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Em vez de um dote, ela prefere nos dar uma quantia mensal.
Minha família deixaria de pagar esta quantia se Javier me deixar.
Javier, precisa amadurecer como eu.
Vai deixá-los nos separar?
Não verá nada do dote se isso acontecer.
Quero comprar o Gran Hotel. Seis milhões.
Precisa recuperar o documento.
Não sei o que fiz.
Só sei que levei Belén à força.
Matei minha esposa, Detetive.
Adrián Vera Celande
é procurado como principal suspeito da morte de Marta Santos de Vera,
-sua esposa. -É ela.
Quem?
A mulher da foto do casamento.
-Vi quando estava sequestrada. -Então...
Diego é Adrián Celande.
Preciso que contrate alguém.
Para fazer o quê?
Proteger-me, se necessário.
Filho! Doze anos sem notícias suas.
Deixarei tudo a Diego Murquía.
Mãe!
Alicia.
Alicia?
Dizem que a levou ao bosque,
e que ela está morta.
Que audácia voltar ao hotel depois de matá-la.
Fale baixo.
A polícia está a caminho.
O que vai fazer agora?
Diego, diga alguma coisa.
Andrés confessou à imprensa tê-la matado.
-Desta vez o escândalo nos destruirá. -Quem ele matou?
Belén!
O que foi? Não sabia?
Não acredito que não se importe com a sorte deles.
Diego!
Sra. Salinas, uma pergunta, por favor.
Como está seu filho? Onde ele está?
Algum comentário?
Ali está ele!
Sr. Alarcón, por favor!
Sr. Alarcón!
-Vai manter sua confissão? -Sr. Alarcón!
Sem mais perguntas.
O senhor foi acusado?
Sr. Alarcón, só uma pergunta.
Sem mais perguntas! Mais tarde.
Deixem-nos passar.
Sr. Alarcón, por que fez isso?
Sr. Alarcón, sua família sabia?
Onde escondeu o corpo?
Mãe.
Dona Ángela,
leve-o para o quarto.
Vamos afastá-lo desses urubus.
Detetive, umas palavras.
Vamos, mãe.
Dê-nos mais detalhes.
Sr. Alarcón!
-Sr. Alarcón, responda. -Por favor! Sr. Alarcón!
Como está se sentindo?
Sr. Alarcón, por favor.
Sr. Alarcón!
Responda! Sr. Alarcón!
Não me disse se meu filho está detido.
Algo parecido.
O juiz ordenou a prisão domiciliar como precaução.
O hotel servirá como uma cadeia.
Seu filho pode ficar aqui, mas não pode sair.
Não entendo o porquê.
Andrés confessou,
mas não encontramos o corpo e não há denúncia,
só a palavra dele, que não é muito precisa.
Porque é inocente.
-Diga que é inocente. -Esqueça, mãe.
Inocente ou não, a lei protege seu filho de si mesmo.
Somente a confissão não é suficiente para sentenciá-lo.
Ele é incapaz de uma coisa dessas e você sabe.
Seu filho tem que ficar no hotel.
Um oficial checará duas vezes por dia se cumpre a prisão domiciliar.
Não se preocupe, não vou sair daqui.
Detetive, quero falar com o senhor.
Diga-me a verdade, Detetive.
É como eu disse, senhora.
Andrés foi preso, mas pode ficar aqui.
Não entendo, Detetive.
Se é culpado, por que ainda está aqui?
A situação, Dona Ángela, é que há quem creia que ele seja culpado,
e há quem ache que ele mereça o benefício da dúvida.
Ele ficará melhor aqui.
Desculpe-me e obrigada.
-Como está? -Tudo bem.
Estou aflito. É muito para minha mãe aguentar.
-Cuidarei dela, não se preocupe. -Não me preocupar, Julio?
Como ela vai lidar com o fato do filho ser julgado e provavelmente...
O que esperava?
-Agora se preocupa com ela? -É natural.
Não, não é.
-Foi idiota. -Julio!
Só um idiota confessa um crime que não lembra.
-Segui minha consciência. -Consciência?
Não deveria ter se entregado, Andrés.
Não acho que tenha matado Belén.
Mas você se condena.
Não espere que entendamos.
Nem sua mãe, nem eu.
Fiz o que devia.
Se me acha idiota, não me importo.
Isto é seu?
Não, não é.
Não.
"Sr. Olmedo...
Se souber olhar, encontrará as respostas."
Perdeu algo, Espinosa?
Não, Dom Jesús.
-E por que está parado aqui? -Boa pergunta.
Mateo, se perguntarem por um caderno, me avise.
-Está bem, Julio. -Obrigado.
A mesma caligrafia de antes.
Ele devia estar por perto.
Julio?
No que está pensando?
Andrés.
É o que mais importa agora.
Estou cansado desse jogo de pistas...
Esse jogo pode ajudar Alicia e você a se livrarem de Diego para sempre.
Havia muitas pessoas.
Qualquer um pode ser o dono.
Olhem.
Parece uma pipa, não é?
"A fera não se esconde no céu."
Não é uma expressão comum.
E na primeira página diz que, se souber olhar, encontrará as respostas.
Para onde acham que devemos olhar?
Talvez seja como olhamos.
Deixe-me ver.
Menciona o céu. Deve ser para onde devemos olhar.
-Acha que são estrelas? -Talvez.
Pode ser uma constelação, mas qual?
Não sei nada de astronomia.
Eu também não.
Nem eu.
Meu pai adorava.
Mas nunca conseguia que olhássemos para o céu por mais de dez segundos.
Um quarto secreto?
Não sabia que havia algo assim no hotel.
Ninguém sabe, por isso é secreto.
Mas vocês dois sabem.
Descobrimos acidentalmente.
Tudo bem se não quiser falar, mas não precisa soar misterioso.
Por que estamos procurando aqui e não na biblioteca?
Este era o refúgio do meu pai.
É onde mantinha suas coisas pessoais.
Aqui está.
Vamos procurar por constelações em formato de feras.
Um animal.
Leão ou Touro.
Deixe-me ver o desenho.
Capricórnio,
Ursa Maior.
Escorpião?
Não conta.
-Por que não? -É um escorpião.
-Não é um animal, é um inseto. -É um animal.
Capricórnio é uma cabra, não é uma fera.
É o dragão.
O quê?
É a constelação de dragão. Vejam.
Está certo, e então?
"O dragão não se esconde no céu." Qual o significado disso?
Tem algum dragão no hotel?
Não sei.
Uma pintura, uma escultura,
um brasão?
Tenho que voltar ao trabalho. Dom Jesús deve estar me procurando.
Então aqui é onde você e...
e Julio...
É uma desgraça atrás da outra.
Andrés vai arruinar nosso nome e a reputação do hotel.
Mãe, foi você que o reconheceu como um Alarcón.
Não tive escolha, meu filho.
A imprensa está dizendo coisas horríveis.
A própria esposa.
É a pior coisa que poderia ter nos acontecido.
Nosso futuro está em jogo e...
Precisamos ficar mais unidos do que nunca.
É tão bom tê-la na família agora.
E terem que partir
logo neste momento.
-Oh, Teresa! -Perdoe-me.
Não se preocupe.
Não vamos deixar o hotel.
Vou ligar para minha mãe e adiar a viagem a Santander pelo tempo necessário.
Agradeço.
Será melhor ir ao meu quarto descansar.
Mãe.
Bom, é o que queria, não é?
Pobrezinha.
Sim.
As coisas já estavam ruins antes de um Alarcón desconhecido
vir arruinar tudo.
Só agradeço por não estarmos no centro desse escândalo.
Porque temos razão para estar.
O importante é mostrar que um Duque está acima disso tudo.
Para nós e para o futuro do nosso filho.
Padre Grau.
Vim assim que soube do seu meio-irmão.
Que situação terrível.
A notícia já chegou à vila?
Agora já deve ter chegado à capital.
Não vim para julgar, mas para oferecer apoio espiritual.
Suponho que estejam precisando.
Muito obrigado.
Também vim me despedir de vocês.
Sentiremos sua falta.
Gostaria de pensar que ainda há uma chance de ficar.
Já tentei, querido...
mas o padre Grau é um homem que mantém suas decisões.
É o mínimo que um padre pode fazer, não acha?
Está certo.
A decisão está tomada.
Mas antes de ir, quero finalizar nossos assuntos.
Refiro-me à compra do terreno para o orfanato.
Arrecadamos o suficiente. Mas, como sabe, o dono não o venderá sem sua intervenção.
Duvido que seja tão relutante com um Duque.
Sim, claro.
Não me agradeça, é um prazer.
Passarei à tarde na igreja. Se me der o dinheiro, cuidarei pessoalmente
da compra.
Estarei lá.
Vamos dar uma volta.
Acompanha-nos?
Não, obrigado.
Alfredo.
Senhora, nunca esquecerei tudo o que fez.
Deus é eternamente grato e, acredite,
eu também sou.
Para ser sincero, estou surpreso.
Quando falei com Sebastián, ele não mencionou que era tão magro.
Isso nunca foi problema.
Não costumo entrar em briga corporal.
Quero que fique perto de mim, até lhe dizer o que fazer.
Entendido?
É fácil de entender, Sr. Murquía.
Entre.
-Trouxe um salmão. -Sabe que odeio salmão.
Tinha que trazer algo.
-Era o mais fácil. -Julio, o que quer?
Disse que era um idiota.
Sim, com todas as letras.
Não diga que mudou de ideia.
Não, ainda penso o mesmo.
Quero que saiba...
Olhe para mim...
Estou contigo.
Eu sei.
Estou disposto a perdoá-lo.
-Não pedi perdão. -Pediu do seu jeito.
Não sou tão idiota assim.
-Tenho que voltar ao trabalho. -E leve esse salmão.
Fricassê de frango.
Parece melhor, não é?
Bom apetite.
Obrigado.
Às vezes me pergunto se este escritório é meu ou seu?
O que quer desta vez, Detetive?
Encontramos o corpo da Srta. Velledur.
Ela está morta.
Apareceu na praia com marca de tiros.
Foi jogada ao mar dentro do carro, com o motorista.
E, naturalmente, Sr. Murquía, não encontramos o documento de venda.
Vocês receberam o dinheiro da venda.
Não sabiam de nada, eu que lhes informei.
-E já que essa é a verdade... -Difícil dizer.
É a verdade.
Quem tinha mais a perder?
Quem ganharia com a morte da Srta. Velledur, Hernando?
Quem? Dona Teresa?
Essas são as perguntas que deveria fazer.
Minha sogra é uma pessoa que não aceita facilmente a derrota.
Não acho que tenha medo dela.
Você ainda não a conhece.
Em seu lugar não deixaria de investigá-la.
Pode se perguntar de quem é o escritório,
mas eu sei muito bem qual dos dois é o detetive
e não penso em seguir suas demandas.
Se me der licença.
Esse idiota está envergonhando a família.
Era só o que nos faltava.
Andrés não fez nada.
E como sabe?
Por acaso estava lá?
Colocou os negócios e nosso futuro em risco.
Não me importo se é um criminoso ou um pé-rapado.
Só quer fazer a coisa certa.
A coisa certa?
A coisa certa é pensar nos outros.
Pensar nos outros?
Dando lições de altruísmo, mãe.
Isso é novidade.
Aonde vai?
Perdi o apetite.
Cuide dela.
Não se preocupe, ela não tem para onde ir.
A propósito,
nem você.
Está se arriscando muito.
Não sei o que quer dizer.
Acabei de falar com Detetive Ayala.
Acharam o corpo da Srta. Velledur e do motorista.
Foram mortos a sangue frio
e suspeito de alguém.
Deveria denunciá-lo.
Duvido que o contrato de venda esteja com ela.
Você se certificou disso.
É uma pena, mas esse barco já zarpou
junto com o dinheiro.
Não acha que já está bastante ocupado com o hotel?
Sim,
tenho outros problemas.
Não posso provar minha suspeita agora.
Mas tenho certeza que o Detetive Ayala saberá onde encontrar provas.
Sabe como ele é insistente.
E mais, vou deixar que se mova com total liberdade pelo hotel.
Ele tem muitas perguntas e alguém poderá respondê-las.
Não poderia ter feito algo assim sozinha.
Certamente deixou peças soltas.
Ayala vai encontrá-las.
Você é desprezível.
-Não sei como deixo que fale assim comigo. -Não preciso da sua permissão.
Garçom!
Todos o consideram culpado e condenado.
-Não se irrite. -E faço o quê?
Aceito isso como algo inevitável?
Não preciso lembrá-lo que pode arruinar sua vida por...
algo que não fez.
-Não sabe se fiz ou não. -Nem você.
Você foi estúpido, filho.
Estúpido!
Agora têm sua confissão.
Um papel que fala que é culpado de algo
de que nem se lembra.
Mas deve ter sido eu e tenho que encarar o fato como um homem.
E eu?
O que eu vou fazer?
Mãe, me acobertaria mesmo se me visse matá-la.
Sim, mas pelo menos teria o consolo de que pagaria por algo que fez.
Agora nem esse consolo tenho,
-porque é inocente. -Mãe...
-Não precisava ter vindo. -Estou bem.
-Podemos nos virar sem a senhora. -Permita-me duvidar disso.
Preciso trabalhar, Dom Jesús.
-Ou a dor irá me consumir. -Como desejar.
Com licença.
Preciso falar com a senhora, Dona Ángela.
Cuidarei de tudo, não se preocupe.
Detetive.
Retirem-se.
Tem algo novo para me contar?
Devo voltar às minhas tarefas.
Se pergunta sobre a esposa de seu filho, não.
Preciso falar sobre a Srta. Celia Velledur.
Já disse tudo que sei.
Preciso que confirme o que disse, agora que encontramos o corpo.
O recepcionista insiste que saíram do hotel às oito
e que ela assinou o registro.
Mateo pode falar o que quiser.
Eu disse que minha memória nunca falha.
Fui chamada às 22h30. Ela estava saindo do hotel
e queria um casaco que havia mandado passar.
Tem certeza?
Não se cansa de repetir a mesma coisa?
Já disse duas vezes.
E perguntarei novamente,
se for declarar perante um juiz como testemunha.
Tenho certeza.
E declaro perante qualquer um, quantas vezes precisar.
Pediram-me para entregar o casaco a ela.
Dona Teresa havia acabado de se despedir.
Eram dez e meia da noite.
Não havia me dito isso.
Que Dona Teresa foi despedir-se da moça.
Ela é dona do hotel. Ou era naquela época.
É normal receber e despedir-se dos hóspedes.
Claro.
Sinto muito pela morte dela, acredite.
Estou preocupada com meu filho, que está preso não sei o porquê
nem até quando.
-Dona Ángela, estamos... -Sim, eu sei. Estão investigando.
Tem mais alguma pergunta?
Não, pode ir.
Não lhe incomodarei mais.
-Deveria ter passado isso há uma hora. -Sinto muito, Dona Ángela.
Disse que manteria a palavra perante um juiz.
-Perante um juiz? -Sim.
É o que o detetive queria saber.
-E o que mais disseram? -Só isso, que sua memória não falha.
Ainda está dizendo que foi às 22h30.
Sua memória?
Ela quer dizer seu orgulho.
Ela também disse que a senhora se despediu da senhorita.
Estou perdendo minha paciência com ela.
Vai fazer mais uma coisa para mim.
Dona Ángela, precisa de ajuda?
Dom Jesús lhe enviou?
Não, só pensei que...
Tem pensado muito ultimamente.
Se está aqui, não está trabalhando. Volte ao trabalho.
-Como quiser. -Passe-me a lista.
Julio! Alguém perguntou pelo caderno que achou hoje de manhã.
Quem foi?
-O hóspede do quarto 13. -Quem é ele? Como se chama?
Dom Rodrigo López Segura. Deixou um bilhete.
-Obrigado. Cuide disso, sim? -Julio!
Julio, escute, eu não...
-Julio! -Perguntaram pelo caderno.
O hóspede do quarto 13.
-Alicia sabe? -Fui procurá-la, mas está com Diego.
-É Rodrigo López Segura. -Rodrigo López Segura.
Reconhece o nome?
Ele foi um famoso jogador de xadrez do século 16.
Uau, também é especialista em xadrez.
-Uma simples aficionada. -Sim, claro.
Este nome não foi escolhido por acaso.
Logo descobriremos.
Vou até o quarto dele. O próximo passo do jogo, suponho.
Julio, isso pode não ser um jogo,
pode ser uma armadilha.
Por isso vou sozinho.
Nem pensar.
Você disse, "nem pensar". Ficará aqui.
Não precisa falar que sou obstinada. Já sei.
Obstinada? É teimosa como uma mula surda, isso sim.
Muito obrigada.
Sabe como tratar uma mulher.
E então?
-Não há ninguém. -O que precisamos está aí dentro.
-E como entramos? -Com uma chave mestra.
-Não temos uma. -Não, mas Alicia tem.
-Diego. -Maitê. Como posso ajudá-la?
Na verdade, vim roubar tua esposa.
Vou enviar uns doces para minha mãe e ela disse que escreveria umas linhas.
Então eu vim.
Vou com você.
Não vou demorar.
-O que houve? -Perguntaram pelo caderno.
Alguém registrado com o nome de um jogador de xadrez do século 16,
-e não achamos que seja coincidência. -Vocês não acham?
Fomos ao quarto, mas ninguém respondeu.
Achamos que está vazio.
Temos que entrar.
-Querem a chave mestra, não a mim. -Ambas, Alicia.
Julio te procurou, mas estava com Diego.
Qual é o quarto?
Treze.
Está bem.
Lembro-me desta estatueta.
Estava no local onde me mantiveram sequestrada.
Este é o único cavalo que nos interessa.
Um cavalo em um quarto ocupado por um jogador de xadrez.
Não pode ser coincidência.
"Coloque-me no tabuleiro."
Seria fácil se houvesse um tabuleiro.
Mas não há.
Ou será que há?
Aqui está o tabuleiro.
No xadrez há uma jogada defensiva que se chama variante do dragão.
Indica que "a fera não se esconde no céu."
E sim no chão.
Bom, faz sentido.
Parece uma rosa dos ventos. Talvez seja um sinal.
Como se chama a jogada do dragão?
A variante do dragão.
É a mesma coisa.
Não, não é. Pode-se notar que não entende nada de xadrez.
Vai explicar a variante ou não?
-Assim, de cor, não... -A especialista não é especialista.
Nunca disse que sou uma especialista.
Mas conheço um bom jogador que talvez...
Está bem, eu vou.
De onde Maitê tira essas coisas?
Variante do dragão?
-Não sabia que ela jogava. -Fala italiano,
-anda de moto e pratica tiro. -Sério?
-Por que está me contando isso? -Foi atrás dela ao invés de mim.
Fui ao seu quarto, mas estava com Diego.
Não quis que ficasse em uma situação incômoda.
E desde quando isso é um problema?
Já me trouxe centenas de chás que nunca pedi,
me deixou bilhetes,
me procurou por toda parte, inclusive no banheiro.
Agora diz que não queria que ficasse em uma situação incômoda?
Não acredito que está com ciúmes.
-Vejo como olha para ela. -Não há nada para ver.
Claro que há, Julio.
Se alguém tem o direito de ter ciúmes, sou eu.
Você se deita toda noite com outro homem.
-É meu marido, o que espera? -Acha que não sei?
-Que não penso nisso? -Talvez esse seja o problema.
Você merece alguém que esteja livre.
Alicia!
Pronto!
Só usaremos as peças pretas.
A jogada tem esse nome pela posição dos peões.
Eles têm a forma da cauda de um dragão.
Não esqueça que há outro cavalo.
Está solta.
Ah.
Pensei que encontraríamos algo.
É tudo que temos, um azulejo solto.
Espere, olhem.
Parece um mapa.
É claramente um mapa, mas não tem nada marcado.
Sim, o hotel está marcado. Tem o desenho?
-Sim. -Deixe-me vê-lo.
Tem que estar aqui.
-Algum lugar no bosque. -É onde temos que procurar.
Hernando!
-Sim? -O que significa isso?
Enquanto estava fora, o Detetive-chefe Bazán chegou.
E deixou que usasse minha mesa?
-Eu? Não. -Minhas coisas estão aqui.
-Ele é abusado. -Abusado, mas chefe dos dois.
-Detetive-chefe Bazán. -Detetive.
Prazer vê-lo novamente.
Não fique chateado com as pequenas mudanças.
É só uma alteração provisória.
Não estou chateado, senhor.
A que devemos o prazer de sua visita?
Não estou de visita, Ayala.
Nossos superiores acham que, por conta da quantidade de casos acumulados,
era melhor que eu viesse para cá.
Deve ser um equívoco, não pedi ajuda.
Não há nenhum equívoco.
Estou encarregado do caso Alarcón.
Caso Alarcón? Qual deles?
O crime do bastardo Alarcón,
que está em todos os jornais, de Cadiz a San Sebastian.
Parece que nem nossos superiores, nem os políticos
estão contentes em ser o centro das atenções.
Se me permite, Detetive-chefe,
passei muitas horas investigando as peculiaridades da família Alarcón.
Como pode desperdiçar minha experiência nesse caso?
-Se quer minha opinião... -Não quero, Ayala.
A decisão está tomada, indiferente à sua opinião.
Não gaste sua energia lutando por isso.
Hernando, dê-me o relatório do caso, por favor.
Sim, claro.
Obrigado.
Vamos ao trabalho, senhores.
Vamos!
Sinto muito por termos adiado nossos planos,
mas agradeço pelo que tem feito pela nossa família.
-Será só um pequeno atraso. -Espero que sim.
Nunca se sabe quanto tempo essas coisas levam.
Talvez até lá aquele ótimo emprego não esteja mais disponível.
Não se preocupe, o emprego é teu. Minha mãe confirmou.
-Sério? -Sim!
E tenho mais notícias.
Não.
Não faça essa cara, são boas notícias.
-Quão boas? -As melhores!
Acontece, meu amor,
que o homem cujo posto você vai ocupar, está a caminho.
-A caminho de onde? -Daqui, meu amor.
Teve a gentileza de vir
para lhe explicar sobre sua nova carreira.
Que bondade a dele.
E há quem duvide da bondade humana.
Para ser sincera, acho que está feliz em ser substituído.
Ele foi forçado a deixar o emprego para mim?
Não se preocupe com isso.
-Ouvi dizer que deseja me substituir. -Não diria que desejo.
Não é fácil encontrar alguém disposto a sacrificar a vida em família,
Vida em família?
Não quero mentir, apesar de terem mentido para mim.
Estava certo,
já que a empresa fica em Santander,
de que trabalharia lá, perto da minha família.
Mas não era verdade.
Nos últimos cinco anos, passei menos de três meses lá.
O que está dizendo?
Admito, não tive que trabalhar muito duro.
Se trata mais de socializar, representar a empresa.
Festas?
Festas, coquetéis, jantares. E tudo longe de Santander.
Acabamos nos cansando disso.
Todo aquele caviar, champanhe, ostras, mulheres.
Mas não é para mim.
Nem para você, se for caseiro.
Você é muito caseiro?
Caseiro seria exagero.
-Se for um pouco caseiro... -Mas a responsabilidade?
-Alguém tem que fazê-lo. -Eu não.
Mas, imagine só,
ainda nem comecei o trabalho
e já sinto o senso de responsabilidade.
E este senso me diz que devo começar o mais cedo possível.
-Eu já ia cancelar uma viagem a Paris... -A Paris?
Não, não cancele.
Alguém precisa representar a empresa em Paris.
E por mais caseiro que seja, sinto o chamado de minha nova obrigação.
À sua nova vida.
Espero que a desfrute.
Mãe, estive pensando e vou aceitar aquele emprego.
Filho, já pensou em deixar de ser quem você é?
O que disse?
De vez em quando, para descansarmos.
-Mãe! -Precisamos do dote, Javier.
-Não vou... -Eu sei. E pensei muito.
Acho que me deixei levar, mas...
Agora sei qual é minha obrigação.
Claro que poderá contar com o dinheiro de minha concessão, do dote.
E você vai trabalhar?
Falei com meu predecessor e disse que começarei imediatamente.
Não será fácil para mim,
mas se quiser olhar nos olhos de minha mulher
é o que tenho que fazer.
Muito bem, filho.
Se também puder me olhar nos olhos, seria ótimo.
Claro, mãe.
Pode contar comigo.
Com licença.
Estou procurando Javier, pensei que estivesse aqui.
-Ele saiu por ali. -Obrigada.
Então é verdade.
Está conseguindo mudar meu filho.
Por que diz isso?
Porque é a primeira vez que o vejo disposto e com vontade de trabalhar.
Bom, veremos quando o momento chegar.
O momento chegou.
Vocês vão a Santander.
Javier?
Olá!
Estava te procurando.
Conversei sobre o emprego e disse que começaria já.
-Mas e sua mãe? -Minha mãe?
Falei com ela. Disse que tem que ser forte
e que tem que entender que temos que começar nossa vida.
Sei que será difícil para ela, mas ela entenderá.
Tem certeza?
-Eu pensei que quisesse esperar. -Esperar?
Não. Quero estar contigo, Laura. Juntos.
É a nossa família e não vou decepcioná-la.
Vamos a Santander.
Bom, se isso for o que quiser.
O que é isso?
Há um problema com o pedido de Dona Ángela.
Há muito do que não precisamos e pouco do que precisamos.
Não disse a eles que está errado? O que faremos com tudo isso?
Eles não erraram, Dom Jesús.
Olhe o pedido de Dona Ángela.
Não é possível.
Como puderam trazer um pedido assim?
Não sei o que houve.
Eu mesma preenchi a lista do fornecedor.
Alguém deve tê-la trocado.
-Isso pode acontecer com qualquer um. -Comigo não.
Dona Ángela.
Sim, é minha letra, mas as quantidades estão erradas.
Até a senhora pode ser afetada pela dor provocada pela situação de seu filho.
Não sei como cometi tal erro. É imperdoável.
Não seja tão dura. Eu devolvo tudo. Fique com seu filho.
Pode ter sido minha culpa, mas ainda não sei o que aconteceu.
Mas não vou permitir que ninguém faça meu trabalho. Isso eu garanto.
Dê-me a lista.
Legendas: Maiara Lopes
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