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Penso em você o tempo todo.
O tipo de vida que você pode estar levando.
Eu me pergunto o que você está fazendo agora, por exemplo.
Às vezes, penso no dia em que vamos nos encontrar...
e como será
o momento em que nos virmos pela primeira vez.
Imagino isso acontecendo aqui no quebra-mar, em um dia como este
E então eu nos imagino caminhando até o farol e apenas... conversando
sobre sua vida e as coisas que aconteceram com você.
Eu realmente gostaria de construir memórias como essas.
A propósito, alguma vez você pensa em mim?
Sejam todos bem-vindos.
Em uma pesquisa recente, 98% dos veterinários questionados
disseram que haviam sido solicitados a sacrificar animais saudáveis.
E, em quase todos esses casos, o mau comportamento foi a razão alegada.
Pergunta: como lidamos com tais dilemas éticos?
E, só para ficar claro, essa não é uma questão teórica
sobre uma situação com a qual vocês nunca irão se deparar.
É muito real...
E, em seu trabalho, vocês encontrarão essas questões éticas...
Que horas são?
Estou atrasada. Meu pai! Ele vai me matar!
Alô?
Alô.
Quem é?
Derry, quer dar o seu último adeus a Betty?
Vamos administrar a injeção agora.
Ela não sentirá mais dor.
Está bem.
Ela vai sentir uma falta de ar...
e talvez uma secura da boca, mas isso é normal, Derry.
Apenas um sinal de que a droga está começando a fazer efeito.
Rose.
É isso, Derry. Já acabou.
Você está bem?
Foi difícil.
Você vai ter que criar uma casca.
Eu sei.
Quando me ofereci como voluntária, no verão...
“Fiz” um border collie, um poodle, três ou quatro gatos...
dois coelhos e um furão.
Sério?
Confie em mim. Você vai se acostumar com isso.
Vou atender.
Alô?
É a Ellen Wise?
Sim.
Você se chamava Ellen Byrne?
Meu bem, preciso de um minutinho.
Quem é?
Meu nome é Rose.
Certo.
O nome Julie significa alguma coisa para você?
Por quê?
É o nome que está na minha certidão de nascimento.
Sei, pelos meus arquivos de adoção, que você vetou qualquer contato...
e eu realmente não deveria estar ligando assim, mas...
Eu não sei mais o que fazer.
Alô?
Alô, consegue me ouvir?
Gosto do nome Julie.
Quando penso em Julie, imagino-a parecida comigo, mas... diferente.
Roupas diferentes, sotaque diferente, cabelo diferente.
Por alguma razão, sempre a imagino com cabelo curto,
e eu não sei por quê.
Não posso deixar de pensar que, de alguma forma, se você tivesse conseguido ficar comigo
eu estaria vivendo uma vida diferente nesse exato momento.
Eu seria outra pessoa.
Talvez a pessoa que eu realmente deveria ter sido.
Eu mesma.
Oi, pai.
Desculpe, eu deveria ter ligado, tenho estado muito ocupada.
Como está a Lottie?
Que bom.
Sim, estou bem.
Estamos fazendo um módulo sobre a eutanásia.
Ontem tivemos que sacrificar um cachorro.
É.
Acho que o próximo será um cavalo.
Sim, é...
É muito difícil.
Sim, estou bem. Estou dormindo bem.
Na verdade, queria ligar para você. Vou para Londres na quinta-feira.
Não, é só por um dia.
Para uma conferência...
sobre epidemiologia.
Sim, deve ser interessante.
Ligo sim.
Tá bem.
Eu também te amo.
Alô. Estou ligando para saber sobre um de seus imóveis.
Queria saber se podemos marcar uma visita.
Sim, eu espero, sem problemas.
Sim, a casa na Windsor Avenue.
Meu nome é Rose O’Connell.
Qualquer hora hoje seria o ideal.
Às 15h30, com Valerie.
Olá, vim fazer a visita. Liguei para a Valerie antes...
Sim, ela está ao telefone agora.
Ah, tudo bem.
Você pode entrar e esperar, se quiser.
Sim, claro.
É uma casa muito bonita.
É você e sua mãe?
Você se parece com ela.
-Você acha? -Acho.
Todos dizem que sou igual ao meu pai. Eles estão separados.
Meu nome é Rose, a propósito.
Eva.
Eva. Legal.
Tenho que fazer revisão de uma matéria, então...
Ah, sim. Não se preocupe comigo.
Tá.
Na verdade...
Posso perguntar uma coisa?
Quantos anos você tem?
Tenho 16.
Certo. Obrigada.
Rose?!
-Sou a Valerie. -Oi.
E esta é Ellen, a dona do imóvel.
Oi.
Você já conheceu a filha de Ellen, Eva.
Sim, já.
Vamos começar?
Tudo bem para você, Ellen?
Sim, sim. Tudo bem.
Que tal começar pelo andar de cima?
Sim, ótimo.
Aqui ficava a casa original quando venderam o lote.
Ellen fez algumas mudanças, mas manteve muitas características.
A lareira no corredor, que tenho certeza que você notou...
e o papel de parede.
Você está querendo comprar realmente a casa?
Por que pergunta?
Bem, é que você parece um pouco jovem demais e eu...
realmente não quero desperdiçar o tempo de ninguém aqui.
É...
O fato é que...
você está certa.
Eu... estou visitando em nome de...
De quem?
De um cliente.
Então, quantos metros quadrados tem a propriedade?
Três mil.
Podemos ver o quarto de Eva agora?
Valerie?
Eu ia comentar sobre o espaço de armazenamento.
-Podemos falar um instante? -Claro.
Lá fora, por favor.
-Não quero discutir. -Nem eu.
Bom, muito bom. Você precisa sair agora.
E se eu disser não?
Você acabou de dizer que não queria discutir!
Olha, eu simplesmente não quero causar nenhum problema.
Eu só quero conversar, só isso.
Mãe?
Meu voo sai às nove. Aí eu vou embora.
Quando eu preciso ficar sozinha, longe das coisas, venho para cá.
Você gosta de caminhar?
Não particularmente.
Caminhar é bom, é bom para o estresse.
Acalma a gente.
Essa é a teoria, pelo menos.
Eu deveria topar, então.
Posso perguntar uma coisa?
Pode.
Eva... você disse alguma coisa para ela?
Não.
Porque ela não sabe nada sobre você.
Ninguém sabe.
Ouça.
É um rouxinol.
Eu fui estuprada.
Então... é isso.
Como foi que aconteceu? Ou você pode me dizer?
Eu tinha trinta e poucos anos.
E as coisas não estavam muito boas para mim.
Para me distrair,
me ofereci para trabalhar em um sítio arqueológico.
Achei que seria interessante.
O sítio ficava fora daqui, no litoral, e...
na parte de trás
tinha um campo de golfe.
E era... verão.
E ele era...
Ele...
Desculpe. Desculpe, não consigo. Eu não consigo.
Eu preciso saber quem é ele. O nome dele.
Por quê?
Porque eu acho que tenho o direito de rsaber.
E se eu disser o nome dele, o que você vai fazer?
Nada. Eu só quero o nome. Só isso.
Depois de todo esse tempo...
Não consigo dizer o nome.
Você consegue escrever?
Sempre imaginei cenários diferentes
que explicassem o fato de eu ter sido adotada.
Um era de dois jovens adolescentes que se apaixonavam
e esperavam seu primeiro filho.
Mas perceberam que tinham errado e entraram em pânico.
Uma parte de mim sempre se agarrou a ideia de que,
fosse qual fosse a razão, pelo menos eu era desejada.
Eu não era o problema. Não foi minha culpa.
Não foi por causa de quem eu era.
De alguma... aberração.
Que é o que eu sou.
Assim, a partir do relatório inicial,
sabemos que ela morreu de uma doença infecciosa
específica de ruminantes, que por sua vez foi passada para sua prole.
Nosso trabalho, o trabalho de vocês, é determinar a natureza dessa doença.
À medida que examinam cada órgão, quero que anotem suas observações.
Tamanho, cor, edemas, lesões incomuns.
Está bem? Então, mãos à obra, não fiquem tímidos.
Não consigo dizer o nome.
Você consegue escrever?
Alô. Estou ligando sobre o livro que será lançado esta noite.
Sim, você poderia me dizer exatamente onde vai ser, por favor?
Ah, tá. Certo, ótimo.
E eu preciso de ingresso, ou...? Ok, obrigada.
Interessante?
É... é sobre uma freira quem tem poderes psíquicos.
Sério?
Não é ruim, na verdade.
Liguei para o seu pai. Disse a ele que você ficaria livre mais tarde.
Quanto tempo você vai ficar em Dublin?
Não muito. Só um pouquinho.
Querida, aquela menina Rose, que veio ver a casa...
Sim?
Esse não é o nome verdadeiro dela.
Antes disso...
ela se chamava Julie.
Oi.
Oi?
Estou procurando o Peter Doyle. Pode me dizer onde ele está?
Sim, Peter.
Está vendo aqueles dois caras ali? Ele é o de jaqueta escura.
Sim, estou vendo. Obrigada.
Com licença? Com licença?
Queria saber se eu poderia me voluntariar para a escavação.
Tá bem.
Você tem alguma experiência?
Não, eu... É que... consegui um papel em uma peça...
e a minha personagem é uma arqueóloga.
-Então você é atriz? -Sou.
Então, eu estava com vontade, se for tudo bem...
eu queria passar algum tempo no sítio arqueológcio.
É mais ou menos como se fosse uma pesquisa de campo para a peça?
Sim, exatamente.
Tá, quer dizer, você pode voltar amanhã?
Claro.
Desculpe, eu deveria ter perguntado o seu nome. Eu sou o Peter.
Julie.
E como se chama a peça?
Chama-se “A Arqueóloga”.
Você é a arqueóloga?
Sou.
Está bem, vamos.
Venham aqui para a frente. Vamos. Vamos.
Vocês podem ficar aí no canto.
Certo. Todo mundo feliz?
Verificamos novamente o peso do cavalo?
Calculamos corretamente a dose de pentobarbital?
-Sim. -Ótimo.
Não esqueçam, só com o cavalo bem protegido para a eutanásia...
é que podemos começar o procedimento.
Acho que, se fosse eu, teria feito um aborto.
Eu pensei sobre isso. Quase fiz.
E sentada sozinha na sala de espera
foi que eu decidi ter você.
Então, em vez de pensar nele e no que ele fez,
eu consegui pensar em você, lá fora, em algum lugar...
E na vida que você poderia levar.
Achei que se eu conseguisse fazer isso, então...
talvez eu pudesse salvar algo de bom.
Alô, sou eu...
Estou aqui em Dublin, trabalhando em um drama de época.
Se estiver livre, pensei que talvez pudéssemos nos encontrar.
Gostaria, sim.
Tá bem.
Seu trabalho está muito bom, você aprende rápido.
Obrigada.
Tudo bem.
Quer que eu fique um pouco mais, ou...
você acha que já pegou o jeito?
Estou bem, obrigada.
Que ótimo.
Tá, eu vou... Vou deixar você aí, então.
Como ele é?
-Quem? -Doyle.
Ah, Peter.
Você já trabalhou com ele antes, não é?
Sim, ele é legal.
Por que pergunta?
Nada. Só curiosidade.
-Oi! -Ei.
Estou suada.
Alguém percebeu que eu faltei hoje?
Sim, eu. Tudo bem. Livrei a sua barra novamente.
O que é isso?
Ah, isso é apenas... para uma festa.
Que festa?
Não é uma festa específica...
mas se surgisse uma festa, pensei em usar uma peruca!
Quer dizer, uma festa da peruca?
Olha só!
O que você acha?
Não tenho certeza se tem a ver com você.
Apareceu uma mulher aqui procurando por você.
-Quem? -Ela não disse.
Onde ela está?
-Ela está no seu quarto. -Sério?
Sua amiga... Molly? Ela me deixou entrar.
Ela parece legal.
É, sim.
Já interpretei uma veterinária uma vez.
Sim, eu sei.
Como eu me saí?
Bem.
Tão mal assim?
É o hotel onde estou hospedada.
Eu conheço.
É estranho estar de volta depois de todos esses anos.
-Nunca pensei que voltaria. -Por que voltou?
Voltei por sua causa.
Essa é você?
Sim.
Foi tirada no dia em que meus pais me contaram que eu era adotada.
Depois fomos dar um passeio até o farol.
E minha mãe quis tirar uma foto minha.
Ela me pediu para virar de costas, mas eu não queria.
Não sei por que...
mas eu simplesmente não conseguia.
Ela faleceu há dois anos.
Qual era o nome dela?
Patsy.
Patsy.
Acho que vocês duas teriam se dado bem muito bem.
Posso perguntar uma coisa?
Pode.
Você o viu?
Não.
Sim. Eu vi.
À distância, algumas vezes.
Entendo.
Mas você não falou com ele?
Não, ainda não.
Ainda não.
Isso não a incomoda?
Que ele esteja por aí, agindo como se nada tivesse acontecido?
E ele está?
É assim que parece para mim.
Tenho lutado...
lutado muito contra as sensações que isso me provoca.
-Tudo bem? -Sim, vamos ensaiar?
Sim, vamos lá. Então, nos beijamos...
-Hmm. -Com paixão, com vontade.
-O Barão... -O que tem ele?
-Considere, senhora, a dificuldade. -Eu já considerei isso.
-E seu filho também. -Sim, e a criança também.
E você arriscaria... Arriscaria a... Me dá só essa deixa?
Sim, e a criança também.
-E você arriscaria tudo isso por mim? -Arriscaria.
Venha, dê uma olhada.
Claro.
O que você acha que é isso?
Parece um osso de animal. Um cão ou um pequeno javali, talvez.
Sabe...
Eu estava pensando...
Vou ter que pegar uma amostra para teste, e eu pensei...
só se você quiser, talvez pudéssemos nos encontrar
e conversar um pouco mais sobre o trabalho que fazemos.
Lhe passar mais informações.
Achei que seria útil. O que você acha?
É. Acho que eu ia gostar disso.
Que bom.
Lindo, não é?
Você não acreditaria no dano que eles podem causar ao nosso trabalho.
Então você nunca esteve aqui antes?
Na verdade, sim, uma vez, em uma viagem escolar, anos atrás.
O que achou das exposições? Muito interessante, não é?
É.
Quer dizer, eles estão ali, bem ali na nossa frente...
E, ainda por cima, têm toda essa... história.
Sabe? Acho que isso é o que me atrai mais no meu trabalho.
Desvendar o passado.
Por quê?
Não sei exatamente.
Ah, antes que eu esqueça.
Esta foto foi ideia da editora...
então, é um pouco constrangedora.
Aí está.
Não.
Acho que você está muito bem.
Sério?
Você acha que está bem?
Isso é uma pegadinha?
Sim, é.
Para o caso de você precisar ligar para mim.
Quer dizer, nunca se sabe, basta colocar no seu telefone.
Posso dizer algo?
Claro.
Seu cabelo.
O que é que tem?
Eu gosto bastante.
A cor, o estilo, combina com o seu...
Combina com o seu rosto, o formato do seu rosto.
Por que estamos aqui?
Como?
Por que me pediu para vir aqui?
Eu só queria que você soubesse como estou feliz por você ter ido
trabalhar na escavação.
Quer dizer, sei que você
está fazendo pesquisas para esta coisa da atuação...
mas você tem uma natural...
habilidade.
-Você é muito boa. -Sério? É só isso?
É.
Posso fazer uma pergunta?
Claro.
Quanto você pesa?
Vou subir agora.
Boa noite.
Julie!
Olá. Eu estava na área e pensei em dar um pulo para dizer oi.
Como você sabia onde eu morava?
Liguei para o seu escritório, e aqui estou eu.
Entre.
É só ir em frente.
Sua esposa?
Sim, esta é a Teresa.
Seus filhos?
Sim. Bem, não. São filhos da Teresa, Thomas e Seán.
Mas eles me veem como pai.
Nos conhecemos quando eles eram jovens.
Você tem irmãos ou irmãs?
Tenho, sim. Tenho uma irmã mais nova. Eva.
Legal.
É, sim.
-Você tem uma casa adorável. -Obrigado.
Só que, na verdade, é a casa da Teresa.
Ah, é?
Sim, seus pais construíram para ela e seu primeiro marido
quando eles se casaram.
Uau!
O quê?
Sei lá. Tudo isso...
Só me faz pensar o quanto você tem sorte.
Nunca pensei sobre isso antes.
-Sério? -Não.
Você se importaria de me dizer onde fica o seu banheiro?
Claro. É lá em cima, à esquerda.
Estou aqui.
-Você estava certa. -Sobre o quê?
Sobre eu ter sorte.
Por ter esta... casa para morar.
Sabe, Teresa, os meninos, o meu trabalho.
Eu penso sobre isso, sabe. Não passa despercebido.
Sabe o que...
Sabe qual é a melhor coisa sobre o meu trabalho?
As surpresas que ele traz.
O que, por exemplo?
Como um artefato raro, por exemplo.
Ou... alguém como você.
-Estou constrangendo você? -Não.
É engraçado você estar aqui, não acha?
Engraçado como?
Bem, as pessoas podem ser perdoadas por pensar
que algo está acontecendo.
Mas não está acontecendo nada.
-Sério? -Não.
Uma jovem atraente, sozinha, com um homem em sua casa...
no meio do dia... quando sua esposa está fora.
Entende aonde quero chegar?
Sim.
Você consegue se lembrar de quando nos conhecemos?
Sim.
Consegue se lembrar de uma atração?
Eu consigo.
Não foi por isso que você veio até a minha casa?
Para me ver?
Não.
-Não? -Não.
Acho que realmente, lá no fundo,
você quer isso.
Pare.
Na verdade, acho que você quis isso desde que nos conhecemos.
Não. Pare agora. Ouça, eu quero que você pare.
Sabe do que mais? Acho que não vou parar.
Pare.
Quando alguém diz para parar, pare!
E mais uma coisa...
você é meu pai!
-Ele sabe quem você é? -Não.
Quem ele pensa que você é?
Ele acha que sou uma pessoa chamada Julie.
E que a Julie é filha dele.
Sabe, eu teria feito isso.
Se a seringa não tivesse quebrado, eu teria acabado com ele. Mesmo.
Está bem.
Contou sobre mim para a Eva?
Sim. Eu disse que ela tem uma irmã.
-Só isso? -Só isso.
Não tenho certeza se quero que ela saiba tudo, ainda mais quem eu sou.
Não quero que ela tenha que se policiar
quando se lembrar com quem está falando.
Como foi na academia?
-Podemos sentar? -Eu não quero sentar.
O que eu quero, Peter... é que você explique isso.
E tudo o que aconteceu ali. Isso, Peter, é o que eu quero.
Tá bem.
Tem uma garota, uma jovem...
Que jovem?
Julie.
Julie. Eu a conheço?
Não.
E aí?
Aparentemente, ela pensa que sou o pai dela.
E você é?
Não.
Então ela está mentindo?
Sim, ou então está confusa, ou está enganada.
Ou, talvez, apenas talvez... você realmente seja o pai dela.
Não estou me sentindo muito bem.
Sabe do que mais?
-Eu vou sentar. -Quantos anos ela tem?
-Que diferença faz? -Apenas me diga a idade dela!
Eu não sei! 22, 23? Talvez?
Tá, bem, pelo menos já é alguma coisa.
Meu Deus, quantas vezes eu tenho que dizer?!
Eu nunca traí você, nunca!
E a mãe dela?
-Quem é ela? -Não tenho certeza.
Peter!
Eu realmente não tenho certeza.
Olhe aqui.
Olhe.
Olhe para você.
Que merda está acontecendo?
Você tem uma nova mensagem. Primeira nova mensagem.
Oi, minha mãe me disse para ligar para você.
Nós pegamos seu número na placa do sítio arqueológico.
É que tem um cervo aqui, e ele está ferido.
Então minha mãe disse que você deveria vir para cá.
Ela foi procurar um veterinário. Beleza. Tchau.
Eu teria acabado com ele. Mesmo.
Não deveríamos esperar pelo veterinário?
Sim, mas quanto tempo vai demorar? Vamos ficar aqui?
Olhem só para ele.
Não acham que seria cruel deixar ele aqui assim,
com tanta dor?
Desviem o olhar. Não vai ser legal. Olhem para lá!
Rose?
Preciso me livrar disso tudo. É pré-pago?
É.
Mais alguma coisa?
Tem algumas seringas lá no meu quarto. Duas.
Em seu quarto onde?
Em um... em um ficheiro, na mesa do meu escritório.
-Algo mais? -Não.
Tem certeza?
Na verdade, tem duas garrafas. Precisa ter muito cuidado com elas.
Tá bem.
Você foi minha primeira gravidez.
E eu sempre quis ter um filho, mais do que qualquer coisa.
Mesmo assim, quando você nasceu, nunca olhei de verdade para você.
Nunca.
Eu não era capaz.
Eu me sentia vazia por dentro, como se...
como se eu não soubesse quem eu era.
E lá estava você...
e eu nunca abracei você de fato.
Posso abraçá-la agora?
Achei que nunca conseguiria amá-la, porque você era filha dele.
Sentia que nunca conseguiria ser sua mãe.
Você é minha mãe.
Eu sou.
Filho da puta.
Alô?
Sim.
Quem?
Sim.
Sim.
Tá.
Sim.
Sabe por que eu disse que deveríamos nos encontrar aqui?
-Posso imaginar. -Sério?
Sim. Eu não esqueci.
Ah, isso é bom.
Mas os detalhes. Você se lembra dos detalhes?
Vou refrescar sua memória.
-Não há necessidade. -Eu insisto.
Estava todo mundo fazendo as malas para ir embora quando você me pediu para ficar.
Lembro-me de me sentir lisonjeada, então eu disse que ficaria.
Você disse que tinha algo para me mostrar,
então eu segui você para longe do sítio e na direção do campo de golfe.
Passamos por um abrigo.
Era muito isolado, e você veio com uma conversa fiada.
A vista, o clima, o de sempre.
E aí você se transformou.
Eu pude perceber isso.
E eu disse que me sentia desconfortável.
Olhei em volta e pude ver como estávamos sozinhos.
E fiquei com medo.
Talvez você tenha notado isso.
E até gostado.
E, então, tudo começou.
Eu falei para você parar.
Eu disse não.
Eu disse não.
E então você me deu um soco.
Forte, no peito.
E eu não conseguia respirar.
Eu estava apavorada.
Você se lembra?
Eu preciso que você responda.
Sim.
Sim, o quê?
Lembro que você disse não.
Mas você não parou...
Parou?
Não.
Quando acabou, nós dois voltamos andando,
e eu fiquei embaixo daquela árvore, você se lembra?
Sim, eu lembro.
Eu não sabia o que fazer. Para onde olhar.
Eu me senti envergonhada, de alguma forma, como se eu cheirasse mal.
Enquanto você, você...
você parecia relaxado.
Como se nada tivesse acontecido.
Uma mulher perguntou se eu estava bem...
e ela retirou um pouco de grama e lama das minhas roupas.
Sei lá.
Eu estava perdida.
E não contei o que tinha acontecido.
Eu não disse nada.
Julie? Julie é Rose.
Minha filha.
Se eu soubesse...
Que ela era sua filha, você não teria tentado estuprá-la?
Eu era filha de alguém.
Eu...
dentro de mim...
não é muito fácil.
Não.
Não imagino que seja.
Tá bom, pare! Pare, por favor!
Pare com isso, por favor. Está tudo bem, está tudo bem, solte.
Vou manter as mãos afastadas. Não vou tocar nisso.
Eu só...
Só preciso de um tempo.
Desculpe.
Não, está tudo bem.
Eu estava sonhando... conosco.
Sonhei que estava no quebra-mar...
o sol estava surgindo por trás das nuvens.
E eu estava esperando...
por você.
Tradução: EDUARDO RIECHE
Legendagem: 4ESTAÇÕES
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