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Os realizadores desejam agradecer a Biblioth�que Nationale
seu Chefe Executivo, Julien Cain, seus diretores
e seu corpo de bibliotec�rios, assistentes,
lojistas e zeladores, pela sua coopera��o durante as filmagens
Porque tem uma mem�ria curta,
o homem acumula incont�veis aux�lios para a mem�ria.
Confrontado com esses dep�sitos inchados,
o homem � assaltado pelo medo de ser engolfado por essa massa de palavras.
Para garantir sua liberdade, constr�i fortalezas.
Em Paris as palavras s�o aprisionadas na Biblioth�que Nationale.
Tudo o que � impresso na Fran�a pode ser encontrado aqui.
Cada marca depositada pela m�o do homem � representada aqui
no departamento mais rico de todos: Manuscritos.
A Sala de Leitura de Peri�dicos
� testemunha de um mundo em permanente mudan�a.
A maior parte dos jornais do mundo pode ser consultada aqui.
Na Sala de Gravuras, cada figura � guardada,
seja uma gravura, uma litografia ou uma fotografia.
Isso � um museu.
Outro museu � a Sala de Medalhas.
Lu�s XIV foi o primeiro a reunir tantos tesouros.
Estrelas, sat�lites e meteoros,
capitais e seus sub�rbios podem ser todos encontrados
na Se��o de Mapas.
Constru�da em um tempo em que pouco se imprimia,
a Biblioth�que Nationale abriga agora cerca de 3 milh�es de volumes de cada s�culo.
Para evitar o estouro, cava-se, continuamente, cada vez mais fundo
e estende-se, cada vez mais alto, at� o c�u.
PUBLICA��ES
GRAVURAS (� �GUA FORTE)
MEDALHAS E ANTIGUIDADES
PERI�DICOS
MAPAS E PLANOS
MANUSCRITOS
Para tornar poss�vel a consulta a essa gigantesca mem�ria,
os respons�veis por esses tesouros que ela cont�m, catalogam-nos.
Organizam-nos, analisam-nos,
classificam-nos e os numeram metodicamente.
Levou s�culos inventariar seis milh�es de livros
e cinco milh�es de publica��es mantidas na biblioteca.
Esse � um trabalho vital. Sem cat�logos, essa fortaleza seria um labirinto.
Foi necess�rio desenvolver classifica��es
as quais, passado tempo, se tornaram lei.
Para catalogar todo esse conhecimento, temos que recorrer a palavras-chave.
Finalmente, nasceu o cat�logo de material impresso mais poderoso,
um cat�logo que ser� sempre uma obra em processo.
A biblioteca � um modelo de mem�ria, um estoque para todo o impresso na Fran�a.
Sozinha, a Se��o de Peri�dicos tem que digerir 200kg de papel todo dia:
jornais, informes, revistas, boletins, anu�rios e almanaques.
Se uma cole��o � incompleta, ela perde o seu valor,
ent�o o menor erro deve ser evitado.
Se falta uma edi��o, ser� solicitada.
Ainda que uma edi��o possa ser consultada uma �nica vez,
tudo deve ser guardado. � a regra.
Entre essas cole��es, foram encontrados os primeiros escritos de Rimbaud,
publicados em um obscuro jornal em Ardennes.
Quem sabe o que mais poderia vir � luz dentre essas p�ginas?
Quem sabe qual ser� o testamento mais confi�vel para nossa civiliza��o?
Existem quatro meios pelos quais a cole��o pode ser ampliada.
Atrav�s de doa��es, compras, trocas
e - o meio principal - dep�sito legal.
Institu�da no s�culo 16, ela obriga os editores e os tip�grafos
a entregarem v�rias c�pias de cada obra que publicam � biblioteca.
Para marcar um volume como tendo entrado na biblioteca,
para nunca deix�-lo novamente, ele � selado.
O livro que foi depositado
entra no cat�logo de todos os editores da Fran�a.
E ent�o � registrado como nova entrada.
Seu cart�o de identifica��o � preparado.
Depois disso, como um prisioneiro, aguarda o dia de sua classifica��o.
Uma vez por semana os livros s�o sorteados
e distribu�dos a diferentes se��es do servi�o de cat�logo.
Alguns, como esse, entram em um cat�logo de cole��es.
O livro est� guardado.
� determinado a que campo est� relacionado.
� identificado. � indexado.
Seus dados circulam eletronicamente.
Vinte cart�es de identifica��o s�o colocados em diferentes arquivos
entre os milh�es de outros cart�es.
O que faz dessa sala de cat�logos o c�rebro da Biblioth�que Nationale.
Uma vez selado, o livro n�o pode escapar a qualquer procura.
Uma letra e um n�mero especificam o lugar que ir� ocupar em um dos armaz�ns.
Uma vez catalogado, o livro ir� ao ponto exato, assinalado para ele
no labirinto de gavetas, que tem mais de 60 milhas de comprimento.
Aqui est� o livro em seu lar. Esse antigo dep�sito desaparecer� logo.
Durante 20 anos, successivas transforma��es
transformaram essa biblioteca na mais moderna do mundo.
Uma fortaleza silenciosa,
a Biblioth�que Nationale abriga muitos tesouros.
Isso merece mais que a aten��o - mais que o bastante para encher 100 filmes.
Para quem significa dizer qual o mais nobre, o mais belo, o mais raro?
� o ainda n�o publicado manuscrito do "Jornal dos Gouncourts"?
O "C�dex Peresiano", que ningu�m sabe como decifrar?
Essas mem�rias de Harry Dickson, indispon�veis hoje?
Essas anota��es pessoais para serem abertas apenas em 1974?
O manuscrito dos Pensamentos de Pascal?
Ou as Obras Completas de Emile Zola?
"A pedra de Bagd�" e as joias que a circundam?
O livro de esbo�os de Villard de Honnecourt?
Ou talvez...
...esta cole��o de medalhas reais?
Esses manuscritos do grande Victor Hugo?
O mapa mundi de Cabot?
Essa encaderna��o exibindo as armas de Henrique II?
Isso, o primeiro livro impresso em Paris?
O Evangelarium de Carlos Magno?
"O Apocalipse de S�o Severus"?
Esse Mantegna?
Esse D�rer?
Esse Redon?
Esses tesouros devem ser preservados,
ent�o a temperatura � controlada.
Maquinaria semelhante a de Capit�o Nemo
mant�m uma temperatura constante adequada para papel, couro e pergaminhos.
Dia e noite, checagens s�o feitas.
N�o importa o pre�o, a destrui��o deve ser evitada.
Unguento preserva as encaderna��es.
Escritos antigos s�o restaurados.
As perfura��es dos insetos s�o paradas.
P�ginas perdidas s�o coladas de volta.
Os livros s�o vacinados.
Mapas s�o separados com prote��o de pl�stico.
Para interromper o desgaste, os portf�lios s�o guardados em rolos.
Jornais, cujo papel se destr�i rapidamente, s�o microfilmados.
Uma vez capturados em filmes,
essas figuras ir�o perpetuar a mem�ria dos documentos perec�veis.
essas figuras ir�o perpetuar a mem�ria dos documentos perec�veis.
Enquanto esta lenta batalha contra a morte continua, chamadas partem.
Mensagens s�o interminavelmente cuspidas pelo labirinto de dep�sitos.
Uma vez que o livro foi encontrado uma tira de papel toma o seu lugar.
Essa � a sua sombra.
Uma verifica��o final confere a identidade do livro frente ao seu ticket.
E agora o livro anda em dire��o a uma linha nocional,
uma fronteira mais significantes para eles que ir atrav�s de espelhos.
N�o � mais o mesmo livro.
Costumava ser parte de uma mem�ria abstrata, universal, indiferente.
L�, todos os livros eram iguais,
todos usufru�ram de uma aten��o t�o tenra quanto a que Deus dispensou aos homens.
Aqui � selecionado, preferido, indispens�vel aos seus leitores,
arrancado de seu mundo para alimentar esses pseudo-insetos comedores de papel,
irremediavelmente diferentes dos verdadeiros insetos
em que cada um � ligado ao seu assunto particular.
Astrof�sica, Fisiologia, Teologia, Taxionomia, Filologia, Cosmologia,
Mec�nica, L�gica, Po�tica, Tecnologia...
Aqui damos uma olhada em um futuro em que todos os mist�rios s�o resolvidos.
Um tempo em que estaremos munidos das chaves para esse e outros universos.
E isso suceder� por causa desses leitores,
cada um trabalhando em sua fatia da mem�ria universal,
que guardar� os fragmentos de um simples segredo do fim ao fim,
um segredo de belo nome, um segredo chamado felicidade.
Tradu��o Lobowolf.
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