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ESTRADA PARA KREMS, OUTONO DE 1826
"Meu querido Beethoven,
se receber minha carta 32 anos depois de deixar Bonn,
talvez seja porque...
não recebi resposta à última que lhe enviei.
Sei que não é apropriado,
principalmente agora que estamos velhos
e nos deleitamos com as memórias de nossa juventude."
Não tão rápido!
Não tão superficial!
Quero ouvir cada nota!
No ritmo!
"Graças a Deus, posso falar
ao meu esposo e meus filhos de você.
Temos orgulho de ter convivido com um homem tão importante."
O que há nela?
Ele já leu a carta três vezes.
Ele é tão sensível...
quanto a sua música.
-Ele realmente não ouve nada? -Nada, senhora.
Surdo como uma porta.
Sabe, Sr. Van Beethoven,
tivemos o privilégio de assistir
à estreia triunfal de sua 9ª Sinfonia.
Para onde estão indo? Também vão para Linz?
Não, meu outro tio possui uma propriedade aqui.
O maestro precisa descansar.
Ele está se recuperando de alguma doença?
"Você não sente falta de seus amigos,
das margens do Reno, onde éramos tão felizes?"
Ao Senhor Ludwig van Beethoven.
"Ou seu silêncio se deve à nossa dolorosa despedida?"
"Fique tranquilo, querido Beethoven,
há muito já lhe perdoei!"
LOUIS vAN BEETHOVEN
SuB_VersioN League of Legends
De novo! Vamos!
BONN, 1778
Você dormiu mal?
Está tudo bem.
O que está escrito aqui? Então?
"Sr. Van Beethoven, sabe que horas são?"
Assim não dá, Sr. Beethoven.
Minha noite é curta, preciso dormir.
A nossa também!
Logo você estará berrando em sua padaria.
Mal terá tempo para pensar em dormir!
-Mas isto é... -Cruel, assim é a vida!
Toca!
"Não vou mais tolerar isso!"
O garoto está cansado, Jean. Deixe-o descansar.
Louis!
-Louis! -Jean!
Deixe-o!
Ele precisa praticar, praticar, praticar!
Mozart também praticava sem parar com seu pai!
Ele é uma criança!
Um garoto de oito anos, que pratica desde os seis.
Nessa idade, Mozart compôs sua primeira sinfonia.
Ele não é o Mozart.
O que eles estão tocando?
O novo concerto para piano de Mozart, Vossa Alteza.
Mozart? Quem é esse?
Você não conhece Mozart? Em Viena só se fala nele.
Sobretudo as mulheres.
É um burguês desrespeitoso...
Não tem outra coisa?
-O que há com ele? -O que há com ele?
Por que parou de tocar?
Louis! Continue tocando!
Venha!
Vossa Alteza apreciou o recital do meu filho?
5 táleres?!
-Fora, pode ir. -Muitíssimo obrigado.
Vamos.
Espera!
O que está acontecendo?
-Quem é aquele? -O Arquiduque da Áustria.
Será o próximo príncipe-eleitor quando o antigo morrer.
O quê? Mesmo sendo tão jovem?
Estamos enrascados!
Por que ficamos sem ar durante o "Aleluia"?
É isso o que fazem com os protestantes na Renânia?
Quem de vocês é o Louis?
É você?
O mestre Van Den Eeden me disse
que você toca fortepiano muito bem.
Sim, eu já toquei para o príncipe-eleitor.
É mesmo?
Então, Louis.
Esta noite vou dirigir a orquestra da corte.
Pode me ajudar com a partitura?
Para o "contínuo", preciso de três mãos.
E uma quarta para virar as páginas. Mas só tenho duas!
# Abelha perversa, anjo mau!
# Decrépito trapalhão, cadáver ambulante!
# Harpia briguenta, bruxa má!
# Enxaqueca rabugenta, esqueleto!
# Rio-me...
# ...dos vossos desvarios!
-Abelha peçonhenta! -Decrépito trapalhão!
-Anjo maligno! -Cadáver ambulante!
Louis! A página!
# Vou rachar sua cabeça ao meio!
Me põe no chão!
Para você cortejar os homens importantes? Nem pensar!
Cavalheiros!
Eis aqui um raro exemplar de uma mulher bonita e adorável!
Abençoada por Deus com uma voz deslumbrante!
Ei!
Por uma pequena contribuição,
ela oferecerá uma amostra do seu talento.
-Nada disso! -Oh! Oh!
Vai logo!
Deixe que eles te apalpem por uns trocados!
E lá vai a minha amada.
Direto para o sofá de Sua Alteza Real.
Maestro Neefe!
É constrangedor, mas poderia me dar algumas moedas?
A senhoria se recusa a me pagar!
Sinto muito, Pfeiffer.
Mas estou devendo a este jovem cavalheiro. Vamos!
Ah, desculpa! O passador de páginas do príncipe-eleitor.
-Gostou do nosso espetáculo? -Sim, foi muito divertido.
-Mas a música... -O que tem a música?
-Um pouco simples. -Simples?
Ouviu isso? É assim que ele fala do grande Telemann?
E que tipo de música o senhor prefere?
-Mozart. -Mozart?
Sim, Mozart!
Maravilhoso! Vamos, toque algo de Mozart.
# Lambe-me o rabo!
# Depressa!
# Lambe-me o rabo, depressa!
# Lambe-me, lambe-me!
# Depressa! Depressa!
Todos!
# Lambe-me o rabo, depressa!
# Depressa!
# Lambe-me o rabo!
# Depressa!
-Você já tinha tocado essa peça? -Nunca.
Sr. Van Beethoven!
Sr. Van Beethoven!
Perdão.
Já que o Sr. Van Den Eeden continua indisposto,
bem, eu gostaria de ensinar a Ludwig.
Você? Ensinar a Ludwig?
Quem você pensa que é? Quem é você?
Tenho vasta experiência em lecionar.
Aliás, tive sorte de ser aluno do grande Johann Adam...
Escute-me bem, Sr. Neefe.
O nome "Beethoven" é conhecido aqui na corte.
Meu defunto pai foi mestre de capela daqui.
Se quisesse um professor para Louis...
-Companhia, vamos! -Meu Deus, e o Louis?
Rápido!
Vamos, depressa! Mexam-se!
Em nome da lei, silêncio!
Sr. Van Beethoven!
-Venha! -Louis, vamos!
Vamos!
-Boa noite. -Boa noite, mestre de capela!
Tenha cuidado,
o ministro Belderbusch tem espiões por toda parte.
Como pode suportá-lo?
Você também é um espírito livre, um artista!
Vamos!
O príncipe-eleitor sempre tratou bem os Beethovens.
-É muito pior em outros lugares. -Sempre haverá um lugar pior.
Isso é motivo para deixar que os poderosos nos oprimam?
"Não há subjugação tão perfeita
como aquela que guarda a aparência da liberdade."
Vamos, venha.
-Essa frase é sua? -Claro que não!
-É do grande Rousseau. -Sério?
Nós moramos aqui. Não espere muito, senhor.
Chegamos.
Tenha cuidado!
Há instrumentos e equipamentos muito delicados aí.
CRUZAMENTO PERTO DE GNEIXENDORF
OUTONO DE 1826
Ele disse que enviaria uma carruagem.
Lá, tio!
Bem-vindo a Gneixendorf, querido irmão!
Vamos! Sejam bem-vindos!
-Bem-vindos! -Não tinha nada melhor?
Por que me enviou essa droga de carroça?
Minha esposa teve que ir urgentemente a Krems.
Assuntos a tratar.
É assim que me agradece por ter sido um pai para você.
-Me mostre meus aposentos. -Por ali.
Konstanze, leve meu irmão ao quarto dele, por favor!
Você, cuide da bagagem!
Deixa-me olhar bem para ti!
-Por que você fez isso? -Perdoe-me, tio.
"Ele tem um lado autoritário."
VIENA, VERÃO DE 1826
Este é o professor que me custou 300 florins?
Estes são meus colegas de classe. Nós estamos...
Bebendo às minhas custas?
Acha que sou algum idiota!?
Canalha! Vigarista! Vagabundo!
Seu larápio!
O que estão tocando, mon dieu? Está muito lento!
Allegro, rápido! Não andante, mais rápido.
Cocheiro!
Isto não é música, é um miado de gato.
-Por que parou, Schuppanzigh? -Está bem!
Se ele estiver falando sério, seremos motivo de riso!
Mas agora sua cabeça está confusa com a surdez....
e o vinho.
Se você se limitasse à minha velocidade e não inventasse...
Mas você se acomodou, tem preguiça de treinar.
E agora culpa a minha música!
Foi um prazer!
"E você já foi comparado a Mozart..."
Posso?
É apenas a fuga, Maestro. A cavatina é magnífica,
e as outras partes também. Certo, Sr. Holz?
Por que você não reescreve o final?
Devo remover a fuga?
Quem vai ouvir isso? Todas essas dissonâncias!
Todas essas vozes que não se encaixam.
O quê?
-...ninguém vai comprar isso! -O que você disse?
Diga para ele, Sr. Wood. Ele te escuta.
É muito difícil, Maestro.
Impossível de executar.
Impossível?
Maestro, esta é a senhoria do seu sobrinho.
-E onde está o Karl? -Ele sumiu!
Ele pegou uma pistola
que meu marido guardava na cômoda, Maestro.
Ludwig!
Você escreveu isso?
Escreveu mais alguma coisa?
Uma sonata?
Vamos, toque-a para mim.
Pare!
Por que você mudou isso?
Meu mestre Van Den Eeden diz que isso é contra as regras.
O mestre Van Den Eeden dita as regras?
Não, elas estão em um livro dele.
-Um livro francês. -Sei.
"Demonstração..."
"...do Princípio da Harmonia", de Jean Philippe Rameau?
-Posso? -Sim.
Tão bonita.
Tão chata.
Como se tudo tivesse que ser sempre bonito.
Quando você, por exemplo, sente assim...
...porque você está com raiva, porque foi maltratado
e não aguenta mais.
Talvez o mestre Van Den Eeden
ou o monsieur Rameau não aprovem,
mas é sincero, Ludwig, e isso é o que importa.
A verdade. Isto aqui...
Você tem um filho muito talentoso, senhora.
O pagamento da sua moradia está atrasado, Sr. Pfeiffer.
Como sabe, o príncipe-eleitor e seu ministro tacanho
acham que os artistas vivem do ar e do amor.
Eles enchem a barriga às nossas custas.
Senão, como Belderbusch...
poderia fazer a abadessa feliz de estômago vazio?
Sr. Pfeiffer, não fale assim na frente das crianças!
Eles pensam que eu sou Tellheim,
o homem próspero!
Cheio de pretensões, cheio de vida,
que domina seu corpo e sua alma,
diante do qual, abriam-se as portas da honra e felicidade.
Não sou mais aquele Tellheim
que o meu pai queria! Eu sou o Tellheim,
o dispensado, a quem arrebataram sua honra,
o aleijado, o mendigo!
Sua mão, querido mendigo!
Isso é demais! Deixe-me, senhorita!
Sua bondade me tortura! Deixe-me!
Mas o que houve? Aonde você vai?
Para longe de você! Não vou vê-la nunca mais!
-Deixe-me, Minna! -Deixá-lo?
Tellheim!
Bravo!
Quem este arrogante pensa que é?
Me fez passar um papel ridículo no palco!
Só fiz pensando no seu bem.
A decepção no seu rosto, a dor.
Tudo tão natural e verdadeiro!
-Foi o seu triunfo, senhora! -Triunfo?
Me fez de ridícula perante Sua Alteza!
Ela está sendo ridícula.
Mas este é o nosso destino!
Sempre seremos os bufões dos governantes.
Fazemos caretas para diverti-los,
tocamos a música que eles gostam
e contamos a verdade que eles querem ouvir!
Pfeiffer, hoje você falou a verdade de um Lessing,
as palavras do Iluminismo.
-Por que não leva isso a sério? -E que verdade é essa?
"Ó, senhorita!"
"Que clemência! Que justiça!"
"Isto é mais do que eu esperava, mais do que mereço!"
"Minha sorte, minha honra, tudo foi recuperado!"
Esta é a verdade segundo Lessing!
O rei só restabelece a honra do major,
depois de tê-lo empurrado ao campo de batalha,
onde Tellheim sacrificou seu braço pelo rei,
em uma guerra sem sentido!
Então esse idiota pede o resgate de sua honra.
A honra de um Lessing, Neefe,
é apenas a honra dos governantes.
Interrompemos os senhores
numa apresentação espontânea de sua arte?
O Sr. Pfeiffer declamava alguns versos de Lessing.
Chegamos em boa hora!
Prossiga.
É uma honra para mim.
Estávamos apenas debatendo sobre a verdade de Lessing.
Esta...
é a verdade do povo.
"É evidente por si mesmo...
que todos os homens foram criados iguais
e dotados com certos direitos inalienáveis,
entre os quais o da vida, liberdade
e busca da felicidade."
Do que você está falando?
"...instituem-se governos cujos justos poderes
emanam do consentimento dos governados."
Já teminou?
Não, Excelência!
"Mas quando uma série de abusos e usurpações
privam as pessoas dos seus direitos,
o povo tem o direito e o dever de derrubar esse governo
e procurar um mais adequado para o seu bem-estar futuro!"
Se eu fosse você,
não ficaria esperando pelos guardas de Belderbush.
Sr. Pfeiffer, o que o senhor estava lendo?
"A declaração dos representantes
dos Estados Unidos da América"?
Se você quer ser livre...
Ludwig, livre de verdade,
com apenas o céu acima de você,
e amar e desejar quem você quiser,
mesmo que seja a própria rainha,
terá que ir para a América.
Abra!
Ordeno que abra!
Mas o que está havendo? Aqui só vive gente honesta.
-O ator Pfeiffer mora aqui? -Lá em cima, com Beethoven.
O que os soldados querem?
Pare! Pare! Ei, o lunático está aqui!
DECLARAÇÃO, 4/7/1776
"Maestro! Sr. Van Beethoven!"
O que foi?
Encontraram o Karl!
Onde?
Eles o levaram para a casa da mãe dele, a sua cunhada.
Ele vai voltar?
Não, Louis, ele não vai voltar.
Para onde ele vai? Para a América?
Não, é longe demais, do outro lado do mar.
-Quem vai me dar aulas? -Encontraremos alguém.
Agora você vai para a escola. Seu irmão o espera.
Não voltarei para o velho Van Den Eeden.
Mandei trazer de Krems.
Espero que satisfaça suas exigências.
-Podemos agora falar do Karl? -O quê?
-Karl! -O que posso fazer, Johann?
Ele é igual à mãe: preguiçoso, avesso ao trabalho.
Um imprestável.
Tive que dedicar meu novo quarteto ao marechal
para que admitisse Karl em seu regimento.
Só Deus sabe o que isso me custou!
Está mais preocupado com o dinheiro ou o rapaz?
O quê?
"Por que ele tentou se matar?"
Talvez eu tenha sido...
muito indulgente com ele.
Muito brando. Eu fiz muita vista grossa!
Agora querem interná-lo num hospício.
Só voltaremos após suas feridas cicatrizarem.
Até lá, vamos nos isolar aqui.
"Peço imensa desculpa!"
Eu fui injusto.
Apesar de eu ter prometido ao nosso irmão
que seria como um pai para o Karl,
eu devia ter aceitado a sua oferta
e confiá-lo a seus cuidados.
"Fique quanto tempo quiser."
E a sua estimada esposa vai concordar?
Ela faz o que eu digo.
Isso é uma novidade. Parabéns, fratello!
Sempre desprezou as esposas de seus irmãos, Ludwig.
Como? Você tem que escrever!
Jantaremos às 18:00h!
"Por que ele tentou se matar?"
Vamos!
# Teria sido tão doce beijá-la
# Antes do momento que eu vejo chegar
O que há com ele?
Soube que ele enterrou um filho hoje.
Espero que não seja a criança prodígio.
Não, abadessa, a criança tinha 3 anos.
Que Deus o tenha!
É por isso que ele está nesse estado?
# Por que fazemos chorar quem amamos?
# Por que lhe causamos dor?
# Por que fazemos chorar quem amamos?
# É como se voltar contra você mesmo
Obrigado, Monsieur!
Você me salvou.
Quem poderia contar após ter enterrado o filho?
Já é a terceira criança que perdemos.
Você tem 3 filhos saudáveis.
-Devia dar graças a Deus. -Sim, devia.
Sr. Neefe...
Você ensinaria a Ludwig?
Acho que ele aprenderia muito com você.
Acha mesmo?
Seria uma grande honra.
# ...Solitárias e silenciosas
# Sempre sofrem
# Sempre se iludem
# Tentando procurar...
# a alegria...
# onde não podem encontrá-la?
# Pode me dizer por quê,
# querida criança?
# Pode me dizer por quê,
# querida criança?
-Então, quem é você? -Eu sou o Ludwig.
Ah, é você!
-Da parte de minha mãe. -Obrigado.
Vamos, entre. Que partituras são essas?
-Era você cantando? -Você gostou?
-Principalmente da letra. -Sim, o autor é um gênio.
Já o compositor ainda não sabemos.
-Quem é o poeta? -Johann Wolfgang von Goethe.
-Quem é o compositor? -Meu marido.
-Você já tocou tudo isso? -Sim!
Meu pai copiou da biblioteca do Eleitorado para mim.
-E como aprendeu a tocá-las? -Tocando.
À primeira vista?
Sim, claro.
Sente-se aqui.
Vamos lá, toque.
-Quem a escreveu? -O velho Bach.
-Johann Sebastian. -Onde ele mora?
Ele morreu. Viveu em Leipzig, onde eu estudei.
-Ele foi seu professor? -Não, ele morreu há 30 anos.
-Tem três vozes? -Sim.
Veja...
Começa com o contralto.
Aí formula a ideia musical.
Vai até aqui. Depois vem o soprano.
E aqui é o baixo.
A princípio a ideia está só, como se ela se apresentasse.
Na clave de Dó menor.
Agora ele retoma a ideia, no tom alto do soprano, na 5ª.
(Neefe ensina contraponto e composição...)
Mas o que é isso?
Ele não sabe que vamos jantar?
Ele não liga para reuniões sociais.
A menos que ele o convide. Senão, Deus me livre.
Pobre rapaz!
Sirvam a ceia, não vamos esperar.
Vou buscá-lo!
Estamos te esperando!
A criada pode me trazer algo?
Tenho que terminar o movimento final.
O editor já está impaciente.
Alguns legumes me bastam. E uma garrafa de vinho.
E chame o Karl, preciso dele!
Ele quer comer no quarto.
Konstanze, leve alguns legumes e vinho para ele.
-Pois não. -De jeito nenhum.
Ele acha que devemos tratá-lo como um rei.
-Não lhe sirva nada. -Therese, por favor!
E você deve ir vê-lo, quando acabar de comer.
Se ele quiser ficar, terá que pagar.
-O que disse? -40 florins.
Uma bagatela para um músico de sucesso.
Ele também não pagou pelo fortepiano.
Sua música não está indo bem no momento.
Mas a sua última peça, a Nona Sinfonia...
até em Krems se fala dela.
Também em Londres, Paris e Berlim.
Mas não lhe traz dinheiro.
O dinheiro vem das sonatas para fortepiano.
Os Duos, Trios, os quartetos de cordas.
O que ele está compondo lá em cima?
Um quarteto de cordas.
Mas os últimos foram um fracasso.
"Incompreensível como o chinês", escreveu um crítico.
Você disse que ele está sem dinheiro?
Ele precisa urgentemente do pagamento desse quarteto.
Então, vamos deixá-lo trabalhar.
Pode subir, Konstanze.
Desculpe-me, Tia.
Deixe-a aqui.
Como você se chama?
Konstanze.
Você tem que escrever.
Sabe escrever o seu nome?
Venha aqui!
Mais perto.
Agora... repita.
Konstanze.
O nome da esposa de Mozart! Você conhece Mozart?
O quê?! Você não conhece Mozart?
Não conhece isso?
(O Rapto do Serralho, de Mozart)
Nunca ouviu isso?
Também há uma Konstanze,
que é vendida por piratas no mercado de escravos,
e, graças a Deus, para um homem velho e simpático
como eu.
Obviamente, seu noivo tenta salvá-la.
Você tem um noivo?
Mas antes que ele consiga, eles o pegam e o enforcam!
O verdugo é um muçulmano que odeia os cristãos.
# Ah, como ficarei feliz quando o levarem ao patíbulo
# E colocarem a corda no pescoço!
# E colocarem a corda no pescoço!
# Eu vou rir, pular
# E cantar uma canção alegre
# Já que finalmente me livrei de vocês
# Já que finalmente me livrei de vocês.
Música de comédia na missa matinal?
E além disso, a ária de um muçulmano, um pagão!
Em Bonn! O que estava pensando?
Obviamente, nada. O que é pior.
E eu estava prestes a perguntar na corte,
se você poderia me substituir na minha ausência
como organista suplente neste verão.
-Que salário peço à corte? -Salário?!
-Ludwig, é uma honra. -Então prefiro tocar Mozart!
Você é muito teimoso.
Por que deveria tocar para um senhor por cortesia,
quando ele me diz o que devo tocar?
Deixe passar um tempo, e o príncipe-eleitor...
Curve-se!
-O que é isso?! -Você viu aquilo?
O que está acontecendo?
Louis! Mamãe tossiu sangue.
Cuidado!
Espere!
O menino!
Merci!
Jovem, o que há com você?
Minha mãe está doente, vim avisar meu pai.
-Onde você mora? -Ali atrás.
Vamos, o que está esperando? Quero ver a sua mãe.
Ludwig?
Senhora! Louis, o que está havendo?
Eu não lhe dei escolha.
Deixe-me a sós com sua mãe.
Venha, vamos!
-Você escreveu isto? -Sim, é uma sonata.
Ainda não está acabada.
Toque-a para mim.
-O que há com minha mãe? -Mandarei trazer um médico.
Eu não sei.
-Por quê? -É muito caro.
Não se preocupe com isso.
Eleonore.
O Sr. Neefe está aqui.
Alteza Sereníssima!
O príncipe-eleitor, em sua infinita sabedoria,
licenciou os senhores Mattioli e Luchesi,
assim fiquei duplamente sobrecarregado.
Sr. Neefe! Fico feliz que você esteja aqui.
Alteza Sereníssima!
Quem está tocando?
Venha ver.
Este é o compositor cujo nome você se recusou a me dizer?
Ah, é o Louis!
O que ele está tocando? Isso...
não é Carl Emanuel Bach. Então o que é?
Isto é Ludwig van Beethoven, Sr. Neefe.
Pode entrar.
Já falo contigo.
Sente-se ao piano.
(Sonatinas Eleitorais dedicadas a Max Friedrich)
-Você mandou editar? -Isso mesmo.
"Dedicado ao Príncipe-Eleitor".
"Ao Excelentíssimo."
"Desde os meus 4 anos de idade,
a música tem sido minha principal ocupação.
Acabo de completar 11 anos.
Imbuído de uma confiança renovada,
atrevo-me a enviar-lhe esses experimentos juvenis.
Aceite-os como uma amostra de minha reverência infantil
e receba com afeto,
tanto a obra quanto seu jovem autor,
Ludwig van Beethoven."
O que acha?
Parece que foi escrita por um lacaio pedindo algo.
Sim, estamos pedindo algo.
Que o príncipe-eleitor te aceite como meu ajudante.
(falecimento do príncipe- eleitor Maximilian Friedrich)
Ah, Sr. Holz! Achei que você estivesse em Baden
caçando mulheres casadeiras, como um Papageno.
Estamos comprometidos.
Pamina finalmente cedeu? Fico feliz.
O que você traz aí?
Mathias Artaria aguarda um novo final!
Aqui...
Aqui tem 30 ducados de ouro.
Artaria ganha muito dinheiro com um tal de Johann Strauss.
Dança de salão, mas as pessoas gostam.
O quê?
Strauss! Valsa!
Alguém ganha dinheiro com isso hoje?
-Ele demitiu todos nós! -O quê?
Ele desmantelou a companhia teatral.
Sua Alteza Sereníssima pagará nosso salário por mais 1 mês!
-Muito amável! -Eu pensei...
Que Sua Alteza valoriza os artistas? Nada disso!
O organista da corte Neefe, apresente-se agora!
-Quanto ele recebia? -Mil florins por ano.
Mil florins para um organista?!
Esse é o salário de um mestre de capela em Viena!
Se Vossa Alteza Sereníssima...
me permitir explicar...
Meu trabalho também incluía reger a orquestra da corte,
uma vez que os Signori Mattioli e Luchesi,
com a permissão do príncipe-eleitor,
bem, estavam ausentes.
Quem tocava o órgão na corte?
Meu suplente.
E que salário meu antecessor concedeu a este jovem gênio?
Nada, Vossa Alteza.
Aqui consta como assistente, sem salário.
Esperávamos, claro, que o finado príncipe-eleitor
lhe concedesse, em algum momento,
-o favor de ter um salário. -Eu lhe farei esse favor.
Receberá um ordenado anual de 150 florins.
150 por ano para tocar na missa matinal,
acompanhar os cantores
e executar o contínuo nos concertos da corte!
Você está surdo?
Ele cortou meu salário pela metade.
Não sei como vou alimentar minha família.
E por que você fica?
-Você está falando sério? -Estou.
Pfeiffer dizia que devemos buscar a verdade
dentro de nós e não ir atrás dos reis!
Ele de fato encontrou a verdade numa masmorra
por ser um cínico!
Você tem muito a aprender!
Karl! Onde você esteve ontem?
Karl!
Pedi a Johann para chamá-lo,
porque tenho muita coisa para lhe ditar.
-O jovem precisa descansar... -Agora vou passear.
Depois de comer, nos vemos para o ditado.
Ele não pode ouvi-la, Tia.
Como se eu não existisse!
-Posso continuar tocando? -Por favor. É muito bonita!
É dele.
Ele me ensinou a tocar piano.
"Por fim, consegui retirar-me para o campo.
Um verdadeiro descanso para mim,
após ter passado o verão na cidade."
"Refiz-me da fadiga da cidade. Meu humor está melhor.
O Quarteto está terminado, embora não esteja copiado.
Mas poderei entregá-lo em poucos dias."
"Quanto à publicação das minhas obras,
a soma de 4 mil florins, segundo meus amigos,
é um valor razoável."
"Responda-me o mais rápido possível."
Está indo bem, eles querem editar a minha obra,
graças a uma nova técnica de impressão.
Econômica e acessível a qualquer amante de música.
-E o réquiem de Wolfmayer? -Não escreverei um réquiem!
Ele pagou 1000 florins, Tio.
Mozart morreu escrevendo um. Primeiro, uma nova sinfonia.
-A 10ª? -Será em dó menor. Como a 5º.
Encomendada pela Sociedade Filarmônica de Londres.
Me pagarão uma grande soma!
Seis mil!
Exigirei seis mil. Escreva!
Escreva: "a soma de 6 mil florins é..."
O que fiz de errado agora, fratello?
Insultei algum camponês?
Não. Minha esposa. Ela exige respeito!
E com muita razão!
Por quê?
Aquela que lhe deu uma filha bastarda
e esbanja seu dinheiro?
O que você está dizendo?
Está bem, peço desculpas. Algo mais?
"-Por que você faz isso?" -O quê?
Magoar as pessoas que o amam.
Não magoo ninguém.
Só falo a verdade, como na minha música.
Aí estão as notas, leve-as até Krems
e encontre um bom copista.
Que não cobre mais de 30 florins.
Antes eu o admirava, agora sequer entendo sua música!
-O quê? -Estou indo para Krems!
Pare de martelar ao piano!
Certo, vejamos o que escreveu.
Muito bonita!
Tem que tocar mais rápido.
-Allegro? -Allegro vivace.
E os instrumentos de corda?
Pode ser mais rápido, os violinos.
Deixe-me mostrar-lhe.
Toque a parte do violino.
Caótico!
Ludwig, isto está caótico!
Os tons estão desordenados.
Não há uma frase musical nem movimentação ordenada
segundo as regras do contraponto!
Aqui...
Nas cordas, o que é isso?
Trovão? Canhões?
Isto é brutal!
Um acompanhamento brusco.
Não é "cantabile".
Além disso, me soa familiar.
O que aconteceu?
Ele está copiando Mozart.
Acha mesmo?
Achei um pouco mais selvagem, livre.
É disso que estou falando, caótico!
Não tem nada a ver com música.
Quem é aquele tipo?
Ele é o pai de Ludwig. Mamãe o convidou.
Onde está o Neefe?
Bravo!
Você deve visitar Mozart, em Viena.
-Talvez não seja preciso. -Perdão, senhora?
Sua Alteza Sereníssima fez uma oferta ao Sr. Mozart.
Mozart é uma pessoa muito volúvel.
Quando está zangado porque Salieri
recebe mais atenção do que ele na corte,
ele faz promessas ao nosso Sereníssimo Eleitor.
Mas nada o tirará de Viena. É uma pena.
Falarei com o nosso príncipe- eleitor, meu jovem.
Deve haver algum mecenas em Bonn que queira financiá-lo,
n'est-ce pas, Madame?
Définitivement!
O senhor ouviu, pai? Eu vou a Viena!
Sim.
Onde está a mamãe?
Sente-se indisposta.
-Ela pede desculpas, Alteza. -Os pulmões de novo?
Oui, Madame. Uma tosse persistente.
Ela precisa saber. Por favor, me deem licença.
Maestro Neefe! Vou visitar Mozart.
O quê?
Vão me enviar para Mozart em Viena.
Preciso contar à minha mãe.
Cuide-se, filho!
VIENA, FEVEREIRO DE 1787
Bravo!
Magnífico!
Por Deus! Não está exagerando, Mozart?
O jovem ainda não terminou seu concerto.
Sim, um pouco pedante e legato demais, Majestade.
Como assim?
Muito pedal, pouca exatidão.
Toquei cada nota como o Maestro Mozart a compôs.
Não está tocando notas que o Maestro não tenha composto?
Se o Maestro quiser me dar um tema.
Pode improvisar sobre isso?
Venha à minha casa amanhã! Gostaria de ouvi-lo mais.
A quem você procura?
O Sr. Mozart, mas acho que vim no lugar errado.
Não, você acertou. O músico vive no primeiro andar ali.
Ele lhe deve dinheiro?
Não. Não, por quê?
Tens mais sorte do que eu. Tenha um bom dia, rapaz!
Olá!
O Sr. Mozart pediu que eu viesse aqui.
Sua aia me mandou esperar.
Você é aluno dele?
-Exato. -Ele não está.
Não sei quando ele voltará. Nunca dá para saber.
É melhor você voltar amanhã.
Poderia dizer ao maestro que estive aqui?
Ludwig van Beethoven!
"Appare il spirito del padre?"
"-Si. -E com'è?"
"Come una statua, come il suo monumento."
Já nos conhecemos?
Sim, Maestro. Toquei para Sua Majestade.
Você me pediu para visitá-lo. Eu fui até a sua casa.
E o mandaram embora?
Desculpa, há muitos fãs batendo à minha porta.
Constanze expulsa todo mundo.
"E peu, il suo monumento, che aspetto ha?"
"Come una statua di marmo. Lo chiamo: 'L'ospite di sasso!'"
"O Convidado de Pedra", genial! De onde tirou isso, Da Ponte?
Devido a algum remorso? "La coscienza sporca?"
Saiba que ele próprio é um famoso Don Juan,
o maior mulherengo da cidade.
Venha, mostre para mim. Não me deixe sofrer mais!
Grazie!
# Don Giovanni,
# a cenar teco m'invitasti, e son venuto.
-Como soa? -Como uma ameaça.
"Don Giovanni, convidaste-me a jantar contigo, e eu vim."
Don Giovanni sabe que vai morrer e canta:
# Não acreditava, mas farei o que puder!
E depois ordena a Leporello
que ponha a mesa para sua última refeição.
# Leporello, manda que tragam logo um outro jantar.
Haverá uma tempestade, o teatro tem que desabar!
Venha!
Mille grazie, mio Dante! Dante Ponte!
Vamos!
Só comece uma ópera após dispor de um libreto decente.
-Você conhece Goethe? -Não, ele é um libretista?
É um poeta alemão.
-Ele escreve comédias? -Não.
Que pena! As pessoas querem comédias alemãs.
Mas os melhores libretistas são italianos.
Porque narram suas experiências de vida,
não se escondem no silêncio de um quarto.
Notou que Da Ponte não tem dentes?
Sim! É difícil não notar.
E sabe por quê?
O marido de uma amante jogou ácido muriático no seu vinho.
Os italianos sabem sobre o que escrevem.
É melhor pegarmos um coche!
# Don Giovanni,
# convidaste-me para jantar contigo, e eu vim.
Era assim, não?
Sim.
Tem certeza? "Achar" e "cagar" são coisas bem distintas.
Sim, mostre seu trabalho.
São apenas esboços. Três quartetos para piano.
Mi Bemol Maior, que ousado!
Allegro em Mi Bemol Menor?
Os instrumentistas de corda vão se amotinar, não é?
Isto me parece familiar. Seis variações...
É uma homenagem à sua sonata para violino em Sol Maior.
Uma homenagem? Sei, sei...
Você tem uma boa caligrafia.
Teria paciência de copiar meu "Don Giovanni"?
Tome.
Por favor! Venha.
Eis o papel, tinta.
Pena. Sente-se, Monsieur.
# Não acreditava, mas farei o que puder!
# Leporello, manda que tragam logo um outro jantar!
# Ah, patrão, estamos todos mortos!
# Vai, digo...
# Parado.
-Em que ele está trabalhando? -Seu editor vienense...
rejeitou o movimento final do quarteto de cordas.
-Tem que compor um novo. -E ele aceitou?
Se for bem remunerado.
Schlesinger espera a cópia com urgência.
E eu espero urgentemente meus honorários. Você pode fazer?
NÃO
Você ainda está aqui?
Wolfi já saiu há muito tempo?
Ele não se despediu?
Recolha suas coisas. Pode voltar amanhã.
De novo aqui?
Sinto muito, mas hoje ele está indisposto.
Indisposto?
A melancolia voltou a atacá-lo. Seu pai está enfermo.
Por favor, dê ao Sr. Mozart meus votos de sincero pesar
e de uma pronta recuperação ao seu pai.
Deus me livre! Seria melhor para nós.
Wolfi deixaria de sofrer e de ouvir coisas desagradáveis
-sobre mim. -Sobre você?
Ele não gosta de mim, o vice-diretor da orquestra!
Não sou suficientemente requintada.
Quer saber, Wolfi certamente está na Cafeteria.
Sempre vai ali quando sente melancolia. Procure-o lá!
E diga-lhe para não esquecer a aula da Condessa Thun.
Precisamos do dinheiro, quase sempre não temos nada!
-Mas... -Mas o quê?
Ele vive mendigando aos seus mecenas.
Ou morreríamos de fome.
Entregue o quarteto só se ele lhe pagar 60 ducados de ouro.
Não aceite adiantamentos nem letras de câmbio.
Diga-lhe que a transcrevi e corrigi pessoalmente.
-Só por isso, ele deveria... -Sim!
Certo.
Eia! Vamos!
Muito bem.
Agora você terá que se contentar comigo.
Mas não sou sua criada.
Você vai comer no salão.
A menos que prefira comer na cozinha com os criados.
"Touché!"
Que pena! Ganhei, messieurs. Suas apostas, por favor!
Muito obrigado! Merci!
Olha ele aí! Soube que você tem andado à minha procura.
Como me achou aqui? Constanze deve ter lhe dito, não é?
Ela me pediu para avisá-lo da aula da Condessa von Thun.
Sei, agora trabalha como mensageiro?
Poderia nos cantar a mensagem? Ele é um músico talentoso.
Um dia todos falarão dele!
Prezado amigo, que tal um cânone?
# A Condessa Frau von Thun não é uma assombração
# Mas é uma condessa atrevida e precisa de uma lição.
Senhores, se quiserem perder mais dinheiro,
já sabem onde me encontrar.
# A Condessa Frau von Thun não é uma assombração
# Mas é uma condessa atrevida e precisa de uma lição.
Sr. Mozart!
Meu príncipe-eleitor quer que eu aprenda contigo.
É por isso que vim a Viena. Se não tiver tempo, ótimo!
Mas isso não lhe dá o direito de me ridicularizar.
Quem é o seu príncipe-eleitor?
Sua Alteza Sereníssima Max Franz, Eleitor de Colônia.
Meu velho e adorável amigo nariz de cerdo
-quer que vá para Bonn, não? -Assim disse ele.
E o que você me recomenda?
Lá iriam tratá-lo com mais respeito do que aqui.
Então acha que aqui ninguém me respeita?
Se fosse assim,
você não precisaria dar aulas para condessas,
ou tocar para um príncipe, porque ele lhe deve dinheiro.
Daí eu teria de tocar pro seu príncipe, qual é a diferença?
Escute bem, Sr. Beethoven!
Sempre dependeremos do favor dos príncipes!
Somos meros adornos. Quando se fartam de nós,
arranjam outro que gostem mais.
Acontecerá o mesmo com você.
Não me leve a mal, amigo.
Os achacadores e "Don Giovanni" ocupam todo o meu tempo.
Quem sabe em outra ocasião.
Até lá você nem precisará mais de mim.
Passe bem, caro colega!
Finalmente! Venha!
Queria muito vê-lo outra vez.
Vamos!
Onde está o papai?
Ele logo virá. Vamos!
Larguem-me!
-Malditos! -O que houve?
Soltem-no!
-Desgraçados! Miseráveis! -Silêncio!
Então, Ludwig, seu pai jogou vinho em cima de um homem.
-Não posso mais tolerar isto. -Não vai acontecer novamente!
Eu me encarrego dele.
Só porque é você. Deixe-o ir!
Mas é a última vez!
Sua mãe mandou você?
Mamãe está morta, pai.
(Rondo alla turca, de Mozart)
Sempre na mesma parte, esta maldita estrofe!
Ludwig?
-Eu cometi um erro. -Toque outra vez.
Como vão as coisas em casa?
Como acha que está? Mais staccato!
Vamos, tente!
-Quem está cuidando da casa? -Dó sustenido!
Não é "dó".
Você tem uma criada.
Sim. Mas sua mãe não me paga para bater papo.
Acho ela muito bonita.
Você acha? Ainda não tinha reparado.
Sim, bem bonita.
Nada comparável a você. Sustenido!
Então já andou pensando nisso?
Não.
Diga novamente.
O quê?
Que você me acha bonita.
Johann, o que faz aqui?
Ele veio aqui porque sua irmã não está bem.
Ela vomitou e está tremendo.
Pegue suas coisas e vá. Vou enviar um médico.
Um pouco de exercício não lhe fará mal.
# Se quer dançar, Senhor Condezinho,
# Se quer dançar, Senhor Condezinho,
# O bandolim eu vou tocar
# O bandolim eu vou tocar, sim,
# O bandolim, sim, eu vou tocar.
Alto! Alto!
O que ele está cantando?
Isso é insuportável!
Por favor, Sr. Van Beethoven...
-Está interrompendo o ensaio. -Por que o Heller está cantando?
E não eu?
Ludwig, cadê você?
Leve seu pai para casa e volte em seguida.
Por que não posso cantar?
Canto muito melhor do que Heller!
Por que não posso cantar?
Desculpe, senhora. O ensaio se prolongou pela tarde.
Creio que a senhorita está esperando.
Já comeu alguma coisa?
-Não. -Vamos, siga-me.
Conhece meu irmão, o cônego do mosteiro dominicano?
-Vossa Reverência. -Ludwig jantará conosco.
As aulas serão repostas depois, crianças.
Mas...
Sente-se!
N'est-ce pas, vous avez faim?
Oui, Madame.
Soube que agora você toca viola na orquestra da corte.
Sim, Vossa Eminência.
E que também é um compositor iniciante.
Sua Alteza Sereníssima não lhe mandou ver Mozart?
Sim, é verdade.
O que aprendeu com essa experiência?
Abraham!
Deixe Ludwig comer.
Ele corre de uma tarefa à outra o dia todo.
O que estão ensaiando no teatro da corte?
"Fígaro", a nova ópera de Mozart, Vossa Eminência.
E como é?
Única!
Em Viena foi um fiasco.
Sim, porque os vienenses não entenderam nada.
A música é magnífica!
Mas ela também é...
Diga!
-Provocante. -Como assim "provocante"?
Sim, fala do direito de um nobre
sobre a inocência de uma donzela.
O conde reclama a prometida de Fígaro.
Sim, o direito da pernada.
O que Mozart acha disso?
Ele desaprova. Acertadamente!
Fígaro se opõe. Não quer permitr.
E o conde?
Ele passa ridículo.
-Lamentável. -Lamentável?
Que direito tem o conde de obrigar a donzela a amá-lo?
Não se trata de amor, querida sobrinha.
Abraham, por favor!
É bom que tenha princípios, Ludwig.
Não deixe a sopa esfriar.
Louis!
Faz uma semana que espero o aluguel.
Meu pai ainda não pagou?
Não tenho mais.
-Falarei com meu pai. -Mais uma semana, Louis.
Fale com o Conde Waldstein.
Para que o Príncipe lhe dê o salário do seu pai.
Assim ele não poderá gastá-lo na taberna.
O velho ficará furioso.
Pois fale. Ele está descontrolado...
Vai arruinar sua vida, Ludwig.
Por que diz isso?
Quando foi a última vez que você compôs algo?
Nem uma nota sequer, desde a morte de sua mãe.
Estou bem assim, não tenho pressa.
O mundo tem direito a escutar sua música.
O mundo? Que mundo?
O príncipe-eleitor? A nobreza? A sociedade?
Pessoas empoadas que sabem tanto de música,
quanto você de agricultura.
Insolente!
Até Mozart tem que rastejar diante desta ralé!
Os tempos estão mudando. Há uma grande ebulição.
A voz da liberdade não pode ser ignorada.
Ludwig, você poderia compor a música
que acompanha essa voz.
Você fala igual ao Pfeiffer.
Sim, mas não tão alto e só falo com você.
Acho que a Srta. Von Breuning
iria apreciar algumas estrofes da sua pena.
Por que acha isso?
Tenho que ir tocar o órgão. Obrigado pelas batatas.
Minha mãe promoverá um sarau. Ela conta com a sua presença.
E eu também.
Ela quer que eu toque para os convidados?
Se você quiser.
Mas a princípio, você é nosso convidado.
Você virá?
(Total de gastos: 115 florins)
Partiremos assim que seu tio voltar.
Meu querido Sr. Van Beethoven, que bom que você pôde vir!
Como recusar o convite da 1ª dama da sociedade de Bonn?
Então, Sua Alteza, o príncipe eleitor, aceitou sua petição.
Você receberá a metade do salário do seu pai.
Ele pode levar a outra metade para a taverna.
À sua saúde!
Continue o que estava dizendo, Madame.
Você daria a honra de tocar para nós mais tarde?
Ludwig!
Deixe-me apresentar-lhe...
os condes Spee e Westerhold.
Ele agora anda com você?
Sim, Ludwig pertence praticamente à família.
Ao inventário?
Que nada!
Um convidado cuja presença tanto nos alegra.
Ele esteve em Viena.
Convidado pelo príncipe Lichnowsky para ter aulas com Mozart.
De indisciplina?
Herr Mozart está muito acima de vocês
em importância, classe e modos.
O que ele disse?
Ele falou em sentido figurado. Como músico.
Sim, e você, Sr. Beethoven? Onde você se situa?
Também está acima de nós?
Um lacaio que se sente chamado à grandeza!
Isso só fica melhor.
Mozart lhe ensinou isso?
Ou foi o Kaiser livre-pensador de Viena?
Joseph II parece estar cego e surdo
aos sinais de alerta vindos da França.
Igual ao seu irmão, Sua Alteza Sereníssima.
Mas Conde Westerhold, do que está falando?
O rei francês é incompetente, deixa o povo à míngua.
É bom que nossos príncipes
queiram dar mais liberdade ao povo.
Vejo que seu lacaio a infectou com seu furor revolucionário.
Se ele tivesse um título, eu teria pedido satisfação.
É mesmo?
Por que você não faz isso?
Porque você é covarde.
O que ele disse?
Se não tivessem tirado minha espada na entrada,
eu já teria resolvido isso!
Ludwig?
Como ousa fazer isso?!
Aonde você vai?
O que você quer?
Posso me sentar?
"Por que temos de ir?"
Passamos tempo demais aqui.
Vamos falar claro, ela não serve para você.
Quem?
A suposta filha de Johann, Amalie.
-E quem é boa para mim? -Essa bastarda não!
Você tem obrigações, Karl!
Meu amigo Stephan von Breuning
intercedeu ao regimento em seu favor.
Suas feridas cicatrizaram.
Agora é hora de voltar ao serviço.
Seu tio Johann tem a mesma opinião.
Ele deixou esta carta antes de partir para Viena.
"Querido irmão,
me sinto apreensivo com o futuro de Karl.
É uma vergonha que,
um jovem tão talentoso, gaste seu tempo assim.
E quem é o culpado? Apenas nós dois."
Ele descobriu que você está tentando instalar-se aqui.
Mas Johann é Beethoven demais para permitir isso.
Você já foi jovem.
E também já esteve apaixonado!
Por que não me deixa ser uma pessoa normal?
Karl...
Karl?
Karl!
Karl!
O que houve?
Sim, já estou indo!
Karl!
Karl!
Posso entrar?
Claro.
Karl!
Karl!
Karl...
Karl!
Me perdoe.
Sempre decepcionei você.
Venha!
Nunca se apaixonou, tio?
Você nunca pensou em se casar?
-Formar uma família? -O quê?
Não consigo ouvi-lo.
Apaixonado?
Eu?!
Muitas vezes, sim.
Mas...
ninguém queria viver no meu mundo.
Refere-se à música?
Somente uma...
quis viver no meu mundo.
De onde veio isso?
Um presente do Conde Waldstein.
Tem um som incrível.
Quer que eu toque algo?
Sim, por favor.
Vossa Graça!
A que devo a honra de sua visita?
Minha filha está com seu filho. Diga a ela que venha agora!
Sua filha? Sim, senhora.
O que você estava pensando? Um escândalo!
Ainda que não fosse um músico qualquer, seria um escândalo.
Qualquer? Você disse que ele era talentoso.
Talentoso? Em quê?
Seu pai é um bêbado e o avô vendia vinho.
-E também maestro de capela. -Ele não pertence à sua classe!
Seu comportamento hoje...
Ele apenas se defendeu! O Conde Spee o provocou.
Ele precisa pedir desculpa ao Conde Spee.
Ele nunca fará isso.
Então você nunca mais tornará a vê-lo.
Nunca mais?
Só se ele se desculpar formalmente.
Falarei com o conde e ele aceitará.
Comporte-se, Eleonore!
Só faço isso por causa das suas lições de música!
BONN, VERÃO DE 1791
Soube que se matriculou na universidade, Sr. Beethoven?
Algo admirável.
Sim, em Filosofia e Literatura Clássica.
Parece que você tem incentivado nosso jovem gênio.
Um tal de Eulogius Schneider ainda leciona literatura?
Em Colônia, o clero está descontente com esse homem.
Já pediram várias vezes para o Eleitor despedi-lo.
O que Schneider ensina?
Plutarco, Ovídio, autores antigos.
-E também Goethe e Schiller. -Schiller, o incendiário?
Acha que Schiller, Sr. Van Beethoven,
é mais fascinante do que Plutarco ou Aristóteles?
Ontem o professor nos ensinou uma de suas odes.
Espere! Eu a anotei.
(Ode à Alegria, de Friedrich Schiller, 1785)
"Alegria, bela centelha divina, Filha de Elíseo,
Ébrios de fogo entramos em teu santuário celeste!
Tua magia une de novo o que o severo hábito separou;
Os mendigos serão príncipes embaixo de tua asa suave."
-Os mendigos serão príncipes? -Um hino à liberdade.
Ao ler, dá até para ouvir as notas.
É maravilhosa.
Escreva-a, Ludwig! Escreva-a.
Converta-a num grande oratório.
-Um oratório, eu? -Sim.
Você precisa voltar para Viena.
Se Mozart está ocupado, então procure Salieri ou Haydn.
Em Bonn você não chegará a lugar algum!
Com o devido respeito, Sr. Neefe.
O conde tem razão. Aqui não aprenderá mais nada.
Estou feliz do jeito que está.
"Querida amiga!"
"Quanta alegria me deu a sua amável carta,
após tanto tempo.
De fato, deveria ter-lhe respondido imediatamente.
Mas sou desleixado quando se trata de escrever.
Em minha cabeça, posso imaginar a resposta.
Mas colocá-la por escrito, me faz largar a pena,
pois sou incapaz de escrever o que realmente sinto."
Ah! Johann!
Fico feliz de vê-lo são e salvo.
Eu trouxe seu dinheiro!
Falei que só aceitaria ducados de ouro!
Amanhã isso não valerá nada!
Equivale ao que haviam combinado. E mais 500 florins!
Fiz um ótimo negócio!
Tome! Pela comida, alojamento e o fortepiano.
O quê?
Sua esposa insiste. Não posso fazer nada.
Amanhã retornarei a Viena com Karl.
É hora de ele assumir suas obrigações lá.
Pode me ceder seu coche? Cobrirei todos os custos.
Minha esposa também vai para Viena!
-Você pode ir... -O quê?
"Daqui a 2 dias, minha esposa irá a Viena."
Prefiro ir a pé!
Como você preferir!
Me dá o meu dinheiro!
Não é o seu dinheiro. Essa decisão partiu do Eleitor!
Porque você mentiu para ele!
A cidade inteira sabe que você gasta tudo com bebida!
Por que faz isso comigo?
Não sou nenhuma criança!
Eu sou seu pai.
"Ludwig?"
Haydn está na cidade.
Ele quer te ouvir tocar.
O que ele disse?
Disse que eu deveria ir com ele para Viena.
Isso é fantástico!
E você vai?
Eu não sei.
Daremos um sarau na véspera do Ano Novo.
Você virá?
Eu tocarei com a orquestra da corte na ceia do Eleitor.
Pois venha depois.
Então?
Isto é para você.
"Se a sua felicidade coincidir com as minhas esperanças,
este ano teremos concretizado os mais nobres objetivos."
"Desculpe incomodá-lo. Ludwig está?"
"Posso entrar?"
Preciso falar com você, Ludwig.
Sim, claro!
Sente-se.
-Quer um pouco de vinho? -Não, obrigada.
É sobre a Eleonore.
Ela está criando esperança com você.
A que se refere, senhora?
Ela se imagina casada com você.
Isso é absolutamente impossível.
Todos nós o admiramos como músico virtuoso.
Você tem talento de sobra.
O seu destino é ser um novo Haydn ou Mozart.
Minha família vai ajudá-lo no que for possível.
Nós cuidaremos do seu pai e dos seus irmãos.
Ou seja, em troca, eu teria de abrir mão da Eleonore?
Abrir mão?
Ludwig!
Só se abre mão de algo a que se tem direito.
Você não tem direito a Eleanore, ela está muito acima de você.
Acho melhor você não vir ao nosso sarau desta noite.
Na verdade, todos sabem
que esta composição pertence ao Ludwig.
Não seja indiscreto, Stephan!
Bravo!
Acho que estão pedindo bis.
Desculpe, prezado Conde, podemos fazer uma pausa?
Bem, terei de me apresentar como solista.
-Ludwig não veio? -Não.
Você o aguardava?
Ele se uniu...
aos colegas da orquestra para comemorar na taverna.
Bem...
Senhorita! Espere!
Não pode andar sozinha por aí! Senhorita! Espere!
É melhor você ir para casa.
Aqui não é lugar para uma dama da sua classe.
"Estão chegando! Os franceses já estão em Koblenz."
Estamos às portas da Revolução e eu estou indo para Viena.
Não há nenhum Haydn em Paris.
Ela tem muitos compromissos.
Mas certamente está triste com sua partida.
Irmãos, comportem-se!
O Sr. Neefe me manterá informado.
Louis!
Louis!
Louis!
Ele partiu sem me dizer adeus.
Seu filho não teve tempo de procurá-lo pelos bares.
Por que ele tem de ir a Viena para ver este Haydn?
Para acabar como o Mozart?
Você tem noção do quanto seu filho é talentoso?
Se há alguém aqui que tenha noção, Sr Neefe...
esse alguém sou eu.
"Venerável Eleonore, minha amiga mais querida!"
"Eu lhe envio a minha primeira carta,
após passar 1 ano na capital, estudando com o maestro Haydn.
(*)
Ah! O que eu daria para poder apagar da minha vida
o comportamento tão indecente daquela dia,
tão distante do meu modo de ser."
"Seu bom e nobre caráter, amiga minha,
me garante que você já havia me perdoado.
Mas, como se costuma dizer, o arrependimento mais sincero
é aquele no qual admite-se seu próprio pecado."
As tropas franceses chegaram à fronteira do Principado,
levando o Exército de Coalização a retroceder
e à ocupação de Bonn.
Beethoven nunca mais voltaria à sua cidade natal.
(*) Em 1792, Beethoven mudou-se para Viena,
a fim de estudar com Haydn.
Mozart havia morrido no ano anterior.
Karl...
Já estamos chegando, Tio.
As coisas não mudam.
Sempre haverá príncipes e lacaios.
A gente fica onde nasce.
Eu nunca soube aceitar isso.
Beethoven faleceu em 26 de março de 1827.
Ele nunca se recuperaria da grave pneumonia que contraiu,
ao viajar em uma carruagem aberta,
da propriedade de seu irmão em Gneixendorf até Viena.
20 mil pessoas assistiram ao seu funeral em Viena.
# Alegria, bela centelha divina, Filha de Elísio,
# Inspirados entramos pelo fogo Celeste, em teu santuário!
# Teus mágicos encantos reúnem o que o costume rigorosamente separou;
# Todos os homens se irmanam onde pairam tuas suaves asas.
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