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Original subtitles

- Art Subs - 12 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - Milena Mota -

Revis�o e ajustes - willy_br -

5 � O N�MERO PERFEITO

N�POLES, 26 DE SETEMBRO DE 1972

Nas linhas das minhas m�os,

vejo estradas que n�o levam a lugar algum.

Quando eu era jovem,

uma prostituta tunisiana que trabalhava no bairro

viu nelas o futuro de um viajante.

Quarenta anos se passaram,

e nunca sa� de N�poles.

Estranho destino para um viajante.

Nunca acreditei muito em videntes.

Sempre estive ocupado demais

com o lado concreto das coisas.

A cidade que me forjara como homem,

com o tempo, se tornara uma mem�ria esmaecida.

Caminhar novamente por estas ruas antigas...

me fez sentir um estranho arrepio.

Ao pedir que um homem mate outro homem,

voc� precisa saber que est� em boas m�os.

Eu era essas boas m�os.

Se eu fosse tirar conclus�es, agora que sou velho,

provavelmente diria isto:

"Vivi minha vida como se consome bebidas fortes;

vira-se o copo de uma s� vez, sente-se efeito do �lcool,

sem saber se conseguiu sentir o sabor de verdade."

Ol�, Peppino. Boa noite.

- Boa noite. - Desculpe, n�o tinha visto voc�.

Vim por causa do presentinho de que falamos no telefone.

Para o seu filho, n�o �?

Isso.

Olhe esta belezinha.

Ele costuma usar uma Smith & Wesson.

Sempre fiel.

� uma boa arma, mas hoje eu queria algo especial.

Veja, Peppino. Uma Browning 7.65.

Arma��o e ferrolho perfeitos. Veja o cano.

Trinta anos de uso e ainda � moderna. Perfeita.

Pr�tica e pequena, Peppino. F�cil de esconder.

O que foi, Peppino?

Est� chovendo.

Como vai voltar para casa?

Vou pegar o �nibus das 10h26.

Tenho esta Erma 22, nada de especial.

Deixe para l�.

Espere.

Acho que esta � a arma para voc�, Peppino.

Agora sim.

PONTO DE �NIBUS

Cap�tulo Um:

L�grimas Napolitanas.

Quer caf�?

N�o. Obrigado, pai. Estou atrasado.

Ou�a o que vou dizer.

Se chegar atrasado, voc� dar� �quele canalha

preciosos momentos de vida.

Entendeu?

Ser� um cavalheiro de verdade.

Pai, voc� que � um cavalheiro de uma outra gera��o.

Aquele canalha n�o merece nada.

Ele n�o merece tamanha cortesia.

Ou�a, meu filho.

Lembra-se daquele prov�rbio?

"N�o se define um homem pelo modo como ele come ou caga,

mas pelo modo como ele mata."

Gra�as a Deus, meu filho sabe matar direito.

Venha, vamos tomar caf�.

Obrigado.

- Voc� o conhece? - Quem?

O futuro defunto.

N�o, mas � um delator.

Uma porcaria de m�gico.

Qual � o problema?

Por que essa cara?

N�o estou no clima.

N�o est� no clima?

N�o muito.

Entendo.

Sempre na rua, fa�a chuva ou fa�a sol.

Um tiro ap�s o outro.

� uma vida dura, filho.

E desde que sua m�e se foi...

Ela era linda. Um anjo. Bela como uma flor.

Naquele dia, senti meu cora��o parar por um instante.

Foi "amor � primeira vista".

� assim que dizem, n�o �?

Foi amor � primeira vista.

Bons tempos aqueles.

Para ficar com a sua m�e,

tive que acabar com toda a fam�lia dela.

Todos mortos.

Menos ela.

E ela nem piscou.

- Conhece esta hist�ria? - Conhe�o.

J� sabe.

Papai.

Sinto muito, Nino! Sinto mesmo.

Desde que a sua m�e se foi,

eu n�o sou mais eu!

Olhe para a minha m�o. Olhe!

Veja como treme!

Pai, deixe isso para l�.

- J� estou deprimido. - Tem raz�o.

- N�o quer peperonata? - N�o, obrigado, pai. Preciso ir.

Vou l� matar o sujeito. Tome um comprimido e v� dormir.

MISTER X VIDENTE

L�GRIMAS NAPOLITANAS

O senhor � o Mister X?

- De que precisa? - De sorte.

Noite passada, tive um sonho.

Prossiga.

Tudo estava abandonado.

Uma cidade grande, como N�poles.

Desabitada.

Depois, n�o me pergunte o porqu�,

eu sabia que havia um gato morto na minha barriga.

Sei que � maluco.

Mas eu sentia o gato e o pelo dele

dentro do meu est�mago.

Isso me deixou com mau h�lito.

De repente, vi uma pessoa. Eu a chamei, mas nada aconteceu.

Ent�o comecei a correr.

Enquanto eu corria, minha cabe�a foi se transformando

em uma cabe�a de gato.

Acho que era um gato, n�o me lembro.

Ent�o comecei a cair.

Ca� e sa� rolando.

- Alguns sonhos s�o press�gios. - Press�gios?

Eles contam o que est� para acontecer.

E tamb�m h� sonhos enganosos.

Qual tipo de sonho foi o meu?

Vejamos.

H� outra categoria de sonhos.

Sonhos sem nenhum significado.

Sabe do que estou falando?

S�o apenas sonhos.

- Mas que merda! - N�o fale palavr�es. Eu n�o gosto.

H� sonhos que trazem sorte,

e h� os que trazem azar.

� justamente isso o que quero saber, imbecil.

Que tipo de sonho foi esse?

- Um gato morto na barriga... - O que significa?

- Uma persegui��o dif�cil... - Isso, voc� entendeu.

Sua cabe�a se transforma...

Se transforma. E ent�o?

Acho que traz um grande azar, seu filho da m�e.

Que achado!

Feito. Agora v� atr�s do pai.

Cap�tulo Dois:

A Semana Enigm�tica.

Oi, gat�o! Que charme!

Como vai?

Uma cabine e uma ficha para o telefone.

Tot�, � o Peppino.

Peppino Lo Cicero.

Est� lembrado?

Meu filho saiu ontem para um trabalho

e n�o voltou mais.

Alguma coisa aconteceu. Tente descobrir o qu�.

Descubra se tamb�m est�o atr�s de mim.

Tenho um mau pressentimento.

Se algo acontecer com meu filho, vou come�ar uma guerra.

N�o tenho escolha.

Encontre-me no lugar de sempre. Lembra qual �?

Tot�, tem alguma coisa acontecendo.

Sangue pede sangue.

Essa � a regra, lembra?

Sou Sung Wu-yang. Nunca fiz mal a ningu�m.

Est� cometendo um erro.

�REA RESTRITA PERIGO

HOMEM-GATO

Nino...

Nino!

� para voc�.

Obrigado, pai. Sabia que voc� compraria!

- O Homem-Gato � o melhor! - N�o gosta do Nebdo Zip?

Gosto, mas o Homem-Gato � mais legal.

Est� bem.

- Se gosta dessa roupa dele... - Peppino, n�o provoque o garoto.

Olhe, pai. O Homem-Gato capturou os vil�es.

E agora vai derret�-los no �cido. Muito legal!

- Nossa! O que eles fizeram? - S�o ladr�es.

Ladr�es? V�o derret�-los em �cido s� por causa disso?

Esse Homem-Gato pega pesado!

Immacolata? Acha bom que ele leia revistinhas t�o violentas?

Elas estimulam a imagina��o.

Talvez estimulem. Mas tamb�m colocam...

ideias esdr�xulas na cabe�a dele.

Venha aqui, Nino. Escute o papai.

Quem s�o os inimigos do Homem-Gato?

- Criminosos. - Criminosos.

E ele d� fim nos criminosos?

Claro!

Qual � o moral da hist�ria?

- O moral? - Isso.

- Por que ele faz isso? - Para fazer o mundo melhor.

Para fazer o mundo melhor.

Sente-se aqui. Ou�a.

Nino, todos sabem que nosso planeta

tem um equil�brio biol�gico bastante delicado.

Por exemplo, voc� sabe para que servem os insetos?

N�o sabe?

Os insetos mant�m o equil�brio,

que � muito delicado, como um fio de seda.

Uma abelha, por exemplo. Ela tem um ferr�o deste tamanho.

Uma picada dela d�i muito.

Lembra-se quando voc� foi picado na boca, ano passado?

Lembra, n�o �? Foi terr�vel!

Mas a abelha tem o seu prop�sito.

Conforme ela vai de flor em flor colhendo o n�ctar,

ela carrega p�len, que faz novas flores nascerem.

Entendeu?

Achava que tudo acontece por acaso?

N�o � assim que o mundo funciona.

Voc� e suas revistinhas.

Veja, as palavras cruzadas.

Est� vendo os quadradinhos brancos?

Voc� s� consegue v�-los

porque existem os quadradinhos pretos.

� a harmonia m�gica.

Nino, eliminar todos os criminosos do mundo

destruiria o equil�brio biol�gico.

- Entendeu, menino esperto? - Entendi, pai.

Immacolata, o que andam ensinando para ele na escola?

Peppino.

Voc�?

Estava esperando voc�.

Vi uma luz em meio ao breu.

S� poderia ser voc�.

- H� quanto tempo. - Vinte anos.

Sabia que voc� voltaria.

Deixe-me em paz, Rita. Agora � perigoso.

Mais perigoso que nunca.

- Perdeu cabelo, est� bonito. - Pare.

Est�o atr�s de mim, entende?

Esperou tanto tempo, e agora quer que eu v� embora?

- Que susto! - Tot�, � voc�?

Quem mais seria? O que est� fazendo?

- Desculpa. - Desculpa coisa nenhuma.

Somos velhos demais pra isso. Quase me matou de susto.

- Tudo bem. - Ol�, Tot�.

H� quanto tempo.

- Tamb�m ficou careca. - Quanta gentileza, hein?

- Como vai o seu irm�o? - Ainda � ladr�o.

- Entra e sai da cadeia. - � a sina dele.

- Terminaram? - Aonde vai, Peppino?

Rita, viu o que estou fazendo aqui? Estamos em guerra, est� bem?

Entendeu?

- Quer me matar tamb�m? - D� a arma para mim, Peppino.

Escute aqui. Fique longe de mim.

Guarde isto. � uma recorda��o.

� meu pertence mais importante.

Uma revista em quadrinhos? Est� brincando?

Estou falando s�rio. Agora v� dormir.

Como?

Se n�o conseguir dormir, fa�a um caf�.

- Nos vemos em algumas horas, sim? - Certo.

Quer um pouco?

N�o, obrigado.

Eu estou precisando.

Ele morreu?

Sim, Peppino. Seu filho est� morto.

Pare o carro. Preciso tirar �gua do joelho.

- Para voc�. - O que �?

Um presentinho de anivers�rio.

Obrigado, pai. N�o precisava.

Abra.

Seu anivers�rio � em duas semanas, mas este me parece um bom momento.

- Nossa! - Gostou?

Muito!

Fico feliz, filho. � uma boa arma.

Pai, � uma Colt Cobra.

� uma maravilha.

Uma Colt Cobra 38 Especial.

Ela � meio esquisita e curta, mas esse � o charme dela.

- Qual a sensa��o? - Empunhadura fant�stica.

� o que dizem.

Obrigado, pai. Isso me d� uma nova vida.

V� com calma.

Qual � o seu plano, Peppino?

O que est� acontecendo?

- Est� do meu lado? - Estou, mas em qu�?

Voc� me chamou. Diga-me o porqu�.

Devemos falar com Don Guarino.

Seu filho trabalhava para Don Guarino.

� ele quem deve resolver as coisas.

Essa � a regra.

Quer saber, Tot�?

Voc� est� com medo.

Sempre foi destemido e agora tem medo da pr�pria sombra.

Isso me d� medo. Muito medo.

Eu estava sossegado regando minhas beg�nias.

De repente, esta reviravolta.

Mais alguma coisa, Tot�?

473...

474...

475...

476...

477...

478...

479...

480...

481...

482...

Cap�tulo Tr�s:

Guapparia.

Uma dupla de assassinos aposentados.

Oi, Tot�. Oi, Peppino. O que houve a essa hora da noite?

Ou�a, canalha, diga a Don Guarino que estamos aqui. Depressa.

O que aconteceu? Foi picado por uma tar�ntula?

Tot�, o Carniceiro, e Peppino Lo Cicero est�o aqui.

Pergunte a Don Guarino o que ele quer fazer.

Entrem.

Boa noite.

Perdoem a luz baixa e as cortinas fechadas.

Quest�es de seguran�a.

Como vai, Tot�?

E a aposentadoria?

Ouvi dizer que estava plantando malditas beg�nias.

� isso mesmo.

N�o � algo muito digno para um assassino de aluguel.

E voc�, Peppino?

Tamb�m cultiva beg�nias?

Prefiro pescar.

Menos mal.

As coisas n�o andam boas. Sinto muito por seu filho.

Como est� levando?

�s vezes, a vida � imprevis�vel.

Ela tem muitas faces.

Fomos tra�dos, mas a justi�a ser� feita.

N�o se preocupe.

� melhor ficar na sua por um tempo. At� as coisas esfriarem.

Aquele filho da m�e do Lava est� com os dias contados.

Voc�s v�o ver. V�o poder curtir a aposentadoria.

Como posso ajudar? Precisam de um esconderijo?

N�o se preocupe. O Salvatore aqui dar� uma m�o.

Vou cuidar dele, Don Guarino.

Fa�a � moda antiga.

Tot�, eu estava pensando...

Como dizia Don Paradiso, que Deus o tenha:

"Quando estiver diante de um homem, atire primeiro,

depois veja a qual fam�lia ele pertence."

Certo.

�s vezes, n�o faz diferen�a saber a fam�lia dele.

Justo.

- Mas que merda est� dizendo? - Voc� sabe.

Don Guarino, Peppino est� abalado, n�o � isso o que ele quer dizer.

� exatamente isso que quero dizer.

Seu velho desgra�ado! Acha que pode me sacanear?

- Vamos dar o fora, Tot�! - O que voc� fez?

- Tot�, vamos ou viramos presunto! - Est� fora de si!

Tiro!

- Est�o atirando! - O que aconteceu?

Atiraram no Don Guarino!

Eles o mataram!

Filhos da puta!

Voltem aqui!

Voltem aqui!

Atirem!

Matem eles!

Atirem neles!

Atirem!

Nunca vou perdoar voc�.

J� temos muitos inimigos.

E o que voc� faz? Mata o nosso chefe.

Voc� est� maluco.

Perdeu a cabe�a, Peppino.

N�o atirem!

Sou Ilario Lava.

Nada menos...

que o sobrinho de Don Lava.

Peppino, esses merdas me acertaram.

Rita?

Tanta viol�ncia, tanto sangue.

� imundo. Tenho nojo.

N�o se fa�a de inocente.

Lembra para quem seu pai trabalhou?

Ele trabalhou para a Fam�lia.

E da�? O que tem isso?

Agora est� cuidando do homem que sempre desprezou.

N�o era desprezo.

S� estava tentando ficar fora disso.

Queria viver minha vida.

At� se apaixonar pelo Peppino.

Ningu�m � perfeito, Salvatore.

Deixe isso pra l�.

Achei que pudesse dar certo.

- At� voc� aparecer. - Ent�o a culpa � minha?

O Peppino era casado.

Era um bom menino que seguiu � risca as regras da Camorra

e sumiu da minha vida.

E voc� nunca o perdoou.

Mulheres at� perdoam.

Mas nunca esquecem.

Doutor, como vai sua esposa?

Apaixonou-se por um contrabandista.

- Foi embora h� seis meses. - Mulheres n�o t�m limites.

Era bonita demais. Nunca mereci uma mulher como ela.

Quer saber, doutor?

Nunca teve autoconfian�a.

E voc� tem o mundo nas m�os, n�o �?

Que bobagem.

Nunca acreditei nisso.

Agora relaxe. Vai doer.

V� devagar, doutor.

� cedo demais para este escroque conhecer o Pai Celestial.

Um pouco de dor acertar� as contas por tudo o que ele fez na vida.

- Acredita mesmo nisso? - Em qu�?

Em uma justi�a universal.

Certo.

N�o se mexa!

Est� sendo um longo dia, sabe?

Meus ouvidos ainda ecoam os tiros.

Nos divertimos muito!

N�o tem gra�a.

� verdade. N�o tem gra�a.

Achei que seria meu fim, mas ainda estou aqui,

cheirando a p�lvora como antigamente.

N�o sei por qu�, mas ela gruda na pele.

� o fedor da morte.

Talvez.

N�o tenho mais medo dela.

Toni Tr�s Dedos? � o Peppino Lo Cicero.

Ou�a, seu animal. Sei que est� atr�s de mim.

Diga ao seu chefe que � melhor ele ter cuidado.

Diga que estou com o sobrinho dele.

Eu perdi o meu filho.

N�o tenho mais nada a perder.

Entendeu?

E o mais importante:

se ele n�o quiser que o sobrinho vire picadinho...

quero o cara que matou o meu filho.

Quero um encontro com o seu chefe.

Homem a homem. S� n�s dois. Sem armas.

Ningu�m por perto.

Diga que eu tenho perguntas e quero respostas.

O rev�lver estava novinho em folha.

Deve ter ficado com aquele canalha.

Quero o rev�lver de volta.

Ouviu bem, seu in�til?

Falo com voc� mais tarde. Se eu tiver vontade.

Toni, sai fora.

- Acordei voc�? - N�o. Pegue.

Tomei um banho.

Preciso de roupas novas.

Mas estamos em guerra. Perdi tudo.

Agora, esta � a minha casa:

duas pernas, dois bra�os, este rosto e nada mais.

- Que vida � essa? - N�o sei.

Sei l�.

A vida corre no seu pr�prio ritmo. Sou apenas um passageiro.

Estava levando uma vida tranquila.

Esperava a morte, mas tudo isso aconteceu.

J� contei a hist�ria do meu primo, o da pol�cia?

- N�o. - Nunca contei do Lino?

N�o.

Ent�o falarei agora.

Cerca de 15 anos atr�s,

eu tinha um primo que se chamava Lino,

mas todos o chamavam "o Tartaruga".

Sabe por qu�?

Porque ele sempre repetia: "Cinco � o n�mero perfeito."

"Cinco � o n�mero perfeito."

Quando perguntavam que porcaria isso significava,

ele respondia...

com um ar espertalh�o,

rindo da cara da pessoa:

"Duas pernas, dois bra�os, e este rosto. Esta � a minha casa.

Esta � a minha casa."

Dois mais dois d� quatro. Com mais um, cinco.

Entendeu?

Ele queria dizer que era independente,

que n�o devia nada a ningu�m. Como uma tartaruga.

O Lino amava os animais.

Gostava especialmente de pombos. A paix�o dele era cruzar esp�cies.

Estava sempre no telhado com os pombos.

Por ser da pol�cia, ele j� era uma desgra�a para a fam�lia...

mesmo sendo apenas um agente de tr�nsito.

Ele n�o sabia nada sobre a Camorra.

Um dia, foi encontrado morto.

Tiros foram disparados,

minha tia subiu ao telhado...

e o encontrou morto, com um pombo enfiado na boca.

Ao lado dele, estava escrito:

"Cinco � o n�mero perfeito. V� se foder."

Dispararam-lhe cinco tiros no peito.

Sabe por qu�?

Havia coc� de pombo nas roupas do Don Paradiso,

que morava no andar de baixo.

Veja s�, Don Paradiso...

Quando Don pediu que ele mudasse os pombos de lugar,

Lino respondeu com sua frase enigm�tica.

- "Cinco � o n�mero perfeito." - Exato.

Ele assinou sua senten�a de morte.

- Que horror. - A vida � um horror.

E a ironia � que ela tem senso de humor.

Pare.

Vamos parar.

Olhe pra mim.

O que foi?

Estou com medo.

Sabe que a morte est� chegando, n�o �?

Me respeite. Entendeu?

Voc� vai morrer, velho desgra�ado.

N�o sobrar� nenhum de voc�s!

Vai ver s� quando meu tio chegar.

Cap�tulo Quatro:

O Sorriso da Morte.

Despeje o solvente em cima.

Ele faz todo o trabalho e derrete a tinta.

Quando o desgra�ado chegar, vai ficar furioso.

Despejou o solvente no carro errado, seu idiota.

Avise o Salvo.

Se vire, imbecil!

D� um jeito de conseguir outro gal�o de cinco litros.

Ou eu corto sua cara. N�o me fa�a perder tempo.

N�o se estresse, jovem.

Nossa Senhora, Peppino. Quase me matou de susto.

Ol�, Ciro.

Como vai, Peppino?

N�o soube?

Claro que soube. Sinto muito pelo seu filho.

N�o tem vergonha na cara.

Quais s�o seus planos?

Estou a fim de mudar um pouco.

A vida est� um inferno na Fam�lia.

- Sabe disso? - Sei.

Por�m, no meu ponto de vista, foi a Fam�lia que me traiu.

Eu s� dei o troco.

Sente-se, Peppino.

Quais s�o as novidades?

Quer ganhar cem contos?

- Est� de brincadeira. - Voc� � um bom homem.

Est� aprendendo com essas revistas em quadrinhos.

Deveria ler tamb�m, Peppino.

Diabolik, Zakimort. S� coisa boa.

O Kriminal � muito esperto.

Mulheres lindas, roupas incr�veis, e rouba tudo o que quer.

Uma vida boa.

O Nino, meu filho, gostava destes dois.

Com todo respeito, Peppino. Ele lia os americanos.

N�o gosto deles.

Os her�is est�o todos do lado errado.

Mas estes aqui s�o criminosos.

Por isso, s�o os melhores.

� assim que funciona?

Os americanos nunca d�o uma dentro.

Preste aten��o.

Tenho um trabalho para voc�.

Sabe o Palazzo Dallara, em Rione Sanita?

Sei.

N�s vamos organizar uma troca de prisioneiros.

Legal. Maravilha. Me mostre.

- Vamos entrar por aqui? - Exato.

H� duas entradas, ent�o temos que ficar atentos.

Ciro, preciso de voc�,

porque o Tot� foi baleado.

Voc� vem daqui, me d� cobertura

e traz o prisioneiro.

- Sabe dirigir? - Isso � uma pergunta?

N�s entramos por aqui enquanto os Lava, a outra Fam�lia,

v�m por aqui.

Don Iginio Lava?

- Isso. - Bem pesado!

� perigoso, Peppino.

Posso chamar uns amigos.

Melhor n�o.

Corte seu cabelo. Est� f�cil reconhec�-lo.

Voc� � quem manda.

Ajude-me a ser o que j� fui um dia.

E perdoe-me por ser quem eu sou.

Am�m.

Virgem Maria, tiraste de mim o que eu tinha de mais precioso.

O Nino est� com a Senhora?

Trate-o bem. Conto com a Senhora.

Sei que as coisas n�o est�o como deveriam.

Precisamos de mais integridade e lealdade.

Acha que n�o vejo?

Se uma pessoa segue uma linha...

Sabe do que estou falando.

Se uma pessoa segue uma linha,

o destino dela fica marcado, e ela tem que ir at� o fim.

Hoje em dia, estamos cercados por lixo.

O mundo, com o perd�o da palavra, se tornou um esgoto.

Trai��o � o p�o nosso de cada dia.

Ent�o...

permita-me mandar-lhe alguns cretinos

para que lhes ensine uma li��o.

Todos t�m o mesmo problema.

Aqui.

A Senhora sabe o que �.

Claro que sabe.

A alma deles � imunda.

Diga quem o mandou aqui, seu merda!

Solte-me, Peppino. Sou eu!

Est� maluco? Por que est� me seguindo?

N�o deveria contar, mas vem chumbo grosso a�.

Eu sei.

Voc� mexeu na merda e agora ela atingiu o ventilador.

E da�?

N�o conseguir� se safar sozinho.

Voc� errou feio.

Eles est�o se organizando e me pediram armas, muitas armas.

A guerra est� declarada.

- Quer um conselho? - Diga.

Aja o quanto antes.

Espere um pouco...

Minha cabe�a est� girando.

A casa da Concetta � pertinho. N�o podemos ficar aqui.

Vamos, Tot�! Cad� o Peppino?

Ele nos deixou aqui.

Abaixe-se, Rita!

Abaixe-se!

Abaixe-se, Rita!

Abaixe-se!

Tot�!

Rita! Cuidado, cuidado!

Cuidado, querida!

Ent�o eles vieram.

Seu filho da m�e!

Toni Tr�s Dedos.

Tudo pronto. Estamos com a porcaria de m�gico.

Bom dia, Don Lava.

Que honra.

Nunca o vi de perto antes.

Est� me devendo um favor.

Dei fim no seu rival, Don Guarino.

Depois de trabalhar para ele uma vida inteira,

foi uma satisfa��o.

Eu fiquei sabendo.

Nunca ousei pensar grande.

Uma vida inteira como soldado raso, matando para os outros.

Quem diria que depois de velho

eu teria coragem de levantar a cabe�a.

Ent�o, matou o chef�o da fam�lia

que criou voc�.

� corajoso, Peppino.

Tem raz�o.

Eu costumava vir aqui quando era pequeno.

Eu estava bem aqui, brincando, quando vi meu pai ser morto.

� curioso.

Naquela �poca, eu pensava que seria o meu fim...

mas aprendi que a vida tem que ser domada.

Voc� sabe disso.

� um grande homem.

Por que se importaria com os problemas dos pequenos?

O vento est� ficando forte.

Hora de trocar presentes. Primeiro, a pistola.

Devagar. Movimentos lentos.

Desculpe-me, mas pe�o que a deixe no ch�o,

delicadamente.

Agora, afaste-se.

Quero ver o meu sobrinho.

Vai ver aquele pirralho do seu sobrinho.

Se acontecer algo com ele,

arrancarei seus olhos com minhas pr�prias m�os.

Traga o cretino que matou o meu filho.

O que foi, chefe? Por que estou aqui?

O meu sobrinho.

Aqui est� ele.

Devagar.

Fim do espet�culo.

Escute, eu nem conhecia o seu filho!

O que eu poderia fazer?

Sabe como �. Quando mandam voc� matar, voc� mata.

Ele era t�o elegante.

Quer saber?

Quase me arrependi de t�-lo matado.

Voc� � um rapaz t�o sens�vel!

Cap�tulo Cinco:

Cinco � o N�mero Perfeito.

PARADOR MERIDIONAL, 21 DE OUTUBRO DE 1972

- Bom dia, Don Peppino. - Bom dia.

- Quer um pouco de caf�? - Sim.

Aqui est�.

Como se sente hoje?

O sol ajuda com o reumatismo.

� o que dizem.

- Sente-se, por favor. - Obrigado.

Ainda n�o est� muito quente.

Gosto daqui. � agrad�vel.

Sabe, Michele?

� estranho eu nunca ter sa�do de N�poles.

Emigrei para c� h� quase trinta anos.

Depois da guerra, havia tanta pobreza em N�poles.

- Pobreza extrema. - � verdade.

As pessoas n�o eram ricas aqui em Parador.

Mas um primo meu que era barbeiro precisava de ajuda.

A fam�lia era grande. T�nhamos que p�r comida na mesa.

Ainda pequeno, comecei como sapateiro.

Mas quando se tem fome, voc� aprende qualquer of�cio.

Feche os olhos. Colocarei uma toalha quente no seu rosto.

N�o terminei de contar a hist�ria de ontem.

Sim, sim.

Sou todo ouvidos.

Pois bem...

vou preparar a espuma enquanto isso.

Eu fiz de tudo...

de tudo para encontrar o homem que matou o meu filho.

O Corcunda, que me deu cobertura,

n�o cobriu o rosto.

Ele queria aproveitar o espet�culo

que seria a cara do Don Lava, observando-a bem.

Aquele era um momento bastante delicado.

Trocas de prisioneiros, em duas a cada tr�s vezes,

acabam em sangue.

Michele...

est�vamos muito expostos.

�ramos alvos f�ceis.

Com certeza, n�s fomos tra�dos.

Mas era Don Lava quem eles queriam.

Eu era somente um detalhe insignificante.

Depois... foi a vez do Corcunda.

Ele tinha apenas poucos meses de vida.

Sua doen�a era terminal, e o levaria em pouco tempo.

Ent�o ele decidiu sair de cena como ator protagonista.

Chegamos embaixo e nos dividimos.

Tive azar e fiquei encurralado.

Havia pistoleiros por todo lado.

Pensei: "Peppino...

acabou."

"No fundo, a sua vida foi boa."

Ao volante do Bianchina, estava ele, o seu irm�o.

E eu estava vivo.

Ele salvou minha vida.

Ele se arriscou ao se envolver nessa hist�ria.

Pegue, fume seu �ltimo cigarro.

Olhando de perto...

aquele assassino nem mesmo era um homem.

Ainda fedia a leite.

Se n�o fosse aquele penteado rock and roll rid�culo...

De p�.

...pareceria ter 16 anos.

Est� vendo essa m�o?

Olhe bem pra ela.

Essa � a m�o que matou o meu filho.

E esta � a bala que deveria ter matado voc�.

Pegue ela...

e d� o fora.

N�o quero sentir seu fedor perto de mim.

De verdade? � s�rio?

N�o entendeu? Se manda!

Talvez foi um grande erro.

Eu n�o sei...

N�o sei.

Mas eu tive um estalo.

Michele, naquele momento, eu fiquei aliviado.

O qu�?

O que est�o olhando?

O que est� olhando, Tot�?

Eu n�o entendo. N�o entendo nada.

Doutor, me d� um cigarro.

Eu sei.

O Peppino de antes nunca teria deixado ele ir.

Eu tive um estalo.

De repente, me senti cansado.

Cansado de verdade.

Rita, eu me sinto como uma tartaruga.

S� quero me esconder no meu casco e dormir.

N�o � o melhor momento. D� o fora.

Tenho um endere�o para voc�.

Peppino, temos que dar o fora daqui.

O que vai fazer?

Preciso me recuperar. Vou sumir por um tempo.

Vou plantar beg�nias, como um homem qualquer.

Tome cuidado, v�o achar voc�.

V�? O Peppino de antes est� voltando.

Pegaria leve com eles?

Atenda.

Foi uma carnificina.

Salvei a porcaria do m�gico...

e, como agradecimento,

ele correu de volta para os homens do Lava.

Os mesmos que horas antes o haviam entregado para mim.

O seu irm�o...

lamento muito dizer isso, Michele...

foi o primeiro a ser atingido.

Eu me encontrava alheio �quela situa��o.

Que coisa horr�vel...

que coisa horr�vel...

dar-se conta que voc� fez tudo errado.

Ele morreu?

V�, v�!

Tot�, entre. � perigoso.

- Venha conosco. - Temos pouco tempo.

N�o se preocupe comigo. Vou ficar bem.

Tot�, � perigoso. Vamos!

Preciso ficar, Peppi!

Minha ferida est� aberta.

V� voc�.

Como desejar.

Olhe isso.

Deve estar a� h� vinte anos.

� um cart�o-postal da minha irm�.

Eu nunca viajei de navio.

Deve ser legal, n�o?

Sim.

Esse tempo deixava o Nino...

melanc�lico.

Ao chegarmos aqui...

eu e Rita...

encontramos tanta luz, tanto sol...

que era como renascer.

Desculpe meu ego�smo.

Estou me dando conta de que nada disso importa.

O tempo passava e eu tentava esquecer.

Eu n�o tinha coragem de ver voc�, pois o que eu diria?

"Bom dia, sou Peppino Lo Cicero.

O seu irm�o morreu por minha causa."

Assim, um m�s se passou.

Ent�o, pensei que talvez

ele quisesse que nos encontr�ssemos.

Michele, seu irm�o era um bom homem.

Algo muito raro neste mundo.

Eu sinto muito.

N�o queria estragar o seu dia.

Don Peppino? S� uma coisa.

Diga.

Como ele era?

Era gordo ou magro?

Era parecido comigo?

Quando voc�s se viram pela �ltima vez?

Em 1946.

�ramos ainda meninos.

Voc�s eram iguaizinhos.

Cara de um, focinho do outro.

Sim, pode levar.

� de poucos dias atr�s.

- Se quiser ler... - N�o vai precisar?

Acabo nunca tendo tempo para ler.

Vou pegar um novo na segunda-feira.

Obrigado, Michele. At� amanh�.

PRESO NOVO L�DER DO CL� LAVA

Mas n�o � poss�vel...

N�o se preocupe comigo. Vou ficar bem.

Feito. Agora v� atr�s do pai.

Veja isso.

"Preso novo l�der do cl� Lava."

Tot�, o Carniceiro.

Era como um irm�o pra mim.

Ele vendeu o meu filho.

Peppino...

Tot�, com quem compartilhei toda a minha carreira no crime...

o homem que salvou minha vida diversas vezes,

me usou para iniciar uma guerra.

Mandou matar o meu filho Nino,

sabendo que eu n�o ficaria de bra�os cruzados.

Assim, eu fiz o trabalho sujo por ele.

Dei fim nos chef�es,

permitindo que ele chegasse ao topo das duas fam�lias rivais.

A vida me deu este prato dif�cil de engolir...

coberto pelo dul�or destes dias de sol.

Aqui tudo se paga, de um modo ou de outro.

Talvez este fosse o pre�o a pagar

para viver uma aposentadoria tranquila...

como algu�m que tem a consci�ncia em paz.

5 � O N�MERO PERFEITO

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