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Ganhei!
21-19.
Ganhei tr�s em quatro jogos.
Qual � o meu pr�mio?
- Um pontap�? - Exatamente.
N�o!
P�e mais baixo!
Chi�a, est� um gelo!
- Est� um frio �rtico. - Voc� anda nua pela casa.
Hoje vai de qu�, capa e espada?
- O que voc� sugere? - Algo que aguente at� �s 04h00.
N�o fico at� �s 04h00, amanh� tenho que trabalhar.
Ent�o, leva algo ortodoxo, um fato.
Pode me dizer s� uma coisa? A festa � formal ou n�o?
- Eu sei l�. - Podes telefonar para saber?
E ela vai dizer que alguns v�o desmokinge outros n�o.
- � tudo muito democr�tico. - E uma grande perda de tempo.
N�o seja t�o emproado e n�o use essa camisa.
Fofinho, quero que uses a que eu te dei.
� pequena. Devias estar a pensar num an�o quando a compraste.
Adoro ver-te com cores vivas.
Um pav�o. Eu adoro-te de qualquer maneira.
Vamos sair sozinhos hoje.
Dava uma coisinha m� � Gladys.
Meu querido, n�o sei onde comprou, mas � divino.
Prazer em ver-vos, fico muito contente por terem vindo.
Me d�o licen�a? Vou beber algo, estou seca. At� j�.
- Zee, meu anjo. - Ol�, querida.
Voc� est� t�o linda. Tu tamb�m, querido.
Que cor linda. O Robert disse-me que estiveste uma semana em Espanha.
Quando voc� chegou? N�o te vi entrar.
- H� duas bebidas atr�s. - S� duas?
- O Robert? - Est� para a�, algures.
- Adoro os teus brincos. - Gosta? S�o de pechisbeque.
O Robert quis deixar os verdadeiros na loja, por causa do seguro.
Que pena.
Se queres mesmo falar com ele,
a �ltima vez que o vi, ele estava ali atr�s de uma palmeira.
Tenho de ver se o encontro, tenho de lhe contar algo. Com licen�a.
Aposto que n�o sabe o que significa "bisso".
N�o sei nem quero saber.
Barba.
Ter um ''bisso'' ou barba grande e sedosa.
- Que empolgante. - Eu queria o teu conselho.
V�o leiloar umas esculturas africanas muito interessantes na Sotheby's.
Ali�s, s�o nigerianas. Ficavam lind�ssimas no Rose Garden.
Podemos ir l� ver de manh� para a semana que vem
e depois tomamos um belo almo�o no Burke's.
Tem certeza?
Na semana passada voc� disse o mesmo e n�o me telefonou.
Est� uma senhora atr�s de ti de vestido prateado. Quem � ela?
N�o, do outro lado.
� a querida da Stella.
Querida da Stella? Se importa de me apresentar?
Claro.
Mas n�o disse que ia se acalmar e dormir oito horas por noite?
- lsso foi quando estava deprimido. - �s um maroto.
Muito. Ela � dom�stica?
N�o, � dona de uma boutique.
Tem uns tarecos orientais, uns vestidinhos giros.
Stella, querida! Quero apresentar-te uma pessoa.
N�o disseste que ia ser uma festa pequena?
N�o falei em festa pequena, falei em pessoas pequenas.
- Este � o Robert. - Robert Blakeley.
Precisa de um guarda-costas?
N�o, acho que n�o.
Agora que j� quebrei o gelo, vou circular.
- N�o se esque�a de me telefonar. - Sim, Gladys.
- O que � isto? - � uma caixa do Cor�o.
Est� amolgada.
- Eu mordi-a. - Ai sim? Voc� morde tudo?
Por norma n�o.
� dom�stica?
- Receio que n�o. - Ent�o?
Tenho uma loja onde crio vestidos.
Diga-me, acha que sou um homem especialmente bem vestido?
- N�o, nem por isso. - N�o?
N�o acha que me devia ajudar?
- A roupa � algo muito pessoal. - Eu sei.
Era a� que queria chegar.
- Ela parece um pau de virar tripas. - Achas?
- Eu acho-a bastante bonita. - Achas?
- Quem � ela? - N�o fa�o ideia.
- Acho que vou descobrir. Com licen�a. - Blakeley!
- Blakeley, a seguir � a tua vez. - Sim, vou j�.
Eu podia ir � sua loja e podia fazer-me umas camisas.
- Eu desenho roupa para senhora. - N�o pode abrir uma exce��o?
- Talvez. - S� talvez?
Ia adorar a minha fam�lia, s�o todos m�dicos.
- Porque acha que gosto de m�dicos? - Ora, nota-se logo.
- Eu n�o noto nada. - � claro que n�o, ele � arquiteto.
Cria projetos, coisas assim.
- Eu sei, j� ouvi falar dele. - J�?
N�o � f�cil ser casada com um gigante.
- Ou um an�o. - Seja como for, n�o � f�cil.
- Que horror... - Se n�o vier, jogamos sem voc�.
Vou j�. Com licen�a.
Bilhar. Ele adora jogar. Voc� joga?
- Receio que n�o. - Nem eu.
Eu gosto de pingue-pongue. O Robert diz que � por ser mais agressivo.
- Quer ir v�-los jogar? - Sim, se voc� quiser.
- Bela jogada. - Eu n�o suporto esta sala.
Provoca-me arrepios.
J� reparou que a Gladys tem uma coisa de cada?
Um actor, um pintor, um curandeiro?
Mas todos vimos c� emborcar o champanhe dela.
Ela emborca de uma caneca de prata. � esperta.
Uma pessoa s� consegue falar com ela ap�s as 1 1 h00.
Tudo o que ela diz soa assim...
''Robert, querido...''
Ela pede conselhos ao Robert acerca de tudo.
At� lhe pediu conselhos quando fez umfacelift.
N�o tarda, � a minha vez.
Pois j� sabe com quem falar, comigo.
Mas eu gosto da sua cara.
As sombras.
A boca.
Dev�amos ter trazido os bordados.
Espero que ele n�o perca, depois diz que a culpa � minha. Tem mau perder.
� sovina. Sabia que ele nem sequer me comprou alian�a de casamento?
Pediu emprestada � irm�. Recebemos prendas de casamento muito estranhas.
Sabe o que nos deram? Um cesto de pap�is de cabedal dobr�vel.
Um cabedal verde horr�vel.
Voc� teve prendas de casamento bonitas?
- Eu casei-me �s escondidas. - Fez muito bem.
- Onde est� ele? - Est� no campo.
- Tem filhos? - Sim, dois meninos.
Que encantador.
Est�o aqui, minhas lindas. Que bom ver-vos t�o amigas.
�, n�o �?
Esta sala sempre teve uma qualidade especial para mim.
� uma sala de homens. As casas de hoje j� n�o t�m salas assim.
Sim, gra�as a Deus.
O que lhe disseste?
Estava s� a falar-lhe de mim.
Ela diz que tem tend�ncia a chorar quando lhe acontece alguma coisa boa.
- Stella? Voc� est� bem? - Sim.
Ent�o, abra a porta.
Porque ficou assim?
Por nada.
Se eu lhe telefonar, janta comigo?
Robert! Vamos todos dan�ar.
Eu n�o vou, vou para casa!
N�o! Quero o meu Bobby nos meus bra�os.
- Eu telefono-lhe amanh�. - Robert!
Est� bem, j� vou!
- Meu fofinho... - N�o vai me convencer a dan�ar!
N�o vai me convencer. N�o vamos dan�ar!
Obrigado.
Est� a fazer-se tarde.
Est� a ver isto?
� a primeira vez em anos que eu uso um rel�gio.
Foi isso que voc� me fez, obrigou-me a contar os minutos.
Passei o dia � espera de v�-la.
O que quer jantar?
Acho que devo avis�-lo, eu sou careira.
Como do bom e do melhor, tirando couve.
Ai sim? A Zee tamb�m � assim, � noitinha.
Eu sabia que t�nhamos algo em comum.
- Mais alguma coisa? - Ainda n�o sei, pois n�o?
As pessoas s� admitem que estiveram apaixonadas quando a rela��o acaba.
Como se sentaram num banco e esperaram ou dan�aram a noite toda.
Como foram dar um passeio ao frio, aqueceram os dedos do outro.
Toda a gente tem dois tipos: um � verdadeiro e outro � falso.
- Como os distingue? - Nota-se pela pele da pessoa.
E pelo toque.
E pelos olhos, as janelas da alma.
Vamos.
- Ol�, Robert. - Ol�.
- Um ''passarinho''. - Bonita.
Agasalhe-se, est� muito frio.
- Gosta de ser beijada aqui? - N�o.
Aqui?
- Aqui? - N�o.
Mentirosa.
Eu menti � sua esposa.
Disse-lhe que o meu marido estava no campo, mas ele morreu.
- Ent�o, � vi�va. - E mentirosa.
Onde vamos jantar?
Quer que a leve a jantar fora ou quer-me cozer um ovo?
N�o sei.
Porque n�o me coze um ovo? Porque n�o sabe cozinhar?
N�o, eu deixo cair as coisas.
Sabe como �. Uma pessoa julga que j� n�o � nova
e, de repente, � jovem outra vez.
Gostava que nos tiv�ssemos conhecido noutro lugar.
Numa estrada no campo ou numa tarde chuvosa num sal�o de ch�.
Disse que se chama Robert Blakeley?
Aqui estou eu. Eu bem disse que voltar�amos a encontrar-nos.
� servida?
Obrigada, eu adoro comer entre refei��es.
Vi uma coisa curiosa.
Um homem sentado a uma mesa com sete mulheres indianas.
- O que acha que eram? - lndianas?
- N�o, refiro-me � rela��o. - Talvez fossem irm�s.
Eu gostava de ter tido uma irm�, algu�m com quem conversar.
Adoro a sua loja, est� t�o bem pensada.
Aposto que n�o sabe porque vim.
Hoje n�o sou clarividente, como de costume � segunda-feira.
Eu quero que me vista da cabe�a aos p�s.
- Desculpe, ponho-os l� atr�s? - Sim, por favor.
Que maravilha, tamb�m tem meninos.
- Que vestido lindo. - Receio que esse esteja vendido.
- lsso nunca foi impedimento para mim. - Qual � o seu n�mero?
- 40. - Quer experiment�-lo no gabinete?
Quer que toda a gente saiba o seu n�mero?
E qual � o mal?
Eu orgulho-me do meu n�mero.
Os homens a s�rio n�o gostam de magricelas.
Acham que gostam porque se diz que a roupa lhes fica melhor.
E quando tiram a roupa
e se metem entre os len��is numa noite fria de lnverno?
A� gostam de saber que est�o com uma mulher a s�rio.
A magreza fica bem nas modelos ou assim,
mas um homem n�o faz amor com uma fotografia duma revista.
Bem, h� homens que fazem amor com as fotografias das revistas,
mas s� lhes interessa mesmo as fotografias e n�o as mulheres.
Caneco, quem me puxa o fecho?
- O seu marido. - E quando n�o estiver com ele?
E ele n�o estiver comigo? lsso por vezes acontece.
- O que acha? - N�o serve, � muito grande.
- Eu adoro a cor. - Foi feito para outra pessoa.
N�o quero saber. Por favor, quero-o. Tenho de ter este vestido!
Gavin, pegue num bloco.
�ptimo. Obrigada, Stella. Sabe, eu tenho imensa sorte.
N�o conhecemos ningu�m que se d� t�o bem como eu e o Robert.
N�o se mexa, sim?
Cada um faz a sua vida.
N�o fazemos perguntas.
N�o � que tenhamos segredos, apenas confiamos um no outro.
99 cm de peito.
Eu n�o dependo dele e ele n�o depende de mim.
- Somos interdependentes. - Do ombro � cintura s�o 40cm.
- J� est�. - Entrega-mo at� ao fim-de-semana?
- N�o sei, � poss�vel? - Acho que sim.
Pode mandar entreg�-lo? Tem a nossa morada?
Sim, podemos mandar entregar, mas n�o tenho a sua morada.
Stella, pode fiar-me o vestido? Eu j� gastei mais do que devia.
Acho que podemos correr esse risco. H� tecido suficiente, n�o h�?
H� mais l� em cima, mas duvido que chegue.
Telefone ao Reynolds e pergunte se t�m mais.
Ele � um bocado sovina,
mas quando vir o vestido, de certeza que vai adorar.
Quando souber que � uma cria��o sua, vai ficar encantado. Que amoroso.
Isso n�o est� para venda, � meu.
Desculpe. N�o se deve tirar o que � dos outros, pois n�o?
Adeusinho, amor.
- Vais-te embora? - Vou.
Tenho de mudar de roupa e fazer a barba antes de ir para o escrit�rio.
Eu devia ter c� giletes e coisas assim para ti.
- N�o sou grande amante, pois n�o? - N�o � minha amante.
Ainda somos apaixonados.
- Eu te telefono esta tarde. - N�o posso me encontrar com voc�.
Os meus filhos chegam hoje. Amanh� n�o tem que arranjar desculpas.
Eu nunca arranjo desculpas.
Agora j� come�as a falar como uma amante.
Bom dia, querido. Toma l�, n�o � um belo pequeno-almo�o?
Tirei a ideia do jornal de hoje.
- � �timo ser dom�stica. - De vez em quando.
- N�o quer ir ao teatro? - N�o.
N�o podem passar as noites nisso, ainda caem para o lado de cansa�o.
S� � cansativo quando � algo que n�o queremos fazer.
- Quando vai contra a nossa natureza. - N�o � genial?
V�-la fazer salada de fruta? Deduzo que saiba cozinhar.
Deve ser um dos trunfos dela. Aposto que tem um banco para os p�s.
Eu topo sempre quando as vacas t�m um banco para os p�s.
Ela sugeriu que abrisses uma peixaria.
J� estou a ver tudo.
Tu deitado num tapete de pele de cabra a relembrar mem�rias de inf�ncia.
Os teus traumas, a tua pobreza.
Que nunca via a sua m�e porque ela tinha de ir trabalhar.
E, obviamente, ela � boa ouvinte. Ao in�cio, s�o todas.
Depois quem tem de ouvir a lengalenga delas �s tu.
Que n�o t�m ningu�m, n�o s�o compreendidas e s�o boas.
S�o t�o boazinhas.
- � tudo bastante arcaico. - E tu �s o qu�?
A ''Dona Aventureira'' da voz rouca e da grande boquilha.
- � tudo bastante arcaico. - Aposto que voc�s gemem.
- Porque n�o gravam? - Vamos fazer muitas coisas.
Tu est�s baralhado, n�o sabe quem te ama.
Ela, as estagi�rias ador�veis do teu escrit�rio,
de cabelinho arranjado e maminhas pequenas, todas babadas.
- E eu. - Porque n�o arranja um amante?
- � isso que recomendas? - Sim, �.
Pago refei��es, bilhetes de teatro e todas as despesas que ele fizer.
N�o se esque�a dos seus ci�mes, � que voc� perde a cabe�a.
Telefonas �s pessoas e remexes nas minhas coisas.
V�s as minhas cuecas e aparecem-te umas manchas brancas na cara.
N�o te faz nada bem.
No m�s passado quando cheguei ao raio do banquete no carro alugado,
estavas � minha espera nas escadas todo exaltado, n�o foi?
Porque eu vinha ao lado do motorista, n�o sa� logo e voc� pensou o pior.
Julgaste que nos est�vamos a despedir, n�o foi?
E tiveste de me possuir ali mesmo na entrada.
- N�o foi? N�o foi? - Sai daqui, sua ordin�ria!
E tu adoras. Tu adoras, � por isso que ainda est�s aqui!
Voc� adora a incerteza. N�o sabe o que eu fiz ontem,
n�o sabe com quem eu estive!
N�o sabe o que vou fazer hoje e eu tamb�m n�o!
- Diverte-te. - Eu divirto-me, est� descansado.
Tive um caso com um m�dico em Espanha. Eu adoro m�dicos.
Ele disse-me: ''Queres que te dispa como um m�dico?''
Ele era bonito, trabalhador, tinha seis filhos, muito ocupado.
Tinha a sala cheia de pacientes, ouv�amo-los do outro lado.
Tivemos de sussurrar, mas isso n�o fez diferen�a.
N�o se ouvia quando ele me tocava e acariciava.
Foi t�o meigo ao me tocar. Estava a arfar, a arfar...
A arfar.
A arfar.
E ent�o?
Querido, n�o quero ser a causa dessas tuas madeixas brancas, fofo.
Fizeste sexo com ele no ch�o?
Ou foi no sof�, no sof� da praxe,
com os pacientes do outro lado, desgra�ados?
E deste a volta ao m�dico.
Arrebataste completamente o homem.
Ainda bem que n�o pode ter filhos, sen�o, eu sustentaria um orfanato!
Mas � sempre assim que os fisgas, n�o �? � sempre assim.
Uma pancada forte antes que percebam onde est�o, um soco,
um cheirinho de amon�aco.
Mas voc� n�o os mant�m, n�o �? N�o consegue.
- N�o mant�m o amor de um homem. - Mas mantenho-te a ti!
N�o, a� � que est�s enganada!
Filho da m�e!
- Mas que raio se passa agora? - Vou passar mais uns dias a Espanha.
Vou apanhar sol e talvez fazer umcheck-up.
- Deves achar que tens muita piada. - Ambos precisamos de tirar f�rias.
- Estiveste em Espanha h� uma semana. - Exacto.
E diz � tua escanzelada que escusa de fazer o vestido que comprei ontem.
Achas que posso pagar viagens a Espanha quando te d� na telha?
Sinceramente, ''Scarlet'', estou-me nas tintas!
Se lhe entrar alguma coisa para o olho, ponha �gua salgada.
Depois fecha os olhos, lacrimeja muito e a impureza sai.
- N�o basta chorar? - Pode n�o conseguir.
Um dos meninos do nosso dormit�rio chora � noite e come nozes.
Os pais dele est�o no Rio de Janeiro. Eu tenho de consol�-lo.
- E como o consolas? - Digo: ''Tens de ser forte, Chris.''
Coisas assim. Ele chama-se Crispin, mas tratam-no por Chris.
- Gostas da escola, Shaun? - Gosto mais de estar em casa.
Eu detestava a escola. Os mi�dos chamavam-me ''Bobo''.
Por isso, comprei umhamster.
Era umhamstermuito mau de dentes muito afiados.
Levei-o para a escola, mostrei-o a todos os rapazes
e nunca mais me chamaram ''Bobo''.
- Bem, � melhor irem-se deitar. - N�o!
- V�, depressa. - Que chatice.
- Despe�am-se de Mr. Blakeley. - Boa noite, Shaun.
- Ent�o, Shaun? - Boa noite, Oscar.
- Eu j� vou. Lavem os dentes. - Est� bem.
- Boa noite, mam�e. N�o demore. - Boa noite.
- Vais dormir? - Espero que sim.
Mas duvido.
Espero que tenhas gostado da minha fam�lia.
- Desculpa l�, foi uma noite fraca. - N�o se preocupe.
Os teus filhos s�o uns homenzinhos encantadores.
- Para onde vais agora? - Para casa.
- Quando � que ela volta? - N�o sei, vai estar fora uns dias.
Amanh� � noite...
... a minha governanta faz-nos o jantar
e estaremos sozinhos. S� n�s os dois.
- Tens mesmo de ir. - Tenho?
Tenho?
- Boa noite. - Boa noite.
Diga l� o que veio dizer.
- A sua esposa est� l� em baixo. - O qu�?
- A sua esposa est� l� em baixo. - A minha qu� est� onde?
- Porque n�o me disse antes? - Voc� n�o queria ser incomodado.
- Que horas s�o? - 18h30. Ela chegou antes das 18h00.
- lnsistiu que eu o avisasse. - Diga-lhe que n�o estou.
Diga-lhe que me fui embora, diga-lhe qualquer coisa, porra.
J� lhe disse que estava a trabalhar e que n�o queria ser incomodado.
Voc� s� faz asneiras. Quer dizer-lhe que a informaram mal?
- N�o. - Pois, eu logo vi.
Raios partam.
Fa�a-me um favor, v� trocar de �culos.
Eles come�am a irritar-me, os seus �culos e a senhora.
Compre uns �culos � custa do Estado!
Julgas que tenho dinheiro para pagar viagens de uma noite a Espanha?
Estava frio e a chover.
- Bem... - O que querias que fizesse?
Que ficasse a olhar a chuva pela janela?
N�o, esperava que tivesses ju�zo.
- Hoje deves ter tido um dia dificil. - N�o, tive um dia �timo.
Tiveste? Eu tentei telefonar-te ontem � noite para pedir desculpa.
- Mas voc� n�o atendeu. - Sa�.
- Onde queres ir comer? - A casa, claro, amor.
Lar doce lar.
- N�o temos o que comer em casa. - L� se arranja alguma coisa.
Pod�amos ir a casa da Gladys, ela hoje vai dar um jantar.
Nem pensar nisso, querido.
S� quero ir para casa contigo e descansar.
Ouve, � melhor dizer-te uma coisa.
Dizes-me depois em casa, querido. Estou demasiado cansada para ouvir.
Um jantar �ntimo, adeux.
Que amoroso. O que vamos comer?
Ou melhor, quem vamos comer?
Um recado da nossa fiel governanta.
''CaroSirRobert...''
Sir?Ainda n�o foste armado cavaleiro, amorzinho.
''O jantar est� no forno
''e deve estar pronto �s 20h30.
''Espero que esteja tudo do seu agrado. Atenciosamente, B. Donavan.''
A nossa ex-governanta espera que esteja tudo do teu agrado.
Ela at� escreve bastante bem.
- Eu nunca confiei nos irlandeses. - Ai sim?
Eles falam muito bem de ti.
- A nossa visita mist�rio! - Para mim n�o � mist�rio nenhum.
A s�rio, Bob, queres que eu me v� embora?
Olha quem ela �, a querida da Stella!
Mas que agrad�vel surpresa. Entra, entra.
Eu guardo a tua capa. O que � isso?
O primeiro prato.
Pat�!
Fizeste-o tu? Aposto que sim.
- Sim. - Est�s a ver?
Bem te disse que ela sabia cozinhar, eu tinha a certeza.
Usaste est�mago de porco e vitela,
mi�dos de pato e fais�o selvagem, vinho branco seco,
bagas de jun�pero e...
... coisas mortas e tudo isso? - Zee!
- Se importa de ficar calada? - N�o estava sendo m�, n�o �?
N�o sei. Estava?
Eu?
Bebes ummartini?Faz ummartini para as senhoras, Bobby.
Tens as m�os frias!
- Tive dificuldade em apanhar um t�xi. - Porcos.
Quis levar-me o dobro, achou que eu era norueguesa.
- E voc� �, Stella? - Claro que n�o.
� uma celta de terras irlandesas.
Na verdade, tenho sangue espanhol.
Touro!
- Obrigadinha. - Obrigada.
Sa�de.
O Robert colecciona peixes.
Tem uma grande cole��o.
Tem peixes-bal�o, anf�bios, peixes voadores,
gouramisbeijadores e limpa-fundos,
barracudas...
... e piranhas.
Sabes, eles comem outros peixes, vacas e coisas assim.
- � o peixe preferido do Robert. - Ele nunca disse isso.
- O Robert adora o mar. - Ele tamb�m nunca disse isso.
Pronto, n�o adora o mar.
O que fizeste hoje? Fizeste algumas provas?
Tive um �ptimo dia, nem passei perto da loja.
- Os meus filhos voltaram � escola. - Que idade t�m?
Nove, s�o g�meos.
G�meos?
N�o me tinhas dito! Amamentaste-os?
Uma vez sentei-me ao lado de um homem num jantar
e a mulher dele tinha tido g�meos.
Ele disse que n�o h� nada como ver uma mulher a amamentar g�meos.
Parece que a mulher dele se deitava na cama,
com uma mama em cada sentido. Era uma coisa fant�stica.
Eu n�o tive leite suficiente.
Uma vez li no jornal que um pastor alem�o,
acho que era dos Pirin�us,
tinha tido 1 4 cachorrinhos e s� tinha 12 tetas.
- A natureza n�o � cruel? - Menos duas, n�o � muito mau.
- Os g�meos sobreviveram na mesma. - Que bom.
Gostava de os ter conhecido, eu adoro meninos e meninas.
N�o queres comer nada? Um ''ossinho''? Ou um nervo?
Boa ideia. Porque n�o nos levas ao nosso restaurante preferido?
Pode ser que no meio das pessoas consigamos ''preencher as falhas''.
Eu vou buscar o meu casaco.
Falhas? Eu n�o dei por falhas nenhumas.
E tu?
Abismos.
Estou pronta.
Bobby, querido, apagas a fogueira?
N�s somos poupados.
Antigamente a nossa correspond�ncia era encaminhada para aqui.
Um dia � hora de almo�o encontrei uma p�rola na minha ostra.
N�o era grande coisa, mas sempre era uma p�rola.
- Como est� o senhor? - Muito bem.
Ele � de Parma, da terra das violetas.
E do presunto.
- Os teus filhos regressam hoje? - Sim, relutantemente.
- Gostava de me ter despedido deles. - N�o conhecem as violetas de Parma.
Se conhec�ssemos, n�o te privar�amos do prazer de nos falar delas.
S�o muito delicadas
e s�o oferecidas quando se quer dar algo especial.
Quando algu�m est� apaixonado ou quando algu�m morre.
Vejamos, o que vamos comer?
Dev�amos come�ar com massa, n�o achas? Que tal canelones?
Eu adoro canelones. E depois podemos comer talvez...
... frango guisado. Que tal? - Por mim, pode ser.
E para o senhor?
Mel�o e solha.
Mel�o e solha.
Acho que tem medo de ficar com uma �lcera.
- Agora toda a gente tem �lceras. - N�o me espantava, ele come t�o mal.
S� come coisas fritas, bacon,salsichas fritas,
p�o frito, tomates fritos, ovos estrelados.
N�o tentas dissuadi-lo com os teus pratos?
Eu tento, mas que hei-de eu fazer?
Ele foi criado assim, n�o sei como contrariar isto.
Do que ele me conta, era assim que eles comiam.
Se n�o era p�o frito, eram carnes fritas.
J� perdi a conta �s vezes que tentei p�-lo a fazer dieta.
Se lhe desse uma refei��o em condi��es,
ele ia logo comer um desses almo�os com salsichas e batatas fritas.
Com licen�a.
Se ele quer engordar e ficar com uma barrigona,
que engorde. Eu n�o posso fazer nada, pois n�o?
Quando uma pessoa decide fazer uma coisa, n�o h� quem a detenha.
N�o � verdade?
Gino, importa-se de dar isto � minha esposa e de lhe dizer ''buona notte''?
Sim, senhor.
Permita-me.
- Desculpe, minha senhora. - Obrigada.
Aquele sacana! Deixou-nos aqui, o cobarde nojento.
� mesmo coisa de homem, fugir.
Est�s muito aborrecida?
- Nem por isso. - Apetece-te chorar?
Quero comer.
Amanh� vou mandar que te envie umas violetas de Parma.
O meu marido n�o est� no campo.
Ele morreu.
- Eu sei. - Porque n�o me disseste logo?
N�o quis te deixar sem jeito.
Seja como for, tu sa�stes para chorar ou vomitar, n�o sei.
Ent�o, �s livre e desimpedida?
N�o completamente.
Se tiv�ssemos andado juntas na escola, ter�amos sido boas amigas.
Terias sido uma amiga perfeita.
Talvez n�o.
- Fui expulsa da escola. - Ai sim? Eu tamb�m.
- O que fizeste? - Diz-me tu primeiro.
- N�o, tu primeiro. - N�o, tu.
- N�o, tu. - N�o, tu.
- N�o, tu. - N�o, tu.
- S�o 35, por favor. - Fique com o troco, obrigada.
Stella.
- Desculpa, n�o aguentava mais. - N�o tens de te explicar.
Tenho. N�o sabia que ela ia voltar. Ela apareceu no escrit�rio...
Voc�s t�m muito jeito para aparecer e desaparecer.
Mas esse inferno � vosso e � muito inconstante, aborrecido e banal.
- Tu �s muito chata, sabias? - N�o.
Sou apenas superior.
- N�o posso entrar? - � tarde, estou cansada.
- Eu deito-te na cama. - Est�s a ser pateta.
Deixa-me despir-te e fa�o amor contigo enquanto dormes.
Robert, n�o...
Quero sentir-te juntinho a mim.
Muito quietinha.
- N�s fazemos parte um do outro. - �s mesmo terr�vel.
Zee!
Tenho aqui uma conta do Harrods.
Por mandar tingir e limpar a seco, 46 libras!
Eu pago isso, deixa a�.
Sabe bem que n�o pode! J� sei quando gastas o dinheiro da casa.
Compras champanhe e caviar e cortam-nos o telefone!
Espera at� ela descobrir que �s um sovina.
- Cheira-me que tamb�m � gastadora. - N�o mude de assunto.
Vamos verificar estas contas antes que desliguem tudo!
Discutimos sempre por causa das despesas.
- Foi por isso que eu vim para casa. - Para discutir?
Esta manh� disse-te que �amos rever estas despesas.
- E que fatiota � essa? - Vou andar a cavalo.
- Andar a cavalo? - Sim, tu sabes.
E desde quando se anda a cavalo a meio da noite?
Uns amigos perguntaram-se se queria dar um passeio � meia-noite.
Deduzi que se referiam a um passeio a cavalo. Acho que j� tenho tudo.
Pronto.
� melhor conformares-te, n�o vais a lado nenhum.
Larga-me!
- Porra, eles est�o � minha espera! - Que esperem. Quem s�o eles afinal?
Quem s�o eles? Lordes, desocupados, pregui�osos?
� isso mesmo, v� l�.
- Est�s outra vez com ci�mes. - N�o, a� � que enganas!
N�o te iludas. N�o te iludas!
Vamos rever estas despesas...
Hoje deu-te para me amarrar? N�o � preciso, j� estou na cama.
N�o � preciso fazeres isso!
O meu chap�u! Quero o meu chap�u!
Deixa-me em paz!
- Toma l� a porra do chap�u! - Larga-me!
- N�o me podes fazer isto. - Senta-te!
Mas quem julgas tu que �s? N�o me podes fazer isto.
Eu sou uma prisioneira. Vou gritar!
Vou berrar, vou mostrar quem tu �s.
Os santinhos dos teus vizinhos v�o aparecer a� para me salvar.
Quero sair daqui! Quero sair daqui!
Caluda!
Seu mis�gino, seu anti-semita,
seu porco fascista! Seu imperialista!
J� acabaste?
Bobby.
Fofinho?
- �s lindo. - N�o venhas c�.
Lindo.
Vais ter sempre mulheres a teus p�s porque sabes lidar com elas.
Usas e abusas delas e f�-las sofrer.
N�o me incomoda, ela n�o � nada.
Quanto muito, ela s� agu�a o meu apetite.
Eu enfrento-a quando ela quiser
e ganho.
N�o, n�o.
N�o me desamarres. Eu quero assim.
- Deves poder fazer alguma coisa. - J� tentei tudo.
Acho que ele pensa que est� mesmo apaixonado por esta vaca.
Ent�o, faz-lhe o mesmo, tem um caso com um homem lindo.
Se voc�s, homossexuais, parassem de se multiplicar,
talvez arranjasse algu�m com quem o trair.
Escusas de agredir, sen�o n�o te arranjo bem o cabelo.
- E ent�o, como � ela? - Uma maltrapilha.
Pior do que isso, uma maltrapilha com alma.
N�o h� nada que eu odeie mais do que gente com alma.
Est� sempre um pouco ofegante e v� beleza em tudo.
Especialmente na porcaria.
- E o que queres que eu descubra? - Qualquer coisa.
Tudo o que conseguires.
O que fazem, quando se encontram, onde se encontram, qualquer coisa.
H� um maricas que trabalha com ela
e quero que metas conversa com ele.
- Sua cabra. - Sou cabra, mas n�o escondo.
Homens � coisa que n�o falta. Ela pode ter qualquer um, menos ele.
At� trocam cartinhas.
Recusa-se a almo�ar com ele porque gosta de amuar.
At� parece que tu e o Robert t�m sido uns anjinhos.
Porque n�o os amaldi�oamos? Est�o a ter um acidente agora.
Ele escapa por um triz e ela fica desfigurada.
N�o lhe quero dar a satisfa��o de morrer.
E os mi�dos dela, tamb�m lhes lan�amos uma praga.
Zee, recuso-me a compactuar contigo.
Recuso-me a desejar mal a criancinhas.
Vai-te lixar.
Vais fazer isso, n�o vais?
Vais ter com o rapaz e sond�-lo.
Bem, eu realmente preciso de uma roupinha nova.
N�o te disse o que me aconteceu, pois n�o?
No outro dia fui � discoteca, estava sossegado a beber um copo
quando uma criatura divina vem ter comigo de jornal na m�o.
- Eu j� tenho os meus problemas. - Sim, todos n�s temos.
Vamos procur�-los.
Anda, vamos procur�-los.
Est�o na cama, n�o est�o? Aposto que sim!
� luz de vela!
Deitaram abaixo o teu caixote do lixo.
Devem ser mi�dos do bairro a fazerem diabruras.
- O que foi? - Nada.
V� l�, o que se passa?
Sabes que n�o foram mi�dos, foi a tua mulher. Ela est� fora de si.
- N�o digas asneiras. - � capaz de tudo.
No outro dia seguiu-me de carro.
Tentei abstrair-me, tentei fingir que ela n�o estava l�.
Devias ter ido ter com ela e dito: ''Vai dar uma volta.''
Tenho medo.
Stella, tens medo como?
- N�o h� raz�o para ter medo. - Ela nunca nos vai deixar em paz.
Stella, anda c�. N�o chores, querida.
Por favor, n�o chores.
Olha...
E se f�ssemos passar uns dias fora?
Quando?
Amanh�.
Amanh�. O Gavin pode tomar conta da loja.
Vamos...
... � Esc�cia.
- J� estava a pensar que n�o vinhas. - Porqu�?
- Claro que vinha. Entra. - A minha mala.
Eu levo a mala. Depressa, antes que comece a andar.
Sim?
Sim, sou eu.
C�us.
Ela est� bem?
Eu n�o posso fazer nada, pois n�o?
Diga-lhe que eu tamb�m lamento
e diga tamb�m que o custo do conserto ser� pago com a mesada dela.
Est� bem? Adeus.
Robert, o que foi?
Era um amigo da Zee, aquele cabeleireiro maricas.
Ela teve um acidente qualquer com o meu carro, merda.
- Porqu� com o meu carro? - Ela est� bem?
Sim, est� apenas abalada.
Deve ter batido com ele de prop�sito para ter uma desculpa para telefonar!
- Disseste-lhe para onde v�nhamos? - Claro que n�o.
- Ent�o, como � que descobriu? - Sei l�.
- Deve ter-nos seguido numa vassoura. - Meu Deus!
- Ela � incr�vel. - � uma chaga.
- Estou com fome. Vai buscar algo. - Outra vez?
- Sei que vou ficar gorda. - Vou amar-te na mesma.
- Vou ficar t�o gorda que vou perder... - Deixa l� apalpar a tua gordurinha.
Chega de paix�o, ''Tarzan''. Eu vou comer alguma coisa.
Vai, eu ponho mais lenha no lume.
E quando regressarmos, procuramos uma casa nova para n�s
no centro de Londres.
Se queres tanto estar com ela, porque te d�s ao trabalho de vir c�?
Pega na tua tralha e desaparece daqui!
Julgas que me importa que n�o voltes? N�o sou obrigada a esperar por ti!
� tudo uma porcaria.
- Pega na tua tralha e desaparece. - Vejo que j� recuperaste do acidente.
Porque n�o compras um apartamento? Uma casa r�stica, pode ter floreiras.
V� se a janela d� para sul. Vai passar muito tempo na cozinha,
no lavat�rio, ao fog�o, a fazer o pat� caseiro dela
e essas merdas que tanto gosta de exibir.
- O meu carro? - Quando te agarrar, vai ficar gorda.
Eu j� a vi comer, caramba. E vai querer ter mais filhos,
para ter uma rela��o mais plena, entendes? Para manter o casamento.
Mas tu n�o lhe vais poder dar filhos. Ter�o de ir a m�dicos,
juntos, separados. E vais embebedar-te para afogares as m�goas.
Vais come�ar a reparar em pormenores, sovacos malcheirosos, cabelo oleoso,
e vais ter de te embebedar � noite para conseguires fazer o servi�o.
Foi um acidente ou foste contra um muro de prop�sito?
Talvez tenha isso de prop�sito!
Se foi de prop�sito, vais andar de muletas por uns tempos.
Eu n�o faria isso.
N�o conv�m agredires-me outra vez e descobrir que estavas enganado.
Terias de ir ao psiquiatra e pagar 15 libras por sess�o.
''Porque � que fiz aquilo? Porque � que fiz aquilo?''
- Est� na Pol�cia? - Eu sei l�.
Est� numa oficina?
Diz-me! Eu mandei-te falar!
- Bate-me e eu falo. - Cabra de merda, eu mato-te!
N�o, nada disso. N�o te daria essa satisfa��o.
Anda c�!
Anda c�! Eu ainda n�o te mandei embora!
N�o julgues que te safas assim.
Olha l�! Esqueceste-te da tua tralha!
- Estou? - Ele est� nos teus bra�os magricelas?
- Ele n�o est�. - Eu j� deduzia.
Antes de me armar em peixeira e j� que te apanhei,
devias saber umas coisas. - N�o tens nada a ver com isto.
Vai por mim, n�o fazes o g�nero dele. N�o �s uma mulher divertida.
Tens muita paci�ncia para ouvir, mas isso � uma seca na cama.
lsso nunca segurou um casamento, n�o o tipo de casamento que ele quer.
Ele gosta de mulheres descontroladas, por isso � que est� comigo.
- N�o percebe isso? - Cala-te!
Olha a lata.
Cabra.
Eu j� te digo.
- Julguei que te tinhas ido embora. - N�o.
De que adianta?
Ouve...
Eu s� quero saber onde est� o meu carro.
Na oficina South Morton.
Porque n�o me disseste logo?
N�o me deste oportunidade, come�aste logo a atacar-me.
Quem foi? Onde est�? Est� espatifado?
Eu n�o te ataquei.
Estavas com remorsos por causa do teu fim-de-semana pecaminoso.
Bem, vou tentar dormir algumas horas.
Bobby...
N�o podemos parar com estas discuss�es? Com este inferno?
Sim, a partir de agora.
Acorda-me �s 08h00 com caf� feito.
Bobby.
Bobby, Bobby. Bobby.
N�o pode ser assombrada, � nova. Ningu�m morou nem morreu aqui.
Vamos pint�-la de cores alegres.
Podes pintar uma parede, mas tem de ser uma pintura art�stica.
Fa�o tudo o que quiseres. Olha para isto, deixam fazer tudo.
Temos de colocar aqui uns pilares.
Podemos acenar �s multid�es. � linda.
- Sim, n�o � m�. - � linda!
Pintamo-la de cor-de-rosa e dourado, um tom rosado...
Podes fazer o que quiseres.
Como vai ser viver contigo?
N�o me refiro a um dia ou outro, refiro-me a dias e noites seguidos.
Tu gostas do dia ou �s noct�vago? Acordas maldisposto?
N�o sei como sou de manh�, nem a outra altura do dia, j� agora.
O que haver� ali em cima?
- Est�s bem? - Sinto-me apenas um tanto estranho.
- Como est� ela a reagir? - Bem, acho eu.
H� anos que pass�mos por isto.
Ela falou com o advogado dela e eu com o meu.
Ao menos, n�o temos filhos nem preocupa��es financeiras.
Acho que vai viver para um pa�s quente. Ela adora sol.
N�o sei porqu�, mas n�o nos imagino completamente felizes.
Claro que vamos ser.
Vamos ser felizes. Vamos fazer o poss�vel.
- Est�s aqui? - Ol�.
- Onde est�s? - Aqui.
- Ol�. - Ol�.
- Est�s bem? - Estou �ptima, �ptima.
- Foi por n�o termos tido filhos? - N�o.
Devias ter filhos,
tu adoras crian�as.
Sim, acho que sim.
Aquele mi�do que trabalha no teu edificio, o cipriota.
- Ele ainda fala contigo? - Sim, ainda.
Sabes o que ele fez agora?
Comprou um papagaio e est� a tentar ensinar-lhe grego.
Podemos ter um animal de estima��o?
Morrem todos nas nossas m�os.
Um gato.
Umhamster,um can�rio. Tudo de enfiada.
Foi no nosso ano azarado.
Deixa-me fazer alguma coisa que te alegre. J� sei.
Vamos ao restaurante italiano ao cimo da rua. � novo e parece ser bom.
- N�o posso, estou com mau aspeto. - N�o est�s nada.
Continuo a ser a tua menina, n�o continuo?
Sim.
Continuas.
lndependentemente de teres amantes ou outras mulheres, sou a tua menina.
Eu bem disse que n�o dev�amos ter ido �quela festa.
Eu sabia que n�o dev�amos ter ido.
Disseste que a Gladys ficaria chateada. Que se lixe a Gladys.
V�, veste-te e vamos sair.
N�o, eu fico por aqui.
Estou demasiado cansada, demasiado ensonada.
� tarde de mais.
- Acho que � melhor ir dormir. - Anda l�.
Boa noite.
Boa noite.
Bobby...
Alguma vez te sentes s� com ela?
Sim.
Boa noite.
Zee!
Zee!
� melhor vir � frente comigo.
Quanto tempo te deixaram ficar com ela?
Durante uns minutos quando ficou fora de perigo.
O que te disse ela?
Nada, estava desorientada.
N�o sabia onde estava.
Acho que ela...
... deve amar-me bastante.
Achas que isso � amor?
- Voc�s discutiram? - N�o, pelo contr�rio.
- Pelo contr�rio como? - Pelo contr�rio nada.
Por amor de Deus, n�o investigues, n�o questiones tudo o que digo!
- Est� bem. - Ela ia-se matando.
O que queres que fa�a? Que v� segurar-lhe na m�o?
N�o, n�o espero que lhe segures na m�o!
Passou-me pela cabe�a deix�-la morrer.
Estive mesmo para voltar para o quarto e deix�-la esvair-se em sangue.
Houve uma altura...
... em que eu n�o vos conhecia.
N�o passavam de nomes.
lsso foi h� imenso tempo. N�o me lembro de quem eu era,
do que fiz na altura nem com quem sa�.
Ela disse-me para te pedir que fosses visit�-la ao hospital.
N�o para ela se queixar.
Ela s� te quer ver e falar contigo. Ela gosta de ti.
Tu �s uma mulher pr�tica, entendes? Tens um ar sereno.
N�o �s descontrolada.
Estou farta de ser serena.
Estou farta daquilo que os outros esperam de mim.
Eu tamb�m fui enganada, sabias?
Eu tinha um marido que amava, n�s �ramos felizes.
Faz�amos palavras-cruzadas e coloc�vamos papel de parede juntos.
Quando os meus filhos eram beb�s, ele soube que ia morrer.
Tinha um cancro, de desenvolvimento lento.
Ele disse-me coisas que gostaria de ter feito,
qualidades que queria ver nos filhos, viagens que gostaria de fazer.
A �ltima coisa que ele disse foi: "� preciso pintar a fachada da casa".
Depois eu costumava p�r a minha almofada de lado
e fingia que era um homem caso eu acordasse de noite.
Desculpa se dou a sensa��o de ser uma pessoa controlada, o erro � meu.
� uma quest�o astrol�gica, as pessoas do meu signo fazem isso.
No entanto...
... eu vou ficar bem.
E tu tamb�m.
O que � um esgotamento nervoso?
� quando n�o nos conseguimos decidir ou algo assim?
� quando n�o agimos de acordo com o nosso ambiente.
Pare, pare.
N�o diga nada, n�o quero c� defini��es.
Os homens tamb�m t�m esgotamentos?
Um amigo meu teve, come�ou a encomendar coisas por cat�logo.
Tinha a mania das limpezas.
Acho que n�o consigo agradar a nenhuma delas.
- Voc� est� a sair-se muito bem. - N�o seja t�o bem-disposta.
J� parece a minha m�e durante a guerra.
� disso que eu preciso, de uma guerra, de trincheiras.
Vida e morte. Factos nus e crus.
Algo a que me agarrar. O que foi?
Est� chorando? Est� chorando, n�o est�?
Sente-se aqui. Sente-se, tenha calma.
Um dos seus namorados deixou-a?
Desculpe. N�o sei o que me deu.
Eu tenho tudo, um bom apartamento, aquecimento central.
- O John vem l� todas as noites. - E voc� vem-se todas as noites?
Pode dizer-me. V�, confesse.
Pode contar-me tudo o que quiser, quando quiser, desde que eu ou�a.
No outro dia perguntaram-me, acho que foi o meu alfaiate:
''Se a sua esposa e a sua amante estivessem a afogar-se,''
''qual delas salvava?''
Eu disse que salvava a minha esposa porque a amante compreenderia.
Engana-se, nenhuma delas compreenderia.
Vou plant�-las. Nunca se sabe, podem nascer.
- Sabias que gostava de jardinagem? - Sabia, ele disse-me.
Ele nunca me conta nada sobre ti. �s vezes descuida-se
e chama-me Stella.
Vais emprestar-mo, n�o vai?
- Ele � teu marido. - S� na primeira semana quando sair.
Assusta-me voltar para uma casa vazia.
- Eu sei. - Claro que sabes.
Mas agora � a tua vez de teres sorte.
� curioso como somos felizes � custa da infelicidade dos outros.
Eu � tua custa, tu � minha e assim por diante.
Expulsaram-me da escola porque me apaixonei por uma freira.
Que raz�o mais pateta para se expulsar algu�m.
Beijei-a quando ela me arranjava para uma das pe�as da escola.
A mim expulsaram-me por comer h�stias antes de serem aben�oadas.
Qual era o teu papel na pe�a?
Fazia de menino.
- Descasco-te uma laranja? - Sim, obrigada.
Acho que era capaz de me habituar a ter-te como escrava particular.
S� estou dispon�vel para certas ocasi�es.
Planeavas isto h� muito?
N�o.
Foi uma coisa impulsiva.
Estava cansada e tamb�m um pouco b�beda.
Acabara de saber por um amigo
que tu e o Robert alugaram um apartamento juntos.
Acho que isso foi a gota de �gua.
Ultimamente as coisas andavam complicadas.
Mesmo antes de apareceres, as coisas j� estavam complicadas.
Eu n�o sabia se havia de falar ou remeter-me ao sil�ncio.
Mas voc�s v�o ficar bem. No in�cio, v�o divertir-se.
Mesmo no in�cio. � o costume.
Talvez possa ser tua dama de honor.
Fui dama de honor da minha m�e quando se casou pela segunda vez.
Na altura eu s� tinha oito anos. N�o sabia que n�o ia ficar com ela.
Porqu�?
Bem...
O homem com quem ela se casou n�o me queria.
At� ent�o, �ramos muito chegadas.
Ela era mais uma amiga do que uma m�e.
Obviamente, n�o o posso censurar.
Quem quer ter uma mi�da de oito anos por perto?
Por isso, mandaram-me para o col�gio.
N�o me lembro de a ver muitas vezes depois disso.
Nunca contei isto a ningu�m, nem ao Bob.
S� tu sabes isto.
- lsto � vitoriano ou qu�? - Ou qu�.
- Bem me quis parecer. - Damos uma festa de inaugura��o?
- Sim, se quiseres. - N�o temos amigos m�tuos.
Temos pois, temos os teus meninos.
Sabes o que o Shaun me disse no outro dia?
''Diga ao Robert que um padrasto obt�m grandes favores
''com prendas materiais.''
- O Shaun deve � ser chantagista. - � verdade, s�o os dois.
E eu tomei v�rias resolu��es. Vou ser menos extravagante.
N�o vou falar de manh�. Levanto-me cedo, excepto ao domingo,
quando fico na cama a comer torradas e a ler jornais.
E prometo nunca ficar constipada. Vamos andar sempre divertidos, sim?
Vamos?
Ficas c� hoje?
N�o posso.
A Zee convidou uns velhos amigos para irem l� a casa.
� uma esp�cie de despedida minha.
Ela consegue sempre intrometer-se entre n�s.
� a �ltima noite, n�o podia recusar. E tenho de ir buscar umas coisas.
Est� bem. Eu vou continuar a tirar as coisas
e depois vou comprar comida e flores.
Eu volto assim que puder.
- � isto que os p�ssaros f�mea fazem. - Para qu�?
Para alimentar as crias.
- Amor, n�o me prometeste uma dan�a? - Fant�stico!
Amigo, que tipo de festa � esta?
Uma festa regada a �lcool dada pela minha esposa.
N�o entendo, juro que n�o entendo. � uma pena.
� mesmo uma pena, voc�s sempre foram t�o divertidos.
- Sim, foi muito divertido. - Agora n�o h� muita gente divertida.
Olha s� para esta cambada, demor�mos duas semanas a reuni-los.
Bobby, � a minha vez de dan�ar.
O meu Bobby est� b�bedo.
Anda, amor.
Amor, vem com a mam�e.
Lindo menino. Anda.
Lindo menino.
Espera a�.
Zee?
- O que queres? - A festa j� acabou.
- Viemos despedir-nos. - Boa noite.
� meu querido. Meu amor.
O que est�s a fazer?
Prometeste ficar at� o Gordon poder vir morar comigo.
Tu prometeste.
- S�o s� mais alguns dias. - N�o resultaria.
Tu prometeste-me.
Ontem estava t�o enfrascado que n�o me lembro do que disse.
E desde quando cumprimos promessas?
Desde ontem quando me levaste para o quarto para conversar.
N�o me lembro de nada disso, foi mais um dos teus jogos.
Dos meus jogos? Tu � que me levaste para a cama.
E prometeste-me muita coisa.
Foste tu que me possu�ste! Tu, tu!
Conseguiste o que querias, n�o foi? Eu n�o sabia o que fazia.
- Ontem � noite n�o significou nada. - Significou pois!
Tu �s demasiado falso para admitir. ''Ai, amor, meu amor.''
- ''Tu �s o meu amor. �s tu, �s tu.'' - Cala-te, ordin�ria de merda!
Cala-me essa boca nojenta!
Estou farto de alinhar nos teus jogos! Para mim basta!
S�o aborrecidos, inconstantes e banais!
Para ti basta? Seu hip�crita.
Vai-te embora, ent�o! Desaparece!
Vai ter com a tua mulher perfeita, fazem um par perfeito!
Um par perfeito de grandes fraudes!
A fraude aqui �s tu!
Ao menos, � sincera, n�o precisa de jogos para sobreviver.
Sincera?
Tu �s mesmo falso. �s t�o fraco e medroso que chega a ser pat�tico.
Achas que ela vai salvar-te, n�o �? Ela � t�o falsa como tu!
E tu �s o qu�, raios?
Posso ser a pior coisa do mundo, mas eu mostro o que sou.
N�o sou mentirosa como ela. Tudo nela � uma mentira.
- Esconde-se atr�s de uma m�scara... - C�us, tu nunca paras?
Tens de convencer-te de que os outros s�o todos reles e ruins como tu,
sen�o voltavas a cortar os pulsos!
N�o tenho me de convencer, eu acho que sei o que ela �.
Acho que sei, ela praticamente disse-mo.
Sai daqui e deixa-me em paz!
Estou farto de ouvir a porcaria que sai dessa tua mente torpe!
Tu distorces tudo o que v�s! N�o quero ouvir mais nada!
N�o quero ouvir mais nada do que tens a dizer enquanto for vivo!
Deixa-me em paz!
Diverti-me imenso ontem � noite � espera que tu chegasses.
Foi maravilhoso ser� acordada pela Gladys
a dizer que eu perdera uma festa e peras.
- Mas n�o perdeste. - Mas n�o foi um jantar chato.
- N�o, n�o foi. - Ela diz que dan�aram a noite toda.
N�o sei se dancei, estava b�bedo.
Mas decidiste ficar.
N�o decidi nada, apaguei!
Que porra!
Prometemos dar espa�o um ao outro. Lembras-te de tudo o que disseste?
Sim! E ainda prometo isso, mas o resto n�o me agrada.
As estrat�gias, as intrigas, o facto de tu lhe dares esperan�a!
Eu s� lhe dou dinheiro.
D�s, sim, tu prolongas a situa��o.
Est� bem. Sugeres suic�dio ou homic�dio?
Nem um nem outro, s� quero sinceridade!
Ontem foi a festa, hoje vais aconcheg�-la na cama!
Sempre dormimos em quartos separados.
N�o quero saber se t�m quartos, camas ou fornos separados.
S� n�o quero que ela e os desejos dela fa�am parte da nossa vida.
Ela n�o me quer aos p�s da cama para assistir?
Vou perguntar-lhe.
N�o te quero ver assim.
N�o quero ser vista assim.
�s tudo aquilo que sempre desprezei e eu sou tudo o que jurei nunca ser.
Foi isso que o nosso amor nos fez.
Pronto, est� decidido.
Vamos esquecer tudo.
Eu n�o tinha inten��o de me apaixonar por ti.
Eu queria ter um caso, divertir-me, como todo o homem quer.
Mas eu realmente apaixonei-me por ti.
Foi isso que aconteceu e � assim que as coisas s�o.
Quanto �s outras coisas, � vida dela, � minha..
Isso n�o vale nada, � uma confus�o. N�o quero esse fardo...
... mas ele � meu.
Agora preferia que a tivesses deixado morrer.
Estou, Rita? Fala o seu chefe.
- O que se passa por a�? - Telefonaram v�rias pessoas.
- Mr. Nelson quer mostrar-lhe uns... - Esque�a l� isso.
- Quero que venha almo�ar comigo. - Onde?
Voc� sabe, no mesmo s�tio onde costumamos almo�ar.
Est� bem, mas vou demorar uns 15, 20 minutos.
Eu espero.
A porta da frente estava aberta e eu entrei.
Fui � tua outra casa, mas disseram-me que te mudaras.
� muito bonita.
Limpa.
Nova.
O que queres?
O que queremos as duas?
Fiquei � espera que me telefonasses depois daquela conversa no hospital.
N�o sei... De que raio est�s a falar?
Uma rapariga tem de ser crescida para ser expulsa por beijar uma freira.
Que idade tinhas, Stella?
Lamento, mas voc� n�o tem nada com isso.
Uma crian�a n�o pode ser expulsa por se apaixonar.
Se tinhas 15, 16 anos, nesse caso...
Deve ter havido outros motivos.
Apaixonaste-te por outras raparigas na escola?
Podes dizer-me, amor. N�s somos amigas.
N�o h� nada a dizer.
V� l�, Stella, n�o dificulte as coisas.
Tu �s louca.
N�o somos todos um pouco loucos?
- Aqui tem, obrigado. - Obrigado.
Stella.
Stella, deixa-te de patetices.
Stella.
Stella, deixa-te de patetices.
Abre a porta.
Stella!
- O que fazes aqui? - Vim s� fazer uma visitinha.
- A Stella? - Est� no quarto.
Stella?
Stella?
Stella.
Deixa-me em paz. Por favor.
O que aconteceu?
N�o sei.
Ouve, Stella...
N�o se preocupe, ela agora est� confusa, Bobby.
Ela daqui a uns dias j� est� boa. Pode ser que nos juntemos todos
e falemos dos bons velhos tempos, de antigas paix�es.
Venha, "paizinho".
A menina quer comer alguma coisa.
Foi um dia e tanto.
Voc� vem?
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