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Original subtitles

Te machuquei?

N�o...

Est� com raiva de mim.

N�o.

Sua mulher n�o vai fazer perguntas?

N�o acredito.

�s vezes ela faz?

Voc� me ama, Julien?

Acho que sim.

N�o tem certeza?

Voc� passaria sua vida comigo?

Ela o mordia com frequ�ncia? Acontecia.

Quantas vezes?

S� nos encontramos oito vezes.

Oito vezes em um ano.

Onze meses. Sim, j� que tudo come�ou em setembro.

E quantas vezes ela te mordeu?

Talvez tr�s ou quatro.

Um em cada ato?

Creio que sim.

Sim.

N�o.

Ainda est� sangrando? Est� quase parando.

O que voc� dir� se ela perguntar?

Que dei uma pancada.

Uma janela que fechou com for�a.

No momento voc� n�o teve ideia nenhuma do que ela pretendia?

Hm?

N�o imaginou que ela estivesse agindo com algum objetivo em mente?

� verdade que gostaria de passar sua vida comigo?

Claro.

Tem tanta certeza assim?

N�o teria um pouco de medo?

Medo de qu�?

J� imaginou como passar�amos nossos dias?

Acabar�amos nos acostumando.

A qu�?

A n�s dois.

Nunca pensou na possibilidade de uma carta an�nima?

Ningu�m sabia.

Ela passava pela portinha da Rua Gambetta que d� nas escadas

e assim ela subia sem ser vista.

Voc� trabalha embaixo do quarto deles? Sim.

Empregada? Nunca chamavam.

Falta algu�m?

Quem?

Voc� n�o v�?

N�o � poss�vel que Esther... Por qu�?

Quando penso nos anos todos que perdi por sua culpa.

Culpa minha?

Quem � que foi embora? Eu?

Fala s�rio, Julien.

Se eu ganhasse minha liberdade eu te tornaria livre tamb�m.

Como?

� que nesse caso voc�...

Seu marido.

Est� atravessando a pra�a.

Est� vindo para c�?

Direto pra c�.

Com que cara ele est�? N�o sei.

Estava de costas para o sol.

Aonde voc� vai?

Nos conhecemos na adolesc�ncia. Pertenc�amos ao mesmo clube de atletismo.

Estou falando das suas rela��es sexuais com Esther Despierres.

Voc� as tinha antes? Antes de qu�?

Antes de ela se casar com seu amigo.

Nicholas n�o era meu amigo.

Seu colega, ent�o. Frequent�vamos a mesma escola, s� isso.

J� pensava nisso antes de ela se casar? Nunca me teria passado pela cabe�a.

Por qu�? Porque era alta demais.

Ademais, era filha do Dr. Herbreteau. N�o �ramos da mesma classe.

"Voc� gostaria de passar sua vida comigo?"

"Claro."

"Tem tanta certeza assim?"

"N�o teria medo?" "Um pouco, sim."

"Medo de qu�", eu perguntei.

"J� imaginou como passar�amos nossos dias?"

"Acabar�amos nos acostumando. A qu�? A n�s dois."

� o papai!

Sua boca est� inchada. Sim, dei uma pancada.

Onde? Num poste na rua.

M�e! Papai deu de cara num poste.

� verdade, Julien?

Est� vendo, n�o foi nada.

N�o sentiu calor? N�o muito.

Vou ler um neg�cio. J� volto.

Posso ir com voc�, papai? Claro.

Voltou a morar em St. Justin h� cerca de quatro anos?

Voltou a ter contato com ela?

Eu s� a via na farm�cia.

Em quatro anos deve t�-la visto frequentemente fora da farm�cia.

Algumas vezes, sim. Seu marido n�o dirigia por quest�es de sa�de.

Mas isso voc� j� sabe.

Dirigia a palavra a ele? Eu o cumprimentava.

De longe? De longe, de perto, dependia.

Frequentemente?

A vida � diferente quando se envelhece, quando n�o nos achamos mais babacas.

Conte-me como come�ou.

Que sorte que voc� passou, Julien.

J� tinham tanta intimidade? Desde a adolesc�ncia, sim.

Continue. Ela disse, "Pela primeira vez n�o tenho um macaco...

N�o tem problema, eu te ajudo.

Vai se atrasar.

Ora, no meu tipo de trabalho...

Conheceu sua mulher em Paris?

N�o, em Poitiers.

Ela � de Poitiers? De uma cidade pr�xima. Ela trabalhava l�.

Voc� gosta de louras?

Sempre me perguntei se as morenas te davam medo.

Por qu�?

Porque na �poca voc� beijava todas as meninas menos eu.

Sem d�vida, eu nem sonhava com isso.

Lembra-se da Louise Peyrroux, aquela que falava gritando?

Sim.

Voc� ficou atr�s dela durante meses.

Uma vez peguei voc�s. Atr�s do gin�sio?

Eu a odiei!

De noite, na cama, s� pensava em como faz�-la sofrer.

E descobriu? N�o.

S� rezava para que ela ficasse doente ou que um acidente a desfigurasse.

Este quinta-feira eu vou a Trient.

Eu sei.

Quem sabe...

n�o queira tentar me beijar uma vez?

Sim.

Vem.

Voc� quer?

Vem.

Nunca supus que ela fosse assim.

N�o existe resposta boa ou ruim.

Eu tinha para mim que ela era uma mulher fria...

altiva, uma est�tua.

Sr. Gahyde, do que exatamente voc� teve medo naquela noite?

Consideraria Nicholas como um homem violento?

N�o.

Se perguntou se ele estaria armado?

N�o, n�o pensei nisso.

Temia por voc�s dois? N�o.

A partir daquela noite n�o teve a sensa��o de t�-la perdido?

Quem, Esther?

Durante onze meses voc� viveu o que n�o seria exagero chamar-se uma paix�o.

N�o tem vontade de ir ao cinema?

Que dia � hoje?

Quinta-feira.

Ver o qu�?

N�o sei. Vamos?

Se voc� quer, sim.

Vou chamar a Sophie.

Ela � feia e m�.

Se n�o ficasse para cuidar de voc� voc� estaria sozinha em casa.

Eu n�o teria medo.

Sophie? Boa noite, � Delphine.

Sim.

Se puder vir logo... queremos ir ao cinema.

Um sorriso muito discreto que mal afastava os l�bios...

como se se esfor�asse para guard�-lo dentro de si.

O que o seduziu nela?

Mais palavras... Nunca me perguntei.

Voc� a amava?

Sentia vontade de transar com ela? Voc� a desejava?

Claro que sim, j� que me casei com ela.

E ela, te amava? N�o sei. Acho que sim.

Embora pretendesse, nunca chegou a pedir div�rcio. Nunca!

Entretanto disse � sua amante... N�o disse nada, ela est� mentindo.

Ela estava nua na cama, eu nu diante do espelho...

t�nhamos acabado de...

enfim sabe t�o bem quanto eu que nesses momentos n�o escolhemos palavras...

apenas escutava o que dizia, respondia sim ou n�o com a cabe�a...

pensando em outra coisa.

Em qu�, por exemplo?

N�o sei.

Ela foi guardar os lugares e eu segui para estacionar o carro.

Boa noite. Boa noite.

Queria lhe pagar pelo minibar h� pouco mas n�o tive tempo.

Ora, isso podia esperar. Prefiro assim.

Aqui est�. O senhor j� pagou a consuma��o no terra�o.

Nada mais? N�o.

Obrigado.

Telefonista?

Al�? O n�mero que deseja � 678-9866?

DDD? Sim.

Ele vai dar sumi�o em voc�. Est� com uma arma apontada pra voc�.

Se ele ainda n�o te pegou o Kennedy acaba pegando.

Becky, o que est� acontecendo?

Seu pai acabou de ligar... N�o entre em p�nico. Me diga apenas...

Okay... Meu telefone est� grampeado...

N�o se preocupe. N�o tem problema.

Voc� me ama, Julien?

Sim.

N�o vai ter medo?

N�o sei.

Voc� � t�o bonito. Faria amor com voc� em pra�a p�blica.

Julien...

n�o acha que a Suzanne est� meio p�lida ultimamente?

Sim. Encontrei o Dr. Gelbard hoje � tarde na farm�cia.

Ele disse que uma mudan�a de ares lhe faria bem.

Pod�amos ir s�bado.

Acha que ser� poss�vel?

J� estamos em agosto. Deve estar tudo tomado.

Por que n�o aquele hotel em Sables D'Olonne, voc� se lembra?

Les Roches Noires.

Telefonarei amanh�.

Como sempre, voc� ainda vai ver se Suzanne est� respirando.

Eu sei.

Quando estou em casa tenho a sensa��o de que a protejo.

Enfim, que n�s a protegemos.

Boa noite, Julien.

Boa noite.

O que me pergunto, Sr. Gahyde, � se ao propor essas f�rias � sua mulher...

Ela acabara de falar da palidez de Suzanne. Eu sei.

E aproveitou a ocasi�o para dar uma de bom marido...

bom pai de fam�lia.

O que acha dessa explica��o?

� falsa.

Ainda insiste que sua inten��o era afastar-se de sua amante.

Mais ou menos.

Tinha-se decidido a n�o v�-la mais.

N�o tinha nenhum plano espec�fico.

Nunca mais a viu na sacada?

N�o.

Ela n�o fez mais nenhum sinal?

N�o sei, j� que eu evitava de passar pela farm�cia.

E tudo isso s� porque uma tarde viu seu marido saindo da esta��o.

� a �nica mulher, conforme afirmou,

com quem conheceu a plenitude do amor f�sico.

Se me recordo bem, voc� disse...

uma verdadeira...

revela��o.

Suzanne, n�o se mexa. N�o se mexa!

N�o se mexa... Pronto, ela j� foi embora.

Pronto, tudo bem?

Olha...

Sim, � bonito.

Tem certeza de que n�o voltou por causa da Esther?

Outra vez?

Fui indicado pelo escrit�rio para defend�-lo mas ainda n�o tive acesso ao seu processo.

Assim sendo, n�o acha que Nicholas Despierres

possa de alguma forma ter comprado a Esther

ou que sua m�e a tenha comprado para ele?

Pode ser.

Ressentia-se de Nicholas Despierres ser rico?

S� porque seus pais lhe deram uma moto pelos 14 anos?

Est� pensando em qu�?

Em voc�.

No que est� pensando?

Da sorte de ter te conhecido.

� viciado, Sr. Gahyde?

Depende do que entende por viciado.

Trabalhei doze anos para comprar uma moto.

Me pergunto se o fato de ter deixado a regi�o durante 15 anos

n�o serviu para criar ra�zes no estrangeiro.

Seu pai n�o era nenhum jovem quando voc� nasceu.

Quarenta e tr�s anos.

Voc� � o mais velho? Sim, depois veio minha irm�, Agn�s.

Ela mora por aqui? N�o, morreu ainda beb�, minha m�e tamb�m.

Quantos anos voc� tinha? Sete anos.

Seu pai te criou? Sim.

N�o vai interrog�-lo?

Pode descobrir alguma coisa.

Ver� que n�o sou louco.

N�o sou louco.

Isso nunca foi cogitado.

Por que est� me interrogando pela sexta ou s�tima vez?

Porque os jornais se referem a mim como um monstro?

Obrigado. Muito obrigado.

A prop�sito desse sinal.

Quem teve a ideia?

Ela. J� lhe disse, senhor juiz.

Uma toalha?

�s quintas-feiras, quando podia me encontrar, ela colocava uma toalha para secar na janela.

Dessa forma, toda quinta-feira de manh�...

Eu passava pela farm�cia.

Bom dia, Sr. Juiz. Bom dia.

Perdoe o atraso.

Podem tirar as algemas, por favor.

Pode trazer o processo, por favor. Sim, vou peg�-lo.

Pode se sentar.

Est� com sede?

N�o, obrigado.

Bem...

Podemos come�ar, senhora escriv�.

Sua vez.

Suzanne.

Suzanne, acorda.

Por que voc� virou? A rua est� em obras.

O Sr. Dupuis ligou. Pediu que retorne a liga��o.

Sim. At� logo.

Diga que ligo amanh�. Falou.

�s onze horas.

Julien Gahyde, a/c Agri-Tech Les Varrennes

Est� tudo bem. N�o tenha medo.

Vai encomendar mais? Sim, em breve...

Podemos dar um jeito, Sr. Vergnier.

Porque se n�o aproveitar a esta��o... Pode deixar, tudo bem.

Voc� voltou de Sables...

com sua mulher e sua filha em 17 de agosto.

Na quinta-feira seguinte...

teve um encontro �s 10 da manh� com um Felix Hurlot,

secret�rio de uma cooperativa agr�cola.

Almo�ou com ele...

e preferiu passar por Montigny

para comprar aspirina e soro fisiol�gico.

Tudo para evitar encontrar-se cara a cara com sua amante.

N�o me lembro se era feriado, estou confuso.

Diga l�, est� falando s�rio?

Sim, mas acho que n�o � o momento, n�o?

Garcia...

Garcia, est� pretendendo comprar a regi�o toda, �?

Daria para dizer que decidiu nunca mais rev�-la?

N�o se trata de decis�es.

Talvez porque tivesse not�cias dela por outro meio?

Que pe�a � essa, Senhor Juiz? D-86.

N�o recebi not�cias dela.

Dez de outubro.

Est� vendo aquilo l�? � o que colhemos hoje.

J� t�nhamos avisado, agora teremos que levar... Mas a colheita n�o deu nada...

perdemos tudo, o cr�dito... Por favor, n�o me fale em cr�dito.

As m�quinas tamb�m foram compradas a cr�dito. Qual �, vamos ficar sem sa�da.

Qual � o problema, voc�s t�m seguro! Chega!

Breve. Te amo.

Breve. Te amo.

N�o guardou nenhuma lembran�a da terceira carta tampouco?

Imagino que tenha queimado esse bilhete assim como os seguintes.

Aprender a lista de palavras para se preparar para o ditado.

E quais s�o as palavras?

Orgulhosa...

Consegui dar uma fugida.

Uma igreja, um caminho, em volta...

J� ia pegar os doces.

Um cachorro...

enfermeiro, pesado...

Lembra-se do que fez no dia 31 de outubro?

Foi pra casa e jantou. Depois assistiu � televis�o.

� o que afirmou ao Capit�o de Pol�cia.

E fui dormir na mesma hora que minha mulher.

Confirma isso? Sim.

E reafirma que n�o sabia do que se passava a menos de tr�s quil�metros dali.

Como poderia saber?

As cartas.

Esqueceu das cartas, Sr. Gahyde?

O senhor nega, mas eu me lembro.

Vamos, papai.

As do primeiro andar tamb�m estavam fechadas?

N�o sei, n�o olhei para cima.

Sua indiferen�a n�o significaria...

que tivesse dado por terminado seu relacionamento com Esther Despierres ?

Pode ser.

Mas talvez n�o tenha olhado para cima porque j� soubesse, n�o?

Eu n�o sabia.

N�o percebeu o olhar dos outros clientes?

N�o.

Quando ent�o soube da morte de Nicholas Despierres?

Eis o depoimento de Didier Chaline, seu vizinho mais pr�ximo.

Ele afirma que lhe contou... que alguns dias ele o via chegar...

Deve ter hist�ria por tr�s, hm?

Sim? Estou num interrogat�rio.

N�mero 1243? Acho que � 13 de maio, espera...

J� vou te confirmar...

Sim, � isso, 13 de maio.

� bom n�o prolongar...

S�o muitos, e a v�tima tem menos de 15 anos.

A gente se fala.

Me desculpe, Sr. Gahyde.

N�o tem de qu�.

Onde est�vamos? Ah, sim.

Mam�e! O mo�o da farm�cia morreu.

Qual foi a rea��o de sua mulher?

Nada de especial. Virou-se para mim e disse...

� verdade, Julien?

Foi ele que me atendeu anteontem.

Eu vou ao enterro?

Crian�a n�o vai a enterro.

N�o � justo!

Aceita uma �gua?

Obrigado.

E n�o procurou saber em que circunst�ncias Nicholas morrera?

Ele j� tinha sido hospitalizado.

Quando voltou todos sabiam que estava doente.

O senhor sabia que nessa noite o Dr. Gelbard estava excepcionalmente ausente de St. Justin?

N�o.

Ele tamb�m cuidava da sua fam�lia. Sim.

Ent�o sabia que raramente ele se ausentava.

Na v�spera ele fora � farm�cia para avisar Nicholas da sua aus�ncia.

Isso lhe diz alguma coisa?

A m�e de Nicholas, Madame. Despierres...

declara ter visitado seu filho �s 8:30 da noite de 31 de outubro, tendo ficado para jantar.

Esther lavou a lou�a e se retirou dizendo estar gripada.

�s tr�s da madrugada, sua amiga Esther... O termo � tendencioso.

�s tr�s da madrugada, Esther Despierres ligou para o Dr. Gelbard

como que esquecendo-se da sua aus�ncia...

Em vez de ligar para emerg�ncia, foi de camisola falar com sua sogra...

e quando as duas entraram no quarto Nicholas estava morto.

Mme. Despierre achou desnecess�rio chamar um m�dico desconhecido

e somente �s 11:30 da manh� seguinte o Dr. Gelbard chegou � cabeceira de Nicholas.

Dados os antecedentes, ele apenas o examinou antes de assinar a licen�a para enterrar.

Tem alguma coisa a declarar a esse respeito?

A investiga��o confirmou a aus�ncia do m�dico naquela noite.

Uma aus�ncia providencial para quem quisesse se livrar do farmac�utico...

fazendo parecer que morrera em decorr�ncia de uma de suas crises.

Pedido de autoriza��o para enterro. O abaixo-assinado Pierre Gelbard....

No funeral, voc�s eram t�o associados um ao outro

que todos os observavam.

E olhavam para sua esposa com d�.

Francamente, St. Gahyde...

acha que sua mulher estava menos bem informada que os outros?

Ou que, como os outros, n�o esperava alguma coisa?

Bem...

Ap�s a morte de Nicholas Despierres...

a farm�cia, os bens passaram para as duas mulheres.

Deu o que falar em St. Justin.

Escutem isso!

O corpo de Nicholas Despierre mal esfriou

que as duas mulheres disputam sua heran�a.

Estava ciente de um processo entre Esther e sua sogra?

Ouvi umas conversas.

Suponhamos que sua mulher soubesse do seu relacionamento com Esther Despierres.

Teria falado com ela?

Talvez n�o.

Muita gente esperava v�-los juntos em St. Justin.

A decis�o dependia de Esther.

A decis�o de Esther dependia da sua.

Isso levou tempo.

Mas n�o falemos nisso.

Bem, vamos indo.

Boas festas, Emmanuel.

At� logo. Tchau.

Aproveite bem.

Ah, Sr. Gahyde, sua correspond�ncia. Obrigado.

Boas festas. Obrigado, boas festas, at� mais.

Feliz Ano Novo Nosso

Feliz ano novo, Delphine.

Feliz ano novo, Julien.

Sua Vez.

Aqui est� o depoimento de Pierre Marchal, seu carteiro.

Alguma not�cia ruim, Julien?

Nunca o tinha visto assim.

Dir-se-ia um homem que acabara de ser condenado � morte.

Ele me olhava mas n�o sei se me via.

Depois saiu apressado deixando a porta aberta.

Lerei agora o depoimento da empregada do Auberge des Quatre Vents.

Ele pediu algo para beber

olhou o rel�gio e saiu ao meio-dia.

Grandbois telefonou. Estava te procurando.

Estava ocupado. N�o pude ir v�-lo.

Est� zangada comigo, Delphine? Por qu�?

Voc� n�o diz nada.

Prefiro te ver feliz.

Por que acha que n�o sou, � isso?

Tenho a melhor das esposas, uma filha parecida com voc� e que eu adoro...

uma bela casa, os neg�cios de vento em popa...

Sou o mais feliz dos homens, Delphine,

e quem disser o contr�rio est� mentindo!

Voc� recebeu essas cartas?

N�o.

Por favor.

Bom dia, Julien.

Podem tirar as algemas.

Senhor Juiz, n�o estava previsto um acareamento...

Por favor, doutor, pegue uma cadeira e sente-se.

Julien...

Conhece esse objeto, Mme. Despierres?

J� respondi que sim.

Trata-se de sua agenda do ano passado.

Confirma que as datas dos seus encontros com Julien Gahyde est�o sublinhadas?

Sim.

Mas a data 4 de setembro...

vejo aqui uma cruz.

Pode nos dizer o que significa?

� a data da minha primeira carta.

Pode precisar a quem escreveu nesse dia?

Para Julien, naturalmente. Por que raz�o?

Depois que meu marido voltou de Trient eu sabia que ele desconfiava.

Ent�o n�o fazia nenhum sinal combinado. N�o.

N�o queria que Julien continuasse se confundindo.

Lembra-se do que escreveu?

Sim. "Est� tudo bem." Depois eu acrescentei, "N�o tenha medo."

Continua negando, Sr. Gahyde?

Continuemos.

Ele tinha mudado de opini�o h� pouco.

A segunda cruz. Vinte e cinco de setembro.

O que dizia essa segunda carta? Essas cartas nunca foram encontradas.

Essas afirma��es s� comprometem quem as enuncia.

Por favor.

Era apenas, "Bom dia. Eu n�o esque�o. Te amo."

Observe-se que nas suas pr�prias palavras n�o escreveu "Eu n�o TE esque�o."?

N�o, "Eu n�o esque�o."

E o que voc� "n�o esquece"?

Tudo.

Nosso amor, nossas promessas.

Cita��o 287 de dez de outubro.

Vinte dias antes da morte de seu marido.

Num interrogat�rio anterior voc� fornecera o conte�do de uma terceira carta.

"Breve. Te amo."

O que entende por "Breve"?

Que em breve poder�amos voltar a nos encontrar.

Por qu�? Nicholas estava menos desconfiado.

N�o seria por saber que ele n�o tinha muito tempo de vida?

Eu... Ela j� respondeu a essa pergunta.

Eu j� respondi a essa pergunta.

Responda de novo.

Sabe que Nicholas estava muito doente.

Tanto podia viver muitos anos quanto morrer subitamente.

O Dr. Gelbard havia repetido para sua m�e alguns dias antes...

Quando? Durante um mal-estar.

O mal-estar era cada vez mais frequente, seu est�mago j� n�o suportava mais o tratamento...

ele estava emagrecendo...

parou at� de lutar.

Da �ltima vez perguntei-lhe o significado do pequeno c�rculo que vejo em cada m�s.

J� respondi que marcava com um c�rculo a data das minhas regras.

Quando transava com Mme. Despierres n�o tomava as precau��es habituais...

que tomava com outras mulheres?

e que Mme. Despierres, por sua vez, tamb�m n�o tomava?

Gra�as ao pequeno c�rculo.

Bem...

Continuemos.

Vinte e nove de dezembro.

"Feliz ano novo nosso." Que quer dizer.

Estava ansiosa e esperava que esse ano fosse nosso.

Quer dizer que estava livre?

Esqueceu que Nicholas tinha morrido?

E que, nesse caso, n�o havia mais obst�culo para que...

esse ano que come�ava fosse de voc�s, seu e de Julien Gahyde.

Sim.

Sobra-nos uma carta, Mme. Despierres.

"Sua vez."

Pode nos explicar o mais exatamente poss�vel o que quer dizer com isso?

N�o acha suficientemente claro?

Eu estava livre, como o senhor mesmo disse.

E novamente colocou a toalha na janela ap�s a morte de seu marido.

Uma vez.

Seu amante apareceu no encontro?

N�o.

Pode continuar.

Eu me despi, como de costume.

Estava persuadida de que viria.

Tinha falado com ele?

Se tivesse falado n�o me teria despido.

N�o havia nada para os dois discutirem?

Discutir o qu�?

Dentre outras coisas, alguma forma de ele mesmo se liberar.

O que haveria de t�o extraordin�rio? Todo mundo se divorcia.

N�s nos amamos.

Se me casei com Nicholas foi porque voc� desapareceu.

Mas assim que nos reencontramos percebemos que nos pertenc�amos.

Ent�o, quando escreveu "Sua vez",

tinha em mente...

Que eu o esperava, que era sua vez de fazer o necess�rio.

Pedir o div�rcio?

Sim.

E a mulher dele?

Ela n�o iria chorar por muito tempo.

Como sabe? Ela n�o amava seu marido?

N�o como eu.

Mulheres assim n�o s�o capazes de amar de verdade.

E sua filha?

Justamente. Ela se consolaria com sua filha.

Retirem a Mme. Despierres.

Tudo bem, pode solt�-lo.

Bom dia.

Bom dia, Christelle. Que chuvarada.

D� at� pra cheirar.

Conseguiu descansar um pouco?

Um pouco, sim.

Pode mandar subir o Sr. Gahyde. Muito bem.

� a escriv� do Dr. Guillaume, podem trazer o Sr. Gahyde, por favor?

Obrigada.

Bem...

Esqueceu o cabide na janela, senhor juiz.

Ah... obrigado, Christelle.

Minha camisa...

Delphine Gahyde 6 - Ameixas

Pode entrar.

Boa tarde.

Pode retirar as algemas.

Como est� indo sua deten��o?

Bem...

Aproveitei o fim de semana para dar rever o processo.

De cabo a rabo.

Dia 17 de fevereiro.

Diga-me, o mais detalhadamente que puder, como passou esse dia.

Minha mulher acordou na hora de sempre.

E voc�?

Eu tamb�m, �s 6:30.

Tomaram caf� da manh� juntos? Sim.

Acordou sua filha, tomou um banho e escolheu seu melhor terno.

Para meu encontro com Garcia. Sim. Falaremos dele mais tarde.

E depois?

Acho que j� disse. Entrei no carro...

minha mulher tinha pedido que pegasse os rem�dios para o exame de Suzanne...

na farm�cia.

Ela ainda n�o estava vestida. Seria mais pr�tico.

Fazia muito tempo que n�o ia l�?

Dois meses, ap�s o enterro.

Como voc� se sentia? Constrangido.

Nunca mais voltara desde a �ltima carta?

A que continha duas palavras: "Sua vez."

N�o.

Quem estava na farm�cia quando entrou?

Lembro-me de um garoto, uma irm� do Tertre e uma senhora.

A m�e de Nicholas estava?

N�o a vi.

E?

Ela logo me perguntou,

"O que voc� deseja, Julien?"

Eu lhe entreguei a receita...

ele foi pegar os rem�dios nas prateleiras e me disse...

"Espere um pouco que acabamos de receber...

os doces de ameixa que sua mulher pediu h� 15 dias."

Ela sumiu nas fundos da loja e depois apareceu com uma caixa de papel�o

igual �s que costumavam entregar em nossa casa.

Esther Despierres estava comovida?

Eu evitei de olhar para ela.

Ela n�o disse nada?

N�o... Sim, quando abri a porta ela disse, "Bom dia, Julien."

Foi um dia como qualquer outro.

Ent�o quer dizer que...

foi sua mulher que, muito excepcionalmente, lhe pediu que fosse buscar os rem�dios...

e, por acaso, um certo doce de ameixa, que apenas sua mulher comeu,

havia chegado para ela na farm�cia?

Era receita de umas senhoras amigas da m�e de Nicholas.

Delphine comprava �s vezes.

E o carteiro Manine observou que naquela tarde voc� foi ao dep�sito do Fedex.

Eu tinha que retirar uma pe�a... Que pe�a?

Um cabo de transmiss�o.

Voc� estacionou encostado ao muro do entreposto...

onde n�o podia ser visto, nenhuma janela, nenhuma porta...

Se estivesse l� veria que � o local mais l�gico.

Quanto tempo ficou l�?

N�o marquei o tempo...

O zelador afirma...

"Lembro-me bem de v�-lo sair do seu escrit�rio em dire��o ao carro

estacionado atr�s do pr�dio,

e achei que ele demorou para dar partida e sair, cerca de dez minutos.

Sim, pois precisei checar se a pe�a estava em boas condi��es.

� frequente virem com defeito. Abriu a embalagem?

Sim. Dentro do carro?

Dentro da mala. S� essa embalagem?

Sim. Onde n�o podia ser visto.

Continuemos.

Como que por acaso voc� passou pela sua casa...

para deixar as compras...

disse que sua mulher estava trabalhando no escrit�rio...

Voc� a beijou antes de sair?

N�o.

E depois?

Depois voc� j� sabe que peguei a estrada para Poitiers para meu encontro com Garcia.

E n�o falou desse encontro com... Com minha mulher? N�o!

Me explique isso.

Para mim era como jogar cara ou coroa.

Jogar seu futuro e o de sua fam�lia na cara ou coroa?

Sim, se Garcia aceitasse eu venderia.

Se n�o aceitasse eu ficaria.

Disse que queria fazer as contas

ent�o eu apresentei as sucursais, minha clientela

e talvez minha casa.

Ele se interessou?

Pediu uma semana para pensar.

Quais eram seus planos se Garcia aceitasse?

Me mudar daqui.

Voltou direto para St. Justin?

Dirigi r�pido, devo ter levado menos de uma hora.

De longe voc� viu as luzes...

Todas as luzes estavam acesas dentro de casa.

O que nunca acontecia.

No que voc� pensou?

Na minha filha.

N�o na sua mulher?

Na minha cabe�a minha filha era mais fr�gil.

Parou seu carro a uns vinte metros da casa?

Estava cheio de gente l� dentro, os vizinhos...

Precisou afast�-los?

Tentei empurrar...

tentei empurrar a porta que se abriu sozinha e...

um policial me recebeu e me levou para a sala...

"Onde est� minha mulher?"

Onde est� minha filha?

Sua carteira de identidade. Sim.

Onde est� minha mulher? E minha filha?

Onde voc� estava?

De onde voc� est� vindo? De Poitiers.

Por que n�o atendeu seu celular? A que horas?

De tarde. N�o... Onde est�o minha mulher e minha filha?

Calma... sua filha est� com uma vizinha.

Confirma que foi voc� quem trouxe os doces?

...examinar com a mais escrupulosa aten��o

as acusa��es feitas contra os dois...

Gahyde, Julien...

data e local de nascimento.

25 de outubro de 1969, em Trient.

Nome dos seus pais?

Pierre Gahyde... ...e Odette Groutoux.

Qual era sua profiss�o � �poca do evento? Farmac�utica.

comerciante de m�quinas agr�colas.

Obrigado. Sentem-se.

Achei que era perfeitamente natural, que fora simplesmente morte s�bita...

Acredito que 98% dos m�dicos,

nesses circunst�ncias e conhecendo seu hist�rico,

teriam agido da mesma forma.

A senhora trabalhava no Chambres Bleues? Sim...

nesse dia eu estava arrumando um quarto e...

n�o tinha muito o que fazer.

� simples, h� quatro anos Julien mora na regi�o...

aparentemente tinha se dado bem na vida...

com seu neg�cio de merda...

E eu, senhor juiz... considero ele um criminoso

Dir-se-ia um homem que acabara de ser condenado � morte.

Ele me olhava mas acho... J� viu muita gente que...

Pe�o que n�o interrompa o depoimento.

Ter� todo o tempo necess�rio para fazer perguntas assim que ele terminar.

Um chefe de empresa que recebe uma carta e some com ela...

s� pode ser carta da URSSAF!

Era um patr�o muito respeitoso com seus empregados...

trabalhava muito, at� tarde da noite.

Geralmente a entrega � feita pela frente

mas ele quis faz�-la pelos fundos.

Vi-o colocar o pacote no carro.

Ele demorou muito tempo?

N�o fiquei olhando, mas demorou alguns minutos, sim....

O celular de Julien estava aberto, fechado...

N�o me lembro. Estava desligado.

A essa hora est�vamos nos sentando � mesa.

Senhora Promotora... Sim?

Como o senhor alocava o quarto j� que n�o encontramos nenhum registro...

Era pago em dinheiro, est� anotado na contabilidade...

Muito bem. Obrigada.

Eu estava em Trient fazendo compras e vi...

a senhora da farm�cia entrando pela porta dos fundos do Hotel de la Gare.

Por favor, fique em p� ali...

Nesse caso tivemos que trabalhas com as v�sceras.

Portanto, certamente ele soube da aut�psia e da exuma��o do corpo de Nicholas Despierres.

Quanto ao cabelo, � uma an�lise que fazemos rotineiramente nos nossos laborat�rios.

Percebem que � similar, a dose normal � de 5 nanogramas por grama e temos 7.

Por isso, repito uma �ltima vez...

deu positivo.

Chegamos � conclus�o, pelo menos para o nosso laborat�rio fica claro...

um envenenamento do tipo digit�lico.

Neste processo, � imposs�vel uma conclus�o formal de envenenamento.

N�o dispomos de elementos...

para sustentar essa hip�tese.

Boa tarde, madame. Boa tarde, Senhor Presidente.

Identifique-se, por favor.

Despierres, �vine, nasci em 13 junho de 1953 em St. Justin...

sou farmac�utica e moro em St. Justin em cima da farm�cia.

Muito bem.

No princ�pio a senhora n�o se opunha ao casamento de Nicholas com Esther.

N�o, Mas na verdade nunca encorajei meu filho a casar-se com ela.

Ela s� pensava em nosso dinheiro, sabia que ele n�o viveria muito...

e quando arranjou um amante... Qual foi sua rea��o...

ao ver seu filho morto?

Eu sabia que n�o fora v�tima de uma das suas crises...

e que tinha dedo de sua mulher.

Bem entendido, a senhora n�o tem provas.

N�o.

Esperei que sua mulher acabasse fornecendo-as.

O que acabou acontecendo, n�o?

Fale-nos do pacote contendo os potes de doce.

Quem o recebeu na loja?

Fui eu, creio que na v�spera, dia 16 e...

foi Brigitte que o trouxe para mim.

A senhora o abriu?

N�o. J� sabia o que havia dentro. Coloquei-o na dispensa.

Na manh� de 17 de fevereiro, a que horas chegou � farm�cia?

�s oito, como sempre.

A senhora viu o pacote? Sim.

Ainda estava no mesmo lugar.

Ainda empacotados? Sim.

A fita adesiva intacta?

Sim.

Obrigado, madame.

Obrigada, Senhor Presidente.

Bom dia, Julien.

...fala-se em pacto de assassinato, n�o sei o que � um pacto de assassinato...

n�o podem saber se foi pacto de assassinato...

N�o sei se o objetivo foi mudado, mas tudo fazia parte de um plano...

A lei n�o cobra nada do amor...

e sim do respeito � vida, � integridade e dignidade do ser humano.

Condenaremos ent�o Julien Gahyde pelo envenenamento de sua esposa...

com circunst�ncia agravante de...

Eu n�o envenenei meu marido.

Mas talvez o tivesse feito se ele custasse a morrer.

Amei Julien e o amo ainda.

(N�s nos amamos.) A Promotora talvez esteja usando de ret�rica...

ao citar �peras conhecidas...

e finalmente dizendo n�o ser o amor que estar�o julgando...

Com certeza n�o � o amor que julgar�o!

� um homem que devem julgar.

V�-mo lo ali...

Escreveu "Sua vez", o que significa isso?

Bem entendido, a segunda hip�tese...

...que eu te amo... Vejam aquele homem ali...

Suas informa��es s�o contradit�rias...

� verdade que gostaria de passar sua vida comigo?

Claro.

Tem tanta certeza assim?

N�o teria um pouco de medo?

Medo de qu�?

Voc� imagina como passar�amos nossos dias?

Acabar�amos nos acostumando. A qu�?

A n�s dois.

...ap�s delibera��o em conjunto e em sistema de vota��o secreta...

os jurados chegaram ao seguinte veredito:

� r�, Esther Despierres...

e ao r�u, Julien Gahyde...

pena de pris�o perp�tua.

Est� vendo, Julien? Eles n�o nos separaram.

Legendas: Lu�s Filipe Bernardes.

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