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Estou muito feliz por você.
Com seu problema, estava condenada a ser solteirona.
Sal de lítio...
Não vá embora. Prometo manter distância.
Perdão pelo que farei.
Amo outro homem.
-Me diz quem é. -Ou vai fazer o quê?
Me matar, como fez com sua primeira esposa?
-E Alicia? -Ficou abalada com a tragédia
e decidiu passar uns dias fora.
Como conhece Diego? E quem é essa mulher?
Ela se chama Marta Santos, e era a mulher da minha vida.
-Não sei o que fiz. -Está preso pelo assassinato de Belén.
Deu tudo certo.
Amanhã Andrés morrerá.
-Como posso não chorar? -Você está vivo?
Quero que minha mãe herde tudo.
Chega de servir os outros. Chegou a hora de ser servida.
-Dona Ángela, o hóspede do quarto 23... -Não está sabendo?
Deve ser o único no hotel.
Isso diz muito sobre você, Jesús.
Não sou mais a governanta.
Vou morar aqui no hotel com meu filho.
-Andrés me cedeu todos os seus direitos. -Entendo.
Fico muito feliz.
Só aceitei por ele.
Acho que os últimos eventos o afetaram muito.
Mas sei que não ficarei à vontade lá em cima, com os nobres.
Você sabe que nosso lugar é aqui embaixo.
Eles não são tão diferentes de nós.
E nenhuma das senhoras é mais elegante e digna que você.
Será um prazer lhe servir.
Não seja bajulador.
Mas agradeço.
Não quero atrapalhá-lo mais. Minha renúncia já não ajudou.
Daremos um jeito. Não se preocupe.
Dona Ángela.
Jesús.
-Quero jantar no meu quarto de novo. -Como quiser.
-Algo mais? -Não, obrigado.
Vamos à vila comprar roupas novas para você. Importadas.
Roupa alegre, colorida.
O que tem de errado com preto?
Não vou mentir, no começo é difícil se acostumar.
Menos acordar mais tarde.
Você sabe que sua mãe levanta antes que o galo cante.
Isso vai ser impossível mudar.
Mas não deve ser ruim
ver o amanhecer sentada nos jardins do hotel.
Vai embora, inspetor?
Sim.
Devo resolver uns assuntos na cidade, mas não se anime porque vou voltar.
Este é o pior momento para ir embora.
-Por quê? -Temos um novo assassino à solta.
-Como assim? -Se Belén está viva,
quem é a mulher que confundiram com ela?
Obviamente, alguém a matou.
Talvez não haja outro assassino. Talvez Andrés a confundiu com Belén,
e a assassinou.
Belén disse que estava bêbado.
Isso explicaria as manchas de sangue na roupa.
Eu tenho outra teoria.
Acho que Belén Martín fingiu a própria morte
para incriminar seu marido, levá-lo à forca
e ficar com sua herança. Mas não agiu sozinha.
Ouça com atenção. Esta é a parte interessante.
Acho que ela conhecia um jovem inspetor que veio resolver um caso anos atrás.
Devia conhecer muito bem seu lado escuro,
porque o convenceu a assassinar uma mulher e falsificar as provas.
Esse mesmo homem levaria Andrés à forca,
em troca de uma parte da herança.
O que está insinuando?
Lembre-se que sou seu superior.
E não tem nenhuma prova.
Se me acusar, acabo com você.
Não se preocupe. Eu vou provar.
Nossa! Não achei que fosse tão tarde.
Vai sair?
Prometi me despedir do Sr. Urrutia antes de partir.
É um grande amigo da minha mãe.
Mas tentarei voltar logo.
Terminei, senhora. O bebê está pronto.
Como ele conseguiu?
Perdão?
Como te seduziu?
O que viu nele?
Relaxe. Aqui ninguém quer te fazer mal.
Pode falar abertamente.
Eu sabia que não era certo, porque ele é um padre.
Mas isso o tornava ainda mais...
Tentador?
Ele é bom com todo mundo.
Difícil é não amá-lo.
Quando ele fala e sorri, é como se...
soubesse tudo o que penso,
e tivesse uma palavra para cada coisa que sinto quando estamos juntos.
Não quero afastá-lo de Deus, mas ele disse que não me abandonaria.
Ele disse isso?
E eu acredito. Veja.
Ele me deu isto.
Carrego sempre comigo. Quando me deu, disse:
"Quando segurar isto..."
"Estará perto de mim."
Como sabe?
Você não é a única
que recebeu um.
Nenhuma paroquiana se confessando hoje?
O que vocês duas fazem aqui? Vamos ao...
O que esperava quando pediu para meu marido empregá-la
-na minha casa? -Fale baixo. Alguém pode ouvir.
-Só se importa com isso, não? -Não.
Não sabia que ele a empregaria lá.
-Como pôde? -Por favor, fale baixo. Entenda!
Também disse a ela que a amava?
-Não chore. Vamos... -Não vou a lugar algum com você.
Não ligo se descobrirem. Estou cansada de ser a única culpada.
Pelo menos ela não engravidou.
Não!
Quantos escapulários você deu por aí?
Quantas outras você abandonou?
Vá embora daqui.
Vou garantir que não use essa batina nunca mais.
Assim não enganará mais nenhuma mulher.
Hoje fui ao seu quarto, mas a senhora não estava.
Devia estar com Laura. O que queria?
Bem...
Vi um frasco de sais no seu quarto,
parecia um remédio.
Andou remexendo meu quarto?
Não! É que fiquei preocupado.
Era sal de lítio. Achei estranho.
Nunca tinha ouvido falar, e achei que poderia ser grave.
Bom, eu uso de vez em quando.
-Nada importante. -Lítio?
Soube que se usa para distúrbios mentais.
Que eu saiba, nunca sofreu de um.
Bom, eu tomo de vez em quando porque... Eu tento evitar, mas...
tenho...
uns tiques.
Nada sério,
-mas muito incômodo. -Sei.
Achei que talvez fossem da Laura.
Ela anda estranha ultimamente, e achei que tivesse vindo aqui trazê-lo.
-Mãe... -Calma. Ele não sabe o que diz.
-Lady! -Boa noite!
Só vim falar oi. E apresentar este anjinho aqui.
Raquel. É minha bisneta.
Veio passar uns dias comigo.
É um amor. Mas me faz sentir tão velha!
Que adorável! Chegue mais perto, meu bem.
Que boneca linda!
Eu tinha uma igual, mas a perdi.
Laura, querida. Deixe-a em paz.
Eu posso te emprestar. Tenho outra.
Claro.
Veja. Esta é a minha boneca.
É a Simoneta!
-Ela é minha! -Meu Deus, não!
Ela é minha!
É minha! Me dá!
É minha! Foi ele que me deu!
Por favor, me ajudem!
-Respira. -Por que você deu a ela?
Por quê?
Javier, por que deu minha boneca a ela?
Boas notícias, detetive.
Não me diga. Encontrou sua arma.
Não. Outra boa notícia.
Chegou o novo informe forense.
Temos que ir à pensão.
Agora!
Combinamos de não nos vermos mais aqui.
Achou que iria embora sem devolver o que me deve?
-Eu te paguei para matar Andrés. -Acha que isso importa agora?
-Ayala sabe. -Mas ele não tem provas.
Contra mim, não.
Não levarei a culpa sozinho. Você vem comigo!
Mas eu nem te conheço! Nunca tinha te visto antes de ontem.
Maldita vadia.
Você começou tudo! Então nós dois vamos pagar por isso!
Solte-a!
Acabou, Bazán.
O informe forense que recebi é claro.
O cadáver que encontramos, obviamente, não era da Belén.
Sinto muito, senhora,
a falecida é sua amiga Nuria Garrido,
a jovem que trabalhava como prostituta no bar, para quem vendeu seu anel.
Deve ser muito difícil ouvir isso.
Na última vez que a viram viva, o Sr. Alarcón estava preso há dias.
Então temos um novo assassino à solta.
Certo, Ayala.
-Falemos disso amanhã. -Não. Agora!
Encontraram isto no seu quarto.
Pertencia à falecida.
Sua ousadia vai custar caro.
Terá que explicar ao juiz. Ele não vai acreditar.
Vai, sim. Quando ouvir o testemunho do dono do bar.
Segundo ele, o último cliente dessa mulher foi você.
Então, como deve imaginar,
só me resta comunicar que está preso pelo assassinato de Nuria Garrido.
Hernando.
Parem-no!
Foi ela! Ela me prometeu uma fortuna para fazer isso.
É sua palavra contra a de Belén Martín.
Sinto muito. Ela foi mais esperta que você.
-Levem-no! -Vamos.
-Obrigada. -Não me agradeça.
Ainda não acabei com você.
Ninguém pode acabar comigo.
Ainda não percebeu?
-Perdão, Dona Ángela, eu... -Não se preocupe.
O quarto está perfeito.
São manias minhas. Obrigada.
A senhora é mesmo uma cobra.
Podem se retirar.
O que estava dizendo?
Sei o que fez.
Obrigou Andrés a lhe ceder os direitos sobre o hotel e a herança
só para me excluir.
Eu não fiz nada.
Andrés se encarregou de tudo pessoalmente. Eu não me envolvi.
Mas não se preocupe,
o que vou fazer é provar que você está por trás
de sua própria morte. Conte com isso.
Não quero alguém como você ao lado do meu filho.
-Você é puro veneno. -Está enganada.
Não vai provar nada porque sou inocente.
E pode ter certeza de que Andrés me ama e de que seu lugar não é aqui.
Seu lugar é lá embaixo, com a criadagem.
E você acha que é uma dama?
Acho que sou melhor que a senhora. E vou provar.
Dom Jesús.
Chegou isto para o senhor. Esqueci de entregar. Perdão.
Tudo bem. Estou tão ocupado que nem teria conseguido abrir.
Senhor.
Entre.
Trouxe o jantar, como ordenou.
Deixe aqui.
Trouxe cigarros, caso os seus tenham terminado.
Espero não ter sido indiscreto.
Não, tudo bem.
Ando fumando mais do que pensava. Obrigado.
-Deseja algo mais? -Isso é tudo.
Chegou a hora. Ela está sozinha. Se está na gruta, eu a encontrarei.
Sei que está lá. Eu vigio o Diego. Corre!
Espera!
-E se isto for uma armadilha? -Não é hora de conversar.
É melhor eu entrar.
Como assim?
Alicia está lá dentro sozinha. Vou entrar de qualquer jeito.
Está bem. Eu fico de vigia.
-Antônio. -Sim, senhora?
Peça para Mateo me avisar quando o Sr. Murquía sair de sua sala.
Mas Mateo está lá. Na sala do Dom Diego.
Diego?
Mas... o que significa isto?
O Sr. Murquía...
me pediu para acender o abajur e ficar aqui sentado.
Senhora...
não sei por quê.
Teresa!
Por que está aqui? E Alicia?
-E a senhora? -Perdi Diego de vista!
Ele não passou por aqui. Tem algo errado.
Fique aqui. Se vir Diego, me avise. Grite se for preciso.
Maitê?
Julio?
Julio!
Julio!
Alicia...
Julio!
Finalmente te encontrei, meu amor!
-É uma armadilha! Você tem que sair! -Não me importa. Vou te tirar daqui.
Alicia...
Alicia.
Acho que Diego está vindo.
-Você o viu entrar? -Não, mas tem que se esconder.
Vai! Faça o que ela falou, Julio, por favor! Rápido!
Onde ele está?
O que você fez?
-Perdeu totalmente o juízo! -Onde ele está?
Eu te vi, e tinha um homem com você.
-Minha vida amorosa não é da sua conta. -Diga onde está o amante da minha mulher.
Não a machuque.
Alicia...
Eu só quero...
que me digam onde está!
-Pare! -Você é um covarde!
Maitê!
Aqui estou, Murquía. Sou eu quem você procura.
Eu sou o amante da Alicia.
Diego...
Por favor, não o machuque.
Está ouvindo? Por favor!
Diego!
Está ouvindo? Não o machuque! Por favor!
Quem dera alguma vez tivesse suplicado pela minha vida como suplica pela dele.
Se for metade do homem que acredita ser...
soltará a arma.
Está enganado sobre mim, garçom.
Sempre soube que sou um covarde.
Vem cá.
Julio!
Não! Julio!
Julio!
Julio!
Julio!
Julio?
Julio!
Não! Pare!
Julio...
Fala comigo, Julio!
Julio, fala comigo!
-Me solta! -Pare.
Me solta! Ele vai morrer!
Entre na cela.
Mandei entrar na cela!
Alicia...
Me dê isso.
Vai.
Vai!
Entre!
Você tinha razão.
O garçom está morrendo.
Se ele morrer, eu juro que te mato.
Eu juro que te mato!
Julio!
Calma, meu amor. Você vai ficar bem, ouviu?
-Você vai ficar bem! -Alicia!
Mãe, sei o que vai dizer. Mas este não é o melhor momento. Certo?
Não vou dizer nada, mas ele precisa de um médico.
Como vamos levá-lo ao hotel?
Não podemos carregá-lo. Precisamos de ajuda.
Eu cuido disso.
Jesús!
Alicia está viva! Preciso da sua ajuda. Vamos!
Vamos!
Disse que foi um acidente de caça,
mas é uma ferida de bala.
Espero que seja discreto. Será recompensado, naturalmente.
-Jesús... -Ele adoeceu. Vou reorganizar os turnos.
Já fiz isso antes.
Obrigada.
Como ele está?
A bala não perfurou nenhum órgão,
mas ficou lá dentro. Tenho que extraí-la.
Perdão, mas...
é a melhor decisão?
Nunca recebi conselho médico de um maître.
Mas há uma primeira vez para tudo.
Perdoe-o. É o nervosismo. Faça o que for necessário.
Venha comigo.
O que foi isso?
Quer que todo mundo descubra quem você é?
Extrair a bala é um erro.
-Por quê? -A bala não fará mal lá dentro.
Mas, se a extrair com a inflamação e tudo, pode piorar as coisas.
Uma hemorragia interna seria fatal.
-É um bom médico. -Com resfriados. Sei do que estou falando.
-Vi muitos feridos a bala. -Ninguém pode saber.
O doutor sabe o que faz.
Espero que sim, pelo bem do Espinosa.
Onde está Diego?
Estão agindo como se soubessem que não vai voltar.
Até deitaram o garçom em sua cama.
Fale a verdade.
Diego não é mais uma ameaça. Relaxe.
Esse homem é perigoso.
Não confia em mim?
Vou reorganizar os turnos. Direi aos funcionários que Murquía viajou.
Oi. Sou eu.
Tem que vir a Cantaloa o quanto antes.
Um garçom complicou tudo.
Mudança de planos.
Fico à sua espera.
É hora do almoço...
e estão atrasadas. Não sei qual é a graça disso.
Não pode nos dar ordens.
Como proprietária do hotel, posso reclamar de vocês para o diretor.
É isso o que querem?
Está se sentindo bem?
Sim. Não se preocupe.
Trabalho demais?
Posso ajudar, se quiser.
Não. Tudo está indo bem.
Estava com a cabeça em outro lugar.
Por que está aqui?
E não no restaurante, com talheres de prata e guardanapos de seda?
Eu sou mais ferro e algodão.
Costumes de 40 anos não mudam da noite para o dia.
Posso me sentar?
Está tudo em ordem. Relaxe.
Dom Jesús, meu Deus!
No meio do expediente!
Ángela! Se não for incômodo,
poderia pedir para uma das criadas servir meu chá no quarto hoje?
Já passeei demais por hoje.
Lady, Dona Ángela não é mais a governanta do hotel, apesar da roupa.
Agora é uma dama.
-Uma dama? -Sim. A mãe de Dom Andrés Alarcón.
Andrés se preocupa muito comigo.
E agora, quem vai se preocupar com o hotel?
Encontraremos alguém à altura.
É hora de descansar. Na idade dela, é melhor para todos.
Ángela, não deixe seu filho esperando.
Deve muito a ele.
Vamos?
Eu mesma faço isso.
Mãe, isso não são modos.
-E roupas. -Andrés.
Não fale assim. Ela serviu a vida toda, é normal não saber se comportar.
Por acaso você vai me ensinar?
Se quiser.
-O que quero é ir embora. -Por favor.
Fique conosco. Quer um café?
Já tomei um.
Livre-se da roupa de governanta. Senão eu mesmo compro roupas novas.
Boas notícias! Ele foi detido. Bazán irá para a cadeia. É definitivo.
Você tinha razão, como sempre. Vamos beber.
Não! Acontecimentos importantes são celebrados com bebidas importantes.
Achei que guardasse casos sem resolver aí.
Não sabe quanto tempo esperei para abrir esta garrafa.
Posso saber o que está fazendo?
Ainda não achei minha pistola.
Vejamos. Lembra-se da última vez que a viu?
Há uns dias. Justo antes de o Sr. Olmedo vir te procurar.
Ele me procurou? O que queria?
-Foi embora sem dizer. -Certo.
E, quando ele foi embora, sua pistola sumiu.
Mais ou menos isso, sim.
Pare de procurar aqui.
É melhor procurar no Gran Hotel. Rápido!
Que desperdício...
Ele vai ficar bem, não se preocupe.
O que faremos com Diego? Não podemos deixá-lo preso a vida toda.
É o que ele queria fazer comigo.
Você não pode se rebaixar ao nível dele.
Agora só quero que Julio se recupere.
Serviço de quarto?
Eu não pedi nada.
-Quem é? -O Detetive Ayala.
Deixe que eu falo. Feche a porta.
-Não esperava sua visita. -Podemos entrar?
Claro. Por favor, entrem.
Como posso ajudar?
O Sr. Olmedo me procurou ontem na delegacia.
Por acaso você sabe o que ele queria?
Deve ter sido pela minha partida.
Depois da morte do Andrés, saí do hotel uns dias para espairecer.
Assim que soube que estava vivo, voltei. Não sabe o quanto agradeço.
Só cumpri meu dever. Como estou cumprindo agora.
Uma pergunta. Se foi só uma viagem,
por que ele veio me procurar?
Eu não avisei que partiria. Devia estar preocupado.
Ela também não se despediu da senhorita?
Não. Ela estava muito abalada.
É compreensível.
Acha mesmo?
Nunca se sabe como vamos reagir a algo assim.
É claro.
Mesmo assim, gostaria de falar com o Sr. Olmedo. Pura formalidade.
Ele está doente. Intoxicação alimentar.
O médico pediu repouso absoluto.
Eu tive uma vez. Foi horrível.
Eu não queria ver ninguém, e ninguém queria me ver.
Tudo bem.
Se o vir, diga que desejo uma recuperação rápida.
-Farei isso. Obrigada. -Senhoras.
Melhoras para ele.
Bom, foi tudo um mal-entendido. Fico mais tranquilo.
Você estaria tranquilo até no meio de um bombardeio.
-Deveríamos ter falado a verdade. -Para quê?
Para ele soltar Diego?
Ayala é compreensivo.
Ayala é um policial. E o que fizemos é ilegal.
Foi Diego quem te prendeu primeiro.
E atirou no Julio. Se contássemos a Ayala...
Ele iria querer soltar Diego para julgá-lo.
E Diego só é inofensivo dentro da gruta.
Ou morto. Como vai estar se não sair de lá.
Eu vou soltá-lo! Quando souber que Julio e eu podemos ser livres.
E que ninguém vai nos impedir.
Não é para isso que nos ajudou esse tempo todo?
Sim. E vou continuar ajudando.
Redigirei um documento de anulação do casamento.
Se o convencer a assinar, tudo acabará.
Andrés!
-Estou tão feliz de te ver! -Eu também.
Jesús me contou tudo. Onde ele está?
No quarto. Ainda inconsciente, mas está melhor.
Posso entrar?
Claro. Maitê, você cuida disso?
Tenho que ver uma pessoa.
Seu biscoito vai desmanchar assim.
E daí?
Posso saber o que houve? Está assim desde ontem.
Ontem soube que minha esposa me engana.
Eu estava na igreja, Sofía.
Sei de tudo.
Acho melhor você ir embora.
É o que ia fazer.
Se pensa que vai embora sem me ouvir, está muito enganada!
Sabe o que fez comigo?
Sinto muito. Eu errei.
Você me enganou, você...
me humilhou, riu de mim pelas costas!
Não era minha intenção, mas...
fiz isso mesmo.
É tudo culpa minha.
Não devia ter te enganado, e agora...
te perdi para sempre.
Você e o bebê.
Exatamente.
Vou pegar minhas coisas e...
vou embora amanhã mesmo.
Sabe o que mais dói?
-Eu nunca faria isso com o homem que amei. -Não!
Não me culpe pelo seu adultério!
Não é isso.
Éramos um casal que só via o tempo passar.
Embora houve um tempo no qual éramos amantes também.
Agora não somos nada.
Mandarei te prepararem um carro.
Alicia.
Como ele está?
Ainda inconsciente.
Sei que ele ficará bem.
Mãe, você nem o conhece. Não finja que se importa.
Me importo desde que soube que o ama.
Se ligasse para mim, saberia que o amo há muito tempo. Mais do que imagina.
-Filha... -Agradeço pela ajuda.
Mas não significa que te perdoei.
Quando penso nas coisas ruins da minha vida, penso em você.
Por isso vou embora. Com ele.
Para viver minha vida, não a que os outros querem.
Mercedes, que surpresa!
-Não sabia que viria. -Nem eu.
Mas fui obrigada.
O que aconteceu?
Você mentiu.
Os termos do nosso acordo eram claros. Devia ter contado da doença dela.
Eu sei.
Eu mesma sirvo.
Peço desculpas.
É tarde para isso. O casamento será anulado.
-Não podem fazer isso! -Nem pense em me ameaçar.
O erro foi seu.
Minha filha ama Javier loucamente.
Não duvido disso.
Se tivesse que se separar dele...
ela morreria.
Javier fez de tudo para se separar dela. Se não conseguiu, foi graças a mim.
Ele não a ama.
Ela não sabe disso.
Assim que voltar a tomar o remédio, ficará bem.
Tudo voltará ao normal. Serão felizes.
Meu filho será feliz com outra pessoa.
Feliz...
e pobre.
Do que está falando?
Não nos enganemos, Teresa.
Você consentiu o casamento dele com Laura por dinheiro, não por amor.
-Um dinheiro que recebo gota a gota. -Bom, isso pode mudar.
Só quero a felicidade da minha filha.
E farei de tudo para consegui-la.
Inclusive te entregar o dote inteiro.
Não é o que você sempre quis?
-Javier, por favor! -Não.
Seja sensato!
Não passo nem mais um minuto com ela, ainda mais agora que tenho motivo.
Não percebe? Ficar com Laura é o melhor para todos.
O melhor para você.
Só se interessa pelo dinheiro, mas eu tenho que suportá-la.
Já disse, Mercedes prometeu dar o dote inteiro.
-Recuperaríamos o hotel! -Para quê?
Para morar com ela aqui? Ter filhos?
Passear com eles enquanto ela passeia com Simoneta?
Prefiro morar debaixo da ponte.
Morreria pobre, mas solteiro. E feliz.
Dr. Hermo? É Javier Alarcón.
Bem... Não, na mesma.
Bom, na verdade, pior.
Armando escândalos na frente de todos. Por isso liguei.
A Igreja e sua burocracia, sabe?
Pediram um diagnóstico oficial para a anulação.
Amanhã?
Amanhã seria ótimo.
Legendas: Juliana Gomes da Cruz
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