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Tivemos que podar essa árvore.
Suas folhas estavam devorando nossa luz.
Embarquei em uma série de viagens,
filmando aqui e ali, rostos e palavras,
museus, rios e arte.
Eu escutei as pessoas a quem encontrei talvez por acaso,
AGNES VARDA DAQUI PARA ALI
especialmente os artistas de cujo trabalho eu gosto.
Quando voltei de minha primeira viagem,
já havia novos brotos
Eu viajei, de trem ou de avião
filmando em cada cidade, não para fazer um relatório,
mas para capturar fragmentos, momentos, pessoas.
A árvore renascia.
Eu fui e voltei.
Jean-Baptiste e eu editamos imagens e sons que reuni.
Mas bem antes que eu completasse minhas viagens e meu trabalho,
que durou bem mais que um ano,
a árvore,
com rebentos e folhas
havia reconstituído sua folhagem em menos de três meses.
Vemos o processo aqui em menos de dois minutos.
Aqueles que veem estas crônicas
as verão durante muitos dias.
Esta série filma e parte, por assim dizer.
Para este episódio, vamos para Basileia, a Colônia, a São Petersburgo.
Conhecemos o cineasta Sokurov
e dois grandes artistas franceses, Boltanski e Messager.
Por coincidência,
onde eu passo, as árvores são podadas.
Amo filmar isso.
Aqui os podadores brasileiros, que cortaram as amendoeiras.
No bulevar de San Vicente, em Los Angeles,
podam as árvores de coral.
E aqui, na ilha de Noirmoutier, os sombrios ciprestes.
Na cidade de Amsterdam, sobre um grosso ramo de plátano
um pequeno podador é congelado em seu gesto.
Quanto a mim, eu me movo. Eu rodo através da Feira de Arte de Bâle.
Feira de Arte Basel.
A arte é ilimitada.
A arte é uma festa.
A arte é uma feira.
Entre as exposições,
esse monumento de pedras em forma de iglu.
E um outro, medieval.
São os iglus inventados por Mario Merz.
Ninhos, cabana inabitáveis, abrigos feitos de pedras,
de madeira e de ramos. Arte Povera.
Matrizes imaginárias para as almas nômades.
Iglus de sonho.
Ou de vida pré-histórica.
Estou certa
que é uma obra muito importante para Mario Merz.
Esse iglu...
Jamais vi outro iglu que amasse tanto como esse.
É a galerista suíça Elsbeth Bisig que o diz.
Nós o contatamos para lhe pedir uma exposição em nossa casa.
Nós compramos
esse iglu.
Ele estava em nosso jardim
que também é o jardim particular da casa e de galeria.
E nós vivemos com esse iglu durante 18 anos.
E é o que é um pouco triste ou muito triste, nós o vendemos.
Mas às vezes é a vida de um comerciante de arte.
É preciso vender as coisas.
Eu imagino que seja muito caro. Mais de um milhão de euros?
Um pouco, sim.
Seu encontro com Mario Merz foi importante?
Em francês, a palavra "unforgetable"?
- "Inesquecível". - Inesquecível!
As contradições sensíveis que essa galerista acabara de dizer,
eu repensei depois em meu quarto de hotel, que dava para o Reno.
O Reno, rio mítico.
Ah, Wagner!
"O ouro do Reno"...
As Filhas do Reno...
Este mesmo Reno flui para o norte e cruza a cidade de Colônia.
Eu não chego de barco, mas de carro.
O campanário da catedral é visto de longe e se apresenta
de diversas maneiras.
Todas juntas.
Mesmo como macarrão.
É muito bom, com um pouco de queijo ralado da Renânia do Norte-Vestefália.
- Você quer água? - Vou pegar da torneira.
- Mas por quê? - É a água de Colônia.
A água de Colônia, sem odor que corre no meio do parque
enquanto que essa aqui, é cheirosa e flui docemente
em circuito fechado.
Nossas avós e nossas mães amaram muito esse odor e essas maneiras.
E há ainda quem ame, inclusive eu.
Carrilhão. O relógio do perfumista
toma "A Marselhesa".
Um pouco além, na cidade
uma outra casa reivindica também ter criado essa famosa água
que tem o nome sempre em francês.
Na época, falamos francês a nível europeu.
Farina não escolheu esse nome por acaso.
O novo cidadão alemão que era originalmente italiano
queria honrar sua cidade adotiva, Colônia.
Então ele deu o nome
a seu perfume de "Eau de Cologne".
A última Farina por casamento nos recebe e nos fala do odor.
O odor de batatas...
Em primeiro lugar, trata-se do cheiro batatas na terra.
Por que ela começa? para nos falar sobre batatas?
Do cheiro batatas cozidas, frias?
Coincidência? Como ela poderia saber
que depois eu exporia imagens
de velhas batatas amassadas que tinham germes novos?
Nós também instalamos o tríptico "Patatutopia".
Temos que esperar que o dia caia,
para receber o público.
No parque solitário e congelado,
eu tenho um encontro com um homem
para lhe quebrar a cara.
Quebramos o gelo.
É preciso reconstituí-lo.
Ele aceita o jogo.
Tento tirar a foto atrás de seu ombro.
Depois, de lado. E é de cabeça para baixo que funciona melhor.
Ele é paciente.
Consigo seu retrato quebrado.
Piano.
Ouvimos "A Fuga do Gato", de Scarlatti. Vemos meus gatos.
E começamos novamente com um gesso de "O Desconhecido do Sena".
Eis um trio da séria de "Retratos quebrados."
No museu Ludwig, os grandes clássicos.
Fernand Léger, de quem eu amo tanto o estilo
e um "stabile" do maravilhoso Calder.
Herr Koenig nos acompanha,
Wilfried, meu amigo de Colônia, e eu, para uma volta surpresa.
Isa Genzkem imagina as crianças que filmam. Caricatura de uma filmagem.
O diretor concentrou-se...
O roteirista à escuta e anota tudo...
Maquiagem.
Cenário e figurino.
Em seus lugares.
Ação!
Corta!
Descobri um videasta turco, Kutlug Ataman.
Duas séries de entrevistas. O primeiro, "Paraíso": um grupo de pessoas,
na Califórnia, que organizou sua felicidade coletiva
no vácuo. Cacofonia muda em belas telas.
É preciso pegar um aparelho. Há um para cada tela.
Silêncio.
Silêncio.
A instalação "Kuba"
foi filmada em um bairro pobre em Istambul.
Mistura heteróclita de pessoas marginais.
Cacofonia de testemunhas. É preciso se aproximar.
Ah, é uma obra interativa de Rauschenberg
que fez Julia saltitar.
Um trabalho de George Segal que me atrai.
Dois personagens solitários.
Uma outra peça de Segal importante em minha vida:
"Alice que escuta sua música".
Quando eu não sabia como filmar meu desânimo,
no momento da morte de Jacques, eu me empacotei em branco.
E imitei Alicia. Escutei a música que amávamos.
Jesus, Alegria dos Homens, Bach.
Os artistas inventam para nós como exprimir nossas emoções.
Na Aliança Francesa, cinema,
apresentação de minhas Praias, debate...
Exponho algumas fotografias. Cineastas dos anos 60s.
Demy.
Visconti.
Fellini.
E...
Anouk Lola Aimée.
Meu autorretrato foi apresentado no vidro.
Víamos quando passávamos à noite.
Eu o fiz em Veneza, no museu da Academia,
ante um quadro de Jacopo Bellini.
Em baixo, à direita,
os sábios membros da Scuola.
Escolhi posar entre eles e assumir a pose.
No avião, eu descanso.
Chego a São Petersburgo. Conheci a cidade como Leningrado
e é como eles queriam me lembrar.
Durante o trajeto
e no meu quarto,
onde assim que eu ligo a televisão contam a história soviética.
Oferecem-me flores e uma bolsa com a ponte sobre o Neva
e castões postais invernais.
Ora, faz calor!
Entrevista ao lado do porta-casacos da Maison du Cinéma.
As perguntas são muito longas, mas eu amo ouvir falar russo.
Traduzimos o que eu costumo dizer em "fazer documentários".
Rápido, os selos para minhas cartas.
Encontro-me com Mikhail Trofimenkov,
um amigo jornalista de cinema.
O jornal mandou um fotógrafo.
Ele tem um ar sonhador. Tiro fotos dele.
Todos os jornalistas querem posar comigo.
O mais novo, que é o maior, Kiril Artemenko,
escreve para o jornal Izvestia. Suas perguntas eram surpreendentes.
Meu tradutor, Mikhail Kurtov, dito Micha,
prepara uma tese e adora os filmes de Bresson,
de Tarkovski, de Weerasethakul, de Godard
e os meus, diz ele, que os viu de graça num site. Org.
Ele me apresenta os porteiros, na estação.
Todos com diploma universitário.
O motorista Popov, professor de História,
sabe tudo sobre a cidade e sobre os czares.
Amo ouvir falar russo.
Compreendemos que houve seis Ivan.
inclusive Ivan, o Terrível, sem dúvida.
E eu, eu vejo que não sei nada e não vi nada
da nova Rússia, que mudou radicalmente.
E como em todas as partes, quando olho as janelas dos apartamentos,
sei que há milhares de pessoas que não conheço.
E que cada um tem sua vida.
Como sempre,
há os bairros pobres. E aqueles, aquelas sobretudo,
que vendem quase tudo nas ruas.
Aquilo quer dizer "antiquário".
E isso, "restaurante".
Lembro-me de ter estado aqui com Jacques, procurando um "pectopah".
Sem surpresa, os blinis e a Macedônia Russa.
No restaurante Teplo, belos menus bilíngues.
Não entendo nada dos alimentos,
mas as fotos de família, elas nos falam, sem tradução.
A mesma coisa que as pessoas tranquilas, sentadas em bancos no parque.
Esse que vemos atrás deles
é o famoso museu Hermitage.
Natalia Brodskaia é a curadora chefe.
Ela nos acolhe e nos guia.
Eu comecei minha vida na arte francesa
com a obra de Félix Vallatton.
Uma sala com Matisse soberbos.
Comprados quando o pintor era jovem.
Sapatos de lã, obrigatórios para as mulheres de alto agulha.
Milhares de visitantes circulam com guias contratados.
E ninguém para diante dessa obra prima.
São os grupos. É o guia que dá o programa.
Eles lhes dizem: "Vamos ver o quadro de Leonardo da Vinci."
Então o grupo anda e não olha os outros quadros.
"São Lucas Pintando a Virgem",
de Van der Weyden.
Existem algumas variantes. Os especialistas que estudaram
todos os quadros dizem que esse é o primeiro.
- Então, você deve estar orgulhosa. - Eu sou muito orgulhosa.
Há muito a ver. Façamos como os guias.
Escolho alguns quadro e vamos. A Dânae, de Ticiano.
Dânae foi enclausurada por seu pai, mas Zeus a queria.
Então ele se transformou em chuva de ouro.
Ele assim fertilizou Dânae sem o seu conhecimento e ela deu à luz a Perseu.
Centenas de pessoas além, está a Dânae, de Rembrandt.
Aqui, a introdução da luz representa a violação de Zeus.
Em 1985, uma pessoa veio ao Hermitage.
Ele perguntou: Qual quadro é o melhor desta sala?
Dissemos: "É a nossa Dânae".
E ele regou a pintura
com uma mistura de ácido. Foi verdadeiramente horrível.
O quadro sofreu muito. Levamos 15 anos para restaurá-lo.
Apenas os especialistas sabem que há uma pequena diferença
após a restauração, lá, onde o véu cobre o tornozelo de Dânae.
Esse quadro e eu temos
um segredo.
A mesma pintura serviu de assunto e decoração em um filme.
- Sim. - Então está acabado.
Está acabado, senhores. Adeus.
Aonde vai, senhora?
Trata-se de A Arca Russa, de Sokurov,
inteiramente filmado no Hermitage.
Ela está chateada. Ela se foi.
É um sacrilégio só mostrar um trecho porque todo o filme
é um plano único, filmado em um só dia, 23 de dezembro de 2001.
Olá!
Olá!
Adeus!
Eu consegui felicitar Sokurov em Paris no meio de um intervalo.
Foi tão difícil...
Dificilmente posso falar de elogios
porque foi realmente duro.
Não é possível fazer qualquer coisa como isso só por acaso.
Eu não falo de acaso.
É preparar como um voo no espaço.
"Da, da", responde o artista russo, que quer dizer, "sim, sim".
Aqui, a galeria dedicado a Canova.
Sei que é por aqui que vem o General de Custine. Eu imito seu trajeto.
Canova!
Que nobre conceito de arte!
Esse sentimento pelo material!
É maravilhoso!
Ele é o puro herdeiro dos mestres da antiguidade!
No curso do filme
toda história da Rússia é contada.
Corra!
Eu não consigo acompanhá-lo.
Lá fora, é a salsa, perto da Neva.
Salsa.
Indicam-nos um lugar uma antiga usina de têxteis.
Nada nos dizia das boas surpresas que nos esperavam
e a acolhida de Edward de Lumley, que dirige a Aliança Francesa.
Existe um túnel de vento que faz barulho do inferno.
Ele diz que seu avô nasceu em São Petersburgo.
Para ele, é importante estar nesta cidade.
Ele nos mostra um mural,
as esculturas de Pietr Bely
e aquele do grupo "P Professores".
Uma instalação espontânea me encanta.
Propomos aos visitantes olhar
o imóvel em frente.
E isso funciona por pouco tempo.
Um lugar como este, o "Loft Project Etagi",
que existe há 2 anos e meio é o lugar que, hoje,
drena toda a juventude e todos aqueles que buscam
uma alternativa aos grandes museus.
20 vídeos do museu de Arte Moderna de Paris são expostos.
Eh sim,
Ange Leccia,
com sua magnífica visão do mar, silencioso.
Douglas Gordon e Parreno, por "Zidane".
Zidane, o futebolista.
60 anos, a bela idade...
Há o Homem Maratona, de Julien Discrit.
O importante é...
- Ela conta a vida de um homem. - Manter uma mentalidade infantil.
- É ele quem corre. - Enfim, sob certos pontos.
"Mãe, Pai e Eu", a história dos pais
de Zineb Sedira.
Zineb escuta.
Ela escuta também a História, com agá maiúsculo.
"Os Olhos Redondos" de Ariane Michel,
com uma coruja que frequenta a Place de la Concorde.
É um "retrato automotivo" em vídeo.
Leva tempo para passar de Boltanski Christian
ao pequeno Christian Boltanski.
É a ideia de Kantor:
Todos nós trazemos uma criança morta dentro de nós.
A primeira coisa que morre somos nós, criança, e nós a guardamos.
Todos nós temos um cadáver de nós mesmos, criança, em nós.
Ele diz, durante esse almoço ensolarado,
com Annette Messager, em meu quintal.
Pensei
nessas crianças da Maison des Arts de Malakoff.
Crianças que a brisa fazia desaparecer e reaparecer ligeiramente.
As crianças na memória.
As crianças quase perdidas.
Laure Adler veio gravar um espetáculo para a France Culture.
Boa noite a todas e todos.
"Fora de campo", esta noite, número 2, sempre na casa de Agnès,
com seu convidado Christian Boltanski,
que acaba de desembarcar de Milão. Por que o convidou?
Primeiro, eu o amo. Depois...
Você não cora?
Ele está acostumado.
Ele é muito amado. É um artista muito amado.
Quero falar dessa exposição no Grand Palais,
que se chamou "Pessoas".
Pessoa no singular, Pessoas no plural...
O Grand Palais tão brilhante, não imaginamos que o universo
de Boltanski adapte-se a ele. E ainda...
Trabalhei muito com caixas de biscoitos
que são um objeto cotidiano, mas que lembras as urnas funerárias.
Ou o cofre-forte do pobre.
Por que estão enferrujadas?
É um efeito da arte.
É mais belo, uma caixa enferrujada que muda de cor...
Depois, eu sempre utilizei as caixas de metal enferrujadas.
No começo, eu urinava nelas.
Depois disso, utilizei a Coca-Cola, que enferruja muito bem.
Mas essas aqui foram feitas com ácidos em uma espécie de armazém.
Deve haver 3000 ou 3500 caixas nesse muro.
Só há números. É horrível matar qualquer um,
mas é ainda pior lhe tirar a identidade.
Os números evocam cada vez que existe alguém.
Cada caixa é diferente como se houvesse a cada vez
qualquer um aí dentro, ou o coração de qualquer um,
ou o espírito de qualquer um.
Com esse muro, quis fazer uma espécie de antecâmara
entre a rua e a montanha.
Há 69 retângulos aqui. Cada retângulo é composto
de roupas colocadas no chão.
E nos pilares, há pequenos alto-falantes
onde há os barulhos
dos batimentos do coração.
É o coração de pessoas diferentes em cada pilar.
Batimentos do coração.
O som mais forte que coloquei
é como uma máquina surda. Todos esses corações que batem
dão a impressão de uma locomotiva que avança
ou de uma máquina que trabalha com muita força.
E a cada vez, existem esses retângulos, todos diferentes,
que formam um pouco
como as áleas do cemitério, ou ainda como um campo de refugiados,
bem alinhados e no interior é um pouco confuso e assustador.
Lá, esses retângulos são feitos com casacos colocados no chão.
Podemos ver a individualidade de cada casaco
que é como a individualidade de cada pessoa.
Na primeira parte da exposição, são verdadeiramente os indivíduos.
E na montanha, nesse lugar de morte,
não podemos mais reconhecer um indivíduo. É uma grande massa.
Eles perderam a identidade.
É um montão. É como empilhar mais par cima...
Há muitas visões que temos.
Quando há massacres, colocamos os corpos uns sobre os outros.
É realmente o emaranhamento dos corpos que me interessa.
É um trabalho nas fossas comuns.
É igualmente todas as catástrofes...
Acaba de acontecer um terremoto no Haiti. Lá é assim.
A ideia dessa pinça,
essa garra que serve para pegar as coisas muito pesadas
e que, aqui, pega as coisas bem leves
eu a tive nos carnavais
onde há pinças para pegar os pequenos ursos de pelúcia.
Aqui, a pinça agarra as roupas.
Há um movimento constante
de pega por essa garra e de rejeição...
Essa garra pega ao acaso. É um pouco a ideia da mão de Deus.
Ele não é bom, nem ruim.
Ele faz seu trabalho. Ele pega e rejeita.
O destino é cego. Ele pega não importa o quê.
Ele pega não importa quem.
É o tema dessa obra.
Quanto mais a gente avança em idade, mais se diz: por que isso sobreviveu?
Por que aquilo morreu? Parece que não há razão alguma.
Parece ser inteiramente ao acaso.
O frio muito duro que tivemos em janeiro
foi um frio verdadeiramente violento
fazia para mim, tudo fez parte da exposição.
Eu verdadeiramente queria que a exposição tivesse sido feita
no coração do inverno.
Tento que não estejamos diante de uma obra, mas dentro de uma obra.
Todos os sensos devem ter sido pegos: O som, o frio...
Devemos ter estado trânsitos, perdidos...
O fato de falar tudo isso e o fato de
de tentar compreender esses mistérios
deixam-me mais feliz e mais calmo
Sirvo-lhe mais um pouco de vinho?
Minha arte não é... não parece alegre.
Talvez porque
eu me interesso pela porte. Mas na vida, sou alegre.
Eu amo a vida. Você, você não ama a vida.
Não, não é verdade!
Vê-los juntos me alegra.
Alguns casais de artistas que existem, conhecemos ou não.
Eu filmei Elsa e Aragon, por exemplo.
Vocês dois são dois artistas. Eu vivi com um cineasta...
Como vocês vivem? É difícil?
Viver com quem quer que seja é sempre difícil.
Mas viver com um artista
- plástico como ele... - Oh, lá, lá, é uma coisa assim...
Há coisas mais fáceis.
Ele entende se estou deprimida por alguma coisa...
E, ao mesmo tempo, é mais complicado também, mas...
Eu penso que não poderia viver com qualquer um
que estivesse longe do mundo artístico: médica, advogada...
Acho que teria muitos problemas.
Não me vejo com alguém de um banco, ou agente de seguro...
Isso teria me tranquilizado, talvez.
Quando Annette exibe no exterior, não vou às suas vernissages.
Você bem que foi à Bienal de Veneza.
Não?
- Ele foi depois. - Mas não a vernissage.
Nós temos
uma vida muito separadas.
Isso quer dizer que Annette não entra jamais em minha oficina
Eu não entro jamais na oficina dela.
Aqui é a "Base 2". É minha casa.
Ele não entra aqui como eu jamais entro em sua oficina.
Não é uma história de família,
é uma história individual.
Estamos sós quando trabalhamos. E é necessário
ficar só.
Papel alcatroado...
Pelúcia...
Lápis...
Você brinca com seu material.
É tecido...
Borracha, cordas, redes, muitas redes...
O que é na parede? O sentimento do dia?
Está escrito "Ciúme" e, dentro, incrustado,
"Love", em pelúcia.
O amor e o ciúme sempre?
- Bah, eu acho, não? - Não sei.
Eu brinco com minha identidade
sobre a identidade de uma mulher.
Foi por isto que fiz estes álbuns
entre 25 e 30 anos.
Temos a necessidade de ser única
e ter uma assinatura que dê muita personalidade.
Eu fiz 200 assinaturas diferentes.
É engraçado porque o A torna-se...
O A com o M...
Primeiro, fui chamada "Annette Messager Collector",
por essas coleções de álbuns com minhas assinaturas,
com "Os homens que eu amo", "Os homens que eu não amo"
Só peguei pessoas que não conhecia,
e que estavam nas revistas, então que nos faziam sonhar um pouco,
como fazem sonhar as mulheres nas revistas.
É como um livro aberto. Eu quis fazer
como pequenas borboletas, colocar os homens em borboleta,
um pouco inconstantes, abertos a meio caminho.
Alicia Fabre do museu MAC/VAL.
Repare, ele é muito bonito.
Ela ama seu estilo descontraído. Ela não ama o colarinho de sua camisa
nem seu jeito falastrão.
Eu amo sua pequena mecha e seus cabelos brilhantes.
Eu não amo seu cabelo em peruca, nem sua risca."
Amamos qualquer um por uma razão
e pela mesma razão, ele nos enerva.
Amamos seu bigode e não podemos mais suportá-lo.
"Amo seu ar duro e limpo."
E, de repente, "Eu não amo seu ar duro e limpo."
Ali, "Os Desejos"
- são pedaços de corpos. - Que são sobrepostos...
Há pedaços de mão,
de seio, de sexo... É para diverti-la?
São fotos,
essencialmente de pessoas que conheço.
Fragmentação, close-ups.
Muito preto e branco. Eles estão misturados.
Não podemos identificar uma pessoa. É o gênero humano.
E então, em um ponto, eu tinha o suficiente desta série de coisas
pendentes, as cordas, etc.
Eu tinha necessidade de uma coisa mas agressiva, mais dinâmica.
Eu peguei uma vassoura
e pendurei as coisas.
É o inverso da suspensão.
É um pouco como a ideia de pás da Revolução Francesa.
Como se estivessem esperando uma manifestação.
Somos bons em manifestações.
"Retirada, retirada do projeto de lei"
"Greve geral até a satisfação!
CHEGA DESSA SOCIEDADE
QUE SÓ TEM DESEMPREGO E A PRECARIDADE!
"Nós lutamos para ganhá-la, iremos lutar para mantê-la!"
"A aposentadoria! Ela é nossa!
"Lutamos para ganhá-la, lutaremos para mantê-la!
"A aposentadoria! Ela é nossa!
"Lutamos para ganhá-la, lutaremos para mantê-la!
Você usa sempre as coisas da casa:
Os edredons, almofadas, pelúcia...
O travesseiro, é macio... É, a princípio, para dormir...
Está sobre o leio. Tem um lado sexual também.
Gosto muito de triturá-los
colocar as fotos no meio, um pouco escondidas.
Todos esses materiais que são familiares
são inquietantes para mim.
O fantástico está aqui, no meio da gente.
Um cartão para uso prático pode se tornar mágico.
Escuto uma mensagem telefônica: "Quer fazer
"o próximo laissez-passer do Centro Pompidou? "
E eu me digo: Vou fazer o laissez-mijer.
Veja o que é preciso fazer: Laissez passar, laissez mijer!
Eles aceitaram.
Brinquedos infantis de pelúcia contam os rumores ruins
que desperta Annette.
Meu trabalho sempre foi assim.
E eu sou tratada como "puta suja" "artista suja"
Por quê?
Há esse ditado: "Penso, logo chupo",
e nos blogues
- "Eu penso, então eu chupo"... - Que eu bordei.
- E é isso que a faz puta? - Bem...
Má reputação, mas seu nome está escrito em ouro
num catálogo dourado de ardósia.
Você está trancada no museu.
Você fez aquele coisa muito engraçada, "Le Tapeur":
Uma espécie de homem que explodiu
Que tem o desejo de ir ver
a fonte de Tinguely e de Nikki de Saint Phalle.
Enormemente impressionada.
Beaubourg está em pleno centro de Paris,
com muita gente. A cidade está cheia.
As coisas que estão dentro querem sair. Mostre isso.
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