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Original subtitles

Mais cedo ou mais tarde, descobrirei o que esconde de mim.

Enganou o Andrés e os outros, mas não me enganou.

Você vendeu seu filho para os Alarcóns. Eu vou provar isso.

Encontrei isto no nosso quarto.

Ofereça mundos e fundos a ele, mas não permita que me abandone.

-Não tenho escolha senão desistir. -Não basta desistir.

Oferecerá seu cargo ao Alfredo.

As contas bancárias do seu pai não estavam tão recheadas como pensou.

Não!

Qual é o significado disto? Está vazia.

Ela afastará as perguntas de Alicia sobre nós e a verdade.

-O que ia fazer com Andrés? -Sou pai dele.

Seu pai pretendia reconhecer o Andrés.

E foi muito generoso com o Pablo.

Ofereceu uma quantia anual por toda a vida.

Meu pai mandou o Diego assinar essas ordens de pagamento.

O Diego não devia saber para quem eram.

A primeira foi na véspera do meu pai falecer.

A segunda não veio no ano seguinte. O acidente do Andrés aconteceu antes.

Por causa do casamento,

o Diego cuidou das coisas antes da nossa lua de mel.

Por isso, o segundo pagamento coincidiu com o acidente do Andrés.

Vai contar para ele?

Não, essa decisão é do Pablo. Ou melhor, do Juan.

Qual é o problema, Alicia?

Não é nada. Eu não me sinto bem.

Você está assim o dia todo. Não pense que não sei o motivo.

-E qual acha que é o motivo? -Perguntou à Ángela sobre seu pai.

Tenho certeza de que sua ida a Aldain não foi pelo meu presente, mas por isso.

Como Aldain tem algo a ver com meu pai?

Eu não sei, mas estou do seu lado. Por favor, confie em mim.

-Obrigada. -Por que foi a Aldain?

Uma criada viu meu pai discutindo com um homem de Aldain.

Ela disse que ele parecia assustado. Por isso eu fui lá.

-Descobriu alguma coisa? -Não, nada.

Entende que você pode confiar em mim?

Você não se sente melhor agora?

Alicia.

Você sempre está ao meu lado,

mas tem horas que parece tão distante que sinto sua falta.

-Eu estou aqui. -Então demonstre, amor.

Você se lembra de Paris?

Passamos horas na cama juntos.

Sinto falta daqueles dias.

"O detetive Ayala e o assistente dele, agente Hernando, foram vistos em Aldain."

-O que acha? -Espantoso.

Você não é mais detetive, e eu não sou mais seu assistente.

Não te espanta mais sermos vistos num lugar em que nunca estive?

Sim, isso também é estranho.

Aonde vai?

Bom dia.

Agente Ayala, da polícia nacional.

Tem certeza de que você é o detetive Ayala?

-Veja por si mesmo. -Agente Ayala.

Sim, já vi.

Lamento por você, mas o outro era mais alto e mais bonito.

Acho que tinha mais cabelo também.

Os dois homens com quem conversou eram impostores fingindo serem nós.

-O que disse a eles? -Perguntaram sobre o homem sem um braço.

Não eram dois, eram três. Dois homens e uma mulher.

-E como era essa mulher? -Muito bonita, agente.

Dona Adriana, Dom Eusébio, tomarão o café da manhã conosco?

-Muito amável de sua parte, Dona Teresa. -Obrigada.

Querida...

Senhoras, senhores.

Talvez não se lembre, mas nos encontramos há alguns anos em Barcelona, no teatro.

Eu estava com meu marido, que ainda era meu noivo na época.

Era Tristão e Isolda. Sim, eu me lembro bem.

-E por que não me levou junto? -Uma ópera, e em alemão.

Querida, você ficaria entediada.

Minhas amigas falaram a respeito. É uma história de amor formidável.

Como um dos meus romances preferidos, Amantes Castelhanos. Já leram?

Por favor, querida. Peço desculpas por ela.

Estamos falando sobre ópera, não sobre livros de romance.

-Peço desculpas. -Não há motivo para se desculpar.

-Quero tentar. Você já tentou. -Espere. Primeiro, o cilindro.

Agora, viro isto para cá.

-Quem gravou isso? -Dom Pablo. Ele canta bem, não é?

-Dona Ángela, a senhora está bem? -Aconteceu alguma coisa?

Minhas criadas ouvirem música em vez de trabalhar não parece nada?

-Isabel. -Senhora?

-Sabe como isto funciona? -Precisa virar essa manivela.

Faça isso.

Dom Ernesto, posso falar com seu convidado?

Claro que pode.

-Como soube? -Por causa da sua fotografia.

Ouvi sua voz cantando a canção de ninar que sempre cantava para o Andrés.

Eu devia ter ampliado meu repertório.

Por que nos deixou acreditar que estava morto?

Não aja como se você se importasse. Nunca se importou comigo.

-Eu te amava. -Não como amava o Dom Carlos.

E eu sabia disso, então fui embora. Morrer foi meu jeito de nos libertar.

O Andrés amava muito você, como um pai de verdade.

Ele foi quem mais sofreu.

Por isso, eu voltei.

O Andrés merece saber por que desapareci.

-Não. -Não? Você não pode impedir.

Não acha que já causou sofrimento suficiente a ele?

Faz isso por ele ou para ter a consciência tranquila?

E você? Ou já contou quem é o pai dele de verdade?

Será que ele sabe que passou a vida sendo criado dos irmãos?

-De que adiantaria ele saber? -Toda a vida dele é uma mentira.

Ele é feliz. Por favor, não conte.

O que foi, Dona Ángela?

-Nada. -Está chorando?

-É culpa de algo que Pablo disse? -Eu não choro, Dom Ernesto.

-O que deseja? -Não tenha medo de mim, Andrés.

Só quero contar uma coisa.

-Então fale logo. -É sobre seu pai.

-Conheceu meu pai? -Conheci.

Quase não me lembro dele.

Sei que eu gostava de brincar de esconde-esconde com ele na cozinha

e que ele cantava lindas canções de ninar.

Pouco mais. Mas ele era um bom pai. Ele deve ter sido.

É uma pena ele ter morrido na guerra.

O senhor conheceu meu pai. Conte como ele era.

Não era um homem ruim. Ele tinha defeitos, como todos.

Ele errou e tentou consertar os erros.

Ele tinha orgulho do filho, muito orgulho.

Ele amava muito o filho. Queria voltar para casa e estar com ele.

Mas a alma dele ficou presa naquele barco.

Sei que ele teria muito orgulho de você, Andrés.

Você é tudo o que um pai desejaria.

-Obrigado. -Isto era dele. Ele adorava música.

Fiquei com isto por muitos anos, agora pertence a você.

O que foi isso?

Belén, minha esposa, cuida do bebê da Dona Sofia.

Esconderam com essas roupas?

Por favor, não diga nada.

Se o descobrirem, vão tirá-lo de mim. É meu filho.

Seu filho?

-Seria neto do seu pai? -Demos o nome de Juan, como meu pai.

-Ele teria adorado vê-lo. Tão pequeno. -Como queria que ele estivesse aqui.

Ele é muito agitado, custa a dormir e não sou bom com canções de ninar.

Eu tenho uma. Seu pai me ensinou.

Aconteceu alguma coisa, mãe?

Está pálida, como se tivesse visto um fantasma.

Conversou com aquele homem?

Sim, ele me deu um fonógrafo. Colocou na sala de jantar.

Sabia que foi do meu pai?

-Não. -O Pablo conheceu meu pai nas Filipinas.

Ele falou sobre meu pai.

Senhorita Alarcón.

Agora sou senhora de Murquía, detetive Ayala.

Sou agente Ayala agora. A senhora teve mais sorte na troca.

Temos algo com que nos preocupar?

Só uma coisa. Talvez possa me explicar, já que estou bastante intrigado.

O que o agente Hernando e eu fazíamos com a senhora em Aldain dois dias atrás?

-Nada. Nunca estivemos em Aldain. -Obrigado, Hernando. Perspicaz.

Nem eu estive lá com os senhores.

Pelo menos, todos concordamos nisso.

Devo admitir que me senti lisonjeado sendo descrito como jovem e bonito.

-Infelizmente, minha juventude já se foi. -Devem ter se enganado.

Eu também achei, até me dizerem que foi à casa de um homem sem braço.

Gostaria de conversar num local mais reservado?

Não entendo por que alguém desejaria matar seu pai.

-Não faço ideia. -Então por que acha que foi morto?

Eu descobri que ele não morreu quando disseram.

-Como descobriu? -Isso eu não posso dizer.

Se a data no atestado de óbito é falsa,

creio que a causa da morte também é.

Interessante, mas pouco convincente.

Tem mais uma coisa.

Uma das criadas viu meu pai discutindo com um homem naquele dia.

Um homem sem um braço. Foi a casa dele que procurei em Aldain.

Também procurei esse homem.

Pelos meus contatos no correio,

soube que ele recebeu muito dinheiro na véspera da morte do seu pai.

Imagino que foi à casa dele por isso, pensando que ele estava envolvido.

Tem razão, mas eu estava errada. Esse homem não é perigoso, eu garanto.

-E não vai contar como descobriu isso? -Não.

Só posso contar que meu pai estava com muito medo.

Ele temia pela própria vida.

Ao saber que esse homem sem braço recebeu todo esse dinheiro

no mesmo dia da morte de Dom Carlos Alarcón,

também pensei que seu pai poderia não ter morrido de causas naturais.

-Então vai me ajudar? -É a senhora quem deve me ajudar.

Para saber se seu pai foi assassinado,

temos de exumar o corpo para verificar,

mas não podemos fazer isso sem o pedido oficial de um familiar.

Tomei a liberdade de trazer esse documento.

Tenho noção de que isso será muito difícil para a senhora,

mas é o único jeito de honrar seu pai.

Eu sei.

Quer ler o contrato antes de assinar?

Somos pessoas de honra, Dona Teresa. Confio na sua palavra.

Diego, gostaria que explicasse ao novo gerente os detalhes do cargo.

Será um prazer, Dona Teresa.

-Dona Teresa, uma ligação. É urgente. -Pode transferir para cá.

-É pelo bem do hotel, Diego. -Claro, Alfredo.

De quem foi essa ideia estapafúrdia?

Alicia, não vai acreditar.

Vão exumar o corpo do seu pai.

-Por quê? -É obra do Ayala.

-E ele conseguiu a permissão. -Estão questionando a causa da morte?

Não, de forma nenhuma.

Quem seria tão desprezível a ponto de profanar um cadáver?

Novidades? Ou só queria tomar chá?

Sim, sobre o Pablo, mas há algo mais importante.

Minha mãe sabe. Alguém ligou para informar.

Quem matou seu pai não permitirá que exumem o corpo.

O Ayala não pode fazer isso em segredo. A menos que seja rápido, vão impedi-lo.

O Antônio me deve alguns favores. Trocarei de turno com ele agora.

-Nos encontraremos em frente ao cemitério. -Tudo bem.

Acha que a viagem de Alicia para Aldain está relacionada a isso?

Ela não descobriu nada,

mas encontrou o Ayala, deve estar investigando.

Duvido que Alicia fizesse algo assim.

Fico feliz, mas não resolve nada. Cuide disso.

Garrido, tenho um trabalho, mas não quero que você faça.

Nada deve apontar para nós. Reúna alguns homens em quem confie.

Por aqui.

-Parece que foram mais rápidos. -Querem mudar o corpo de lugar.

Adriana, o que aconteceu?

-Espere aqui. -Tenha cuidado.

Sr. Olmedo, que surpresa!

-Pare ou atiro. -Esse homem é inocente.

-Corra atrás dele! -Para quê? É muito mais rápido que eu.

-Estou presa? -Claro que não, senhora. Pode ir.

-Não deveríamos prendê-la? -Não ajudará na prisão do Julio Olmedo.

-Não gosto de medidas desnecessárias. -Nem precisa me dizer.

Agora, esqueça os vivos um pouco. Um cadáver precisa da nossa atenção.

Se deseja prender alguém, algeme aqueles dois antes que acordem.

Sabe por que sempre bebo até desmaiar?

Quando eu bebo, esqueço tudo.

Mas, esta noite, não quero esquecer. Foi por isso que parei de beber cedo.

-Não é boa hora, senhor. -Estou apaixonado.

Estou feliz pelo senhor. Com a sua licença...

Não há motivo para ficar feliz. Ela é casada.

Estou apaixonado por uma mulher casada.

Não é possível.

Não sei o que fazer.

O que você faria se amasse a mulher de outro?

Precisaria saber o que ela sente por mim.

Não consegue deixar de te amar, é assim que ela se sente.

Então eu declararia meus sentimentos para ela.

Você é sábio, Julio.

Javier, se mamãe vir você assim...

Ela ficaria surpresa, se nunca tivesse visto.

Estou apaixonado, irmãzinha. O que acha?

O Ayala virá atrás de você.

O que vai fazer?

Não diga nada. Foi só um beijo de despedida.

Não tenho escolha, senão deixar o hotel. Não posso deixar que me prendam.

Mas não está envolvido no homicídio que estão acusando você.

-Como vou provar? -Não sei, mas deve haver um jeito.

Fugir agora é o mesmo que admitir culpa.

Melhor do que ir parar no patíbulo.

Você salvou minha vida. Nunca agradeci por tudo o que fez.

Ei, não faça essa cara.

Desta vez, não pedirei que vá comigo.

Não vai me dizer o que você tem?

Pensei em perguntar o mesmo para você.

Se não perguntei, é porque não quero que minta para mim.

Confia mesmo na sua esposa, não é?

É difícil quando sua esposa esconde o que faz.

Sei que você esteve no cemitério.

Não tem nada a ver com você, por isso eu não disse nada.

Tudo o que você faz tem a ver comigo, Alicia.

O que você foi fazer lá?

-Não sabe mesmo? -É por isso que estou perguntando.

Não pensou que o morto que querem exumar é meu pai?

Não deve ser difícil de entender que isso me interessa.

Devia me ter dito, amor.

-Eu teria ido com você. -Boa noite, Diego.

Era só uma questão de tempo, Sr. Olmedo.

Recomendo que não resista.

-Cernudo, onde está o Espinosa? -Ele se levantou com febre, Dom Ernesto.

-Mas se levantou? -Quis dizer que ele acordou com febre.

-Se quiser, posso ver se está melhor. -Sim, vá e veja se ele precisa de algo.

Presumo que queira me dizer algo.

-Não deveria ser tão tolerante. -"Tolerante" não é a palavra certa.

-É "humano". Já ouviu falar disso? -Regras são regras.

Claro. E devem ser cumpridas, mesmo que sejam injustas.

Sim, mesmo que sejam injustas. É o único jeito de manter a ordem.

-É a favor da ordem, imagino. -Até certo ponto.

Não é uma questão de pontos, Dom Ernesto.

Como quiser.

Mas, se regras são regras, todos devem segui-las.

-Inclusive seu filho Andrés. -O Andrés fez algo errado?

Ultimamente, tenho feito vista grossa a cada vez que o Andrés desaparece.

E sabe por que faço isso? Por consideração à senhora.

Meu filho não faz o trabalho dele direito?

Faz, quando está presente.

Mas não costumar estar.

Sempre que tem chance, ele vai para o quarto.

Eu não sei o que faz lá e, até o momento, não me importa.

No entanto, a partir de agora, farei com que seu filho Andrés

siga as ordens da mãe dele à risca. Com a sua licença...

Não encontro o Julio, senhora. Sabe onde ele está?

-O Julio foi embora, Andrés. -Não pode ser, as coisas ainda estão aqui.

Eu disse ao Dom Ernesto que estava doente.

Fez bem.

Onde ele está?

Ontem, o Ayala viu o Julio.

-O que foi? -O Ayala veio ao hotel ontem à noite.

-Então está claro que ele foi preso. -Por causa daquele mandado?

Sim, mas temos de fazer algo.

Se ele for condenado por homicídio, não será mandado para a prisão.

Ele será executado.

-Aonde vai? -Procurar o Ayala.

-De que isso adiantará? -Eu não sei, mas não posso ficar parada.

-Mãe... -Calado. A verdade foi revelada.

Fui informada de que não tem cumprido com suas obrigações.

Não entendo o que diz.

Abandona o trabalho sem mais nem menos e sem permissão.

-O que está aprontando? -Nada, mãe.

Fale a verdade. O que faz quando desaparece?

Descanso. Nem todos têm energia, e este trabalho é cansativo.

Ouça com atenção.

Se eu ouvir outra vez que não cumpriu com suas obrigações,

eu coloco você no olho da rua, mesmo sendo meu filho.

-Entendeu? -Entendi, mãe.

Agora, some da minha frente, antes que eu bata em você de novo.

Precisa de alguma coisa, Dona Ángela?

Que cheiro ruim, Juan.

Mas você é muito bonito.

Não desvie o olhar.

Quanto melhor olharmos, mais segredos serão revelados.

Os mortos guardam segredos, mas não os revelam.

Se queriam mudar o corpo de lugar, deve haver algo que incrimine.

Conte, Dom Carlos, o que fizeram com você?

Pare com isso.

Falar com um cadáver dá azar.

E ele não vai responder.

Responderá, se fizermos as perguntas certas.

Pegue a serra pequena.

-Espero que minha presença não incomode. -Claro que não.

É natural que queira saber nosso progresso.

Até agora, o exame do corpo do seu pai não revelou nenhum sinal de homicídio.

-Mas não sou médico legista. -O que vem a seguir?

Conheço o melhor deles, Dr. Juan Schneider.

Mandei um telegrama para que venha logo.

Confie em mim.

Se seu pai foi assassinado, ele achará a prova,

por mais sutil que seja.

-Mais alguma coisa? -Sim.

-Acredito que prenderam o Julio Olmedo. -Não conseguiria impedir isso para sempre.

O Julio é inocente.

Seu empregado é o suspeito principal de um assassinato.

Uma testemunha o viu atirando na vítima.

Além disso, a arma do crime foi encontrada na casa do Sr. Olmedo.

-Vão levá-lo para Blancaró? -Não queremos que ele fuja de novo.

A testemunha virá a Cantaloa para fazer a identificação.

Seria possível eu falar com o Julio Olmedo?

Não permitirei nenhuma visita antes da testemunha chegar. Desculpe.

Uma linda mulher, não é? E caridosa, tão preocupada com um garçom.

Aonde vai, agente?

Ter certeza de que a senhora caridosa não está indo para as celas.

Julio.

Alicia.

Vou tirar você daqui. Confie em mim.

Por favor, não me obrigue a prender a senhora também.

Faça o favor de ir embora.

Uma moça encantadora, não é?

O que o Sr. Murquía acharia da sua amizade com a esposa dele?

-Agente Hernando? -Sim?

A senhora está bem?

-Estou um pouco zonza. -Por favor, sente.

-Tem algum sal aromático? -Não, acho que não.

-Deseja uma aguardente? -Sim, por gentileza.

"Às 11h30, entrevista com a testemunha no caso do Julio Olmedo. CMR."

-Mateo, posso ver o registro, por favor? -Claro, senhorita.

O que disseram?

A testemunha virá identificar o assassino.

-Acha que se hospedará aqui? -Espero que sim. Obrigada, Mateo.

-Cecilia Mieres Ruiz. CMR. -Sabe quem é?

-Obrigada. -Está tudo bem? Parece preocupada.

Queria saber se o Sr. Villarin ainda estava hospedado

para mandar lembranças para a filha dele.

Ele não está.

-Aonde você foi? -O médico me recomendou caminhar.

-Mulheres sedentárias são menos férteis. -Você? Sedentária?

-Não tomou o café da manhã? -Não.

-Sr. gerente... -Não.

O marquês de Vergara é o gerente agora.

Aquela é a esposa dele, Sofia Alarcón, marquesa de Vergara. Bom dia.

Bom dia.

Sofia, bom dia.

Agora pode aproveitar seu café da manhã.

Com licença, Dom Alfredo gostaria de falar com o senhor.

Está bem. Querida...

Sra. Marquesa, peço licença para ir falar com seu marido.

Por que ele está tão bem-humorado?

Não sei.

Alicia, com sua licença.

É sua vez. Ele está dormindo.

-Precisa me levar a Cantaloa. -Desculpe, mas agora não posso.

Andrés, essa mulher testemunhará contra Julio.

O nome Cecilia não soa familiar?

A ex-namorada de Julio de anos atrás. Não podemos deixá-la destruir a vida dele.

Minha mãe me deu uma advertência. Duas, na verdade.

Arriscarei meu trabalho, mas vamos.

Aonde disse que vai?

A Dona Alicia me pediu para levá-la a Cantaloa.

E o que está esperando? Vá trocar de roupa.

Seu filho estava preocupado que desaprovasse, Ángela.

Se a senhora precisa de você, o resto pode esperar.

Vamos. Ouviu sua mãe. Obrigada, Ángela.

Não tenha pressa, mas fique à vontade para recolher seus pertences.

Não me chamou só por isso, não é?

Não, também queria dizer que desejo que seja o meu assistente.

Alfredo, sabe que pode contar comigo no que for preciso.

Mais alguma coisa?

Não parece estar muito insatisfeito com a troca.

Só reconheci que seu marido está mais preparado para algumas exigências.

E o que é bom para o Gran Hotel também deve ser bom para mim.

Devo admitir que não esperava esta reação.

Não tenho escolha, Sra. Marquesa. Com sua licença.

Ele perdeu o cargo, como você queria.

Se ele aceitou tão bem, não é como eu queria. Há algo errado.

Quero ver o contrato.

"Entende-se assim que, em caso de insolvência do empregador,

o empregado será obrigado a ceder seus bens pessoais."

-Eu não tenho bens. -Minha mãe e o Diego não sabem.

-Imagino que seja uma cláusula comum. -Alfredo.

Se fizeram você assinar isso, deve haver um motivo.

Pergunte ao escriturário como vão as coisas.

Não farei isso.

Preciso lembrar como o Diego e minha mãe são?

Não preciso perguntar ao escriturário. Os registros estão aqui.

Achei.

O hotel está devendo aos cofres públicos 300 mil pesetas.

Devem pagar em uma semana. Eles nos enganaram, Alfredo.

Eu posso renunciar à gerência.

Isso seria o fim do hotel.

O hotel é nosso futuro agora. Não entende? É tudo o que temos.

Para mim parece que é o mesmo que nada.

-A não ser que paguemos essa dívida. -Claro, com qual dinheiro?

Querido, se conseguirmos isso, você poderá exigir o que quiser.

-Tenho de levar a senhora à Cantaloa. -E o bebê?

-Onde sua mãe está? -Lá em cima.

A senhora não ligou o aquecimento.

Faça isso você, a Dona Teresa me aguarda.

Como quiser.

Ficaremos fora só por um dia, mãe. Visitaremos a mãe do Alfredo.

O que foi, Ángela?

Pensei em ajudar com o bebê enquanto arrumam as malas.

Você é um anjo, Ángela. Entre e troque a roupa dele, por favor.

Como quiser, senhora.

Legendas: Maria Isabel Rodrigues

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