All language subtitles for Alain Resnais-Toute la mémoire du monde (1956)

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Original subtitles

Os realizadores desejam agradecer a Biblioth�que Nationale

seu Chefe Executivo, Julien Cain, seus diretores

e seu corpo de bibliotec�rios, assistentes,

lojistas e zeladores, pela sua coopera��o durante as filmagens

Porque tem uma mem�ria curta,

o homem acumula incont�veis aux�lios para a mem�ria.

Confrontado com esses dep�sitos inchados,

o homem � assaltado pelo medo de ser engolfado por essa massa de palavras.

Para garantir sua liberdade, constr�i fortalezas.

Em Paris as palavras s�o aprisionadas na Biblioth�que Nationale.

Tudo o que � impresso na Fran�a pode ser encontrado aqui.

Cada marca depositada pela m�o do homem � representada aqui

no departamento mais rico de todos: Manuscritos.

A Sala de Leitura de Peri�dicos

� testemunha de um mundo em permanente mudan�a.

A maior parte dos jornais do mundo pode ser consultada aqui.

Na Sala de Gravuras, cada figura � guardada,

seja uma gravura, uma litografia ou uma fotografia.

Isso � um museu.

Outro museu � a Sala de Medalhas.

Lu�s XIV foi o primeiro a reunir tantos tesouros.

Estrelas, sat�lites e meteoros,

capitais e seus sub�rbios podem ser todos encontrados

na Se��o de Mapas.

Constru�da em um tempo em que pouco se imprimia,

a Biblioth�que Nationale abriga agora cerca de 3 milh�es de volumes de cada s�culo.

Para evitar o estouro, cava-se, continuamente, cada vez mais fundo

e estende-se, cada vez mais alto, at� o c�u.

PUBLICA��ES

GRAVURAS (� �GUA FORTE)

MEDALHAS E ANTIGUIDADES

PERI�DICOS

MAPAS E PLANOS

MANUSCRITOS

Para tornar poss�vel a consulta a essa gigantesca mem�ria,

os respons�veis por esses tesouros que ela cont�m, catalogam-nos.

Organizam-nos, analisam-nos,

classificam-nos e os numeram metodicamente.

Levou s�culos inventariar seis milh�es de livros

e cinco milh�es de publica��es mantidas na biblioteca.

Esse � um trabalho vital. Sem cat�logos, essa fortaleza seria um labirinto.

Foi necess�rio desenvolver classifica��es

as quais, passado tempo, se tornaram lei.

Para catalogar todo esse conhecimento, temos que recorrer a palavras-chave.

Finalmente, nasceu o cat�logo de material impresso mais poderoso,

um cat�logo que ser� sempre uma obra em processo.

A biblioteca � um modelo de mem�ria, um estoque para todo o impresso na Fran�a.

Sozinha, a Se��o de Peri�dicos tem que digerir 200kg de papel todo dia:

jornais, informes, revistas, boletins, anu�rios e almanaques.

Se uma cole��o � incompleta, ela perde o seu valor,

ent�o o menor erro deve ser evitado.

Se falta uma edi��o, ser� solicitada.

Ainda que uma edi��o possa ser consultada uma �nica vez,

tudo deve ser guardado. � a regra.

Entre essas cole��es, foram encontrados os primeiros escritos de Rimbaud,

publicados em um obscuro jornal em Ardennes.

Quem sabe o que mais poderia vir � luz dentre essas p�ginas?

Quem sabe qual ser� o testamento mais confi�vel para nossa civiliza��o?

Existem quatro meios pelos quais a cole��o pode ser ampliada.

Atrav�s de doa��es, compras, trocas

e - o meio principal - dep�sito legal.

Institu�da no s�culo 16, ela obriga os editores e os tip�grafos

a entregarem v�rias c�pias de cada obra que publicam � biblioteca.

Para marcar um volume como tendo entrado na biblioteca,

para nunca deix�-lo novamente, ele � selado.

O livro que foi depositado

entra no cat�logo de todos os editores da Fran�a.

E ent�o � registrado como nova entrada.

Seu cart�o de identifica��o � preparado.

Depois disso, como um prisioneiro, aguarda o dia de sua classifica��o.

Uma vez por semana os livros s�o sorteados

e distribu�dos a diferentes se��es do servi�o de cat�logo.

Alguns, como esse, entram em um cat�logo de cole��es.

O livro est� guardado.

� determinado a que campo est� relacionado.

� identificado. � indexado.

Seus dados circulam eletronicamente.

Vinte cart�es de identifica��o s�o colocados em diferentes arquivos

entre os milh�es de outros cart�es.

O que faz dessa sala de cat�logos o c�rebro da Biblioth�que Nationale.

Uma vez selado, o livro n�o pode escapar a qualquer procura.

Uma letra e um n�mero especificam o lugar que ir� ocupar em um dos armaz�ns.

Uma vez catalogado, o livro ir� ao ponto exato, assinalado para ele

no labirinto de gavetas, que tem mais de 60 milhas de comprimento.

Aqui est� o livro em seu lar. Esse antigo dep�sito desaparecer� logo.

Durante 20 anos, successivas transforma��es

transformaram essa biblioteca na mais moderna do mundo.

Uma fortaleza silenciosa,

a Biblioth�que Nationale abriga muitos tesouros.

Isso merece mais que a aten��o - mais que o bastante para encher 100 filmes.

Para quem significa dizer qual o mais nobre, o mais belo, o mais raro?

� o ainda n�o publicado manuscrito do "Jornal dos Gouncourts"?

O "C�dex Peresiano", que ningu�m sabe como decifrar?

Essas mem�rias de Harry Dickson, indispon�veis hoje?

Essas anota��es pessoais para serem abertas apenas em 1974?

O manuscrito dos Pensamentos de Pascal?

Ou as Obras Completas de Emile Zola?

"A pedra de Bagd�" e as joias que a circundam?

O livro de esbo�os de Villard de Honnecourt?

Ou talvez...

...esta cole��o de medalhas reais?

Esses manuscritos do grande Victor Hugo?

O mapa mundi de Cabot?

Essa encaderna��o exibindo as armas de Henrique II?

Isso, o primeiro livro impresso em Paris?

O Evangelarium de Carlos Magno?

"O Apocalipse de S�o Severus"?

Esse Mantegna?

Esse D�rer?

Esse Redon?

Esses tesouros devem ser preservados,

ent�o a temperatura � controlada.

Maquinaria semelhante a de Capit�o Nemo

mant�m uma temperatura constante adequada para papel, couro e pergaminhos.

Dia e noite, checagens s�o feitas.

N�o importa o pre�o, a destrui��o deve ser evitada.

Unguento preserva as encaderna��es.

Escritos antigos s�o restaurados.

As perfura��es dos insetos s�o paradas.

P�ginas perdidas s�o coladas de volta.

Os livros s�o vacinados.

Mapas s�o separados com prote��o de pl�stico.

Para interromper o desgaste, os portf�lios s�o guardados em rolos.

Jornais, cujo papel se destr�i rapidamente, s�o microfilmados.

Uma vez capturados em filmes,

essas figuras ir�o perpetuar a mem�ria dos documentos perec�veis.

essas figuras ir�o perpetuar a mem�ria dos documentos perec�veis.

Enquanto esta lenta batalha contra a morte continua, chamadas partem.

Mensagens s�o interminavelmente cuspidas pelo labirinto de dep�sitos.

Uma vez que o livro foi encontrado uma tira de papel toma o seu lugar.

Essa � a sua sombra.

Uma verifica��o final confere a identidade do livro frente ao seu ticket.

E agora o livro anda em dire��o a uma linha nocional,

uma fronteira mais significantes para eles que ir atrav�s de espelhos.

N�o � mais o mesmo livro.

Costumava ser parte de uma mem�ria abstrata, universal, indiferente.

L�, todos os livros eram iguais,

todos usufru�ram de uma aten��o t�o tenra quanto a que Deus dispensou aos homens.

Aqui � selecionado, preferido, indispens�vel aos seus leitores,

arrancado de seu mundo para alimentar esses pseudo-insetos comedores de papel,

irremediavelmente diferentes dos verdadeiros insetos

em que cada um � ligado ao seu assunto particular.

Astrof�sica, Fisiologia, Teologia, Taxionomia, Filologia, Cosmologia,

Mec�nica, L�gica, Po�tica, Tecnologia...

Aqui damos uma olhada em um futuro em que todos os mist�rios s�o resolvidos.

Um tempo em que estaremos munidos das chaves para esse e outros universos.

E isso suceder� por causa desses leitores,

cada um trabalhando em sua fatia da mem�ria universal,

que guardar� os fragmentos de um simples segredo do fim ao fim,

um segredo de belo nome, um segredo chamado felicidade.

Tradu��o Lobowolf.

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