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-O que está havendo? -Vão liberar o Alfredo hoje.
Ópio.
Serão 12.000 pesetas, metade adiantado.
-Compartilhe do prazer do ópio. -Sinto-me tão em paz.
Seu filho. Belén vai dar à luz.
Aqui está seu filho, querido.
Isso é impossível.
-Todos devem pensar que ele morreu. -Segui Belén na floresta.
-Ela tinha uma carta. -Você pegou?
Diego a pegou primeiro.
Mesmo se Andrés descobrir que Dom Carlos é o pai dele, ele nunca poderá provar.
Escondido ou não, ele tem que ter um nome.
-Que nome você gostaria? -Juan, como meu pai.
Como seu pai, Juan. Claro.
-Gostei. -Juanito.
Por que não abrem a porta?
Andrés.
Vista algo decente. Dona Teresa quer que você vá ao quarto de Dona Sofia.
-Para que, mãe? -Para o que ela precisar, é claro.
-Vamos, vista-se. -Ela está muito fraca, não percebe?
Não está tão fraca como parece. Certo, Belén?
A senhora precisa de mim, não é?
-Por que a trata assim? -Você ainda não aprendeu, filho.
-O que quer dizer? -Acorde, filho, acorde.
Como mãe, eu sei como é perder um filho.
-Seu filho está vivo. -E o seu também.
Sei o que fez, e não há palavras a dizer para quem vende o próprio filho.
Não sei o que quer dizer.
Mas por ter sido mãe, você deve me entender.
Não esperava que admitisse.
Se tem tanta certeza, por que não conta? Se estiver errada, será desmascarada.
Se estiver certa,
imagino que Dona Teresa responderá às suas dúvidas.
Não me preocupo com Dona Teresa, mas com meu filho.
Não vou desistir até que ele veja com que tipo de mulher ele se casou.
Acredite, algum dia, Andrés saberá a verdade.
A única verdade é que Andrés me ama e sempre me colocará como prioridade.
Tente contar a ele. Veremos o que ele vai dizer.
Senhora.
Sua nova ama de leite. Espero que tenhamos mais sorte com ela.
Preciso falar com ela em particular, um instante.
Sabe por que está aqui.
Se quiser continuar viva, seja o mais discreta possível.
Parece que o pequeno Alejandro encontrou uma nova ama de leite.
-Aonde vai? -Para meu quarto. Estou cansado.
Descanse depois. Antes, pegue uma cerveja para a ama de leite de seu sobrinho.
-Cerveja? -Não me olhe assim.
Cerveja não serve só para o uso que você faz dela. Agora, tenho que ver Diego.
Encontrou a carta?
Não vai me contar o que tem nela?
Gostaria de não contar.
Julio, conte-me.
Seu pai teve um filho fora do casamento.
-Isso é impossível. -E essa criança é Andrés.
Julio, isso é absurdo. Isso quer dizer que Andrés é meu meio-irmão.
E o primogênito, herdeiro deste hotel.
-Sabe o que significa? -Claro.
Não, não sabe.
Se conhecesse meu pai, entenderia. Ele era um homem bom.
Ele jamais teria traído minha mãe e negado a paternidade do filho.
Ele não era assim.
Sinto muito, mas isso explica tudo. É por isso que tentaram matar Andrés.
Quem? Minha mãe e meu marido?
-Está com a carta? Entregue-a para mim. -Não, sua mãe e Diego a queimaram.
-Mas você a leu? -Não, eu os ouvi falarem disso.
Estava escondido, no seu quarto.
Pense nisso, Julio.
Nunca vi Diego com essa carta, então, tenho que confiar no que você ouviu.
Alicia, escute. Jamais mentiria para você, muito menos para te prejudicar.
Quando tentaram matar Andrés, Belén estava com a carta.
É com ela que você deve conversar, não comigo.
Esperava por isso, Belén? Um Alarcón lhe servindo cerveja?
Dói, não é? A Virgem Maria sempre pareceu tão feliz em cuidar de Cristo.
Mas as amas de leite dos meus filhos me disseram que não é bom no começo, é?
Não.
Tem certeza que tem que passar por isto?
Não entendo, senhora.
Eu tenho motivos para acreditar que minha nora não estava grávida.
É muita coincidência que tenha perdido seu filho no dia que o filho dela nasceu.
Não sei o que quer dizer, senhora.
Só uma coisa é pior do que perder um filho e ter que cuidar do filho de outra.
É cuidar do próprio filho e entregá-lo para outra mulher.
Nossa casa sempre precisa de empregados. O salário é melhor e o trabalho mais leve.
Apenas me dê prova de sua lealdade e coloque um fim nesta farsa.
-Elisa. -Não sei o que a senhora quer dizer.
-Receberá um telefonema. Parece urgente. -Obrigada.
-Gerente, tem um minuto para falar comigo? -Entre, Marquesa.
Tem certeza absoluta de que a gravidez de Sofia era uma farsa?
Eu lhe contei tudo o que sabia. Receio que não há mais nada a fazer.
Nada, Dom Diego? Parece que sua sogra tem tudo bem amarrado.
Fizemos um acordo e eu vou mantê-lo. Quero Alfredo fora, tanto quanto você.
-Entre. -Com licença, Dona Elisa.
Há uma ligação para a senhora e dizem que é urgente.
-Belén. -Preciso descansar, Julio.
-O que é? -Você estava com a carta.
-Não sei o que quer dizer. -Sabe, sim.
Queria mostrar para Ayala. Diego a tomou de você e agora está comigo.
-Está com você? -Então, você sabe do que falo.
Eles a destruíram, mas agora eu sei que estava com ela e o que dizia nela.
-E o que vai fazer? -Contar para Andrés.
Se eu estivesse com ela, seria a primeira a contar. Mas qual o sentido nisso?
Ele merece saber a verdade.
Que o homem a quem ele chamava de pai não era, e que a mãe dele mentiu?
Que a família dele sempre o tratou como empregado e continuará tratando?
É isso o que ele merece, Julio?
Sem a carta para provar, só vai magoá-lo. E agora ele está feliz.
Você acabaria com ele. Quer isso para seu amigo?
Alguém queria matá-lo. Ele merece saber quem.
E acha que fui eu?
Sou a esposa dele. Se Andrés morresse, eu perderia tudo.
Não conte nada, por favor.
Porque ele perceberia que você se casou por interesse.
Você o arruinaria.
Você ama o Andrés?
Andrés é tudo o que me restou.
Ele estava faminto. Fui pegar leite.
-Você o deixou sozinho? -Não havia ninguém por perto.
-O restaurante mantém todos ocupados. -Não deveria tê-lo deixado sozinho.
-Você deu leite para ele? -Sim, mas ele cuspiu e chorou.
-Qual é o problema? -Não dá para ele beber o que não está ali.
Dona Sofia me tornou ama de leite e o bebê me secou.
O quê? Podemos revezar para cuidar dele, eu ainda não terminei de trabalhar.
Mas se o outro bebê ficar com o leite, o que sobra para ele?
Andrés, boas notícias. Pode voltar a trabalhar.
Obrigado, Dom Ernesto.
Desculpe, Sra. Murquía. É meu ouvido, às vezes não escuto muito bem.
Por que me olha assim? Meu uniforme? Comecei a trabalhar novamente.
Eu desejo o melhor a você, Andrés.
-Sinto muito pelo bebê. -Obrigado, senhora.
Eu procurava por você, Alicia.
Aconteceu alguma coisa? Você acabou de ganhar um sobrinho. Devia estar feliz.
Estou. É que fico pensando no papai.
-Nas coisas dele. Isso era dele. -Sim, eu que dei para ele.
Como o papai era?
Acho que você sabia bem, Alicia.
Falo de antes, quando ele era jovem, quando se casou com você.
Ele era mais novo, mas sempre foi o mesmo homem bom e amável que conheceu.
Faz quase um ano que ele morreu.
Nove de fevereiro. Nunca me esquecerei dessa data.
Mas agora eu tenho que pensar no futuro, em meu neto.
-Por que não vai ver sua irmã? -Achei que Javier estivesse com ela.
Eu também. Ambas pensamos que poderíamos contar com ele.
Sr. Bakthiari, por favor, colabore.
Julio.
Disse que me ensinaria a ler e escrever. Queria saber quando podemos começar.
-Não sei. Quando estivermos de folga. -Eu tenho um tempo de folga agora.
-Julio, preciso de sua ajuda. -Que tal esta noite?
Preciso que venha agora.
-Você matou o Cônsul? -Não, não fiz nada.
Acho que ele tomou algo que lhe fez mal. Muito mal.
-Venha, me ajude a levantá-lo. -Para quê?
Para levá-lo até o quarto dele. Ninguém deve saber que ele estava aqui.
Caso contrário, vou fazer com que culpem você pela morte dele.
-Mas os corredores estão cheios de gente. -O quarto dele fica no mesmo andar. Venha.
Vamos!
Agora, não tem ninguém.
Estou feliz em vê-lo também, Sr. Montejo, mas talvez tenha bebido muito vinho.
-Julio, prepare um banho frio. -Sim, senhor.
-Eu tive que falar alguma coisa. -Silêncio.
-Vamos para o quarto dele. -Não...
-Não vimos o cônsul o dia todo. -Ele não saiu do hotel.
-A polícia. -Nós saberíamos.
-Temos que voltar para o seu quarto. -Não, meu quarto, não.
Quer que o encontrem aqui com um cadáver? Venha.
Aqui está.
Sr. Bakthiari, por favor, abra. Aqui é a polícia.
Não podemos mais levá-lo ao quarto dele.
Ayala viu que está vazio.
Assim que o caminho liberar, vamos levá-lo à porta de serviço. Eles vão embora logo.
Segure-o.
Ayala, olhe os outros quartos neste andar para ver se encontra o Cônsul.
-Vou perguntar aos empregados. -Tem certeza de que este é um bom plano?
Melhor que isso. É uma ordem.
Para a cadeira.
Estão revistando os quartos e vão perguntar aos empregados. O que faremos?
Dom Javier.
Vamos.
Sr. Alarcón, aqui é a polícia. Por favor, abra.
Um momento.
Dom Javier, o que está havendo?
-Como posso ajudar? -Viu o Sr. Bakthiari?
Não.
Algo mais?
Não, obrigado.
Feito. Espero que saiba o que está fazendo.
Não, você vem junto para me ajudar com isso. Venha.
-Acho que já fiz o bastante. -Se voltar, será para juntar suas coisas.
Não esqueça quem sou eu, Julio. Se isso der errado, não vou cair sozinho.
Espere. Aqui.
-Ele está bem assim. -Não está bem, está morto.
Pelo menos, não está em meu quarto. Vamos.
Qual é o problema, mãe?
Seu pai está muito doente.
-Alfredo, acho que devia ir para casa. -Eu não me importaria, querido.
E você e o bebê deveriam ir também.
Seu pai não terá muitas oportunidades de ver o neto.
Mas eu acabei de dar à luz. Não posso fazer uma viagem longa assim.
Meu filho não teve qualquer problema ao vir direto para cá depois do casamento.
-Mãe, por favor. -Preciso de mais tempo para me recuperar.
Sabe o quanto eu me sacrifiquei por você e pelo bebê.
Meu pai merece ver o neto.
Alfredo.
Não, Sofia, não há nada a se discutir. Diga às empregadas que façam as malas.
Belén, a ama de leite, virá conosco.
Belén, e o Juan? Ele precisa de você.
Não sei, Andrés. Meu único receio é que o descubram.
Quase descobriram. Nossos colegas ficam perguntando de onde vem esse choro.
-Ele está chorando menos. -É um bom menino. Certo, Juanito?
Ele deve estar cansado de chorar tanto. Ou doente.
Eu dei a ele todo o leite que tinha, mas não sei se era suficiente.
Temos que levá-lo para outro lugar.
-Para onde? -Não sei.
Vão ouvi-lo mesmo assim.
-A sala de máquinas. -Onde?
A sala de máquinas. Ninguém vai lá e fica isolada.
-Não podemos deixá-lo sozinho. -Claro que não.
Podemos revezar durante o dia e ficar com ele à noite.
Que outra opção nos resta?
O bebê de Dona Sofia chorou o dia todo. E muito. Ouvimos dos nossos quartos.
Belén é a ama de leite, talvez ela o tenha levado para cima. Pobre menina.
Dar à luz aqui, sozinha. Isso mostra quem é rico e quem é pobre.
-Agora, outro bebê recebe o leite. -Nos tratam como se fôssemos gado.
Se fossem gado, usariam sinos e o som seria melhor do que suas vozes.
O trabalho é melhor quando feito em silêncio.
-Algo errado, filho? -Não, mãe, por que pergunta?
-Que barulho é esse? -Deve ser uma das rodas.
-O que tem aí embaixo? -Dona Ángela.
Por que toda essa agitação? As toalhas de mesa estão prontas?
-Não, senhora, ainda não. -Eu não ouço nem remorso, nem desculpas.
É porque Dom Ernesto reorganizou a despensa das toalhas.
-O quê? -Toalhas, toalhas de mesa, tudo.
Ainda não nos acostumamos com os novos lugares das coisas.
-Ponha tudo de volta e faça seu trabalho. -Isso vai levar muito tempo.
-Então, apresse-se. -Sim, senhora.
Isso é só por um tempo.
Logo conseguiremos um lugar na vila e você vai ser livre para chorar.
Mas não vai, porque sua mãe lhe dará todo o leite que tiver.
Venha aqui.
E você vai crescer e comer vitela assada.
Ou guisado de frango, que é tão bom quanto.
Papai cantará canções de ninar para você, assim como meu pai fez comigo.
Mas você precisa ter paciência.
Durma bem, meu filho
Durma bem...
Como era?
Durma bem, meu filho, durma bem
Durma bem, meu amor
Durma bem, minha estrelinha da manhã
Siga-me, por favor.
Desculpe, Dona Ángela, mas tenho que atender os hóspedes.
Não é uma sugestão, então, por favor.
-Aconteceu alguma coisa, Dona Ángela? -O trabalho das camareiras atrasou.
Não conseguem achar nada na despensa de toalhas.
-Isso quer dizer que têm um problema. -Sim, você.
Entendo. Disse aos garçons para reorganizarem a despensa de toalhas.
Coloquei as toalhas de mesa e panos de prato perto da entrada
para economizar tempo a eles.
-Muito conveniente para eles. -E para suas camareiras.
Agora, elas podem passar tudo sem serem interrompidas. Não foi uma boa ideia?
Parece uma péssima ideia para mim, você tomar decisões pelas minhas costas.
Sinto muito se a ofendi, Dona Ángela.
Mas sei que concordará que esta organização é muito mais prática.
-Ángela, posso saber o que está havendo? -Sinto muito ter levantado minha voz.
Mas Dom Ernesto reorganizou a despensa de toalhas sem me consultar.
Mas ele me perguntou e eu achei que era uma boa ideia.
-As camareiras logo se acostumarão. -Se acha que é o melhor, senhora.
-Posso ajudá-la, Dona Ángela? -Não.
Dona Ángela.
Isabel, leve essas almofadas para o quarto da Sra. Alicia.
Pois não, senhora.
Permita-me ajudá-la. Eu sei onde fica cada coisa.
Não será necessário.
Dona Ángela, deixe-me ajudá-la.
Tudo tem que estar pronto para o jantar desta noite.
Eu insisto.
-Quer mesmo me ajudar? -Sim.
Então, cale-se e saia daqui.
Não consegui uma criança para a mãe do Alfredo criar.
O que posso fazer? Alfredo foi preso por mim. Não posso negar isso a ele.
Você não pode, mas a natureza, sim.
Relaxe, não vai matá-la, só vai fazê-la se sentir mal.
Você foi poupada das dores do parto, então, lute por seu filho agora.
Temos que agir logo.
Livre-se disto também. Não deve sobrar nenhum vestígio do Cônsul.
-Algo errado? -Não.
Então, apresse-se.
Julio, agora sou uma mulher casada. Não pode entrar quando quiser.
-E antes, eu podia? -O que o traz aqui?
O que é isso?
Morfina. Seu irmão estava com ela. O mesmo com que tentaram matar Andrés.
Primeiro, foi minha mãe, depois, meu marido e agora, é meu irmão.
Quem será o próximo, Julio? Meu sobrinho recém-nascido?
Se eu tivesse mais certeza, ou se não confiasse em você, eu a levaria a Andrés.
Fale com seu irmão e pergunte a ele.
Só quero saber a verdade e garantir que Andrés está seguro.
Entre.
Sua mãe está te perguntando.
-Por quê? -Sua irmã adoeceu.
-Querida, tudo bem? -Não.
-Tem certeza de que é sério? -Ela está ardendo em febre. Claro que é.
O médico disse que não é sério, mas ela precisa descansar.
Sinto muito, querido, mas não conseguirei ir com você.
-É uma pena você não vir, Sofia. -Cuidaremos dela, Alfredo.
-E o bebê? -Virá conosco, é claro.
Não. Alfredo, não.
Sei que quer ver seu pai, mas não leve a criança junto.
-Eu preciso dele ao meu lado. -Alfredo.
Vamos deixá-los a sós, querida.
Relaxe, sei que logo vai melhorar.
Vamos?
Sofia vai ficar bem. Ela é a mais forte de nós três.
Quando criança, ela nunca ficava doente.
Por que isso está no seu quarto?
-O que é isso? -Morfina.
Por que está com isso?
Agradeço sua preocupação com minha saúde, mas não se preocupe, não é minha.
Alguém tentou matar o filho de Ángela durante a recepção para o Cônsul.
Como a morfina tem a ver com isso?
Usaram a morfina de Andrés e levaram parte dela embora.
Quem te contou isso?
-Andrés. -Ele está doente. Talvez delirando.
-Além disso, quem quer matar Andrés? -Só sei que você está com a morfina.
Essa morfina não tem nada a ver com isso. É do Sr. Bakthiari...
que tem problemas com ópio e seus derivados.
Onde você esteve depois da recepção do Cônsul?
-Acha mesmo que tentei matar Andrés? -Não. Então, não tenha medo de me contar.
Estava no bar em Cantaloa, buscando o que Sr. Bakthiari precisava.
-Morfina? -Ópio, Alicia.
Por favor, não conte a ninguém. É meu segredo. Não tentei matar ninguém.
-Julio, terminou seu turno? -Sairei em algumas horas.
Ainda estamos combinados sobre hoje? Vai me ensinar a escrever?
-Claro. -Certo.
-Viu Andrés? -Faz algum tempo, fora da cozinha.
Juanito, agora tenho mesmo que ir.
-O procurei em toda parte. O que faz aqui? -Checando os fusíveis.
-Mas não tivemos um apagão. -Exatamente.
Por que estava me procurando?
Queria conversar com você, mas não sei por onde começar.
Neste caso, deixe-me começar.
Belén me pediu para não contar, mas agora que trabalho de novo, preciso de ajuda.
E você é a única pessoa em quem posso confiar aqui, além de Belén.
Qual é o problema, Andrés?
Venha.
-Quem é essa coisinha linda? -É o filho de Belén. Nosso filho.
Ninguém é mais importante para mim do que ele e a mãe dele.
-Por que o está escondendo? -Belén o prometeu para adoção.
Se o virem, vão levá-lo embora.
O que queria me contar?
Nada. Comparado a isto, nada.
-Juan, Julio, um amigo. -Juanzinho.
Não, Juanzinho, não. Juan.
Como pode fazer isso com seu pai?
Vamos quando Sofia se recuperar.
E ela tinha que ficar doente agora? Não seja egoísta, filho.
Não vou deixar minha esposa e filho sozinhos.
E seu pai?
Espero que tenha uma boa viagem, Elisa, e que seu marido se recupere logo.
Obrigada, querida, mas agora está nas mãos de Deus.
Não podemos fazer nada sobre o futuro de uma doença ou recuperação, podemos?
Claro que não.
Vou acompanhá-la. Com licença.
Belén, boas notícias.
Dom Alfredo e Dona Sofia vão ficar. Você não terá que ir embora.
-Deixou o bebê sozinho? -Não.
-O que quer dizer com "não"? -Julio é meu melhor amigo.
-Contou ao Julio? -Ele não vai contar para ninguém.
Ele falou alguma coisa sobre mim, ou sobre você?
-Não, o que ele me contaria? -Não sei, Andrés.
-Pessoas são más. Não confie em ninguém. -Julio é diferente, ele vai nos ajudar.
-Mas não com o que o bebê precisa. -De novo?
Está faminto e não quer saber de chupeta, água com açúcar ou leite de vaca.
Eu não aguento mais.
Em algumas semanas, vou encontrar um lugar na vila.
Não aguento mais nenhum dia e tenho medo do que vai acontecer ao bebê.
Talvez devêssemos entregá-lo para alguém que consiga cuidar dele.
Não, Belén.
Já tentamos fazer isso antes e você se arrependeu.
Julio!
-Desculpe, adormeci. -Eu sei, sei como é. Venha.
-Juanito, você não dormiu nada. -Coitadinho.
-Ele está como encontrei. Não toquei nele. -Fez muito bem, padre.
-Vou deixá-lo em suas mãos. -Agradeço.
-O padre viu alguma coisa? -Não.
Ele encontrou o cadáver assim. Ninguém o viu entrar na igreja.
-Sem identidade, não sabemos quem ele é. -Permita-me uma sugestão, Hernando.
Eu suspeito que seja o Cônsul persa, que sumiu do Gran Hotel.
-Talvez tenha sido morte natural. -Não lhe parece estranho ele estar aqui?
Não, ele veio aqui rezar e teve um ataque ou algo assim.
Acorde, Hernando. Por que um muçulmano viria à uma igreja católica?
De novo: não lhe parece estranho?
Bem, parece que sim.
O que está olhando?
Pupilas, unhas...
língua.
Há sinais de envenenamento ou intoxicação.
E com o que acha que ele foi intoxicado?
Na maleta dele encontramos ópio suficiente
para derrubar uma cavalaria, incluindo os cavalos.
Com o que acha que ele foi intoxicado?
Bom, talvez, ópio?
Já olhei, mas ele não estava com carteira.
Sem carteira, mas estava com isto.
Javier Alarcón. Vamos.
-Viu o Julio? -Não, mas o turno deve estar terminando.
Obrigada.
Legendas: Joao Neto
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