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Seu pai teve um filho com outra.
-Impossível. -É o Andrés.
-Então Andrés é meu meio-irmão? -E o primogênito.
-Olha, Belén! Nosso filho! -Não pode ser!
Todos devem pensar que nasceu morto, senão o tirarão de nós.
Sua ama de leite.
Sei o que você fez.
Seu pai não vai ter muitas outras chances de conhecer o neto.
Alfredo foi preso por mim. Não lhe negarei isso.
Mas a natureza negará.
Perdão, mas não posso ir com você.
-Ópio. -Me sinto em paz.
Julio, preciso da sua ajuda.
Há sinais de envenenamento ou intoxicação
Javier Alarcón.
Vamos.
Coisa linda, vem cá. Vou te pagar uma bebida.
-Me deixa em paz. -Depois do meu trato, com certeza.
Solte-a.
Aqui só tem um tipo de mulher. Claramente não é uma delas.
-Sou irmã do Javier Alarcón. -Eu sei.
Sua presença aqui é como jogar um filé numa jaula cheia de cães. Então saia.
Preciso saber se meu irmão esteve aqui ontem.
Seu irmão passa por aqui quase toda noite.
-Sabe a que horas ele veio? -Não. Tenho mais o que fazer.
-Sei que presta atenção em tudo. -Por favor, saia daqui.
Se quer que eu vá, responda.
Ou vou acabar provocando uma briga.
Como quiser. Ele falou com aquele homem. Mas é melhor não se aproximar dele.
Não pode falar com ele do nada.
-Me solte. -Sebastián.
Você teve sorte. Ou azar, não sei.
O que uma dama como você quer com alguém como eu?
Dizem que meu irmão esteve aqui ontem. É verdade?
-Srta. Alarcón, imagino. -Sim.
Seu irmão e eu temos uma pequena relação de negócios.
Sabe a que horas ele veio exatamente? É muito importante. Por favor.
Como negar o pedido de uma mulher tão linda?
Não sei exatamente. Por volta das 23h.
Obrigada.
-Moça, não vai embora sem dançar comigo. -Me solta!
Julio!
Vamos embora.
É lá que vai para lutar?
Garanto que não é por prazer.
-Descobriu alguma coisa? -Sim.
Javier estava lá quando tentaram matar Andrés, então não foi ele.
Mas o verdadeiro culpado continua livre.
Mas não tem nada a ver com minha família, como você tem insinuado.
Eu não inventei nada. A morfina e a carta estavam lá.
A morfina. Olha só onde ela nos levou.
Foi tudo um erro. Como o que você acha que ouviu sobre essa carta.
E olha aonde tudo isso me levou.
Eu nunca permitiria que nada de ruim te acontecesse.
Onde você estava? Passei horas te procurando.
-Fui dar uma volta em Cantaloa. -Uma hora dessas? E sem avisar?
Tenho que avisar toda vez que der uma volta? Casamento é isso?
Não. É respeito e confiança. E sei que está escondendo alguma coisa!
O que está havendo?
Tudo ia bem até que voltamos ao hotel. O que aconteceu?
Sabe que pode me contar.
Nada. Não aconteceu nada.
-Boa noite, Detetive Hernando. -Perdão, mas não sou detetive.
É mesmo! Não há detetives em Cantaloa.
-Como posso ajudar, agentes? -Precisamos falar com seu filho.
-Trouxeram um mandado? -Um mandado?
-Está atrasado. Alguém te viu entrando? -O que você quer?
Sobrou ópio de um amigo meu, ele não vai usar.
-Quanto me dá? -Eu não compro, só vendo.
Com certeza não será um problema vender mais um pouco.
Será só uma conversa informal.
Sei que compreende que a morte do Sr. Bakthiari é uma tragédia
que pode virar um escândalo se tomarmos o caminho errado.
Entrem. Se encontrarem meu filho, podem conversar à vontade.
Obrigado.
-Dom Javier Alarcón? -A polícia!
-Você armou para mim? -Juro que não! Pega o ópio.
Está louco? Não podem me pegar com isso.
Javier Alarcón? Aqui é a polícia.
-Dom Javier! -Cá estou eu. O que posso fazer por vocês?
Encontramos o cadáver do seu hóspede, o Sr. Bakthiari, na igreja de Cantaloa.
-Nossa! Sinto muito. -Ele estava com seu cartão no casaco.
E daí? Dou meu cartão a todos os hóspedes O que está insinuando?
Achamos que o cônsul faleceu acidentalmente após consumir ópio
e suspeitamos que o senhor tenha ajudado a obtê-lo.
-Eu? Isso é absurdo! -Nos permite revistar seu quarto?
Claro que sim.
Vem conosco?
-O que está escondendo da sua mãe? -Que ideia é essa, mãe?
-Então vamos ao seu quarto. -Não! Não tem esse direito.
Por mais que seja meu filho, se não abrir seu quarto para mim agora,
terá que abri-lo para a patroa. Você decide.
-Levante-se. -Quê?
-Levante-se! -Mãe, ainda estou com dor na perna.
Mentira tem perna curta. Vai!
Vai!
Mais cedo ou mais tarde eu vou descobrir, pode ter certeza.
O que foi, amor?
Meu pai morreu.
"Dez de fevereiro de 1905."
Faz quase um ano que o pai morreu.
Nove de fevereiro. Jamais esquecerei essa data.
-Esperem! Não podem servir essa sopa. -Mas, senhor...
-Não ouviu? Joguem fora! -Mas por quê?
Porque estou mandando. Querem que chame minha mãe?
-O resto também. Tudo! -Pode deixar, senhor.
Inferno! Quantas já foram servidas?
Não!
-Se fosse vocês, não tomaria a sopa! -O que houve?
-Eles não podem tomar essa sopa, mãe. -O que há de errado com ela?
Eu provei e não está boa.
Retirem-na imediatamente. E que incidentes como este não se repitam.
Claro que não, senhora.
Já vão trazer outra entrada melhor. E este jantar será por conta do hotel.
Da próxima vez que quiser ser gourmet, que não seja na frente dos hóspedes.
Por mais que não acredite, eu me preocupo com este hotel.
Não sei o que aconteceu. Eu preparei como sempre.
Evidentemente deixou passar algo. Agradeça que Dom Javier descobriu a tempo.
É seu trabalho, não do Dom Javier, provar a comida antes de servi-la.
Mas não se preocupe. Não vou contar.
Tenha certeza, Dona Ángela, que assumo minha parte da responsabilidade.
-Rápido, joguem essa lavagem fora. -Neste hotel não se desperdiça nada.
Essa sopa pode não estar à altura do paladar dos hóspedes,
mas basta para encher a barriga dos funcionários.
Ayala veio perguntar do Sr. Bakthiari. Parece que acharam ópio nas coisas dele.
-Belén, o que você fez com o bebê? -Perdão. Estava desesperada!
-Mas não consegui. -Eu sabia que não faria isso!
Levá-lo ao orfanato não é a solução. Mas o problema continua.
Depois de amamentar o bebê da Dona Sofía, estou quase sem leite para Juan.
-O coitado não para de chorar! -Vamos dar um jeito.
-Vão acabar descobrindo. -Vamos entrar, vocês estão congelando.
Não podemos entrar. Eu tentei, mas estão todos jantando.
O que quer? Entrar pela porta principal? Olha, ele está quietinho agora. Cubra-o.
Vamos, amor.
Vem.
Posso saber onde estavam? Belén!
Mãe, deixe-a. A Dona Sofía precisa dela.
Ela não pareceu se importar quando saiu para passear na vila.
E você? Não devia estar limpando a sala de jantar?
Seu filho estava de folga. Eu mesmo autorizei.
Ultimamente seu comportamento não é próprio de um filho.
E sei que Belén é a causa disso.
Tenha certeza que cedo ou tarde vou descobrir o que estão escondendo.
Não há nada a ser descoberto, mãe.
Não, obrigado.
Diego!
-Desculpe, não queria te assustar. -Aconteceu alguma coisa?
Na verdade, sim. Acabou de chegar um telegrama, e tenho más notícias.
O pai do Alfredo, o Marquês de Vergara, faleceu duas horas atrás.
-Nem sabia que estava doente. -Sabe como são essas coisas.
Alfredo pediu para ninguém incomodá-lo nem divulgar ainda.
Pedirei para fazerem a mala e prepararem o carro.
Minha irmã deve estar consolando Alfredo, então alguém tem que providenciar isso.
Peça desculpas à minha mãe por minha ausência no jantar.
Julio!
Isabel?
-Oi, Inés. -Perdão por interromper,
-mas preciso da sua ajuda. -Tudo bem.
-Estou ensinando Isabel a ler. -Não pedi explicações.
-Isabel não sabe ler? -Não conte a ninguém.
-Pode perder o emprego. -Sabe que jamais faria isso.
-Por que estava me procurando? -Não estava.
Mas tenho uma coisa para te mostrar.
Achei este pedaço de papel meio queimado no cinzeiro do meu quarto.
E tinha resíduos de um envelope vermelho.
Sinto muito. Viu que não era mentira que Diego e sua mãe queimaram a carta?
Sei que você não mentiu, Julio. Mas estava enganado.
A data não queimou: dez de fevereiro. Mas meu pai morreu dia nove.
-Não é possível. -Mortos não escrevem cartas.
Eu tinha razão. A carta era falsa.
Tem certeza que não é a letra do seu pai?
Te incomoda que minha mãe e marido não sejam assassinos conspiradores?
-É a letra do seu pai ou não? -Não sei.
-São só uns números. -Mas parece.
Sim, parece.
Neste hotel deve ter muitos documentos escritos por ele.
Comparemos, e eu deixarei isso para lá. Na sala dele deve ter algum.
Telefonema para o senhor. Parece urgente.
-Alô? -Aqui é o Urso. Entregue o ópio às 14h.
Se não aparecer, no dia seguinte vai estar no açougue com as carcaças de cordeiro.
-Certeza que seu marido não vai entrar? -Posso dizer que está me ensinando a ler.
Aqui está. As Fábulas de Esopo. Meu pai me deu quando era pequena.
A dedicatória sumiu. Arrancaram a primeira página.
Meu pai sempre escrevia seu nome e a data da compra na última página.
-Sumiu também. -Espera.
Aqui também não tem nada.
Nem aqui.
-Cartas e cartões postais também sumiram. -Algum contrato assinado por ele?
Não tem nada.
Parece que destruíram tudo que seu pai escreveu.
Mateo, estarei na minha sala.
-Alicia! -Oi, meu bem.
-O que está fazendo aqui? -Vim pegar este livro.
-Um livro infantil. -O primeiro livro que meu pai me deu.
-A morte do marquês... -Te trouxe más lembranças.
Vim procurar coisas dele, mas só achei isto.
Sabe onde guardaram os documentos do meu pai?
-Que documentos? -Seus cadernos, suas coisas.
Lembro que ele anotava tudo numa velha agenda.
Não sei, querida. Mas conhece sua mãe. Prefere olhar para a frente.
Deve ter jogado tudo fora. É o que todos nós deveríamos fazer.
-Claro. Vamos jantar. -Eu já jantei. Vou trabalhar um pouco.
Diego! Você tem razão.
Não estou bem e... preciso falar sobre meu pai.
Você o conhecia bem. Se importaria de dar uma volta comigo?
Agora?
É uma linda noite.
Claro. Vamos.
Pareço uma camponesa.
Não acredito que meu pai não está mais entre nós.
Não pude me despedir dele.
Ele nem conheceu o neto.
Ninguém esperava por isso.
Entre.
-Senhora, vim pegar o bebê. -Sim.
-Se quiser, posso trazê-lo de manhã. -Sim.
O carro me aguarda.
Vou te acompanhar. Já me sinto melhor.
Não, meu bem. Uma desgraça na família é mais que suficiente.
Recupere-se. Mandarei suas condolências à minha mãe.
O que está fazendo?
-É o bebê da Dona Sofía. -Como se um não nos bastasse.
Não seja bobo. Só vai passar a noite aqui.
Se as pessoas se acostumarem a me ver com o bebê dela, não estranharão o choro.
Na verdade todos os bebês são iguais.
Imagina. São bem diferentes.
Presta atenção nas roupas.
-Esse será um marquês. -E Juanito, um maître.
Meu Deus, Antonio! Se te virem assim, vão te despedir do hotel. Vamos.
-O que está olhando? -Veja.
-Não tem nada aí. -Nadinha.
-Vá para seu quarto. -Não quero.
Lá tem quatro paredes para você olhar. Se Ernesto te vir assim, te demite.
-Aonde você vai? -Sua Majestade Afonso XIII está no hotel.
Tenho que dar os parabéns pelo noivado.
-Não está aqui. E você está sem condições. -Está, sim. Eu vi no jornal.
Certo. Mas está descansando. Mandarei seu recado.
Agora vá para seu quarto.
-O que está fazendo? -Dá para ver o mar.
Talvez dê para ver o farol também.
Que idiota! Tem que abrir primeiro.
Antonio, para a cama! E você, quieto!
Não dá para ver nada porque está escuro. Vem se deitar. Você também. Vai.
-O que está havendo? -Nada.
-Como assim, nada? -Algo não lhes fez bem.
-É. Vinho em excesso sempre faz mal. -Eles não beberam. Foi outra coisa.
-A sopa? -Quero mais sopa.
-Deve ter sido a sopa. -Vou avisar o médico.
-O que faremos amanhã se não melhorarem? -Relaxe. Eu me multiplico por quatro.
Vão logo descansar. Os dois!
-O que está havendo? Onde estão todos? -Ainda estão mal, senhor.
O que te falta para reclamar tanto?
Isso. Quietinho.
Que bom ver que está vestido. Venha comigo, por favor.
-O que houve? -Precisamos de ajuda no restaurante.
Metade do pessoal está doente. Felizmente a outra metade está bem.
Vamos ter que trabalhar um pouco mais.
-Dois ou três cubos, senhora? -Dois, por favor.
Procurei no meu quarto e também não achei nada.
Até as fotos que ele me deu sumiram.
É impossível apagar uma pessoa por completo. Algo deve ter restado.
-Mas onde? -Quem pode ter algo escrito pelo seu pai?
Senhora.
Então tivemos a mesma ideia.
-Quem é? -Meu pai.
Não devia ter mais que 20 anos. Muito antes de se casar.
"Para minha adorada Ángela. Villafranca del Bierzo, 15/04/1869."
"E", "O", os números, a forma como une o "B" com o "R" são idênticos.
-E esta forma de escrever o "F" tão... -Torta.
Quando eu era pequena, meu pai dizia que era o vento que torcia o "F" dele.
Esta carta não é falsa. Dia 10 de fevereiro seu pai estava vivo.
Então por que dizem que morreu na véspera?
Eu não estava, mas vim para o velório e vi o corpo dele no caixão.
Não sei o que aconteceu, mas nós dois vamos descobrir.
-Quem estava no hotel naquele dia? -Todo mundo.
Minha mãe, Diego, Javier, Sofía.
-Mas não pode falar com eles. Eu falo. -Perguntarei aos funcionários.
-Como posso ajudar? -Multiplicando-se por quatro.
É para já.
Gostaria de saber como Dom Carlos teria agido. Dizem que era um bom patrão.
Teria contratado mais gente em vez de nos sobrecarregar. Era um pai para nós.
-Como ele morreu? -Dizem que teve parada cardíaca à noite.
Coitado. Sozinho, e do jeito que estava abatido...
Andrés, largue essa vassoura e dê prioridade às bandejas.
Não pode faltar nada aos hóspedes, não importa se a cozinha está suja.
Depois ajude as camareiras com a roupa de mesa.
-Elas já têm os quartos e o restaurante. -É para já.
Por que Dom Carlos estava abatido?
Julio, os hóspedes gostam de comida quente!
-Um pouco mais de energia, vamos! -Sim, senhor.
-Por que se atrasou tanto? -Perdão, Dona Ángela.
Faço o que posso com os ossos que tenho.
-Onde está seu filho? -Foi trabalhar numa fábrica de ferro.
Diz que tem mais futuro que ser pescador. Como se o mar fosse ficar sem peixe!
Os filhos nunca saem como nós imaginamos.
Também não podemos escolher a mãe.
Sabe qual é o problema, Andrés?
Quando devia estar calado trabalhando, está conversando ou reclamando.
Ou atrás da Belén, que usa a desculpa de amamentar o filho da Dona Sofía
para não ajudar suas colegas. Mas isso vai acabar.
-Pronto. Tenham um bom dia. -Senhor!
Se precisa de alguém forte para carregar peixe, já encontrou.
Prefere trabalhar na vila que no hotel?
A vila não é tão ruim. As pessoas parecem gentis.
Senhora, o que está fazendo aqui?
Soube que alguns funcionários adoeceram, e quis ver se você estava bem.
-Estou, como pode ver. -Precisa que chame o Dr. Bernárdez?
Obrigada. Sua mãe já fez isso.
Ángela, você conhecia muito bem meu pai, não é?
Era um bom homem, mas com certeza já sabe disso.
-Sei que tinha grande afeto por você. -Como eu tinha por ele, senhora.
Não estava quando morreu.
Ninguém esperava. Foi repentino, de noite.
O médico disse que ele não sofreu. Ele foi dormir e se apagou como uma vela.
Eu...
Todos o amavam. Trabalhar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido
foi a coisa mais difícil que já fizemos.
Mas sei que seu pai iria querer assim. Eu o conhecia bem.
E gostaria que lembrássemos dele com um sorriso.
Obrigada, Ángela.
De nada, senhora.
Sair do hotel? Não podia ter escolhido um momento pior, Andrés.
Se não for rápido, outra pessoa ficará com o trabalho.
Mas, se sair assim, dificilmente devolverão seu trabalho,
por mais que sua mãe seja a governanta.
Eu refleti muito, senhor.
Está bem. Se não há outra solução,
-pegue suas coisas e saia do hotel. -O que está acontecendo?
-O que meu filho fez para demiti-lo? -Ele pediu. Foi ideia dele.
Parece que quer morar na vila com a esposa.
O que é isso? Como pode vestir Alejandro com trapos?
Ele vomitou. Coloquei isso enquanto lavava sua roupa. O que deseja?
Queria saber que ideias estúpidas enfiou na cabeça do meu filho.
-Como é? -É o que queria, não? Afastá-lo de mim.
-Não sei do que está falando. -Andrés e você podem até ir embora.
Mas não pense que vou ficar de braços cruzados sem fazer nada.
-O que pretende fazer? -Não te contar meus planos, para começar.
Não pense que não sei diferenciar o olhar de uma mãe e de uma simples ama de leite.
Você enganou Andrés e todos, mas não a mim.
Sei que vendeu seu filho aos Alarcón e vou provar.
Se fosse verdade, como provaria? Enfrentaria a Dona Teresa?
Agora que deu à luz, começará a entender do que uma mãe é capaz por seu filho.
Vem cá.
Tudo bem.
A senhora sabia que Belén, a ama de leite, está pensando em sair do hotel?
Ela não me disse nada.
Quer que ela traga o bebê, assim a senhora fala com ela?
Ángela, o bebê já está aqui.
Isso é loucura! E sua mãe acha que é culpa minha e fica me ameaçando!
Já vai se livrar dela. Eu planejei tudo. Vocês ficam aqui uns dias
até eu conseguir arrumar o armazém que aluguei do Martín, o pescador.
Você descansará e o bebê poderá berrar à vontade.
-E já não berra? -Fica perto da peixaria.
Não é perfeita, mas será nosso lar.
Andrés, não quero que saia do hotel. É um bom trabalho, bem melhor que pescar.
Não me importa o trabalho! Só você e o bebê. E aqui não estamos bem
-Veio atormentar mais a minha esposa? -O bebê da Dona Sofía continua aqui?
Acabei de levá-lo. Ela gosta de passear com ele a esta hora.
-Certo. Dona Sofía quer falar com você. -Já vou, senhora.
-Essa foi por pouco. -Por isso temos que ir, Belén.
Andrés!
Julio.
-Você vai embora? -É pela Belén e o bebê.
Ajude-os na minha ausência. Vou levá-los comigo assim que puder.
Relaxe. Eles ficarão bem. Mas o que vou fazer sem você?
Se meter em confusão, imagino.
Antes você disse que Dom Carlos, quando morreu, estava abatido.
-Como sabe? -É só uma suposição.
Em suas últimas semanas, fui seu criado pessoal.
Ele era muito gentil e atencioso comigo sem motivo.
Me perguntava várias coisas e me fazia sentir à vontade no hotel.
O que houve no dia em que morreu?
Naquela noite, levei um consomê ao seu quarto.
Sabia que ele gostava de tomar antes de dormir.
-Não pode fazer isso. Sou seu filho! -E quando se comportou como tal?
Se eu não impedir, você levará esta família à ruína!
Não era um bom momento, então saí.
E não voltei mais. Na manhã seguinte, antes de levar o café, soube da sua morte.
-Estava doente? -Não, era muito forte. Foi uma surpresa.
-Tem certeza que discutiu com Dom Javier? -Sim.
Por isso sua morte foi mais triste. Ele se foi sem fazer as pazes com o filho.
É natural. Ele é o primogênito e futuro marquês.
Mas duvido que Alfredo já queira ler o testamento.
-Um gesto muito honrado da parte dele. -Você falou com Alfredo?
Deve estar arrasado. É difícil não poder estar presente num momento assim.
Não estava quando o pai morreu e ainda sofro.
Ninguém pode prever essas desgraças. Nem você, nem Alfredo podiam fazer nada.
Só Deus. É Ele que decide quando partimos.
Como foi? Quando o pai morreu. Nunca falamos disso.
Como acha que foi? Muito triste.
Se quiser, podemos falar disso mais tarde, mais tranquilamente.
Por que não agora? Todos estão aqui.
Quero saber como foram seus últimos momentos.
-O que ele fez e disse? -Perdão, não posso ajudar muito nisso.
Estava doente no meu quarto. Alfredo estava cuidando de mim.
Foi um grande choque quando melhorei e me contaram tudo.
Também não posso contar nada de especial. Me lembro que era um dia normal,
até que sua mãe, infelizmente, o encontrou na cama sem vida.
-E você, mãe? -Não a importune com lembranças ruins.
Tudo bem, Diego. É normal que esteja curiosa. Eu encontrei o corpo.
Seu pai tinha ido dormir cedo, e eu continuara trabalhando até tarde.
Quando cheguei, estava imóvel, deitado. Chamei o Dr. Bernárdez na hora.
Mas já não podia fazer nada. Já tinha falecido. Parada cardíaca.
-Mas ele tinha boa saúde. -Não tanto quanto pensávamos.
E quando o encontrou? Já era de madrugada? Talvez no dia seguinte, dia dez?
Não. O doutor disse que estava morto havia várias horas.
-E você, Javier? -Eu?
-Você o viu? -Não. Fui dormir cedo naquela noite.
Licença. Tenho coisas a fazer.
Legendas: Juliana Gomes da Cruz
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