Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Reino Unido.
A partir de uma vista aérea única,
mostraremos quatro países que se juntam numa só nação.
Tradições milenares.
Maravilhas de engenharia sem paralelo.
O Reino Unido reúne uma população de inovadores
que forjaram o mundo moderno.
Nesta série, faremos uma viagem aérea pela Europa,
vendo as suas atrações sob uma nova perspetiva.
Filmada de cima, no decorrer de apenas um ano,
à medida que a paisagem se transforma,
com a mudança das estações.
Vamos descobrir a cultura,
história e engenharia
que construíram as grandes nações europeias que hoje vemos.
EUROPA VISTA DE CIMA
REINO UNIDO
O Reino Unido é uma nação insular situada no noroeste da Europa.
Separado do continente pelo Canal da Mancha,
o Reino Unido tomou um rumo diferente do resto do continente.
É composto pela Inglaterra,
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.
Cada país tem a sua própria paisagem, cultura
e sentido de identidade.
Estamos em abril e o tempo está a aquecer em toda a nação.
As árvores sacodem os mantos de neve
e enchem os ramos de flores...
... na altura em que a primavera chega ao Reino Unido.
PRIMAVERA
Na capital de Inglaterra, Londres, é o bulício de sempre.
Uma vista aérea revela como esta cidade de 2000 anos
se encontra repleta de uma arquitetura única
e maravilhas de engenharia vistas em nenhum outro lugar da Terra.
As Casas do Parlamento,
a sede de governo da nação.
A Catedral de Saint Paul,
conhecida pela sua cúpula icónica de 30 metros de largura.
Tower Bridge, a mundialmente famosa ponte levadiça suspensa da cidade.
Por cima das nuvens, Londres surge-nos enorme.
Uma metrópole imensa
que se estende ao longo de 50 km na diagonal.
É o lar de cerca de nove milhões de pessoas.
Aproximando-nos do centro da cidade,
vemos um agregado de edifícios de alta tecnologia
que se elevam acima das referências tradicionais londrinas.
São os arranha-céus imponentes do famoso centro financeiro.
Cada nova e incrível megaestrutura possui uma engenharia exclusiva.
Talvez o mais marcante seja o Leadenhall em vidro,
famoso pela sua forma inusitada em cunha.
Esta estrutura deslumbrante tem 225 metros de altura.
O seu núcleo de aço pesa quase 18 mil toneladas.
A sua fachada angular é coberta por 4220 painéis de vidro.
Pawel Urban conhece como poucos
os brilhantes painéis de vidro do edifício Leadenhall
porque lhe compete a tarefa de os limpar.
Prefiro fazer este trabalho em dias de sol como este.
Com bom tempo.
Hoje, Pawel e a sua equipa vão limpar o edifício Leadenhall.
Para tal, a equipa usa um braço mecânico especialmente concebido
que transporta uma caixa de metal pela lateral do edifício.
Mas a equipa só pode entrar em ação
quando a velocidade do vento for inferior a 40 km/h.
Tal visa assegurar que a caixa não balança precariamente
com a brisa forte, danificando o vidro.
Ou se solte por completo da grua.
O vento soprou a mais de 50 km/h ao longo de toda a manhã,
mas a equipa repara que o tempo vai acalmar.
Não está muito vento. 4,8 km/h.
A equipa começa a preparar a extraordinária descida
pela fachada do arranha-céus envidraçado,
mas precisam de ser rápidos
para poderem aproveitar ao máximo as tréguas do tempo.
A primeira vez que entrei na caixa, estava muito assustado,
mas agora não tenho problemas.
Câmaras aéreas revelam este processo extraordinário ao pormenor.
Sem controlo, quanto mais a caixa desce nos cabos,
mais se arrisca a baloiçar com o vento.
Os arquitetos construíram este arranha-céus com sete canais
alinhados na fachada sul do edifício.
A caixa possui trilhos especiais
que se fixam a esses canais.
Os trilhos ajudam a evitar que a caixa abane com o vento.
Mas, com o passar das horas,
o clima imprevisível de primavera começa a mudar.
Por vezes, faz muito vento
e temos de subir rapidamente, porque se torna muito perigoso.
Com o vento a intensificar-se,
Pawel e a sua equipa terminam a última janela.
Concluíram duas secções do edifício
no pouco tempo de que dispuseram.
Mas, com os 4220 painéis de vidro do edifício Leadenhall,
fazer reluzir o horizonte da cidade é um trabalho a tempo inteiro.
Vemos as janelas. Estamos no rés do chão.
Estão bonitas, brilhantes, sinto-me orgulhoso e feliz.
Foi um bom trabalho.
Enquanto os limpadores de janelas abandonam as plataformas...
... do outro lado do Mar da Irlanda,
está na hora de outra limpeza primaveril em mega escala.
A Irlanda do Norte é o país mais pequeno do Reino Unido.
Belfast, a sua capital,
é uma cidade portuária rica em história.
Foi daqui que partiu o lendário Titanic.
A Irlanda do Norte é uma terra de paisagens épicas,
desde campos acidentados a litorais míticos.
Na sua costa nordeste, no condado de Antrim,
existe uma maravilha natural.
Esta orla costeira negra é conhecida como costa do Gigante.
Uma maravilha geológica com 60 milhões de anos.
Uma visão aérea revela uma parte mundialmente famosa desta costa:
a Calçada do Gigante.
É um emaranhado estranho de cerca de 40 mil pilares
hexagonais interligados com 60 milhões de anos de história.
A Calçada do Gigante
é a atração turística mais visitada da Irlanda do Norte.
Próxima das ativas rotas marítimas do Atlântico e Mar da Irlanda,
a linha costeira apresenta muitos detritos marinhos.
Isso significa, que todos os anos,
a costa do Gigante precisa de uma limpeza primaveril.
Hoje vamos ver o que é possível fazer em relação à remoção do plástico
na baía da Calçada do Gigante.
Barry Etherson é um instrutor local de desportos aquáticos.
Faz parte de um grupo dedicado de voluntários
que remove dejetos marinhos indesejados do litoral da Calçada.
Hoje, Barry e a equipa
pretendem limpar quatro quilómetros de costa junto à Calçada do Gigante.
Recolhem tudo, desde redes de pesca em nylon e pneus
até recipientes plásticos de petróleo e mesmo chinelos.
Mas as algas e as rochas ocultas
tornam demasiado perigosa a aproximação dos barcos.
Pelo que a equipa recorre a motas de água.
Os metros finais são demasiado rasos, mesmo para as motos.
Os voluntários têm de nadar o percurso que falta.
Tendo cuidado para evitarem as ondas maiores contra as rochas.
Segundo uma lenda local, um gigante chamado Finn McCool,
construiu os pilares como uma ponte até à Escócia.
Na verdade, a Calçada do Gigante
é o resultado de uma erupção vulcânica há 60 milhões de anos.
À medida que a lava borbulhava do solo,
chegava ao mar, onde arrefecia rapidamente,
quebrando e formando os pilares hexagonais de basalto
que hoje vemos.
A equipa de Barry demora cerca de seis horas
para recolher mais de 500 quilos de resíduos.
Agora, precisam de transportar a carga para o barco.
Barry e os voluntários
levam os sacos de detritos para a costa.
A equipa precisa de subir para as motos de água
já carregadas com os sacos de resíduos.
Muitos dos sacos grandes ficam presos.
Ficam presos nas cracas e lapas.
É à base de força bruta. Encorajamo-nos uns aos outros.
Limpar a área de resíduos
não se destina apenas a proteger a extraordinária beleza desta região,
mas também preservar a vitalidade do ecossistema.
Os plásticos decompõem-se em microplásticos,
que são comidos pelos peixes e, mais tarde, pelas pessoas.
Os voluntários carregam a carrinha com a última carga.
Conseguiram recolher uns impressionantes 545 quilos de lixo.
O esforço de hoje ajudou a preservar esta costa icónica,
a tempo do influxo dos turistas de verão.
Importamo-nos, apreciamos a beleza. Trabalhamos aqui.
Esperamos que se mantenha assim.
É uma zona movimentada e muitos vêm desfrutar até cá.
Estamos no início de junho
e as temperaturas começam a subir em todo o país.
As praias, antes vazias, enchem-se de turistas,
à medida que as pessoas correm para a beira-mar.
O verão chegou ao Reino Unido.
VERÃO
Neste tempo quente e resplandecente,
a costa sul de Inglaterra enche-se de turistas
que procuram o tradicional descanso em família.
Das falésias de calcário branco de Dover...
... à costa jurássica de Dorset,
estas baías fotogénicas
ecoam o som de uma obra-prima da engenharia que mudou o mundo.
No século XIX, engenheiros britânicos
inventaram e aperfeiçoaram a ferrovia a vapor.
Colocaram mais de 32 mil km de linhas nas Ilhas Britânicas,
revolucionando os transportes.
Na costa sul de Devon,
situa-se a que será a linha férrea mais bela
que os pioneiros industriais britânicos alguma vez conceberam.
Esta é a linha Dartmouth Heritage.
São 11 quilómetros de linha que vão de Paignton, no norte,
até Kingswear, no sul.
A linha oferece aos turistas nostálgicos
uma leve amostra de uma era já desaparecida.
Compete a Ian Wellington
manter a coleção antiga de comboios em perfeito estado de funcionamento.
Cada uma destas máquinas tem caráter e nuances próprios.
Há quem diga que têm personalidade.
Vivem e respiram devido à forma como funcionam e como soam.
Estas máquinas clássicas
funcionam a vapor quente, mantido a pressões altíssimas.
Os seis motores ao cuidado de Ian
têm uma idade coletiva de mais de 500 anos.
Ou seja, são necessários os 35 anos de experiência do Ian
para manter as locomotivas a funcionar.
Somos responsáveis pelo comboio onde viajam pessoas
e temos de saber o que fazemos, o que pode correr mal.
É hora de embarcar os passageiros
e alimentar a fornalha
situada no interior da caldeira do comboio.
A fornalha quente converte a água que a rodeia
em vapor a alta pressão.
Um tubo no cimo da caldeira
desvia o vapor para pistões duplos
situados em ambos os lados das rodas dianteiras.
À medida que os pistões se enchem de vapor,
impulsionam as rodas para a frente.
Esta linha inclui um túnel de meio quilómetro de extensão
e o magnífico viaduto de Hooks Hill,
concebido pelo engenheiro britânico mundialmente conhecido,
Isambard Kingdom Brunel.
Por fim, Kingswear...
... uma pitoresca vila piscatória apinhada de barcos.
O comboio a vapor completou um percurso sem problemas
e todos os seus componentes clássicos estão intactos.
Para Ian, isso é uma vitória.
Acho que fiz um bom trabalho e mereço uma chávena de chá.
É uma prova do cuidado e atenção do Ian e da sua equipa
que esta pequena parte do património britânico seja preservada
a pensar nas gerações futuras.
Para além de criarem uma rede ferroviária no interior do país,
os primeiros engenheiros industriais da Grã-Bretanha
construíram outro legado nos transportes que ainda subsiste.
Em julho, o calor de meados do verão espalha-se pelo Reino Unido.
Da costa sul de Inglaterra,
ao país mais a norte do Reino Unido, a Escócia.
Aqui, os caminhantes vão para as terras altas
para explorar algumas das montanhas mais altas do Reino Unido,
numa altura em que o degelo do verão derrete os picos nevados.
No sul da Escócia,
as vibrantes cidades de Glasgow e a capital do país, Edimburgo,
fervilham de turistas ávidos pela arte e cultura.
Quem quer fugir da agitação
viaja para os canais, para um fim de semana tranquilo na água.
O Reino Unido
é atravessado por mais de 3000 km de vias navegáveis feitas pelo homem.
Os engenheiros construíram estes canais nos séculos XVIII e XIX
para alimentarem a Revolução Industrial.
Hoje, são usados para diversão.
A Escócia tem dois canais principais
que fluem entre Glasgow e Edimburgo.
Encontram-se a meio caminho, numa cidade chamada Falkirk.
De cima, os dois canais parecem unir-se.
Mas um olhar mais atento revela um problema.
A paisagem ondulante escocesa
é responsável por uma queda vertical de 35 metros entre os dois canais.
Como se viaja entre duas vias navegáveis
em níveis completamente diferentes?
Engenheiros criativos conceberam uma solução engenhosa.
O único elevador de barcos rotativo:
a Roda de Falkirk.
Antes desta máquina ser inaugurada em 2002,
os exaustos velejadores precisavam de um dia de trabalho
para viajarem entre os dois canais,
abrindo e fechando 44 comportas pelo caminho.
Atualmente, a Roda de Falkirk transporta embarcações
para cima e para baixo, entre os canais,
em apenas quatro minutos e meio.
Peter Robinson é o engenheiro-chefe na empresa Scottish Canals.
O seu trabalho é garantir o bom funcionamento
desta maravilha da engenharia no valor de 17,5 milhões de libras.
Ser responsável por este sistema é soberbo.
Tenho o melhor trabalho do mundo.
Hoje, Peter e os seus colegas têm sete horas para coordenarem
o movimento ascendente e descendente de 25 barcos.
Em cada extremidade da via,
começam a chegar os primeiros barcos do dia.
Os capitães dirigem as embarcações para gôndolas à prova de água
em cada extremidade da roda.
Na sala de operações, os colegas de Peter
encerram as comportas hidráulicas...
... e acionam a roda.
Dez motores hidráulicos
cooperam para alimentar uma engrenagem enorme
que roda o eixo central.
Isso eleva no ar uma das gôndolas de 300 toneladas
enquanto baixa a outra.
À medida que a roda gira,
cada uma das gôndolas permanece na vertical,
graças a um conjunto de engrenagens gigantescas.
O número de pessoas que cá vêm é incrível
e nós transportamo-las em segurança.
É a engenharia no seu melhor.
Em cada volta,
o motor utiliza apenas a quantidade de energia
equivalente a oito chaleiras a ferver.
Para que a roda funcione eficientemente,
o peso das duas gôndolas deve ser sempre exatamente o mesmo.
Felizmente, não é tão difícil como parece,
graças a uma peculiaridade prática da física.
Quando um barco entra numa das gôndolas,
faz deslocar exatamente o seu próprio peso em água.
As duas extremidades do elevador permanecem em perfeito balanço,
estejam vazias ou repletas de barcos.
É complexo, mas simples ao mesmo tempo.
O que entra faz deslocar água, pelo que as duas gôndolas na roda
ficam equilibradas.
É absolutamente incrível pensarmos na criatividade da engenharia.
Os projetistas da Roda de Falkirk
criaram uma obra-prima única da engenharia
para resolver um problema único com originalidade e estilo.
À medida que barcos estreitos percorrem a zona rural escocesa,
nos campos ali próximos,
os agricultores de cevada preparam-se para a colheita.
Esta cevada continuará a ser um dos maiores orgulhos da Escócia.
No nordeste da Escócia,
câmaras aéreas revelam inúmeras pequenas fábricas.
O que são?
Há uma pista ao longo de uma das maiores vias navegáveis do país.
O poderoso rio Spey.
Há mais fábricas escondidas nas curvas deste rio
do que em qualquer outro local da Escócia.
Estas são as famosas destilarias de uísque de Speyside.
Usam a água pura das nascentes da região para fabricarem a bebida.
Esta indústria deu origem a um espetáculo aéreo extraordinário.
Um pátio que se ergue como um templo maia
no coração da região do uísque.
Esta é a tanoaria de Speyside.
Aloja aproximadamente 150 mil barris de uísque vazios.
Empilhados em pirâmides com quase 10 metros de altura.
Quando as destilarias precisam de mais barris,
compete ao tanoeiro John Richard construí-los e repará-los.
Não há nada como as pirâmides que temos na tanoaria de Speyside.
Muitas pessoas dizem que se assemelham
às antigas pirâmides do Egito.
O uísque começa a sua vida como um líquido incolor.
Os barris de carvalho dão-lhe o famoso tom dourado.
Quando esses barris se esvaziam,
as destilarias trazem-nos para serem armazenados
e eventualmente reabilitados.
Hoje, uma das destilarias locais
fez uma encomenda de 300 barris renovados recentemente.
Os barris são reparados segundo o pedido,
para que estejam prontos a ser enviados à destilaria no próprio dia.
É o momento do John trabalhar
numa tradição com 2000 anos.
No interior da tanoaria,
John começa a trabalhar no pedido a uma velocidade incrível.
Verifica se há imperfeições nas aduelas de carvalho
e descarta pedaços de madeira apodrecidos,
substituindo-os com uma nova tira.
Verificamos se há defeitos, como aduelas partidas,
aros enferrujados, extremidades deformadas.
A experiência diz-nos o que procurar.
Quando os barris são reparados e ambas as extremidades retiradas,
os tanoeiros fazem uma coisa que, à primeira vista, parece bizarra.
Incendeiam cada barril usando um lança-chamas.
O tanoeiro coloca os barris sobre um buraco no chão,
que faz disparar uma chama a 430 graus,
queimando o interior do barril durante um período de até quatro minutos.
Este processo é a carbonização,
que detém o segredo
do sabor delicado do uísque de malte.
A carbonização carameliza os açúcares naturais
que existem na madeira, o que permite que o álcool
se impregne com os sabores do mel e caramelo.
Num único dia, o John e a equipa preparam 300 barris
para serem enviados à destilaria.
Cada barril passará a próxima década a converter a aguardente incolor
num produto exclusivo da Escócia.
Speyside é a capital mundial do uísque de malte.
No final do dia, quando levo o meu último barril para o camião,
é bom saber que contribuí para algo tão vital para a região.
Com o aproximar do fim do verão,
as temperaturas no Reino Unido começam a arrefecer.
É novembro e os dias estão a ficar mais curtos.
O sol da manhã pinta o céu num rosa suave
e um nevoeiro espesso instala-se na paisagem.
Chegou o outono...
... e, no norte de Inglaterra, o frio no ar
assinala o início de uma das proezas agrícolas mais incríveis...
... que anuncia a chegada de uma nova vida.
No noroeste da Inglaterra, no coração de Cúmbria,
está situado o Lake District.
Um amplo e escarpado parque nacional,
esculpido por glaciares ao longo dos últimos dois milhões de anos.
Olhando mais em pormenor,
é uma manta de retalhos de montanhas aparentemente áridas.
Uma vista aérea
revela que esta paisagem acidentada é um terreno agrícola.
O agricultor David Harrison
cuida de 1100 ovelhas que pastam nas montanhas.
É uma prática agrícola da região,
que se pensa recuar aos tempos dos vikings.
Faz parte das pessoas daqui. É algo que está no sangue.
A minha família trabalha aqui há mais de 100 anos.
Eu represento a quarta, quinta geração.
David precisa de levar as ovelhas para a quinta para procriação.
O seu problema é encontrá-las.
As ovelhas vivem semi selvagens,
distribuídas ao longo de cerca de 12 mil km2 montanhosos.
A solução de David
é começar no cimo da montanha,
com a sua matilha de cães
e começar a descer.
Já o fiz imensas vezes,
conheço a encosta como a palma da minha mão.
Sei onde estão as minhas ovelhas.
Quanto mais David e os seus cães descem a montanha,
maior se torna o rebanho,
à medida que recolhe mais ovelhas ao longo do caminho.
Vamos demorar quatro a cinco horas
para tirarmos todas as ovelhas da encosta.
É cansativo e ficam a doer os pés, mas fazemo-lo.
Quando chegam à planície,
o rebanho gigantesco está completo.
De cima, é uma visão incrível.
Um milhar de ovelhas apertam-se no portão estreito,
conduzidas pelos cães do David, como areia numa ampulheta.
Os cães são maravilhosos. Posso deixar qualquer um
a um quilómetro do local onde estou
para me trazer as ovelhas ou enviá-los para onde quero ir.
São preciosos. Não podia fazer isto sem eles.
Um pastor que leve cerca de cem ovelhas de um campo para outro
precisa apenas de um cão pastor.
Quando se recolhem mil ovelhas de uma montanha,
o rebanho está tão disperso que precisa de mais de dez.
Quando uma se afasta,
temos um cão que a vai buscar e levar de volta para o rebanho.
Deixamos que o cão faça o seu trabalho.
Só ao início da tarde é que David e a sua equipa conseguem juntar
todas as ovelhas no curral para procriarem.
A recolha que fizemos foi simplesmente fantástica.
Foi a melhor que já fizemos naquela encosta este ano.
Simplesmente magnífica.
Daqui a poucos meses,
o rebanho do David vai parir a próxima geração.
Adoro estar na encosta. É o meu trabalho favorito.
Nada bate podermos estar sozinhos com os nossos cães.
Acho que não conseguiria fazer outro trabalho.
Ficaria sem emprego. Terei de continuar a fazer isto.
À medida que o clima húmido do outono invade o Reino Unido,
as pessoas sonham em viajar para locais mais quentes.
Uma oficina de engenharia de ponta no centro de Inglaterra
torna esses sonhos em realidade.
Historicamente, as Midlands são o centro industrial de Inglaterra.
Birmingham, Coventry
e Derby foram cidades-chave na Revolução Industrial.
Ainda hoje,
a região em redor de Derby abriga algumas das mais avançadas
fábricas de componentes para transportes.
Esta estrutura de betão colossal
são as instalações de testes da Rolls Royce.
É aqui que os motores a jato produzidos na linha de montagem
são certificados como aptos para o serviço.
Chris Pattinson é o supervisor.
Compete-lhe garantir que os nossos aviões voam em segurança.
Se não testássemos os motores,
simplesmente não poderíamos ir de férias.
É uma estrutura que funciona 24 horas por dia,
quase sete dias por semana e 365 dias por ano.
Cada motor a jato no valor de vários milhões de libras
consiste em 30 mil componentes
mas, como a nossa viagem aérea revela,
o próprio edifício é uma maravilha da engenharia moderna.
Uma sala em particular é vital para a segurança
dos 4 mil milhões de passageiros que viajam de avião todos os anos.
Este é o banco de ensaios da Rolls Royce.
Lembro-me da primeira vez que aqui vim e me espantei com a dimensão.
O que fazemos aqui é absolutamente excecional.
Aqui, Chris e a sua equipa
acionam os motores a jato de 50 mil cavalos a todo o vapor.
Fazem isso a todos os motores
que a empresa fabrica no Reino Unido.
A única forma de percebermos como esta sala é notável,
é vendo-a do céu por cima do edifício.
Um ventilador enorme na torre à direita do edifício
aspira 1,3 toneladas de ar por segundo.
O ar passa pelo motor a quase 1600 km/h,
antes de ser expelido do edifício por uma chaminé enorme à esquerda.
O sistema de ventilação de grande dimensão
permite que a Rolls Royce teste rigorosamente
cada motor a jato que fabrica,
sob as condições extremas que o avião poderá enfrentar
a 10 mil metros de altitude.
Sem nunca necessitar de sair da fábrica.
A equipa liga o motor.
Pretendem reproduzir o efeito de voar sob uma enorme tempestade,
para ver se o motor aguenta mais de 10 litros de água
pulverizados a cada segundo.
As forças envolvidas são enormes.
Cada motor produz mais propulsão do que 68 carros de Fórmula 1.
O teste terminou.
A equipa inspeciona cuidadosamente o motor
para ver como suportou as forças extremas
e passou com distinção.
A tecnologia com que trabalhamos é excecional.
As instalações são excecionais.
Adoro isto e não quero fazer outra coisa.
Quando o outono nas Midlands se desvanece...
... um frio gélido desce sobre o Reino Unido
e uma camada de gelo cobre todos os recantos da nação.
É dezembro e o inverno chegou às Ilhas Britânicas.
Ventos costeiros gelados trazem temperaturas glaciais.
Mas no coração da zona rural da Cornualha,
engenheiros inovadores
encontraram forma de derrotar o tédio do inverno,
concebendo um clima tropical durante todo o ano.
Na ponta mais meridional de Inglaterra,
aninhada na costa recortada da Cornualha,
fica o último lugar onde se esperaria ver
um paraíso tropical.
Mas, ampliando um pouco mais,
uma vista aérea revela um edifício saído da ficção científica.
Este é o Projeto Éden.
A maior floresta tropical coberta do mundo.
Esta incrível obra-prima da engenharia
é uma série de oito cúpulas transparentes interligadas,
implantadas na zona rural da Cornualha.
São sete da manhã
e, para o corajoso jardineiro David Paul,
é hora de começar a trabalhar.
Esta é a maior floresta tropical em cativeiro do mundo.
É uma oportunidade emocionante poder trabalhar
com estas árvores que, de outra forma, seria impossível.
Os projetistas criaram o Projeto Éden
para abrigar e celebrar
espécies de plantas de florestas tropicais em todo o mundo.
É a casa de quase dois milhões de plantas diferentes,
que abrangem três das zonas climáticas do mundo.
Um sistema de irrigação especialmente projetado
recolhe a água da chuva, que é reciclada
para regar as plantas, alimentar a cascata de 10 metros
e contribuir para a humidade da cúpula.
Mas há um problema.
As condições tropicais são tão boas que as plantas no interior
crescem tão rapidamente como o fariam na natureza.
Se isso não for tido em conta, poderá ser uma questão preocupante.
As árvores poderiam penetrar a própria cúpula.
Se esta se abrisse, as outras árvores potencialmente morreriam.
A copa do Projeto Éden está a crescer tão rapidamente
que está prestes a romper a cobertura da estufa.
Se isso acontecesse,
todas as espécies protegidas neste habitat estariam em risco.
Hoje, David e o resto da equipa têm apenas três horas
para aparar os ramos
antes de os visitantes começarem a chegar.
Os elementos sobem de corda até ao cimo da estrutura.
É a conceção geodésica da cúpula que detém o segredo
do sucesso fenomenal do Projeto Éden.
Mais de 800 chapas de plástico distintas compõem a estrutura.
Uma estrutura de aço ultraleve mantém-nas unidas,
criando as cúpulas perfeitamente arredondadas.
A cobertura envolta em bolhas gigantes
deixa entrar o máximo de luz possível...
... isolando assim a floresta tropical
com temperaturas entre os 18 e 38 graus durante todo o ano.
Trabalhar sob estas temperaturas exige alguma técnica.
Especialmente ao manobrar uma motosserra.
É um desafio trabalhar com este calor.
O metal aquece de tal forma que podemos cozinhar um ovo.
Está bem! Vai descer!
A equipa das cordas apara os ramos e desce para o nível do solo.
É um trabalho bem executado.
Mais de um milhão de pessoas visitam o Projeto Éden todos os anos
para se deleitarem com as maravilhas botânicas,
bem como com a estrutura incrível que as acolhe.
No extremo oposto do Reino Unido,
o clima de janeiro pinta a Escócia de branco com neve.
No leste do país,
engenheiros escoceses usaram a paisagem natural
para criarem um lar surpreendente
para algumas das maiores máquinas do planeta.
A costa leste da Escócia
é uma terra de enseadas estreitas conhecidas como Firths.
Os glaciares esculpiram estas baías profundas
durante a última era glacial.
Apenas 30 km a norte de Inverness,
fica Cromarty Firth.
Parece estar repleta de estruturas industriais estranhas.
O que são?
Um olhar mais atento revela a verdade surpreendente.
É um enorme estaleiro de reparação de plataformas petrolíferas.
O Mar do Norte possui mais de 600
mas, quando precisam de reparações,
são rebocadas para aqui, para o abrigo do Firth.
Calum Slater é o responsável pelo porto.
Compete-lhe garantir que as plataformas
são transportadas ao longo do Cromarty Firth
para as empresas que as esperam, sem encalharem nas rochas.
No nosso trabalho,
assumimos a responsabilidade por este percurso.
Certificamo-nos que tudo decorre conforme o plano.
Hoje, a tarefa de Calum é deslocar uma plataforma de petróleo enorme
da entrada do Firth até à doca.
A máquina colossal tem um valor que ronda os 40 milhões de libras.
Para rebocar a plataforma enorme até ao porto,
Calum não usa apenas um rebocador gigante,
usa dois.
As plataformas flutuam graças a blocos gigantes
chamados pontões,
que ficam mesmo abaixo da superfície da água.
Mas, quando transportadas,
estes mesmos pontões arrastam-se na água,
tornando as plataformas menos estáveis.
Enquanto um navio puxa a plataforma para a frente,
o outro puxa na direção contrária para ajudar a mantê-la na vertical.
Cada rebocador tem um motor com 28 mil cavalos de potência
e é quase tão comprido como a Estátua da Liberdade.
As mudanças de plataforma podem demorar
entre oito e 19 horas.
O progresso é penosamente lento.
A plataforma mal parece mover-se.
Mas, durante a hora seguinte, a plataforma avança nove quilómetros
para chegar ao seu destino final,
a doca no porto de Invergordon.
A plataforma tem 90 metros de comprimento e 76 de largura.
Mas precisa de caber neste espaço,
com menos de 150 metros na diagonal.
O espaço é demasiado estreito para os rebocadores colossais
que trouxeram a plataforma para o Firth.
É aí que barcos-rebocadores mais pequenos e manobráveis
assumem o controlo.
Metro a metro,
os barcos rebocam a plataforma cuidadosamente para a doca.
Alinham-na com a lateral do cais, para a plataforma ficar paralela.
Está a anoitecer
e a equipa conseguiu pôr a plataforma na doca.
A tripulação a bordo chega a casa a tempo de um descanso merecido.
No final, ficamos satisfeitos por tudo ter corrido bem.
As empresas de engenharia do porto
irão passar os próximos meses a trabalhar na plataforma.
Quando terminarem,
esta máquina colossal regressará ao Mar do Norte
à procura de mais ouro preto.
O Reino Unido é uma nação insular
com uma sede de inovação em engenharia
que deixou uma marca permanente no panorama mundial.
Possui uma história cultural rica que abrange regiões diferentes.
Todas mantêm uma individualidade muito própria,
mas juntas formam um...
... Reino Unido.
Legendas: Sónia Coelho
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.