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Tivemos que podar essa �rvore.
Suas folhas estavam devorando nossa luz.
Embarquei em uma s�rie de viagens, filmando aqui e l�
rostos e palavras, os museus, os rios e as obras.
Eu escutei
as pessoas a quem encontrei talvez por acaso,
especialmente
os artistas de cujo trabalho eu gosto.
Quando voltei de minha primeira viagem, j� havia novos brotos.
Eu viajei, de avi�o ou de trem, filmando em cada cidade,
n�o para fazer um relat�rio, mas para capturar os fragmentos
os instantes, pessoas.
A �rvore renascia.
Eu fui e voltei. Depois fazia, com Jean-Baptiste,
a montagem das imagens e sons que reuni.
Mas bem antes que completasse minha viagem e meu trabalho,
a �rvore
havia reconstitu�do
com rebentos e folhas toda sua folhagem, em menos de 3 meses.
Isto � mostrado em menos de 2 mn, e os que ver�o
estas cr�nicas as ver�o em muitos dias.
Uma novela de folhas, de certa forma.
Neste epis�dio iremos ao Brasil, Bruxelas, Estocolmo e Veneza.
Vamos encontrar o cr�tico de arte Obrist e o pintor Barcel�.
Quando vamos muito longe, nossa sombra fica no ch�o.
Desta vez � no Brasil que brincarei de cineasta.
N�o � servi�o p�s-venda. Acompanhamos nossos filmes
e aproveitamos para ver o pa�s.
O pa�s e pessoas que querem nos receber.
Sou realmente bem-vinda, no Rio, por Fabiano Canosa,
o brasileiro de Nova Iorque, e Joel Pizzini, cineasta local.
A s�cia de Joel � Paloma Rocha,
filha de Glauber, o cineasta.
E tamb�m a cantora Paulo Tasser
Bossa-nova.
Rio de Janeiro. O famoso P�o de A��car.
Eu penso em mam�e, que costumava colocar a��car
no resto dos p�es.
De meu quarto em Ipanema, posso ver a praia.
Aqui, �s 7 horas da manh�.
E ao meio-dia.
Um pouco al�m
fica a famosa praia de Copacabana.
Bebemos uma deliciosa �gua de coco.
Meu filho Mathieu est� aqui, Ele veio como Mathieu Demy, ator.
Jeanne Moreau tamb�m est� aqui, e outros.
Olhe que essas aves!
E eu, para o festival
de cinema do Rio.
Fabiano, que programa filmes para o New York Public Theater,
voltou ao pa�s.
Aqui � a villa de Villa Lobos, um centro para m�sica e troca.
Agora eu dedico meu tempo fazendo retrospectivas
sobre os brasileiros a quem amo
e admiro.
Villa Lobos, o maior compositor cl�ssico.
Em minha opini�o, o verdadeiro g�nio brasileiro do s�culo foi Villa-Lobos.
e tamb�m Glauber Rocha, que era meu irm�o. Um cara magn�fico.
O cineasta tornou-se conhecido com um filme pol�tico, barroco,
Deus Negro, Diabo Branco (Deus e o Diabo na Terra do Sol)
N�o � com ros�rio n�o, Satan�s,
� com o rifle e o punhal.
Mentira, mentira, mentira!
Mentiras!
Voc� n�o disse que ele era grande s� na sua cabe�a?
Virgulino era grande, mas ele se fez pequeno.
Mentira!
Paloma lida
com a restaura��o e distribui��o dos filmes de seu pai.
Meus filhos sabem disso.
A casa do cineasta � um lugar de cinefilia e de mem�ria.
Podemos ver, talvez, a m�e de Glauber l�, embaixo
e sua irm� Ana L�cia.
N�s assistimos os filmes, como Antonio Das Mortes,
quem impressionou os jurados do festival de Cannes.
Glauber representou o "Cinema Novo", o New Wave ...
no Brasil, entre document�rio barroco social e imagin�rio.
Jacque e eu o conhecemos
quando descobrimos o Brasil e sua m�sica.
Fomos a Ouro Preto, no estado de Minas Gerais.
Jacques tinha uma pequena c�mera,
que se perdeu.
Ele, o cineasta
dos planos sinuosos, n�o filmou sen�o os planos fixos.
N�s sonhamos nesta cidade enriquecida pelos garimpeiros.
E eu fiz as fotografias.
Quarenta anos mais tarde,
parti rumo a Fortaleza.
Beatriz Furtado fez-me vir para encontrar os alunos
da escola de arte que ela dirige.
Para os saudar, eu os filmo.
Eis a bela Beatriz.
E esse outro professor � muito bonito.
Essa cena de "Glaneurs" quando eu pego os caminh�es
encantou-os.
Muitas vezes me falam disso onde quer que eu v�.
Perguntas, respostas. Vejo seus filmes.
Depois eles me levam a um antigo mercado coberto
e me fazem uma festa.
Na praia dos pescadores tamb�m eles me desejaram boa sa�de.
Cantos, percuss�es.
Lagostas, arroz,
peixe, � beira de uma outra praia, chamada de Praia do Futuro.
Meus novos amigos organizaram uma refei��o de despedida.
Beatriz me ofereceu
uma bata branca.
Eu lhe dei Calissons d'Aix e DVDs,
para ela a para Paula, que me deu seu CD.
Essas duas mulheres s�o incr�veis. Juntas, fomos ao mercado.
� caju: n�s fazemos um monte de suco, e n�s comemos
a castanho do caju.
Esta � a graviola. � branca por dentro.
Fazemos de tudo com ela: Suco, sorvete...
Vamos para a loja de ferragens Mercado: muitas vezes �
l� que encontramos coisas para comprar.
Vejos as estatuetas.
As explica��es come�am.
� a Pomba Gira.
Uma santa ou uma deusa protetora.
N�s lhe oferecemos champanhe,
biscoitos, perfume...
Rosas vermelhas, para poder lhe fazer um pedido...
Pedimos para encontrar trabalho,
resolver um conflito, trazer de volta o marido inconstante...
� muita esperan�a, pelo equivalente a 5 euros.
Tive que voltar pelo Rio.
Fabiano levou-me ao Museu de Arte Contempor�nea, em Niter�i,
uma esp�cie de disco voador
que segue as curvas do P�o de A��car, desenhado por Oscar Niemeyer.
Ele ainda � vivo?
Ele ainda est� vivo. Tem 102 anos.
Ele se casou recentemente, h� 5 ou 6 anos.
Ele vai ao seu escrit�rio todos os dias
cuidar dos neg�cios. Como ele sempre fez.
Neg�cios como sempre.
Descubro os artistas brasileiros.
Antonio Dias e seu d�ptico Para Mim Para Voc�.
Luis Ernesto, uma pe�a de sua s�rie Aqu�rios.
Ant�nio Manuel. Direi em franc�s o t�tulo de sua s�rie:
Repress�o Uma Vez Mais,
datada de 1968.
Essa cadeira de Guido Meireles me lembra daquela de Magrite.
E essa, de Raoul Mour�o, engaiolada, intriga-me.
Penso em algumas cadeiras em minha vida.
As cadeiras de Ionesco, que fotografei nos anos 50.
Tsilla Chelton e Jacques Mauclair esperaram h�spedes que nunca chegaram.
A cadeira que Vilar sentou-se de bom grado.
Essa � de Pierre Etaix, Padre-Lachaise.
E essa cadeira. Uma de minhas primeira fotografias.
Aqui as cadeiras de escrit�rio que foram empilhadas por Michel de Broin,
viradas para dentro numa reuni�o do conselho administrativo.
� um iglu de neg�cios ocultos.
De muitas a poucas, a pobre cadeira de Van Gogh.
E uma poltrona.
Duas cadeiras entrela�adas de Niki de Saint Phalle.
Poltronas ao par numa praia. Ah, como essas duas palavras soam. Par, praia.
Magritte e sua cadeira.
Uma bem leve: Tempo Amea�ador.
Uma bem pesada: A Cadeira.
R�pido, um trem! N�o devemos perder a abertura do Museu Magritte,
Place Royale, em Bruxelas. H� uma pr�-visualiza��o de um v�deo.
Esse � Charly Herscovici que criou a Funda��o Magritte.
Ele � o titular dos direitos do trabalho do homem de chap�u de coco.
Sua cole��o � o cora��o deste museu. Ei-lo.
� uma festa.
E � o violinista Michael Guttman quem est� tocando.
A recep��o � no Museu de Belas Artes.
Entre os convidados, est� o colecionador Walter Vanhaerents.
Ele � protegido pelo Homem Vermelho, de Katharina Fritsch
nesta antiga f�brica que abriga sua grande cole��o, aberta ao p�blico.
Ao fundo, uma imagem do trabalho de Thomas Demand
e um minimercado da McDonald, reinventado por Tom Sachs.
Uma pe�a suspensa, de Jason Rhoades.
Uma pe�a de Markus Schinwald.
Um homem e uma mulher separados por uma parede.
N�o estava com a c�mara de filmar mas � preciso que se saiba que o homem torce nervosamente o p� direito.
A mulher n�o se mexe.
Perto de uma longa colagem de Rondinone, uma cadeira de Urs Fischer.
� sua sombra que � gigante.
Como o grupo de gigantes, criado por David Altmejd,
uma aquisi��o recente do colecionador.
Walter est� contente. O artista tamb�m.
Foi quando eu comecei a constru�-los, que tudo fez sentido.
O qu�? Um guerreiro?
Um guerreiro, sim.
E o bra�o caiu.
E pronto, aqui est�o os novos residentes da casa de Vanhaerent.
Quando eu era pequena, eu ia ao parque Jardim Bot�nico.
Agora � um centro cultura. � tamb�m um museu.
Em 2009, Alechinsky ocupou a grande galeria.
Era uma exposi��o
importante da qual mostro algumas pinturas.
Grafismo e fantasia.
Olhamos sorrindo, meio que sonhando.
No outro lado do que resta do Jardim Bot�nico, o pintor convidou
uma outra artista: Kikie Cr�vecoeur.
ela grava borrachas de 10 cm�.
ent�o faz impress�es.
Cada pequeno quadrado � uma impress�o de goma.
A borracha foi esculpida.
Para essa grande pe�a, onde h� 7 ou 8 mil impress�es diferentes,
deve haver uma centena de borrachas diferentes.
Qual foi a id�ia por detr�s disso?
Quando voc� est� numa rodovia
e voc� v� as �rvores passando ao lado da estrada
elas se parecem como pequenos c�digos de barra.
Quisera que os c�digos de barra fosse assim t�o bonitos!
Para seu di�rio, cada dia, Kikie esculpe uma borracha com um desenho,
a data e algumas palavras em c�digo.
Ela imprime essas m�ni p�ginas de seu caderno, aumentadas aqui.
De borracha para lin�leo. Dessa vez, essa pe�a � uma linogravura.
� um afresco de �rvores.
Primeiro desenhei, depois esculpi em lin�leo
Como a natureza podia me inspirar, sem represent�-la.
Eu os fiz separadamente. Levei um ano para fazer.
As imagens,
Algumas vezes h� uma ruptura, mas muitas vezes,
as conex�es s�o de ordem inconsciente.
Posso mistur�-los.
Cada vez que os mostros, eu o fa�o em uma ordem diferente.
Eu os editei em cart�es postais.
Se mandarmos postais, quebramos a s�rie?
H� um sem n�mero de possibilidades.
Mandarei � Kiki um cart�o postal tur�stico.
Repare, essa cidade tem o ar
de uma pastelaria oriental, mas � Estocolmo.
Eles me esperam.
Fr�d�ric Strauss, que conheci no "Cahiers du Cin�ma",
e Marie Booberg, da "Folkets Bio".
No t�xi pela cidade, eles me falar de Ingmar Bergman.
Eles me mostraram o teatro, onde trabalhava enquanto n�o filmava.
e naquele edif�cio, l�,
onde foram leiloados e dispersados os bens do cineasta,
na v�spera de minha chegada.
Marie ainda est� abalada com isso,
como todas as pessoas do cinema.
Meu quarto no hotel me apraz
com 3 janelas que d�o para o porto.
Maria me traz o cat�logo da venda.
Eu assisti aos lances.
Foi estranho, como acontecimento,
vou lhe dizer.
Havia muitas coisas muito pessoais, muito simples
mas tamb�m os objetos de exce��o,
como o jogo de xadrez...
- O jogo de xadrez do filme... - O S�timo Selo.
O verdadeiro, sim.
E foi
um dos objetos mais procurados, claro.
Quem o comprou?
Ningu�m sabe quem comprou o qu�.
Os compradores tinham n�meros.
Acontecia sobretudo por telefone.
A maior parte dos objetos foram parar no exterior.
Os pre�os est�o em coroas.
Eles venderam tudo.
O leito, a colcha...
Sua bela poltrona Eames.
E muitas casas
na Ilha de Faro, inclusive aquela em que morava.
A casa chama-se "Hammarts". E � beira-mar.
E os carros.
As cadeiras. Um piano.
As pequenas coisas fabricadas pelos seus netos...
Oh... fabricadas pelos netos!
A fam�lia estava l�? Seus filhos.
Eu n�o os vi, mas eu li depois
que uma de suas filhas estava presente.
Talvez n�o na sala de vendas.
Parece que seu filho Daniel estava l� tamb�m,
mas eu n�o os vi.
Deviam estar atr�s.
� noite, eu repensei nessa venda e nos filhos de Bergman,
os pr�ximos, os menos pr�ximos.
O que eles pensaram e sentiram desta decis�o testament�ria?
Algum deles comprou de volta o arm�rio de seu quarto?
aquele cuja porta rangia um pouco?
Ou sua poltrona? Ou seu pequeno jarro de estanho?
Al�. Bom dia.
No meu quarto de hotel
chega a jornalista da revista "filme e TV".
Disseram-me que ela fala ingl�s e franc�s.
Sou Christina, jornalista, de Estocolmo.
E tamb�m amo fazer filmes.
Tenho uma certa curiosidade...
Hesito em perguntar, mas voc� esteve doente?
N�o, n�o estive doente.
- � um penteado punk? - N�o.
O que aconteceu?
Meus cabelos simplesmente ca�ram.
Em dois meses
fiquei careca.
Tenho 43 anos,
nunca aconteceu comigo antes. Eles ca�ram.
Quando amamentamos nossas crian�as
algumas vezes perdemos os cabelos. � bem corriqueiro.
Em certos momentos da vida...
- Voc� tem filhos? - Sim, dois.
Mas isso � recente.
E ningu�m pode verdadeiramente explicar.
A doen�a se chama alop�cia.
�s vezes, o corpo se revolta contra qualquer coisa.
Os cabelos, no meu caso.
Dois, tr�s anos antes disso,
eu vivenciei os choques, duas ou tr�s vezes.
Foram anos muito dif�ceis,
porque foi uma mudan�a em minha vida, eu me divorciei...
Se todas as mulheres divorciadas perdessem os cabelos,
s� haveria calvas.
H� tantas mulheres quanto homens
afetados por essa doen�a.
Mas as mulheres usam perucas.
E voc� ousa viver sem?
Experimente muitas perucas para ver.
Pois � uma quest�o de identidade.
Minha identidade era... nova.
Eu tenho um amor e ele
ele � t�o importante.
E quando isto aconteceu,
eu entrei em p�nico. Eu estava...
O pior, para mim,
era o sentimento de n�o saber
se ele iria ficar comigo.
Seu amor � chefe-operador e juntos eles fizeram um filme
sobre a import�ncia dos cabelos na apar�ncia de um rosto.
Christina se olha.
Ela tenta entender como os ouros a olhavam.
Ela observou com intensidade os cabelos e os penteados.
Ent�o descobriu que, de fato, ela fez sucesso assim.
E ela vai contente e s�,
at� que ela encontre uma outra mulher, calva, como ela.
Em duas, s�o a companhia.
Logo � todo um grupo.
Obrigada, Christina, ter me permitido emprestar
peda�os de sua hist�ria e de seu filme.
Voc� � �nica.
Mas � relativo.
Ela me diz que tenta fazer document�rios,
mas que ela deve ganhar sua vida: ent�o ele � jornalista.
Foi minha vez de me sentar no canap�.
Uma fotografia foi tirada e o entretenimento come�ou.
E uma outra fotografia, para uma revista.
Maria organizou o lan�amento de minhas "Praias".
Promotoras ofereceram sacolas-surpresas.
Eu me lembro da refei��o, calorosa, na embaixada.
Maria e Fred me acompanharam e fizeram algumas confid�ncias.
N�s nos reencontramos em Cannes.
Naquele ano,
O Homem Sem Passado estava na competi��o.
Eu sou a distribuidora do filme.
N�s nos encontramos na festa.
Eu fui convidado porque escrevi sobre seus filmes.
Depois, n�o nos vimos mais. Fui para Paris, ela, a Estocolmo.
Quase um ano depois
enviei-lhe um e-mail quando Cannes se aproximava.
Pensei nela durante todo esse tempo e...
Voc� mudou sua vida antes de a rever?
Eu verdadeiramente mudei, depois de t�-la revisto.
Eu mudei de vida.
Antes ou depois t�-lo revisto.
Depois.
Meus sentimentos eram muito fortes para serem ignorados.
� preciso aproveitar o momento.
Amo quando voc� diz: Muito fortes para serem ignorados.
� assim que nos sentimos.
� muito forte para deixar passar.
S�timo c�u para eles, espero.
C�u pleno para mim.
Um c�u do pintor Canaletto, o Grande Canal de Veneza e Vivaldi.
Turismo cl�ssico: O Grande Canal e Vivaldi.
N�o me furto ao desejo de ver novamente esses lugares de grande turismo.
Em 2003, Hans Ulrich Obrist, com Molly Nesbit e Rirkrit Tiravanija,
criaram um projeto chamado "Esta��o Utopia".
Hans me convidou a juntar-me a outros artistas.
Cada um trazia um p�ster
e uma obra.
Como descrever Hans Ulrich?
Globe-trotter. Dedetor da arte contempor�nea.
Acompanh�-lo, escut�-lo falar de seus projetos, de suas iniciativas.
Ele � o codiretor de Galeria Serpentina, em Londres.
Existem pavilh�es ef�meros.
Este, da SANAA
� bem como um reflexo do mundo,
e de suas reflex�es, � um fator de desordem.
Hans dirige para Agn�s b. A grande revista sob a forma de um cartaz...
"Ponto de Ironia".
Parreno e Rirkrit veem Hans como um fantoche ventriloquista.
E eu o filmei mudo.
Que loucura. Ele fala t�o bem. De fato, ele � su��o.
Gra�as a ele, na Bienal de Veneza,
instalei 3 telas pela primeira vez.
Sonhava com isto h� muito tempo.
Precisava ser encontrado
o bom �ngulo, ajustar o quadrado e o auge dos projetores.
E precisava de 700 quilos de batatas para cobrir o ch�o
perto das telas.
N�o houve recuo, e eu n�o tinha uma objetivo
suficientemente largo para filmar
as tr�s telas: Eu as filmes de duas em duas.
Eu estava toda contente por me encontrar entre Yoko Ono,
Jonas Mekas e Lawrence Wiener, que passavam atr�s.
E Boltanski, que eu j� amava muito.
Meu traje de batata n�o passou desapercebido.
Em anos mais antigos, em Veneza
muitas vezes na Mostra de cinema.
Uma vez, com a jovem Sandrine Bonnaire, por "Sem Teto Nem Lei",
Eu trouxe de volta um le�o de ouro, e recentemente, com "As Praias
d'Agn�s", enfim minhas.
N�s trouxemos a equipe que me ajudou a fazer o filme.
Eles estavam todos muito bem vestido.
E novamente. E novamente outra chegada pela lagoa.
Quando olhamos, e cada vez mais com cuidado,
fica muito bonito.
Convite muito chique para a abertura da alf�ndage mais antia
que Fran�ois Pinault renovou para exibir arte contempor�nea.
Encontramos um "Menino com Sapo" de Charles Ray,
escultura bem conservda.
Fr�d�ric Mitterrand, ministro da Cultura,
Olivier d'Arvor,
da Cultura Francesa e mesmo Andr� do clube O Bar�o.
Eu atravesso o arbusto dos convidados
e me afasto pelas paredes.
Uma parede com colecionadores, os Lema�tre,
e aquele que eu fiz.
Uma parede com minha amiga V�ronique B�rard,
de quem tirei um retrato h� muito tempo.
No pavilh�o franc�s novamente a multid�o para Claude L�v�que.
Suas gaiolas para bandeiras negras,
ou gaiolas para os visitantes.
Al'Arsenal "Sade for Sade's Sake",
uma obra de Paul Chan (Galeria Greene Naftali)
Um homem afogado e ningu�m o tira da �gua.
� "A Morte de um Colecionador", de Elmgreen e Dragset.
Estamos no mundo n�rdico.
Ou no japon�s: uma parede derrubada de Murakami,
um ch�o inst�vel de Shoza Shimamoto.
No pavilh�o da Espanha, a pintura. Enfim.
Miquel Barcel�, que del�cia.
As telas inspiradas por Mali.
Um material pict�rico muito trabalhado.
Pinto de cabe�a para baixo: Coloco a tela no teto,
e eu pintei para criar esses tipos de estalactitas,
como picos
que saltam para os olhos.
H� 20 anos eu me representava
como um cachorro jovem e agora, como um gorila.
De repente eu soube que era eu.
Esse gorila n�o est� na natureza, na floresta.
Ele est� em meu ateli�.
� o meu ateli�.
E tudo isso s�o as marcas que ca�ram dos quadros.
Essas marcas no ch�o, uma vez, foram do ateli� de Miquel
em Paris.
O gorila em papel�o
foi feito com isso, seus gorilas albinos.
Ainda h� pe�as de papel�o. Era certamente uma perna de cadeira.
Esse � outro raspador estranho.
Eu fiz essas coisas para arranhar,
e cada um arranha de uma maneira diferente.
� como arar tinta fresca.
Eles trabalharam muito.
Eu posso mont�-los ou jog�-los fora.
Isso n�o se encontra em parte alguma.
- Para fazer o qu�? - Para fazer isso, por exemplo.
- � uma onda? - Uma onda que morde.
Vemos os dentes.
Era uma vaga e transformou-se no cr�nio de um crocodilo.
- Voc� os viu, de verdade? - Sim, muitos, em Mali.
Eles se conhecem em caimans e em cupins.
Neste momento, na �frica,
os cupins devem comer meus cadernos em casa, sim.
Todos, eles comeram um enorme quantidade de papel.
Isso vem da �frica?
Sim. � muito belo. N�o sei mais o que irei fazer.
Nenhuma m�o humana � capaz de fazer coisas assim.
� como a topografia de l�, onde mora, na �frica.
- Voc� vai sempre? - Todos os anos.
Minha casa seria aqui, na borda do penhasco.
Tenho uma casa aqui. Pinto muito l�.
Pinto muito tamb�m em Majorca.
Eu nasci aqui, em Felanitx, aqui, onde est� meio queimado.
E vivo aqui, em Farrutx.
Chegamos l� de avi�o.
Senti-me como em uma armadilha,
quando tinha 16 anos.
Eu teria dado um dedo do p� esquerdo para ter nascido
em Nova Iorque.
Durante um momento,
eu pintei muitos tomates.
Eu gostei muito...
suas estranhezas, ficaram como m�scaras,
com esses alv�olos, esses buracos.
� como entradas
no centro da terra, cada um desses tomates, n�o?
Isso quase se parece com uma flor.
� como rios, de um para o outro.
Com pimentas, khakis ou outras coisas.
Ver�o 2010, Barcelo exp�e em Avignon.
� relatado por um elefante de p� em sua tromba.
A exposi��o foi feita
em 3 lugares: Precis�vamos de um totem.
Eu queria ter a morfologia de uma �rvore,
para que pudesse ser confundido
com as �rvores que existem na cidade.
No final da pra�a, o museu Petit Palais.
"Escada de Jacob", de Nicolas Dipre.
Encontrei uma efigie decapitada, da Revolu��o.
A cabe�a combinava exatamente. Foi lindo.
Dei-lhe um rosto a essa pobre efigie.
- Mas um rosto de peixe. - Mas � um rosto.
Um belo rosto.
Barcelo exp�e tamb�m na Funda��o Avignon
de seu galerista, Yvon Lambert.
Neste canto
eu pinto os retratos dos peixes,
como os que pintam retratos de fam�lia.
Eu conhe�o bem a morfologia dos peixes.
Eu pesco desde que nasci.
� uma forma de pintura, a argila.
Essa lembra a cadeira.
A argila tem a mem�ria de uma car�cia, de um golpe de punho,
de uma marca.
Com o core�grafo Josef Nadj, eles criaram
uma performance: "Paso Doble.
Paso Doble � uma esp�cie de encena��o
do vocabul�rio de minha pintura com argila.
Nadj � um dan�arino.
Ele persuadiu-me fazer isso.
E eu lhe disse, farei se voc� fizer. Se fizermos juntos.
Aplausos da assist�ncia.
Legenda em portugu�s do Brasil: Lu Stoker.
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