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Legendas Canal Hist�ria

Transcri��o e Sincroniza��o fininhos

OS HOMENS DA FRONTEIRA

PARTE 4 "Imp�rio de Liberdade"

SAN ANTONIO, TEXAS 23 DE FEVEREIRO DE 1836

Num forte no sul do Texas, conhecido como o �lamo,

cerca de 260 homens, mulheres e crian�as

preparam-se para um cerco.

Entre os l�deres est� o aclamado homem da Fronteira,

Davy Crockett.

No exterior, cerca de cinco mil militares mexicanos,

liderados pelo cruel General Santa Anna,

cercam o forte.

Os texanos julgavam que Santa Anna s� chegaria da� a dois meses.

Mas, quando Crockett chegou ao �lamo,

e se percebeu que as tropas de Santa Anna estavam em marcha

e que estavam muito mais perto do que se julgava,

Crockett j� n�o teve alternativa sen�o ficar.

Fechem.

Para ali. Fique de vigia. Vamos, vamos, vamos!

Aquele ex�rcito enorme e bem treinado

cercou o pequeno forte no meio do deserto.

O �lamo tem tudo para ser um desastre.

Com 15 vezes menos homens,

Crockett sabe que tem poucas hip�teses de sobreviver.

H� uma coisa que acontece, quando a morte bate � porta.

A maioria das pessoas n�o sabe quando a morte chega, certo?

Esperamos morrer em paz e depressa.

Quando vemos a morte ali � porta, prestes a vir buscar-nos,

� natural que reflictamos um pouco sobre a nossa vida.

O que foi importante, o que n�o foi, com quem gostar�amos de ter falado...

� muito complicado passar por isso.

Durante uma hora,

Crockett e os Texanos

recha�am tr�s avan�os mexicanos.

Mas Santa Anna � resiliente,

admitindo sofrer bastantes baixas para invadir a fortaleza.

Santa Anna enviou as tropas por v�rios lados.

Onda ap�s onda, os homens, utilizando escadas,

entravam como enxames de gafanhotos.

Davy Crockett fez o que muitos patriotas americanos fizeram.

Decidiu ficar e lutar por uma causa,

perante o ataque de um inimigo.

E isso diz muito acerca dele e do seu car�cter.

90 minutos ap�s o in�cio da batalha,

o ex�rcito mexicano toma o �lamo.

Quase todos os defensores do forte s�o mortos.

A maioria dos relatos d� conta de que Crockett se bateu com valentia

e foi dos �ltimos a cair.

Foram conduzidos ao exterior e executados em frente a Santa Anna.

Depois, amontoaram-nos em tr�s piras humanas e pegaram-lhes fogo.

Crockett levou uma vida incr�vel na Fronteira

e morreu no �lamo.

Isso fez dele uma lenda.

Davy Crockett n�o era um daqueles homens que se exilam na floresta.

Tinha grandes ambi��es pol�ticas,

o que lhe causou alguns problemas, porque pensava pela sua cabe�a

e nem sempre estava de acordo com o poder pol�tico.

Crockett foi sempre o Congressista dos fracos.

Representa os desfavorecidos, a luta contra a tirania.

Por isso, a ideia de Davy Crockett combater at� ao �ltimo homem,

at� ao �ltimo f�lego,

alimenta a lenda do rei da Fronteira selvagem.

A not�cia da chacina no �lamo espalha-se pelo pa�s.

enfurecendo os Americanos.

Em Washington,

o Presidente Andrew Jackson considera a derrota no Texas

um motivo de grande preocupa��o.

Em 1836,

o M�xico era um rival territorial relevante,

na Am�rica do Norte.

Controla terras desde a Calif�rnia � fronteira do Oregon,

cobrindo quase 4,5 milh�es de quil�metros quadrados.

Os EUA n�o anexavam um estado desde o Missouri, em 1821,

e a promessa de expans�o para oeste parece estagnada.

Andrew Jackson era um dos Americanos

que achavam que o Texas tinha de pertencer aos EUA.

Mas Jackson tamb�m tinha um apurado sentido estrat�gico

e queria atacar no momento certo.

N�o queria entrar em guerra com o M�xico naquele momento.

N�o achava ser a altura adequada.

Se o Texas conquistasse a independ�ncia,

Jackson poderia receb�-lo na Uni�o.

At� l�, estava de m�os atadas.

GONZALES, TEXAS 11 DE MAR�O, 1836

Felizmente para Jackson,

um texano viu na derrota no �lamo uma oportunidade.

O seu nome � Sam Houston.

Crockett e Sam Houston serviram na mil�cia de Andrew Jackson,

na guerra contra os Creek.

Houston ficou famoso na Batalha de Horseshoe Bend,

em que, depois de ter sido atingido por uma flecha na virilha,

mandou um dos seus homens arranc�-la e continuou a combater.

Houston era um homem da Fronteira muito valente.

Houston lidera, agora, cerca de 370 homens sem qualquer prepara��o.

Formam o ex�rcito do Texas

e a sua luta pela independ�ncia n�o terminou.

Para aumentar o seu ex�rcito

para enfrentar um inimigo muito mais poderoso,

Houston desafia os texanos a vingarem a morte de Crockett

e a recordarem o �lamo.

Para mim...

A derrota no �lamo provocou uma grande onda de patriotismo,

uma vontade de lutar pela independ�ncia,

at� � morte, at� ao fim.

... � muito importante que garantamos...

Centenas de texanos furiosos alistam-se

para lutarem pela independ�ncia.

Em um m�s, o ex�rcito de Houston passa a ter quase mil homens.

Posicionam-se junto ao rio San Jacinto,

por onde o General Santa Anna e 1500 soldados mexicanos passar�o.

RIO SAN JACINTO 21 DE ABRIL DE 1836

Apenas seis semanas depois da morte de Crockett no �lamo,

Sam Houston vinga-se,

lan�ando 900 texanos furiosos sobre os Mexicanos, bem mais poderosos.

Santa Anna est� acampado junto ao rio San Jacinto,

onde os texanos os surpreendem.

A Batalha de San Jacinto durou apenas 18 minutos.

Foram 18 minutos ca�ticos.

Ningu�m esperava que a batalha corresse daquela forma.

Mais de 630 soldados mexicanos s�o mortos.

Os texanos sofrem apenas 11 baixas.

A derrota contundente leva � rendi��o do M�xico.

E o Texas, finalmente, conquista a independ�ncia.

WASHINGTON, DC. DEZEMBRO DE 1836

Em Washington, D.C., Jackson recebe a not�cia com satisfa��o.

H� anos que sonhava com a anexa��o do Texas aos EUA.

Mas o futuro do Texas � apanhado na crescente discuss�o

sobre a escravatura.

O Congresso n�o concordava com a anexa��o,

porque o Texas entraria na Uni�o com a escravatura.

A entrada do Texas, desequilibraria a balan�a do Senado

a favor da defesa da escravatura.

Em consequ�ncia, o Texas passou quase uma d�cada nesse limbo.

Em 1837, a Presid�ncia de Jackson chega ao fim,

com um objectivo por cumprir.

um pa�s que se estendesse at� ao Pac�fico.

Andrew Jackson manteve-se activo em termos pol�ticos,

mesmo depois da reforma.

Escrevia constantemente cartas,

deixando opini�es muito vincadas sobre todos os assuntos.

E ele acreditava piamente na expans�o dos EUA.

A expans�o para sudoeste podia estar estagnada,

mas os EUA ainda tinham uma palavra a dizer a noroeste.

Situado entre o Canad� brit�nico e terras mexicanas,

o territ�rio do Oregon tem 650 mil km2 de territ�rio,

disputados pelos Brit�nicos, amer�ndios e Norte-Americanos.

Lewis e Clark colocaram uma bandeira aqui,

quatro d�cadas antes.

Mas para reclamarem o territ�rio, os EUA precisam de colonos.

E isso � um problema.

Os Americanos n�o sabiam como chegar ao Oregon.

Sabiam que tinha terras muito f�rteis,

mas ningu�m sabia muito bem como chegar l�.

E a ideia de atravessar o pa�s

era, compreensivelmente, assustadora.

Em 1842,

o ex�rcito dos EUA envia para l� um Tenente top�grafo.

Chama-se John C. Fr�mont.

A sua miss�o � tra�ar uma rota entre o Missouri e o Oregon,

que seja segura para vag�es de pioneiros.

John C. Fr�mont, na verdade, � um filho ileg�timo.

Nasceu pobre.

Arranjou um mentor que chegou a Secret�rio para a Guerra

e que o destacou para a zona norte do rio Mississippi.

Fr�mont era f�til, arrogante e muito ambicioso.

N�o queria ser um mero explorador.

Queria chegar a Senador, a Presidente.

Mas nunca tinha estado a oeste do Mississippi.

Ent�o, recorreu ao guia mais competente da Fronteira.

Kit Carson.

Kit Carson era de origens muito humildes.

N�o tinha escolaridade, era analfabeto.

Por�m, conhecia ao pormenor as terras do Oeste.

Dominava v�rias l�nguas, dava-se bem com tribos amer�ndias,

conhecia a topografia,

sabia lutar e ca�ar.

Era algu�m com compet�ncias muito importantes,

que lhe permitiam fazer a ponte entre os dois mundos.

14 ANOS ANTES

Em crian�a, Carson fora criado entre lendas da Fronteira

e desde cedo aprendeu a desenvencilhar-se bem

na floresta.

Carson nasceu no Kentucky

e mudou-se para o Missouri em crian�a.

A fam�lia dele tornou-se amiga da fam�lia Boone.

Viveram num s�tio chamado Boone's Lick.

Claro que a fam�lia Carson conhecia bem Daniel Boone e a sua lenda.

Havia o desejo de dar continuidade � senda de explorar o Oeste,

de descobrir o que havia para l�, desvendar novas terras.

Estavam a construir uma civiliza��o nas terras inexploradas.

Aos 16 anos,

saiu de casa, de vez,

desejoso de viver aventuras.

Agora, com Fr�mont,

embarcar� numa miss�o

que por� � prova todas as suas compet�ncias.

Fr�mont e Carson formavam um par estranho.

N�o podiam ser mais diferentes.

Hoje, dir�amos que o Fr�mont era o nerd e o Carson o popular.

Carson era um homem rude, com experi�ncia na Fronteira.

N�o queria fama nem fortuna, n�o queria saltar para a ribalta.

Aqueles dois n�o podiam ser mais diferentes,

mas, ao mesmo tempo, complementavam-se muito bem.

Durante cinco meses,

Fr�mont e Carson percorrem, com uns 30 homens,

mais de 3500 km,

passando por terrenos acidentados,

cujas mudan�as extremas

em termos de temperatura e altitude eram famosas.

Aquela expedi��o foi perigos�ssima.

Iam a partes do globo nunca antes exploradas.

Eram poucos.

Estavam relativamente bem armados, mas podiam sofrer uma emboscada.

Fr�mont tinha essa no��o

e dava gra�as a Deus por ter um guia como Carson.

A 24 de Outubro de 1843...

... Fr�mont e Carson chegam, finalmente, ao Oregon.

Conseguimos!

O caminho que tra�am haveria de ficar famoso.

O Oregon Trail.

Abriu caminho a 400 mil colonos

que se mudaram para oeste nas d�cadas seguintes...

... abrindo uma nova Fronteira

e fortalecendo a presen�a dos EUA

a noroeste.

Um ano depois de Carson e Fr�mont terem chegado ao Oregon,

a campanha presidencial de 1844 est� em curso.

Na minha opini�o,

a nossa seguran�a nacional exige a anexa��o do Texas.

N�o pararei

enquanto o nosso dom�nio n�o se estender de oceano a oceano.

O candidato desconhecido James K. Polk

tem, acima de tudo, uma convic��o:

expandir as fronteiras dos EUA.

� uma vis�o que partilha com o seu mentor,

Andrew Jackson.

Somos vulner�veis aqui e aqui. E continuaremos a ser,

se n�o refor�armos a seguran�a da fronteira a sul e a oeste.

N�o podia estar mais de acordo.

Andrew Jackson era conhecido por "nogueira velha", por ser t�o duro.

James Polk era conhecido por "nogueira nova",

por dar continuidade ao modelo de Andrew Jackson.

Os dois �ltimos Presidentes n�o fizeram nada.

S�o uns in�teis. T�m medo de agir.

Temos de tomar o Texas.

Tem de ser a principal prioridade.

Polk era um pol�tico de uma gera��o mais jovem.

Com a aproxima��o das elei��es de 1844,

Jackson deixou claro que quem apoiasse Andrew Jackson

deveria votar em James Polk.

Polk capitaliza o legado de Andrew Jackson.

A ideia de que os Americanos t�m o direito,

ali�s, o dever de continuar a expans�o para oeste.

Em �ltima an�lise, � um des�gnio de Deus que t�m de cumprir.

E Polk consegue transformar isso numa agenda pol�tica

que serve os seus des�gnios pol�ticos.

WASHINGTON, D.C. MAR�O DE 1845

Polk aproveita a onda de apoio popular para chegar � Casa Branca.

Depois, trata imediatamente de cumprir a promessa eleitoral.

Logo nos primeiros dias de mandato,

o Texas est� na imin�ncia de se tornar o 28.� estado,

acrescentando 800 mil km2 � na��o.

Polk fez o que eu gostava que mais candidatos presidenciais fizessem.

Prometeu fazer isto, aquilo e aquilo,

cumprir apenas um mandato, para n�o ter de recear ser inc�modo,

poder rejeitar satisfazer lobbies

e fazer aquilo para que fora eleito.

Dessa forma, Andrew Jackson cumpriria um sonho antigo,

fazer do Texas um estado.

Mas morre antes de o ver concretizado.

O legado de Jackson foi impor o princ�pio de que o Americano comum

tinha poder pol�tico.

Ele pr�prio se fez a pulso.

N�o tinha heran�a,

nem o nome e o reconhecimento lhe ca�ram no colo.

Hoje, as pessoas n�o gostam de Jackson

principalmente por causa da pol�tica em rela��o aos amer�ndios,

que fere as susceptibilidades modernas.

Mas esquecemo-nos dos seus grandes contributos positivos.

Manter os EUA unidos perante desafios...

Fogo!

... e defender os EUA de ataques externos.

Jackson percebeu que a autonomia americana

era uma experi�ncia em constante evolu��o

e que o seu sucesso n�o era garantido.

Foi ele que incutiu isso na mentalidade americana.

Jackson personificava as contradi��es

do homem da Fronteira americano.

Estava tudo combinado numa s� pessoa,

o impressionante, o menos impressionante, o bom e o hediondo.

O Presidente Polk tencionava capitalizar o legado de Jackson

e anexar os �ltimos territ�rios da Am�rica do Norte.

Polk n�o se contenta apenas com o Texas.

Claro que quer o Texas, mas quer mais do que isso.

Quer todo o territ�rio continental.

H� apenas um problema:

a maior parte pertence ao M�xico,

incluindo o territ�rio maior,

a Calif�rnia.

� isto que quero e n�o deve ser dif�cil conseguir.

Repleta de recursos naturais,

a Calif�rnia tamb�m tem cerca de cinco mil km de linha costeira,

proporcionando um acesso �nico ao com�rcio via Pac�fico.

algo que todos os Presidentes, desde Jefferson, ambicionaram.

A Calif�rnia � uma regi�o muito desej�vel.

Muito bonita e f�rtil.

Os Mexicanos reclamam-na para si,

os Brit�nicos tinham todo o interesse

em ficar com aquele territ�rio e expandirem-se para noroeste.

Os Americanos conheciam bem a gl�ria da Calif�rnia,

a sua imensa riqueza.

J� havia um com�rcio muito relevante de peles de animais.

Acima de tudo, os Americanos estavam interessados

nos portos principais.

Muito obrigado, cavalheiros. � tudo.

Polk estava determinado a anexar a Calif�rnia,

mas, como o Congresso n�o queria desencadear uma nova guerra,

engendra um plano secreto.

Usando a rebeli�o do Texas como exemplo,

tentar incitar uma revolta,

e o homem que escolhe para liderar essa miss�o

� o explorador mais famoso da Am�rica.

Sr. Fr�mont

Li os seus relat�rios.

Pareceram-me muito interessantes.

Obrigado, Sr. Presidente. � uma honra.

Suponho que n�o me tenha chamado s� para me dizer isso.

N�o.

N�o o convidei para falar das suas expedi��es passadas,

mas de uma expedi��o futura.

Outro trilho para o Oregon?

N�o propriamente.

Oficialmente, a sua miss�o ser� cartografar um novo territ�rio

e descobrir a nascente do rio Arkansas.

Oficiosamente,

quando chegar �s Montanhas Rochosas,

quero que siga para sul,

para a Calif�rnia.

Chegado � Calif�rnia,

quero que fale com os colonos locais.

E, se conseguir,

que incite uma rebeli�o.

E manda-me a mim, porque n�o quer que pare�a uma opera��o militar.

Exactamente.

S� preciso de uma coisa de si.

O qu�?

Kit Carson.

O Presidente Polk mandou, propositadamente, um explorador,

capaz de aproveitar

a poss�vel instabilidade na Calif�rnia.

A ideia de que estava l� como explorador, top�grafo,

permitia a Polk negar qualquer envolvimento.

Com cerca de 60 homens fortemente armados,

Fr�mont segue para a Calif�rnia,

com a miss�o de incitar uma rebeli�o

sem come�ar uma guerra.

John Fr�mont e Kit Carson

est�o a caminho da Calif�rnia,

para executar o plano secreto do Presidente Polk

que visava expandir a fronteira dos EUA

at� � costa.

Polk era um expansionista.

Queria o Texas, a Calif�rnia e o Oregon.

Queria estender a fronteira americana at� ao Pac�fico.

Disfar�ada de miss�o de observa��o,

o verdadeiro objectivo � encontrar colonos americanos

e incit�-los � rebeli�o contra o M�xico.

SUTTER'S FORT DEZEMBRO DE 1845

No Inverno, Fr�mont e Carson chegam ao Sutter's Fort,

na actual Sacramento,

a primeira col�nia americana na Calif�rnia.

A Calif�rnia de 1845 tinha oito mil a 10 mil habitantes,

a maioria de origem mexicana.

Os Americanos eram cerca de mil.

Havia ainda umas centenas de estrangeiros:

Alem�es, Brit�nicos, Su��os.

Os Mexicanos recebiam-nos bem,

porque a Calif�rnia era uma prov�ncia distante,

com pouca popula��o.

Os colonos americanos que iam para oeste procuravam terra,

mas, no norte da Calif�rnia, era uma confus�o.

Muitos eram b�bedos, sem escr�pulos.

Parece que est� a seco, amigo. Posso pagar-lhe um copo?

- Porque veio para c�? - A terra � boa.

Mas n�o � sua, pois n�o?

� do Governo mexicano.

O M�xico autoriza os Americanos

a instalarem-se e a cultivarem a terra,

mas n�o podem ser propriet�rios,

o que enfurecia os colonos

e dava muito jeito a Fr�mont.

O poder do M�xico sobre a Calif�rnia � bastante fr�gil.

E John C. Fr�mont tinha alguma responsabilidade nisso.

O explorador, que tinha ordens secretas de Washington,

tinha muito bons conhecimentos,

era militar...

Sabia que o respons�vel pela Calif�rnia � um Mexicano?

Sabia?

� porque ele nunca aparece.

Quando Fr�mont chegou � Calif�rnia, em 1845, encontrou uma popula��o

desencantada com a governa��o mexicana.

N�o interessa se compraram a terra,

se ela vos pertence, se a trabalham.

Ali�s, nem o facto de terem nacionalidade mexicana interessa.

O Governo mexicano vai tirar-vos a terra, quando lhe convier.

Fr�mont era muito h�bil e soci�vel,

por isso atraiu muita gente.

Quem � o dono leg�timo desta terra?

Quem?

Fr�mont convenceu os residentes californianos

de que tinham de lutar.

- � Calif�rnia, cavalheiros. - � Calif�rnia.

WASHINGTON, D.C. FEVEREIRO DE 1846

Em Washington,

Polk aguarda impacientemente not�cias de Fr�mont,

na esperan�a de que os colonos da Calif�rnia se insurjam.

Sabe bem que o Congresso n�o aprovar� uma guerra contra o M�xico,

a menos que os EUA sejam atacados.

Cansado de esperar,

Polk manda o ex�rcito para uma fronteira disputada

entre o Texas e o M�xico.

ciente de que provocar� o M�xico a atacar primeiro.

Quantos homens tem o 5.� Regimento?

Polk esperava que o M�xico mordesse o isco e atacasse os Americanos.

Acreditava que, se houvesse guerra, os EUA ganhariam territ�rio.

A 25 de Abril de 1846,

convencido de que as tropas americanas est�o a invadir,

o M�xico ataca uma patrulha dos EUA,

matando 11 homens.

Isso deu a Polk a provoca��o de que precisava.

Polk foi ao Congresso e disse:

"Foi derramado sangue americano em solo americano.

"Apesar de termos feito tudo para evitar a guerra contra o M�xico,

eles atacaram-nos." Foi uma mentira descarada.

Na verdade, a terra em causa n�o era americana.

N�o direi que esta foi a �nica ocasi�o

em que os EUA forjaram algumas coisas para obterem o que queriam,

atrav�s de viol�ncia,

mas este foi, sem d�vida, um excelente exemplo disso.

Poucas semanas depois do ataque...

... os EUA declaram guerra ao M�xico.

Na Calif�rnia,

Fr�mont recebe uma mensagem de Polk.

A sua miss�o j� n�o � secreta.

� tempo de atacar.

Fr�mont coloca espingardas nas m�os do seu ex�rcito desorganizado

e marcha rumo � actual Sonoma.

O objectivo: conquistar a Calif�rnia para Polk,

custasse o que custasse.

VALE DO RIO SACRAMENTO CALIF�RNIA

Seguindo ordens do Presidente Polk,

John Fr�mont conduz uma mil�cia de 100 homens para sul.

A miss�o

� conquistar a Calif�rnia para os EUA.

Planeia atacar, primeiramente, Sonoma,

a maior col�nia no norte da Calif�rnia.

Depois, tenciona continuar para sul,

para Monterey, Los Angeles

e, por fim, San Diego.

Vamos!

Os Americanos s�o poucos,

mas, gra�as � presen�a de John C. Fr�mont,

v�o fazer-se notar muito mais

do que os n�meros deixariam adivinhar.

Fiando-se na coragem e na determina��o,

Fr�mont e Kit Carson iniciam a conquista improv�vel.

Se h� caracter�stica que define John C. Fr�mont � a sua ambi��o.

Queria ter sucesso e ser independente.

Creio que a Fronteira, para John C. Fr�mont,

representava o caminho para garantir a sua ambi��o.

A notoriedade, a fama, a riqueza.

Era isso que a Calif�rnia oferecia.

Quando a not�cia da revolta de Fr�mont se espalha,

outros colonos juntam-se � luta.

Autodenominam-se "Los Osos", "Os Ursos", em castelhano.

A 14 de Junho de 1846,

os homens de Fr�mont chegam a Sonoma,

mas surpreendentemente, encontram o posto avan�ado mexicano

praticamente sem defesas.

Conquistam a cidade,

naquela que ficou conhecida por Revolta da Bandeira do Urso.

Para assinalarem a vit�ria, i�aram uma bandeira improvisada,

feita com um len�ol de algod�o

e decorada com um urso-pardo vermelho.

Esse s�mbolo viria a inspirar a bandeira do estado da Calif�rnia.

Muito bem, vamos!

Essa revolta que come�a a emergir

foi o suficiente para conquistar, pelo menos, o Norte da Calif�rnia

e iniciar o processo da conquista da Calif�rnia por parte dos EUA.

Em apenas dois meses, com poucas baixas,

Fr�mont e Carson conquistam a maior parte da costa da Calif�rnia.

Sob o comando de Fr�mont,

aquele grupo fez aquela grande proeza.

Nunca se tinha conquistado tanta �rea com t�o pouca guerra,

t�o pouco sangue derramado.

Ainda por cima, o ex�rcito era pequeno.

O plano de Polk para conquistar a Calif�rnia

parecia estar a funcionar.

Mas, sem comunica��o, n�o sabe se Fr�mont e Carson estar�o vivos.

Para se prevenir, envia uma for�a de cavalaria do Texas,

liderada pelo General Stephen Kearny.

Stephen Watts Kearny foi um oficial que conheceu Lewis e Clark.

Polk enviou-o para oeste,

para subjugar Santa F�

e, depois, continuar a descer pelo Rio Grande

e seguir para oeste, para a Calif�rnia.

No in�cio de Agosto de 1846,

Fr�mont e Carson chegam a Los Angeles.

Depois de se juntarem aos Marines enviados por Polk,

conquistam a cidade.

E, com ela, o �ltimo basti�o mexicano na Calif�rnia.

� inacredit�vel.

Fr�mont conquistou a Calif�rnia praticamente sem resist�ncia.

Caiu em m�os americanas

em parte gra�as � coragem de John C. Fr�mont,

mas tamb�m devido a uma boa dose de sorte.

� que a Calif�rnia parecia estar � espera de ser tomada.

Foi nesse momento que Fr�mont assumiu que a Calif�rnia era sua,

que a tinham conquistado.

Consideravam os Mexicanos maus soldados,

achavam que eram indiferentes. em termos pol�ticos.

E consideraram isso como um sinal de que a Calif�rnia era sua.

Fr�mont sempre ambicioso, quer contar a boa not�cia a Polk.

Fr�mont decide que � tempo

de contar a Washington o que se passou,

contar a Polk o que se passou para solidificar a vit�ria.

Fr�mont queria expandir a sua pr�pria fama,

integrando aquela conquista na sua hist�ria de vida.

Fr�mont decide enviar um mensageiro para este.

"A quem hei-de confiar essa miss�o?

"Porque n�o ao membro mais competente, pragm�tico

"e forte da expedi��o,

Kit Carson?"

Habituado a ter de sobreviver,

Carson escolhe a via mais r�pida,

apesar de isso implicar atravessar centenas de quil�metros

de deserto in�spito.

O afamado homem da Fronteira nem imagina

que est� prestes a enfrentar o mais duro teste da sua vida.

NORTE DA CALIF�RNIA

Em 1846,

Kit Carson � um dos poucos Americanos que chegaram � Calif�rnia.

Agora, tem uma nova miss�o �pica:

atravessar o continente e entregar em m�o uma mensagem urgente

ao Presidente James K. Polk.

Fr�mont e o seu ex�rcito conquistaram a Calif�rnia.

Parte de Los Angeles,

com ordem para ir a Washington e regressar.

Uma dist�ncia de 10 mil km,

em 140 dias.

N�o nos esque�amos de que n�o havia caminhos de ferro transcontinentais

nem tel�grafo.

S� havia uma forma de fazer uma mensagem chegar a Washington:

atravessar o territ�rio continental.

Carson era perfeito para esse tipo de expedi��o.

Mas a rota mais directa

atravessa uma das zonas mais hostis dos EUA:

o Deserto de Sonora.

Para Kit Carson atravessar o deserto do actual sudoeste

seria uma situa��o muito dif�cil.

Havia o perigo de insola��o,

de se perder...

Os perigos eram muitos.

O de desidrata��o era um dos principais.

Os conhecimentos adquiridos na Fronteira

tornam-no muito bem preparado para a miss�o.

Sobrevive durante semanas,

recolhendo �gua de leitos de riachos

e ra�zes de cactos enterradas.

Carson sabia onde encontrar �gua num cacto.

Fazia uma picada na orelha da mula e bebia-lhe o sangue.

Tinha v�rios truques na manga.

Mas n�o basta para vencer o calor implac�vel do Deserto de Sonora.

Um homem de 70 kg

precisa de 1,5 L de �gua por dia,

para se manter vivo.

Sob o calor do deserto, em vez de 1,5 L por dia,

� preciso 1,5 L por hora.

27.� DIA

Depois de viajar mais de 1500 km,

a vida de Carson est� em perigo.

No deserto, � medida que o corpo come�a a ficar desidratado,

o sangue fica mais espesso, como �leo.

A �gua das c�lulas vai secando, para tentar diluir o sangue,

portanto o pr�prio corpo vai ficando mais seco.

Essas altera��es tamb�m se podem verificar no c�rebro.

As alucina��es normalmente acompanham a desidrata��o.

A v�tima pode alucinar o�sis.

Em fases mais adiantadas,

h� quem morda o pr�prio bra�o, para sugar o l�quido.

29.� DIA

Finalmente,

h� uma luz ao fundo do t�nel.

Kit Carson chega a um local, no Novo M�xico,

e v� uma nuvem de poeira vinda do Oeste.

"Quem ser�? O que se passa?"

Era o Ex�rcito do Oeste.

Sob ordem do Presidente Polk,

o General Stephen Kearny passara os �ltimos seis meses

em viagem rumo � Calif�rnia.

Se tiverem mantimentos que possam partilhar, agrade�o.

Para onde vai?

Washington.

Vou entregar uma mensagem.

- De onde? - Da Calif�rnia.

� para l� que vamos. Partimos ao amanhecer.

Como disse que se chamava?

Kit Carson.

� o guia do Fr�mont.

O encontro entre Carson e Kearny foi dos mais ins�litos de sempre.

O General Kearny j� tinha ouvido falar de Carson.

Sabia das suas explora��es,

sabia que Carson tinha estado em territ�rios muito in�spitos.

E precisava de um guia.

Tal como Fr�mont precisara,

Kearny precisava de algu�m que o guiasse at� � Calif�rnia.

Ent�o, Kearny fez-se valer da patente.

"Sou General. Vai fazer o que eu disser.

Preciso de si."

Descanse.

Partimos ao amanhecer.

Kearny sabia que Carson era um guia experiente,

que j� tinha estado em expedi��es com Fr�mont.

Creio que Kearny foi sensato.

Carson sabia o caminho, por isso s� tinha de o levar a San Diego.

Carson, um soldado sempre leal, aceita, relutantemente, a ordem

e regressa com Kearny.

Carson conduziu Kearny para oeste.

J� devia estar zangado, ressentido, farto da expedi��o.

Mas l� estava ele, outra vez,

a andar de um lado para o outro, pelo pa�s.

Carson dirige-se novamente para o deserto,

sem saber que se encaminhava para uma zona de guerra.

Passaram dois meses desde que John Fr�mont

enviou Kit Carson a Washington,

para avisar de que j� tinham tomado a Calif�rnia.

Mas a miss�o de Carson mudou.

Agora, regressa para oeste,

guiando as tropas do General Kearny para San Diego.

Stephen Kearny era o comandante do Ex�rcito Americano do Oeste.

Foi enviado por Polk para invadir o territ�rio mexicano

e garantir a Calif�rnia para os EUA.

E Kit Carson dizia: "N�o se preocupe com a Calif�rnia.

O Fr�mont j� a conquistou."

Kearny estava num dilema.

Tinha ordens para cumprir e era um oficial cumpridor,

por isso ia cumprir a ordem.

Marchando lentamente, o ex�rcito demora oito semanas

a refazer os passos de Carson

pelo Deserto de Sonora.

Kearny envia Carson � frente,

para procurar o melhor caminho.

A 80 km de San Diego,

Carson percebe...

... que o M�xico est� longe de se dar por vencido.

E que o seu ex�rcito...

... j� est� em marcha.

Aproximam-se de San Diego.

Carson vai � frente

e percebe que a Calif�rnia n�o est� conquistada.

A situa��o inverte-se.

Os Americanos perderam terreno.

Inicialmente, as tropas de Fr�mont n�o encontram qualquer oposi��o,

conquistando cidades, de Sausalito a Los Angeles.

Mas, agora, o ex�rcito mexicano marcha para norte,

reclamando o territ�rio.

Fr�mont tenta reagrupar as tropas.

Fr�mont manda Carson informar de que tinham vencido

e que todos podiam comemorar.

Essa festa parece ter sido um pouco prematura.

O ex�rcito mexicano reagrupou-se, reorganizou-se

e preparou-se para defender

a sua terra.

Quantos eram?

Uns 100.

Talvez mais.

E bem montados.

Os homens de Kearny tinham marchado de Santa F� at� ao Novo M�xico.

Estavam cansados e com frio.

Estava de chuva, por isso tinham a p�lvora molhada.

Apesar de tudo isso,

Kearny acha que pode vencer os Mexicanos.

Temos de atacar.

Conto consigo?

Sim, senhor.

Carson era o tipo de homem que qualquer um gostava de ter,

caso tivesse de combater.

Era extremamente violento.

Era um homem violento, mesmo para os padr�es da altura.

Ao perceber que se ia envolver numa situa��o violenta,

entrava com tudo.

Carga!

Continuem a avan�ar! Continuem a pressionar!

Kearny subestimou a presen�a mexicana.

Os americanos estavam desorganizados

e houve algum excesso de zelo.

Consequentemente...

... os homens de Kearny estava exaustos

e os Mexicanos aproveitaram.

Por momentos, Carson fica inconsciente.

Depois, levanta-se, encontra a espingarda...

... e come�a a abater os inimigos, um por um.

� t�pico dele.

Carson cresceu com uma espingarda nas m�os.

Era um atirador ex�mio.

Era calmo e sereno. Abatia o alvo num instante.

Referia-se a algumas batalhas

como "as mais bonitas que algum dia vira".

Parecia quase um assassino da m�fia.

O M�xico ficou com alguns homens feridos,

mas foi nesse momento que Kearny percebeu que estava em apuros.

Ele pr�prio ficou � beira da morte, naquele conflito.

N�o era certo que sobrevivessem.

Retirar! Retirar!

Retirar!

Tiveram de se reagrupar e criar um per�metro.

Basicamente, foi o in�cio do cerco.

O Cerco de San Pasqual prolonga-se por v�rios dias

e Kearny percebe que n�o v�o sobreviver.

N�o t�m alimentos, �gua e muni��es suficientes

para aguentar muito mais.

T�m de descobrir se h� outras for�as americanas na zona.

Quantos homens julga que ainda t�m?

Mais do que n�s.

Temos de fazer algu�m quebrar o cerco

e ir pedir ajuda a San Diego.

Eu trato disso.

Acreditava-se que algures, perto de San Diego,

estavam a Marinha e os Marines.

E, se conseguissem a ajuda de alguns refor�os,

talvez conseguissem quebrar o cerco.

Mais uma vez quem se voluntaria? Carson, claro.

Sempre que h� uma miss�o arriscada em territ�rio inimigo,

� ele que se chega � frente.

Mas San Diego fica a 65 km.

E n�o se sabe se haver� refor�os l�...

... ou se Carson

sobreviver� � viagem.

VALE DE SAN PASQUAL DEZEMBRO DE 1846

Kit Carson voluntariou-se para uma miss�o

que lhe poderia custar a vida.

Para salvar o ex�rcito de Kearny, que se encontra cercado,

vai tentar avisar os Marines

que espera que estejam em San Diego.

Imagine o perigo inerente a esta miss�o.

Carson tem de passar pelas linhas mexicanas,

por territ�rio inimigo,

pelas montanhas,

por rochas, cactos, espinhos...

� um ambiente muito in�spito.

E nem est� a cavalo. Vai de gatas.

Depois, tem de atravessar o vasto deserto,

com figo-da-�ndia e todo o tipo de cactos.

Atravessa territ�rio inimigo.

� mais uma das miss�es

que contribuem para o mito de Kit Carson,

um homem muito corajoso e independente.

Contra todas as probabilidades,

Kit Carson chega a San Diego

em um dia.

Alto!

Quem vem l�?

N�o dispare!

Espere, sou Americano.

Foi o General Kearny que me enviou.

O ex�rcito mexicano tem o batalh�o dele cercado.

- O qu�? - Uns 55 km para l� do deserto.

Quando chega �s tropas americanas tem os p�s em feridas,

todos lacerados, n�o consegue andar.

Foi uma das grandes proezas da hist�ria americana.

Depois de recuperar um pouco,

Carson regressa a San Pasqual,

com 200 homens.

Ao aproximarem-se da posi��o do General Kearny,

o inimigo foge.

Ao verem os Marines aproximarem-se, muito bem munidos,

foi o suficiente para afugentar os soldados mexicanos.

N�o queriam travar esse combate.

Carson fica a saber que Kearny tinha sobrevivido

e, agora, tenciona prosseguir a miss�o.

Vamos directos a San Diego, reabastecemo-nos

e, depois,

seguimos para Los Angeles.

Acha que conseguimos tom�-la?

Veremos.

Enquanto se prepara para partir,

Carson n�o sabe que o amigo, John C. Fr�mont, est� vivo

e a planear uma miss�o.

Carson j� n�o via Fr�mont h� muito tempo.

N�o sabia se estava vivo ou morto.

Estava perto de Monterey,

a tentar reunir um ex�rcito para recuperar o sul da Calif�rnia.

No final de Novembro

j� tinha juntado mais de 400 homens.

Decidido a reconquistar Los Angeles e limpar a sua reputa��o,

Fr�mont segue para sul.

Ao mesmo tempo, Kearny e Carson planeiam a sua rota para norte.

Entre eles, estava o ex�rcito mexicano.

Em jogo, o controlo da Calif�rnia

e a �ltima etapa da expans�o americana para oeste.

WASHINGTON, D.C. JANEIRO DE 1847

O Presidente James K. Polk est� decidido a conquistar a Calif�rnia.

Mas o seu plano depende do resultado de uma batalha

travada a cinco mil km.

Los Angeles � o �ltimo basti�o mexicano no territ�rio...

... uma regi�o que os Americanos querem para si.

John Fr�mont aproxima-se pelo norte...

... enquanto Kit Carson e o General Kearny

avan�am para atacar.

Imagine Los Angeles.

Kearny aproximava-se de sul

e Fr�mont avan�ava pela costa

e controlava o Passo Cahuenga.

O ex�rcito mexicano n�o tinha para onde ir.

O ex�rcito de Kearny chega primeiro...

... e vence o inimigo,

em poucas horas.

A for�a conjunta...

... de soldados de Kearny

e alguns volunt�rios americanos

derrota o ex�rcito mexicano.

Entre o ex�rcito de Fr�mont, que avan�ava de norte.

e aquela for�a conjunta que vinha de sul,

o ex�rcito mexicano percebeu que estava cercado

e decidiu que era tempo de se render.

A bandeira dos EUA foi i�ada em Los Angeles...

... mas a guerra ainda n�o tinha terminado.

Polk conseguiu o que queria.

A Calif�rnia era americana, o Novo M�xico tamb�m,

o Texas estava assegurado,

por isso Polk entendeu que era tempo de acabar a guerra.

Infelizmente, os Mexicanos n�o queriam acabar a guerra.

Estavam zangados e rejeitaram qualquer acordo.

Para pressionar o M�xico,

Polk lan�a uma invas�o.

A proteger a Calif�rnia, os EUA estacionaram um ex�rcito

na costa mexicana em Veracruz,

e marcharam para a Cidade do M�xico.

O tratado que da� resultou

estende a Fronteira at� � costa oeste,

cumprindo o sonho de criar uma na��o

que se estende do Atl�ntico

ao Pac�fico.

O expansionismo americano � algo que esteve na agenda,

desde a Revolu��o Americana, com Daniel Boone.

O que vimos nos anos '40 do s�culo XIX

foi o cumprimento da promessa

dos Pais Fundadores e dos colonizadores,

que chegaram e foram em busca da sua terra.

O Imp�rio de Liberdade imaginado por Thomas Jefferson

e defendido por Andrew Jackson...

... � concretizado pelo mais improv�vel dos l�deres.

James Polk.

O Presidente Polk � um dos presidentes menos populares dos EUA.

Era um homem muito poderoso,

com inten��es muito claras.

Quando Polk tomou posse,

olhou para o Oeste

e disse desde logo que queria aquela terra toda.

Foi uma das maiores conquistas de terra da hist�ria mundial.

Conquistar aquele ter�o de terra numa gera��o apenas.

Para entendermos a import�ncia da Presid�ncia de Polk,

pensemos nisto:

a Calif�rnia, se fosse um pa�s independente,

seria a quinta maior economia do mundo.

Imagine a hist�ria dos EUA sem a Calif�rnia.

Depois, imagine a hist�ria do M�xico

com a Calif�rnia.

A hist�ria de todo o mundo seria diferente.

Na Calif�rnia...

... John Fr�mont � nomeado Governador interino do territ�rio.

Ele e o fiel parceiro, Kit Carson,

haviam-se separado seis meses antes.

Mas, agora...

Senhor.

Ol�, Carson.

� um prazer rev�-lo, senhor.

... terminada a guerra, reencontram-se, finalmente.

Carson n�o via Fr�mont h� muito tempo.

N�o sabia se Fr�mont estava vivo ou morto.

Tinham uma amizade forte e duradoura.

Por isso, Carson deve ter ficado muito contente por v�-lo.

H� muito trabalho para fazer.

Se quiser ficar, poder� ser-me �til.

Sim, senhor.

Fr�mont viria a tomar-se o primeiro Senador da Calif�rnia,

enquanto Carson combateria pela Uni�o, na Guerra Civil.

Mas foram as suas aventuras na Fronteira

que fizeram delas lendas.

As explora��es de Fr�mont mudaram a forma como os EUA viam o Oeste.

Antes das suas explora��es,

para os Americanos, o Oeste era apenas mais um ponto cardeal.

Depois de Fr�mont, o Oeste passou a ser visto como um lugar

com caracter�sticas conhecidas.

Isso obrigou os Americanos a verem a Am�rica

n�o s� como um pa�s banhado pelo Atl�ntico,

mas mais como um estado-na��o continental.

Os jornais do Este chamaram a Fr�mont "O Desbravador".

Mas esse t�tulo aplicar-se-ia melhor a Carson.

Carson foi o verdadeiro desbravador.

Ele � que mantinha toda a gente no rumo certo

e longe de perigo.

Aqueles dois homens precisaram um do outro,

desesperada e profundamente,

para conseguirem o que conseguiram.

No final de 1847, a Calif�rnia � oficialmente territ�rio dos EUA.

Mas s� sete mil Americanos vivem l�.

Para assegurarem aquele territ�rio,

os EUA t�m de o colonizar.

Polk queria mandar para l� gente, que ficasse l� a viver,

de modo a iniciar o processo da Calif�rnia.

Para come�ar a adaptar a Calif�rnia ao estilo americano.

Fazia parte da pol�tica do Governo mandar para l� muita gente.

Havendo gente a ocupar aqueles territ�rios,

n�o restariam d�vidas de que aquele seria o futuro da Am�rica.

E nada motiva mais os colonos

do que a possibilidade de fazer fortuna.

Em Janeiro de 1848

a promessa da Calif�rnia

d� frutos...

... quando se descobre ouro.

A corrida ao ouro

fez a busca por terra

valer a pena.

Para a Am�rica foi como ganhar a lotaria.

Uma corrida ao ouro atrairia milhares para o Oeste.

O homem que atravessou o pa�s para levar o recado...

... foi Kit Carson.

O incr�vel "posf�cio" disto

� que Kit Carson...

... se encontrou com o Presidente Polk,

em Dezembro de 1848.

E que not�cia lhe levou?

Que se tinha descoberto ouro,

sim, ouro, na Calif�rnia.

A febre do ouro

est� prestes a transformar a Fronteira.

Com a anexa��o da Calif�rnia,

os EUA estendem-se, finalmente, de oceano a oceano.

Mas a terra � pouco colonizada por Americanos.

At� se ter feito uma descoberta surpreendente,

em 1848.

Ouro.

Descobriu-se ouro na Calif�rnia no in�cio de 1848.

Ningu�m esperava tal coisa.

A Calif�rnia, quando passou a integrar os EUA,

depois da guerra com o M�xico,

n�o podia estar mais distante das zonas civilizadas da Am�rica.

Ningu�m esperava que a Calif�rnia fosse colonizada t�o cedo.

A not�cia da descoberta corre depressa,

desencadeando a febre do ouro nos EUA.

Pouco depois, mais de 300 mil Pioneiros seguem para a Calif�rnia,

um dos maiores fluxos migrat�rios da hist�ria americana.

Iniciada a corrida ao ouro, uma multid�o segue para oeste

pelos trilhos cartografados por Fr�mont e Carson.

Isso garante que a Calif�rnia pertencer� para sempre aos EUA.

Durante ao corrida ao ouro,

os colonos extraem mais de 340 toneladas de ouro.

gerando mais de dois mil milh�es de d�lares,

o equivalente a mais de 61 mil milh�es, actualmente.

Em 1850,

a Calif�rnia torna-se o 31.� estado,

completando um cap�tulo da hist�ria americana,

iniciada 75 anos antes,

na fronteira dos Apalaches.

Em muitos sentidos, foi a continua��o

da Revolu��o Americana.

Eram 13 col�nias e foram-se estendendo para oeste.

Mas a na��o s� ficaria completa,

quando se estendesse de oceano a oceano.

Os intr�pidos homens da Fronteira

que desbravaram as terras inexploradas

ajudaram a escrever o futuro da Am�rica.

O esp�rito da Fronteira americana sempre esteve presente,

logo durante a Revolu��o Americana.

A no��o de que nada nos pode impedir de obtermos aquilo que � nosso.

Ao avan�arem corajosamente para oeste,

em busca de terras novas e oportunidades,

enfrentaram tribos amer�ndias,

decididas a defenderem o que era seu.

A Fronteira foi o lado negro e luminoso

da expans�o americana.

Os nativos, assim como os colonos,

t�m de ser considerados Americanos.

Como qualquer humano, os amer�ndios lutaram pelas suas fam�lias,

pela sua na��o, pela sua terra, pelos seus bens, pela sua vida.

Continuamos aqui.

N�o fomos exterminados.

H� que dar o m�rito aos amer�ndios, que continuam a lutar, ainda hoje.

Bravos exploradores cartografaram o desconhecido,

abrindo caminhos que os colonos haveriam de trilhar.

Arrojados e astutos, os homens da Fronteira tornaram-se lendas.

Vamos, homens!

Sempre houve um fasc�nio pela imagem do "desbravador",

que, de casaco de cowboy e espingarda,

entrava pelo desconhecido.

�cones, que inspiraram gera��es

com as hist�rias da sua resist�ncia e compet�ncia.

As pessoas que iam para a Fronteira eram valentes

e pareciam gostar do perigo e do desconhecido.

A Fronteira n�o era para fracos.

Era dif�cil, in�spita, magoava.

Fogo!

Estavam dispostos a enfrentar in�meros perigos.

Era um mundo sem foras da lei.

N�o havia leis, por isso estas n�o podiam ser infringidas.

Eles criavam um c�digo pr�prio.

A pr�pria Fronteira ajudou a moldar a identidade da na��o

e definiu

o esp�rito americano.

Parab�ns, Capit�o.

A Fronteira est� no ADN da am�rica.

� assim que nos vemos.

J� n�o nos vemos como uma sociedade da Fronteira,

mas gostamos de nos identificar com esses indiv�duos.

Era essa a ess�ncia da Fronteira.

A Fronteira representava o melhor da oportunidade americana.

A Fronteira desapareceu da hist�ria americana

h� mais de cem anos.

Mas mant�m-se muito viva na forma como os Americanos se definem.

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