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Original subtitles

Vergara está arruinada.

Querido, precisa ler o contrato antes de assinar?

Confio em sua palavra.

O hotel tem uma dívida com a receita. 300 mil pesetas.

Nos enganaram.

Desculpe incomodar, mas preciso que me ajude.

Fale de você, Isabel, está feliz no hotel?

-Sim. Tem alguém especial. -Ele sabe que gosta dele?

Acho que gosta de outra.

Se assassinaram seu pai, deve ter pistas no corpo.

É só exumá-lo e examinar.

-No que anda metido? -Em nada, mãe.

Diga a verdade.

Pensei em ajudar com o bebê enquanto arruma as malas.

Não sei como eu teria criado você sem a Angela.

Quando você chorava quando era bebê, ela ajudava.

Ela dava banho em você e ficava ao seu lado quando adoecia.

Cada um tem seu lugar no mundo. Angela sabia o que tinha que fazer.

Nem mais nem menos.

Ela sabia qual era sua obrigação e a cumpria.

Sempre foi a governanta perfeita.

Espero que essa viagem repentina a Vergara não seja nada de mais.

Não é. Apenas papelada sobre as terras.

Dona Teresa.

Boa viagem.

-Acha que sabem de algo? -Eles estavam muito tranquilos.

Isso é um bom ou mau sinal?

No caso do Alfredo, bom. Ele é transparente feito água.

Com minha filha, nunca se sabe. Temo o que pode fazer quando souber.

-Ela herdou a personalidade da mãe. -Só uma parte.

Se você identificar o suspeito,

podemos considerar esse caso como encerrado.

Entende que essa é uma grande responsabilidade?

-Sim, senhor. -Muito bem, senhorita.

Identifique entre esses cinco homens

qual foi o que viu.

Acho melhor que não me vejam.

-Entende minha precaução, não é? -Claro.

Não é nenhum deles.

Olhe de novo. Quero que tenha certeza.

O homem que eu vi não está aqui, agente.

Muito bem.

Neste caso, terminamos.

Avisarei quando seu depoimento estiver pronto para assinar.

Como quiser.

Preciso falar com você.

Essa sua fixação por me ver vai comprometer minha reputação.

-É sobre o Julio. -Chegou tarde, ele já foi.

-Como assim? -A testemunha já depôs?

Já.

Mas você sabe quem é essa mulher.

É uma ladra. E não é a primeira vez que trai o Julio.

Se gosta do Sr. Olmedo, e creio que goste,

aconselho que não fale mais nada.

Essa mulher também não me inspira confiança, mas é testemunha.

-É isso? -Senhora,

a testemunha não reconheceu ninguém entre os suspeitos que mostramos,

um deles era o Sr. Olmedo.

-Não reconheceu? -Foi o que eu disse.

-E o Julio? -Julio Olmedo foi liberado.

Vai ficar sob vigilância, mas foi liberado.

Muito obrigado.

Desejam algo mais?

Bom dia.

-As pérolas. -Obrigada.

-Gostou do hotel, senhora? -Senhorita.

É melhor do que eu esperava.

-Como posso ajudá-la? -Tenho uma reserva.

Me chamo Cecilia Mieres.

O que está fazendo? Não sente aqui.

-Preciso falar com você. É importante. -Meu marido já vai chegar.

Não sabe do que ele é capaz. Vá embora.

Onde e quando podemos nos ver?

Javier...

-Não podemos nos ver. -O que tenho a dizer é rápido.

Aonde vai?

-Como não chegava... -Mas nem atrasei.

Viu o Julio, Ernesto?

Ele está doente, Javier. Eu posso ajudar?

-É um assunto delicado. -Como preferir.

Um amigo meu está com um problema sentimental

com uma mulher casada.

E, num momento de fraqueza, ela beijou seu amigo?

Isso, como sabe?

A varanda do hotel

não é um local muito seguro.

Qualquer um poderia ter visto.

Neste caso, fui eu.

Está ameaçando contar, Ernesto?

Se me conhecesse,

saberia que essa possibilidade não existe.

Mas deve ter cuidado.

Nem todo mundo é como eu.

Desculpe ofendê-lo, Ernesto. É que não sei o que fazer.

O que aconteceu entre essa mulher e você?

Não suporto a ideia de não vê-la mais.

Nunca senti isso antes e...

E quis impressioná-la fingindo ser quem não sou.

Ela descobriu.

-Começou mal. -Mas depois melhorou.

Eu a beijei, e ela me deu um tapa.

Chama isso de "melhorar"?

Você viu quando ela me beijou. Foi uma melhora.

Mas, esta manhã, ela me evitou como pôde.

Me diga, Dom Javier,

já declarou seu amor a essa mulher?

-Não tive chance. -Deve fazer isso.

Se não conseguir falar com ela, escreva uma carta.

Nunca escrevi bem, Ernesto.

Quem sabe...

eu posso ajudá-lo?

Adriana.

-Me escute. -Não, não. Vá embora.

-Adriana, só quero lhe dar algo. -Não posso...

Sinto muito, lhe informaram mal.

Meu marido e eu não vamos à cidade.

Você mesmo terá que levar a carta.

Sr. Alarcón, vejo que temos os mesmos horários.

Sempre nos cruzamos.

Sinto muito ter interrompido sua leitura. Dom Eusébio.

-Espero que não a tenha importunado. -Não.

Ele só queria nos pedir o favor de entregar uma carta.

Um hotel tão luxuoso não tem serviço de correio?

Se há algo que me impressiona nos jovens

é a rapidez com que se recuperam.

Não entendi, senhor.

Me falaram que você estava doente.

-E estava. -Posso saber que doença caprichosa é essa?

Sabe como são essas coisas. Assim como vêm, vão embora.

-Acabamos nem sabendo o que era. -Claro.

Mas eu faço uma ideia do que aconteceu com você.

Você tem sorte de eu já ter sido jovem

e de ainda me lembrar.

Me diga, é bonita?

Muito bonita, senhor.

Vamos lá. Faça a barba, se troque e vá ao restaurante.

Se a Dona Angela perguntar, não conte sobre seu caso romântico.

-Diga que teve dor de cabeça. -Obrigado.

Deu tempo de chegar?

Minha mãe estava no corredor.

-Eu vi quando ela saiu. -Filho.

-Andrés... -Oi!

-O que foi, mãe? -Seus lençóis.

Que seja a última vez que deixa na lavanderia

-para depois eu ter que trazer. -Desculpe, senhora.

O que é isso?

-Roupa de bebê. -Deve ser do Alejandro.

-Deve ter misturado na rouparia. -Ou sua mãe sabe de tudo.

Acha que, se ela soubesse, ficaria quieta?

Não sei.

-Estou pronto. -Leve chá com biscoitos ao salão.

Julio, tem um momento?

Venha.

-Açúcar. -O quê?

-Açúcar. -Isabel, preciso trabalhar.

É o que vai aqui. "Açúcar".

Muito bem.

Mas é fácil supor que em um pote com açúcar, vai açúcar.

O que vai aqui?

Bis...

Biscoi...

-Biscoitos. -Muito bem.

E isso não é o melhor. Veja, eu escrevi isto.

Você é uma aluna excelente.

Espinosa, e os biscoitos?

"Mesa 14: Dona Cecilia Mieres."

Espero que tenha uma boa estadia.

E breve.

Você é ingrato.

-Se a senhora me der licença... -A senhora acabou de salvar sua pele.

Deveria ser gentil, pelo menos.

Pelo que devo agradecer? Por ter parado de mentir?

A pena para assassinato é o garrote.

Dizem que aperta mais do que essa gravata.

Estavam atrás de mim por culpa sua.

Para mim, está claro que você é a assassina.

Tem provas?

Não. Mas eu tenho minha palavra.

Sou testemunha, lembra? Posso mandá-lo de volta para a cadeia.

-Por que me salvou? -Não ganho nada com sua morte.

Você é muito mais útil vivo.

Sempre sonhei em morar em um hotel de luxo.

-Não poderia pagar. -Você acha?

-Sim. -Com tanto dinheiro circulando por aqui

-e tendo um garçom de sócio? -Não conte comigo.

Claro que conto com você. Vai fazer o que eu mandar.

Você vai fazer porque senão procuro o detetive

para dizer que quero identificar o assassino.

Vai fazer por mais um motivo,

porque nunca foi tão feliz como quando trabalhávamos juntos.

-Não é verdade? -Eu não sou o mesmo.

Éramos o casal perfeito, Julio. Em todos os sentidos.

Isso é o que você lembra.

Você também, querido. Você também lembra.

Se tiver esquecido alguma coisa,

estou aqui para refrescar sua memória.

Vou aguardá-lo no meu quarto às 19h.

Você é uma megera.

Isso me parece um sim.

Às 19h. E leve champanhe.

Você sabe que eu adoro.

Julio!

Acabei de chegar da delegacia.

-Que bom que voltou! -Já falei para confiar em mim.

E como iam me identificar se eu não estava lá?

É, foi o que você disse.

E a testemunha, sabe quem é?

Uma mulher que não conheço.

Se me der licença, tenho que trabalhar.

Depois conversamos.

Muito bem, garçom.

Não posso correr o risco que me traia.

Terá que provar de que lado está.

Como?

Sujando as mãos. Vai roubar para mim.

Não vou arriscar meu trabalho.

Claro que vai, pela recompensa que terá.

Vai começar por algo fácil.

Um broche.

Onde está?

Preso na roupa da sua chefe.

Quem é?

-Alicia, o que foi? -Nada, mãe.

Pode falar na frente da Sofia, mãe. Ela já sabe da herança.

E o que quer que eu fale?

Há homens que nos surpreendem mesmo depois de mortos.

Quem diria que eu acabaria falida?

Não parece estar exatamente falida, senhora.

Não se engane, querida. Do jeito que estão as coisas,

quase não posso dar festas elegantes na casa.

Era disso que eu queria conversar com você.

Surgiu um imprevisto no hotel, e vou precisar de dinheiro em breve.

Serão 300 mil pesetas.

Como gostaria de ajudá-lo, filho!

Mas agora só tenho dinheiro para me manter.

Um dia vai encontrar sua mãe costurando meias.

Com licença.

Você ouviu. Não acredito que eu consiga convencê-la.

Não é questão de convencê-la.

Pelo menos, conte que vá vender tudo isso.

Não posso vender sem o consentimento dela.

E o que pensa fazer? Vai ficar de braços cruzados?

Sofia, por favor, é minha mãe.

Não posso fazer isso com ela.

Ela vai morar em uma casa boa, só terá que sair desta.

E terá que se contentar com dois ou três empregados, não 20.

Sofia, não me pressione.

Não há outra saída, Alfredo.

Ou está do lado da sua mãe ou do meu. E do seu filho.

-O marido não sai do lado dela. -Isso complica tudo.

-Não me diga! -Isso mostra que é um homem inteligente.

Está do lado dele ou do meu?

O que faço se ela não sai do quarto? Acho que está me evitando.

Isso não é um mau sinal.

Porque, se o está evitando, significa...

-Que tem medo de mim? -Não. Ela tem medo de si mesma.

Tanto faz. Mas não tenho como entregar isto.

É por isso que estamos aqui. Me dê.

Jesús, este é o pedido do Sr. Eusébio?

-Sim, senhor. -Eu vou levar.

Desculpe, mas não pedi nada.

Seu marido pediu, senhora.

Desculpe, pode levar de volta. Estou sem apetite.

Não quer olhar, senhora?

Talvez mude de opinião.

-Escute... -Fale, senhora.

Eu pedi para levar o que trouxe.

Tudo, por favor.

-Por que não deu a ela? -Eu dei.

-Mas ela devolveu. -Talvez não tenha visto.

Eu dei, ela viu e devolveu.

Dom Javier, talvez deva pensar em desistir.

Não consigo, Ernesto.

Essa mulher não me sai da cabeça. Nunca senti algo assim.

-Isso quase sempre acaba mal, Dom Javier. -Quase.

Esse "quase" se chama esperança, Ernesto.

Boa sorte.

Senhor.

Terminei, querida.

Sei que este bilhete me compromete, mas ele se faz necessário.

Não posso negar meus sentimentos.

Meus atos me entregaram, mais do que gostaria.

Ponhamos um fim no que nunca devia ter começado.

Imploro que se esqueça de mim. Adriana.

O que faz aqui?

Estou trabalhando. E você?

Vim evitar que faça besteira.

-Alicia... -Não diga nada.

Sei quem é aquela mulher.

-Quem? -Cecilia.

Sua ex-namorada.

Ela o mandou para a cadeia e o acusou de assassinato.

-Estou livre graças a ela. -Vejo que ela cobrou o favor.

Sinto muito, não queria fazer isso.

Mas ela disse que mudará o testemunho.

-Por que não me contou? -O que poderia fazer?

-Tem que denunciá-la. -Não posso.

Se provam que ela é ladra, seu testemunho perde valor.

-E se eu denunciar? -Não. Não a conhece, ela é perigosa.

Minha única opção é ficar perto dela. E fazer o que ela pede.

É isso? Vai se render?

Não posso deixar que roube no hotel da minha família.

O que vê naquele garçom? Não tira os olhos dele.

Sou filha da dona do hotel. Cuidamos de cada detalhe, senhorita.

-Claro. Certamente é por isso. -Está duvidando do que digo?

Algumas formas de olhar são inconfundíveis.

Sei quem é e o que veio fazer aqui.

Não vou enganá-la. Sou solteira, Julio também.

Já fomos namorados. Deve saber.

Não veio por amor. A quem tenta enganar?

Você o obrigou a roubar.

Vá embora hoje, ou chamo a polícia.

Se estiver aqui amanhã, acabará na cadeia.

Se eu for presa, seu garçom vai para a forca.

Isso depende de você. Vá embora hoje e evite as duas coisas.

Garçom, não deixe que ninguém ocupe essas mesas.

-Vou ter uma conversa particular. -Como quiser, senhor.

E leve café e licor à mesa do canto.

-Bom dia. Me acompanhe. -Bom dia.

Chame o recepcionista, por favor.

-Criaram problema para dar a entrada? -Não, senhor.

-E você contou? -Sim, senhora. 300 mil pesetas.

-Prepare nosso cofre. -Agora mesmo.

Cadê o broche? Sua admiradora, a filha da dona, ameaçou ir à polícia.

Alicia me pegou, mas não fará isso. Não se eu pedir.

Então faça isso. Não quero correr riscos.

O risco vale a pena.

Ouvi o gerente falar em 300 mil pesetas.

-Onde? -No cofre do Marquês de Vergara.

Duas chaves abrem o cofre. A do recepcionista e a do hóspede.

-Eu consigo a do hóspede. -E eu, a do recepcionista.

Alugue um cofre, assim será mais fácil. De quebra, teremos o esconderijo perfeito.

Esse parece o Julio por quem me apaixonei aos 16 anos.

Sua chave. Se tiver que abrir o cofre, me avise e virei com minha chave.

Tem que ter as duas. Não se esqueça.

Obrigada, Mateo. Me permite lhe dar um conselho?

Claro, senhorita.

Você tem uma elegância natural.

Não deixe um nó mal feito atrapalhar.

Obrigado, senhorita.

-Que desastrada! -Me permita.

Aqui, sua chave.

Obrigada. Você é um encanto.

Não sei por que alugou um cofre se já vai embora.

Decidi ficar mais uma noite.

Se não for agora, chamarei a polícia.

Não finja. Julio me contou tudo. Quando se beijaram,

quando tentou fugir com ele,

mas ele a deixou plantada esperando. Tudo.

Ele mentiu para você.

Se quiser, podemos falar com seu marido.

Não toque em nada, Hernando.

Chegou um telegrama do Dr. Schneider.

-Más notícias, agente. -Ele foi a um congresso na Argentina.

Vejo que está informado.

Que falta de sorte, não é?

Hernando, acho que sorte não tem nada a ver com essa viagem repentina.

Agora nós teremos que fazer o que Schneider faria.

Nós?

Esse plural me parece muito singular, amigo.

Posso chamá-lo de amigo?

-Tudo bem. Deveria ler o telegrama. -Para quê? Já sei o que diz.

Não, não sabe. Pelo menos, não tudo.

"Impedido de ir devido a congresso na Argentina.

Aconselho teste de Marsh.

Usar grânulos de zinco e ácido sulfúrico. Acrescente..."

Bendito Dr. Schneider! Que grande profissional!

O que está esperando, Hernando? Vá comprar tudo que está aqui.

-Temos uma chance! -Não, não temos, agente.

O juiz ligou. Logo virão retirar o corpo.

Agente!

Como posso ajudá-la agora, senhora?

Quero denunciar um roubo.

-Posso saber quem é o suposto ladrão? -Ladra.

Cecilia Mieres. Está no Gran Hotel.

O que ela roubou?

Isto.

Mas está com a senhora.

-Porque eu o recuperei. -Como?

Peguei no quarto dela. Sei que é errado, mas...

E a senhora é a dona do broche?

-Não. O broche é da minha mãe. -Ela devia ter feito a denúncia.

Ela não sabe do roubo, disse que ele estava comigo.

Por quê?

Protege uma ladra para depois denunciá-la?

Tenho motivos para acreditar que ela vai agir. Hoje à noite.

Muito bem. Agradeço a informação, senhora.

Me agradece? Isso é tudo que vai fazer?

Não. Também quero recomendar que sossegue

e deixe de bancar a polícia do Gran Hotel.

Sua imaginação está fértil demais.

Não é imaginação. Estou dizendo que essa senhora...

Me escute: deixe a investigação criminal nas mãos dos profissionais.

O que pensa agora sobre sua caridosa senhora?

Gente da alta classe tem muito tempo livre.

Minha mãe sempre dizia isso. E ela era da alta classe.

Verdadeiramente incrível.

Garçom, soube que aconteceram pequenos furtos no hotel.

Sabe de alguma coisa?

-Não, senhor. -Algum empregado com atitude suspeita?

-Um empregado não faria algo assim. -Não? Se lembra de Cristina Olmedo?

Lembro, senhor.

Ela sofreu um acidente quando foi roubar o hotel.

Nem todos acreditam que foi acidente.

E no que acreditam?

Que ela foi assassinada. E que o culpado continua livre.

Seu café, senhor.

-Isso é absurdo. -Tem razão, senhor.

Se precisava que Alfredo desse dinheiro para salvar o hotel,

devia ter dito. E não ter tentado enganá-lo com o contrato.

Temi que Alfredo não fosse querer ajudar. Desculpe.

Meu marido é um homem de honra. Sabe disso tanto quanto eu.

Ele está disposto a dar o dinheiro?

Para o bem de todos?

O dinheiro já está no cofre do hotel.

Mas entende que não é justo que Alfredo pague pelos erros dos outros.

Muito menos a troco de nada.

-O que você quer? -Uma compensação justa.

Alfredo vai salvá-la,

e, em troca, você garante que ele ficará 10 anos na gerência.

Não gosto que minha filha barganhe comigo.

E passará 1/3 do Gran Hotel para o nome dele.

Como ousa?

-Por acaso você foi piedosa comigo? -Não me provoque!

E se ele souber o que está escondendo?

Alfredo me ama. Não sei se mereço, mas ele me ama.

Ainda vai amá-la se souber da mentira da gravidez?

Não sei. Mas também não sei se você está disposta a pagar o preço para descobrir.

-Que vergonha de você! -Estou fazendo conforme me ensinou.

Deveria estar orgulhosa.

Não vai voltar atrás?

Não, mãe.

Senhora, tem uma visita.

Ela está esperando por você.

Alfredo e Sofia não devem saber que vim.

O que foi, marquesa? Não me parece uma visita de cortesia.

Soube que vai nomear meu filho como gerente do hotel.

Vejo que está bem informada.

E isso não a alegra?

Você sabe que me alegra tanto quanto você.

Não sei que artimanhas sua filha usou, mas...

se ela espera do meu filho algo mais do que o título, não terá sucesso.

O que quer dizer?

Alfredo não tem bens.

Ele só herdou dívidas.

Meu marido era...

Deus me perdoe, um crápula irremediável.

-Asseguro que seu filho tem dinheiro. -O que ele lhe deu, é tudo que tem.

Conseguiu vendendo mal nossas propriedades.

Não diga que Alfredo teve que vender seu palacete.

Sei que nunca fomos grandes amigas,

mas agora convém nos unirmos.

Não percebe, Teresa? Nossos filhos estão conspirando para nos arruinar.

Pelo bem de nós duas, não vamos deixar que eles ganhem.

-Pronto. -Está feito.

-Espero que estejam felizes. -Estamos, mãe.

E muito.

Deveríamos brindar com champanhe.

Claro. Vá você e seu marido, em breve me junto a vocês.

Com licença.

Estou esperando suas recriminações.

Me contento com uma explicação, se é que existe uma.

Acabou de dar a esse infeliz 1/3 do Gran Hotel.

O futuro do hotel é mais importante do que nosso orgulho.

Precisávamos do dinheiro. Agora temos.

Em troca do que, senhora?

Por enquanto, de deixar a marquesa na rua.

Sem seu palacete e sem dinheiro.

-Tudo graças a seu adorado filho. -Muito divertido.

Mas teremos que aguentar Alfredo por anos, e ele não tem mais dinheiro.

Foi por isso que decidi assinar.

Se ele fosse rico, seria um grande adversário.

Mas, sem dinheiro nem propriedades e com essa personalidade fraca,

será muito fácil eliminá-lo.

Dona Teresa...

-está insinuando... -Estou.

Quando for conveniente.

Você é uma mulher única, senhora. Sempre me surpreende.

Espero que tenha levado em conta que Alfredo é casado com uma Alarcón.

Se minha filha tiver que escolher, ficará ao lado da família e do filho.

Sei de segredos que a obrigarão a decidir assim.

Tenho certeza.

Comprei tudo que pediu.

Mas temo que cheguei tarde.

Hernando, o que diria se soubesse que eu tenho uma costela guardada?

Menos do que dez, não adianta.

No mínimo dez, se for de vitela. Lembre que nós dois comemos bem.

Hernando...

uma costela de Dom Carlos Alarcón.

Não somos nada mesmo, não é?

Meu propósito é fazer com esta costela o que Schneider faria.

-Como isso nos ajudará? -Em termos legais, nada.

Eu não sou legista, nem a costela poderia estar aqui.

Mas, com um pouco de sorte, nos revelará a verdade.

-Desde quando você sabe? -Que diferença faz?

Por que não disse nada?

Ainda me pergunta, filho?

Vocês esconderam o bebê de mim.

Se Dona Teresa souber dele, vai pegá-lo.

-E você... -Eu sou sua mãe.

-E a governanta do hotel. -Sim.

E minha obrigação é contar a Dona Teresa.

Mesmo que seja seu neto?

Então você teve dois bebês.

Deu um e ficou com o outro.

Fala como se eu tivesse planejado.

Eu não esperava.

-O que ia fazer? -Certamente não o que fez.

Enganar Dona Teresa e meu filho.

-Não tinha outra saída. -Podia ter confiado em mim.

Em você?

Você me odeia.

E sempre faz o que tem que fazer, segue as regras.

Se sou assim, por que não contei seu segredo à Dona Teresa?

Regras são regras. Estamos dobrando do lado errado.

Mas há coisas mais importantes do que regras.

Não vai contar a ela?

Nem ela nem meu filho devem saber mais do que sabem.

Mas não podem ficar aqui com o bebê. Vão descobrir.

Não temos aonde ir, você sabe.

Procure emprego em outro lugar.

Eu vou ajudar com o que puder.

-Obrigada. -Não faço por você.

Faço pelo meu filho.

E por meu neto.

Mesmo não sendo.

Legendas: Fernanda Martins

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