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Este tribunal militar o declara culpado de deserção
e o sentencia à morte diante de um pelotão de fuzilamento.
O único modo de obter perdão
é vender o título de Marquês de Vergara à pessoa certa.
Preparar armas!
Fogo!
Quer que conte todas as minhas aventuras?
Isso vai ter que esperar.
Estou apaixonada por outro.
-Não! -Desgraçado!
Alicia!
Procuramos por toda parte.
-Então onde ela está? -Vamos achá-la.
Quero denunciá-la.
-Sob que acusação? -Abandono de lar conjugal.
Por isso ela desapareceu.
-Sou amiga da Alicia. -Não melhora as coisas.
Temos que remover os mortos.
Não!
-O que tenho? -Histeria.
Já ouviu falar de hipnose?
Onde você está?
Conhece o lugar?
No hotel.
Está tarde.
-Está sozinha? -Sim.
Não.
Não, espere.
Vejo uma mulher.
Vá até ela.
Você a conhece?
Você a conhece, Sofia?
Sim.
Qual é o problema, Sofia?
Ela é uma ameaça para você?
Você perdeu.
Eu tirei tudo de você e não há nada que possa fazer.
Ela veio me fazer mal.
Está com medo dela?
Eu a odeio.
O que mais vê?
Sangue.
Quem está sangrando?
Ela.
E o que você está fazendo?
Sofia! Sofia, não! Sofia!
-O que está fazendo? -Acorde!
Essa farsa acabou, doutor. Fora!
-Mas... -Fora!
-O que houve? -Você ia contar.
Você ia contar o que fez com Cristina Olmedo.
Obrigado.
Sua bravura é notável.
E também sua estupidez! O que faz aqui?
Tem alguma novidade?
Acabaram de ligar de Santander.
Encontraram o "Alma", o barco que levou Dona Alicia.
Eles olharam toda a tripulação,
mas ela não estava lá.
Estou indo para lá interrogá-los.
-Vou com você. -Não vai a lugar algum!
Não está em condições de sair.
Eu irei.
Detetive?
De forma alguma.
É um assunto de polícia,
e não se ofenda, mas é trabalho de um homem.
Advogada.
Para onde o levo?
Não se preocupe, fique com a Camila.
E descanse.
Julio.
Gran Hotel.
Vou chamá-lo.
Dom Diego, uma ligação.
Sim, quem é?
Não diga nada,
não faça nenhum movimento estranho. Só escute.
Quanto vocês querem?
Disse para só escutar, por favor.
Não é dinheiro que queremos, é outra coisa que possui.
Aonde devo levar?
Estarei lá.
-Mateo, preciso de um carro. -Chamarei o motorista.
Não, me dê as chaves. Irei sozinho.
E não diga a ninguém que saí.
-Entendido? -Sim, Dom Diego.
Se alguém perguntar por mim, diga que estou no hotel,
verificando os estragos.
Telefonista, estou ligando do Gran Hotel.
Preciso saber de onde veio a última ligação.
Claro que pode.
Sou o Agente Ayala, do Departamento Regional de Vigilância,
então, seja rápida.
Detetive!
-O que está fazendo? -Não vá até Santander.
O barco atracou em Santalla, onde deixaram Alicia.
Santalla fica entre Cantaloa e Santander, como outros 20 povoados costeiros.
Diego recebeu uma ligação de Santalla, tenho certeza de que está indo para lá.
Acha que os sequestradores pediram resgate?
Sim, e se nos apressarmos chegaremos antes dele.
-Nos apressarmos? Você não vai. -Eu irei.
Está louco? Quer sangrar até a morte?
Aonde está indo com esta roupa?
São mais confortáveis que um vestido. Não quero atrasar a investigação.
E então?
O que a faz pensar que mudei de ideia, senhorita?
É um carro do hotel, e como hóspede tenho mais direito a ele que você,
mas pode me acompanhar para onde eu estiver indo.
Isso é loucura.
Sou uma advogada,
sei o que estou dizendo.
Vamos?
Vamos.
-Javier. -Acredita nisso?
Não tem água quente no banheiro.
Aonde está indo?
-Ao restaurante, encontrar uma pessoa. -Quem?
Um ferido. Um hóspede.
Um hóspede que foi ferido.
Que hóspede?
O que você quer?
Vim me desculpar por ignorá-lo mais cedo...
Não se preocupe.
-Eu só ia dizer... -Eu sei.
-Sabe? -Sim.
Queria me agradecer por dar o meu título em troca de sua vida.
Você desistiu de seu título
para que eu não fosse fuzilado?
E estou orgulhoso disso.
Não deveria.
Eu salvei sua vida.
Isto que salvou minha vida, Alfredo.
Eles atiraram em mim.
Você desistiu de seu título por nada.
Sua garrafa está melhor? Parecia machucada.
Ela vai sobreviver.
Eu as trouxe para você. Espero que
não seja muito atrevimento.
Eu sou alérgica.
Sinto muito.
-Eu não sabia. -Jogue isso fora!
Sim, claro.
Javier,
posso ser alérgica a flores, mas não a gestos românticos.
Com licença, tenho muito trabalho.
Falei com o Ministro da Guerra, mãe.
Eles acharam o indulto que havia conseguido para mim.
Havia sido extraviado.
Eles até se desculparam.
Bem, o importante é que você está bem.
É verdade. E quer saber?
Eu conheci alguém.
Javier...
sua irmã desapareceu,
estamos completamente arruinados, teremos que vender nossas joias.
Acha que me importo com suas futilidades?
Tem razão, mãe. Sinto muito.
Em um momento como esse,
gostaria de poder ajudá-la mais,
mas está claro que só sou bom no amor.
Talvez possa fazer algo.
Com todo prazer.
-O que precisar? -O que precisar.
Case-se.
Casar-me?
Com uma mulher rica.
-Ela precisa ser rica? -Muito rica.
Com seu dote teríamos dinheiro suficiente para retomar o controle do hotel.
Solteironas ricas normalmente não são muito bonitas.
Ficando mais fácil de seduzi-las.
-Mãe... -Javier!
-O que ela disse? -Há uma hora nenhum carro passa aqui.
E esse é o único caminho para a vila, vindo de Cantaloa.
-Um carro está vindo. -Escondam-se!
Estou muito velho para esse tipo de coisa.
-Para que lado ele foi? -Eu não sei.
Vou olhar por aqui.
Vamos.
Você veio sozinho?
Foi o que sua amiga pediu.
Ela também pediu outra coisa.
Você trouxe?
Sim.
Onde está minha esposa?
Saberá na hora certa.
Espere aqui.
-Ele está aqui? -Sim.
É o mesmo homem?
Sim, é o mesmo homem, não tenho dúvidas.
É ele.
Ele está aqui.
Sim.
Sim, senhor.
Assim que ele nos entregar.
O que você vê?
Fique quieto.
Ponha-me no chão.
O que você viu?
Acho que vi Diego esperando por alguém.
-Vamos. -Não.
De jeito nenhum.
Primeiro vamos descobrir onde Alicia está.
O quê?
Se aparecermos cedo demais, eles não a deixarão ir.
Entregue-me o que trouxe.
Como saberei que soltará minha esposa?
Não saberá.
Onde ela está?
Acha que sou tão burro de trazer comigo?
Isso é uma troca.
Você entrega minha esposa e eu dou o que você quer.
Nessa ordem.
Você não entende, não é?
Nós escolhemos a ordem.
Então, ou dá o primeiro passo ou matamos sua esposa.
E então,
vai nos entregar de qualquer forma.
Acalme-se.
Só vou dar uma olhada.
Onde está?
Eu perguntei, onde está?
Aqui perto.
Ande.
Eu deixei aqui.
Onde?
Não sei onde exatamente.
Agora vai me dizer onde está a minha esposa.
Não se mexa!
Eu digo o mesmo!
Vamos!
Para trás!
Deixe-a ir!
Eu contarei tudo.
Você está bem?
Não pude evitar, detetive.
Nós lutamos e a arma disparou.
Ele era a única testemunha que tínhamos.
Julio!
Como ele está?
O ferimento abriu.
O que eles estão fazendo aqui?
Este homem salvou a sua vida e pode morrer
se não nos apressarmos. Ajude-a.
Vou checar se tem mais alguém.
Não creio que esses dois capangas sejam os autores do sequestro.
Detetive! Precisamos levá-lo a um médico.
-Precisamos correr. -Vamos.
Faz dois dias que sua esposa desapareceu.
Você percebe que, a essa altura, ela provavelmente está morta?
-Eu também acho. -Também acha?
E por quê?
Não consegui o dinheiro que pediram e, agora que o tenho, não me ligaram mais.
Não tinha o dinheiro mas foi encontrá-los.
Esperava amolecer o coração deles?
Pechinchar até que liberassem sua esposa,
por umas 100 pesetas?
Eu queria ganhar tempo.
Claro.
Isso explica por que foi até lá com uma arma.
A quem está querendo enganar?
Não ganhou tempo, só desperdiçou o de outras pessoas.
E está desperdiçando o meu agora.
Não percebe?
Arruinou tudo quando se intrometeu.
Essa interferência salvou a sua vida. É um idiota.
Sim, eu fui.
Mas minha intenção era só uma.
Eu queria salvar minha esposa.
A mesma que o senhor denunciou por abandonar o lar conjugal.
Também é um canalha.
Está indo longe demais, Ayala.
Ao contrário, Sr. Murquía. Estou me controlando.
Não imagina o quanto gostaria de esbofeteá-lo.
Somos muito diferentes. Eu faço as coisas, o senhor tem vontade de fazê-las.
Detetive, pelo amor de Deus.
Seu empregado está certo em segurar-lhe.
Se encostar em mim, terei que denunciá-lo.
O pior denunciante é um culpado.
A vida de sua esposa está em jogo. Fale o que sabe.
Não perca mais tempo, não vou falar nada.
Terá que usar seus dons dedutivos.
Ou os de seu assistente.
Dom Diego, sua esposa está no hotel.
Julio.
Alicia apareceu.
-Ela está bem? -Só sei que ela está aqui.
Preciso vê-la.
Imagino que ela precise comer. Deve estar faminta.
Como chegou aqui? Quem a trouxe?
É muito estranho.
Não lembro de nada.
Alicia está de volta.
E, aparentemente, sã e salva. Isso que importa.
-Preciso fazer algumas perguntas. -Agora não.
Ela precisa descansar.
Com licença.
Alicia!
Maitê?
Graças a Deus está bem.
Garçom, eu cuido disso.
É melhor que todos deixemos a Alicia descansar um pouco.
Por favor.
Tem certeza de que a Dona Alicia veio andando sozinha para o hotel?
Eu a vi chegar, detetive.
-Ouviu algum veículo? -Não, senhor.
Ela parecia estar agindo normalmente?
Ela parecia um pouco distante.
Obrigado.
Alguém deve tê-la trazido.
Talvez não ao hotel, mas a um lugar próximo.
Levaria dias para que viesse andando de Santalla.
Então, eles não só a liberaram a troco de nada...
Como também a trouxeram até aqui.
A questão é...
Por quê?
Aonde está indo?
Para o meu quarto.
Este é o seu quarto.
É o nosso quarto.
Prefiro ficar sozinha.
Isso parece rancor.
O que esperava?
Se está se referindo ao nosso
encontro de fim de ano...
Você me obrigou.
Preciso lembrá-la que é a minha esposa.
Isso não torna menos horrível.
E você me disse que estava apaixonada por outro.
Que esteve com outra pessoa. O que esperava que eu fizesse?
Você pode me abandonar.
Não seria difícil anular o casamento com uma adúltera.
Se está realmente fantasiando com essa possibilidade, pode esquecer.
Se acha que pode se livrar de mim desse jeito,
você não me conhece.
Como posso ajudá-lo?
É para a Sra. Alicia Murquía.
Certo. Vou garantir que ela receba isso.
Quem enviou isso?
Um admirador da Sra. Murquía.
Quem?
O duque de Artiles.
Embrulhe outra vez.
Isto chegou para a senhora.
Obrigada, Francisco.
Não tem cartão. Quem enviou isso?
Não sei, senhora. Me pediram para trazer e eu...
Fez certo em trazer até mim. Obrigada novamente.
Com licença.
O detetive pode estar errado.
Não é o detetive. É...
-Boa noite. -Boa noite.
É o bom senso.
Por que a liberaram em troca de nada?
E por que ela não se lembra de nada?
Tem algo errado com a Dona Alicia.
Eu passei por ela no corredor e ela nem me cumprimentou.
Ela não o viu.
Era como se não estivesse vendo nada.
Parecia estar distante, e estava de camisola.
-Viu para onde ela foi? -Ela parou em frente ao seu quarto.
E por que isso seria estranho?
Não em seu quarto atual.
Seu quarto antigo, onde o Dom Diego dorme.
Alicia.
Alicia, o que você vai fazer?
Não.
Não sei o que está havendo,
mas não pode matá-lo.
Não importa quantos motivos ele tenha lhe dado.
A caixa.
Olhe para mim.
Alicia, olhe para mim.
Diego, precisa me dar a caixa.
-O que houve? -Não foi nada, querida, não foi nada.
Por que estou segurando isso?
Julio...
Você queria acordar seu marido e pegar algo em uma caixa.
-Não se lembra? -Não.
E não sabe onde conseguiu essa arma?
O que eles fizeram com você?
Eu não sei.
Não lembro de nada.
Deve lembrar de alguma coisa.
Não lembro como cheguei aqui e por que estava com essa arma.
Só lembro de duas coisas.
Quando eles me trancaram lá,
tive certeza de que iriam me matar.
Não sei se foi por isso,
mas só conseguia pensar em você.
Sinto muito, achei que estava sozinha.
Não, Maitê.
Este é o Julio...
a pessoa de quem lhe falei nas cartas.
Você disse que lembra de duas coisas.
Qual é a outra?
Havia uma fotografia de Diego lá.
Uma fotografia de casamento.
Isso é muito estranho.
Por que alguém teria uma fotografia do seu casamento lá?
Não era o meu casamento.
Diego foi casado com outra pessoa antes de mim.
A julgar pela fotografia, há muitos anos.
Não sei, dez anos, talvez mais.
Mas o Diego nunca me disse que já foi casado.
Acho que há muitas coisas que ele não disse.
Precisa fugir desse imbecil.
Arrume suas coisas.
Nós vamos embora.
Podemos ser felizes em qualquer lugar.
Menos aqui.
O pesadelo novamente?
Os mortos?
Não se preocupe, estou certo de que eles a perdoaram.
O pesadelo novamente?
Os mortos?
Não deveria ter interrompido o psiquiatra.
Você fez bem, Alfredo.
Há coisas que ninguém pode saber.
-Tomou o láudano? -Sim.
Volte para a cama, querido. Não vou demorar.
Tome um pouco mais.
Precisa dormir.
Acho que prefiro ficar acordada.
Garçom.
Acho que me deve uma explicação.
Não me interprete mal.
Realmente agradeço o que fez por mim.
Posso dizer que salvou minha vida.
Mas...
O que um garçom estava fazendo lá,
como um herói em resgate?
O detetive...
me pediu para acompanhá-lo.
Ele deu um motivo?
Sim.
Como eu vi os enfermeiros levarem a Dona Alicia,
ele achou que eu poderia reconhecê-los.
Isso...
é bastante dinheiro.
Por salvar a minha vida.
Eu a estimo muito, acredite.
-O que está fazendo? -Estamos indo.
-Aonde estamos indo? -Alicia e eu, Andrés.
E Dom Diego Murquía foi gentil o bastante
para pagar por nossa viagem.
O que quer dizer? Você não pode ir.
Meu garoto,
você verá com seus próprios olhos.
Escute, Andrés, os homens que o Diego trouxe não perdem nada.
Vai precisar nos cobrir para que possamos ir.
Pode contar comigo.
Julio! Julio!
Vá.
-Está indo? -Sim.
Mas ninguém pode saber até que eu tenha ido.
Está apaixonada por ele?
Bem, não sei se "apaixonada" é a palavra.
Perdidamente.
Tenha cuidado com Diego.
A primeira coisa que ele fez quando você desapareceu
foi acusá-la de abandono de lar.
Não sabia?
Não.
Mas não estou surpresa e não me importa nem um pouco.
Adeus, Maitê.
Não fique triste.
Terá notícias minhas em breve.
Alicia.
Boa sorte.
Legendas: Fernanda Fava
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