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CORREIOS EUA
Bernie!
- Vem cá fora, tartaruga velha! - Estou aqui!
Toma!
Vai!
Anda sempre apressado. Sempre.
Vão todos para o Inferno! Porra.
Maldita a hora em que me transferiram para aqui!
O tabaco e o pagamento. Como um cão!
Nunca param para trocar uma palavrinha.
O meu único amigo é um pouco de uísque.
Shane.
Por amor de Deus.
Vieste vingá-los tantos anos depois de eu os ter sepultado?
Enterram-se os mortos, não a memória deles.
Brilha, brilha lá no céu
A estrelinha que nasceu
Está a dormir.
Quando a picareta tocou no veio,
senti um turbilhão aqui.
De certeza? Aquela mina velha só deu desilusões.
É ouro, quase em estado puro,
naquele pedaço de terra ermo.
O que foi?
Pensava no Shane, o nosso filho. Ele podia voltar para casa.
Trabalharia contigo, em vez de ir trabalhar para longe.
Até podíamos mandá-lo para a escola.
- Quem será a esta hora? - Ladrões não são.
Sabem que aqui não há nada para roubar.
- Boa noite. - Boa noite.
És servido, Magdalena?
Como vai tudo, amigo?
Sempre a escavar buracos na terra como uma toupeira?
Vim propor-te um negócio.
É o quê?
Um negócio para ti.
O terreno da velha mina abandonada,
que limita com o meu.
Preciso de fazer um novo curral.
Não vale um tostão.
É só pedregulhos e buracos, mas eu sou amigo.
Sei que tens dificuldades.
Quinhentos dólares. Assina aqui.
Aceita o dinheiro.
O melhor negócio da tua vida.
Já devia saber que de noite só rondam os abutres.
Pega no teu dinheiro e desaparece.
Há pessoas que não querem perceber o que é melhor para elas.
É um terreno isolado e tu estás longe da vila. Lembra-te disso.
Se te armares em casmurro, só terás problemas.
Para te convencer, dou-te 250 dólares agora.
Assina.
- Espera! - Desaparece, disse eu!
Espera. Espera, John.
Deixe-me ficar com ele a sós uns minutos.
- Eu convenço-o. - Seria melhor.
Daqui a cinco minutos volto para vir buscar o contrato assinado.
Lembra-te.
Cinco minutos apenas.
- O que queres fazer? - Ajustar contas com o Magdalena.
Fica aqui!
Mamã! Papá!
- Querida! - Papá!
Magdalena, vem buscar o contrato! Estou a postos!
- Calma. - Mamã!
- Papá! - John!
Tem de ser tudo legal.
TABERNA
Essa piela vai passar com o ar puro da prisão.
Abre.
Despacha-te.
- O mexicano, rua! - Dizem que és leve, mas és pesado.
- Quem é esse? - Estava bêbado e trouxe-o para cá.
- Mexe-te, patife. - Larguem-me!
Tens um encontro com a Morte!
- Levem-no. - Larguem-me! Não!
Larguem-me!
- Anda! - Não!
Tenham piedade! Não quero morrer!
Não! Larguem-me!
Não!
Não!
- Aqui têm o pagamento. - Obrigado e boa noite.
Boa noite.
- O que é para fazer? - Vai-te embora.
Até amanhã, patrão.
Ó tu! Nada de brincadeiras.
Se queres morrer, arranja outro sítio.
Um duche fresco vai fazer-te bem.
Shane! Não pode ser! Escuta, eu era amigo do teu pai.
Estás a cometer um erro! Não estive envolvido na morte dos teus pais!
Não!
Naquela noite, quando o Magdalena os matou, eu tentei impedi-lo!
Os assassinos são eles. Eu era amigo do teu pai, acredita!
Toca a andar.
Não, Shane, rogo-te! Já disse que não fui eu!
Vai dizer ao meu pai que eras amigo dele.
Dás-me sorte, linda.
Esta mulher dá azar.
Nossa Senhora! Shane!
Ainda bem que reconheces quem te matará.
Deixa-me explicar, eu não queria! Não fui eu!
E quanto a ti,
da próxima vez não acertarei na madeira.
Ficas avisado.
ESTALAGEM
Georgiana Bennett, como vai? Está lindíssima!
O pequeno Christian já deve estar crescido, não?
Está sempre sozinha. Não pensa em voltar a casar-se?
Uma mulher bonita como a senhora. Há de ir lá a casa beber um chazinho, sim?
- Adeus, querida. - Adeus.
Bom dia, Sra. Bennett.
Queira largar-me o braço. Eu consigo sozinha.
Ó, estrangeiro!
Ó!
Levanta-te, eu ajudo-te.
Christian?
Christian!
Christian!
Mãe, ele estava no pascigo velho. Está ferido.
Eu ajudei-o, trouxe-o para aqui.
- Importas-te? - Não.
Vai buscar o álcool. Temos de o tratar. Vai.
Achas que vai ficar bom?
Se a febre passar, sim. A ferida não é grave.
- Quem o feriu? - Isso são coisas que não te interessam.
Teria pena se ele morresse.
Eu encontrei-o e é meu amigo.
Claro, Christian.
Ele ficará bom.
- Agora acaba de comer. É tarde. - Sim, mãe.
O meu pai, a minha mãe, a minha irmã!
Eu estava longe, mas agora estão a pagar! Vão morrer todos!
Morrerão todos!
Pagarão pela minha solidão, pela minha tristeza!
Tenho frio.
Vou matá-los! Vou eliminá-los!
Morrerão todos.
Tenho frio.
Vai para a cama, Christian.
Boa noite, mãe.
- Andas à minha procura? - Sim, ando, Magdalena.
- E então? - O Gonzalez morreu. O Shane matou-o.
- Estás maluco? - Mais tarde, ou mais cedo, virá aqui.
Garanto-te que não acontecerá.
Porque te deste ao trabalho de me avisar?
- O Gonzalez contou-me a história toda. - Que história?
A história do Shane e da mina que tinha encontrado.
- Benson, vem cá! - Certo, patrão!
És menos pateta do que parece. Tira esse chapéu.
- O que queres? - Pagava uma mensalidade ao Gonzalez.
Contento-me com pouco.
Aproxima-te, Benson.
Ele vai ficar connosco. Acomoda-o.
Arranja-lhe uma casa. É por pouco tempo.
- Logo te dou o resto. - Com licença.
- Não sei como agradecer. - Não é preciso. Vai.
Pode ser aqui?
É um belo sítio.
Nem sequer vejo uma casa.
Para que precisas de uma casa?
Olá, sou o Christian. Fui eu que te encontrei.
- Ias morrendo. - Sim? E quanto tempo passou?
Dormiste mais de dois dias.
Quem te deu um tiro? És um bandido?
- Onde estou? Vives sozinho? - Com a minha mãe. Só nós.
A minha mãe foi à aldeia comprar mantimentos.
- Não tens pai? - Morreu há muito tempo.
Já não me lembro dele. A minha mãe é velha, mas ainda é bonita.
Não tarda, ela volta e vais conhecê-la.
San Fernando é longe daqui?
Com um bom cavalo chegas em duas horas.
- Como te chamas? - Shane.
- E mais? - Mais nada.
- Só Shane. - Entendido.
- E o meu cavalo? - Está bom.
Eu cuido dele.
Escovo-o todos os dias e fazemos longas caminhadas. É um cavalo bonito.
Queres ir já embora?
A tua perna ainda não está boa.
Tens de matar alguém, não é?
- Não estás a falar demasiado? - A minha mãe também diz isso.
- Vou aprontar o cavalo? - Não.
- Adeus, Sra. Bennett. Adeusinho. - Adeus.
É um pecado uma mulher bonita andar por aí sozinha.
- Precisa de um cavalheiro. - Saia-me da frente.
Não seja má para mim.
Não percebe que não preciso da sua ajuda?
- Pôs-te no teu lugar. - Cala-te, cabrão!
Há mais algum engraçadinho?
Estão malucos? Porque não vão para a taberna andar à porrada?
MINAS MAGDALENA
- Benson. - Vou já.
Vêm discutir para aqui, à porta do meu estabelecimento! É sempre o mesmo!
É de loucos!
Mandei-te ir ter com o Arvin. O que fazes ainda aqui?
- Mas eu... - Vá, mexe-te.
- Ele vai ver! - Esquece isso. O Benson não é para ti.
- É um tipo rijo. - Deveras? Carl!
- Amanhã, tens que fazer? - Não.
Mas quero fazer a minha parte.
Então ele deu-lhe um tiro e o bandido caiu no chão.
Tiroteios, mortes.
Não são coisas para ti.
- Tu já mataste alguém? - Que tal mudarmos de assunto?
Assim não vais acabar tão cedo.
Olha, não gostavas de ser agricultor? É um bom ofício.
Dói-te? Diz à minha mãe, ela é boa.
Já tratou de uma vaca que tinha caído numa vala.
Christian!
É a minha mãe!
- Como está? - Bem, mas não muito. Já se levantou.
Leva o cavalo para a cavalariça.
O menino tinha dito que era velha.
Não sou, a culpa não é minha. Pode voltar daqui a 30 anos.
Não, quis dizer que vou ficar cá durante uns tempos.
E não será agradável ter-me sempre aqui.
Não quero ofender,
mas não gosto de agradecer e estar em dívida.
Aceite. Já lhe devo muito.
A mim, ao Christian.
A si também.
Já fiz tudo, mãe.
Já se conheceram? O que achas?
- Não é simpático? - Vai buscar água.
Não, deixa estar. Eu vou.
Miguel, sabes onde está o patrão?
O que disse o Arvin?
É um homem que já não abre a boca. Foi enterrado vivo.
- O que pensa disto? - Desde quando te digo o que penso?
Perdão.
Se algum estrangeiro chegar à cidade, ou for visto por aqui, quero saber logo.
- E avisa também os nossos homens. - Carta.
- Entendido, Benson? - Sim, patrão.
- Como me portei com ele? - Muito bem.
É um animal bonito.
O nosso é velho e gordo, mas corre, se a gente quiser.
- Leva-o para a cavalariça. - É para já. Anda, lindo.
- Desculpe. - Podia ter batido à porta.
Saia!
Enfim, saia daqui!
Não sabia que estavas a vir.
Dá-me a pistola.
Desculpa, não fiz de propósito. Estava a brincar.
Está bem.
Escuta. Esquece estes brinquedos parvos. Podem fazer-te mal.
Era do meu pai. Ensina-me a disparar, por favor.
Está bem, vamos descarregá-la.
Mas depois não pensas mais nisso, está bem?
Está bem, Shane.
- Boa! - Christian!
És tão bonita, mãe. Nunca te vi assim.
- Vai para casa. - Mãe...
- Para casa, disse eu. - O menino não fez nada. A culpa é minha.
Ninguém lhe pediu explicações. Christian!
Está bem, já percebi.
- Ouça. - Ouça a senhora!
- Não estará a exagerar? - Como ousa? Julga que não o conheço?
Ouvi-o a ter alucinações. Matou pessoas!
Portanto é um assassino.
E agora quer corromper o Christian.
- O senhor é... - Não continue!
E agradeça a Deus por ser uma mulher.
O Christian tinha esta pistola, por pouco não me matou.
E estava a explicar-lhe que uma pistola é uma maneira estúpida de ter razão,
ainda que seja necessária às vezes.
Vou para a cama. Boa noite.
- Boa noite, disse eu. - Boa noite, Christian.
Está bem.
Posso ter-me equivocado. Peço-lhe que me entenda.
Entendo.
Não devia ter dito o que disse, mas fiquei deveras chocada.
Perdoe-me.
- O meu marido morreu num tiroteio idiota. - Mas tem razão. Sou um assassino.
Não é, tenho a certeza.
Ouvi-o falar durante as alucinações.
Estava angustiado. Não gosta de matar.
Como disse, alucinava. Mas agora que estou consciente, tenho de ir até ao fim.
Que lhe interessa aquilo que faço?
Desde que o Christian o trouxe para cá, tudo o que faz me interessa.
Alguma mudou na minha vida. Ou, pelo menos, era o que eu esperava.
- Continuarei a matar. - Mas porquê?
As pessoas que procuro mataram o meu pai, a minha mãe,
a minha irmãzinha, uma criança como o Christian.
- A vingança não os ressuscitará. - Mas a mim sim!
Durante anos tentei esquecer, longe daqui, mas não encontrei paz.
Parecia que os espíritos deles me culpavam.
Amanhã, partirei.
Se ficar, causarei problemas.
Não se preocupe connosco. Fique.
- Talvez aqui possa esquecer. - Não.
Olha que o Benson se vai vingar de nós.
Mas a Bennett não irá contar a ninguém.
Mãe!
Mãe!
Foi-se embora! E nem sequer se despediu de mim!
Porquê? Eu gostava dele!
- Éramos amigos. - Pronto, não chores.
Sempre fomos felizes sozinhos, sem mais ninguém. Não é verdade?
Tu não te importas porque não o suportavas.
Mas eu era amigo dele. Sir, vai procurar o Shane!
Por favor!
- Larga-me! Mãe! - Christian! Pare! Deixe-o em paz!
- Larga-me! Mãe! - Vou apanhá-la.
Mãe, ajuda-me! Larga-me!
- Larga-me! - Quieta! Senão perco a paciência.
- Mas o que quer de mim? - És crescida que chegue para imaginar.
Não gosto daquelas que dizem logo que sim.
Christian!
Larga-me! Larguem-me!
- Quieto! - Larga-me!
- Quieto, senão ficas mal! - Deixem a minha mãe em paz!
Raios partam! Vais ver.
Shane!
Christian, para!
À minha frente!
De pé.
De pé!
Pistolas no chão.
Pistolas no chão!
Montem os cavalos. Não vos quero voltar a ver.
Nem aqui, nem na cidade. Desapareçam!
Sir! Coitadinho! O que te fez ele?
Nada de grave. Um pontapé na pata. Já tratamos dela.
- E a tua mãe fará o mesmo comigo. - Devemos-lhe muito.
Dever-me-á mais quando partir. Pode apertar-me a ligadura?
- Claro, venha. - Obrigado.
Desvia-te. Serve-me um copo.
- Onde estão os teus amigos? - Não sei. Partiram hoje de manhã.
- Aonde iam? - Não sei, sei zero.
- Porque haveriam de me dizer? - Ou dizes, ou mato-te!
Benson, eu não fiz nada e o senhor sabe!
Queres que te parta a cabeça? Desembucha!
Foram ao vale da Bennett.
Mas nada fiz, Benson. O senhor conhece o Peterson. Eu avisei-o!
Agora os teus amigos terão de ajustar contas comigo, entendido?
És tu, Carl?
Não, o teu amigo está à tua espera aqui perto.
No inferno.
Benson, não fiz nada. Não queria ir. Foi o Carl.
Perante a morte, todos os cobardes são iguais.
Foste tu. O Carl contou-me antes de morrer.
- Espera, deixa-me explicar. - Está bem, eu deixo.
Mas primeiro quero saber quem te fez isso.
Não deve ter sido a Bennett.
É uma gata que arranha apenas.
Um estrangeiro que estava lá, escondido no quarto da Bennett.
Porco mentiroso do caralho!
Querias mandar-me para o inferno, mas quem vai és tu, e não tarda!
Entre.
O que vieste fazer?
- Vi o seu irmão, patrão. - O que queria ele?
Ele julgou que o patrão estava no pascigo, então foi lá ter.
- Continua. - Sabe tudo o que ocorreu.
Diz que é um sinal do destino.
E implora-lhe que não aja.
O meu irmão é um imbecil, sem miolos.
Ele que deixe os sermões para outra pessoa. Nada mais.
- Benson. - Sim?
Ontem andaste ao soco por causa da Bennett.
Escuta.
Mais tarde, ou mais cedo, precisaremos da terra dela.
Não quero quaisquer sentimentalismos.
Esquece-a e lembra-te de que as pessoas daqui nos odeiam.
Portanto não as chateies, entendido?
Certo, patrão.
Como vai a perna?
Melhor, obrigado.
Fico muito contente.
Porque não fica? Esta noite, pelo menos.
Disseram que vieram cá para despeitar o Benson.
- Quem é o Benson? - Trabalha para o Ralph Magdalena.
A alma negra dele, se é que o Magdalena tem alma.
O Benson é...
Anda a fazer-me a corte.
- Eu sei, aquele homem disse-me. - Mas eu sempre lhe disse que não.
Fez bem. Se ele trabalha para o Magdalena...
...em breve não terá patrão.
Anda atrás do Magdalena?
Nunca conseguirá. É o homem mais poderoso da região.
Faz o que lhe apraz. Ele é a lei, aqui.
Se ele é a lei, também eu trouxe a minha lei.
Não vá, Shane. Não vá. Faça isso por mim, por favor!
Não tente impedir-me, senão odiá-la-ei. E não pense mais em mim.
Teria imensos problemas. Eu não passo de um assassino.
- Amigo! - Mais um uísque.
Certo.
Quem és tu? Fiz-te uma pergunta!
Já vi que não és o xerife. Não te interessa quem sou.
Sir, talvez ele consiga! Talvez consiga!
Uísque.
Um conselho, amigo. Pisgue-se.
O outro foi chamar reforços.
- Pedi um uísque! - Sim, é para já.
Anda, Sir.
Sir!
É para aprenderes a não atirar pelas costas,
como costuma fazer o teu patrão.
Christian!
Sei que estás aí, aparece!
- Estou aqui. - Não devias ter vindo.
- Agora vão saber que estava contigo. - Queria ver o que ias fazer.
Deste cabo dele.
- Vieste a cavalo? - Sim.
Volta para casa. Diz à tua mãe para se afastarem durante uns dias.
Depressa!
Não, espera. Vou contigo, é melhor.
Benson, o Miguel contou-me tudo sobre o estrangeiro.
Aonde foi?
Idiota! Podia ser o Shane.
Matar-te-ei, nem que me desgrace.
Shane, aparece!
Benson.
Miguel.
Tom, James.
- O que fazemos? - Vai lá ver.
Miguel, vê lá em cima.
Não está ninguém, patrão!
TABERNA SHORE
Aonde vais? Põe-te ali!
Benson, pergunta ao nosso amigo se viu o estrangeiro.
Ouviste o que o patrão disse?
Queres que te avive a memória?
Benson, os mortos não falam.
Mas servem para fazer os outros falar.
- Deixa-o para último. - Vá, mexe-te!
- Depressa! - Toca a andar!
Vá, para ali. Assim.
- Quieto! - Alto!
Procuro o estrangeiro que anda por aí escondido.
Procuro-o e a viúva do Bennett,
que lhe deu casa durante estes dias.
Quem tem informações?
Não é um favor que lhes peço, mas uma ordem que lhes dou!
Se alguém souber onde estão escondidos, que se acuse, ou será a sua morte.
O teu pascigo é para aqueles lados. Viste-os?
Não.
Pensa bem, amigo.
Se não me disseres, nunca mais falarás.
Não sei, já disse! Nunca os vi.
Para a próxima, olharás melhor.
Preferes falar, ou acabar como o teu amigo?
Não, Benson. Quero dar-lhe uma oportunidade.
Então,
queres falar, ou tentar a tua sorte?
A sorte está do teu lado.
Queres tentar outra vez? Ou vais falar?
És deveras sortudo.
Veremos se também és sortudo comigo.
- Continuamos a fazer perguntas, patrão? - Continua.
- Eu posso dizer... - Queres falar primeiro do que ele?
Não. Nem ele nem eu falaremos.
Cabrão!
Já podes falar.
Hoje, à vinda para a aldeia,
vi uma pessoa perto da Velha Igreja Católica.
Bravo. Não parece, mas tens uma vista ótima.
- Uma lembrança. - Sim.
Vou dar uma vista de olhos.
Deixe-o dormir.
- Escute. - Diga, Shane.
É melhor sairmos daqui. Estão a vir para cá.
Tentarei distraí-los.
Fiquem aqui até o sol estar bem alto.
Terão mais hipóteses de conseguir. Depois, vão até ao rio.
Quando lá chegarem, esperem por mim apenas uns minutos. Depois, partam.
Se não vier, tê-lo-ão matado?
- Garanto-lhe que não fará diferença. - Para nós, fará.
O Christian quer-lhe bem, tal como eu.
Chegou a dizer-me que eu sou um assassino.
- Não quer esquecê-lo? - É o que deveras sou.
Para quê ficar? Para a arruinar? Para arruinar o Christian?
Não.
Adeus, Georgiana.
Adeus, Shane.
Pedi ao patrão para vir dar uma vista de olhos. Tinha razão.
Aonde foi o homem que estava consigo? Fale!
- Foge, Sir! - Para seu bem e do menino.
Ele deu à sola e deixou-a em problemas.
- Mãe! - Venha daí! E não faça nenhuma estupidez!
Sobretudo tu! Senão o teu filho estará condenado.
- Mãe! - Anda daí.
- Larga-me! - Toca a andar.
Larga-me!
Para a mina abandonada.
Mãos no ar. Eu disse "mãos no ar"!
Então?
- Está morto, patrão! Foi esfaqueado! - Vai ver lá dentro!
Não é desperdiçando tiros que o apanharemos.
Temos de o expulsar como uma ratazana imunda.
Peguem em lenha,
ponham-na à entrada da mina e peguem-lhe fogo.
Depois disparem uns tiros de vez em quando.
Assim ficará calmo.
DINAMITE
Estou aqui, patrão!
Cuidado, Benson! Põe-te atrás do carro de mão!
- Está bem! - Quero-o vivo!
Eu trato dele! Vou mandar-lhe o menino!
Deixa-me em paz! Larga-me!
- Mãe! - Quieto!
Quieto!
Larga a pistola e sai daí. Mãos no ar.
Mãe!
- O meu Christian! - Eu já lho trago.
Christian! O meu menino!
Ficas aqui quieto.
Ralph, o que fazes aqui?
O que se passa?
Escuta, Dominique. Aquele homem, Shane, ou o filho dele, anda a seguir-me.
É como um morto ressuscitado.
Talvez sejam os remorsos a agigantarem-se
para nos punirem pelo que fizemos.
Não tenho remorsos, apenas quero matá-lo.
Como matei os familiares dele. E tu tens de me ajudar!
Outrora segui-te
e tornei-me um assassino.
Era jovem e acreditava em ti.
E agora...
... sabes com quem falas?
Com um cobarde que se esconde por baixo de uma sotaina.
Mereço que digas isso.
Mas não me peças para voltar a matar.
Escuta, se aquele homem vier, eu falarei com ele.
Vai-te embora.
E deixa-me ser eu a pagar pelos dois.
Está bem, eu vou, mas arrepender-te-ás por não me teres dado ouvidos.
Ralph, quem é aquele menino?
O meu seguro de vida.
Enquanto o tiver, o Shane não ousará tocar em mim.
- Deixa-o aqui. - Para com isso, senão...
O menino.
Senão esquecerei que és meu irmão.
Se não conseguires convencer o Shane a partir,
matá-lo-ei, o menino e tu.
Pensa nisso.
Adeus.
Anda, filho.
- É o teu irmão, Padre? - É, menino.
- Quero voltar para a minha mãe. - Eu levo-te.
Magdalena, aparece!
- Quem é? - Dominique Magdalena.
Um dos assassinos que procura.
- Mas o senhor é... - Um homem de Deus.
Na esperança de que um dia Ele me perdoe.
- Não pode ser, Padre. Eu... - Shane!
Christian!
Shane, o Magdalena fugiu. Não o mates.
Por favor.
- Ganhou, Padre. - Eu, não. Deus.
Se o teu coração perdeu toda a dureza.
Porque não entras, Shane?
Não temos muito para te oferecer. Estamos sós nesta desolação.
Mas acolhemos quem por cá passa.
Cuidado!
Tire o miúdo daqui!
Pega na pistola e tenta matar-me! Temos contas para ajustar, Magdalena!
Só tenho uma bala na pistola e esta bala é para ti.
- Está morto. - Deus, tem piedade dele.
- O Padre está ferido. - A bala do Ralph.
- Levo-o até à vila para que o curem. - Não, não adiantará.
E quero morrer aqui.
Perto do Ralph.
No fim de contas, é meu irmão.
Porque fez aquilo?
Tu também és meu irmão.
Volta para junto da tua mãe. Enlouquecerá se demorares mais.
- E tu? - A minha história acaba aqui.
E é uma história de morte.
Um dia talvez entendas.
Não pode haver uma continuação.
- Não, é-te demasiado valiosa. - Toma.
É uma lembrança minha.
Adeus, Christian.
Adeus, Shane.
Christian, o jantar está pronto.
Anda.
Peru assado com batatas. Gostas?
Pronto.
Vá, Christian, come.
- Não tenho fome. - Não fiques assim.
Eu adoro-te.
Vá, come.
Desculpa, mãe.
Está tão bom!
- Mãe! - Christian, meu pequenino!
Olha, sabes que mais? Vendemos tudo e vamos embora daqui.
Eu e tu, como dantes. Ficas feliz?
Shane...
Shane!
FIM
Legendas: Ricardo Jorge de Brito
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