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Não sei o que fiz.
Só sei que levei Belén à força.
Matei minha mulher, Detetive.
Adrián Vera Celande,
é procurado como principal suspeito de morte de Marta Santos de Vera,
sua esposa.
Diego é Adrián Celande.
Preciso que contrate alguém.
Para fazer o quê?
Proteger-me, se necessário.
Filho!
Doze anos sem notícias suas.
Deixarei tudo a Diego Murquía.
Mãe!
Majestade, este é o título de menor classificação.
"Senhor" é um título adequado.
-Agora somos Duques. -A nobreza é restrita,
e agora que é Duque, está de volta ao grupo.
Quer que eu convença a Marquesa a vender seu terreno.
Fique e prometo manter distância.
E quem disse que eu consigo prometer isso?
"Querido amigo,
permita-me chamá-lo assim.
Não posso aceitar sua ida
agora que sei que sua única razão é evitar-me.
Teme que nosso beijo seja o princípio de um amor proibido
e inconveniente para nós dois.
Mas não tema. Pode ficar.
Imploro que fique.
Estou disposta a suprimir meus sentimentos por você
até que sumam e parem de me atormentar.
Tem minha palavra. Mas, por favor, não vá.
Não sacrifique sua vida por medo
de algo que lhe prometo que nunca ocorrerá.
Sempre sua,
Sofia."
Mandou me chamar, senhora?
Sim.
Fique com meu filho. Preciso sair para entregar uma mensagem.
Sim, senhora.
Padre, abra o confessionário. Sei que tem dinheiro lá.
Não, não posso dar-lhe aquele dinheiro.
É para o orfanato.
O que eu disse? Mova-se.
Fique parado. Não me faça atirar.
Se quiser aquele dinheiro, terá que atirar.
Vai mesmo atirar em um homem de Deus?
Não, está certo.
Como ousa? Aqui é um lugar sagrado.
Padre, espere!
Sou eu!
Alfredo?
Eu sei, não poderia afundar mais que isso.
O dinheiro do orfanato, Alfredo.
Achei que fosse um bom cristão e um amigo. Como pôde?
Não ia deixar os órfãos sem um lar.
Pensava em recompensá-lo,
pensava em consertar tudo de algum jeito,
no futuro.
Mas entrei em pânico.
Só preciso de mais tempo.
Tempo para quê?
Padre, não sou um Duque.
Não tenho nenhum ducado ou autoridade para convencer ninguém.
Seria difícil para mim intervir na compra do terreno para os órfãos.
Nem minha mulher sabe.
Eu seria pego durante a transação do orfanato,
mas se perdesse todo o dinheiro, então seria o fim disso.
E eu poderia continuar sendo um Duque,
mesmo tudo sendo uma farsa.
Entendo.
O que vai fazer, padre?
A pergunta é o que você vai fazer?
Sinceramente, não sei.
Então lhe direi.
Vá para casa, fale com sua mulher e lhe conte a verdade.
Obrigado, padre.
-Prometo que farei isso. -Que Deus o acompanhe.
Alfredo?
-Alfredo! -Sim?
Ah, querida! Está aqui.
Disse à empregada que podia ir.
Você está bem?
Minha cabeça dói bastante.
Por que não se deita?
Até que gostaria, mas não conseguiria dormir.
Coitado.
Tenho sido injusta com você.
Tenho te pressionado demais.
Sempre fez mais do que eu pedi.
Sofia, eu...
Diga-me, Alfredo.
Meu amor, nada que disser poderá mudar quem você é para mim.
Claro, você é minha esposa.
Claro que sou, aconteça o que acontecer.
Diga-me.
Às vezes me preocupo demais, como se o mundo fosse acabar.
Mas não vai.
Alfredo, estou disposta a ouvi-lo,
a entendê-lo e a perdoá-lo.
Diga-me.
É verdade, sempre está aqui para mim.
Vou dar uma volta.
Vai me fazer bem.
-Não estava com dor de cabeça? -Por isso mesmo.
-Detetive Ayala! -Sra. Murquía, Srta. Rivelles.
-Encontramos algo. -Não diga.
Sinceramente, começa a me incomodar que todos queiram fazer meu trabalho.
Quer saber ou não?
Deve ser por ali.
Fiquem atentos a qualquer coisa fora do normal.
Veio preparado, Sr. Olmedo.
-Quer apostar que vamos cavar? -Não é meu costume.
Me refiro a apostar.
Detetive, o solo foi cavado aqui.
Cuidado, tem algo aqui.
-É um corpo. -De uma mulher, eu diria.
É Sagrario.
A mãe de Diego.
Tudo isso para encontrar um corpo?
Talvez haja algo mais.
O que é isso na mão dela?
"A herança de Adrián Vera pertence somente a Adrián Vera."
Diego terá que voltar a ser Adrián Vera Celande
se quiser sua herança.
Vamos supor que o Sr. Murquía tenha algo
que prove sua identidade.
Um documento dizendo que é Adrián Vera.
Sem ele, não receberá a herança.
Por que sua mãe foi morta?
Só consigo pensar em uma explicação.
O Sr. Murquía convenceu sua mãe a mudar o testamento.
E seu inimigo a impediu, matando-a.
Não acredito que ele mataria a própria mãe.
Não, Hernando.
Essa mulher não foi morta pelo filho, mas pela pessoa que quer se vingar dele.
A mesma pessoa que atacou o hotel e sequestrou Dona Alicia.
O documento que Diego guarda
pode ser a prova de que é Adrián Vera?
Tem que ser uma identidade que mostre seu nome e assinatura.
Algo do tipo.
Se este documento existir, prova que Diego é um farsante
e terá que responder pela morte de sua esposa como Adrián Vera.
E pela lei poderá deixá-lo.
Acredite em mim, também gosto de finais felizes.
Mas para chegar lá, precisamos resolver a outra parte da história.
Primeiro temos que achar esse documento, se é que ele existe.
Temos que esperar Diego Murquía dar o primeiro passo?
-Ele não dará. -Está certa, senhorita.
Ele não pode tentar resgatar o patrimônio de uma mulher que ninguém sabe que morreu.
E se contarmos tudo?
Deixaremos a imprensa publicar.
Observaremos a reação de Diego.
Não, não farão mais nada.
Já fizeram o suficiente e a polícia é grata.
Não se trata de resolver charadas, há pessoas mortas.
E o que parece ser um psicopata assassino.
Sim, deixem com os profissionais.
Tem algo que deveria saber.
Uma notícia será publicada sobre um corpo encontrado perto do hotel.
Um corpo.
Encontraram Belén, a esposa de Andrés.
Não é o que parece.
Desenterraram o corpo de uma mulher não identificada,
está sendo chamada de a mulher da caixa de música.
O que disse?
É a mulher que comprou a caixa de música no leilão.
A polícia cuidará disso.
Esqueça.
Preciso que faça algo por mim.
Claro, o que é?
Quero que vá agora ao banco em Cantaloa.
Preciso do documento que está neste cofre.
Dê este papel ao gerente.
E esta chave. Ele tem a outra chave que abre o cofre.
É urgente e, se necessário, proteja-o com sua vida.
-Está claro? -Não se preocupe.
Hernando.
Este é o nosso homem.
Um banco.
Encontramos o tesouro do Sr. Murquía,
ou de Adrián Vera.
Sr. Murquía guarda o documento em um cofre no banco.
-Hernando, por favor! -O que quer agora?
Há algo errado.
-Aquele homem está demorando demais. -Depois, Detetive.
Aquela senhorita deixou sua bolsa na mesa.
Já volto. Senhorita!
Senhorita!
São roupas masculinas.
Um momento...
Aquele homem...
Aquele homem não era um homem!
O homem que estávamos seguindo é uma mulher.
A mulher que achou atraente.
-Não diga isso, por favor. -É a verdade.
-Então gostei de um homem? -Como disse?
-Um homem de bigode. -Não, me dê isso.
Só quando ele parou de ser um.
Sinto falta da vila.
A vida lá era tão simples, sabe?
Sim, claro que era.
Venha. Temos que achar aquela mulher.
Hernando!
O que gostaria, senhorita?
Água com gás com rodelas de limão.
Não quer algo mais animado?
Não, o dia já foi animado o bastante, não acha?
Sim, e o dia ainda não acabou.
Vocês discutiram, não?
Quando os deixei sozinhos no quarto 13.
-Alicia te contou? -Não.
Eu notei.
-Aconteceu alguma coisa? -O que acha?
Cada dia que passa com Diego, fica mais difícil.
Se ainda não desistiu, é por uma boa razão.
Você deve amá-la muito.
Dá para notar, não é?
Você deveria dizer-lhe isso, porque ela não acredita em mim.
Diz que estou sempre com você. Está com ciúmes, acredita?
Não está falando sério.
Diz que sempre a olho. Claro, você não é transparente!
Detetive.
-Não estavam vigiando Diego? -Estávamos.
Seguimos um homem que ele enviou ao banco para pegar seu documento.
-Mas ele conseguiu escapar. -Claro, era uma mulher.
Uma mulher?
Uma mulher vestida de homem. Não pudemos acreditar.
Sim, falando assim, soa muito mais humilhante.
Obrigado, Hernando.
Pode ser a mesma mulher
que tinha um caso com a esposa de Adrián Vera.
Uma mulher vestida de homem que tinha um caso com uma mulher.
Até agora estávamos lidando com um homem, possivelmente um psicopata.
Agora nosso psicopata pode ser uma mulher.
Hóspedes estão cancelando suas reservas.
Os que estão aqui, estão saindo mais cedo.
Gostaria de saber o que planeja fazer sobre isso.
Achei que eu não fosse ninguém. Capaz de nada.
Não é só o hotel que está em jogo, não percebe?
-É sua família. -E a de sua esposa.
Não posso fazer nada
até que a polícia resolva e condene esse desgraçado.
A polícia não está escrevendo as notícias.
É engraçado.
O que uma bomba não destruiu
será destruído por um bastardo com seu nome.
Pare de fingir, sei que não pode suportar isso.
Estou suportando demais.
Sei que está,
por isso sei que saberá o que fazer com esse rapaz.
Sempre foi capaz de proteger essa família.
Mesmo bebendo, sou capaz de reconhecer essa sua qualidade.
-Isso já foi longe demais. -Desculpe.
-Faça uma declaração. -Já fiz.
-Contei tudo à polícia. -Uma declaração de inocência à imprensa.
Temos que limpar o nome da família.
-E do hotel. -Dona Teresa, não posso.
Faça isso e mude essa cara de cachorro abandonado
-ou tiro seu sobrenome. -Por que me importaria?
Ser um Alarcón só me fez infeliz.
É um garoto chorando porque as mãos estão enlameadas.
Enlameadas? Ensanguentadas, senhora.
Nem sequer sabe o que aconteceu
e a primeira coisa que faz é vir aqui e nos arruinar.
Até sua irmã, que sempre acreditou em você.
Não quis envolver ninguém, principalmente Alicia.
Não quis, mas envolveu.
Só pode consertar isso com uma declaração.
Não saberia como começar.
Pegue papel e caneta.
Vou ditar o que deve falar.
Descreverá Belén. Não deve ser difícil.
-Era minha esposa. -E uma prostituta.
Dirá que a expulsamos do hotel e ela se recusou a anular seu casamento.
Que brigaram e ela decidiu partir.
Gostaria que isso fosse verdade. E o sangue?
-E ninguém mais a viu. -Não percebe, estúpido?
Ninguém a viu porque isso o mantém nessa situação.
E é exatamente isso que vai dizer.
Quer ver sua mãe e irmã nas ruas?
É o que vai acontecer se não der esta declaração.
Nunca acreditei no que diziam de você.
Escreva.
Eu, Andrés Alarcón,
em plena posse de minhas faculdades mentais,
faço a seguinte declaração.
Copie isso.
-Não posso dizer isso! -Vamos.
O que é isso?
Uma declaração para a imprensa.
Andrés, é inocente, tenho certeza.
Dizem a mesma coisa, mas ninguém me escuta.
-Porque não há nada... -É de inocência.
Sua mãe organizou um encontro com um jornalista.
Mas isso é bom, não? Por que está tão triste?
Se me conhecesse, entenderia o que estou passando.
Mas sua mãe deixou muito claro.
Não quero ser um incômodo para vocês.
Darei a declaração mesmo sendo mentira e que me destrua por dentro.
Não acho que mudará nada.
-Andrés, acho que você... -Alicia, quero ficar sozinho.
Suponho que tenha lido o que dizem os jornais?
-A que se refere, senhora? -Sabe muito bem.
Estou preocupada com Ángela.
Ultimamente tem estado muito desatenta
e agora isso.
-Fique de olho nela. -Estou cuidando dela, senhora.
Deixe comigo. A senhora já tem preocupações demais.
Estou ótima, Jesús.
Não precisa fingir para mim.
Sei que o hotel é sua vida e tudo isso deve afetar-lhe.
Como ousa?
Como acha que pode falar assim comigo?
Perdoe-me, senhora.
Seguirei adiante.
Sempre acabo seguindo adiante.
É claro, senhora.
O que disse a Andrés?
Nunca mais fale assim comigo na frente dos funcionários.
Claro.
-Aparências em primeiro lugar. -Respeito, Alicia. Respeito.
Sei o que fez com ele.
-Resolvi o problema, não é o que queria? -Andrés é inocente.
Mas lhe expor à imprensa assim.
Ameaçou tirar sua família, seu nome, e me usou.
Talvez não entenda o que está acontecendo.
Seu marido nos tirou dos negócios
e a única coisa que nos liga ao hotel é o nosso sobrenome.
e o fato de ser esposa dele.
O sobrenome, claro.
Não conhece seu marido?
Se o nome Alarcón cair em desgraça, Diego nos enterrará.
Ele já tentou vender o hotel e se seu irmão continuar agindo assim...
Fique longe dele.
Não tenho nenhum instinto materno por ele, lhe garanto.
Espero que faça o que é certo.
Tenho certeza que sim.
Dona Laura?
Desculpe meu atrevimento,
sou Adolfo Gutierrez, trabalho para sua família.
Muito prazer! Foi muita gentileza ter vindo falar com meu marido.
Ele é um homem de princípios e um altruísta.
Vamos partir hoje.
Vou me despedir de todos. Javier quer começar logo.
Também vou a Santander.
Finalmente poderei ir para casa, ficar com minha família.
Como assim "finalmente"?
O trabalho não é em Santander?
Quanto mais cedo sairmos...
Mais cedo chegaremos.
Despedimo-nos de minha mãe e já podemos partir.
Quero muito ver nossa nova casa.
Ah, Javier. Não posso me despedir de sua mãe assim.
Desculpe, tenho sido egoísta com você.
Não, não diga isso, Laura.
Estive pensando...
Seu sacrifício me abriu os olhos. Não podemos deixá-la assim.
-Sua mãe precisa de você mais que nunca. -Ela entenderá.
Por favor, deixem-nos. Deixe isso aí.
Obrigada.
Eu me sentiria tão culpada se fôssemos assim.
Nunca me perdoaria.
Falei com meu pai.
Encontrará outra pessoa para o emprego, e não se preocupará comigo.
Então...
-Então não vamos? -Não.
Vamos ficar.
Mas não se preocupe, tudo ficará bem, meu amor.
Andrés.
Você também?
Só queria dizer que pode contar comigo.
Sei sobre a entrevista com o jornalista.
Estarei lá servindo.
Se precisar de algo, me mande um sinal.
-Julio, eu... -Não diga nada.
-O quarto de Andrés Alarcón? -Eu o chamarei. Quem gostaria de falar?
Não, não o chame.
Sou o Inspetor-chefe Bazán. Tenho um mandato para revistar o hotel.
Sr. Mejía, este é Andrés Alarcón.
Fechei o restaurante para que não sejam perturbados.
Andrés!
Disseram-me que vai mudar sua declaração
-e vai dizer que é inocente. -Sim, mãe.
Não é o que queria?
-Espero que esteja feliz. -Estou.
Só me dói saber que não o fez quando eu pedi, mas quando ela pediu.
Mãe, não fique brava comigo, por favor.
Não estou brava.
Um dia terá filhos, Andrés,
e entenderá o poder que têm para machucar seus pais.
Sei o que é ter um filho e perdê-lo.
Vamos começar.
O que foi?
Perdoe-me, padre.
Por quê? O que fez?
Não...
Perdoe-me pelo que vou fazer.
Quando quiser.
Eu, Andrés Alarcón,
em plena posse de minhas faculdades mentais,
declaro que quero retratar
o que disse sobre o paradeiro de Belén Martín,
minha esposa.
Confirmo veementemente minha inocência.
Se minha esposa estiver morta, declaro que não tenho nenhuma ligação.
Andrés Alarcón!
Está preso pela morte de Belén Martín.
Encontramos a arma do crime no quarto do suspeito.
Estou bem.
Aqui está seu homem.
Meu homem? Do que está falando?
Precisava de alguém, e aqui está ele.
Não pode ser.
Para onde levarão meu filho?
Para a delegacia.
Mas com as provas que temos, com certeza o juiz o enviará direto à prisão.
Mãe, não quero que me visite na prisão.
E por que eu iria?
Você é inocente, filho.
Justiça será feita e você voltará.
Vamos.
Julio, o que vai fazer?
Não sei, mas não posso deixá-lo sozinho.
-Falarei com minha mãe. -Para quê?
Não sei. Mas se ela quiser, poderá fazer algo.
Se ela quiser, exatamente.
Como posso ajudá-lo?
Sou Julio Espinosa, amigo de Andrés Alarcón.
-Gostaria de vê-lo se possível. -Não, não é possível.
Ainda não peguei sua declaração.
Apesar do Sr. Alarcón já ter se declarado culpado.
-Mas ele queria mudar, Detetive. -Inspetor-chefe.
Por isso estava com o jornalista.
Precisa acreditar. Mesmo tendo confessado, não foi ele.
Acredite...
Isso também me aborrece, mas a sorte de seu amigo está lançada.
Tem que se declarar perante um juiz.
E acha que isso vai melhorar as coisas?
Sabe quem é o juiz? E a estima que tem pelos Alarcón?
Seria difícil para ele com qualquer outro, mas com esse juiz...
ele já está condenado antes de ser julgado.
Tenha um bom dia.
Dona Ángela, recebemos uma reclamação
do hóspede do quarto oito. Seu quarto não foi limpo.
Natalia, Irene!
Por que o quarto oito não foi limpo?
Dona Ángela, só seguimos a ordem de limpeza.
O quarto oito não está nela.
O quarto deveria estar lá.
Como pude cometer tal erro?
-Nunca esqueci um quarto antes. -Deixem-nos a sós, por favor.
Dona Ángela, já lhe disse.
Por causa de seu filho, precisa descansar.
Já tem muito com o que se preocupar, não deveria forçar as coisas.
Estou bem.
Não preciso que me digam com o que tenho que me preocupar.
Sempre carreguei tudo nas costas, minha vida inteira,
e sempre cumpri com meu dever.
-Dona... -Sinto muito.
Agradeço seu apoio e garanto que não acontecerá novamente.
-Ouça... -Se me der licença...
Quero continuar meu trabalho.
Entende, não é?
-Mãe, precisa ajudar Andrés. -Agora pede ajuda?
Disse para ficar longe dele e agora quer ajuda?
Ele precisa de um bom advogado, o melhor.
A senhora pode conseguir um.
Não precisa de um advogado, e sim de um milagre.
E nós também.
Não farei nada.
Quanto menos envolvimento, melhor. Já estamos muito expostos.
Como pode ser tão egoísta?
Pode não gostar dele, mas é da família.
Egoísta?
Fui eu quem deu a ele nosso nome.
Esse erro será a perda do pouco que temos.
-Só peço... -Foi preso em frente à imprensa.
Com a arma do crime e uma confissão.
Não, filha, Andrés não tem saída.
E você deveria começar a pensar em nós.
Você estava certa...
Não deveria ter feito nada. E não errarei duas vezes.
-Minha mãe não ajudará Andrés. -Não consegui vê-lo.
Ele precisa de um advogado.
Darei um jeito de pagar um.
Talvez não seja necessário.
Se concordarem, e ele também...
Ele já tem uma advogada.
Eu o representarei.
Não tenho muita experiência, mas tenho muita vontade.
-Não tenho dúvidas. -Obrigado.
Não me agradeçam. Não será fácil.
Então, advogada, o que faremos?
Vim ver meu cliente.
-Seu cliente? -Sim, meu cliente.
Senhora, se está se sentindo caridosa,
recolha donativos para os órfãos, eles apreciam mais.
Vá para casa.
Seu marido ficará preocupado ao saber que está em uma delegacia.
Não tenho um marido, mas tenho um diploma.
Sempre soube que seria útil.
E não é para caridade, é para a advocacia.
Que absurdo, nunca ouvi falar de mulher advogando.
Bacharela em Direito e Filosofia.
E membro da Ordem dos Advogados de Valência.
-E o que vem depois? -Ver meu cliente.
Reconhece isto?
Não precisa responder.
Confirma que foi o causador da morte de sua esposa?
Tampouco precisa responder.
-Deixe-o falar. Não lhe perguntei. -Pare de gritar.
Não estou gritando!
Confessou tê-la matado e achamos isto em seu quarto.
-Reconhece a faca? -Sem comentários.
Como quiser. Não precisarei mostrar-lhe a forca.
Se não colaborar, nem ela o ajudará.
Ele disse que a matou, mas disse que não se lembra.
Perdeu o controle em um momento de loucura e por isso não se lembra.
Mas a matou. Não é, Sr. Alarcón?
Isso é uma conjectura.
Podemos dizer que também foi um momento de loucura quando ele confessou.
-Não acha? -Não, não acho.
-Nem sequer tem um corpo. -Não preciso, tenho a arma.
Como sabe que é a arma do crime?
Está suja de sangue, não vê?
E como sabe que o sangue é de Belén?
E de quem seria, do suspeito?
Não me diga que se cortou.
Não é uma possibilidade?
Não, não é.
Sem um corpo, não pode provar que é a arma do crime.
Primeiro teria que provar que o corpo tem uma ferida fatal causada por uma faca.
Por essa faca.
Imagine se seu corpo aparece e ela morreu afogada?
Então tem o corpo, mas não uma arma.
E nem um culpado.
Se não tem o corpo, não tem nada.
Parem tudo e encontrem o corpo de Belén Martín.
-Pensei que estivéssemos fora do caso. -E estão. Só quero que procurem.
-Já procuramos, senhor. -Claramente não procuraram direito.
Dada a nossa clara incompetência, senhor,
por que acha que a acharíamos desta vez?
Porque enviarei mais homens. Com cachorros se precisar.
Comecem pelo hotel e seus arredores.
E fiquem longe dessa mulher.
Ela é o diabo encarnado. Solteira e advogada, imagine!
Não sei o que você fez,
mas tem minha sincera admiração.
Preciso falar com Andrés para ouvir tudo o que sabe sobre Belén.
Se encontrarem o corpo, talvez tenhamos uma chance.
"Às oito no salão."
Trouxe-lhe um chá de ervas.
Obrigada, Jesús, mas quero ficar sozinha.
Não quero que ninguém me incomode.
Ordenei que nenhum funcionário entre em seu quarto sem meu consentimento.
Também tomei a liberdade de cancelar chamadas e visitas.
Fez bem, Jesús.
Minha mãe dizia que a solidão é a única amiga que nunca lhe contraria.
Se precisar de algo, não hesite em me chamar.
Não será necessário.
Entendo que precise ficar sozinha, senhora, mas...
espero que isso não seja por falta de alguém com quem conversar.
Está se oferecendo para me escutar?
Com a modéstia de um serviçal, senhora. E somente se achar oportuno.
Prometo minha total discrição.
Pode se retirar agora.
Senhora.
Legendas: Maiara Lopes
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