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Tivemos que podar essa árvore.
Suas folhas estavam devorando nossa luz.
Embarquei em uma série de viagens,
filmando aqui e ali, rostos e palavras,
museus, rios e arte.
Eu escutei as pessoas a quem encontrei talvez por acaso,
AGNES VARDA DAQUI PARA ALI
especialmente os artistas de cujo trabalho eu gosto.
Quando voltei de minha primeira viagem,
já havia novos brotos
Eu viajei, de trem ou de avião
filmando em cada cidade, não para fazer um relatório,
mas para capturar fragmentos, momentos, pessoas.
A árvore renascia.
Eu fui e voltei.
Jean-Baptiste e eu editamos imagens e sons que reuni.
Mas bem antes que eu completasse minhas viagens e meu trabalho,
que durou bem mais que um ano,
a árvore,
com rebentos e folhas
havia reconstituído sua folhagem em menos de três meses.
Vemos o processo aqui em menos de dois minutos.
Aqueles que veem estas crônicas
as verão durante muitos dias.
Esta série filma e parte, por assim dizer.
Aqui, para o último episódio desta série,
Los Angeles, o pintor Van der Weyden,
Avião no Ródano, depois do México,
e de volta a Paris com caveiras e vaidades.
No caminho! Essa é a viagem!
Em voo, por longas horas
Eu realmente gosto muito desse tempo fora do tempo.
Irei a Los Angeles por um curto período.
Primeiro, rever o Oceano Pacífico.
Algumas palmeiras,
Veneza,
os reservatórios,
E Santa Mônica,
bairro de meus amigos Patricia Knop e Zalman King, aqui,
no seu jardim.
Ele é produtor e diretor.
Ela é uma roteirista e era uma escultora.
Jovem, ela queria representar
a realidade um pouco maior
que a natureza. Ela pegou
por modelos sua família: Zalman,
seu amor, primeiramente.
Mais tarde,
suas filhas
e os próximos.
Ela também
representou
seus pais.
Patrícia se "auto esculpiu" rainha nessa casa museu.
Ela também
reuniu anjos
de todos os tamanhos.
Los Angeles é a cidade dos anjos,
eles chegam de todas as partes.
Eu sempre sei quando um anjo chega,
e amo que eles estejam por toda parte.
Mesmo aqui, na nossa cozinha.
Eu tenho muita afeição
pelos seres alados.
Amo os anjos e amo os pássaros.
Canto de pássaros.
Na casa dela, os pássaros e os gatos coabitam.
Ela faz com que os anjos tomem ar fresco
os menores.
Ela tenta o fundo
dessas telas e pinturas compradas em vendas de garagens.
Patricia ama
a arte naif.
Sua filha Chloé tem os mesmos gostos.
Encontrei um artista em particular,
Eugene Armistad.
Aqui, ele mostra Adão e Eva, que se retiram com certeza após
ter comido a maçã.
Eu sempre fiquei intrigada por Adão e Eva.
Comecei a colecionar arte sobre esse tema.
Acabei pedindo-lhe
peças pessoais
colocando elementos de minha vida no jardim do Éden.
Pedi-lhe que fizesse uma obra para minha mãe.
Há uma escuna,
o encontro entre meus pais, depois o oceano
e esse belo amor, esse amor inocente.
Armistad fabrica ele mesmo seus quadros.
Um dia, ele veio à minha casa
entregar-me um quadro. Nosso único encontro.
Ele me fez essa.
Que é minha escrivaninha, meu velho computador
Aqui há um de seus quadros.
E eu voando pela janela,
com minha gata Zelda, que me segue.
Eu tentei encontrá-lo
para que você pudesse conhecê-lo,
mas sem sucesso. Seus e-mails voltaram,
outra pessoa respondeu em seu número.
Olhei no Google, no eBay...
Nada. Infelizmente, ele poderá...
Estar morto?
Ele poderá estar morto, infelizmente.
Um outro artista naif, um herói
da arte bruta, construiu as torres em Watts.
Era um pedreiro de origem italiana,
Simon Rodia.
As torres foram restauradas e ficam fechadas.
Pagamos para visitá-las.
Há 40 anos eu cruzei os trilhos
de uma trilha de trem para ir lá.
As pessoas acampavam ao pé das torres.
Rodia construiu seus monumentos
às noites e aos domingos. Ele fez-me pensar
no carteiro Cheval que construiu seu palácio ideal
com pedras que ele trouxe em um carrinho de mão,
retornando de suas voltas como carteiro.
Há algo mais a ver
no quarteirão de Watts.
Após subdivisões, estão os Nickerson Gardens.
Há as paredes
que são a memória dos mortos do bairro,
os mortos da guerra entre as gangues.
No final dos anos 70s, eu filmei, no Este de Los Angeles, os murais
pintados para os mortos de bandos rivais.
Os membros das gangues
chamavam-se "home boys".
Eles mesmos pintaram os tributos.
Aqui, em Watts, é diferente: eles escrevem.
Vemos somente os nomes daqueles que se
mataram. Uma terrível lista de nomes e sobrenomes.
Um monumento de nomes.
Seu nome está aqui? Fale-me de seu marido.
Jovem, ele fazia parte de uma gangue, eu creio.
Mas não mais naquele momento.
Não tinha nada a ver com uma gangue.
Não sei se eles o mataram
por uma razão particular. Em minha opinião...
Talvez eu não estivesse ao par de tudo,
mas penso que ele foi morto por medo.
Onde aconteceu?
Lá embaixo, no estacionamento.
Quem o fez?
Não conheço o cara que o matou.
Muitas pessoas o conheciam, mas eu não.
Eu não tinha seguro na época,
mas tinha um trabalho
e ainda o tenho. Esse trabalho me paga bem.
Eu saquei o dinheiro de minha caderneta de poupança
e minha mãe me emprestou também,
para que eu pagasse o funeral.
As exéquias custaram-me 8100 dólares.
Cerca de 2 semanas mais tarde,
encontrei a mesma quantia em casa.
Como assim?
Ele colocou o dinheiro em casa e eu não sabia.
Para você?
Não sei para quem,
se ele contava comprar alguma coisa,
mas eu encontrei 8100 dólares em casa
e eu gastei 8100 dólares pelas exéquias.
Eu disse: "Meu Deus!"
Que história estranha.
De fato.
Foi um prazer falar com você.
Obrigada pelo tempo.
Eu quem agradeço. Espero que as pessoas assistam.
É importante.
Tenha um bom regresso.
Ele se chamava (nome incompreensível)
Vou anotar.
Iremos ver o nome dele.
Obrigada, até logo.
Volta a Veneza, onde vivia Jim Morrison.
Ele também desapareceu
e não foi esquecido.
Ele, Jim,
inesquecível.
E novamente as palmeiras,
e o cais de Veneza, minha base,
e as praias circundantes.
E precisamente, uma varanda onde eu fiquei
2 anos.
Eu coloquei lá uma tela azul aberta a todas as imagens.
No eco ... ou na memória.
Mathieu, meu filho, e Sabine
num filme.
É o mesmo procedimento que utilizei na praia de Sète
para criar uma imagem complexa, com espelhos e variações.
De um barco a um avião, de uma franja de espuma do mar
a um tapete de nuvens, do céu à terra
e do trem a um carro para ir ver a pintura.
Nós vamos para a Alemanha, em Frankfurt
ver uma exposição dedicada a 2 pintores do século XV,
Rogier de la Pasture, dito Van der Weyden,
e o Mestre de Flemalle,
também conhecido com o nome de Robert Campin,
ainda que estudiosos competem para descobrir
quem pintou o quê.
Van der Weyden é aquele cujo trabalho me toca infinitamente.
Primeiro, as "Anunciações", incluindo este que está
no Louvre. A Anunciação, tema maior
da História Sagrada e da pintura antiga.
Subtil tema da aventura de mulheres e de homens.
Encontramos os detalhes, sempre os mesmos:
Um buquê de lírios no chão,
o vestido do anjo, suas asas, seu gesto,
o livro que a Virgem segura
e seu roso sereno ou atônito.
Cada pintor
inventou as variações
e os graus de distância ou de cumplicidade
entre o anjo e a Virgem.
Herdei de minha mãe uma grande curiosidade
para o encontro entre o anjo e Maria
como os pintores o ilustram.
Ela colecionou os cartões postais.
Eu continuei.
O anjo chega quase sempre pela esquerda.
Sorridente, discreto,
tímido, respeitoso.
Ou então, chegando pelo ar,
místico,
irrompendo,
surpreendendo a Virgem pela invasão.
As raras chegadas do anjo pela direita
inspiraram os mestres:
Philippe de Champaigne, Rubens,
Poussin,
e Lotto,
por essa Anunciação única
única pois o anjo assusta o gato enquanto
A Virgem não está surpresa com nada.
Jan de Beer também colocou um gato
nessa cena mística, mas um gato tranquilo.
Voltemos para Van der Weyden. Uma Anunciação
sobre a vertente do políptico de Beaune, "O Último Julgamento".
O arcanjo Miguel pesa a alma dos mortos.
Para alguns, é pesado. Eles sofrerão no inferno.
Aqueles que são salvos ressuscitam
e louvam ao Senhor.
Este mesmo gesto é um gesto de dor para uma Maria
que chora o Cristo na cruz.
De Crucificações a Deposições,
Van der Weyden foi capaz de mostrar a dor,
uma dor que vai além da História Sagrada.
A dor.
Na França, em uma rua de Provence, uma Pietá.
O corpo de Cristo é apoiado como no "Pietà
d'Avignon", hoje no Louvre.
Essa pintura de Enguerrand Quarton
estava no convento de Villeneuve-lès-Avignon,
como seu "Coroação da Virgem."
A representação da divina Jerusalém
relembra claramente as muralhas de Avignon.
Do Ródano, vemos Villeneuve de um lado
e Avignon do outro.
Como se esquecer os primeiros festivais,
as deslumbrantes noites no pátio do Palais des Papes,
as inovações de J. Vilar? Eu me lembro
obrigatoriamente.
Na ponte de Avignon, nós sempre dançamos em círculos,
como o carrossel gira na frente do Teatro da Ópera
onde é jogado "O cantor do México".
Rosalie, minha filha, fez o figurino
e Ch. Vallaux, os cenários.
É Mathieu Abelli quem canta o papel principal.
E você será sempre
o paraíso dos corações e do amor!
México, México!
México!
Mé-xi-co!!!
Aplausos.
Conexão direta: Estou na Cidade do México,
complexa megalópoles.
Altitude e poluição.
Mas eu não sinto nada,
eu sou curiosa. Eu vou primeiro a um mercado,
para ver as pessoas, a vida, aqueles que assistem ou compram.
Gosto dessa multidão.
Há movimento, cores.
E de repente, um rosto.
Alguns dos meus filmes são mostrados,
porque estou aqui.
Ela fala em espanhol.
Eu digo isso nas cinematecas, sinto-me em casa e adoro.
Digo-o com modéstia e prazer.
Sou mimada. Emprestam-me um carro,
um motorista, Tito,
e um acompanhante intérprete, Jorge.
Aqui estou em um lindo hotel decorado à moda antiga.
Vejo Jorge e minha assistente
Elodie.
É sábado. Há um belo casamento.
Eles se enganaram.
Deram a Elodie um banheiro de núpcias.
Ela me mostra.
Peço-lhe que pose, ela aceita.
Jazz.
Quanto a Jorge, ele se senta no piano do bar.
Eu filmo o que é proposto para o desjejum.
Aqui, a abundância é, por assim dizer, escandalosa.
Há milhares de desempregados e de pobres, no México.
Nas ruas, vemos aqueles que vivem com pouco
ou que
se viram.
Canção em espanhol.
Bienvenidos!
Ele assobia.
Há também o festival de Guadalajara.
Aplausos.
Agora que sou velha,
há uma tendência a me conceder prêmios,
a me dar troféus.
Mas há também os encontros na universidade
e um debate sobre o documentário
liderado pelo cineasta Juan Carlos Rulfo.
De todas as maneiras
você deve ter a película
o vídeo,
o material...
Depois, vamos comer na colina. Ainda falamos de cinema
com a equipe do festival de Guadalajara.
Alguns dizem que é melhor morrer
do que perder o festival de Morelia.
Foi Carlos Reygadas quem o disse.
Esse cineasta causa sensação em Cannes, desde 2005.
Nós rodamos para vê-lo na sua aldeia de Ocotitlán.
Ao longe, vejo o vulcão Popocatépetl.
Parece que os discos voadores chegam lá.
De fato, eu sou advogado.
Eu estudei o direito sobre o uso da força
e conflito armado.
Eu trabalhei para a Comissão Europeia, na Bélgica
então, para o serviço diplomático mexicano
nos trabalhos preparatórios para o Tribunal Penal
Internacional.
O Museu do cinema de Bruxelas é formidável.
Eu via 2 filmes por dia.
Eu amo meu trabalho, mas não a vida que ele impõe.
O cinema foi um pretexto para poder mudar de vida.
A um certo momento,
sobretudo quando eu quis ter meus filhos,
decidi voltar ao México.
O México é um lugar formidável para se ter filhos.
O filme chamado "Japão" realmente nos impressionou.
Porque é verdadeiramente um filme sobre o desespero,
sobre a solidão,
solidão dos personagens...
- Obrigado, sra. Assomption. - De nada.
Mas eu não me chamo Assomption.
Ela fala da velhice com tanta densidade.
Ela me impressionou.
O que o levou a tratar de um assunto assim tão duro?
Há um homem.
Um homem que tem o desejo de morrer.
Deslizamento de terra.
Sim, ele está numa situação de querer se matar,
suicidar-se de uma maneira clara, ativa,
mental, racional.
Por que viver?
Então, acho que
essa questão que eu me faço,
ou que me fazia
uma vez que eu era bem jovem
motivou a ideia de fazer um filme.
Você certamente ousou uma das cenas de amor
das mais extraordinárias do cinema.
Aquilo devia acontecer entre eles? Foi escrito daquela maneira?
O que eu queria era ter relação com você.
É mais complicado que isso... Mas grosso modo, é isso.
Se você estiver de acordo.
Relações livres?
Desculpe-me?
Vamos, diga!
Relações sexuais.
É importante para mim. Neste momento.
Porque sou muito velha?
Não me importa.
Procurávamos uma mulher para o papel.
Felizmente, encontramos
na aldeia a formidável Magdalena.
Evidentemente, eu havia explicado a ela o que iria acontecer.
Eu sabia que ela era modesta,
que ela teria problemas para fazê-lo.
Mas, ao mesmo tempo, ela havia me prometido fazê-lo.
Eu disse ao homem:
"Você deve simplesmente lhe dizer para fazer isso,
colocar-se na posição,
e você agi e você vai."
E eu disse à mulher: "Faz o que o homem lhe pede."
E aqui está Reygadas com sua mulher, Natália,
e seus filhos, Elazar e Ruth.
Eu sou pai de família,
por certo.
Mas amo muito fazer filmes.
- E eu faço outras coisas. - O quê?
Estou construindo uma casa.
E jogo futebol.
Com uma equipe? Nós vimos o terreno.
Sim, sim. Aqui, na cidade.
- Como se chama o time? - Ocotitlan.
É o nome desse endereço.
Vocês competem com outras cidades?
Sim, a comarca inteira.
Que posição você tem no time?
Eu jogo... no meio.
- No centro, ao meio. - Está bem.
No caminho de volta até a cidade de México
eu ainda penso em Reygadas.
As estradas são sempre confusas.
Vamos visitar a casa de Frida Kahlo.
Eu volto sempre com prazer.
E um festival
de cores.
Frida viveu com o célebre pintor Diego Rivera.
Ela foi
uma grande artista, singular.
Neste museu, podemos ver os negócios de Frida,
suas coleções, suas almofadas.
Há também algumas pinturas.
Mas não podemos nem fotografá-las,
nem filmá-las em paralisação.
Longe desse museu,
o mundo de pinturas de Frida existe violentamente.
Ele reflete
seu tormento de saúde e suas feridas de todos os tipos.
É realista
e é imaginário.
Frida é amada por suas pinturas
e através delas.
Ela está inteira.
Quanto ao azul no quintal,
bem depois do famoso azul índigo dos Touaregs,
e antes do azul de Klein que ele tem direitos autorais,
esse azul ilumina o retrato que eu fiz de Alfredo.
Música em espanhol.
Nós vamos, levadas
por Alfredo.
"O amor de Deus é maravilhoso", eles dizem.
No mercado de pulgas, há de tudo, como em todos os lugares.
E das coisas locais.
Encontro um pássaro e um gato num estilo que amo.
Já há 20 anos,
eu trouxe esses animais,
uma especialidade da cidade de Tonala.
Miado.
Eu amaria voltar ver os artesões.
E vamos, levados por Alfredo.
Há lojas e cerâmica,
mas nada daquilo que procuro.
Na única cerâmica com animais
eu pergunto. Agora eles são vidrados.
"Assim fabricamos mais rapidamente."
A vendedora está orgulhosa
de seus pratos com desenhos tradicionais.
Tonala nos agradece a visita.
Na estrada para se juntar a uma fábrica particular:
Jumex, "jus mexicains'. Ela é
famosa por sua coleção
de arte contemporânea.
Michel Blancsubé nos recebe.
É uma empresa de suco de fruta bastante conhecido.
Eugenio Lopes Alonso, colecionador.
de arte contemporânea.
é o filho único do proprietário e criador
de Jumex.
Eu vim em fevereiro de 2001
para instalar uma obra que E. Lopez Alonso comprou,
a "Mesa de Bilhar Oval"
de Gabriel
Orozco.
Gabriel Orozco teve recentemente uma exposição
em Pompidou. Vimos o carro
estreito que se tornou popular
e outras peças.
Isso cheira a México.
Para instalar essa mesa de bilhar,
envie o pequeno francês dos museus de Marselha
custa menos caro que enviar
s 2 ingleses que a fabricaram. O colecionador
optou pela solução do francês.
Em vim por 6 meses
e estou aqui há 9 anos.
É no meio dessa cor que é a entrada da galeria.
Depois de 2006, ele me convidou para fazer as propostas de exposição
de sua coleção.
Foi uma alegria ver essa coleção.
Eu passo mal: estamos entre duas exposições.
Estou desapontada por ter rodado
1h3om para não ver
nada além de caixas.
Eu posso lhe mostrar as bidimensionais.
Essa foto de Santiago Sierra,
onde ele pagou durante, eu não sei o quanto, 360 h,
a alguém para ficar recolhido lá.
Ele diz isso com dinheiro, nós podemos fazer
qualquer coisa para qualquer um. Mas há limites.
Ah! Um Boltanski!
Um Boltanski dos anos 80, seus famosos "Monumentos".
Bom!
Acabamos de filmá-lo exaustivamente no Grand Palais...
Creio ter lido que são pedaços de fotos não utilizados
que ele cortou e reciclou em
seus "Monumentos"
nos anos 80.
Temos dois elementos de um Matthew Barney,
de um tríptico que será mostrado
num lugar que se chama Schaulager.
Sim, eu vi
essa exposição de M. Barney. Não filmei nada, mas
fotografei uma grande peça de Barney,
um pequeno Cranach perto de uma pilha,
e o próprio Matthew.
De novo à Cidade do México.
Os murais, as grafites...
Os reflexos na rua
dos efeitos óticos
de Olafur Eliasson.
Estamos no museu da universidade,
o MUAC. Há muito
a ser visto: Os colecionadores mexicanos
apresentam suas aquisições.
E isso que me explica Rafael Samano,
coordenador do museu,
que eu vi na Cinemateca.
E aqui, no meio de espelhos de Dan Graham.
- Como isso funciona? - Isso?
Nós o vemos do outro lado?
Não, este é um espelho.
Mas como o reflexo vai do outro lado da outra sala?
Porque ele tem um filme dupla reflexão.
Exato.
Então ele tem um espelho
é como a câmara de Gesell,
aquela dos interrogatórios policiais.
Da polícia ao exército, há alguns passos.
Aqui está uma grande peça de Thomas Hirschorn.
Nos mapas mundiais,
o artista tem manchado camuflagem militar.
Ele colocou
fotografias soldados feridos no Iraque.
Forma inventada para este relatório terrível.
Ali perto, há um muro de verde e de neons,
criada por uma artista anglo-mexicana,
Melanie Smith.
Seus filhos estão lá.
Ela também posa para mim.
Ali uma outra artista, em seu gênero.
Rosário, a mulher de rosa.
Nós a acreditaríamos no disfarce do palco.
Na verdade, desde o amanhecer,
ela limpa a entrada do mercado de Tlalpan,
Admiro seu desejo de elegância
e de cortesia para os passantes e para
aqueles que querem comprar as pequenas coisas que ela cozinhou
e os chinelos que ela tricotou.
Eu tricoto as pantufas.
E por quanto as vende?
85 e 120.
É um mercado de bairro, todos se conhecem.
Eles jogam brisca.
Os naipes parecem pimentas.
Eu acompanho as pimentas até encontrar uma senhora
que fabrica o melhor "molé" do México, segundo Paula Verde.
Dizem que é o melhor molé da cidade.
Claro que é o melhor.
Acredita nisso?
Claro que acredito.
- Eles vêm de todos os lugares? - Sim.
Para comprar em sua loja?
Sim.
Você sabe?
Sim.
O "molé" em pó, que é consumido com caldo de galinha
é preparado com quinze
ingredientes somados ao pimentão.
E isso, é o quê?
Pimenta malagueta.
Vai pimenta mulato ancho,
pimenta pasilla,
amêndoas, uvas passas, amendoim,
gergelim, plátano,
cebolas
semente de abóboras,
e também
biscoitos,
pimenta, cominho, canela...
chocolate...
- E você quem prepara? - Sim, em casa.
E é sua receita?
É a receita de minha avó, minha mãe, toda a família.
A tradição.
O Museu de Arte popular
é uma delícia.
Uma árvore da vida,
naif.
Não é tudo bucólico.
Aqui, um diabo estuprador feio e virtude vingativa.
A imaginação de todos declina
o tema da morte.
Os pequenos esqueletos estão em toda parte,
ferroviários, ladrilhadores, cangaceiros.
Na loja, podemos comprar as cabeças dos esqueletos.
Há a escolher.
E bonecas com roupas locais.
Eu trouxe de volta esqueletos secos,
para meu quintal, em pleno inverno.
E uma pequena barra dobrável, para a viagem.
Os mexicanos encontraram coisas e piadas
para driblar a ideia da morte.
Para nós, é uma outra ideia,
menos lúdica.
A mulher e a morte,
a cadeira e o osso:
Temas recorrentes,
tratados à maneira antiga.
Ou por Marina Abramovic.
Esses trabalhos foram coletados
na fundação Bergé-St. Laurent.
No museu Maillol, o mesmo assunto,
tratados desde o século I, em Pompéia.
"Vanitas vanitatum, omnia vanitas."
Tudo é vaidade.
A inscrição latina é bem clara.
"Depois do homem, os vermes, depois dos vermes,
o mau cheiro.
Cézanne é clássico.
Spoerri escolheu o humor
combinando uma tapeçaria kitsch com um esqueleto de verdade.
O caçador, sem dúvida.
Um pequeno caixão da sala de estar,
com os pés que são os crânios em osso.
Nós passeamos sobre o solo da lua,
e é o crânio de Miquel Barceló.
Annette Messager comentou sua cabeça de sua morte.
"Estas são luvas.
Luvas negras ou castanhas.
E nessas luvas
Introduzi, como unhas
lápis de todas as cores.
São pontudas, afiadas.
São como longas juntas que saem.
Eu as montei em uma cabeça grande.
Uma cabeça de morte, sim, efetivamente."
A caveira de Niki de Saint Phalle, não posso achá-la mortal.
Ela traz laço e coração.
Eu associo sua "Cabeça de Morte" às suas "Nanas", cheias de vida
que têm coração e formas.
Uma linda garota, invertido por Maillol,
faz sentido aqui.
O acaso quer
que todos esses crânios, incluindo o de Yan Pei-Ming,
e essas visões magras sejam exibidas no museu Maillol,
ele que soube celebrar a vida esculpindo
na pedra a carne dos corpos das mulheres.
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