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Tivemos que podar essa árvore.
Suas folhas estavam devorando nossa luz.
Embarquei em uma série de viagens,
filmando aqui e ali, rostos e palavras,
museus, rios e arte.
Eu escutei as pessoas a quem encontrei talvez por acaso,
AGNES VARDA DAQUI PARA ALI
especialmente os artistas de cujo trabalho eu gosto.
Quando voltei de minha primeira viagem,
já havia novos brotos
Eu viajei, de trem ou de avião
filmando em cada cidade, não para fazer um relatório,
mas para capturar fragmentos, momentos, pessoas.
A árvore renascia.
Eu fui e voltei.
Jean-Baptiste e eu editamos imagens e sons que reuni.
Mas bem antes que eu completasse minhas viagens e meu trabalho,
que durou bem mais que um ano,
a árvore,
com rebentos e folhas
havia reconstituído sua folhagem em menos de três meses.
Vemos o processo aqui em menos de dois minutos.
Aqueles que veem estas crônicas
as verão durante muitos dias.
Esta série filma e parte, por assim dizer.
Neste episódio iremos ao Brasil, Bruxelas, Estocolmo e Veneza.
Vamos encontrar o crítico de arte Obrist e o pintor Barceló.
Quando vamos muito longe, nossa sombra fica no chão.
Desta vez é no Brasil que brincarei de cineasta.
Não é serviço pós-venda. Acompanhamos nossos filmes
e aproveitamos para ver o país.
O país e pessoas que querem nos receber.
Sou realmente bem-vinda, no Rio, por Fabiano Canosa,
o brasileiro de Nova Iorque, e Joel Pizzini, cineasta local.
A sócia de Joel é Paloma Rocha,
filha de Glauber, o cineasta.
E também a cantora Paulo Tasser
Bossa-nova.
Rio de Janeiro. O famoso Pão de Açúcar.
Eu penso em mamãe, que costumava colocar açúcar
no resto dos pães.
De meu quarto em Ipanema, posso ver a praia.
Aqui, às 7 horas da manhã.
E ao meio-dia.
Um pouco além
fica a famosa praia de Copacabana.
Bebemos uma deliciosa água de coco.
Meu filho Mathieu está aqui, Ele veio como Mathieu Demy, ator.
Jeanne Moreau também está aqui, e outros.
Olhe que essas aves!
E eu, para o festival
de cinema do Rio.
Fabiano, que programa filmes para o New York Public Theater,
voltou ao país.
Aqui é a villa de Villa Lobos, um centro para música e troca.
Agora eu dedico meu tempo fazendo retrospectivas
sobre os brasileiros a quem amo
e admiro.
Villa Lobos, o maior compositor clássico.
Em minha opinião, o verdadeiro gênio brasileiro do século foi Villa-Lobos.
e também Glauber Rocha, que era meu irmão. Um cara magnífico.
O cineasta tornou-se conhecido com um filme político, barroco,
Deus Negro, Diabo Branco (Deus e o Diabo na Terra do Sol)
Não é com rosário não, Satanás,
é com o rifle e o punhal.
Mentira, mentira, mentira!
Mentiras!
Você não disse que ele era grande só na sua cabeça?
Virgulino era grande, mas ele se fez pequeno.
Mentira!
Paloma lida
com a restauração e distribuição dos filmes de seu pai.
Meus filhos sabem disso.
A casa do cineasta é um lugar de cinefilia e de memória.
Podemos ver, talvez, a mãe de Glauber lá, embaixo
e sua irmã Ana Lúcia.
Nós assistimos os filmes, como Antonio Das Mortes,
quem impressionou os jurados do festival de Cannes.
Glauber representou o "Cinema Novo", o New Wave ...
no Brasil, entre documentário barroco social e imaginário.
Jacque e eu o conhecemos
quando descobrimos o Brasil e sua música.
Fomos a Ouro Preto, no estado de Minas Gerais.
Jacques tinha uma pequena câmera,
que se perdeu.
Ele, o cineasta
dos planos sinuosos, não filmou senão os planos fixos.
Nós sonhamos nesta cidade enriquecida pelos garimpeiros.
E eu fiz as fotografias.
Quarenta anos mais tarde,
parti rumo a Fortaleza.
Beatriz Furtado fez-me vir para encontrar os alunos
da escola de arte que ela dirige.
Para os saudar, eu os filmo.
Eis a bela Beatriz.
E esse outro professor é muito bonito.
Essa cena de "Glaneurs" quando eu pego os caminhões
encantou-os.
Muitas vezes me falam disso onde quer que eu vá.
Perguntas, respostas. Vejo seus filmes.
Depois eles me levam a um antigo mercado coberto
e me fazem uma festa.
Na praia dos pescadores também eles me desejaram boa saúde.
Cantos, percussões.
Lagostas, arroz,
peixe, à beira de uma outra praia, chamada de Praia do Futuro.
Meus novos amigos organizaram uma refeição de despedida.
Beatriz me ofereceu
uma bata branca.
Eu lhe dei Calissons d'Aix e DVDs,
para ela a para Paula, que me deu seu CD.
Essas duas mulheres são incríveis. Juntas, fomos ao mercado.
É caju: nós fazemos um monte de suco, e nós comemos
a castanho do caju.
Esta é a graviola. É branca por dentro.
Fazemos de tudo com ela: Suco, sorvete...
Vamos para a loja de ferragens Mercado: muitas vezes é
lá que encontramos coisas para comprar.
Vejos as estatuetas.
As explicações começam.
É a Pomba Gira.
Uma santa ou uma deusa protetora.
Nós lhe oferecemos champanhe,
biscoitos, perfume...
Rosas vermelhas, para poder lhe fazer um pedido...
Pedimos para encontrar trabalho,
resolver um conflito, trazer de volta o marido inconstante...
É muita esperança, pelo equivalente a 5 euros.
Tive que voltar pelo Rio.
Fabiano levou-me ao Museu de Arte Contemporânea, em Niterói,
uma espécie de disco voador
que segue as curvas do Pão de Açúcar, desenhado por Oscar Niemeyer.
Ele ainda é vivo?
Ele ainda está vivo. Tem 102 anos.
Ele se casou recentemente, há 5 ou 6 anos.
Ele vai ao seu escritório todos os dias
cuidar dos negócios. Como ele sempre fez.
Negócios como sempre.
Descubro os artistas brasileiros.
Antonio Dias e seu díptico Para Mim Para Você.
Luis Ernesto, uma peça de sua série Aquários.
Antônio Manuel. Direi em francês o título de sua série:
Repressão Uma Vez Mais,
datada de 1968.
Essa cadeira de Guido Meireles me lembra daquela de Magrite.
E essa, de Raoul Mourão, engaiolada, intriga-me.
Penso em algumas cadeiras em minha vida.
As cadeiras de Ionesco, que fotografei nos anos 50.
Tsilla Chelton e Jacques Mauclair esperaram hóspedes que nunca chegaram.
A cadeira que Vilar sentou-se de bom grado.
Essa é de Pierre Etaix, Padre-Lachaise.
E essa cadeira. Uma de minhas primeira fotografias.
Aqui as cadeiras de escritório que foram empilhadas por Michel de Broin,
viradas para dentro numa reunião do conselho administrativo.
É um iglu de negócios ocultos.
De muitas a poucas, a pobre cadeira de Van Gogh.
E uma poltrona.
Duas cadeiras entrelaçadas de Niki de Saint Phalle.
Poltronas ao par numa praia. Ah, como essas duas palavras soam. Par, praia.
Magritte e sua cadeira.
Uma bem leve: Tempo Ameaçador.
Uma bem pesada: A Cadeira.
Rápido, um trem! Não devemos perder a abertura do Museu Magritte,
Place Royale, em Bruxelas. Há uma pré-visualização de um vídeo.
Esse é Charly Herscovici que criou a Fundação Magritte.
Ele é o titular dos direitos do trabalho do homem de chapéu de coco.
Sua coleção é o coração deste museu. Ei-lo.
É uma festa.
E é o violinista Michael Guttman quem está tocando.
A recepção é no Museu de Belas Artes.
Entre os convidados, está o colecionador Walter Vanhaerents.
Ele é protegido pelo Homem Vermelho, de Katharina Fritsch
nesta antiga fábrica que abriga sua grande coleção, aberta ao público.
Ao fundo, uma imagem do trabalho de Thomas Demand
e um minimercado da McDonald, reinventado por Tom Sachs.
Uma peça suspensa, de Jason Rhoades.
Uma peça de Markus Schinwald.
Um homem e uma mulher separados por uma parede.
Não estava com a câmara de filmar mas é preciso que se saiba que o homem torce nervosamente o pé direito.
A mulher não se mexe.
Perto de uma longa colagem de Rondinone, uma cadeira de Urs Fischer.
É sua sombra que é gigante.
Como o grupo de gigantes, criado por David Altmejd,
uma aquisição recente do colecionador.
Walter está contente. O artista também.
Foi quando eu comecei a construí-los, que tudo fez sentido.
O quê? Um guerreiro?
Um guerreiro, sim.
E o braço caiu.
E pronto, aqui estão os novos residentes da casa de Vanhaerent.
Quando eu era pequena, eu ia ao parque Jardim Botânico.
Agora é um centro cultura. É também um museu.
Em 2009, Alechinsky ocupou a grande galeria.
Era uma exposição
importante da qual mostro algumas pinturas.
Grafismo e fantasia.
Olhamos sorrindo, meio que sonhando.
No outro lado do que resta do Jardim Botânico, o pintor convidou
uma outra artista: Kikie Crêvecoeur.
ela grava borrachas de 10 cm².
então faz impressões.
Cada pequeno quadrado é uma impressão de goma.
A borracha foi esculpida.
Para essa grande peça, onde há 7 ou 8 mil impressões diferentes,
deve haver uma centena de borrachas diferentes.
Qual foi a idéia por detrás disso?
Quando você está numa rodovia
e você vê as árvores passando ao lado da estrada
elas se parecem como pequenos códigos de barra.
Quisera que os códigos de barra fosse assim tão bonitos!
Para seu diário, cada dia, Kikie esculpe uma borracha com um desenho,
a data e algumas palavras em código.
Ela imprime essas míni páginas de seu caderno, aumentadas aqui.
De borracha para linóleo. Dessa vez, essa peça é uma linogravura.
É um afresco de árvores.
Primeiro desenhei, depois esculpi em linóleo
Como a natureza podia me inspirar, sem representá-la.
Eu os fiz separadamente. Levei um ano para fazer.
As imagens,
Algumas vezes há uma ruptura, mas muitas vezes,
as conexões são de ordem inconsciente.
Posso misturá-los.
Cada vez que os mostros, eu o faço em uma ordem diferente.
Eu os editei em cartões postais.
Se mandarmos postais, quebramos a série?
Há um sem número de possibilidades.
Mandarei à Kiki um cartão postal turístico.
Repare, essa cidade tem o ar
de uma pastelaria oriental, mas é Estocolmo.
Eles me esperam.
Frédéric Strauss, que conheci no "Cahiers du Cinéma",
e Marie Booberg, da "Folkets Bio".
No táxi pela cidade, eles me falar de Ingmar Bergman.
Eles me mostraram o teatro, onde trabalhava enquanto não filmava.
e naquele edifício, lá,
onde foram leiloados e dispersados os bens do cineasta,
na véspera de minha chegada.
Marie ainda está abalada com isso,
como todas as pessoas do cinema.
Meu quarto no hotel me apraz
com 3 janelas que dão para o porto.
Maria me traz o catálogo da venda.
Eu assisti aos lances.
Foi estranho, como acontecimento,
vou lhe dizer.
Havia muitas coisas muito pessoais, muito simples
mas também os objetos de exceção,
como o jogo de xadrez...
- O jogo de xadrez do filme... - O Sétimo Selo.
O verdadeiro, sim.
E foi
um dos objetos mais procurados, claro.
Quem o comprou?
Ninguém sabe quem comprou o quê.
Os compradores tinham números.
Acontecia sobretudo por telefone.
A maior parte dos objetos foram parar no exterior.
Os preços estão em coroas.
Eles venderam tudo.
O leito, a colcha...
Sua bela poltrona Eames.
E muitas casas
na Ilha de Faro, inclusive aquela em que morava.
A casa chama-se "Hammarts". E à beira-mar.
E os carros.
As cadeiras. Um piano.
As pequenas coisas fabricadas pelos seus netos...
Oh... fabricadas pelos netos!
A família estava lá? Seus filhos.
Eu não os vi, mas eu li depois
que uma de suas filhas estava presente.
Talvez não na sala de vendas.
Parece que seu filho Daniel estava lá também,
mas eu não os vi.
Deviam estar atrás.
À noite, eu repensei nessa venda e nos filhos de Bergman,
os próximos, os menos próximos.
O que eles pensaram e sentiram desta decisão testamentária?
Algum deles comprou de volta o armário de seu quarto?
aquele cuja porta rangia um pouco?
Ou sua poltrona? Ou seu pequeno jarro de estanho?
Alô. Bom dia.
No meu quarto de hotel
chega a jornalista da revista "filme e TV".
Disseram-me que ela fala inglês e francês.
Sou Christina, jornalista, de Estocolmo.
E também amo fazer filmes.
Tenho uma certa curiosidade...
Hesito em perguntar, mas você esteve doente?
Não, não estive doente.
- É um penteado punk? - Não.
O que aconteceu?
Meus cabelos simplesmente caíram.
Em dois meses
fiquei careca.
Tenho 43 anos,
nunca aconteceu comigo antes. Eles caíram.
Quando amamentamos nossas crianças
algumas vezes perdemos os cabelos. É bem corriqueiro.
Em certos momentos da vida...
- Você tem filhos? - Sim, dois.
Mas isso é recente.
E ninguém pode verdadeiramente explicar.
A doença se chama alopécia.
Às vezes, o corpo se revolta contra qualquer coisa.
Os cabelos, no meu caso.
Dois, três anos antes disso,
eu vivenciei os choques, duas ou três vezes.
Foram anos muito difíceis,
porque foi uma mudança em minha vida, eu me divorciei...
Se todas as mulheres divorciadas perdessem os cabelos,
só haveria calvas.
Há tantas mulheres quanto homens
afetados por essa doença.
Mas as mulheres usam perucas.
E você ousa viver sem?
Experimente muitas perucas para ver.
Pois é uma questão de identidade.
Minha identidade era... nova.
Eu tenho um amor e ele
ele é tão importante.
E quando isto aconteceu,
eu entrei em pânico. Eu estava...
O pior, para mim,
era o sentimento de não saber
se ele iria ficar comigo.
Seu amor é chefe-operador e juntos eles fizeram um filme
sobre a importância dos cabelos na aparência de um rosto.
Christina se olha.
Ela tenta entender como os ouros a olhavam.
Ela observou com intensidade os cabelos e os penteados.
Então descobriu que, de fato, ela fez sucesso assim.
E ela vai contente e só,
até que ela encontre uma outra mulher, calva, como ela.
Em duas, são a companhia.
Logo é todo um grupo.
Obrigada, Christina, ter me permitido emprestar
pedaços de sua história e de seu filme.
Você é única.
Mas é relativo.
Ela me diz que tenta fazer documentários,
mas que ela deve ganhar sua vida: então ele é jornalista.
Foi minha vez de me sentar no canapé.
Uma fotografia foi tirada e o entretenimento começou.
E uma outra fotografia, para uma revista.
Maria organizou o lançamento de minhas "Praias".
Promotoras ofereceram sacolas-surpresas.
Eu me lembro da refeição, calorosa, na embaixada.
Maria e Fred me acompanharam e fizeram algumas confidências.
Nós nos reencontramos em Cannes.
Naquele ano,
O Homem Sem Passado estava na competição.
Eu sou a distribuidora do filme.
Nós nos encontramos na festa.
Eu fui convidado porque escrevi sobre seus filmes.
Depois, não nos vimos mais. Fui para Paris, ela, a Estocolmo.
Quase um ano depois
enviei-lhe um e-mail quando Cannes se aproximava.
Pensei nela durante todo esse tempo e...
Você mudou sua vida antes de a rever?
Eu verdadeiramente mudei, depois de tê-la revisto.
Eu mudei de vida.
Antes ou depois tê-lo revisto.
Depois.
Meus sentimentos eram muito fortes para serem ignorados.
É preciso aproveitar o momento.
Amo quando você diz: Muito fortes para serem ignorados.
É assim que nos sentimos.
É muito forte para deixar passar.
Sétimo céu para eles, espero.
Céu pleno para mim.
Um céu do pintor Canaletto, o Grande Canal de Veneza e Vivaldi.
Turismo clássico: O Grande Canal e Vivaldi.
Não me furto ao desejo de ver novamente esses lugares de grande turismo.
Em 2003, Hans Ulrich Obrist, com Molly Nesbit e Rirkrit Tiravanija,
criaram um projeto chamado "Estação Utopia".
Hans me convidou a juntar-me a outros artistas.
Cada um trazia um pôster
e uma obra.
Como descrever Hans Ulrich?
Globe-trotter. Dedetor da arte contemporânea.
Acompanhá-lo, escutá-lo falar de seus projetos, de suas iniciativas.
Ele é o codiretor de Galeria Serpentina, em Londres.
Existem pavilhões efêmeros.
Este, da SANAA
é bem como um reflexo do mundo,
e de suas reflexões, é um fator de desordem.
Hans dirige para Agnès b. A grande revista sob a forma de um cartaz...
"Ponto de Ironia".
Parreno e Rirkrit veem Hans como um fantoche ventriloquista.
E eu o filmei mudo.
Que loucura. Ele fala tão bem. De fato, ele é suíço.
Graças a ele, na Bienal de Veneza,
instalei 3 telas pela primeira vez.
Sonhava com isto há muito tempo.
Precisava ser encontrado
o bom ângulo, ajustar o quadrado e o auge dos projetores.
E precisava de 700 quilos de batatas para cobrir o chão
perto das telas.
Não houve recuo, e eu não tinha uma objetivo
suficientemente largo para filmar
as três telas: Eu as filmes de duas em duas.
Eu estava toda contente por me encontrar entre Yoko Ono,
Jonas Mekas e Lawrence Wiener, que passavam atrás.
E Boltanski, que eu já amava muito.
Meu traje de batata não passou desapercebido.
Em anos mais antigos, em Veneza
muitas vezes na Mostra de cinema.
Uma vez, com a jovem Sandrine Bonnaire, por "Sem Teto Nem Lei",
Eu trouxe de volta um leão de ouro, e recentemente, com "As Praias
d'Agnès", enfim minhas.
Nós trouxemos a equipe que me ajudou a fazer o filme.
Eles estavam todos muito bem vestido.
E novamente. E novamente outra chegada pela lagoa.
Quando olhamos, e cada vez mais com cuidado,
fica muito bonito.
Convite muito chique para a abertura da alfândage mais antia
que François Pinault renovou para exibir arte contemporânea.
Encontramos um "Menino com Sapo" de Charles Ray,
escultura bem conservda.
Frédéric Mitterrand, ministro da Cultura,
Olivier d'Arvor,
da Cultura Francesa e mesmo André do clube O Barão.
Eu atravesso o arbusto dos convidados
e me afasto pelas paredes.
Uma parede com colecionadores, os Lemaître,
e aquele que eu fiz.
Uma parede com minha amiga Véronique Bérard,
de quem tirei um retrato há muito tempo.
No pavilhão francês novamente a multidão para Claude Lévêque.
Suas gaiolas para bandeiras negras,
ou gaiolas para os visitantes.
Al'Arsenal "Sade for Sade's Sake",
uma obra de Paul Chan (Galeria Greene Naftali)
Um homem afogado e ninguém o tira da água.
É "A Morte de um Colecionador", de Elmgreen e Dragset.
Estamos no mundo nórdico.
Ou no japonês: uma parede derrubada de Murakami,
um chão instável de Shoza Shimamoto.
No pavilhão da Espanha, a pintura. Enfim.
Miquel Barceló, que delícia.
As telas inspiradas por Mali.
Um material pictórico muito trabalhado.
Pinto de cabeça para baixo: Coloco a tela no teto,
e eu pintei para criar esses tipos de estalactitas,
como picos
que saltam para os olhos.
Há 20 anos eu me representava
como um cachorro jovem e agora, como um gorila.
De repente eu soube que era eu.
Esse gorila não está na natureza, na floresta.
Ele está em meu ateliê.
É o meu ateliê.
E tudo isso são as marcas que caíram dos quadros.
Essas marcas no chão, uma vez, foram do ateliê de Miquel
em Paris.
O gorila em papelão
foi feito com isso, seus gorilas albinos.
Ainda há peças de papelão. Era certamente uma perna de cadeira.
Esse é outro raspador estranho.
Eu fiz essas coisas para arranhar,
e cada um arranha de uma maneira diferente.
É como arar tinta fresca.
Eles trabalharam muito.
Eu posso montá-los ou jogá-los fora.
Isso não se encontra em parte alguma.
- Para fazer o quê? - Para fazer isso, por exemplo.
- É uma onda? - Uma onda que morde.
Vemos os dentes.
Era uma vaga e transformou-se no crânio de um crocodilo.
- Você os viu, de verdade? - Sim, muitos, em Mali.
Eles se conhecem em caimans e em cupins.
Neste momento, na África,
os cupins devem comer meus cadernos em casa, sim.
Todos, eles comeram um enorme quantidade de papel.
Isso vem da África?
Sim. É muito belo. Não sei mais o que irei fazer.
Nenhuma mão humana é capaz de fazer coisas assim.
É como a topografia de lá, onde mora, na África.
- Você vai sempre? - Todos os anos.
Minha casa seria aqui, na borda do penhasco.
Tenho uma casa aqui. Pinto muito lá.
Pinto muito também em Majorca.
Eu nasci aqui, em Felanitx, aqui, onde está meio queimado.
E vivo aqui, em Farrutx.
Chegamos lá de avião.
Senti-me como em uma armadilha,
quando tinha 16 anos.
Eu teria dado um dedo do pé esquerdo para ter nascido
em Nova Iorque.
Durante um momento,
eu pintei muitos tomates.
Eu gostei muito...
suas estranhezas, ficaram como máscaras,
com esses alvéolos, esses buracos.
É como entradas
no centro da terra, cada um desses tomates, não?
Isso quase se parece com uma flor.
É como rios, de um para o outro.
Com pimentas, khakis ou outras coisas.
Verão 2010, Barcelo expõe em Avignon.
É relatado por um elefante de pé em sua tromba.
A exposição foi feita
em 3 lugares: Precisávamos de um totem.
Eu queria ter a morfologia de uma árvore,
para que pudesse ser confundido
com as árvores que existem na cidade.
No final da praça, o museu Petit Palais.
"Escada de Jacob", de Nicolas Dipre.
Encontrei uma efigie decapitada, da Revolução.
A cabeça combinava exatamente. Foi lindo.
Dei-lhe um rosto a essa pobre efigie.
- Mas um rosto de peixe. - Mas é um rosto.
Um belo rosto.
Barcelo expõe também na Fundação Avignon
de seu galerista, Yvon Lambert.
Neste canto
eu pinto os retratos dos peixes,
como os que pintam retratos de família.
Eu conheço bem a morfologia dos peixes.
Eu pesco desde que nasci.
É uma forma de pintura, a argila.
Essa lembra a cadeira.
A argila tem a memória de uma carícia, de um golpe de punho,
de uma marca.
Com o coreógrafo Josef Nadj, eles criaram
uma performance: "Paso Doble.
Paso Doble é uma espécie de encenação
do vocabulário de minha pintura com argila.
Nadj é um dançarino.
Ele persuadiu-me fazer isso.
E eu lhe disse, farei se você fizer. Se fizermos juntos.
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