Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
-Bom dia, Dona Rosa! -Bom dia, sr. Mimoun.
-Bom dia, Dona Rosa! -Bom dia.
-Bom dia, Dona Rosa! -Bom dia.
Ele est� em sua �ltima etapa, como eu.
Como vai a sa�de, Dona Rosa?
Minha sa�de... N�o desejaria a um cachorro!
Minhas pernas n�o aguentam mais.
-Deixe-me levar isso. -Obrigada.
At� logo, Dona Rosa.
Sim, at� logo, Dona Lola.
Essas escadas v�o acabar me matando.
Quero saber onde est�...
vou escrever
Est� bem... Dona Rosa. Est� bem.
At� logo.
At� logo. As ordens de pagamento...
Sim...
A fam�lia n�o quer dizer nada.
Conhe�o fam�lias
que saem de f�rias e abandonam seus c�es.
Eles o amarram numa �rvore.
Sabe quantos cachorros morreram de m�goa
porque foram deixados sozinhos?
Mas eu n�o sou um c�o.
Voc� � mais precioso para mim do que qualquer coisa no mundo.
Por que recebe ordens de pagamento para ficar comigo?
"O homem fica um momento sem falar,
depois, ele diz bruscamente:
-Voc� n�o tem m�e? -N�o sei, respondeu a crian�a.
Antes que o homem pudesse falar qualquer coisa, a crian�a disse:
N�o, acho que n�o.
Os outros t�m. Eu, eu n�o tenho.
Depois de um momento de sil�ncio, a crian�a continuou:
Creio que nunca tive uma.
O rosto magro e fr�gil de Cosette
iluminou-se um pouco pelo brilho do c�u.
-Qual o seu nome? o homem disse. -Cosette!"
Quero minha m�e. Voc� n�o � minha m�e.
Quero minha m�e. Voc� n�o � minha m�e.
Agora chega, Momo. Sabe como isso vai acabar, n�o?
Quero minha m�e. Voc� n�o � minha m�e.
Calem-se todos.
Calem-se.
Vou entregar voc�s para a Previd�ncia P�blica.
"Quero minha m�e, quero minha m�e." E eu? Tenho m�e, por acaso?
Voc� � pretensioso,
pretensioso como todos os �rabes. Voc� lhes d� a m�o e eles querem o bra�o.
Voc� � encrenqueiro. E encrenqueiros
s�o colocados em pris�o.
Sua m�e sabe tudo o que faz.
Ent�o, se quiser v�-la novamente,
precisa ser decente e honesto
entendeu?
Agora escute, Momo,
voc� � o mais velho e precisa dar o exemplo.
E nada mais de provoca��es com sua mam�e.
Al�m do mais, vou lhes dizer algo sobre suas mam�es,
voc�s s�o felizes por n�o conhec�-las, pois
nessa idade, voc�s ainda s�o muito sens�veis
e suas mam�es s�o todas putas.
�s vezes, � inacredit�vel.
Uma puta, voc� sabe o que �, n�o?
S�o as pessoas que vendem a bunda.
Pensa que � bom falar assim?
E voc� tamb�m vendeu sua bunda quando era jovem e bonita.
Escute, Momo, voc� � um bom menino.
Mas, � bom que se acalme, pois eu preciso de sua ajuda.
Dona Rosa, eu sei que n�o posso ter uma m�e,
mas ser� que n�o poderia ter um cachorro, no lugar dela?
Um cachorro? Um cachorro neste lugar?
Voc� est� maluco. Al�m do mais, tem que aliment�-lo, n�o?
Quem enviaria ordens de pagamento para o c�o?
Olhe, ele quer sair sozinho.
Ah...meu pequeno!
Oh, ele � t�o agrad�vel. Tome, segure-o. A� est�.
Passe a m�o nele, mas n�o o assuste!
� dito que "Um instante de amor
� melhor do que 70 anos de adora��o sem amor."
E Sidi Abder Rahman, o chefe dos argelinos, disse
"Ame quem quiser, ter� que deix�-lo.
Viva como lhe aprouver, ter� que morrer."
Continue lendo.
Sr. Hamil, por que est� sempre sorrindo?
� porque agrade�o a Deus por minha mem�ria, Mohammed, meu filho.
H� 50 anos, quando era um jovem,
encontrei uma mulher, que me amou
e a quem amei tamb�m.
Durou 8 meses, ent�o ela se mudou para outro lugar.
Lembro-me sempre, depois de 50 anos.
Sr. Hamil, quando eu era um pouco menor, disse-me que
� imposs�vel viver sem amor. � verdade?
Eu disse isso?
Sim, sr. Hamil.
Sr. Hamil, por que n�o me responde?
Mohammed, meu filho, h� certas coisas que � melhor n�o ficar sabendo.
Sr. Hamil, podemos viver sem ter a quem amar?
Que c�ozinho lindo!
-� seu? -�.
Posso segur�-lo?
Qual o nome dele?
Super!
� para vender?
N�o sei.
Quanto quer por ele?
500 francos.
Doutor, queria que examinasse essa crian�a.
Disse-me que � ruim eu ter emo��o, por causa de meu cora��o
Ele vendeu o que lhe era mais caro
e jogou 500 francos no esgoto.
Mesmo em Auschwitz, n�o faziam coisas assim.
Acalme-se, Dona Rosa. N�o entendi. O que disse que ele vendeu?
� completamente perturbado. Completamente.
Quero que fa�a um exame de sangue,
pois tenho medo que seja sifil�tico, pois � �rabe.
Olhe o que est� falando, Dona Rosa!
Que hist�ria � essa?
�rabes sifil�ticos. S�o boatos de velhas esposas.
Comece um boato assim e ver� como
vai se encontrar uma manh� em Auschwitz!
Agora, diga-me exatamente o que aconteceu.
Bem, ele pegou 500 francos e os jogou num esgoto.
Ele amava aquele c�o mais do que tudo no mundo.
O cachorro dormia em seus bra�os.
E o que faz? Ele o vende
e joga o dinheiro fora.
� verdade, Momo?
Essa crian�a n�o � como as outras.
Tenho medo de que enlouque�a de repente, o senhor sabe do que eu falo, doutor.
Posso lhe garantir que n�o h� raz�o para sua preocupa��o.
Oh, o que � isso, Momo! N�o precisa chorar!
Mas v� em frente, se lhe faz bem, hein?
Ele sempre chora?
Nunca! Ele n�o chora jamais.
Deus sabe o que sofro. Tome, Momo...
Ele j� est� melhor. Est� chorando.
Est� tudo bem. Fez bem em traz�-lo, Dona Rosa.
Muito bem, vou lhe dar alguns tranquilizantes, hein?
Tome 2 por dia.
� s� ansiedade, o que tem.
Doutor, quando cuida de crian�as, tem que se preocupar
caso contr�rio, crescer�o e se tornar�o vagabundos.
Adeus, doutor, muito obrigada.
Adeus, Dona Rosa.
Como lhe disse, � imposs�vel.
Esta crian�a � muito velha para essa classe.
Estou lhe dizendo que tem 11 anos.
N�o me venha com essa!
Ele sempre foi precoce, n�o � Momo?
Aqui a prova. Verifique a data.
-Ele ter� 11 anos dentro de 1 m�s. -Sim, sim, claro
Claro, mas durante seu �ltimo exame m�dico...
Pode esperar no corredor, Mohammed?
Fa�a o que disse a senhora diretora!
Escola, sabe, n�o � tudo na vida.
N�o � a escola que far� de voc� uma pessoa boa!
Considerando que com o sr. Hamil voc� aprender� o �rabe,
e ele far� de voc� um um bom mu�ulmano.
E como sabe que eu sou �rabe e n�o um judeu, como voc�, Dona Rosa?
Oh, como sei? Como sei? Eu sei!
Acha que o estou criando como mu�ulmano apenas para me divertir?
De qualquer sorte, quando estiver na merda,
n�o vai importar se for judeu ou �rabe.
E se os judeus e os �rabes est�o brigando entre si,
� porque eles n�o s�o diferentes uns dos outros.
E como � que n�o tendo pai nem m�e,
voc� tem documentos provando que eu nasci?
Oh, nossa, hoje voc� est� cheio de perguntas, Momo.
Os documentos... os documentos n�o querem dizer nada.
Se a pol�cia francesa fizer uma busca em minha casa, eu tenho documentos
provando que por gera��es nunca fui judia.
Nem mesmo os israelitas, podem provar algo contra mim.
De qualquer jeito, n�o tem nada a temer, Dona Rosa.
Os alem�es se acabaram. N�o podem mais amea��-la.
Assim o dizem, Momo, assim o dizem.
Deixe, Dona Rosa. � por minha conta.
Oh, � voc� Amedee.
Gostaria de poder honr�-la com uma visita, brevemente.
Voc� vai me escrever uma carta linda.
N�o se preocupe, Amadee. Claro que lhe escreverei uma carta linda.
� bom pensar em seus pais assim.
Aposto que est�o orgulhosos de voc� l�!
Todos est�o orgulhosos de mim, Dona Rosa.
Em Pigalle, os corsos me chamam de Sr. Amedee.
Sou respeitado. E sou o rei, Dona Rosa.
-Rei dos Meshugas! -Meshugas? [louco]
O que disse, Dona Rosa?
� rei em i�diche.
� o que �. O rei dos reis.
O rei dos reis?
Eu sou o rei dos reis!
Eu a trarei de volta amanh�, ao meio dia, Dona Rosa.
Sim. Tenha cuidado para aliment�-la com mais do que bombons
bolos e chiclete.
N�o se preocupe, Dona Rosa. Prometo ser cuidadosa.
Ent�o, viu que sua mam�e n�o a esqueceu, hein?
Vamos nos divertir. Vamos ao circo, ao cinema,
depois dormiremos juntas. Hein?
Como � linda minha filha! Como ela � linda!
Momo, v� ver o que houve.
At� logo, Dona Rosa.
Tchau, minha linda.
-Bom dia, Dona Rosa. -Bom dia, Salima.
Nossa! Quem a deixou assim?
Dona Rosa, tenho medo!
Medo do qu�?
Meu homem, Dona Rosa. Quer me mandar para Dakar.
O que ele est� pensando?
N�o sei, Dona Rosa. Mas n�o quero ir.
Ele me disse que nunca mais verei meu filho.
Que hist�ria � essa?
Ele vai me denunciar, Dona Rosa.
Disse que vai tirar meus direitos e colocar� meu filho no orfanato.
E que nunca mais o verei, nunca mais...
Sempre disse que um proxeneta � um verdadeiro idiota.
Ou�a. Acalme-se, Salima, porque
vou dar um jeito nisso.
Sabe quem vem hoje � tarde?
Amedee vem aqui.
Dir� 1 ou 2 palavras para seu cafet�o
e ele n�o vai mais causar problemas. Palavra.
Querido e venerado pai...
Querido e venerado pai...
Querido...
e venerado pai! J� escrevi isso.
-E ent�o? -Estou procurando...
Peguei minha caneta e o sa�do.
Permita-me ouvir as novidades a seu respeito.
Como vai?
-Est� bem. -Est� bem? Tanto melhor!
Aproveito que estou na Europa e tenho estudado
numa escola noturna
para me tornar um empreiteiro de obras p�blicas
empreiteiro de obras p�blicas...
Quando voltar para casa, construirei
pontes, estradas e represas
para trazer �gua imediatamente e me tornar um benfeitor em meu pa�s.
Realmente quer lhe dizer tudo isto?
Dona Rosa, meu pai � velho e respeitado.
Eu n�o posso envergonh�-lo.
N�o posso, mesmo, lhe dizer
que sou o melhor comerciante de trottoir de Pigalle.
Isso n�o se faz.
Certamente, n�o...
Queridos pais, logo regressarei � Nig�ria
-Por que nunca me diz bom dia, Momo? -e levarei a vida decente e respeit�vel.
Voc� me lembra meu filho. Ele est� no mar
em Nice, com sua mam�e e voltar�o amanh�.
Amanh� � seu anivers�rio e ele vai ganhar uma bicicleta.
Voc� pode ir brincar com ele quando quiser.
Pare, Momo!
Momo! Momo!
Ele vai nos colocar em problema, estou certa disso.
Vai pegar uma faca na cozinha e talvez me matar...
Voc� est� falando tolices, Dona Rosa.
N�o h� com que se preocupar. Momo � apenas uma crian�a sens�vel.
E isso n�o � doen�a. Acredite na palavra de um velho m�dico.
As coisas mais dif�ceis de se curar n�o s�o as doen�as.
Sabe bem do que tenho medo, n�o?
Mas cale a boca, Dona Rosa. Est� sendo completamente rid�cula.
N�o conhece nada sobre o assunto
e Deus sabe em que est� pensando.
A Dona Rosa o pegou quando era muito pequeno e
n�o tem certid�o de nascimento.
Ela viu chegar e partir muitas crian�as, desde ent�o.
Registrou-o como Mohammed, nome de um mu�ulmano e foi a �ltima vez
que quem o gerou foi visto ou ouvido.
Voc� � um bom menino.
Parece que seu pai
morreu durante a guerra da Arg�lia, o que � uma grande e bela coisa.
� um her�i da independ�ncia da Arg�lia.
Prefiro ter um pai vivo, Sr. Hamil.
Poderia ter sido um bom cafet�o e tomar conta de minha m�e.
N�o deveria dizer certas coisas, Mohammed
E por que me expulsaram da escola, hein?
Dona Rosa disse que � por eu ser muito grande para minha idade
porque eu n�o tinha a idade que aparentava ter.
Ent�o levou-me ao dr. Katz, que disse que devo ser muito diferente
� uma crian�a muito sens�vel, Mohammed.
� isso que o faz um pouco diferente dos outros.
Sensibilidade n�o � uma coisa com a qual todos sa�ram.
Meu pai foi um grande bandido, sr. Hamil?
Algu�m de quem todos tinham medo at� de falar?
N�o, certamente n�o, Mohammed. Nunca ouvi falar nada assim.
E o que ouviu, sr. Hamil?
-Nada. -Nada?
Nada.
Sr. Hamil, esqueceu seu Cor�o.
N�o, n�o me esqueci. Est� em minha m�o.
Mas n�o � o Cor�o, sr. Hamil. � um livro do sr. Victor Hugo.
Acha mesmo, Victor?
Mohammed, sr. Hamil. Meu nome � Mohammed.
Mohammed? Claro, foi o que disse.
D�-me a chave, Momo.
Nunca dever� falar a ningu�m sobre este lugar, ouviu? Nunca!
Dona Rosa, que lugar � este?
Por que vem aqui no meio da noite?
Este �... este �... este � o meu lugar.
� meu ref�gio judaico, entendeu?
N�o, mas n�o tem import�ncia.
Bem, � aqui que me escondo quando tenho medo.
Medo de qu�, Dona Rosa?
N�o � necess�rio ter raz�o para ter medo, hein?
Este � meu boneco, Arthur! Venham v�-lo
hoje ele vai dan�ar para voc�s.
Posso ter a honra desta dan�a?
Sim...
N�o vejo o que � t�o engra�ado, senhores.
Isso � triste, n�o?
� ultrajante!
� uma desgra�a, tratar uma crian�a dessa maneira
Alguma coisa precisa ser feita! Eles est�o loucos!
Alguma coisa precisa ser feita!
Aten��o, a pol�cia vem a�. A� vem a pol�cia.
Sinto muito, Dona Rosa. � tudo. Nenhuma ordem de pagamento.
N�o tem import�ncia, sr. Mimoun, talvez amanh�.
Espero que sim!
Por que voc� est� sempre sorrindo, hein?
Faz 2 anos que ele est� sem parasitas
e essa � sua rea��o.
Bem, crian�as, isso n�o vai ser muito bom.
Estou ficando velha... e as meninas j� sabem.
Elas sabem muito bem que n�o posso mais cuidar de ningu�m.
Preferem pagar um pouco mais e mandar seus filhos
para Dona Sophie ou para a Dona Aisha, na rua da Arg�lia.
Mas encontrei uma solu��o para voc�s dois.
Moishe, h� uma fam�lia
que quer tentar ficar com voc�.
Eles t�m uma mercearia Kosher, na rua Bisson.
Vai fazer suas refei��es l�
e voltar� para dormir aqui.
E n�o sei, mas se gostarem muito de voc� e, claro, se concordar,
pode ser que fiquem com voc�
para sempre, hein?
Michel, encontrei um casal,
que tem um restaurante vietnamita, na Rua Prince
e querem ficar com voc�.
Voc� se sentir� em casa l�, hein,
mas pode voltar e visitar Dona Rosa de tempos em tempos.
Voc� me promete, hein Michel?
Sim, Dona Rosa.
Momo!
Sim, Dona Rosa?
Leve Banania para um passeio.
Leve-o para o sr. Walloumba. Ele precisa ficar com os negros,
ou, mais tarde, n�o ser� capaz de viver entre eles.
Est� bem, Dona Rosa. Imediatamente.
Dona Rosa?
O que quer, Momo?
Sei que n�o est� mais recebendo ordens de pagamento por mim.
O que est� falando?
N�o se preocupe, Dona Rosa. Pode contar comigo.
N�o irei abandon�-la s� por n�o receber mais dinheiro.
Um garoto ador�vel.
O Boulevard Saint-Michel � o que h� de melhor.
Certo? h� muitos carros de pol�cia
mas n�o o amea�am muito, pois h� muitos estudantes l�.
Sempre foi um engolidor de fogo, sr. Walloumba?
N�o, Momo, eu vim � Fran�a para ser gari
mas ganho minha vida engolindo fogo.
� dif�cil de aprender?
Precisa saber brincar com o fogo, Momo.
L� em Senegal, onde eu tinha um nome como curador,
o fogo era a primeira coisa que precisava saber
para ca�ar os esp�ritos maus.
E a Dona Rosa, como est�?
Seus exames card�acos n�o est�o bons, sr. Walloumba.
Est� cada vez mais dif�cil para respirar.
Eu fa�o as compras, pois as escadas pioram seu estado.
Aonde vai nas f�rias este ano?
Acho que... ainda n�o sei. N�o sei se irei ou n�o.
O que aconteceu, meu pequeno? N�o chore. O que houve?
Voc� est� perdido? O que devemos fazer?
N�o sei... vamos lev�-lo � delegacia.
Quer que o levemos � delegacia?
N�o!
Ent�o, aonde quer ir?
Onde mora?
Onde � sua casa?
Quem � aquele, hein?
Aqui quando estava em Sidi-Bel-Abbes. Bem, agora � tudo passado.
E aqui?
Tinha 18 anos.
E essa?
Quando eu me virava em Vavin.
N�o, em Pigalle. Vavin foi mais tarde.
E esta?
Essa foi tirada logo ap�s a guerra.
J� havia mudado bastante, hein?
E este homem? Quem � ele?
Esse � Felix. Esse � Felix Blumentag.
A quem eu dei meu amor
e que fugiu com todas as minhas economias.
Depois me denunciou � pol�cia francesa, como judia.
Mas isso n�o foi bom para ele, porque logo depois foi enviado
para a Alemanha, de onde nunca mais voltou.
Oh, e se for c�ncer, Momo, c�ncer n�o tem cura.
Momo, v� me buscar a carteira que est� no meu casaco.
Bem, isto n�o vai nos alimentar por muito tempo, hein?
Bem, preciso sair e visitar as meninas, porque
com mais 2 ou 3 crian�as aqui, conseguiremos.
O pior � que aquelas que eu conhecia desapareceram
e n�o conhe�o as outras.
E perdi minha reputa��o.
O que vai nos acontecer, Momo?
N�o se preocupe, Dona Rosa, vamos nos virar.
Sr. Amedee prometeu nos ajudar
e depois, francamente, emagrecer lhe faria bem.
Dr. Katz disse que tem que perder peso, comer menos...
O que est� falando? V� embora que preciso me vestir.
� voc� quem cheira t�o gostoso?
Sim, senhora.
Voc� � muito bonito. Nunca o vi por aqui, antes.
Sua mam�e trabalha por aqui?
N�o, estou por minha conta.
Quantos anos tem, meu querido?
11.
Melhor ficar longe das ruas. N�o � lugar para crian�as.
Vamos, venha comigo.
Como voc� se chama?
Momo .
E onde est�o seus pais, Momo?
N�o tenho ningu�m. Sou uma pessoa livre.
Mas deve haver algu�m que cuida de voc�.
Talvez eu pudesse falar com eles.
Gostaria de cuidar de voc�.
Eu o colocaria num studio, como um pequeno rei.
Teria tudo o que quisesse.
Vamos ver.
Espere.
Leve isto para seus bombons, queridinho.
D�-me, Momo!
Mas, Dona Rosa...
N�o tem mas, d�-me os 100 francos!
Que 100 francos?
N�o minta, Momo!
Encontrei-me com Dona Fernand, que viu e ouviu tudo!
Vamos, d�-me.
Ent�o foi verdade!
N�o foi para isto que eu o criei, Momo.
N�o foi para isto, que suei sangue.
Pronto!
Queria estar morta.
Dona Rosa!
Momo, quero que me jure que isso nunca mais vai acontecer.
Juro, Dona Rosa.
Jure que nunca vai ser um proxeneta como esses a�.
Nunca serei um proxeneta, juro.
Melhor que n�o, ou vai matar sua pobre m�e do cora��o.
Falando em minha pobre m�e, onde ela est�?
Por que nunca quer falar nela?
N�o grite, Momo. Por favor, n�o grite. Vou morrer logo
venha e sente-se.
O que quer ouvir?
Que voc� tem m�e e pai, como todo mundo.
Pronto, j� sabe.
Seus pais vieram uma noite e o deixaram aqui
ent�o sua m�e come�ou a chorar e fugiu.
Segurei-o em meus bra�os, Mohammed, mu�ulmano
e lhe prometi que seria tratado como um pequeno pr�ncipe aqui.
E por que nunca mais voltaram?
E por que pararam de lhe mandar dinheiro?
Se sabe, Dona Rosa, � preciso que diga.
Por que minha m�e nunca veio me ver?
Ou�a, Momo, vou lhe dizer uma coisa:
Para mim, sua m�e pode ter preconceitos burgueses.
Vem de uma fam�lia muito boa
e n�o queria que voc� descobrisse
o tipo de trabalho que tinha que fazer para viver, entendeu?
Mas tudo est� caminhando bem, Momo. N�o lhe disse
que vamos pegar 2 crian�as?
Os g�meos do Sr. Moussa, o gari.
Tudo se ajeitar�, voc� vai ver.
E as costas?
Ela est�...
Ela desmaiou. Na escada.
Melhor procurar Dr. Katz.
N�o � c�ncer, � doutor?
N�o. N�o �. N�o � c�ncer.
Quem � o mais velho aqui?
Sou eu, doutor.
Bom. Vou lhe prescrever algo
e voc� vai � farm�cia.
Escute, filho, Dona Rosa est� muito doente.
Mas disse que ela n�o tem c�ncer, n�o foi?
N�o, ela n�o tem c�ncer, ainda assim � muito s�rio.
Deveria estar num hospital. L�, ao menos,
receberia tratamento adequado.
Mas qual o problema com ela?
S�o tantas coisas que n�o vou listar todas.
A mais s�ria � a hipertens�o.
Ela pode ter um AVC a qualquer momento.
E tamb�m pode ficar senil...
Senil?
Sim. Caduca, se preferir.
� quando o sangue e o oxig�nio
n�o podem atingir o c�rebro como deveriam.
N�o poder� mais pensar. Vai viver como um vegetal.
Mas n�o � c�ncer, �?
N�o, n�o � mesmo. Pode ficar tranquilo quanto a isto. �...
Momo, n�o deve chorar, meu menino.
Voc� sabe, � natural que os velhos morram.
Tem toda sua vida pela frente.
"Com os melhores votos de Sr. N'da Amadee."
Ent�o, o que o Dr. Katz disse ontem?
Estou morrendo?
N�o particularmente, Dona Rosa. Ele n�o disse isso.
Ent�o, qual � o meu problema?
Ele n�o contou. Disse que um pouco de tudo.
E as pernas? Que tenho nas pernas?
N�o disse nada sobre as pernas.
E quanto ao cora��o?
Nada em particular.
E os vegetais?
Quais vegetais?
Sim, ouvi-o dizendo sobre vegetais.
Oh, tem que comer muito legume para ficar saud�vel.
Sempre nos fez comer legumes.
O que acontecer� com voc�, quando me for, Momo?
Ficarei bem.
Porque voc� � um garoto muito bonito... �...
� perigoso.
Tem que tomar cuidado.
Prometa-me que n�o vai fazer o trottoir.
Prometo-lhe.
Jure para mim.
Juro que n�o farei, Dona Rosa. N�o precisa se preocupar com isso.
N�o aceite nunca, mesmo que lhe ofere�am muito dinheiro.
Mesmo se estiver morta e a �nica coisa que lhe restar for a bunda.
N�o aceite nunca.
Por que est� chorando?
N�o estou chorando.
E o que � isto? N�o � uma l�grima?
N�o. N�o sei de onde vem isso.
Bem, creio que me enganei.
Mora por aqui?
N�o sou franc�s. Sou argelino.
Moramos em Belleville.
Qual o seu nome?
Mohammed. Mas todos me chamam Momo.
N�o precisa ter medo.
Voc� � o garoto mais lindo que jamais vi.
Voc� tamb�m n�o � feia.
Obrigada.
Bem, adeus, Mohammed.
Voc�... como me encontrou?
Que lugar � este? � um cinema?
N�o exatamente. � uma sala de edi��o.
� aqui que os filmes s�o editados.
Gosta disso?
N�o � ruim. Especialmente quando come�am a andar para tr�s.
O que tem a�?
� um velho guarda-chuva que consertei.
Parece engra�ado com o chap�u.
Parece um fetiche.
� seu amigo?
Por quem me toma? Por um idiota. N�o � meu amigo.
� um guarda-chuva.
E por que voc� lhe deu um rosto verde?
N�o � um rosto. � um pano.
Rostos nos s�o proibidos.
Por que disse isso?
Sou �rabe,
e o sr. Hamil me disse que
em nossa religi�o � proibido mostrar rostos.
Quantos anos tem?
11 anos. E parece que hoje � meu anivers�rio.
Escute, se puder ficar um pouco mais
podemos sair e beber alguma coisa, est� bem?
Parecia que voc� estava interessado.
Foi bem engra�ado.
Pode voltar quando quiser.
Estou ocupado. N�o posso lhe prometer.
Gosto muito quando faz as coisas retrocederem.
Moro com uma senhora que vai morrer logo.
Seus pais n�o moram em Paris?
Tome, peque isto. Tem meu nome e endere�o. Eu sou Nadine.
Tenho um amigo que cuida de crian�as.
Um psiquiatra?
Por que disse isso? Pediatras cuidam de crian�as.
Apenas quando s�o beb�s. Depois, s�o os psiquiatras.
Quem lhe disse isso?
Disse que tem 11 anos, n�o foi?
Sim. Acho que sim.
Voc� sabe muito para um garoto de sua idade
Ent�o, promete? Vir� nos visitar?
Tenho dois filhos mais novos que voc�.
Voc� os encontrar�
Oh, voc� j� tem algu�m...
O que disse?
Seus filhos s�o belos como voc�?
Escute, querido, tem meu nome e endere�o. N�o os perca.
Venha me visitar quando quiser.
Onde mora?
Adeus!
Mas...
Bom dia, Momo.
Bom dia, Dona Lola.
Como ela est�?
N�o muito bem...
Depois de tantos anos, parece muito vazio sem as crian�as.
Pelo menos, ainda est� aqui, Momo.
Bom dia...
Bom dia, senhor.
Ouvi dizer que Dona Rosa n�o est� muito bem, ent�o...
Quem � Momo?
Entre, senhor.
Senhora, permita-me me...
Obrigada, senhor.
Momo, desligue a m�sica.
Sente-se, senhor.
Meu nome � Louis Charmette.
Como est� escrito, a senhora mesma pode ver.
� uma carta de minha filha, que me escreve uma vez por m�s.
Muito prazer...
Sou ferrovi�rio aposentado.
Do quadro administrativo.
Ouvi dizer que est� sofrendo, depois de 20 anos morando no mesmo im�vel
e quis aproveitar a ocasi�o.
Muito gentil...
Momo!
Sim, Dona Rosa?
N�o fique a� parado, ofere�a qualquer coisa ao senhor.
Talvez um licorzinho?
N�o, obrigado, senhora. Estou proibido.
Ordens m�dicas.
� o a��car...
Temos que ter cuidado
em nossa idade.
A sa�de � tudo que nos resta.
� sa�de de Dona Rosa!
Que Deus a fa�a viver 100 anos!
N�o fale Nele para mim!
Ele pode ficar onde est�.
Por qu�? N�o acredita em Deus?
Vi os obreiros de Deus, em Auschwitz.
Deus tem olhos, mas n�o enxerga.
Tem ouvidos, mas n�o escuta.
Tem boca, mas permanece silente.
� muito tarde para ele me pedir desculpas
porque o que est� feito, est� feito.
N�o tenho mais medo.
Assim, em meu funeral,
n�o quero Deus, n�o quero rabino, n�o quero nada.
S� me coloquem sob uma �rvore.
Ficarei bem.
� bom estar no campo.
Estas pernas aqui subiram muito...
as escadas!
Porque eu me virava muito bem.
Tinha clientes regulares que
atravessavam Paris inteira, s� para me ver.
E, se por acaso, n�o estivesse livre
por todo ouro do mundo, n�o transavam com outra!
Por todo ouro do mundo, porque n�o era caro.
Mas uma coisa � certo,
tive clientes regulares at� que passasse dos 50.
Mas a� parei, pois achei que n�o era mais est�tico.
Ent�o, virei uma nutriz.
Nutriz para os filhos das prostitutas
porque os filhos da prostitutas s�o como todos os outros.
� engra�ado porque
minhas companheiras, que colocavam os filhos com bab�s
sempre fizeram isso no campo.
Deveria ter pensando nisto antes porque
as crian�as se divertem mais na grama
do que no 6� andar.
Depois eu, sempre tive que subir as escadas.
Ah, minha vida poderia ter sido bela, Dona Lola,
mas, como voc� pode viver
se est� preocupada em sobreviver?
Vou visitar sr. Hamil.
Como vai, sr. Hamil?
Ol�, Victor. Estou feliz em ouvir sua voz.
� Mohammed, n�o Victor.
Victor � seu outro amigo.
Claro, meu pequeno Mohammed,
coloquei minha f� no Eterno.
Como eu o chamei, meu pequeno Victor?
Chamou-me de Victor, sr. Hamil.
Como pude? Por favor, desculpe-me.
N�o foi nada. Nada mesmo.
Como passou desde ontem?
Desde ontem?
Ontem ou hoje.
Bem, hoje passarei o dia inteiro aqui, meu pequeno Victor...
Um dia, escreverei um livro de verdade, tamb�m.
Qual o melhor livro de Victor Hugo?
N�o fa�a muitas perguntas
-meu pequeno... -Mohammed...
N�o me fa�a muitas perguntas. Estou um pouco cansado, hoje.
H� algu�m que o acompanhar� at� sua casa, mais tarde?
"Insha�Allah."
Dever� haver algu�m, porque acredito em Deus, Victor.
Voc� vem, Loulou? Entre...
agora precisa se apressar porque
meu casaco...
O que faz, Dona Rosa?
Eu os espero. Disseram que viriam me buscar.
V�o tomar conta de tudo.
Vir�o com caminh�es, para nos levar a Velodrome.
Disseram que lev�ssemos s� o estritamente necess�rio.
Eles, quem?
A pol�cia francesa.
Disseram para pegar s� uma valise.
V�o nos levar at� a esta��o
e partiremos num trem
que nos levar� � Alemanha.
Ningu�m nos far� mal.
V�o cuidar de tudo. N�o tenho que me preocupar.
Momo?
Momo, o que houve?
O que estou fazendo com minha valise, como se estivesse prestes a sair?
Teve um sonho, Dona Rosa.
Nunca fez mal a ningu�m, sonhar um pouco.
Agora voc� j� � um rapaz. Momo.
E entende algumas coisas...
Voc� � um rapazinho e eu queria lhe dizer
Dona Rosa?
Talvez esteja morta...
Bem, tenho boas not�cias, meu pequeno Momo.
Voc�s podem ter certeza de que n�o � c�ncer
� apenas algum daqueles momentos dif�ceis
que acontecem quando nossa pobre cabe�a n�o consegue circula��o
e como o cora��o e os rins j� n�o s�o mais como costumavam ser
� melhor que ela passe algum tempo no hospital,
num belo quarto, onde tomar�o conta de tudo.
Bem, Momo, agora � o hospital!
Pegue minha carteira.
Moishe, v� nos comprar p�o
-e prepararei o jantar. -Sim, Dona Rosa.
Est� tudo arrumado.
Momo! Venha aqui um instante.
O que foi, Dona Rosa? Vai desmaiar novamente?
N�o, sinto-me bem hoje.
Mas se acontecer novamente, v�o querer me mandar ao hospital.
E n�o quero ir.
Tenho 65 anos
67...
De fato, tenho 66, n�o sou t�o velha quanto aparento, voc� sabe.
E n�o quero ir ao hospital, porque... eles v�o me torturar.
V�o me for�ar a ficar viva,
e n�o quero viver mais do que o necess�rio.
Al�m do mais, talvez n�o seja mais necess�rio.
Tudo tem seu limite, mesmo para os judeus.
V�o me torturar no hospital para evitar que eu morra.
Aconteceu com um amigo meu, ele n�o era judeu,
n�o tinha mais pernas, nem bra�os.
Fizeram-no com que sofresse por 10 anos. Sofreu um acidente, ali�s,
por 10 anos, fizeram com que sofresse num hospital
para que pudessem estudar sua circula��o.
N�o quero passar anos em coma
para a gl�ria da medicina!
Ent�o, se escutar qualquer coisa sobre hospital, voc�
apenas pegue um travesseiro, coloque em meu rosto
e acabe comigo.
Por 35 anos, dei meu corpo a fregueses,
e n�o tenho a m�nima inten��o de, agora, d�-lo aos m�dicos. Pronto!
Prometa-me.
Prometo, Dona Rosa.
Dona Rosa mora aqui?
Quem?
Dona Rosa.
N�o sou eu.
Sou um homem doente, acabo de sair do hospital.
Quero ver meu filho, antes de morrer.
Entreguei-o aos cuidados de Dona Rosa, h� 11 anos.
Tenho o recibo.
Espere. Vou ver.
H� um cara que quer o filho, que lhe entregou.
Voc� e Moishe s�o os �nicos que restam.
Ent�o, deve ser Moishe.
Est� tentando chantagear a m�e.
N�o tenho medo de cafet�es. De qualquer jeito,
n�o pode provar nada, pois todos os documentos falsos est�o em ordem.
Mande-o entrar.
E se ele endurecer o jogo, voc� chama o sr. Amedee.
Ent�o, o que quer?
H� 11 anos, confiei meu filho aos seus cuidados.
N�o mantive contato mais cedo,
pois estive num hospital psiqui�trico.
Recebi o recado por meu cunhado. Minha esposa morreu tragicamente
como deve saber.
Soltaram-me esta manh�.
Peguei o recibo e vim imediatamente.
Meu nome � Kadir Youssef
e eu queria ver meu filho, Mohammed.
Quero lhe dizer bom dia.
O que disse?
Senhora, sou um homem doente.
Quem n�o �? Quem n�o �?
Senhora, estive durante 11 anos
trancado num hospital psiqui�trico
ap�s a trag�dia dos jornais.
Era inteiramente irrespons�vel.
Como disse que era o nome de seu filho?
Mohammed...
E o nome da m�e, lembra-se?
Senhora, sei que sou irrespons�vel.
Fui reconhecido e certificado como tal.
N�o foi minha falta se fiz algo a ela.
Pense bem, ela fazia 15 clientes por dia.
Acabei ficando com ci�me,
e a matei. Sim, sei que matei.
Mas n�o sou respons�vel.
Eu a amava loucamente. N�o podia viver sem ela.
Ah, mas com certeza n�o podia viver sem ela, sr. Kadir,
porque Aisha lhe trazia centenas de francos todos os dias.
Matou-a porque ela n�o podia trazer mais.
Fora isso, sr. Kadir, como vai?
Como vou, Dona Rosa?
Estou morrendo. Meu cora��o.
-Mazeltov. -Obrigado.
Gostaria de ver meu filho.
Voc� me deve 3 anos de pens�o
e faz mais de 11 anos
que n�o tenho not�cias suas.
Not�cias minhas? O que quer dizer?
Dinheiro.
Como queria que eu o encontrasse?
Oh, melhor n�o falarmos nisso.
Senhora, quando lhe confiamos nosso filho
estava em pleno comando de minhas faculdades.
Eu tinha 3 mulheres trabalhando no mercado central,
uma das quais eu amava ternamente!
Tinha mesmo um status social: Youssef Kadir, bem conhecido da pol�cia.
Sim, senhora! Youssef Kadir, bem conhecido da pol�cia.
Estava estampado em todos os jornais.
Sr. Kadir, ningu�m tem o direito de abandonar seu filho,
durante 11 anos, como um saco de merda, sem pagar.
Estava impossibilitado materialmente.
Tenho um certificado m�dico para provar isso...
Pap�is que provam as coisas n�o me interessam.
Senhora, n�o posso devolver a vida a Aisha,
mas gostaria de abra�ar meu filho.
Pedir-lhe que me perdoe
e que reze a Deus por mim.
� ele?
Moishe?
Sim, Dona Rosa?
Diga bom dia ao seu pai!
Bom dia, papai.
Desculpe-me! Disse Moishe?
Sim, eu disse Moishe e da�?
Mas Moishe � um nome judeu!
Confiei-lhe um Mohammed, senhora, n�o um Moishe.
Tem certeza?
Certeza de qu�, senhora?
H� 11 anos, confiei-lhe meu filho mu�ulmano,
de 3 anos de idade, menino mu�ulmano, chamado Mohammed.
Eu lhe dei um filho �rabe, bom e em boa forma
e aquele filho �rabe � o que quero de volta.
N�o tenho nada contra os judeus, senhora, Deus os perdoe...
Tem certeza de que n�o � judeu?
Para ser perseguido, n�o precisa, necessariamente, ser judeu, senhora.
Judeus n�o s�o os �nicos com direito � persegui��o.
N�o quero ter um filho judeu, sob nenhum pretexto.
J� tenho muitos problemas assim.
Escute, acalme-se e n�o fique bravo, porque
pode ter havido algum engano. Deixe-me verificar...
Momo, traga-me os documentos...
Ah! Aqui est�o! Aqui est�o...
Dia 5 de novembro de 1966, a mais ou a menos,
-O que quer dizer? -S� para arredondar os dados.
Recebi 2 meninos,
um era um mu�ulmano e o outro um judeu
No mesmo dia... ent�o...
Mas tudo se explica!
Cometi um erro.
Eu me enganei de religi�o.
O qu�?
Sim. Criei Mohammed como Moishe
e Moishe como Mohammed.
Como os 2 chegaram no mesmo dia, fiz confus�o.
Isto quer dizer que o pequeno Moishe
est� agora vivendo com uma agrad�vel fam�lia mu�ulmana, em Marselha,
e o pequeno Mohammed, seu filho, que est� bem aqui,
foi criado como um judeu,
com um bar mitzvah e uma r�gida dieta Kosher, n�o precisa se preocupar.
Como �? Meu filho come sempre kosher?
Teve um bar mitzvah?
Meu Mohammed tornou-se um judeu?
Sim, cometi um erro. E agora?
Deve saber que uma crian�a de 3 anos
n�o tem uma identidade,
mesmo se for circunciso. Eu me enganei de circuncis�o.
Criei Mohammed como um bom pequeno judeu.
Tem que entender
que quando abandona um filho por 11 anos
sem v�-lo,
n�o deveria ficar surpreso se ele tiver se tornado um judeu...
Eu estava trancado numa cl�nica!
Bom, mas escute, ele era um �rabe,
mas agora � um pequeno judeu, � tudo.
Ainda � seu filho.
N�o � o mesmo! Ele foi batizado!
Sr. Kadir, por favor! Ele n�o foi batizado!
Deus nos proteja!
N�o. Moishe foi criado como um bom pequeno judeu.
N�o � verdade, Moishe? N�o o criei como um bom judeu?
Sim, Dona Rosa.
Quero meu filho de volta da mesma maneira como o entreguei.
Quero meu filho �rabe,
e n�o judeu.
Em minha casa n�o existe isso de ser �rabe ou judeu.
Ent�o, se quiser pegar seu filho,
vai ter que lev�-lo em seu presente estado.
Porque, primeiro vai e mata a m�e do menino,
em seguida, declara-se mentalmente incapacitado
e agora vem e faz o diabo
porque o menino foi criado como um judeu decente.
Ent�o, Moishe, v� abra�ar seu pai,
mesmo que isto o mate. Ele ainda � seu pai!
Ele n�o � meu filho.
O que aconteceu?
Est� inconsciente.
Meu Deus, Momo, fa�a alguma coisa!
Devemos chamar a pol�cia, para ajud�-lo.
Mas n�o podem encontr�-lo aqui.
Tudo isso o aborreceu, Momo?
N�o, Dona Rosa. Estou feliz por ter 14 anos.
Sim, � melhor desse jeito.
E voc� sabe, tendo um pai com problemas psiqui�tricos
era a �ltima coisa que precisava,
ainda mais se for heredit�rio.
Est� certo, Dona Rosa. Tive sorte.
E Aisha era muito popular.
Quem sabe quem era seu pai nesta hist�ria toda.
Mohammed?
O que houve, Mohammed?
Mohammed, fale comigo, o que houve?
Nada...
-Hein? -Nada.
Escute, j� acabei por hoje.
Vamos para minha casa e me contar� tudo, certo?
Esse � Mohammed.
Ol�, Mohammed.
Mohammed, esse � meu amigo, Ramon.
Alguma coisa aconteceu com ele.
Ele n�o quer falar sobre isso.
Est� em estado de choque.
Tenho certeza de que est� com fome.
Trarei alguns sandu�ches.
-O ch� est� pronto. -Est� bem.
Ela se virava com sua bunda, quando era bela e jovem,
mas n�o era mais bonita, quando foi deportada da Alemanha.
Ent�o, abriu um lugar para as crian�as das putas...
Sabem, elas podiam ser chantageadas a qualquer hora
e tinham que esconder seus filhos
porque h� vizinhos que s�o malvados
e denunciavam para a Previd�ncia P�blica.
Isso � para mim?
N�o, � para mim. N�o se preocupe.
Disse que seu pai veio ontem.
Ele saiu do hospital
Ele me colocou na pens�o, antes de matar minha m�e,
ent�o o prenderam numa cl�nica psiqui�trica.
E ent�o ele veio me buscar,
mas Dona Rosa n�o permitiu
pois n�o � bom para mim ter um pai louco,
poderia ser heredit�rio.
Escute, entendo um pouco de medicina e n�o acredito nessa hereditariedade.
� o que diz o dr. Katz...
Ainda n�o lhe falei do dr. Katz
Ele � muito conhecido na comunidade judaica, por sua caridade crist�.
Dona Rosa estava com medo por mim.
Disse que Moishe era seu filho e que ele � um judeu.
H� �rabes chamados Moishe, mas n�o s�o judeus.
Agora, imaginem o que aconteceu quando o sr. Kadir Youssef, um mu�ulmano �rabe
recebeu de volta um filho judeu! Ficou desesperado e morreu...
Morreu! Meu Deus, � horr�vel!
Sr. Youssef Kadir n�o podia provar nada
pois quando se � filho de puta, quem sabe quem � o pai...
Aisha, minha m�e, podia receber cerca de 20 clientes por dia
Ser um filho de uma puta n�o � t�o ruim,
porque pode escolher o pai que quiser...
Verdade, mas � uma pena que n�o possa ser como em sua sala, srta. Nadine,
onde pode fazer tudo retroceder
e voltar para a barriga de sua m�e.
Dona Rosa seria jovem outra vez e linda, como em sua foto
� uma pena que seja proibido abortar as pessoas velhas.
Veja Dona Rosa, por exemplo. J� teve o suficiente.
O que quer dizer com abortar?
Meu Deus... nunca ouvi uma hist�ria assim.
N�o podemos fazer qualquer coisa por ela?
Dona Rosa � a pessoa mais feia e solit�ria que jamais vi.
� bom que eu esteja l�, porque ningu�m mais se importa. � terr�vel.
N�o entendo por que algumas pessoas feias, velhas e doentes
t�m tudo, e h� outras que nunca t�m nada.
� t�o injusto!
O sr. Hamil, o vendedor de tapetes,
que me ensinou tudo que eu sei, agora est� cego.
Sr. Hamil tem um dos livros de Victor Hugo
e quando eu crescer, tamb�m vou escrever sobre os miser�veis,
porque � sobre eles que escrevem, quando querem dizer alguma coisa.
Como voc�s t�m se virado, desde que Dona Rosa parou de pegar crian�as?
N�s nos viramos. Dona Lola nos ajuda, tamb�m.
Ela era um boxeador
mas tomou inje��es para virar uma mulher...
Ela se vira no Bois de Boulogne.
Escute, meu amor, nos o levaremos de carro.
Ramon vir� conosco e ver� se pode ajudar Dona Rosa, est� bem?
Com licen�a!
Eu as apresento ao nosso amigo, Mohammed.
Por que se veste assim?
Voc� � �rabe?
Momo?
Momo? Momo!
Sim, sou eu Dona Rosa...
Momo, eu escutei, eles vieram numa ambul�ncia
N�o � para voc�! � para o sr. Charmette. Eu o vi.
-Est�o vindo para me pegar, Momo! -N�o tenha medo!
N�o sabem que est� aqui. N�o precisa se preocupar.
Estou com medo, Momo. Estou com medo.
Estou com medo, estou com medo, Momo.
Estou com medo, Momo. Estou com medo.
V�, Momo, esvazie isto.
Vamos deix�-la linda!
Voc� � uma boa garota, Lola.
E ent�o, Dona Rosa n�o est� linda assim?
Pronto, eu me vou.
Querido Momo, estou morrendo.
Insha Allah, Dona Rosa.
Estou feliz, pois vou morrer.
Mas n�o deixar� que me levem ao hospital, certo?
A qualquer pre�o.
Prometo. Enquanto estiver por perto nunca ir� para o hospital.
Dona Rosa, por que mentiu para mim?
Eu, menti para voc�?
Por que disse que eu tinha 11, quando eu tinha realmente 14 anos?
Porque tinha medo que me deixasse, Momo.
Ent�o, eu o rejuvenesci.
Voc� sempre foi meu homenzinho, nunca amei a outro.
Quando notei que o tempo estava passando,
tive medo.
Tive medo de que crescesse muito rapidamente.
Perdoe-me.
Escute, Momo, voc� deve lev�-la a um hospital, hein?
N�o pode mais ficar aqui. Chamarei uma ambul�ncia.
O que far�o com ela no hospital?
V�o tratar dela.
No hospital ele poderia continuar vivendo por anos.
Diga-me, doutor, n�o poderia mat�-la, entre judeus?
O qu�? Como mat�-la? Que hist�ria � esta?
Sim. Mate-a para por um fim em seu sofrimento.
Isto � imposs�vel, Momo.
Eutan�sia � completamente contra a lei.
Vivemos num pa�s civilizado. N�o sabe o que est� falando.
Sei muito bem o que estou falando. Al�m do mais, sou argelino.
L� eles t�m o sagrado direito da autodetermina��o.
O direito sagrado da pessoa existe ou n�o?
Bem, claro que existe. Claro. � uma grande e bela coisa.
Mas o que isso tem a ver com Dona Rosa?
Dona Rosa tem o direito sagrado das pessoas de se decidirem.
E se quer morrer, � seu direito e o senhor precisa ajud�-la.
Precisa ser um m�dico judeu para isso, assim n�o h� antissemitismo envolvido.
Judeus n�o deveria torturar uns aos outros. � nojento.
Minha pobre crian�a, n�o sabe o que est� falando.
N�o sou sua crian�a, ali�s n�o sou nem mesmo uma crian�a.
Tenho 14 anos, minha m�e era uma prostituta e meu pai a matou.
Quem lhe disse isso? Quem lhe disse essas coisas?
N�o importa quem e n�o olhe para mim desse jeito, doutor.
porque n�o vou ficar violento,
n�o sou um caso para a psiquiatria, nem tenho doen�a heredit�ria.
N�o vou matar minha m�e prostituta porque j� fizeram isto,
e todos voc�s podem cair mortos, exceto Dona Rosa,
que � a �nica pessoa a quem amo.
N�o quero que se torne um vegetal para sua satisfa��o pessoal.
Se fosse um bom judeu, com um cora��o de verdade,
agiria em nome da miseric�rdia e lhe daria uma inje��o para salv�-la da vida.
Meu pequeno Momo...
N�o me chame de Momo. Far� ou n�o far�?
N�o tenho o direito de fazer isto, Momo, n�o � poss�vel...
Eutan�sia � severamente punida...
N�o, ela deve ser levada para um hospital. � um gesto humanit�rio...
Posso ficar com ela no hospital?
N�o, isto n�o � permitido, mas pode visit�-la,
mas logo n�o o reconhecer� mais.
A prop�sito, o que lhe acontecer�? N�o poder� viver sozinho.
N�o se preocupe comigo. Conhe�o muitas prostitutas em Pigalle
e j� recebi muitas ofertas.
Por favor, n�o chame o hospital!
D�-nos mais 2 ou 3 dias.
Ela pode morrer neste �nterim. E tenho que tra�ar alguns planos.
Ou, eles me levar�o � Previd�ncia...
Est� bem. Mais uns dias, mas ent�o ela ter� que ir para o hospital, hein?
N�o temos o direito de abreviar seu sofrimento, Momo.
No meio tempo, tenha certeza de que ela se exercite um pouco.
Fa�a com que se mexa um pouco, que d� uns passos no quarto.
2 ou 3 dias, n�o mais do que isso.
O que ele lhe disse na cozinha?
Nada.
Escute, Momo, sou uma judia velha
e j� passei por tudo que pode acontecer com uma pessoa
Sei que houve dias em que n�o estive em meus melhores dias.
Mas eu quero saber.
Nada, Dona Rosa. Ainda pode muito bem viver assim.
O que quer dizer com "assim"?
Como um vegetal, Dona Rosa! Querem mant�-la viva como um vegetal.
Ent�o, est�o atr�s de mim, hein? Quando?
N�o sei. Dentro de 1 dia ou 2.
Bem, n�o irei.
O que posso fazer? S�o todos uns canalhas.
Nem querem ajud�-la a morrer.
� a Gestapo.
Deixe-me descansar
Tem que andar, Dona Rosa, dr. Katz mandou.
...Espere 1 minuto. Preciso me sentar.
Fiquei t�o feia, Momo.
N�o � feia, Dona Rosa.
Quanto dinheiro temos?
Dona Lona nos deu 100 francos. Vai nos dar mais...
� duro trabalhar no Bois de Boulogne. Eu n�o poderia faz�-lo.
Dona Lola � uma santa.
-Falando de santos... -Sim, Dona Rosa.
Voc� se lembra da prece que Moishe sempre recitava?
-Aquela que come�ava com Shma Israel? -Sim.
Shma Israel, Adonai eloheinou, Adonai ehad.
Shma Israel... Adonai, Adonai...
Dona Rosa!
Dona Rosa
Cuidado.
O que est� acontecendo aqui? Est�o todos loucos?
Coloquem ela deitada imediatamente.
Coloquem-na, imediatamente. R�pido!
Vamos, gentilmente! L�... devagar!
Pronto. Agora, todos fora daqui!
Voc� ficou louco?
-Disse-me que tinha que se mover. -Mas n�o daquele jeito!
Basta. Chamarei o hospital. Ela n�o pode ficar aqui.
-Dr. Katz? -O que foi?
-N�o pode fazer isso! -E por que n�o?
Hoje n�o. N�o pode ir para o hospital hoje
-Por qu�? -A fam�lia est� chegando hoje.
Que fam�lia? Ela n�o tem ningu�m no mundo.
Tem fam�lia em Israel. Est�o chegando hoje.
Tem fam�lia em Israel? Nunca falou isso comigo...
V�o lev�-la com eles. Est� tudo arrumado.
Voar�o para l� amanh�.
S�o muito ricos. T�m muitas lojas... muitas coisas.
Bem, s�o belas novidades.
A pobre mulher j� sofreu muito na vida.
Mas por que esperaram at� agora?
Ela n�o queria me abandonar. Mesmo agora, isto a aborrece.
Mas eu a convenci. Disse: "Dona Rosa, v� com sua fam�lia,
morrer� em paz l�...
N�o � nada aqui. Ficar� melhor em Israel."
Deve ser a primeira vez
que um �rabe est� mandando um judeu para Israel!
O que vai lhe acontecer, Mohammed?
Ficarei bem, at� que a fam�lia de Dona Rosa mande me buscar.
De fato, s�o boas not�cias.
Certamente, estar� melhor com sua fam�lia.
Eles t�m excelentes m�dicos l�.
Diga aos seus parentes para me fazerem uma visita.
Estarei em casa. N�o consigo sair muito f�cil, ultimamente.
Oh, e se Dona Rosa voltar a si antes de sua partida,
d�-lhe meus cumprimentos, pode ser?
Vou lhe dizer Mazaltov.
-Momo... -Sim, Dona Rosa.
Ouvi tudo, voc� sabe.
Sei. Eu a vi, quando olhou para n�s.
Ent�o, est� me mandando para Israel?
Fez a coisa certa.
S� que vai ter que me ajudar, certo?
Claro que vou ajud�-la, Dona Rosa.
R�pido, Dona Rosa. � hora de partir.
Eles est�o aqui?
Ainda n�o. Mas temos que sair daqui.
Vamos para Israel, n�o se lembra?
Ajude-me, Momo.
Sabia que um dia precisaria deste lugar.
Agora posso morrer em paz.
-Insha�Allah. -Insha�Allah, Momo.
Tivemos bons tempos juntos, n�o?
Sim, Dona Rosa.
Agora chegou a hora de me ajudar a dizer minha prece porque
esta pode ser minha �ltima vez...
Shma Israel
Blumentag
Blumentag
Dona Rosa?
Dona Rosa?
Oh, � voc�, Momo. O que houve? Est� doente?
Queria dar adeus � Dona Rosa.
Eles a levaram ao hospital?
N�o, n�o ao hospital, ao seu ref�gio judeu.
Aonde?
Ela partiu para Israel. Vieram busc�-la de avi�o.
-Quem? -A fam�lia dela. Vieram busc�-la.
E ela o deixou s�?
N�o. Logo eu vou tamb�m. Ela mandar� me buscar.
Voc� est� com febre, Momo.
Ficarei bem.
Vamos, jante comigo. Vai lhe fazer bem.
N�o, obrigado. Parei de comer.
Como n�o come mais? O que est� dizendo?
Comer � uma ordem da natureza.
Estou pouco ligando para as ordens da natureza!
Tamb�m n�o ligo, Momo.
Gostaria de ficar aqui comigo, enquanto a espera?
N�o, obrigado, Dona Lola.
-Tome, leve isto. -Obrigado, Dona Lola...
Desci e me fechei com Dona Rosa em seu ref�gio judeu.
Mas n�o aguentei.
Sa� novamente e comprei maquiagem
E alguns frascos de perfume na loja do sr. Jacques.
N�o queria mais comer, para castigar todo mundo
mas n�o valia mais a pena conversar com eles
e fui para um bar e comi algumas salsichas.
Quando voltei, o cheiro de Dona Rosa era ainda mais forte
e eu a cobri com seu perfume favorito, Samba.
Em seguida, pintei-lhe o rosto com toda a maquiagem
assim ainda pareceria viva.
Bem vi que parara de respirar.
Mas n�o me importava. Eu a amava mesmo sem respirar.
Deitei-me perto dela, num colch�o, junto com Arthur, meu guarda-chuva,
e tentei me sentir pior ainda, para morrer realmente.
N�o � verdade que fiquei
3 semanas perto do cad�ver de minha m�e adotiva,
porque Dona Rosa n�o era minha m�e adotiva.
N�o � verdade. N�o teria suportado o cheiro
pois n�o tinha mais perfume.
Quando derrubaram a porta, para saber de onde vinha o cheiro,
encontraram-me adormecido no colch�o e come�aram a gritar
"Que horror!"
Mas n�o lhes ocorrera gritar antes
pois a vida n�o tem cheiro.
Levaram-me numa ambul�ncia
e encontraram o peda�o de papel com o nome e endere�o em meu bolso.
Chamaram-na porque voc� tem um telefone.
Pensaram que voc� significava algo para mim.
Foi assim que chegou e me levou at� sua casa no campo
sem alguma obriga��o de minha parte.
Penso que o sr. Hamil estava certo quando ainda tinha ju�zo e disse
que n�o � poss�vel viver sem ter a quem amar.
N�o estou lhes prometendo nada. Veremos.
Amava Dona Rosa e continuo a v�-la.
Queria muito passar algum tempo com voc�.
Uma vez que suas crian�as me pediram.
Foi Dona Nadine quem me mostrou
como fazer recuar o mundo.
Espero, com toda for�a de meu cora��o, que isso aconte�a.
Dr. Ramon voltou para pegar Arthur, meu guarda-chuva.
Estava preocupado que ningu�m o quisesse
por causa de seu valor sentimental.
� preciso amar...
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.