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"PESADELO EM AZUL"
- Os morcegos voam sobre o pântano...
- Os mortos levantam-se dos túmulos...
- A lua está em vermelho sangue...
- Em outras palavras: a águia voou. É dia de pagamento.
- Parece que o contador sempre erra nas contas. O dinheiro nunca dá para as despesas!
- Eu quebrei o lápis dele, e disse para ele só lhe descontar no próximo cheque. Quer que eu desconte isso para você?
- Ah... Ah, Gertrude... você é mesmo legal!
- Boa noite. Eu estou procurando esse sujeito. Você o viu por aí?
- É tarde para andar por aí.
- Ah... eu acabo de chegar na cidade. Eu procuro um quarto.
- Posso ver seus documentos?
- Ah... eu perdi!
- Unh...Tem dinheiro?
- Não, estava com o meu RG! Eu vou telefonar para casa amanhã...
- Vire-se! Por favor.
- Por favor, ponha as mãos para trás.
- Mas, seu guarda, foi um erro bobo! Eu não sei onde perdi...
- Essas coisas acontecem, rapaz.
- Vamos.
- Vou levá-lo para a delegacia.
- Como é mesmo o seu nome, filho?
- Colier
- Não! O primeiro nome?
- Eric.
- De onde você vem, Eric?
- Ah... do exterior. Meu pai voltou de uma base militar.
- Estou aproveitando as férias para viajar um pouco.
- Se quer conhecer o mundo, deveria alistar- se como o seu pai.
- Pode ser perigoso viajar sozinho.
- Eu nunca pensei que pudesse ser.
- Os jovens não pensam!
- O que aconteceria se você se acidentasse, ou morresse?
- Nenhum documento... você seria um "João-ninguém".
- Seria agonizante para seus pais... não saberem o que aconteceu.
- Não penso que nada de mal possa me acontecer.
- Vocês nunca pensam em nada.
- Da maneira como fala, Guarda...?
- Ritter.
- Guarda Ritter... parece que o senhor tem muitos filhos.
- Duas meninas. E até aqui são a minha alegria.
- Nenhum problema. Boas notas... espero que isso dure.
- Estão com a minha ex-esposa, entende?
- Ah, essas coisas acontecem. Ela não é má pessoa. Foi minha primeira namorada, sabe?
- Parece que os policiais sempre acabam se divorciando.
- Deve ser solitário...
- Sinto falta das crianças.
- Mas solitário...... encontro muitas mulheres no meu trabalho!
- Eu nunca vi uma mulher que não gostasse de uniforme!
- KMK 938? KMK 938? Central chamando Carro 04?!
- Central chamando... Carro 04?! Greg, está me ouvindo?
- Ah... Guarda Ritter...Eu não quero aborrecê-lo, mas estamos andando em círculos!
- O senhor vai me levar para a delegacia, ou não?
- Eu venho de uma família toda de policiais.
- Desde o meu bisavô os Ritter estão na polícia.
- O mundo era diferente... A lei era diferente...
- As pessoas decentes sabiam a diferença entre o certo e o errado.
- E se não... nós éramos o juiz e os jurados, como dizia o velho Ritter.
- Alguns eram arrastados por cavalos... outros amarrados e açoitados.
- Outros não tinham nem seus nomes gravados nas sepulturas.
- E quando acabava... tínhamos uma cidade civilizada.
- Já chegamos.
- Isso aí é um gerador japonês.
- Não se pode ouvir nada lá fora.
- Casas velhas não lhe agradam?
- Pois eu gosto muito! É uma pena que as pessoas não as conservem.
- Aposto que debaixo da forração a madeira é de lei.
- Vou mostrar o porão para você!
- Fique aí! Bem aí!
- Não vai me perguntar por quê?
- Por quê?!
- 19.ª Delegacia, Sargento Lopez...
- Espere um minuto senhor. Qual o seu nome, e onde está agora?
- Não quer me dar o seu nome? Ah... é só um cidadão preocupado.
- E quer denunciar um assassinato? Oh, e não foi um só?! Foram vários...
- Ah...senhor, quando eles aconteceram?
- Ah... mas você não sabe onde os corpos estão?
- Sim senhor, eu estou anotando tudo.
- Ah, me desculpe, senhor...qual é o nome deste policial?
- É Ritter. Certo.
- Você é um bom detetive, mas eu não posso por "cidadão preocupado" na denúncia, senhor...
Além disso... não tem nenhum Ritter aqui e...
- Ei, Drake, como vai?
- Detetive...
- Lopez!
- Ei, Kovalsky! Drake está aqui.
- Oi, Drake! Quais são as novidades?
- Ah, não muito boas! Nada boas!
- Vocês provavelmente também ficarão irritados com isso...
- Sabem aquele documentário de meia-hora que eu estava fazendo...?
- Do esquadrão de homicídios!
- Ah, sim, me lembro!
- Pois é... a estação o reduziu para 10 minutos.
- Puxa, que mancada, hein!
- Ei, Drake, me diz uma coisa...
- Você está sempre com a gente... bebe com a gente...
- Está sempre tentando fazer o trabalho da polícia...
- Porque você nunca tentou ser um policial?
- Ora, eu tentei, cara! Mas eu era novo na cidade e não tinha as conexões.
- Você sabe como é.
- Sei, sei sim. Você sabe como eu entrei na polícia? Sou filho ilegítimo do Prefeito!
- Ah... é melhor eu ir andando...eu vou sair com as minhas crianças hoje.
- Sabe do que eu gosto em você, Kovalsky? Da sua sensibilidade...!
- Da próxima vez porque simplesmente não bate nele com seu distintivo?
- Finalmente eu te achei, garoto.
- Porque não quer me ouvir?! Ele vai matar aquela garota!
- Olha aqui: você tem suas idéias sobre assassinos e eu tenho as minhas. Só que as minhas são reais.
- Não são idéias, Rogan! Eu não imaginei todos aqueles túmulos naquele porão.
- Toda aquela gente sem nome!
- Não há nada que eu diga que o faça acreditar em mim, não é?
- Fale o que quiser, garoto. A viagem até Los Angeles é longa.
- Ok. Agora vamos tentar de novo: Você viu o tira, certo?
- Sim, eu vi.
- Agora ele deveria estar levando a garota para a delegacia...
- Mas se o carro estiver parado naquela casa...
- Vamos, cara! Qual é o problema?!
- Deixe-me ver as suas mãos de novo.
- Tudo bem!
- Ele não vai se render a você, Rogan.
- Se eu fizer papel de bobo, não quero que ninguém fique sabendo disso.
- Não se mexa! A arma!
- Fique aí! Aí mesmo!
- Vire-se!
- Eu estava chateado. Ela desmaiou...
- ...e estragou tudo, mas... você chegou!
- Não vai perguntar por quê?
- Não ouviu?! Não vai perguntar por quê?!
- Eles o colocaram numa pequena cela branca, com uma cadeira e uma cama com correias.
- Ele nunca se mexe. Ele nunca dorme.
- E as únicas palavras que saem da sua boca são:
- Por quê?
Legendas: André Bozzetto e Rodrigo Zioli
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