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Original subtitles

Oiçam, oiçam! São nobres convidados, do grande e gracioso Pilatos.

Oiçam-me enquanto comem e se envaidecem.

Deixem as preocupações para trás e imaginem a cena!

Eis o grande templo de Jerusalém!

O templo está a transbordar com peregrinos da Páscoa judaica.

Uma barulheira do balir dos cordeiros!

Os gritos dos cambistas!

“Troquem as vossas moedas! Troquem as vossas moedas! "

E depois, de repente, uma voz. Uma voz de justa ira. Jesus! Jesus!

Jesus! Jesus! Jesus!

Jesus!

A casa do meu Pai, não é um mercado!

O templo está corrupto! Todos esqueceram a palavra de Deus!

Entra um pregador!

É Caifás.

Como te atreves a acusar-me? Não passas de um carpinteiro de Nazaré!

Nós somos a elite do templo. Só respondemos a Deus.

E a Roma, na pessoa de Pôncio Pilatos.

E depois, uma armadilha!

E depois, uma armadilha!

Dizes que não devemos pagar impostos a Roma?

Ao que o carpinteiro diz...

De quem é a cara nesta moeda?

De César!

A César o que é de César e a Deus o que é de Deus!

Não vou crucificá-lo por isso!

E agora a cena de acção!

E agora, a cena de acção!

Vão! Vão!

Lívio! Lívio!

Bravo, cidadão!

Os judeus! Uma gente tão... tão estranha!

Os que é que estes Messias têm?

E o que é que a palavra quer dizer?

O ungido. O rei da linha de David, prometido por Deus.

Os oprimidos precisam de acreditar num libertador.

Por agora, vão ter que contentar-se com um Governador.

Rei é uma palavra muito pesada, não achas?

Para ti não, majestade!

Adoro a maneira como me bajulas. É tão... justificada.

JESUS

Ele precisa de comida e água. Está aqui sentado há cinco horas.

Já lhe dei, há uma hora. Afastou-os.

Foste direito a ele como um camelo selvagem.

Ele ainda está de luto pelo João Baptista! Não se pode ir ter com ele, assim.

Só porque sou pescador, isso não faz de mim estúpido, Judas!

Foste tu quem o disse, não eu!

Por que é que não se calam os dois?

Por que é que não te calas tu? Estou farto de te ver a dar ordens a toda a gente!

E eu estou farto de agir como um valentão.

Parem! Olhem!

O que é que acham que eles querem?

Que tu fales!

Pensas que tenho alguma coisa para dizer?

Venham! sentem-se, sentem-se!

Jesus vai falar-vos.

Abençoados os pobres, pois deles é o reino dos céus.

Gostava de herdar, qualquer coisa agora.

Os ricos e poderosos pensam que são donos do mundo, e na verdade, são.

Mas o que é que eles podem comprar com todo aquele dinheiro?

Tudo!

A riqueza não compra a vida! Não Compra um bom coração.

E não pode comprar o reino de Deus.

Vocês podem tê-lo, independentemente da vossa pobreza!

Somos muito pobres!

Se estão sedentos de justiça, então ficarão satisfeitos.

Como?

O que é que querem do vosso Deus?

- Misericórdia! - Sim.

Então, mostrem misericórdia!

Amor!

Então, mostrem amor!

Uma casa nova!

Não queremos impostos!

Lembrem-se que os profetas foram perseguidos, mas não perderam a fé.

Encontrem-na com amor.

E sigam a lei de Moisés!

A lei? Sim! Mas não se preocupem tanto, com o que comem ou bebem.

É mais importante o que vos sai da boca.

É isso que pode fazer-vos mal, por toda a eternidade.

Abençoado o ventre que te gerou, e o peito que te alimentou.

Abençoados antes, aqueles que ouviram a palavra de Deus e a ela obedecem.

- És mãe dele? - Sim, sou a mãe de Jesus.

- Lamento a dor que ele te causou hoje. - Ele não tinha intenção.

Mas fê-lo. Os homens são sempre assim.

- És uma seguidora dele? - Sou prostituta.

Eu não julgo. Também já fui julgada.

Ele assusta-me.

Estranho, não é? Uma prostituta, com medo de um homem.

Isso é porque há nele qualquer coisa maior do que em qualquer homem.

Queres vir comigo?

O que é que ele quer?

Não sei. Pediu-me que juntasse os seus seguidores e esperasse.

- Esperar por quê? - E se tivesses paciência, Simão?

Pedro. O meu nome é Pedro! Ele chamou-me Pedro!

Pedro, Pedro. Pedro.

Amo-vos a todos. A maioria está Comigo quase desde o princípio.

Mas agora, as multidões tornaram-se demasiado grandes para mim, sozinho.

Preciso de homens para partilhar o meu poder e dá-lo a quem precisa.

Portanto vou escolher doze

que terão autoridade para espalhar a minha mensagem.

Pedro...

João...

E o irmão Tiago...

Os Filhos do Trovão!

André.

Judas...

Mateus!

Tomé...

Filipe...

Bartolomeu...

Tiago filho de Alfeu...

Tadeu...

Simão...

Dou-vos autoridade sobre espíritos impuros... Curem os doentes...

Afastem os demónios...

Não levem nada, quando forem ter com as pessoas.

Não levem pão... nem sacos... nem dinheiro...

A vossa missão começa neste mundo e completa-se no próximo.

Vocês são os meus apóstolos.

Vão para o outro lado e esperem por mim.

Por favor, preciso de descansar um bocado! Por favor, vão para casa.

Só por uma noite, por favor. Preciso de descansar um bocado.

Estamos a afundar-nos!

- Ata aquele lençol! - Estou a atar!

Aperta bem ou afundamo-nos.

Eu não sei nadar.

Com esta tempestade, isso não faz diferença.

Vamos afundar-nos?

Por que não perguntas ali ao grande capitão?

- Remar! - É o que estou a fazer!

É um fantasma!

Não tenham medo.

Senhor se és tu, leva-me a chegar a ti sobre as águas.

Vem!

- Não! Não vás, Simão! - Eu quero ir!

Senhor! Salva-me! Salva-me!

Senhor, salva-me!

Homem de pouca fé!

És mesmo o filho de Deus.

Quando ele fala, vêm multidões.

Multidões? Não exageremos.

Pelo menos, cinco mil. Dizem que alimentou todos, com um cesto de peixe.

Estás a fazer pouco de mim?

Dizem que é parente de João Baptista.

- O Baptista! - Que tu mataste.

O Baptista não disse que viveria outra vez? Não foram essas as suas últimas palavras?

E se for ele? Se voltou para destruir-me.

Levanta a mão e esmaga-o.

Guarda!

Jesus! Tem piedade de mim. A minha filha está possuída por um demónio.

Tem piedade da minha filha!

Mandem a Cananita embora! Aqui não há lugar para ela.

Jesus! Por favor, tem piedade.

Tu não és judia. Eu fui mandado apenas para os cordeiros perdidos de Israel.

Jesus! Jesus, tem piedade! Tem piedade!

Por favor, ajuda-me!

Não é justo levar a comida das crianças, e atirá-la aos cães.

Mesmo assim, até os cães comem as migalhas que caem da mesa dos donos.

Mulher, grande é a tua fé. A tua filha está curada. Vai procurá-la.

Abençoado, Jesus de Nazaré!

O nosso Deus é dos gentios?

Vi uma rapariga a morrer...

Preferiam que a tivesse deixado morrer?

Esta mulher ensinou-me que a minha mensagem e também para os pagãos.

Se eu consigo aprender, vocês também conseguem..

Maria!

Vem comigo.

Esta é uma nova amiga minha, Maria Madalena.

Ela quer juntar-se a nós.

- Eu conheço a Maria. - Eu sou prostituta, Jesus.

Já foste. Há muito tempo atrás.

- O teu pai ia ficar tão orgulhoso. - Qual deles?

Ambos.

Estão ali trinta dinheiros. E há muitos mais de onde eu vim.

Devolve isso.

Não posso devolver. Veio de muita gente diferente.

Então dá aos pobres.

Depois do que eu passei para o conseguir?

Não ouviste o que eu disse?

Dá aos pobres!

Ajuda-nos! Por favor, ajuda-nos! Temos fome! Estamos a morrer de fome!

Um presente do Messias!

Bom Dia! A bênção.

Herodes Antipas, está calado! Não te humilhes em frente desta gente.

Humilhar-me?! Estou a mostrar-lhes

que o seu rei se preocupa com eles.

- Tu não és o rei deles. - Mas serei em breve. Eles vão pedi-lo.

Pois, Hoje a Galileia, amanhã Israel, qualquer um pode ver isso.

- Jesus. - Sim.

Jesus, lembras-te de mim? Sou Zerah, conhecemo-nos

quando estiveste em Bethânia.

Sim. Claro que me lembro de ti.

O Lázaro está a morrer. A Maria e a Marta mandaram-me vir procurar-te.

Imploram-te que venhas depressa.

Obrigado pela mensagem.

Podes vir atrás de mim. Estamos lá antes que o sol se ponha.

- Vai andando! - Mas, Senhor! Ele está muito doente!

Vai à frente.

Não vens? Não vens ajudar?

Irei, na altura cena.

Eles dizem que tu és amigo deles.

Senhor, falaste do Lázaro, muitas vezes.

- Se precisas de ir com ele, vai. - Não.

Ele Cura os estranhos, mas não faz nada pelos amigos.

Cheira tão bem.

O meu pai ensinou-me a tirar a melhor madeira de uma árvore destas.

Eras bom carpinteiro?

Foi bom, ter começado a pregar.

José dizia que só as mãos dele estavam educadas. Não é assim.

Ele era o homem mais sábio que conheci.

Sábio e generoso. Daria a sua última côdea de pão a um estranho.

- Até a um pagão? - Também me questionas, Maria?

Não. Nunca. Jamais te questionaria.

Mas questionas-te a ti própria.

Só não entendo como foste capaz de acreditar numa pessoa como eu.

Deus perdoa-te, Maria.

Se eu fosse homem, seria o teu discípulo mais leal.

Os meus discípulos são aqueles que falam por mim.

- O Lázaro era um bom homem. - Pois era.

O teu irmão há-de voltar a levantar-se.

No dia da ressurreição?

Eu sou a ressurreição e a vida. Os que acreditam em mim, viverão.

Acreditas nisto?

Agora sei quem tu és.

Jesus

Se tivesses estado aqui, o Lázaro não teria morrido.

Onde é que o deitaram?

O Lázaro morreu.

Por isso, podem acreditar!

Tu! Afasta essa pedra daí!

Jesus! Já lá vão quatro dias.

Afastem a pedra.

Pai, obrigado por me teres ouvido.

Lázaro, sai!

É um triste espectáculo.

Confia em Jesus, Marta!

Alguém devia acabar com isto. É uma brincadeira cruel.

É milagre!

Destapem-no.

Deus seja louvado.

Silêncio! Silêncio!

Levantado dos mortos?!

Eu estava lá, Caifás. Vi o meu amigo Lázaro sair da tumba.

Cheirava a carne podre, mas saiu da tumba vivo!

Um cão mono atirado para a caverna, mesmo antes dela ser fechada.

Eu segui o funeral. Vi o corpo ser posto na tumba, a porta fechada e selada.

Examina as provas. Jesus e Lázaro são velhos amigos.

- A irmã está apaixonada por Jesus. - É verdade.

Então, pensa! Quem melhor para inventar esta história?

Lázaro finge que está morto. Passa umas noites na caverna...

O Sumo Sacerdote está certo.

Só precisa de uma história com regresso dos mortos,

para fazer deste Jesus, uma lenda. E de repente, ele é o Messias.

Há registos de outra criança vinda dos mortos.

Há sempre registos! É disso que estes falsos profetas vivem. De registos!

Os mexericos são a vida deles. Ninguém, ninguém consegue derrubar a morte.

Pensem! Vocês não percebem nada!

Como é que um homem gentil que ensina as leis de Moisés

e mantém as nossas tradições, ser um perigo? Um homem que ama

o nosso povo e lhes dá coragem para viver uma vida dura.

Entre a população, espalha-se que o Messias chegou.

Vão erguer-se contra Roma!

E os romanos esmagarão a revolta.

Só que desta vez, eles vão esmagar-nos com ela.

Nós somos pacifistas e se a paz não for mantida, Roma destruirá o templo,

juntamente com a nação. Pilatos foi claro, quanto a isso.

Tu...

Tu...

Tu...

Vão morrer.

E convosco, o sangue de Abraão, Moisés e Elias.

Não podemos permitir isto, por causa de um falso Messias.

Judas Iscariotes, conheces-nos?

Estavam com o Barrabás.

O Barrabás foi preso. Os Zelotes foram levados para as montanhas.

Mas o teu Rabi podia voltar ao combate com eles. Está um exército à espera.

Esta entrada triunfante em Jerusalém...

num burro de vestes rasgadas, é brilhante!

Faz Herodes e Pilatos parecerem os burros que, na realidade, são.

Quando é que Jesus, vai pedir a revolução?

Em breve. Em breve.

Vamos estar atentos ao momento certo, Judas. Louvai Jesus!

Jesus é o Messias!

Herodias, o carpinteiro está a entrar na cidade.

Está a ser aclamado rei deles. Está a fazer pouco de mim!

Este homem tem que ser preso.

- No meio deste festival ridículo... - Páscoa judaica.

Não, não! Bloqueia-os Gianmario. Onde é que já se ouviu falar

em celebrar um festival onde o teu deus não te destruísse!

- Estes judeus são loucos! - Estes judeus, são perigoso!

Não posso prender o herói actual, quando há milhares de pessoas na cidade.

Teria um motim em mãos. Pensa, Lívio.

Então prende-o à noite! Encontra alguém que o traia. Apanha-o sozinho.

Não quero saber, mas se não o travares, vai derrubar Roma sobre todos nós.

Ele tem que ser travado. Morto.

Pensei que fosses melhor político do que isto, Lívio.

Paulo, ensina-o a contra-atacar.

Se houver outra rebelião neste sítio miserável,

Roma atira-nos aos dois, aos leões.

Eu podia matar este Messias, amanhã.

- Sim... - E vinha logo outro atrás deste.

- Ou... - Ou...

Ou podemos fazer com que ele se torne um problema para alguns dos seus.

E eles podiam resolver o assunto, por nós.

Bravo Gianmario! Bravo!

- Mestre, posso falar contigo? - Sim.

Senhor, não haverá melhor momento para

combater o poder romano em Jerusalém. Há um exército de Zelotes, à espera.

A cidade está cheia de peregrinos da Páscoa judaica.

Eles acreditam em ti.

Levanta-te, pede-lhes que ataquem o palácio, e eles atacam.

Os números vão esmagar os guardas romanos.

E quando estivermos a controlar, Roma vai deixar-nos em paz.

Agora é o momento! De certo, é o teu destino!

Daqui a dois dias, será Páscoa...

Daqui a dois dias, eu serei morto.

- Por favor, Deus! Agora, não! - Não!

Não é possível! Não, Senhor!

Senhor, os Zelotes vão juntar-se aos teus seguidores.

Milhares ao teu comando!

Liberdade, não só dos romanos, mas de toda a tirania.

A tirania do pecado, Judas. Essa é a minha batalha. Não os romanos.

Então estás a trair o teu povo e não a salvá-lo. És o único homem

que tem poder e ainda assim, recusas-te. Isso é que é traição!

Eu não estou aqui para levar a cabo uma revolução violenta, Judas!

Talvez não tenhas escolha.

Deus o livre, Senhor! Isto nunca poderá ser morto!

- Tem que acontecer, Pedro! - Não, Senhor! Não permitirei!

- Nenhum de nós deixará. - É a vontade de Deus, Pedro!

Não Senhor! Não pode ser. Tens que evitar isso.

Não posso permitir-me evitá-lo. Tenho que fazer o que o meu Pai mandou.

Não, Senhor! Não podes morrer! A tua missão ainda mal começou.

- Pedro... - Não podes deixar que isso aconteça.

Vou lutar com todas as minhas forças.

Satanás! Vai-te do pé de mim!

Por quê?

É a razão pela qual eu nasci.

Para morrer? Agora?

- Para provar o amor de Deus. - Como é esse amor?

Tenho que dar tudo. Não guardar nada. Assim, eles saberão.

É muito caro, para um animal que vai ser sacrificado.

Então vai-te embora, galileu ignorante.

Tenho todo o direito de venerar neste templo.

É preciso um sacrifício. Ou pagas ou vais-te embora.

Só controlas isto porque lambes as botas de Roma.

Idiota!

Os romanos derramaram o sangue dos nossos irmãos,

no chão do Templo Sagrado.

E sabes por que é que isso aconteceu?

Sim, porque Roma governa esta Cidade e agora, o templo.

Nomearam-te e agora são teus donos, Caifás.

Aconteceu por causa de Jesus de Nazaré!

Por causa dos romanos!

Os homens que atacaram os padres eram da Galileia, Nazaré.

Jamais teriam tido força ou vontade, se não fosse Jesus.

Ele faz as pessoas pensarem que podem derrubar Roma.

Esqueceste-te do que ele fez, no templo?

Expulsando os vendilhões?

Estes homens da Galileia estão a seguir o seu líder.

Os discursos dele inflamam as pessoas. Ele tem seguidores armados

e prontos a para atacar Roma, a qualquer momento. É isso que queres?

Quero-te fora deste Conselho!

Culpas todos, menos a ti. Não vou ficar a ver-te destruir-nos.

Retiro-me até que voltes a ti e cedas.

Já te disse, se deixarmos este homem continuar, as pessoas vão dizer

que o Messias está aqui e levantar-se-ão contra Roma, outra vez.

E os romanos vão esmagar a revolta.

É melhor para ti que um homem morra pelo bem do povo,

do que ter a nação inteira, destruída. Jesus de Nazaré, tem que morrer!

- Há rumores nas ruas. - Rumores?

Não sejas recatado comigo! Este Jesus vai de burro à cidade

e é recebido como um rei. Herodes quer matá-lo mas não faz nada.

E tu prometes-me que consegues manter a paz no templo,

mas eu tive que usar espadas. Roma não vai ficar calada para sempre.

- Estes falsos Messias... - Não me fales de Messias!

Não quero saber da tua religião. Quero saber é de paz!

Pois, paz. Eu também quero paz.

Então controla isto, homem!

Temo que o meu poder seja limitado.

Então queres que eu faça o teu trabalho sujo, por ti.

Não tenho escolha. Não posso pôr Israel em perigo, por causa de um homem.

Trá-lo até mim. Eu elimino-o.

Depressa! Depressa Vá lá!

Isto é demasiado perigoso. Não devíamos estar em Jerusalém.

Eu morrerei com ele, se for essa a sua vontade.

Tomai

Comei...

Este é o meu corpo...

Bebam-no... este é o meu sangue.

Derramado por muitos... pelo perdão dos pecados.

Façam-no em minha memória.

Um de vocês vai trair-me.

Não!

Eu não, Senhor! Nunca!

Nem eu!

Eu também não, Senhor!

Faz o que tens que fazer.

Fá-lo depressa.

O meu reino está próximo.

Ao fim de três dias, vou reerguer-me.

Sei que tens qualquer coisa para me dizer.

Eu sei onde ele está. Posso trazer-to.

- E o preço? - Pensas que sou um pedinte? Um ladrão?

Então por que vens ter comigo? Não és um dos seus seguidores?

Sou um dos seus discípulos, foi ele que me escolheu!

Então por que é que o trais?

Ele não é o homem que eu pensei que fosse...

Queres pagar-me?

- Trinta dinheiros. - De acordo.

- Senhor, onde vamos? - Devíamos ter ficado na sala.

E se nos veem aqui em cima? Sabes que querem matar-te.

Agora não.

Rabi, se todos os teus seguidores desertarem,

quero que saibas que eu jamais te deixarei.

Pedro, esta noite, antes que amanheça, vais trair-me três vezes.

Nunca! Ainda que tivesse que morrer contigo, não te trairia.

Sentem-se aqui, enquanto eu vou ali rezar.

João, André, Pedro, Tiago, venham comigo.

- Mestre, eu jamais... - Agora não, Pedro.

Estou profundamente magoado.

Aquilo que eu enfrento agora, seria difícil para qualquer homem.

E eu tenho que o enfrentar como um homem, para cumprir o meu testemunho.

Esperem aqui e fiquem acordados, enquanto eu vou ali rezar.

- Sim, Senhor. - Sim Senhor.

Pai, se for possível, que isto passe ao largo de mim...

No entanto, não é a minha vontade, é a Tua.

É apenas uma questão de tempo, até que o encontrem.

- E a nós. - E a nós...

Ele está no Monte das Oliveiras, num jardim chamado Getsémani.

Eu segui-o e aos seus homens, até lá. Eu levo-vos lá.

- Quantos são? - Doze.

Como é que vamos saber, qual deles é?

O que eu beijar, é Jesus.

Pai se isto não passar a não ser que eu beba tudo, então que seja.

Mas se houver outra maneira...

Tenho tanto medo, Pai...

Começa o último acto, Jesus. O teu Pai não vai prorrogar nada.

Ele está disposto a que passes por isto,

todos os passos dolorosos do caminho.

Se é a vontade Dele.

A vontade Dele! A vontade Dele é que tu sejas açoitado,

que te cuspam em cima, que sejas humilhado, arrastado pelas ruas,

gozado, posto à prova, condenado e crucificado.

Viste a crucificação, mas ainda não a sentiste.

Nunca sentiste a dor dos pregos nas mãos nem nos pés. É a agonia.

São horas em agonia. O peso do teu próprio corpo esmaga-te

os pulmões e sufocas. Devagar. E vais aguentar isto sozinho.

Olha para eles ali. Nem sequer conseguem ficar acordados.

E vão fugir, assim que o Judas aparecer. Tu sabes que eu tenho razão.

- E é tudo em vão, Jesus. - Não.

Não. Em vão, não!

Através de mim, Deus vai revelar o seu amor pela humanidade.

Deus? Aquele Deus invisível, insensível, que arde no inferno

e vê as crianças morrer à fome?

Não é em vão!

É em vão sim. Deixa-me mostrar-te.

Cruzadas em teu nome. "Jesus Cristo”, gritam eles, enquanto matam.

Em nome de Jesus Cristo! Em nome de Jesus Cristo!

Matar por Cristo será um grande negócio, durante muitos séculos, Jesus Cristo.

E é por isto que vais morrer.

É isto que a tua agonia lhes vai dar.

Mais uma razão para se matarem e torturarem, uns aos outros.

Não achas que já têm razões suficientes?

Sem que tu tenhas que passar por tudo isto, Jesus?

É tão fácil. É tão fácil, Jesus! Pede-Lhe apenas que te venha buscar.

Uma caça às bruxas, em teu nome.

Em nome de Cristo, Nosso Senhor do Céu, executo-te

por falsos testemunhos, falsas crenças, falsas palavras

e por conspurcares o nome de Jesus de Nazaré.

Não!

Não!

A propósito, ela está inocente.

Um mundo em guerra!

- Por quê? - Por quê? Quem sabe?

Aquele tipo não gosta da ruga no nariz do outro tipo.

Mas tu podes acabar com isto. Esta noite. Tu podes!

Desce daquela cruz que eles têm à tua espera.

Por quê morrer em agonia, quando podes Controlar?

Faz da terra, um paraíso. Acaba com a pobreza!

Acaba com a fome! Acaba com a guerra! Tu podes fazê-lo.

Tens poder para isso. Agora.

Não. Não posso. Não é a vontade de Deus.

Não é vontade de Deus que a guerra acabe?

Que tipo de Deus é esse?

Um que ama tanto a humanidade, que lhe dá direito de escolha.

Não os criou para ser o seu ditador.

Ele dá-lhes a escolher entre fazerem o bem e o mal.

E esta é a escolha deles!

Pois...

- Eu perdoo-te. - Não quero o teu perdão.

Olha, aí vem o Judas e a sua ralé.

Jesus, nem sequer tens que te curvar perante mim. Nem sequer estou a pedir isso.

Apela ao teu pai e pede-lhe que te liberte.

Diz-lhe que não queres isto.

Ele não te vai fazer passar por isto. Sabes que não.

Basta acenares, e estás em casa.

Em segurança. Fá-lo! Agora.

Sabes que o que te mostrei é verdade.

Vais morrer em vão.

Não sabes qual é o plano. Eu sei. Já o vi.

Nada muda. Eles não têm a capacidade de amar,

que tu queres que eles tenham. Isso nunca vai acontecer.

Levanta a mão, Jesus e enxota isto tudo.

Vai para casa, Jesus. Vai para casa ter com o teu Pai.

Agora! Não morras em vão. Não morras sozinho.

Eu não estou sozinho. Estou com o meu Pai.

- Vais morrer em vão, Jesus! - Não!

Eu estou no coração dos homens.

Vou morrer pela bondade infinita do coração humano, criado pelo meu Pai,

para que os homens voltem a fazer a imagem Dele brilhar.

E aqueles que o quiserem, encontrarão em mim a força para amar, até ao fim!

Amigo, faz aquilo que estás a aqui para fazer.

Traído com um beijo!

Eu conheço-te! Estavas com ele! Ele estava com o grande Messias!

És uma palerma!

O palerma és tu! Seguiste-o como um Cão.

Eu nunca vi o homem! Não sei do que estás a falar.

Ele diz que é o Messias!

Os seus discípulos dizem que ele ressuscitou um homem.

- Impossível! - Não é, quando se é filho de Deus.

És isso que dizes ser?

Isto é um julgamento?

É nosso dever, proteger o templo, de falsos profetas.

O teu dever, irmão, não lhe diz respeito. Tens medo dele, porque

as pessoas ouvem-no, porque ele nos pede

para nos tornarmos melhores judeus.

Quem dizes que és?

Cuidado com o que dizes.

Responde! Dizes ser filho de Deus?

És tu, quem o diz.

Ele admite-o! Blasfémia!

Não podes negá-lo!

Este homem estava com Jesus de Nazaré!

Mentirosa!

Levem-no a Pilatos!

Juro que não sei do que é que eles estão a falar.

Não consigo...

Não consigo vê-los a fazerem-lhe mal.

Se acreditas no meu filho, ficarás ao seu lado. Juntamente comigo.

Caifás, o que estás a fazer, vindo aqui a esta hora?

Trazemos-te Jesus de Nazaré!

Jesus? Então é este que anda a fazer de Herodes motivo de chacota

e faz com que o meu Sumo Sacerdote trema. Jesus de Nazaré.

Eu sou Pôncio Pilatos, governador da Judeia.

Eu sei quem tu és.

Bom, qual é a acusação que recai sobre este homem?

Blasfémia! Punível com morte!

Blasfémia contra quê? O teu deus?

- Sim, meu senhor. - Isso não é um crime contra Roma.

Mas ele também se proclama rei. Nega o poder de Roma, na sua terra.

Não me faças perder tempo! Leva-o e julga-o de acordo com as tuas leis.

Este crime, pede sentença de morte. E apenas tu, podes proferi-la.

Deixa-o comigo.

Jesus de Nazaré...

Tens uma cara interessante.

És o rei dos judeus Jesus?

Essa pergunta é mesmo feita por ti, ou foram os outros que te falaram de mim?

Eu não sou judeu!

A tua própria nação e os pregadores é que te puseram nas minhas mãos.

O meu reino não é neste mundo.

Se fosse, os meus seguidores, estariam a lutar.

Então, és rei?

Eu nasci para testemunhar perante a verdade.

A sério?

Qual é a verdade? Toda a gente quer saber a verdade, Jesus!

Tu sabes a verdade?

Se encontrasse um homem que soubesse a verdade, levava-o para Roma

e fugia deste país. Está no meu poder!

Não me parece. É pedir demais. Tragam-no.

Não vejo motivo para julgar este homem.

Este homem está a perverter a nossa nação, proibindo-nos

de pagar impostos ao teu imperador e dizendo que

ele próprio, é o Messias, o rei.

Atiça as pessoas ensinando através de toda a Judeia, da Galileia,

onde ele começou, até a esta cidade sagrada!

- Ele é da Galileia? - Sim.

Bom, isso é jurisdição de Herodes.

Não posso decidir sobre um crime cometido pelo povo de Herodes.

E tu tens sorte, meu amigo.

Herodes está em Jerusalém, para passar a Páscoa.

Vai dizer-lhe a "verdade". Levem-no a Herodes!

Mas, meu senhor!...

Pára de te preocupar, Caifás! É um jogo, só um jogo.

De vez em quanto, temos que divertir-nos.

Jesus de Nazaré! Este é Jesus de Nazaré!

Estou há muito tempo, à espera de te conhecer.

Bem vindo. Lívio, olha, Jesus de Nazaré veio visitar-nos.

Vejam o Messias.

Ouvi todo o tipo de maravilhas, a teu respeito.

O Lívio diz que consegues ressuscitar os mortos.

Nem João Baptista ressuscitou ninguém.

Lívio, está calado! Não é um criminoso comum, que aqui está!

Este é um homem de Deus! Peço desculpa por este comportamento romano!

És um homem de Deus, não és?

Sim, ouvi maravilhas, ressuscitas os mortos e coisas do género.

Cometi um erro com o Baptista. Não devia tê-lo morto.

Este homem é um perigo para o país inteiro.

Ele encoraja a rebelião contra Roma.

Pois, é mentira não é, Jesus? Nunca ouvi nada assim.

Ele intitula-se rei dos judeus!

Cala-te, Lívio!

Tu serás rei dos judeus!

É verdade? Coroas-te? Isso perturba-me porque eu tenho ideia de que

eu é que devia ser rei de Israel, não um sujo e ignorante profeta de Nazaré.

Mas eu estou disposto a rever isso tudo, se me deres um sinal.

Estão todos a dizer que andas a curar cegos e leprosos.

Leprosos?!

Sim, querida... ele é... supostamente, toca-lhes e eles ficam curados.

- Ele toda em gente suja? - Sim.

Tira-o daqui! Mas não lhe toques!

Só peço um pequeno sinal. Não tem que ser uma grande cura.

Mas este joelho anda aqui a causar-me...

Não lhe toques!

É assim, Jesus? Vais ficar aí especado, como uma estátua?

Ele nem sequer fala comigo.

O silêncio pode ser a melhor arma de um político.

Os reis devem falar! Falar é um requisito, não sabias?

Nunca existiu um rei mudo! Vejam o rei mudo dos judeus!

Sim, Majestade. Entendemo-lo perfeitamente.

- Vejam o rei! - Vejam o rei!

E tirem-no daqui!

Majestade, não deixes este charlatão escapar!

Exactamente! Um charlatão. O que é que isto te interessa?

Até os falsos profetas, podem ter poder.

Roma que trate do assunto.

Levem-no a Pilatos! Levem-no a Pilatos!

Que surpresa, Jesus voltou! Queres dizer-me que Herodes não fez nada?

Tal como tinhas previsto.

Eis as acusações te fazem.

Traição! Dizendo-se Deus! Insurreição!

Respondes a alguma destas acusações?

Agora vamos deixar “as pessoas" falar.

Trouxeste-me este homem como alguém que estava a perverter as pessoas.

Examinei-o na tua presença e

não o achei culpado de nenhuma das acusações.

Ele é culpado, Pilatos! Ele é culpado!

Páscoa?

Um hábito da Páscoa...

Como é um costume de Páscoa, eu como representante de Roma,

liberto-vos um prisioneiro. Dou-vos Jesus de Nazaré!

- Não! - Não!

Dá-nos justiça, Pilatos.

Jesus não! Já te esqueceste...

Não querem que eu liberte o rei dos judeus?

Sim! Sim! Sim!

Barrabás! Dá-nos o Barrabás! Barrabás!

Barrabás! Barrabás!

Ouves o que eles querem, Jesus? Preferem ter um assassino a ti.

Tragam-me o Barrabás! E açoitem este!

Justiça, Pilatos! Justiça!

Por favor, não...

Vamos embora daqui!

Não vou ficar a ver um judeu ser espancado por romanos.

Libertem o Barrabás!

Viva! O rei dos judeus!

Barrabás! Barrabás! Barrabás!

Eu liberto o Barrabás!

Sem uma espada, criaste um exército! Podias ter tomado a cidade!

Eu lutei contra eles! Tu não o farias!

Por isso a espada viverá para lutar contra ti, mais um dia, Messias!

Repara!

O suspiro final.

Eu sou inocente do sangue deste homem!

Façam-no vocês mesmos!

Crucifiquem-no!

Jesus!

Traidor!

Eu não queria nada disto. Não queria.

- Foste tu que o entregaste aos romanos. - Para que o povo se erguesse.

Por dinheiro!

Eu estava disposto a morrer por ele!

Ele era a revolução. Mas ele recusou.

Eu tinha que o fazer acontecer.

Pensei que ia encontrar a sua raiva, debaixo do chicote romano.

Pensei que as pessoas o seguiriam e se levantariam.

Mas este está a permitir-se morrer! As pessoas viraram-se contra ele.

Por quê?

Mataste-o.

E tu? Abandonaste-o.

Eu teria morrido por ele.

Não! Jesus! Jesus, estou aqui!

Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem.

Sabemos muito bem o que estamos a fazer, Messias. Estamos a matar-te.

Deram-lhe uma plataforma para os pés.

- Por quê? - Para morrer mais lentamente.

Meu Deus, por que me abandonaste?

Pai,..

Nas tuas mãos entrego o meu espírito.

Roubaram o corpo dele!

O quê?

A pedra foi arredada! Levaram o corpo dele!

Levaram?

Quem é que levou o corpo dele?

Pedro! João! Não é seguro!

Desapareceu!

Ele ressuscitou.

Ressuscitou? Não, o corpo foi roubado.

Ele disse “ao fim de três dias, eu levantar-me-ei."

Levantou-se.

Ele está vivo.

Maria, ele está vivo!

Ele disse que se levantaria, ao fim de três dias. Está vivo!

Vamos contar aos outros. Vamos!

Mulher, por que choras?

Senhor, se levaste o meu Senhor, diz-me onde o depositaste. Por favor.

Maria...

Maria, agora tens que deixar-me ir. Ainda não ascendi ao meu Pai.

Agora vai ter com os outros, e diz-lhes que eu estou vivo.

Maria, vais lá dizer-lhes?

Não entendo! Como podes tê-lo visto? Ele está morto!

Eu vi-o.

É verdade, Maria?

Sim, é verdade. Eu vi-o. Falei com ele.

Isto é ridículo. Nós vimo-lo crucificado. Fomos nós que o enterrámos.

Como é que ele pode estar vivo?

Como é que o Lázaro podia estar vivo?

Como é que os cegos, podiam ver?

Desculpem, mas não acredito que a morte se deixe conquistar tão facilmente.

Há muitas outras possibilidades.

Ele é o Filho de Deus.

O próprio Jesus disse que iam haver falsos profetas.

Temos que ter cuidado! Isto pode ser um truque!

Tomé, tens que acreditar.

Eu quero, Maria! Acredita em mim! Mas a minha cabeça não me deixa.

Teria que ver com os meus olhos.

Tomé, eu vi-o.

Tens a certeza que era ele?

Viste as feridas nos pulsos dele?

Vês?

Não podes ter certezas.

Passa-se aqui mais qualquer coisa.

A menos que veja a marca dos pregos. Não, a não ser que

ponha os meus dedos nas marcas dos pregos, não acreditarei.

Que a paz esteja convosco...

Tomé...

Põe o teu dedo aqui.

Meu Senhor e meu Deus!

Acreditas porque viste.

Abençoados os que acreditam sem ver.

Agora vão por todo o mundo e preguem o que ouviram.

Preguem as boas novas.

Eu estou convosco...

até ao fim do mundo.

E então?

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