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No final do s�culo XX, o telefone do idiota tocou.
ATEN��O � DIREITA
Ele terminou o trabalho...
est� prestes a passar uma calma tarde...
como ainda � poss�vel em algumas partes remotas da Europa,
perdidas entre as florestas da Alemanha
e os lagos da It�lia.
� ent�o que o telefone toca... apenas ent�o!
� algu�m estranho: uma voz educada, mas imponente.
Em tempo, v�o perdoar os muitos pecados do idiota,
mas ele tem que agir r�pido: inventar uma hist�ria,
filmar e entregar a pel�cula
no final da tarde. O filme deve ser distribu�do naquela noite!
Um carro estar� esperando na garagem do vale,
e uma passagem de avi�o no aeroporto local.
UM LUGAR NA TERRA Somente nestes termos...
UM LUGAR NA TERRA o idiota ser� perdoado.
Estamos esperando voc�, Pr�ncipe!
Vai para Wimbledom?
Vai para Wimbledom, Pr�ncipe?
Wimbledom nos bons e velhos tempos!
N�o � t�o ruim agora.
Hoje em dia, �...
Certo, vamos!
N�o toque em nada!
Venha aqui!
R�pido, idiota!
A�! Fique direito!
Volte!
Abaixe-se! A�, agora venha aqui!
Claro... como quiser!
- Cretino! - � assim mesmo!
Imbecil!
"� assim mesmo..."
Eu vou sozinho!
NA TERRA N�o, por favor! N�o.
NA TERRA Saia do meu caminho!
Isso � lindo!
Brilha!
Lindo! � caro?
N�o sei, senhora.
Tem algo dentro?
O Homem tem esperado h� eras.
E ele se pergunta, sim, se pergunta...
se h� diferen�a...
A morte � o caminho para a luz.
Voc� pode se esconder, mas sabe quando volta...
Quer dizer, volta de algo parecido.
M�sica, talvez.
O que acontece depois � de muito tempo atr�s.
Agora n�o consigo ajeitar a bateria!
Merda!
Ele est� aqui!
Quem?
O Indiv�duo.
O Homem est� esperando h� eras.
E ele se pergunta se h� diferen�a...
entre o Idiota, o Indiv�duo,
e ele, o Homem.
Voc� � franc�s?
Nem um pouco!
Voc� inventou algo?
Mas a resposta � vaga, a situa��o � confusa.
Ent�o ele decide n�o fazer bagun�a. Nem rir, nem chorar.
Deixe a eternidade fazer...
LUGAR o que ela sempre faz.
SOB A TERRA
N�o, gritos e sussurros n�o contam.
Ent�o o Indiv�duo sai.
Ele come�a... Tamb�m o Homem... Ele come�a do...
princ�pio...
de que a conversa entre estranhos � imposs�vel.
N�o, n�o a vida!
Nem o amor!
Admito que as pessoas podem se comunicar, trocar coisas.
Como um marido
e esposa trocam carinho, ou uma passagem de trem.
Mas para mim esse tipo de comunica��o
� in�til de se fazer.
A cortina nunca � levantada.
E primeiros encontros s�o os piores!
N�o, n�o a morte!
Nem a pol�tica!
Quero dizer, uma banda tem que trabalhar muito.
N�o, n�o a liberdade...
Nem mesmo o estilo...
N�o, isso n�o!
Nem escravid�o, nem poder!
Nem a verdade...
Nem o teatro...
Me ajude.
Me ajude!
"A mais incr�vel...
"inst�ncia da fraternidade que conhe�o,
"e que inventei..."
� um romance?
Deixe-me ver!
"Em um hotel em Pe�ra-Calva, eu estava escrevendo
"sobre revolucion�rios feridos de Shanghai
"prestes a serem queimados vivos em uma fornalha.
"Katov ainda tem sua c�psula de cianeto.
"Na escurid�o, sua m�o encontra a de Sonen.
"Ela deita ao seu lado e pega sua m�o.
"Ent�o eu descubro...
"que Katov vai colocar o cianeto
"na m�o que acabou de pegar a dele."
Como se chama isso?
O Destino do Homem!
N�o.
N�o a mem�ria.
V�o 5220, des�a 3000 p�s.
� um evento muito grande!
� cedo demais.
A��es precisam de tempo...
Mesmo que precisem ser vistas e ouvidas...
O que voc� est� procurando? Aqui est� seu ticket!
Estou procurando Deus!
Senhorita... Senhor...
"Ai!
"Quem pode predizer meu destino?
"O amor por uma bela cruel me trouxe aqui.
"Mas o que ela guarda para mim?
"Ela me dar�...
"Onde estou? O que eu fiz?
"Que devo fazer?
"O que est� acontecendo?
"Que dor me devora?
Terminus Airlines informa aos passageiros
que o voo 12346 para Fontainebleau...
- Aqui. - Est� atrasado para o check in.
Mas aqui diz OK, senhorita!
N�o me chame de senhorita! Sou a comiss�ria-chefe!
Comiss�ria-chefe ou comiss�ria-chinfrim?
O check-in est� fechado!
Ent�o se for datilografado � mais v�lido do que escrito � m�o.
Vou comprar uma m�quina de escrever.
Sem problemas, Pr�ncipe... Fa�a o check-in dele!
O atendente da Terminus Airlines pediu desculpas de novo.
Ele diz para o Idiota: ela n�o sabia que voc� era o Pr�ncipe. Ela � nova.
O Idiota diz: ela � novidade!
Ele d� alguns passos e se pergunta:
� uma novela ou um romance?
� ent�o que o Franc�s Comum aparece...
e pergunta se ele sabe o que Goethe disse antes de morrer.
Demora demais para se escrever um romance, n�o vale a pena!
Vale sim! E n�o demora demais!
N�o, o Idiota diz.
Ent�o o Franc�s Comum grita: "J� basta!"
E completa: "Foi isso que Goethe disse antes de morrer."
� poss�vel escrever um bom livro r�pido?
Viu meu marido?
Por que um escritor deve se preocupar?
Ou andar por a�, bebendo caf�?
Ent�o todo mundo escuta o Papai dizer � Mam�e...
Para criar um romance,
- voc� tem que ser um anjo! - Com asas?
N�s existimos fora da alma.
Mas tamb�m estamos sempre dentro da alma.
Ent�o, �s vezes, um de n�s se torna um anjo.
Assim est� melhor, foi o que fizemos ontem.
Assim est� melhor.
Quer ouvir ou tentar de novo?
Errei no come�o...
Vamos refazer... n�o est� bom o suficiente.
- Espere... - Devemos usar aquele tema?
Vamos tentar outro.
- Mas n�o vamos ficar s� nele. - Estou procurando algo...
Pode ser bom parar e escutar...
Voc� tem um novo ponto de vista.
� do mesmo jeito para mim, no baixo...
Eu parei, ajeitei as coisas... N�o fiquei parado no pr�ximo take...
Esse barulho que voc� ouviu...
Vou checar o balan�o...
Est� me ouvindo bem? E quando eu canto alto?
Se eu cantar alto, voc� escuta melhor?
Voc� me escuta quando eu canto assim?
Posso ficar mais perto... N�o, d� no mesmo.
Voc� n�o escuta? Voc� n�o se escuta?
Estou soando oco, deve ser a reverbera��o...
Vou matar.
Assim est� melhor!
Mais puro.
- Vamos tentar de novo? - O baixo est� legal?
Vou desistir!
Tenho que desistir.
Vou ficar. Vou trabalhar mais um pouco!
Vou imitar uma flauta. Ajuda na minha voz.
- Para que lado fica Paris? - Para o outro lado.
Senhor, para que lado fica Paris?
Caminho para Paris, por favor?
Olha, � a Formiga! Como voc� est�, Formiga?
Olha, � a Formiga?
Como voc� est�, Formiga?
� a Formiga!
Voc� n�o me reconhece?
Ol�, Cigarra!
Oi!
O que est� fazendo, Formiga?
Trabalho e trabalho.
Como sempre!
Voc� est� bem, Cigarra?
Maravilhosa, Formiga! Simplesmente �tima.
Eu estava em Monte Carlo.
Sua fam�lia � dona da TWA Airlines e da Hennessy Brandy.
Vamos nos casar ter�a-feira em Nova York.
Mas primeiro...
Tenho que ir a Paris.
Estamos na mans�o Visconti.
Tenho que comprar uns vestidos na Dior, n�o tenho nada para usar.
Amanh� � noite...
vamos jantar com o embaixador brasileiro.
Ele vai nos levar � �pera.
� a estreia de "Amor Sublime Amor".
Coppola vai estar l�.
Vou conhec�-lo.
Talvez eu v� para Londres tamb�m.
Deve dar tempo de ir para Wimbledon para a final.
O tio do meu noivo � muito pr�ximo da Rainha da Inglaterra!
- Ent�o, para onde � Paris? - Direto!
Formiga!
Voc� precisa de alguma coisa de Paris?
Talvez...
J� que voc� vai a Paris,
ligue para o senhor La Fontaine por mim.
Diga que eu falei que ele � um imbecil!
Est� melhor, eu acho.
L� vai.
"Se voc� voltar para mim...
"N�o esque�a seus sapatinhos...
"N�o esque�a de amarrar direito..."
"Se voltar...
"N�o esque�a seus sapatinhos...
"N�o esque�a de amarrar...
"os la�os direito...
"Para eu poder ver seus tornozelos...
"A maioria dos casos de amor acabam mal ou tristemente.
"Aos seus p�s vou deitar...
"No piso frio...
"Corpo a corpo...
"para amar.
"Eu adoro voc�, adoro..."
N�o alcan�a minha boca e l�bios.
Ressuscita.
A cria��o mais humilde interage com a metamorfose...
que a atrai para seu pr�prio mist�rio...
Al�m da rebeli�o...
Al�m da reconcilia��o...
"Vou deitar t�o baixo,
"N�o h� lugar mais baixo a que possa ir...
"N�o posso ir mais baixo."
COMO COMETER SUIC�DIO
R�pido!
Movam-se!
N�o temos o dia todo!
Sabe o que Goethe disse antes de morrer?
J� basta!
Deus est� morto.
Deus vai permanecer morto.
N�s o matamos!
N�o, foi tudo! De volta para o avi�o!
Voc� n�o, Pr�ncipe!
Encontrei um banqueiro. Vamos comprar seu filme.
Gentil da sua parte, Almirante. Est� no cofre.
N�o, pegue quando aterrissarmos!
Certo, entrego quando aterrissarmos.
Almirante!
- Perdi meu marido! - Quem se importa, Condessa!?
Contagem regressiva!
Mais uma vez!
Certo, comporte-se!
Voc� � t�o bonita, senhorita.
Mais tarde!
15-15!
"Desesperado por um ano de ingratid�o,"
"Meu cora��o n�o aguenta mais incertezas."
Fora, marginal!
N�o fique na janela!
"Basta de medo e amea�as e gemidos.
"Morro se te perder; se esperar, morro."
"Posso acreditar
"que seu carinho continua...
"e faz voc� procurar uma princesa triste?
"Ou sua vontade � apenas o dever?"
Se importa em me ajudar?
N�o, senhora.
Certo, porta fechada. Come�ar checagem.
Voc� parece triste.
Sempre � triste...
Voc� se arrepende de algo?
- Ou de algu�m? - N�o, senhora.
Ela realmente parece arrependido.
Mas ele tamb�m est� sorrindo.
Sim, senhora. Um sorriso arrependido.
�s vezes aparece durante a noite,
quando a noite vai se deitar
ela d� lugar � escurid�o
quando as horas respiram mal.
E quando a solid�o, sozinha...
se transforma em remorso.
Voc� pode se arrepender ou sorrir. N�o os dois ao mesmo tempo!
N�o, senhora.
Os 2 eventos, sorriso e arrependimento, n�o coexistem.
Ent�o, o tempo aqui � vertical.
Ai!
O sentimento � irrevers�vel, por assim dizer,
a reversibilidade � aqui sentimentalizada.
O sorriso se arrepende, e o arrependimento sorri.
- Posso? - Controle de arrependimento.
Acho que sim, senhora!
Tenho visto a vida inteira, sem uma exce��o sequer,
homens com rostos duros, contorcidos,
que demonstram t�o terr�vel temperamento
e rugem t�o horrivelmente que metem medo em lobos.
Frequentemente me pergunto
o que � mais f�cil de penetrar,
as profundezas do oceano,
ou as profundezas do cora��o humano!
Sauda��es a ti, velho oceano!
Sauda��es a ti, velho oceano!
Diga-me se o Pr�ncipe das Trevas luta dentro de voc�!
Diga-me!
Voc� deve me dizer!
Eu ficaria encantado em saber que o Inferno...
est� t�o perto do homem!
- Sauda��es, velho oceano! - Ainda n�o!
Ent�o, uma �ltima vez, eu sa�do a ti, velho oceano.
Tuas ondas cristalinas superam a beleza da noite.
Responda, oceano! Se �s meu irm�o...
rola tuas temerosas ondas, odiento oceano,
diante do qual
Eu falho. Sauda��es, velho oceano!
- Agora! - Sauda��es, velho oceano!
"Falo mais baixo... Cada ano falo mais baixo...
"Pensando melhor, n�o, n�o est� bom...
"Quando as pessoas aparecem que me conheceram,
"� como se...
"Ent�o o qu�?
"N�o sei...
"N�o deveria ter come�ado..."
Entre!
O sentimento.
"Sempre senti...
"que havia um assassino dentro de mim..."
Antes do nascimento!
"Mesmo...
"no ch�o,
"ligado a voc�
"pelo amor,
"pelo amor..."
Claro, ele deve ser trazido de volta � vida!
"� isso que torna o trabalho t�o dif�cil.
"Mas faz parte da afli��o.
"Mas eu preciso continuar.
"Vou continuar...
Pare de dizer "eu" o tempo inteiro.
"� assim que ele fala,
"� como ele fala consigo mesmo.
"Naquela tarde...
"Aqui, na terra...
"S� h� eu...
"e uma voz que n�o pode ser ouvida...
"porque n�o se dirige a lugar algum..."
Ent�o, � noite,
algu�m sussurra no meu quarto.
� o vento ou s�o meus ancestrais?
Ocidentais, entre outros, acreditam que h� um quarto:
E outro quarto: o Al�m.
A Morte � a porta que leva de um quarto ao outro.
Mas por que tornar a porta uma trag�dia?
O Homem nasce para a morte.
- Ele pode caus�-la se quiser. - Entre, pelo amor de Deus!
Mas em nenhuma civiliza��o, nenhuma,
o homem optou por sua pr�pria morte.
No entanto, escolher n�o ter nascido � o bastante.
Algumas vezes...
voc� se pergunta... se est� no planeta certo!
Ent�o o Franc�s Comum come�a a gritar:
Quando separamos essa terra do sol?
Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte?
N�o estamos caindo para sempre?
N�o consegue ver a noite chegando...
nada a n�o ser a noite?
"Uma ato ocorreu...
"foi tudo feito por ele...
"N�o precisa abrir seus olhos...
"A gentileza os abriu para ele...
"Ele n�o precisou respirar...
"Ele foi respirado...
"Uma imagem apareceu...
"A noite foi restaurada a ela mesma..."
Voc� � Finlandesa?
S� Finlandesas t�m olhos como p�rolas!
Voc� � Holandesa?
S� Holandesas t�m olhos como p�rolas!
"Voc� chorou para a noite chegar. Agora ela est� sobre n�s.
"Voc� pode chorar no escuro.
"Primeiro, as pessoas s�o muito mais infelizes do que voc� pensa.
"E a verdade �,
"n�o h� adultos."
Oh, retorno � casa"
Oh, retorno � casa, daquele que n�o precisa mais ser convidado.
Oh, quando poderia vir o fim?
Onde ele viria?
Quando a maldi��o seria erguida?
Essa � a primeira tomada.
- Parece bom. - Est� melhor.
O que vem depois? "Uma garota para a cor"?
A entrada est� boa.
Ent�o continuamos daqui?
Ficamos com a primeira parte inteira...
At� "Uma garota para a cor".
Quer uns vazamentos assim?
Existia um �ltimo est�gio para o sil�ncio profundo?
Parecia para o Homem que existia.
A�!
Perfeito!
Mas quantos,
quantos choros para uma melodia na guitarra.
O que acontece a seguir � de muito tempo atr�s.
Mas primeiro, por que sempre por qu�?
No nada, qualquer cria��o � um milagre.
Ele lembra isso, uma vez, no nada,
o ato mais humilde de hero�smo ou amor
n�o era menos misterioso do que uma tortura.
"E naquela noite...
"Voltamos para casa...
"Lembro que as ruas contaram hist�rias...
"sobre aquele bar...
"Quando entramos, duas garotas estavam dan�ando...
"perto de uma juke-box...
UM LUGAR
SOBRE A TERRA
O que acontece a seguir � de muito tempo atr�s.
N�o alcan�a minha boca e l�bios.
Ressuscita.
Essa luta com a morte n�o facilita...
mesmo quando confrontando a eternidade.
Um peda�o maior de torta, por favor!
EUA para casa!
Mexa-se, Simone!
EUA para casa!
Um peda�o maior de torta!
Mexa-se, Simone! Tenho coisas a fazer!
EUA para casa!
- 40-30. - Deuce!
Droga, Simone!
Um peda�o maior de torta!
- Mexa-se, Simone, droga! - Match point!
Aqui est�, senhor.
Obrigado, minha boa Simone.
"� a melhor paisagem da Riviera..."
Ent�o voc� vai vender o filme, Pr�ncipe? Sim quer dizer sim?
Ai!
Ai, �s vezes as palavras precisam esconder os fatos.
Agora o Idiota fala com a Av�...
Acho que ele est� exagerando na solenidade...
Mas ele diz: Madame, n�o fique triste sem motivo.
� tudo quest�o de coment�rio.
E o Idiota completa: um escritor argentino disse que...
� loucura escrever livros.
� melhor fazer de conta que esses livros j� existem.
Maio de 1968 n�o provou nada...
S� � necess�rio uma sinopse, um coment�rio...
O individualismo de hoje � um produto... da derrota de Maio de 1968.
Essa derrota era inerente...
Quando vamos nos encontrar novamente?
Isso n�o s�o armas!
- Vou dar meu n�mero de telefone. - Est� vendo a cara de Lendi?
Idiota! Eu vi isso!
Ou o pobre Leconte, quando ele ganhou?
"Para onde foi Deus?" Ele disse.
Eu digo:
N�s o matamos, voc� e eu!
Somos todos assassinos!
O que � a guerra?
Um jogo que se disputa com balas!
Como engolimos o mar em um gole?
Quem nos deu a for�a para apagar o horizonte?
Por que separamos essa terra do sol?
- O que ela tem que eu n�o tenho...? - Cabelo embaixo...
U�sque e �gua por favor...
N�o temos.
- Ent�o h� em cima e em baixo? - Mais alguma coisa?
Dostoievski era obcecado por: "A tortura...
de uma jovem inocente por um bruto.
Por qu�? Sempre, por qu�?
A express�o "sorriso idiota" vem de "O Idiota"?
Era a favor do idiota ou era contra ele?
Se O Idiota � capaz de sorrir � porque ele ainda tem esperan�a.
Ele lembra que antes, no nada,
o mais humilde ato de hero�smo ou amor n�o era menos misterioso do que a tortura.
No nada,
qualquer cria��o � um milagre.
Mais t�mido, mas n�o menos estranho, n�o menos fascinante:
interagir com a metamorfose, compartilhar seu segredo.
Al�m da rebeli�o.
Al�m da reconcilia��o.
Desculpem, senhoras e senhores,
eu dormi e esqueci de ligar o piloto autom�tico.
Ele nunca olhou para voc�?
Se pelo menos ele...
Quando eu tinha 20 anos!
Voc� achou?
Ent�o, voc� achou?
R�pido!
Idiota!
Eu amo voc�.
Eu sei. Me deixe em paz!
Olhe isso.
Vou ensinar voc� a acertar.
De frente para mim... assim.
Fique na frente da bola,
deixe alinhada com o p� esquerdo.
Seus p�s mais separados...
Agora bata.
- N�o posso olhar? - N�o, n�o mova a cabe�a.
Sim... o coment�rio. Est� acontecendo ali mesmo...
� t�o simples. Como dizem, sem coment�rios.
- Fa�a essa de novo. - Vou tentar.
Deixe alinhado.
Nada tinha aparecido ainda.
Pois sobre as fracas vozes silenciadas do sonho,
um sil�ncio ainda maior tinha miraculosamente aparecido...
- Assim? - N�o para essa jogada.
V� mais para tr�s, abra as pernas.
Dobre os joelhos... Mantenha seu olho esquerdo na bola...
Com calma. � um buraco pr�ximo.
- Isso! - Mais uma vez.
Esse sil�ncio se tornou a ess�ncia da espera.
Sil�ncio...
e mais miraculosamente ainda por sua pr�pria exist�ncia,
ele se imp�s como uma forma
segunda e mais rica.
A forma da nudez do destino.
sobre a im�vel, cont�nua luminesc�ncia,
como uma segunda irradia��o de luz,
como se a espera j� fosse um aumento das riquezas,
uma irradia��o ainda mais forte,
talvez uma segunda, mais penetrante imensidade,
para que, dessa, o divino surgisse de novo,
abolindo o mal para sempre.
Era uma espera sem sentido.
Uma espera sem sentido, e, portanto,
ainda assim direcionada para a espera,
o sonhador.
Era um tipo de convite para ele para fazer uma �ltima tentativa,
um �limo esfor�o criativo para sair do sonho,
do destino, da sorte,
da forma, de si mesmo.
O Homem estremeceu...
Abra as pernas...
Dobre os joelhos. Isso!
"�s vezes imagina-se
"o vento pesado com areia,
"uma infinita, deslumbrante, vista panor�mica,
"uma aspereza horizontal, um queijo fedorento, brilhante,
"um arco-�ris fenomenal pulando no sol se pondo.
"Se voc� entrasse na minha vida para subir na minha cama...
Voc� acabaria numa rachadura, um buraco de rato...
"Se voc� entrasse em minha vida...
"O que far�amos? N�o sei e n�o me importo...
"Se voc� entrasse em minha vida por aquele t�nel de desespero..."
UM LUGAR
Entendi que n�o havia movimento fora do tempo.
Eu tamb�m.
Mas eu n�o entendi que n�o havia imobilidade tamb�m.
Eu tamb�m n�o.
Mas agora sim... entendo. COMO NO C�U
Acha que v�o me matar?
Meu trabalho � n�o pensar.
Sei que n�o vou atravessar a fronteira.
O retorno do meu trem � �s 6h47... Voc� continua com eles.
Por que Bruxelas?
Bruxelas! Berlim! Vars�via! Moscou! Novosibirsk!
Lembra quando brincamos do jogo da met�fora?
O sinal sangrento.
O corvo.
O teto da baleia.
O mar.
Uma noite fria.
Heinrich Heine. Morte.
O sono da terra.
Morte. Alfred de Vigny.
A velha cadeira de balan�o.
Morte. Lionel Hampton.
N�o! Dizzy Gillespie... Imbecil!
- Hiena fedorenta! - Idiota!
Camarada...
Fascista!
Lembra do jogo do insulto?
N�o foi um jogo.
Voc� me mandou para Berlitz para aprender franc�s.
Eu? Nunca mandei voc� aprender franc�s.
Lembro dos que morreram por causa disso:
Maillot, o aprendiz,
Tenente Moulin,
Big Bill, Pierre Overney...
E pequena Odile...
Com seu nome de vila Su��a...
Versoix.
Eu aprendi! Passei 3 semanas em Berlitz.
At� me deram um certificado.
Eles nunca ouviram um Belga falar franc�s t�o bem.
Eu estava feliz como um molusco.
Ent�o entrei em um caf�,
e pedi um sandu�che de presunto com picles e vinho tinto...
Um cara olhou para mim e disse: voc� � Belga?
E eu disse: Como voc� sabe?
E o cara disse: Porque, senhor, isto � um banco!
Deixe-me ir. Diga que cai da janela!
Fazendo o qu�?
Fazendo o qu�?
Fazendo o qu�?
Olhei por baixo da saia de um mulher para ver sua bunda.
Enquanto seu marido comprava o jornal. Lembra?
N�o tenho imagina��o. N�o posso!
Imbecil!
Voc� falou de imobilidade do movimento...
Voc� � uma amea�a ao movimento!
Suas cartas derrotistas diziam: Somos um desastre,
temos que come�ar do zero!
Tudo que sei � que devemos dizer a verdade ao povo...
j� que eles j� sabem.
A voz do Homem,
tecida no universo, n�o respondeu.
Voc�s s�o os idiotas!
Olhem para voc�s!
Era como se...
n�o fosse haver resposta at� o fim do dia...
Como se tudo estivesse meramente esperando...
Aqueles com armas.
Uma espera pela estrela do dia...
como se nada mais importasse...
Isso � verdade...
Mas tamb�m � verdade
que essa conversa � f�til...
UM LUGAR
A Hist�ria est� sempre certa.
COMO NO C�U
Voc� e eu podemos errar, a hist�ria nunca.
� maior do que n�s, do que milh�es de n�s.
A hist�ria n�o tem escr�pulos, nunca hesita.
Ela expulsa a gosma e os cad�veres...
que juntou.
Ela sabe para onde est� indo.
NA TERRA
Voc� esquece que a verdade � cheia de erros!
Minha mente pode esquecer, mas n�o meu corpo.
Seja claro!
H� sofrimento...
Seja claro!
O que eles querem de mim?
Uma confiss�o total.
Eu n�o sei de nada.
Estamos quase na fronteira.
N�o tenho for�as para continuar.
Chegou a hora de voltar a ficar entre os homens bravos...
Mas sejamos bravos:
Vamos preencher nosso lote na terra...
com um senso de dever.
Ave a ti, antigo oceano!
Almirante!
"Vamos, meu Senhor...
"Vamos sair deste lugar,
"ou jurar nunca deix�-lo...
"Est� tudo pronto.
"Est�o me esperando.
"Vou embora s�.
"Pela �ltima vez,
"Adeus, meu senhor."
Ai de mim!
As latas est�o aqui, �timo!
Basta! Como Goethe disse antes de morrer!
A morte � o caminho para a luz.
Voc� pode se esconder, mas sabe quando volta...
de algo que � parecido.
- Ele est� morte! - Ele n�o!
Talvez m�sica.
Esse � o criador que conheci em Paris.
- Bom dia, senhora. - Bom dia. Esse � um bom romance.
Sim, � um bom romance.
Voc� trouxe seu filme?
- Diga que sim! - Sim.
Quanto?
�... 10 d�lares.
N�o! Um milh�o!
Est�o rolando!
Certo, 20 d�lares.
500 mil francos.
Podemos pegar sua m�quina de escrever para fazer o contrato?
Olhe, � linda! Brilha!
N�o � v�deo. � um filme de verdade!
Est�o rolando.
Podemos pegar o material para inspecionar?
V�o ver: o mais dif�cil no cinema � carregar as latas.
E o pagamento?
Isso serve?
Obrigado, senhora.
M�sica, talvez.
Era uma espera sem sentido...
"Ela precisa de algu�m..."
t�o sem sentido quanto a radia��o...
"para fazer ela suportar as manh�s..."
no entanto foi... direcionada a quem esperava...
o sonhador.
Era como um convite para ele!
um �ltimo esfor�o criativo para sair do sonho,
do destino,
da sorte, da forma,
de si mesmo.
Ouviu isso?
Foi meio tom mais baixo que o outro.
Aqui, certo?
Isso? O que voc� tocou?
Eu toquei...
"Casos amorosos...
"A maioria dos casos amorosos acabam mal, ou de forma triste..."
� isso.
Sim. O coment�rio.
Eis o que est� acontecendo. Na frente dos seus olhos.
Quer�amos ensaiar isso...
- Parece igual! - N�o, escute.
Estou tocando um F�, e voc� um Si.
- E? - N�o � igual.
Eu nunca ensaiei assim...
Voc� est� confundindo. Mesma posi��o...
mas o dedo fica assim.
Entendi.
N�o � igual.
Pare de ser t�o melanc�lico!
N�o consigo tocar se voc� estiver todo emotivo, porra!
Veja!
Escutei, por que devo ver?
Escutei... isso vai com o baixo.
Quando viria o fim?
Onde viria?
Quando a maldi��o seria erguida?
Havia um �ltimo est�gio para o sil�ncio profundo?
Parecia para o Homem que havia.
Ent�o eu entendi que, no trem,
o Policial esqueceu de falar dos mortos,
esqueceu de dizer essas simples palavras:
O que far�amos sem os mortos?
Essa frase deveria ter sido dita perto da fronteira.
"Nervosa e inquieta,
"l�nguida, deprimida,
"minha for�a me abandona
"e o descanso me mata.
"Vou morrer,
"mas morrer vingada,
n�o morrer sozinha.
"Algu�m vai me seguir.
"Adeus.
"Eu vou, meu cora��o muito cheio de voc�,
"esperar, ainda amando voc�, minha esperada morte.
"N�o tema, o sofrimento
"vai soar minha desgra�a pelo mundo.
"Voc� vai, apenas ao saber de minha morte,
"lembrar que eu ainda estava vivo.
"Adeus.
Voc� estudou poesia na escola?
V�, Platini!
N�o.
Lembrei de um poema que aprendi:
"O Homem que acreditava no Para�so..."
"e o Homem que n�o acreditava."
Nunca aprendi esse.
Onde voc� mora?
Normalmente eu durmo na rua...
Ultimamente parece...
que estou no Hotel Terminus.
O Homem estremeceu.
E com um �ltimo furo
da fronteira do sonhador,
uma �ltima ruptura de todo tipo de imagem,
uma �ltima ruptura da mem�ria,
o sonho cresceu e ele cresceu com o sonho.
Seu pensamento se tornou maior do que qualquer pensamento.
Tornou-se uma segunda imensid�o.
Tornou-se a lei
que fez o cristal surgir,
declarado no cristal, declarado atrav�s da m�sica,
mas al�m e acima,
expressando a m�sica do cristal.
Se tocarmos uma m�sica de Edith Piaf durante o solo...
quando n�s dois cantarmos... voc� n�o deve...
tocar guitarra.
N�s temos que alugar uma bateria eletr�nica...
ou a m�sica vai soar estranha.
Para "Mais Dinheiro"?
Precisa de percurss�o no meio...
ou vai soar vazio...
Alugamos em Nova York.
Quando chegarmos l�...
Com um delay... Vamos ter um som mais puro...
se usarmos um de 48 faixas...
precisamos de mais de 32...
Podemos equalizar em digital, mixar tamb�m...
Conseguimos um som realmente novo.
Digitais t�m 32 faixas. Acho que vamos passar. N�o tenho certeza...
Temos 36 faixas...
Usamos 48 faixas, � a �nica hora...
verifique se passamos...
se voc� tem 32, temos que deixar 4 mixadas.
Vou fazer duas mixagens est�reo. Voc� est� muito nervosa.
O bom desse n�mero �...
- S�o 28... - ... fizemos coisas que n�o pod�amos antes.
Vazios com instrumentos entrando e saindo...
deixamos a mixagem do jeito que estava,
mas se temos um engenheiro em Nova York,
pode ficar cheio de buracos,
com instrumentos entrando e saindo,
bateria, baixo, todo tipo de efeitos...
N�o tem gra�a sem um astro, hein?
Como voc� sabe?
Eu sei...
Um ator...
quer escapar de si mesmo.
Ele vai ao palco
para se perder.
Um ator n�o gosta de aparecer.
Um ator ama desaparecer.
"Algu�m com quem dormir junto, ficar entediado junto,
"algu�m para beijar, ficar com raiva..."
Um ator inteligente...
se mata antes de continuar...
Antes de entrar no palco...
ele pisa no pr�prio corpo at� que vire um cachorro morto.
Merda!
Vamos, se comporte.
Sou eu que come�o!
Est�o prontos?
- S�o do grupo Rita Mitsouko? - Sim.
Certo... Eu e minha mulher pegamos o filme em que voc�s est�o
- O que � isso? - Aten��o!
Est� vindo. Em 1h estamos no El Dorado.
Ent�o venham conosco! Venham, venham agora.
Venham por aqui!
Voc� est� no caminho!
Saia da frente!
Por favor n�o ria de mim.
Sou um homem louco, velho e idiota.
Eu tenho 4 vezes e 20 anos de idade...
Nem uma hora mais ou menos.
Sendo sincero, n�o tenho certeza de que estou...
Acho que conhe�o voc�,
mas n�o tenho certeza porque n�o sei onde estamos...
Minha mente est� vazia.
Sequer lembro o que sonhei ontem.
Isso importa?
Se eles n�o chegarem, vamos juntos.
Vamos. Vamos embora.
Voc� est� dirigindo, idiota!
Para "Mais Dinheiro"?
Ent�o coloque uma percuss�o...
Estamos prontos, senhor!
Role!
APRESENTAM
UM LUGAR SOBRE A TERRA
O mal ainda existia?
A voz do Homem,
Era como se n�o fosse haver resposta at� o fim do dia...
Como se tudo fosse apenas uma espera...
Uma espera...
como se nada mais importasse...
Agora, a consci�ncia de seu erro os deixou mudos.
Sua mudez agora os tornou conscientes de seu erro.
"Naquela noite,
"Lembro que as ruas contavam hist�rias...
"sobre aquele bar...
"Quando entramos, duas garotas estavam dan�ando..."
Observe esse sil�ncio,
sua boca tamb�m ansiava abrir
num �ltimo grito mudo de horror.
No entanto, enquanto ele via o sil�ncio, quase antes de ele ver,
ele n�o mais viu.
Pois a noite re�ne suas for�as uma �ltima vez
para vencer a luz.
Mas a luz vai esfaquear a noite nas costas.
Mas a luz vai esfaquear a noite nas costas.
E agora, muito calmamente no come�o,
como se para n�o alarm�-lo,
o sussurro que o Homem ouvira n�o tanto tempo atr�s,
h� tanto tempo,
muito antes de ele existir,
o sussurro recome�ou.
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