem mais de dois anos?

Pergunta se ainda sonho encontrar o pr�ncipe encantado?

Sonha?

Pensei que voc� pudesse dizer...

Acho que � hora de ir fazer um xixi.

N�o estaremos exagerando?

N�o, com sorte consigo abandonar-te a cair de b�beda numa sarjeta.

Isso, tente...

-Vamos apostar? -O qu�?

Uma noite com ele.

-N�o pedimos a opini�o dele? -Estarei b�bada mas n�o sou louca;

pedimos-lhe a opini�o e n�o tenho hip�tese.

B�bada, n�o sei... Mas louca n�o � certeza.

Obrigado!

Creio ser por aqui.

Parece que me enganei...

Ah, deve ser por aqui.

� jovens, sabei aproveitar os vossos vinte anos,

O mundo � vosso, N�o temais que n�o � mau;

Ele vos guiar�.

� de um disco que o meu pai sempre colocava para tocar, eu era pequeno.

Ah, as viagens...

a rios distantes, a sonhos incertos...

Como s�o boas as viagens...

que apagam pela dist�ncia nossas l�grimas e desgostos...

Meu Deus, as viagens...

Que sensatos foram...

ao nos darem essas imagens.

Pois as viagens...

s�o a vida que fazemos, o destino que refazemos.

Como s�o belas, as viagens...

e o mundo novo que se abre em nossas mentes.

Faz-nos ver de forma diferente...

e canta-nos que apesar de tudo...

a vida merece ser vivida.

9 de Setembro de 2001

Igor Zyberski.

Falei com o meu amigo, que concorda.

Oferece-lhe a grava��o por dez mil d�lares.

Esqueceu de dizer-lhe que os franceses eram babacas?

N�o, mas quando soube onde se instalou...

percebeu que n�o seria voc� a pagar.

J� a ouviu?

Que tem nela, ent�o?

Uma coisa muito importante.

N�o se entende tudo, mas � importante.

Vai traz�-la?

Vini da Schiari, lembra-se?

L�, �s 21 horas.

Dev�amos comprar disto.

Tem certeza?

N�o, p�ra!

Espera... Posso levar mais.

Um saco ou dois.

N�o tem for�a que chegue!

-Tenho mais do que voc�. -Mas � muito mais est�pida.

T�nhamos aconselhado a ela ficar quieta...

E fiquei.

Para que contatou Igor Zyberski?

� um velho amigo que n�o via h� muito tempo.

M. Elliot ligou.

Estar� em Veneza amanh� � noite.

Espero que o que voc� fez n�o o leve a desmarcar a reuni�o.

J� que fala tanto com ele pe�a-lhe que me ligue.

Atrasei-me, lamento.

Quem lamenta � ele...

Detesta ser esquecido no forno.

Voil�.

Que se passa?

Voc�s dois n�o brigam mais?

Temos normas novas:

um corta as fatias e o outro escolhe.

O encontro com o Elliot est� confirmado,

amanh� � noite estar� em Veneza.

� esquisito, h�?

A mesma pessoa num dos lados do Atl�ntico...

tem uma filha que quer mat�-lo, que o odeia.

E do outro h� um filho que o adora e o acha o melhor homem do mundo.

Diferen�as n�o faltam entre os dois lados do Atl�ntico.

N�o comece...

Ela n�o � como dente que deve ser de lavado todos os dias.

Talvez. Mas lavar os dentes me enlouquece...

e limpar a pistola, me acalma.

Hoje vou sair.

Tentem se comportar bem.

"Tigre, tigre, que brilha luminoso...

nas florestas da noite.

Que imortais m�os ou olhos moldariam sua tem�vel simetria?

E que ombro, e que arte,

Torceria os tend�es do seu cora��o?

E mal ele come�asse a bater, que tem�vel m�o?

Que tem�veis p�s?

Quando as estrelas atiraram suas lan�as...

e encharcaram os c�us com suas l�grimas...

Sorriu Ele ao ver a Sua obra?

Ele que fez o Cordeiro tamb�m fez voc�?

Tigre, tigre, que brilha luminoso...

nas florestas da noite.

Que imortais m�os ou olhos...

moldariam sua tem�vel simetria?�

Que est� lendo?

"Vendo que ela n�o ia responder...

ele prosseguiu, amargamente:

'N�o vou dizer que � amor que ofere�o e n�o � amor que quero,

mas uma coisa bem mais impessoal...

e dif�cil, e rara.'

Interessante...

Boa noite.

N�o sei se dev�amos...

Voc� � meu irm�o.

"Sexo � bom, mas incesto � melhor."

Henry Miller.

Ir�ne ama Elliot, Elliot ama William...

-Boa noite, doutor. -J� viu as horas?

Sei que � um pouco tarde mas precisava falar com voc�.

Problemas?

N�o, acho que foi desta que me curei.

Sinto que agora posso matar o pai,

que desta vez n�o hesito.

Mas ligue-me antes.

-Eu ligo, prometo. -Falo s�rio...

Boa noite, doutor.

10 de Setembro de 2001

Orlando...

-N�o me chame Orlando. -De que quer que eu te chame?

Mary? Kate?

Sandra, Ruth, Helen?

Of�lia, Desd�mona...

Ou Cinderela?

Hansel, Gretel, Pedro e o Lobo.

Ou talvez Mary Poppins.

Diotima, Beatrice, Eva, Lilith.

Ou tutti frutti.

Dolce de leche.

Piccolo spaghetti, jabugo, bife com lagosta.

Madre, figlia e spiritu santo.

Am�m.

Aquilo que chamamos de rosa, se chamada outro nome...

exalaria menos perfume?

A mim tamb�m lia poesia quando eu era pequena.

Os sacanas...

-Bom dia, Ir�ne. -Elliot, onde est�?

-Em Dubai. -N�o �amos nos ver hoje?

Sim, vou para a�, s� fiz escala em Dubai.

O William Pound pode ter voltado a encontrar-nos.

Elliot?

Sim, isso podia ser problema...

Mas mantemos o encontro;

s� preciso te ver antes... de falar com ele.

-N�o se trata disso. -Eu sei...

Mas isso j� n�o importa; At� logo mais a noite.

Vinte e um a vinte e cinco.

Vinte e seis a vinte e um.

Pipi.

Outro dia n�o chegou a acabar a hist�ria.

Em Dezembro de 90, imediatamente antes da Guerra do Golfo,

o Elliot foi a Bagd� em miss�o com a Jeanne e a Orlando.

L� algu�m tentou mat�-lo...

Mas matou antes a Jeanne.

A Orlando encontrou-a...

nadando no pr�prio sangue.

Que foi?

Onde est�?

-Onde? -N�o est� carregada.

Vai deix�-lo falar?

Fiz-lhe uma pergunta.

Jura.

Juro pela sua tartaruga.

Podiam parar de se armar em �gangsters� um segundo?

-Boa noite, Srta. Montano. -Boa noite.

Aqui est�o as crian�as.

O meu colega foi ao aeroporto buscar M. Elliot.

N�o devem demorar.

Est� me ouvindo?

Est� me ouvindo?

William, esperava not�cias suas.

� verdade, tinha prometido que lhe ligava.

Ent�o, o que houve? -Eu sei, mas...

N�o deve matar o seu pai.

Agora n�o o entendo mesmo.

O doutor disse que o Elliot era uma figura paternal...

e que era importante matar o pai.

Uma figura simb�lica? Mas que diferen�a faz?

-Altera tudo. -N�o, est� enganado.

Asseguro-lhe, passar ao ato...

por vezes � ind�cio de uma boa sa�de mental.

At� mais, doutor.

Ol�.

Est� bem?

Gostaria de falar primeiro com eles a s�s.

Desculpem n�o t�-los visto em Paris.

Mas n�o pude esperar. Tive que ir ao Afeganist�o.

Voc� � linda...

Orlando, por favor.

Sinto muito.

Sinto muito ter-lhe deixado.

Sinto muito a sua m�e ter morrido.

Devia ter sido eu.

N�o podia continuar a viver.

E quando me mandaram voltar para a Am�rica sob nova identidade...

achei que o melhor era voc� ficar.

O mais seguro.

Nunca pensei poder voltar a ter fam�lia.

Orlando, calcula como � o amor de um pai?

� incondicional.

N�o pode arranjar um meio...

de me deixar voltar a entrar no seu cora��o?

Nem mesmo um pouco?

Se o que fiz por voc�...

ainda n�o basta...

Que fez?

Se ainda n�o basta...

para que me perdoe,

ent�o quero que saiba,

no cora��o, que fiz isto por voc�.

Orlando, por favor venha aqui.

Orlando, por favor.

Voc� � minha filha...

Merda.

Que foi?

Chame um m�dico!

Tudo isto � por culpa sua, Srta. Montano.

N�o importa o Pound ter me encontrado.

J� � tarde demais, n�o poder� fazer nada.

Ningu�m poder� impedir...

Precisamos saber exatamente...

por que nos mandou retirar todos os bens de territ�rio americano.

Est� tudo a� e j� n�o resta-lhes muito tempo.

N�o sabemos se poderemos seguir o seu conselho.

V�o segui-lo...

Quero que a minha parte v� para os meus filhos,

para o meu filho e filha.

A Ir�ne trata de tudo.

E voc�, Elliot?

Eu?

Quem se importa comigo?

-� o m�dico? -Sou o cirurgi�o!

N�o foi a voc� que vim matar;

s� quero que me indique onde fica o quadro.

Onde?!

Obrigado!

Um dia algum poeta h� de eloquentemente descrever...

o prazer derivado dos danos colaterais.

Sempre pensei que, antes de morrer,

conseguiria explicar por que te deixei...

Mas agora n�o sei o que dizer.

Suponho que seja sempre assim, quando se morre...

quer sempre que seja diferente...

Mas � s� outra maneira de se ser covarde,

uma �ltima vez.

Fiquem a�, eu cuido disto.

William?!

Ol�, Ir�ne.

Fiquei triste por n�o termos tomado o tal caf� em Paris.

Devia ter vindo ontem � noite!

E quase vim.

O Zyberski pediu-me que fosse no lugar dele.

Implorou mesmo que fosse no lugar dele.

Continua gostando de brincar com a faca, �?

N�o, j� n�o me diverte...

Ah? Porque n�o?

Quando a CIA me colocou em Paris comecei a fazer psican�lise.

Ela ajudou-me a perceber muitas coisas...

mas a sabedoria muitas vezes destr�i um pouco do prazer.

Para que foi isso?

Para me fazer disparar?

Nunca se sabe...

Est� armada, Ir�ne?

Tenho um canivete su��o...

Mas n�o deve ser f�cil, sess�es regulares de psican�lise,

com este seu trabalho?

Na primeira consulta o psicanalista fez-me esperar tr�s horas.

Isso me irritou um pouquinho.

Ele explicou-me que tinha que aprender a ser paciente,

que era normal um paciente ser paciente...

Puxei da faca e lhe disse...

que quando precisasse falar lhe telefonaria,

e se estivesse com outro...

teria o outro paciente que aprender a ser paciente.

E o Elliot? Por que o governo pediu-lhe que voltasse?

Por n�o terem quem conhecesse o Oriente M�dio...

e falasse �rabe t�o bem como ele.

E por que quer mat�-lo agora?

Porque fingiu aceitar a nossa proposta...

e depois sacaneou.

Vendeu-se a quem oferecia mais,

sauditas, afeg�os, franceses...

N�o acho, acho � que...

Come�ou a trabalhar para si pr�prio.

Touch�...

V�o seguir o conselho dele?

Uma coisa n�o entendo:

a sua sociedade defende interesses sauditas...

N�o s�.

Defendemos interesses privados.

Sauditas, europeus, mas tamb�m americanos.

-Que havia no disco? -Provas.

De qu�?

De uma coisa que dever� acontecer em breve.

Que vai fazer, Srta. Montano?

N�o fa�o id�ia.

Posso perguntar uma coisa que n�o devia?

S� deve perguntar coisas que n�o deve.

Que tal ficarmos em Veneza?

E ficarmos vivendo aqui o resto das nossas vidas?

Quer mesmo saber o que far� durante o resto da sua vida?

S� acho que se eu decidir fazer alguma coisa...

ou a fa�o do melhor jeito que sei ou prefiro n�o faz�-la.

N�o concorda?

Porque n�o?

Se temos que gastar alguns milh�es de d�lares...

� melhor gastarmos juntos.

E se n�o receberem o dinheiro?

Logo se v�.

Ficar junto n�o � s� uma quest�o de dinheiro.

2 mil pessoas evacuaram o complexo das Torres G�meas

e edif�cios vizinhos,

correndo pelas ruas para se afastarem do World Trade Center...

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