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A v�tima era Nuria Porto,
a gerente.
A m�dica encontrou uma margarida dentro da boca.
Parece uma mulher.
N�o a matei.
Pensei que soubesses.
Como sabes, se n�o te lembras?
"No Hotel Oslo h� um andar secreto onde se prostituem menores."
Desculpe.
- O que faz aqui? - Vim limpar os quartos.
Vamos.
J� tinhas estado naquele piso do hotel?
Recebemos l� os clientes.
Contactam-nos pela aplica��o e vamos.
Vens muito discreta.
Falaste com o tipo?
Chama-se Huichi.
Trabalha no Clube Cairo.
Pol�cia Nacional.
Venha connosco � esquadra.
SABES O QUE FAZER
- Mauro? - Este telefone j� n�o � dele.
Ele morreu.
Foste m� e tentaste fugir. Tens de trabalhar.
Usam a nuvem para transmitir v�deos da Dark Web.
Largue-me!
Eva.
Eva.
Eva.
Eva.
Eva.
Eva.
Eva!
H� outra explica��o para a sua amn�sia.
Mas � controversa entre os m�dicos.
Qual �?
Que pode n�o ser amn�sia.
Porque n�o me lembro de nada?
Porque n�o est� l�.
N�o percebo.
Mas veem-me e falam comigo.
N�o � consigo,
� com outra.
Estou a falar de transtorno de identidade dissociativa.
Mais conhecida por m�ltipla personalidade.
E que personalidade est� a ocupar o meu lugar?
Uma que vai mais longe do que est� disposta a ir.
Que � mais violenta.
Parecida com as vis�es que tem...
Da minha irm�?
� poss�vel que essa nova irm� que v�
ainda viva dentro de si
e, pelo que me disse,
pode mago�-la muito.
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
DOR
QUANTO MAIS PERFEITA � UMA COISA, MAIS PROVOCA PRAZER E DOR.
PRAZER E DOR
Bom dia. Procuro uma rapariga, a Lidia Fernandez.
Foi presa ontem no Clube Cairo.
Deixe-me ver.
Se j� foi definida a cau��o, gostaria de a pagar.
N�o, ela n�o est� c�.
Como, n�o est�?
Vi-a ser presa.
O advogado dela veio e levou-a.
Quem � o advogado?
N�o lhe posso dizer.
Bom dia!
Bom dia!
Obrigado.
A Rebeca morreu.
Vi como a mataram.
� estranho que o tenham feito,
especialmente em frente a uma c�mara.
O Mauro morreu.
A Rebeca n�o tinha utilidade.
� uma mi�da,
uma menor.
Muito bonita.
Claro que � �til.
Essa gente s� quer dinheiro.
Eu sei o que vi.
N�o foi uma alucina��o.
Estava com uma pessoa, quando aconteceu.
N�o a pudeste salvar,
mas podes ving�-la.
Ving�-la a ela, � tua irm�
e a muitas outras mulheres.
H� algo mais.
Uma mi�da que trabalha no Clube Cairo, a Lidia Fernandez,
tratavam-na por Huichi.
O que lhe aconteceu?
A Pol�cia prendeu-a ontem,
mas foi libertada de seguida.
� estranho n�o ter passado l� a noite.
Foi o advogado dela.
T�o depressa?
De certeza que era...
... mais do que um advogado.
De certeza que essa rapariga
est� no mesmo s�tio onde estava a Rebeca.
Tens de continuar a procurar.
Mais alguma coisa?
Sim.
Descobri o nome de um homem que foi � festa de Muri�s.
Eloi San Martin, assessor financeiro.
Se esteve na festa de Muri�s, deve colaborar com o L�rio.
Disseste que, quando mataram a Rebeca,
estavas com algu�m.
Um amigo.
Um inform�tico que me ajudou a encontrar os v�deos.
Fala com ele.
Segue o rasto do Eloi San Martin.
INSPETOR-CHEFE
O Crime Organizado
diz que o Clube Cairo, o Hotel Oslo e a ag�ncia Porto
est�o relacionados com o Grupo L�zaro. Chama-se Grigori Kimovich Lazar.
M�fia do Leste. N�o temos fotos dele.
L�zaro.
J� ouvi falar dele.
Tr�fico de pessoas, prostitui��o...
Vive na Costa Rica para evitar a extradi��o.
Gere os neg�cios com testas de ferro e mafiosos locais.
E financeiros?
H� algu�m que pode estar por tr�s da lavagem de dinheiro do grupo.
� s� uma suspeita,
n�o d� para um mandado de busca.
Este n�o fala nem com uma legi�o de advogados.
L� o relat�rio.
Pois �!
Agradece-lhes por mim.
Sobre o caso das margaridas...
Liga ao Canito.
Ele conhece bem o mundo do crime.
O mundo do crime?
Achas que isto � Chicago?
� Lugo, na Galiza.
Est� bem, falo com o Canito. Tens raz�o. Nunca se sabe.
Obrigado.
Salgado.
Marca-me uma reuni�o com o Eloi San Martin.
� o Salgado, n�o �?
Sou. Obrigado por vir.
Vi-o na televis�o por causa do maluco das margaridas.
Segure o caf�, por favor.
Ajuda-me com o frio.
Est�o quase a apanh�-lo, n�o �?
Talvez.
Depende de si, apanharmo-lo mais depressa.
Desculpe. Pensei que viesse por causa do meu filho.
Nunca se sabe no que se vai meter!
Deve ser complicado para uma fam�lia como a sua
ter um filho envolvido no tr�fico de droga.
Tem filhos?
Sim. E uma neta.
Ent�o, sabe como podem ser est�pidos.
Basta dizermos-lhe uma coisa
para fazerem o contr�rio!
A pris�o � um s�tio perigoso.
At� para o filho de um banqueiro.
O seu filho roubou os colombianos,
que s�o perigosos.
O que quer dizer?
O juiz de execu��o de penas pode acelerar a condicional dele,
caso o pai colabore com o sistema judicial.
O que n�o se faz por um filho?
Que colabora��o?
As v�timas do Assassino das Margaridas
est�o relacionadas com um grupo
suspeito de prostitui��o e tr�fico de mulheres.
O que tenho que ver com isso?
N�o reconhece o nome L�zaro?
N�o foi o que ressuscitou na B�blia?
� um mafioso de Leste.
Sr. San Martin, o nome da sua empresa
aparece ligado a v�rias empresas do L�zaro.
Sou de uma fam�lia de banqueiros,
investidores e consultores financeiros.
O meu nome est� ligado a muitas empresas em todo o mundo.
Tem de compreender
que n�o conhe�o todos os clientes.
Deve conhecer um cliente t�o importante.
O seu testemunho seria muito �til.
Pense no seu filho.
N�o podes aparecer assim na minha casa.
Avisa, pelo menos.
Deixei o telefone em casa.
Ontem, fiquei preocupado.
O que se passou?
O qu�?
N�o me parece f�cil de esquecer.
Sofro de amn�sia.
O que aconteceu, quando caiu a liga��o?
Ainda bem que a minha fam�lia j� dormia,
porque te passaste
e sa�ste desorientada.
Fiquei assustado, com medo que te magoasses.
N�o aconteceu nada. Estou aqui.
Mas podia ter acontecido.
Sei quem �s, Eva.
Procurei informa��es.
Ent�o, sabes porque � importante.
E sei que �s inst�vel.
N�o vou correr riscos,
se n�o me disseres a verdade sobre o que vi ontem.
O que queres saber?
Quem era a rapariga?
Chamava-se Rebeca.
Era uma amiga.
Lamento, mas...
... tens de a esquecer.
�s bom com os computadores.
Descobres de onde transmitiram?
O que �?
J� mo pediste ontem,
mas n�o estavas t�o calma.
E que respondeste?
Que podia tentar, mas n�o deu.
Deram pela nossa entrada e mudaram de servidores.
J� cancelaram o contrato com a minha empresa.
E que mais podemos fazer?
Procurei informa��es sobre eles.
Est�o ligados aos snuff movies.
N�o eram um mito urbano?
Eram. Hist�rias sem nomes, nem datas, nem moradas.
At� ao ano de 2012.
O que aconteceu?
Peter Scully, um australiano, filmou nas Filipinas
a viola��o e homic�dio
de uma menina de 18 meses.
Chamou-lhe A Destrui��o de Daisy.
Comparavam a tortura com arrancar as p�talas de uma margarida.
O que fizeram ao v�deo?
Lan�aram-no na Dark Web.
Depois, fez mais v�deos,
como a viola��o e homic�dio
de uma menina de 11 anos. Para os f�s.
Filhos da puta!
Foi preso em 2015, com alguns colaboradores.
O que t�m que ver com isto?
Nada, mas, quando aparece um monstro, outros o seguem.
H� algo a que chamam red rooms, quartos vermelhos.
S�o v�deos em direto em que torturam,
violam e matam raparigas segundo as instru��es dos espetadores.
- Foi o que fizeram � Rebeca? - N�o.
Aquilo pareceu fortuito, um ato de raiva de um maluco.
As red rooms t�m um ritual
e as pessoas pagam fortunas para as ver
e participar.
Sei onde fizeram uma red room
e v�o fazer outra.
Eva.
Eva! Aonde foste?
Esqueceste-te do telefone. Estava preocupada.
Mataram a Rebeca.
Lamento.
Como descobriste?
Vi-os matarem-na na Dark Web.
Como encontraste a p�gina?
N�o quero falar disso.
O que � aquilo?
Eva, que raio fizeste?
Vamos recome�ar.
Para quem trabalhas?
J� lhe disse.
N�o sei.
Deixe-me ir. Juro que n�o sei nada.
Resposta errada.
Tens uma costela partida.
Se fizer for�a, atravessar� os pulm�es
e asfixiar�s no teu sangue.
N�o sei quem s�o nem para onde as levam.
Usam a minha foto para atrair as mi�das
e s� me ligam para ir ter com elas.
Ent�o, n�o falaste comigo.
S� vou ter com elas para que se sintam seguras
e, depois, entrego-lhas.
Para onde as levas?
Para onde as levas?
Para onde me mandam.
Esperam l� por mim, num carro.
Digo-lhes que � um primo que trabalha numa ag�ncia.
Depois, pagam-me. � s� isso.
S�o eles?
N�MERO PRIVADO
Talvez.
Sabes o que tens de dizer. S� natural.
Estou?
Suponho que ela esteja a ouvir.
Tenho de admitir que estou impressionado.
�s muito esperta.
Aquilo do hotel... surpreendeu-me.
Adoraria convidar-te para jantar.
� o L�rio?
N�o sei onde ouviste isso.
� s� um nome.
Ent�o, com quem falo?
O importante n�o � com quem falas,
mas com quem vai falar.
Sou a Yasmina. A rapariga que tiraste do hotel. Ajuda-me!
Por favor, ajuda-me! Por favor!
J� conheces a Yasmina.
� uma rapariga bonita.
Seria uma pena desperdi�ar tanta beleza, n�o achas?
O que quer?
Quando foste ao hotel,
levaste um disco e quero-o de volta.
Combinamos assim:
d�s-me o disco e o meu empregado
e eu dou-te a Yasmina.
Combinado.
Vemo-nos na Pra�a de San Froil�n.
Estar�o l� em...
... trinta minutos.
Mas, se me tentares enganar,
mato tamb�m a filha da Yasmina.
N�o queremos provocar uma trag�dia familiar.
Pois n�o?
S�o eles.
- Sim? - D� o disco ao Veiga.
Quando libertar o Veiga, liberta a Yasmina.
Combinado.
Vai.
Eva!
Eva, cuidado!
Chamem uma ambul�ncia.
Vais ficar bem.
A minha filha.
N�o fales. Estou aqui.
Yasmina, n�o.
Yasmina.
Yasmina.
Eva.
Eva.
Eva.
Mata-o, Eva.
Eva.
Eva.
Est�s bem?
Eva.
Mata-o.
Eva.
Mata-o.
Deixa-me ir, filho da puta!
- Socorro! - N�o grites.
Solta-me, cabr�o!
Mais calma?
Sabes quem ela �?
Uma...
Uma puta da Guarda Civil.
N�o fales assim dela!
Desculpa.
Desculpa.
Li o teu blogue.
Dizes que a Eva resolveu o caso de Muri�s.
Como sabes?
Ouvi dizer.
A minha colega de trabalho, a Marta, desapareceu.
E foi a Eva Mayo,
n�o a Rosa Vargas, que foi
fazer perguntas � bomba de gasolina.
Ent�o, n�o foi a Rosa que perdeu a D�ri.
Que te perguntou?
Muitas coisas.
A primeira coisa que perguntou foi
sobre um livro que a Marta estava a ler.
A Divina Com�dia.
A Divina Com�dia.
N�o me perguntou s� pela Marta.
Mostrou-me a foto de outra mulher que procurava.
Quem?
N�o disse.
Mas mentia, como todos eles.
Por isso, investiguei,
e ela procurava a irm�, a Margarita.
A Margarita.
Laura.
O que se passou?
Tem calma.
Dei-te um calmante.
Depois de matarem a Yasmina...
... tiveste um ataque de amn�sia. N�o sabia como te acalmar.
E tamb�m vi isto.
Porqu�, Eva?
N�o sei.
Foi durante uma amn�sia. Depois de ver a morte da Rebeca.
�s forte demais para fazer isso.
� evidente que n�o.
N�o sou perita nestas coisas,
mas � evidente que, nestes epis�dios, algo te controla.
- Sei muito bem o que fa�o. - N�o sabes.
N�o te queria mostrar isto,
mas acho que � melhor.
Foi um amigo pol�cia que me deu.
O qu�? N�o voltei � ag�ncia.
- N�o a matei. - N�o.
N�o �s tu.
N�o �s aquela pessoa nem aquela que se tentou matar. N�o, Eva.
�s a Eva que est� aqui, comigo.
Olha para mim.
�s a Eva que quero ajudar.
Tens algo dentro de ti que te obriga a fazer coisas horr�veis.
� a raz�o das amn�sias e das vis�es.
Diz, Carlos.
O nome que me deste: Eloi San Martin...
Foi dif�cil, mas encontrei o nome dele na Dark Web:
Milton67.
Milton67?
Ele n�o carrega material, s� o descarrega.
Mas h� algo estranho no f�rum do sadomasoquismo.
O qu�?
Gabou-se de ter ido a uma festa do L�rio
onde mataram uma mi�da.
Uma coelhinha.
O que trazes?
Toma.
O que sabes sobre o Assassino das Margaridas?
Vi-te na televis�o.
Canito, sabes algo ou n�o?
Sabes que sei sempre alguma coisa.
Ao in�cio,
diziam que era uma luta de rivais.
Os colombianos, os do Leste, os albaneses...
Mas depressa se demarcaram.
Ningu�m quer uma guerra.
Quem � o culpado?
S� uma pessoa.
Um maluco.
As pessoas est�o muito...
Porqu�?
� um pa�s de filhos da puta,
mas os filhos da puta agem com l�gica.
Os malucos s�o imprevis�veis.
O que sabes sobre as v�timas?
S�o do L�zaro?
Sim.
E n�o.
Como assim?
Trabalham para ele,
mas diz-se que tamb�m para outros.
Para quem?
S�o s� boatos.
Dizem que � um mito urbano.
Ningu�m sabe muito.
S�o muito discretos e implac�veis.
Mas, se lhes apareces no caminho
ou os chateias,
desapareces sem deixar rasto.
Quem est� por tr�s desse grupo?
N�o h� nomes.
S� uma alcunha.
O L�rio.
Porque me chamou?
Deixa-nos a s�s.
Tenho uma pele sens�vel.
Continua a p�r-me o creme.
Eu?
V�s outra pessoa?
Muito bem.
Muito bem.
Sei que falaste com a Pol�cia.
Vieram ter comigo.
E n�o lhes disse nada.
Ent�o, porque tens uma reuni�o com o juiz Moreiras?
N�o pares!
O que aconteceria,
se as pessoas soubessem
dos estranhos
apetites do herdeiro do Banco San Martin?
Ou pior,
que pensaria o teu filho?
Ou a tua fam�lia?
N�o ia dizer nada, juro-lhe.
Tra� o L�zaro por si, n�o foi?
Que mais tenho de fazer para provar a minha lealdade?
O teu trabalho com os n�meros � impec�vel.
Que o teu sil�ncio lhe fa�a honra.
J� que est� a falar do meu trabalho,
as transfer�ncias dos convidados est�o feitas.
S� falta a do carrasco.
�timo.
E...
Vi que h� uma vaga.
Se eu pudesse...
Depois do teu comportamento em Muri�s?
Est�vamos a divertir-nos, Fidel.
A mi�da j� estava mal, de certeza.
Desta vez, controlo-me.
Se n�o deixares de beber,
� o v�cio que te vai controlar.
Al�m disso,
estamos a preparar tudo,
mas a Pol�cia est� a rondar-nos.
E o Assassino das Margaridas j� matou dois de n�s.
Ter� sido o L�zaro?
N�o me parece.
Acho que o L�zaro n�o nos conhece.
Esses crimes
s�o trabalho de uma pessoa,
de um demente.
Continua.
Continua.
Segundo o inspetor Salgado,
conhece um grupo de empresas,
suas clientes,
que usam essa estrutura para lavar dinheiro
oriundo do tr�fico de mulheres e de prostitui��o.
Estou autorizado a dar tratamento preferencial a si e ao seu filho,
caso colabore com a justi�a.
V�, diga.
Pelo que sei, a minha empresa e as empresas com que trabalho
n�o est�o envolvidas nos assuntos que mencionou.
- Como pode... - Salgado, por favor.
Queria colaborar.
Sil�ncio, inspetor.
Vai manter esse depoimento?
Sim, Sr. Juiz.
Ent�o, termin�mos.
Aonde vai, inspetor?
Este filho da puta est� a mentir.
E tem forma legal de o fazer falar sem se meter em sarilhos
ou acabar com o caso?
Foi o que pensei.
Algo mais, inspetor?
N�o, Sr. Juiz.
Obrigado por me receber, Sr. Dobarro.
� um gosto receber um admirador da minha arte.
Onde viu a minha obra?
Em casa do juiz Moreiras. Um amigo.
Tem um quadro seu.
Conhece-o?
O juiz Moreiras...
N�o.
Como comprou ele o quadro?
Talvez numa exposi��o ou galeria.
Em que se inspira?
Em nada.
Imagino-as.
Os pormenores s�o extraordin�rios.
- Posso ver o quadro... - Sim.
Gosta?
Muito.
Como o posso comprar?
Este lote � para uma exposi��o de caridade.
Onde?
Na Funda��o Soror.
A inaugura��o � amanh�.
Aconselho-o a ir l�.
Irei.
Sim, irei.
Vamos, sorriam! S�mbet!
Est� pronta!
Ficou mesmo bem, depois de ir ao bate-chapas.
N�o foi muito mau.
Esta � especial. � de c�.
� verdade?
Sim, senhor.
Ensina �s escolhidas
o que t�m de fazer na festa.
E leva-as ao duche.
Tresandam.
Vamos ver a lebre.
As que n�o foram escolhidas n�o se preocupem.
Faremos uma festa nossa aqui.
�s a Rebeca?
Confia em mim.
Sou amiga da Eva Mayo.
Vamos sair daqui,
mas tens de me ajudar.
O Dobarro j� tem o quadro da lebre?
Sim. Onde � a festa deste ano?
Porque queres saber?
N�o sei.
Ou�o falar tanto delas, que gostava de ir.
Estas festas n�o s�o para pessoas como tu, Paulo.
Trabalhas para satisfazer os clientes,
mas n�o �s um deles.
Sem os v�deos, isto n�o resultaria.
Eu sei.
Mas lembra-te de quem te p�s aqui.
J� agora,
tenta ser mais delicado com a mi�da.
As pessoas pagam para estarem em bom estado.
Ol�, pequenina.
Tens uns olhos lindos.
N�o �s a Huichi.
Tens do que te queixar, idiota?
Vieste para obedecer!
Sim. Eu obede�o.
Tapa os olhos.
J�?
Quem manda?
Desculpa. Tu.
Nunca joguei este.
Nunca fizeste nada do que vamos fazer hoje.
Vamos! Hora do duche! D�suri!
Vamos!
Sei onde estamos.
E onde est� a Eva.
O que fazemos?
Avisa, se vier algu�m.
Est�s doida?
Paragem!
Paragem!
Merda! � a palavra de seguran�a que tenho com a Huichi.
Merda!
Pol�cia?
N�o quero ir!
Fazes outra e vais para os v�deos.
Ser escolhida para a festa n�o te d� carta branca.
- Conseguiste? - N�o.
N�o sou a Huichi.
E isto n�o � um jogo, Milton67.
Como sabes esse nome?
Agora, muda o jogo.
Eu pergunto e tu respondes.
Quem �s tu? Foi o L�zaro que te mandou?
Quem � o L�zaro?
N�o sabes?
Est�s sozinha?
Merda!
�s tu.
A maluca das margaridas!
N�o me fa�as mal, por favor!
Digo-te o que quiseres, mas n�o me mates, por favor!
� o que vamos ver.
Foste � festa de Muri�s?
- N�o. - N�o?
Sim! Fui!
Onde escondem as mi�das que levam �s festas?
N�o sei.
N�o sabes?
N�o!
Porra! N�o sei mesmo!
Nem sei como se chamam!
S� sei das empresas e das contas!
N�o das pessoas!
Mas vais �s festas.
S� fui a uma. N�o me deixam entrar
por ter incomodado outros clientes.
O que se passa l�?
H� v�rios n�veis.
No primeiro, h� bailarinas.
E empregadas de mesa.
Vestidas de coelhinhas.
Porque usam esses fatos?
Pela Ostara.
� o s�mbolo das tr�s lebres ou dos tr�s coelhos.
� a simbologia que usam.
E que mais?
Bebemos, drogamo-nos
e fazemos parvo�ces com as mi�das.
Se gostarmos de alguma,
vamos para o quarto e fazemos o que quisermos.
E depois?
H� outros jogos como este.
Ali n�o h� restri��es nem palavras de seguran�a.
E h� mais n�veis?
O n�vel tr�s.
O da lebre, o sacrif�cio.
S� uma pessoa sobe a esse n�vel.
Tu?
Nunca me deixaram ir.
Porque bebo demais.
E o que acontece?
� um sacrif�cio.
Morre uma pessoa.
Eva.
Eva.
Por que esperas?
Eva. Ele estava l�.
Merece morrer.
Merece morrer.
Mata-o, Eva.
Eva.
Mata-o.
Eva. Mata-o.
Eva.
Eva. Ele esteve l�.
Por que esperas? Merece morrer.
Ele esteve l�. Mata-o, Eva.
Merece morrer.
Merece morrer. Mata-o.
Mata-o.
Mata-o.
Merece morrer. Mata-o.
Eva.
Merece morrer.
Eva...
Merece morrer.
Morrer...
Mata-o.
Merece morrer.
Santa Margarida Alacoque. � esta.
Detestava queijo.
Mas Deus, como teste, pediu-lhe que comesse queijo.
E ela disse:
"Vit�ria ou morte!"
E comeu muito queijo at� quase rebentar.
At� quase rebentar.
E Deus,
como recompensa,
deu-lhe o dom de ver o que os outros n�o conseguiam ver.
Vis�es.
Como a do seu Sagrado Cora��o.
Eva, quem andar�s a salvar?
- Estou? - Sr. Amaro Mayo?
Sim.
Estou a ligar da contabilidade. Temos um problema com a sua pens�o.
Est� bem. Quando quiser, passe por c� e resolvemos isso.
Claro.
- Estou sempre em casa. J� sabe... - Para! Fora! Pai!
Para!
Pai!
Pai! Tira-a da minha cabe�a, por favor!
Por favor!
Tira-a da minha cabe�a!
Por favor!
Pai.
Por favor!
Tira-a da minha cabe�a!
- Por favor! - Eva!
Pai, por favor.
Por favor.
Se caminhas sozinha Caminharei contigo
Se j� n�o te tiver O que hei de fazer?
O que hei de fazer? O que hei de fazer?
Se j� n�o te tiver E o Sol estiver a nascer
Est� na hora de ir para cama
E tenho medo do terror
- A v�tima � Eloi San Martin. - Sim.
Fal�mos hoje.
Est� ligado aos outros.
Mais do que pensas. Esta casa � da Lidia Fernandez.
A prostituta do Cairo?
O San Martin era cliente dela.
Pois.
E faz dela a nossa principal suspeita.
J� a procuramos.
Fala com os vizinhos.
E v� a caixa do correio.
Vejamos o que descobrimos.
Espera.
Leva esta pasta aos Crimes Financeiros.
V� se encontram algo.
A terceira v�tima do Assassino das Margaridas?
Sim e n�o. Tem muito em comum, como viste,
mas a l�ngua da v�tima ainda est� no lugar.
E n�o h� margarida.
Um imitador?
N�o.
Copiaria a margarida.
E a v�tima est� ligada �s outras.
E isso a imprensa n�o sabe.
E ent�o?
N�o sei. Acho que � o mesmo assassino.
Mas algo o interrompeu.
Olha.
O que significa?
"Os que morreram."
Outro verso de A Divina Com�dia.
Diz que os vivos se devem afastar das almas dos mortos.
N�o se ouve nada.
Devem estar a dormir.
Como pensas sair?
Sei fazer com que as portas n�o fechem bem.
- Tem muito cuidado. - Sim.
AMOR
Fizemos a festa juntos.
O pai, a m�e, a Marga e eu.
Teria sido o dia mais feliz da minha vida, mas...
... a m�e teve o primeiro ataque.
Come�ou a gritar e a partir coisas como se n�o nos reconhecesse.
A Margarita estava muito assustada e eu tamb�m.
O pai raramente est� em casa.
Sentimo-nos perdidas sem a m�e.
Sempre foi o nosso anjo da guarda...
Anjo da guarda.
Ainda bem que me trouxe os pap�is.
Sem a pens�o, n�o saberia o que fazer.
- Acredita em anjos da guarda? - O qu�?
Acredita em anjos da guarda?
Bem... n�o sei.
Acho que n�o.
� crente?
Sou, sim.
A Igreja diz que existem.
N�o sei.
Passam-se tantas coisas, que � dif�cil acreditar em algumas.
Nunca se sabe.
Deus escreve direito por linhas tortas.
- Bom dia. - Bom dia, querida.
� o meu contabilista.
Muito prazer.
Ol�, m�e.
Est� com melhor ar, n�o �?
Cheg�mos agora de um passeio.
- Caf�? - S� um pouco.
Tinha uma cadela.
Gostava de a passear.
Gosta de c�es, Eva?
- Sim. - Queijo?
Obrigado.
Queijo?
N�o tenho fome.
Passou mal a noite.
N�o foi nada boa.
O que se passou?
N�o quero ser indiscreto.
Teve uma enxaqueca.
Mas j� est�s bem?
N�o a conhe�o, Eva, mas...
... parece muito forte.
Das que caem e voltam a levantar-se.
E n�o est� sozinha.
Nada � pior do que estar sozinho.
Estava na pasta do San Martin.
Uma lista de doa��es an�nimas � Funda��o Soror.
Ajudam as prostitutas a sair da rua.
A Funda��o Soror.
� a segunda vez que ou�o falar nela.
Olha para isto.
O valor � sempre o mesmo: 15 000 euros.
Mas todos t�m valor decimal diferente:
15 000,07, 15 000,23, 15 000,78...
Os decimais n�o se repetem.
Ser� um c�digo num�rico para identificar quem doa.
Tem de haver uma lista que relacione os c�digos com as identidades.
Mas n�o est� na pasta.
Est� bem.
Bom trabalho. Manda algu�m � funda��o.
V� o que sabem sobre as doa��es.
Tens o relat�rio dos homic�dios de ontem? O Abreu queria um resumo.
Ficou pronto ontem.
Foi o Garrido.
E?
Nada de interessante. O rapaz era um pregui�oso.
N�o trabalhava nem estudava.
- Mas movimentava muito dinheiro. - Droga.
Trabalhos por baixo da mesa.
A mi�da tinha uma filha.
Os servi�os sociais j� trataram disso.
O Garrido n�o disse mais nada.
Olha.
Ela recebia ajuda da Funda��o Soror.
Era prostituta?
Pode haver liga��o entre os casos.
E olha o que tinha na mala.
Champ� do Hotel Oslo.
Eles que se preparem.
Vou ligar ao juiz.
N�o posso parar um hotel como o Oslo
s� porque uma mi�da tinha champ� deles na mala.
N�o � uma mi�da.
� uma prostituta que pode ter que ver com o caso das margaridas.
Preciso de provas, n�o de suposi��es.
E como quer que traga provas, se n�o me deixa arranj�-las?
E se encontrar alguma coisa
e a defesa afastar as provas
por o mandado ter sido pedido � pressa?
D�-me um relat�rio detalhado,
com todos os dados, e ter� o mandado.
J� pode ser tarde demais.
Agora � imposs�vel.
Diga, Sr. Juiz.
O inspetor Salgado vai fazer buscas no Oslo.
Posso adiar quatro horas, mais n�o.
Esse pol�cia, o Salgado,
j� me come�a a chatear.
A mim tamb�m.
Paulo?
Tenho tudo pronto para gravar a mi�da.
Quando vai ser?
- Daqui a uma hora. - Tanto?
Tanto? Qual � a pressa?
A Pol�cia sabe alguma coisa.
Tens tr�s horas para desmontar tudo
e tirar da� as mi�das.
Roi, anda c�! Depressa!
O que se passa?
Nunca os vi t�o nervosos.
N�o sei.
Deixou o computador ligado.
Voltar�o em breve.
� a nossa �ltima oportunidade.
RAPARIGAS DO PA�S DAS MARAVILHAS
TELEFONE: MENSAGEM:
Filha da puta.
O que fazias aqui?
Nada.
N�o.
Eva.
Podes ficar aqui o tempo que quiseres.
Obrigada.
Lembras-te de ontem?
N�o.
Isto.
Que se passou?
Sei o que �, Eva.
Sei o que temos de fazer.
Foi assim que a m�e come�ou?
N�o vai ser igual.
Os medicamentos s�o melhores.
E tenho experi�ncia. Tratarei de ti.
Mas tens de me ajudar.
O que andas a fazer
n�o � bom.
Pai, eu...
O que aconteceu � Margarita...
Emprestei-lhe o carro e disse-lhe para fazer a viagem.
Porque eras uma boa irm�,
n�o tens culpa de ter encontrado aqueles bandidos.
Mas os bandidos ainda andam por a�.
A Pol�cia que os apanhe.
Ou que apodre�am na sua merda.
Esquece isso e deixa-nos tratar de ti.
J� perdi uma filha...
Desculpa.
SOU A HUICHI. A REBECA EST� VIVA. ESTAMOS PRESAS NA CAVE DO OSLO.
O que foi?
Tenho de ir.
N�o, por favor. Vais sair? Para qu�? Para ficares como ontem?
- N�o. - Pai, tenho de ir.
Eva.
Perdi a tua m�e assim. N�o te quero perder.
Sei o que fa�o. Deixa-me.
N�o. N�o sabes nada.
- Pai, deixa-me! - N�o.
Eva.
Se sa�res por essa porta...
CASTELO DA BRUXA VANESA - F�TIMA
Despacha-te com os v�deos.
Tenho de fazer mais uma grava��o.
Para! Por favor! N�o.
Por favor.
Por favor.
N�o.
Para. Por favor.
Vais pagar pelo que fizeste.
- Por favor. - Puta!
Est�s bem?
Eva.
- A Rebeca? - N�o sei.
J� a levaram.
Vem comigo.
- Sabes conduzir? - Sim.
Toma.
Leva esta caixa.
O meu carro est� l� fora, depois do pl�stico.
Liga � Laura.
� uma amiga. Vai ajudar-te.
- E tu? - Tenho de encontrar a Rebeca.
Vamos.
O que foi?
Conhe�o bem este tipo de quarto.
Que faz ali a menina?
Espera aqui.
Quando ela sair, leva-a para o meu carro.
Esperem l� por mim.
Se demorar mais de 15 minutos, vai-te embora.
Leva a menina � Pol�cia.
Sai. Depressa.
Vai.
Est�s doido?
Eva...
Sim.
Eva!
Paulo Rodriguez Sanchez, gerente do Hotel Oslo.
Sem facadas.
Os olhos foram esmagados.
� preciso ter muita for�a.
O quadro est� pronto?
Sim, j� vieram busc�-lo.
Deita esse fora.
Tens de pintar um novo.
Mando-te a foto por e-mail.
Reconhece-la?
Salvou-te?
O teu caso,
o do Assassino das Margaridas, est� fechado.
� boa altura para ires de f�rias.
O inspetor � que decide.
F�rias ou falamos de despedimento.
Pol�cia.
Sou o Amaro Mayo.
Liguei para denunciar
a Assassina das Margaridas.
Eva Mayo.
A minha filha.
Legendas: DINA ALMEIDA
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