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Original subtitles

É a sua opinião. Eu acho que é uma decisão empresarial.

Os canadianos pagam 10 milhões de dólares por ano ao Price

porque a concorrência pagaria o mesmo. Quem manda é o mercado!

Se és tão inteligente. porque não és presidente dum banco?

Ou reitor duma universidade?

Os de Lennoxville tiveram uma indemnização de 650 000 dólares.

É isso que te digo.

Sou demasiado inteligente.

Desculpa?

A inteligência não é...

Não é uma vantagem.

É um handicap.

Imagina que vendes aspiradores.

És ligeiramente bronca. Dizes a uma senhora:

"Minha senhora, este aspirador vai fazê-la muito feliz".

E acreditas nisso, porque és um bocadinho bronca.

A senhora fica comovida pela tua sinceridade.

Ela compra o aspirador.

O modelo de luxo.

És nomeada vendedora do mês,

gerente principal, presidente da empresa.

Uma success story!

Mas se fores minimamente inteligente,

sabes bem que a felicidade não depende dum electrodoméstico.

A senhora adivinha-te o pensamento, não compra o aspirador

e tu perdes o emprego.

Mas escreves um romance incrível sobre a miséria humana e ficas rico e famoso.

Não!

Porque também aí a inteligência é um handicap.

Os escritores famosos são na sua grande maioria burros.

O Dostoyevsky empenhou as peles da mulher para jogar no casino.

Estava convencido de que ganharia,

incapaz de compreender a lei das probabilidades.

O Tolstoy proibia os seus servos de ser vacinados.

Louis-Ferdinand Céline refugiou-se na Alemanha com os últimos SS. Era louco!

O Hemingway julgava-se pugilista! Grandes génios!

- E os filósofos? - Ainda pior!

O Heidegger era nazi.

O Jean-Paul Sartre era Estalinista. No final da vida, louvava o Pol Pot.

O Althusser estrangulou a mulher!

Os políticos são igualmente lamentáveis!

O George Bush...

O Silvio Berlusconi... o Nicolas Sarkozy...

O Tony Blair!

São todos uns míseros insignificantes!

O Donald Trump...!

Foi eleito por 63 milhões de americanos.

Claro.

Os imbecis adoram cretinos.

Então somos todos imbecis?

Não.

Não, há gente muito inteligente.

- Sobretudo homens, presumo. - Não.

Tanto homens como mulheres.

- E onde estão essas pessoas? - Estão isoladas.

À beira-mar.

Nas montanhas.

Às vezes, em apartamentos em cidades,

em mosteiros,

em laboratórios...

Nunca lerás sobre eles nos jornais, nunca os verás na televisão.

Não escrevem em blogs, não têm página no Facebook.

Trabalham como estafetas e saem com caixas de banco divorciadas?

Exacto.

Eu adorava ter algum dinheiro,

faria uma viagem com o meu filho.

Talvez venhas a ter, um dia.

Achas-me estúpida demais para enriquecer um dia?

Não foi isso que eu disse.

Há quanto tempo estamos juntos, Pierre-Paul?

Um ano e meio?

Porque nunca foste capaz de me dizer que me amas?

Porque...

Porque não sei o que isso quer dizer ao certo...

Não devemos falar à toa.

Wittgenstein.

Ou seja...

Ludwig Wittgenstein.

Não consigo continuar assim.

Então não continues.

O que conta não é a inteligência.

É o afecto.

Sim...

Sim, é isso.

Metes-me pena.

Vais acabar tão sozinho!

É óbvio há muitos anos, Rob.

O Cristiano Ronaldo ganha 186 milhões de dólares por ano!

Lembre-se que os estádios estão cheios.

O Roger Federer ganha 128 milhões e é suíço.

Não paga um tostão sobre o que ganha fora da Suíça: ou seja, sobre quase tudo.

A QUEDA DO IMPÉRIO AMERICANO

O "Le Parcours", jornal da rua.

- Olá, Jean-Claude! - Viva, Pierre-Paul! É o último número.

O último?

Não, deixa estar.

Obrigado, meu amigo. A Providência recompensar-te-á.

Para ser sincero, não confio muito na Providência.

Eu sei,

mas se não fosse a Providência, eu estaria morto por overdose há que tempos!

Três dólares.

Obrigado, tenha um bom dia.

Um dia serás recompensado, meu amigo.

"Pois o Senhor está cheio de ternura e compaixão"

"e recompensa os Justos, amiúde mesmo neste mundo."

São Tiago, Acto dos Apóstolos.

- Sim, boa tarde. - Adeus, meu amigo.

Tome. Tenha um bom dia.

Bom dia.

Enche o saco!

Enche!

Larga isso, cabrão!

Não te mexas! Mãos ao ar!

Mais alto!

Volta-te!

Apoia as mãos na carrinha e afasta as pernas!

Afasta as pernas!

Fica assim, não te mexas!

43-1 estúdio, estamos 10-12 no 409.

Chamada confirmada, há um corpo no chão.

Mandem uma ambulância para um homem baleado.

Caraças!

Quando saí da carrinha...

... vi um homem estendido.

Ouvi as sirenes

e depois chegou a polícia.

Quando chegou, não viu ninguém a fugir?

Não.

Pode atender.

Está?

É uma cena incrível, fui surpreendido por um assalto.

Aviso já que não vou conseguir fazer as entregas todas.

Já te ligo.

Às vezes, esquecemos os pormenores.

Se se lembrar de alguma coisa, ligue-nos.

Está bem.

Que se passa aqui?

Parece uma tentativa de assalto.

Perdeste o Morosi.

O Nick?

O que fazia ele aqui?

Não sei, amigo, é teu guarda-costas, não meu.

É meu chefe de segurança.

Pois está morto.

Quanto tinhas no cofre?

Não sei, o negócio não andava famoso.

Foi por isso que compraste um cofre bancário?

Tive oportunidade de comprar um e não quis perder.

Está vazio.

Vazio?

Por acaso, não estarias a guardar dinheiro duns amigos?

- Que amigos? - Não sei.

- O Gang do Oeste, por exemplo? - Não são amigos, são conhecidos.

Vamos investigar.

A expressão que se ouve todos os dias na imprensa é...

... "evasão fiscal".

As firmas de contabilidade preferem chamar-lhe "optimização fiscal"

ou "planificação fiscal agressiva".

A estratégia é sempre a mesma:

enviar o dinheiro para países com poucos ou nenhuns impostos.

Uma prática que data de há mais de um século.

O Banco da Nova Escócia abriu a primeira sucursal na Jamaica em 1899.

Corria tudo bem de acordo com o plano,

até que o nosso Governo, sempre com falta de fundos,

obrigou todos os bancos de todos os países membros da OECD

a revelar imperativamente a identidade

de todos os detentores de contas no estrangeiro.

Ou seja: se esconderam 5 milhões de dólares num banco nas Bahamas,

estão perante um dilema.

Ou comunicam voluntariamente o facto ao governo canadiano,

que vos aplicará uma multa de 30, 40...

... ou 50%. É uma questão de negociar.

Ou então inventam...

... um novo estratagema de evasão.

Ponham a imaginação a funcionar.

Claro que isto só se aplica aos indivíduos.

No que toca à fiscalidade das empresas,

às Google e às Microsoft deste mundo, aplica-se uma conversa bem diferente

que estudaremos no segundo período.

"Segurança Pública"

"Não transportamos dinheiro"

Queres dizer-me o que fazes em casa?

Vim mudar de roupa.

Porque não me preveniste?

Só demorei um minuto.

Só sei que não estás na tua volta.

Vou já tratar disso! Vou já tratar disso.

Tens dinheiro?

Não.

Tivemos um contratempo, mas eu depois arranjo.

- Sem dinheiro, não te toco. - Por favor!

"Roupa"

- Onde estiveste? - Na esquina da René-Lévesque.

A rua está bloqueada, carros parados. E os motoristas dão-me dinheiro.

Bom apetite.

- Olá, Joseph. - Olá, Pierre-Paul.

O Marcel andou à tua procura.

Sim, eu sei, mas fui para Rougemont apanhar maçãs.

Não ficaste lá muito tempo.

Não, mas agora aquilo são só mexicanos.

Fazem horas e horas por um salário de merda.

Acredita, já não há lugar para nós.

Não tenho fome.

Só quero o meu saco.

Toma. Experimenta lá este.

Não estavas em Abitibi?

Sim. Fui ao funeral da minha irmã.

Não a via há 30 anos.

Quando leram o testamento,

soube que ela me deixou $200.

Os meus sobrinhos não gostaram.

Tentaram contestar.

O dinheiro tem uma linguagem própria

que a maioria das pessoas não compreende.

Uma expressão como "criar valor para os nossos accionistas"...

Na verdade, significa encerrar fábricas.

Despedir milhares de trabalhadores, destruir regiões inteiras.

Tu devias dar aulas.

Não posso. Ganho mais como estafeta do que como prof de filosofia.

É verdade.

"Combater o défice", no fundo, quer dizer castigar os pobres.

São os pobres e não os ricos que precisam de subsídios do governo.

Mas as empresas dos ricos beneficiam de apoios governamentais.

Foi isso que destruiu os Estados Unidos.

O dinheiro.

Acreditar unicamente no dinheiro.

O dinheiro a mim não interessa.

E é precisamente por isso que o mundo te considera uma pessoa sem importância.

Um homem sem qualidades.

Precisamente como eu.

Sabes qual é o meu sonho?

Qual?

Ter um cantinho meu,

pequenito,

com uma cama...

um cadeirão para ler...

Uma televisão para ver desporto.

É esse o meu sonho.

Não voltar a ter medo de acabar na rua.

Não imaginas o que é andar pela rua à noite, no mês de Novembro...

A chover, com frio...

... sem saber onde vamos dormir!

Passar a noite...

na entrada de uma loja...

ou debaixo dum viaduto...

Às vezes, ainda tenho pesadelos.

- Vai mais uma cerveja? - Sim.

- Por minha conta. - Nem pensar.

Sim, sim, hoje o dia rendeu bem!

Ronald! Mais uma rodada!

... e citou como exemplo a libertação para breve de Sylvain Bigras,

que terá servido apenas 4 de uma sentença de 9 anos,

por extorsão e receptação de produtos roubados.

Bigras, conhecido entre os motards por The Brain, o Cérebro,

obteve especial autorização do Ministério da Justiça

para frequentar as aulas de Gestão da Universidade do Québec, em Montreal,

estando a terminar o curso de Administração e Gestão.

No desporto, os canadianos voltaram a perder...

Olá, Sr. Bigras.

Posso levá-lo a algum sítio?

A que devo a honra?

O carro é mais confortável do que um autocarro.

Não, obrigado. Eu desenrasco-me.

Procuro um consultor financeiro.

- Há muitos no centro. - Eu sei, mas...

Preciso de uma pessoa como o senhor.

Não tens um carro teu?

Não.

E precisas dum consultor financeiro?

Sim.

Boa sorte.

Deixo-lhe o meu número e o meu telefone.

Preciso de ajuda, tenho mesmo muito dinheiro.

Sra. Rosalbert?

Sim.

Carla McDuff, da Polícia de Montereal. O meu parceiro, Pete LaBauve.

Pensei que a polícia não pudesse entrar no bairro.

Normalmente não podemos, mas estamos preocupados com o seu filho, Jacmel.

- Ele está? - Não.

- Mora consigo? - Às vezes.

- E viu-o recentemente? - Não.

Conhece um Chénier Augustin?

Não.

Era o melhor amigo dele na prisão.

Foi morto num assalto.

Queríamos saber há quanto tempo é que o seu filho não o via.

Se o vir, peça-lhe que nos telefone.

Muito bem.

Adeus, minha senhora.

Tenha um bom dia.

Olá, senhores!

Chamo-me Johanne.

Recebo-vos no meu apartamento em Verdun, com a maior discrição.

A minha especialidade:

broches profundos.

Estou à tua espera.

Quero concretizar as tuas maiores fantasias.

Vem brincar com a Barbara!

Olá, meu querido, sou a Alexia.

Sou calorosa, sensual e muito bem proporcionada. Vem ter comigo.

"Aspásia, Cortesã"

"Mas para melhor começar"

"apressemo-nos a assegurar"

a minha felicidade e a vossa".

"Racine"

"Quando posso, senhora, ter um tão doce encontro?"

O desporto profissional é a doença mental dos políticos.

Podíamos comprar os terrenos do centro da cidade para fazer o novo estádio.

Deve render imenso, não?

Pensa no Estádio Olímpico.

Há que começar por saber de quanto dinheiro estamos a falar.

Eu tenho dinheiro.

Quanto?

Não sei ao certo.

Ouve bem.

Eu estou a recomeçar de novo.

Não devo nada a ninguém,

e quero fazer tudo como deve ser.

Quero ver a tua carteira de investimentos,

os extractos bancários.

Números concretos.

Agora perco o meu tempo. Contacta-me quando tiveres algo para me mostrar.

Aspásia?

É o meu personal trainer.

É cinturão negro.

Tenho aqui um botão de pânico.

Costuma usá-lo muitas vezes...? A esse botão do pânico?

Não, mas é uma precaução.

Pois...

Nunca sabe com quem é que... está a lidar.

Aprendemos a desenrascar-nos.

Em geral, os homens não são complicados.

Quer que lhe pague já ou...

Não leu a minha mensagem?

Sim, mas não percebi tudo.

Ponha o dinheiro num envelope.

Pouse-o num sítio qualquer.

Tecnicamente, faz uma contribuição a uma das minhas obras de caridade.

Porque escolheu o nome Aspásia?

Foi a primeira grande puta.

Era amiga de Sócrates.

Sim.

Num dos primeiros diálogos de Platão, Sócrates põe a questão:

"O que é a beleza?"

Um dos alunos responde: "A beleza é uma rapariga bonita".

Talvez estivesse a pensar nela.

Você lê muito.

Sim.

Posso oferecer-lhe uma bebida?

Tenho vinho branco no frigorífico.

Está bem.

Desculpe, estou muito nervoso.

É a primeira vez que...

Sempre tive dificuldade em conhecer mulheres, não sei abordá-las.

Tenho a sensação de que...

... as enfado.

Detesto bares, a música é muito alta.

Merda...

Não sei porque lhe conto tudo isto...

Não precisa de estar nervoso.

Não precisa de provar nada.

Podemos simplesmente...

... conversar, se preferir.

Diga-me o que lhe apetece.

É para isso que aqui estou.

Conversar, claro, mas...

ao mesmo tempo, eu...

O quê?

Não quero perder...

O quê?

O sexo.

Não tem vergonha?

Seu maroto!

Aviso-a já que não tenho a certeza de conseguir...

Tem uma gravata?

Uma gravata?

Uma gravata.

Sim, comprei uma para o funeral da minha avó.

Vá buscá-la.

Sente-se.

Tenho gostos muito convencionais.

Cale-se.

Bom...

O que vamos fazer com isto?

Aquilo que quiser.

O que é?

My God! Está bem, adeus.

Desculpe, tenho de ir.

Lamento.

- Conhecemo-nos? - Que eu me lembre, não.

Não te interrogámos no caso do Juiz Gamache?

Não gosto que me trate por tu.

- Lembras-te dela? - Se lembro!

- Tenho pressa, com licença. - Bom dia!

Minha senhora...

- Bom dia. - Bom dia.

- Bom dia! - Bom dia.

A sua família tem dinheiro, Sr. Daoust?

O meu pai trabalha numa fábrica de pneus. Porquê?

Uma visita desta rapariga custa-lhe dois meses do salário, talvez mais.

É a mais cara de Montreal.

É uma amiga.

Que vem visitá-lo à tarde e traz o motorista?

Exacto.

E costuma deixar-lhe as cuecas assim, como prova de amizade?

Não nos tome por imbecis, Sr. Daoust, isso só vai complicar as coisas.

A loja que foi assaltada acolhe os depósitos do Gang do Oeste.

Maioritariamente de irlandeses e judeus.

São também eles quem controla o porto.

Não são meninos de coro.

- Porque me diz isso? - Para saber no que se meteu.

- Eu não me meti em nada. - Queira ou não, é a principal testemunha.

O dono da loja que viu com o Mercedes chama-se Vladimir François.

Um veterano dos gangs.

Toda a gente anda atrás desse dinheiro.

Quem o roubou vai morrer, é só uma questão de tempo.

É um tipo bastante invulgar.

Sabem que é doutorado em Filosofia?

Então é muito inteligente.

Acima da média, sim.

Tem localizadores nas suas carrinhas?

Temos Geotabs, como toda a gente.

Tem o registo do dia do assalto?

Dê-me um segundo.

Fez a rota programada.

Esteve parado junto à loja assaltada... três horas.

Vocês estavam com ele.

E depois passou em casa.

Podia ter apanhado alguma coisa no local e levado para casa?

Sim, mas não abriu a porta de trás da carrinha,

por isso teria de ser algo pequeno.

Carla McDuff.

Fala a Sra. Rosalbert. O meu filho desapareceu.

Desde quando?

Saiu ontem à tarde e nunca mais voltou. Já liguei para todo o lado.

- Olá. - Viva.

O Jacmel Rosalbert desapareceu.

Quem?

O melhor amigo do tipo que foi abatido no assalto à tua loja.

Faziam ambos parte do teu antigo gang.

Já não tenho contacto com nenhum desses gajos.

E não estavas ao corrente do desaparecimento dele?

De modo nenhum.

Tiveste notícias dos teus amigos do Gang do Oeste?

Não, porquê?

- Parece que não estão contentes. - Não?

Parece que puseram homens na rua para encontrar os culpados.

Para mim, é novidade.

Não tens falado com eles?

Não.

Olá.

Disseste que querias levar uma vida séria.

Mas esqueceste uma coisa:

tens cadastro.

Se há alguém que os banqueiros e os inves- tidores não querem ver é um cadastrado.

Em contrapartida, eu sou o exemplo de bom cidadão.

Família trabalhadora, curso universitário,

nunca tive confrontos com a justiça...

Precisas tanto de mim como eu de ti.

Não posso mostrar-te extractos bancários,

porque o dinheiro que eu tenho está em dois sacos desportivos.

É o dinheiro do Gang do Oeste?

- Como sabes? - As notícias correm depressa.

Esse dinheiro está muito quente, não se pode utilizá-lo.

Há de arrefecer.

- Mas até lá, é perigoso. - Eu sei.

Mas tenho de arriscar.

É fundamental, a sorte está ligada à felicidade.

É o que diz a "Ética" de Aristóteles.

A minha família sempre foi pobre.

Ainda não consegui pagar o empréstimo para os estudos.

Esta é a minha hipótese de me safar.

Se me prenderem, se me matarem...

Pelo menos, tentei.

Mas não sei o que fazer.

Preciso de ti.

Podemos dividi-lo a meias, se quiseres.

C'um cálice! 'Tás completamente louco! Um cidadão às direitas!

Não estarás a exagerar, com essa farpela de ninja?

Isto está cheio de câmaras de segurança, devias ter pensado nisso.

Regra principal: não mudes nada na tua vida.

Mesma rotina, mesma roupa, continuas a trabalhar, não compras um carro,

não mudas rigorosamente nada, está entendido?

Entendido.

Isto é o dinheiro todo?

Quase.

Quanto é que falta?

Deixei algum, numa gaveta lá em casa...

E gastaste-o?

Encontrei um site de encontros,

por acaso... - Claro.

E encontrei uma rapariga que usa o nome de uma amiga...

... de Sócrates.

Além disso, citou a "Bajazet" de Racine.

Não resisti.

- Devias ter resistido. - Eu sei.

Os detectives viram-na em minha casa e reconheceram-na.

Disseram que ela era cara demais para mim.

Caraças...

Qual é o problema?

Quando a polícia confisca dinheiro,

o que achas que fazem com ele?

Não sei, entregam-no ao governo?

Metade. A outra metade fica para a polícia.

Usam-no para financiar as suas operações.

A polícia começa sempre por procurar o dinheiro.

Essa mulher... Não podes continuar a vê-la.

Não, tenho de voltar a vê-la! Tenho de a ver!

Eu disse-lhes que éramos amigos.

Foi o meu álibi.

C'um cálice!

Onde está o dinheiro?

Não sei do que falas.

Estavas com o Chénier, pegaste no dinheiro e fugiste.

Não, não estava lá!

Acho que estavas.

Não.

Não acredito em ti.

Pela última vez...

Onde está o dinheiro?

Não sei.

Não sei.

Ele não tem o dinheiro, portanto tens um problema, amigo.

Que problema?

Tu és o banco, és responsável.

Não sou responsável pelo assalto.

És, sim.

"Morro, se a perco; mas morro, se espero." - Andrómaca. "Amanhã? Pierre-Paul"

Foi preciso reconstruir completamente os rotadores dos dois lados

e religar os dois labrums superiores.

A fisioterapia será fundamental, mas vai ter sequelas.

Tinha também dois ferimentos de bala, um na anca e um na coxa.

As feridas foram cosidas, mas infectaram.

Estou no estacionamento da Maison Smith.

Eu estou no observatório, em Camillien-Houde.

Obrigado.

Trouxe o dinheiro para logo à noite.

Obrigada.

Mas faltam 200 dólares.

Pelo caminho encontrei um amigo que trabalha para o "Le Parcours",

é uma organização que ajuda os sem-abrigos.

Têm uma actividade especial para a semana e precisavam de dinheiro.

E pensei que assim teria mesmo de voltar a ver-me,

para cobrar a dívida.

Foi um estratagema.

Dá-lhes muito dinheiro?

Tento ajudá-los.

Há tantos sem-abrigo em Montreal, cada vez mais.

Sim?

Não reparou?

Não.

- À entrada do metro. - Nunca ando de metro.

Os que mais sofrem são os lnuit.

Há lnuits em Montreal?

Sim, muitos!

E índios também.

Não sabia.

A cidade está cheia de proscritos.

É um homem generoso.

Isso é bom.

Eu sou...

... egoísta.

Ninguém é perfeito.

Obrigada.

Tenho direito a um passeio?

No parque?

Sim.

Está bem.

- Podes ir-te embora. - Tens a certeza?

Sim, está tudo bem.

- Tu é que mandas. - Ciao!

Desde que foi a minha casa...

... estou sempre a pensar em si.

Isso deixa-me absolutamente feliz.

Há muitos homens que se apaixonam por mim quando me conhecem.

A sério?

Sim.

Dura um mês...

dois...

Depois, inevitavelmente, regressam à realidade.

Às vezes, ficamos amigos.

E quando é suficientemente longe para ser seguro,

levam-me com eles em viagem.

Fui muito ao Dubai, ultimamente.

Nem sempre com homens velhos.

É surpreendente o número de jovens bem parecidos e ricos

que não se contentam com a mulher que têm.

Deve achar-me ridículo.

Um estafeta da Col-Par.

A minha mãe é cabeleireira.

Djemma?

Onde estás?

Estão só ali sentados.

Vão contar a vida um ao outro, vai ser interminável!

Quando me tomou nos braços, eu...

Nunca me senti tão feliz.

É verdade, não exagero!

Não me conhece.

Vou aprender a conhecê-la.

Sou terrivelmente superficial.

Sou doutorado em Filosofia. Posso adicionar a profundidade.

Quando eu era novo, tinha ambições.

Queria escrever ensaios filosóficos.

Andam às voltas no jardim.

Apercebi-me de como era ridículo.

Tenho...

... um favor a pedir-te.

O que é?

Quero saber o teu nome.

Eu nunca digo o meu nome.

Eu compreendo, mas...

Quero poder dar um nome ao rosto da mulher que vou amar.

Não vai ser possível.

De onde vem o dinheiro que me dás?

Roubaste-o?

É uma história inacreditável.

Que não me podes contar?

Que não te devo contar, não.

Pensei que não tinhas segredos para mim.

Tenho más notícias, meus amigos.

Não estão com ar de quem se vai deitar. Cá para mim, vão continuar acordados.

Então vamos acordar o LaBauve. Se quer continuar, arranje outra equipa.

Mostraste-lhe o teu dinheiro?

Ele sabe onde está?

Um motard?!

Pareceu-me simpático.

Estás doido? A tua arrecadação já deve estar vazia!

Não necessariamente, tenho tendência a confiar nas pessoas.

Eu bem te disse.

Qual foi a ideia!?

Um motard?!

Não fui feito para uma vida de crime.

Vou voltar às minhas entregas.

Ao menos, conheci-te.

Mesmo não tendo sido por muito tempo.

Atende, deve ser um tipo que te quer levar ao Dubai.

Desculpa!

Não vás, por favor!

Eu arranjo dinheiro!

Venderei droga, farei assaltos, roubarei carros... o que for preciso.

Posso perguntar-lhe o que faz aqui, Menina Lafontaine?

Como é que lhe chamou?

Lafontaine.

Camille Lafontaine. Como queria que lhe chamasse?

Não sabia o nome dela? Uma amiga tão íntima?

- Não, foi a entoação dele. - Foi você que alugou o espaço?

- Sim. - Porquê?

Para mim.

Para guardar roupa. Tenho a casa cheia, é por isso que aqui estou.

E não teve tempo ainda de a trazer para cá?

Exactamente.

É possível que tenha alugado este espaço no dia a seguir ao assalto?

Já não me lembro.

Não será difícil descobrir em que data foi.

Este é o Jacmel Rosalbert.

Está no hospital Saint-Luc.

Há pessoas que desconfiaram que ele roubou o dinheiro e torturaram-no.

Eu mostro-lhe o que lhe fizeram.

Primeiro algemaram-no,

depois amarraram-no a um cabo,

e começaram a içá-lo.

Lentamente.

A dada altura, elevaram-no por completo.

Os ombros começaram por aguentar,

mas depois os músculos rasgaram-se todos...

... e os braços soltaram-se dos ombros.

É a forma de tortura mais simples mas que mais dores provoca.

Os SS faziam-no sempre em Auschwitz.

A pessoa que roubou o dinheiro é responsável por isto.

Não vejo qual a relação comigo.

Por favor...

Obrigado.

De certeza que ele não está aqui, já deve ter partido há muito.

Estupor!

Procuras o teu dinheiro?

Está aqui.

Podes contar, se quiseres.

Eu não sou advogado, sou um criminoso, sou honesto.

Como abriste o cadeado?

Há gente que vende chaves-mestras, não sabias?

Telefonei aos meus amigos na polícia.

Teus amigos?

A polícia de Montreal está cheia de bufos. Também não sabias isso?

Quando soube que eras seguido,

percebi que havia que tirar dali o dinheiro rapidamente.

Realmente eles chegaram logo depois de nós.

Claro.

Estão a visionar todas as câmaras de segurança.

- Tens um álibi? - Que álibi?

O que há nestes sacos?

Porque os meteste na arrecadação?

Quem sou eu? Porque fui buscar os sacos?

- Precisas de arranjar respostas! - Vou encontrá-las.

É a tua acompanhante?

Foi ela que te meteu na cabeça que eu te ia roubar?

- Viste filmes demais. - Achas?

Nos filmes, a rapariga má finge-se apaixo- nada pelo rapaz para lhe roubar o dinheiro.

Porque, como é evidente, a única coisa que interessa a uma acompanhante...

... é o dinheiro.

Um raciocínio de motard, um raciocínio bronco.

E claro que os motards são traidores.

Raciocínio de acompanhante, raciocínio de bimba.

- Geralmente, é verdade. - Há excepções.

Talvez.

Camille, apresento-te o Sylvain. Sylvain, a Camille.

A minha filha, Cindy.

Olá, Cindy.

- Assustámos-te? - Um bocadinho.

Desculpa, queridinha.

Tudo bem.

Eles vigiam-nos dia e noite?

Não, a polícia não tem orçamento para isso.

É cara a hora de vigilância, e a prioridade são os árabes.

Mas habitua-te a olhar para trás de vez em quando, porque...

Eles podem lá estar de vez em quando.

Anda, minha fofa. Vamos ter com a mãe.

Nunca tinhas visto os gajos?

Não.

E não sabes porque te fizeram isso?

Não.

Não estavas com o teu amigo Chénier quando ele foi baleado?

Não.

Hás de ser raptado por outros gangs.

Não contes connosco para te proteger.

Para a próxima, não te arrancam os ombros, arrancam-te os tomates!

Parece que dói.

Que idade tinha o Chénier?

Não sei.

Teria 22, 23 anos?

Não durou muito.

Quantos anos tens tu?

Tenho 22.

Já estiveste dois anos na prisão e, antes disso, no reformatório.

Costumas pensar no futuro?

Não.

Se não mudas de vida, qualquer dia, matam-te.

Ou darás por ti com uma longa pena de prisão. Estás ciente disso?

Se desapareceres,

ninguém cuidará da tua mãe.

Eu sei.

É triste, tudo isso.

O Chénier foi atingido.

Eu saí com o meu saco.

O Morosi disparou sobre mim.

Fugi a correr e deixei o saco no meio da rua.

Não foi ideia vossa assaltar o Vladimir.

Foram contratados. Por quem?

Os italianos? Os motards?

Fala comigo, rapaz, estamos aqui para te ajudar.

Não posso.

Está bem.

Foi o Vlad.

O Vladimir contratou-vos para assaltar a sua própria loja?

Achava insuficiente a percentagem que o Gang do Oeste lhe dava.

Estou a ver... Mas a ideia não era matar ninguém.

Claro que não.

O Morosi não devia estar ali.

Não sei porque é que ele lá foi...

Foi uma merda.

Sim.

Este é o meu tesouro.

Vamos enterrar o teu ao lado.

- A quem é que o roubaste? - A ninguém!

Adquiri-o legitimamente no exercício das minhas funções.

Quando tinha funções.

Quando cavei pela primeira vez, ainda havia aqui dois esqueletos.

Enterrei-os ali ao fundo.

Acabamos isto e depois vamos ao hospital ver o Jacmel Rosalberg.

Para quê?

Para o tirar dali.

Não te aproximes dele.

É um vadio, uma causa perdida!

- Não, temos de o ajudar. - Ele tem razão.

- Não te metas! - Meto-me onde quero!

Mas c'um raio, que caraças! Queres abrir um centro de juventude, c'um cálice?!

É uma questão ética, a sociedade não me merece respeito.

Nem a mim.

Estou disposto a cometer um crime, mas não pode haver vítimas.

- Há sempre vítimas. - Não necessariamente.

Aos olhos da lei, eu sou criminosa, mas nunca fiz mal a ninguém.

Geralmente, é até o inverso: parecem todos muito felizes.

Ele foi torturado porque eu fugi com o dinheiro.

Azar.

Azar, não.

Sou responsável por ele.

Não tenho alternativa, é um imperativo categórico.

Pois...

Mas eu sei que ele é vigiado dia e noite. Se nos aproximamos, estamos feitos.

Mas agora somos três:

eu, tu e ela.

- Para a vida e para a morte. - Já é demais.

Não tens escolha, tens de me seguir. É o destino, o fatum.

Há que aprender a amar o destino. Amor fati. Marco Aurélio.

O imperador. Marco Aurélio.

Foi torturado, tentámos fazê-lo falar, mas ele não revelou nada.

Não faço ideia onde está o dinheiro.

Os juros são 5%...

... por semana.

5% por semana?!

- Que loucura! - São as regras.

Eu não posso pagar isso.

Não sou o Banco do Canadá.

Como queres que eu encontre o dinheiro?

Não me interessa como o arranjas ou onde vais buscá-lo.

Queremos é que pagues.

Vá lá! Falamos de milhões!

Só sabemos que nos deves.

Sr. LaBauve!

Como está hoje?

- Muito bem e o senhor? - Estupendo.

- Menina McDuff. - Sr. McDowell.

Veio tratar de negócios com o nosso amigo François?

Não, não!

Estava aqui perto e vim só cumprimentá-lo.

- Tenha um bom dia. - O senhor também.

Belo carro.

Viva.

Viemos saber se não queres conversar.

Sobre o quê?

A coisa vai aquecer.

Às vezes, há forma de chegar a acordo com o procurador.

Podemos ajudar-te a negociar.

Não é preciso.

Tens a certeza?

Tenho.

Fazes mal.

Olá, minha senhora.

Tenho aqui um Pierre-Paul Daoust para si.

É o 1901 .

É estranho vir aqui.

Porquê?

Não hei de ser o primeiro...

És o segundo.

A seguir ao meu marido.

És casada?

Fui, durante 5 anos.

O apartamento foi um acordo do divórcio.

O que é isso?

O dinheiro para hoje.

Aqui não.

Está bem.

Ele tinha 48.

Eu tinha 23.

Ele tinha um veleiro, com tripulação...

Fisicamente, ele queria sempre possuir-me como um rapaz.

Entendes o que quero dizer.

Batia-me também.

Com frequência.

Chamava-lhe:

"completar a minha educação".

Porque casaste com ele?

O meu pai abandonou-nos quando eu tinha 8 meses.

Nunca o conheci.

A minha mãe convenceu-se que a única coisa segura para uma mulher

era casar com um milionário e exigir um bom contrato pré-nupcial.

E onde está a tua mãe?

Nos subúrbios.

Desculpa.

Continua a ser cabeleireira.

Eu mando-lhe dinheiro.

Disse-lhe que trabalho em relações públicas.

Não está...

... muito longe da verdade.

Ela sacrificou muito para me pôr a estudar numa escola para elites em Westmount,

para me pagar aulas de equitação, de vela...

Inscreveu-me como voluntária no Museu de Belas Artes.

Conseguiu que me convidassem para os bailes da alta-sociedade.

Para todo o lado...

... onde houvesse a hipótese de eu conhecer um milionário.

Funcionou.

Não por muito tempo.

Mas tempo suficiente para o dinheiro dele me estragar.

Vais ver.

Vai acontecer-te também.

Não é certo que sim.

Dizes isso porque nunca tiveste dinheiro.

Espera até te veres a mergulhar no Belize.

Vais ver.

Imaginas o que é ter um chef que te prepara todas as refeições,

todos os dias do ano?

"O importante não é o que comemos, mas sim com quem comemos."

Epicuro.

"Se vamos chorar, mais vale fazê-lo num Jaguar do que no metro."

Camille.

Lembras-te de mim?

Não tenho o dinheiro! Não fui eu, juro!

Eu sei que não tens, meu idiota.

Assaltar o Vladimir, genial!

Ouve-me bem...

... porque não vou repetir.

Há pessoas muito caridosas que querem ajudar-te.

Não posso dizer quem.

Previne a tua mãe que vais desaparecer algum tempo.

Um chinês virá buscar-te e tu vais com ele.

Uma polícia prometeu ajudar-me.

A polícia vai transformar-te num delator.

Pagam-te um bilhete de camioneta para Halifax ou Vancouver.

Dão-te $50 por mês para comer... Não engordarás muito com isso.

E $500 por semana durante dois anos.

E depois acabou-se.

Ficarás sem dinheiro, aborrecido, e depois voltarás.

E eles despacham-te.

A polícia é o governo.

E o governo nunca te ajuda.

Só lá está para te afundar, toda a gente sabe isso.

As pessoas que eu represento são generosas.

Demais, para o meu gosto.

Mas é boa gente.

Não sabes a sorte que tens.

Tem um bom dia.

- Um depósito? - Não, é para ti.

Para viajares com o teu filho.

Ele gosta de Biologia, leva-o a ver os peixes nas Caraíbas.

De onde vem este dinheiro?

É um mistério.

- De certeza que estás bem? - Top shape!

Ciao!

Temos caixotes cheios de dinheiro e não pudemos usá-lo!

Mas se eu juntar o meu dinheiro ao teu,

teremos dinheiro suficiente para cativar um operador a sério.

Eu conheço um.

- Quem? - O Wilbrod Taschereau.

O melhor dos melhores.

Eu sei.

Como o conheceste?

Ele comigo não vai falar, de certeza.

Tens de lhe apresentar o nosso cidadão exemplar.

É bom que sejas convincente.

- É mesmo preciso? - É fundamental.

Sozinhos, não chegaremos a lado nenhum.

Ela é linda!

- Não comeces. - O quê?

- Eu conheço-te. - Não tens moral para dar sermões.

- Sim? - O teu divórcio foi muito caro.

Não é o divórcio, é a pensão de alimentos.

Cabra de juíza feminista!

Olá!

- O Dr. Taschereau, se for possível. - Ele espera-a?

Diga-lhe que é a Aspasie.

- Qual o assunto? - É pessoal.

Tens uma nota de entrega?

Não, não estou... estou com...

Ele está comigo. Tive um problema com uma entrega.

Olá, Wilbrod.

O escritório foi sempre off-limits.

Eu sei.

Desculpa.

É melhor ires-te embora.

Fui tua amante exclusiva durante quanto tempo, Wilbrod?

Um pouco mais de um ano.

E durante esse tempo, tiveste alguma queixa de mim,

uma vez que fosse?

Nunca.

Tive culpa que a tua mulher, a sofisticada Marie Danielle, tenha desconfiado?

Não.

Fui eu que pus fim à nossa relação?

Fui eu.

Fiz-te feliz?

Sinto-te a falta todos os dias.

E hei de sentir até morrer.

Tenho um favor a pedir-te.

Bom dia, senhor.

O meu nome é Pierre-Paul Daoust.

Faço parte dum grupo que...

... na sequência de um conjunto de circunstâncias assaz improváveis,

obteve recentemente uma soma de dinheiro importante.

A nossa intenção é investir a soma fora do Canadá.

Gostaríamos, se possível, de usufruir dos seus conselhos.

Os seus honorários serão, naturalmente, proporcionais à importância investida.

- Está alguém? - Sim?

Procuro uma jovem com um fato preto.

Os escritórios estão fechados.

Estava com um estafeta da Col-Par.

Não esteve aqui.

- Bom dia, senhora. - Bom dia.

Procuro uma jovem que entrou aqui no prédio.

Vinha com um estafeta da Col-Par.

A identidade dos nossos clientes é confidencial.

Pete LaBauve, polícia de Montreal. Grande Criminalidade.

Obrigado.

- Pete LaBauve. - Carla McDuff.

Dr. Taschereau, pode dizer-se que é um especialista em paraísos fiscais?

Essa é uma expressão abusiva da imprensa.

Infelizmente, não há paraísos na terra.

Sim?

O vice-presidente da Caixa deseja falar consigo.

Diga que já lhe ligo, obrigado.

Se alguém herdasse uma avultada soma de dinheiro,

poderia usar os seus serviços para a investir no estrangeiro?

Dentro das limitações da lei, naturalmente.

Mas as leis variam segundo o país.

Costumo usar um exemplo simples.

Se, por acaso, por uma razão outra,

decidisse espancar a sua mulher...

Aqui, arriscar-se-ia a ter problemas graves.

Mas se a convencesse a acompanhá-lo a uma bela viagem ao Paquistão,

poderia espancá-la à sua vontade.

Não faria mais do que exercer um privilégio que lhe assiste pela lei islâmica.

Passa-se o mesmo no universo financeiro.

Sabe, o universo do dinheiro é infinitamente vasto.

Ninguém sabe quanto dinheiro circula pelo mundo.

São milhões de milhões de milhões.

Só aqui, em Montreal,

as famílias de quase todos os ditadores africanos

investem maciçamente em imobiliário.

ltno, Nguesso, Bongo, Compaoré...

Têm todos casas aqui.

E não há nenhuma lei federal que o proíba?

Espero que não seja racista!

O Canadá é um país de acolhimento, como diz o nosso caro primeiro-ministro.

Seja como for, trata-se de somas insignificantes,

quando comparada àquela dos hedge funds,

do petróleo, da droga...

o dinheiro das armas,

o dinheiro dos fundos soberanos dos países opacos:

a Rússia, a Arábia Saudita...

As fortunas dos milionários chineses investidas no estrangeiro...

... estima-se em 700 mil milhões.

Quanto vale o quadro?

Admito que foi uma extravagância.

Mas mais uma vez,

é preciso ter dinheiro para amar a pintura.

Naturalmente...

... podemos sempre ir a um museu.

Um tipo como ele arruinou o meu pai.

Convenceu-o a investir todas as economias na bolha da Internet.

Perdeu tudo.

Depois disso, fui forçado a trocar a matemática por um curso na polícia.

Tens um salário assegurado.

Sonhava com um doutoramento em Princeton

e encontro-me a lidar com chulos e psicopatas.

A ralé da humanidade.

Se te sentes só e infeliz, podes vir dormir comigo.

Ficaria com a impressão que o farias por piedade.

Nada disso, a vez que fizemos não correu mal.

Foi fantástico.

Lembras-te de te ter dito, que se eu gostasse de homens,

não te largava?

Foi um dos maiores elogios da minha vida.

Anda, a "tia" Carla trata de ti.

O teu telefone toca muito.

Vou desligá-lo.

Não sei se consigo viver com isto,

habituar-me a isto...

Na verdade, não consigo.

Não percebo como o fazes, todos aqueles homens...

O que é?

Gostavas de ser o único?

Claro que sim.

Que homem não desejaria ser o único?

Não te soube bem dormir comigo?

Bom dia!

Sr. Daoust...

estivemos a ver as câmaras de segurança do armazém onde alugou uma arrecadação,

no dia que se seguiu ao assalto.

Vimo-lo a deixar dois grandes sacos desportivos bem cheios.

O que tinha nesses sacos?

Roupa.

- Roupa sua. - Sim.

Uns dias depois, regressou com um indivíduo todo vestido de preto.

Quem é esse homem?

- É o Bill. - Bill quê?

Não sei.

Esqueceu-se do apelido dele?

Não, é um vagabundo.

E onde o conheceu?

Sou voluntário no Le Parcours, uma organização que...

Nós conhecemos.

E porque levou lá o Bill?

Para lhe dar a minha roupa.

Mas ele não as levou nesse dia?

Não, não tinha onde as guardar.

E ele voltou lá uns dias depois?

Exacto.

E tinha a chave do cubículo?

Exactamente.

Podemos falar com esse Bill?

Não sei onde é que ele anda.

Desapareceu?

Sim.

É um vagabundo, acontece com frequência.

Não era a senhora que ia guardar a sua roupa no cubículo?

Sim, mas ainda não tive tempo.

Podemos ver essa roupa que tem em excesso?

Têm um mandato?

Ainda não.

Pergunte-me quando o tiver.

Sr. Daoust...

Tenho a impressão que até hoje,

foi sempre um cidadão honesto.

Agora arriscar-se a estragar tudo.

A estragar o quê?

Não tenho mulher nem filhos.

Começo a ter dores nos joelhos...

Subir para a carrinha cem vezes por dia carrega as articulações, sabe?

Quando se reformam, muitos dos estafetas andam de muletas.

Não é propriamente um futuro radioso.

Mas é melhor do que a prisão.

Bom dia, Dr. Taschereau, obrigado por ter vindo.

Apresento-lhe o Sylvain Bigras.

Ouvi falar muito de si nas aulas.

- Boas coisas, espero. - É uma lenda.

Também aprendi nas aulas

que alguns canadianos têm as suas contas bancárias

em países em que os impostos são menos onerosos.

Exacto.

Na maioria dos casos, essas contas não foram declaradas ao governo canadiano.

É verdade.

Os novos acordos internacionais exigem a divulgação dessas contas,

e por conseguinte, taxáveis, daqui a dois anos.

Infelizmente, sim.

Dr. Taschereau...

Se alguns dos seus clientes se virem numa posição difícil...

... temos uma proposta a fazer-lhes.

Qual?

Podemos dar-lhes aqui, em dinheiro, em dólares canadianos,

a soma que têm no estrangeiro.

Eles transfeririam o dinheiro que têm no estrangeiro para uma conta nossa,

sempre no estrangeiro,

e portanto, nenhum dinheiro atravessaria a fronteira canadiana.

Um hawala.

Exactamente.

Nunca recomendo aos meus clientes agir ilegalmente.

Podia simplesmente transmitir-lhes a nossa proposta, sem a recomendar.

A lei proíbe-me de servir de intermediário de mais de $7500 em dinheiro.

O senhor deve sabê-lo.

Nós seríamos os intermediários.

Na altura das transacção, o senhor poderia...

estar em viagem...

... no Bali.

Mas a conta que querem abrir no estrangeiro

também terá de ser divulgada.

Sim.

Mas se a conta pertencesse a uma sociedade internacional,

cujas ligações ao Canadá fossem... digamos... complexas e discretas,

como o Comité Olímpico Internacional ou a FIFA, por exemplo?

Complicado...

... mas possível.

Viva.

A cabeça do Vladimir está a prémio. Para quem o reclamar.

- O Gang do Oeste? - Sim.

É ele que vai pagar.

- Não há sinal do dinheiro? - Não.

Ninguém percebe...

Eu sei o que faria.

O quê?

O "Cérebro" Bigras acaba de sair. Se alguém sabe algo, é ele.

E onde está ele?

Ninguém sabe.

Mas ele há de ir ver a filha.

- Conheces a ex dele? - Sim.

Encontra-a e vais encontrá-lo.

Não há mais nada?

O Meloche foi de carrinha ao Texas comprar AK-47s e Glocks.

- Quando volta? - Não sei.

Informa-te e...

... mantém-me ao corrente.

Podes dar-me um pouco mais?

- Para de jogar, perdes o teu tempo. - Não é para jogar.

Temos más notícias.

Tens a cabeça a prémio.

Um minuto.

Querida, podes levar as crianças para a cave?

Obrigado.

Digam lá.

Sabes o que quer dizer.

É um contrato aberto, quem te despachar leva dez mil.

Isso não me inquieta, estou protegido.

Por quem?

Por este amuleto.

- Ouve... - Sei que vocês não acreditam.

Mas eu sim.

Acho que a vossa melhor opção é a caridade.

Além disso, vem bastante a propósito num local tão imbuído de espiritualidade.

Quer que abramos uma fundação?

Infelizmente, há tantas fundações, que isso seria suspeito.

Costumam ser fachadas para fraudes, não?

A maioria das vezes, sim.

Uma obra de caridade para quê? Para África?

Já ninguém quer ouvir falar de África, é uma causa perdida.

Sei do que falo, sou cônsul honorário do Benim.

Acho que a infância é melhor. A infância de uma maneira geral.

As crianças doentes são irresistíveis.

E onde nos estabeleceríamos?

Terá de ser em Lausanne ou Zurique. O senhor mesmo o disse: o COI, a FIFA...

Os suíços vão denunciar-nos.

É verdade que, em geral, já não podemos fiar-nos nos bancários suíços.

Os americanos castraram-nos, vivemos uma triste época.

Mas não podemos enviar o dinheiro directamente para a Suíça!

Claro que não, terá de circular um pouco.

Só chegará à Suíça no final do percurso.

E qual será o circuito?

Não me parece útil dar-lhe pormenores,

mas a penúltima paragem será Londres. - Porquê?

Seria evidentemente mais fácil e barato passar por Malta, a Eslovénia ou a Irlanda,

mas sempre apreciei o verniz de respeitabilidade que a Inglaterra confere.

Portanto o vosso capital terminará o seu percurso na Suíça.

Depois, poderão pagar os vossos salários, ressarcir-se de notas de despesas,

fazer investimentos... o que quiserem.

Tenho comigo uma lista de clientes interessados na vossa proposta.

Vou entregá-la à Camille.

Certifiquem-se de que a destroem após a operação.

Só faço isto por ti.

Obrigada.

É o homem da tua vida?

Talvez.

Tem sorte.

Sim!

A partir de agora, as despesas que fizerem relativamente às vossas acções caritativas,

são admissíveis como deduções fiscais.

Aconselho-vos a tirar partido delas.

Bom dia.

Precisamos de uma rapariga para os cálculos.

A minha ex trabalha num banco.

- Apresenta-ma. - Nunca me falaste dela.

Espero que não tenhas ciúmes, é um sentimento tão negativo...

Entretanto, preciso de algum dinheiro.

Impossível.

- Não é muito, é para um amigo. - Não!

Já te expliquei.

As tuas contas bancárias são vigiadas.

Eu tenho dinheiro.

Posso emprestar-te, se quiseres.

Se o dinheiro for dela, não há problema.

Este é o meu tesouro.

Tenho mais cofres na cidade,

e também em Toronto e em Ottawa.

Eu só acredito nos dólares americanos.

É por isso que os governos querem fazer desaparecer o dinheiro.

Eles controlam tudo o resto.

Tira o que precisares.

Não, não tenho qualquer lealdade para com o meu banco.

O administrador desviou 12 milhões o ano passado.

São 257 vezes o meu salário.

Não, só que...

Sou mãe solteira. Tenho um filho, preciso de segurança.

Sim...

Quantos anos tem ele?

Tem 12.

É um bom menino.

A minha filha tem 10 anos.

O pai dele desapareceu há muito anos.

A minha mulher cansou-se de esperar.

Comece por nos arranjar um escritório.

De preferência, um local modesto e discreto,

como convém a uma organização de caridade como a nossa.

Conte comigo.

Puxa para baixo, devagar...

Vais conseguir.

Tudo bem, meu.

Descansa um pouco.

O Vladimir foi assassinado em vão.

Eu sei que eles vão tentar tirar o dinheiro do país.

Ponho as mãos no fogo.

- Só não sei como. - Não há de ser através dum banco.

Não, saberíamos uma hora depois.

Não, há algo que nos escapa.

Bom dia, Sr. Christian.

Bom dia, Sr. Taschereau!

Não lhe perguntarei como está o tempo.

Certo, não pergunte...

"ILHAS VIRGENS BRITÂNICAS" Preciso de uma nova conta numerada

na qual alguns clientes meus possam fazer um depósito.

Quer que use algum nome específico?

Não, algo adequadamente vago...

Investimentos Kindco, Gestão Desma...

Tanto faz.

Quando os depósitos forem feitos,

quero que transfira a conta toda

para o nosso amigo Ashok Krishnan, nas Seicheles.

Certo. Já lhe ligo.

Boa noite, Ashok.

"SEICHELES" Quero que me crie uma nova entidade.

Algo com um bom nome asiático.

A empresa receberá uma avultada quantidade de dólares americanos de Stewart Christian

que eu quero que reencaminhe para a SIB em Jersey.

Certo, aguardarei as instruções da Sabine.

Obrigado.

Boa tarde, Sabine.

"JERSEY"

Preciso que crie um fundo de caridade anónimo.

E esse fundo irá investir noutro fundo na Suíça.

Não quer que o dinheiro vá directamente para lá, pois não?

Claro que não.

Quero que passe primeiro por Londres.

- Através de Sir James? - Sim.

Muito bem.

Sir James, receberá proximamente...

"LONDRES"

... uma certa quantia em dólares americanos,

provenientes de uma obra de caridade de Jersey.

Quero que a guarde até receber luz verde de Mario Schlittler.

O Mario é o melhor. Vi-o em Wimbledon em Julho.

"ZURIQUE" Mario, quero contribuir para a criação

de um fundo internacional para a infância.

Algo como "Salvemos as Crianças".

Vai receber de Londres uma soma avultada

que nos foi legada por um dador que prefere manter o anonimato.

Acontece com frequência.

Gostaria que formasse um conselho de administração internacional,

um ou dois orientais, um americano, um africano...

Está a ver a ideia.

Temo-los disponíveis.

E no regulamento interno da sociedade que lhe peço que redija,

quero que dê preponderância

ao voto dos delegados canadianos.

Naturalmente.

Peço desculpa.

Sim?

Desculpe incomodar, mas tenho aqui a polícia.

Muito bem.

- Mandaram seguir-me? - De modo nenhum!

- Mas um dos nossos detectives... - Sargento...

É sargento, certo?

Exacto.

Não sei se teve oportunidade de observar a placa na entrada.

Teria podido ver, na lista de sócios deste gabinete,

o nome de dois ex primeiros-ministros do Canadá

e o de um ex primeiro-ministro do Quebeque.

Não sei se estará ciente das implicações de tudo isto.

Nesta foto, vemo-lo colocar algo na mão de Camille Lafontaine.

De que se trata?

De uma lembrança pessoal.

Sabe que esta investigação não vai ficar por aqui.

Faça o seu trabalho, eu farei o meu.

É assim que a sociedade funciona.

- Vamos? - Sim.

Sim?

Não. Não é nada.

Não percebo...

Já deviam estar aqui há meia-hora.

Aonde pensas que vais?

Procuro a aula de Yoga.

Isto é uma cooperativa de mulheres, não queremos cá homens.

Desanda!

Desculpem...

- Mas o Hot Yoga... - Pira-te!

Finalmente!

Porcaria de trânsito!

Sim?

Venho para a aula de Yoga.

Não é aqui.

O Hot Yoga não é aqui?

Não.

Desculpe.

Bom dia.

Por favor, entre.

Senhora Juíza, todas estas pessoas estão juntas

agora, nesta morada.

Foram identificadas por um agente que os vigiava.

Preciso dum mandato de busca urgentemente.

O Dr. Taschereau também lá está?

Não, não foi identificado esta manhã.

Tem de ter cuidado com ele, sabe?

Sim, eu sei.

A questão é que...

Eu explico, Damien.

Herdámos umas churrascarias em Montérégies...

- Cinco churrascarias. - Damien!

Vendemo-las por um bom preço.

Combinámos com o comprador que nos daria o resto em dinheiro,

periodicamente. - Claro.

Claro!

Depois colocámos o dinheiro em Turcas e Caicos.

- Quanto? - Ao certo?

Dá cá.

Ora muito bem. Esta manhã...

... eram $2 880 060.

Dólares americanos?

Claro.

Bom...

Vamos entregar-vos essa soma, em dinheiro, em dólares canadianos,

ao câmbio do Banco do Canadá, e cobramos 15%. Concordam?

É perfeito.

Vocês transferem a vossa conta em Turcas e Caicos

para a nossa conta nas Ilhas Britânicas.

Têm aqui a morada do banco,

o número da conta e a password.

Assim recuperam o vosso dinheiro e não pagam um cêntimo de imposto.

São $3 113 523,65.

- Sim, são as minhas contas. - E as minhas.

Fantástico.

Preciso de $3 113 523,65.

Quanto temos aí?

- Dois milhões e trezentos mil. - Certo, enche a caixa, por favor.

Já tenho o mandato.

Preciso de dois detectives e quatro agentes uniformizados.

- Não tenho. - Como?

Não tenho ninguém.

Há uma manifestação estudantil, está lá tudo, não temos mais pessoal.

Mande vir gente doutras esquadras.

Já lá estão todos.

Não faz sentido!

- Para que é essa manifestação? - Quem sabe!

Capitalismo, pipelines, brutalidade da polícia ou qualquer coisa assim...

- C'um caraças! - Sim...

Maldita corja de inúteis!

Pois, mas entretanto, os nossos suspeitos estão a dar o golpe.

- É preciso esperar pelo fim da manif. - Isso pode levar horas!

Dá-me gás lacrimogéneo, canhões de água, granadas de atordoar e acabo já com isto.

Mas isso era se os nossos políticos tivessem coluna vertebral!

Inacreditável!

"EM PROGRESSO"

"CONCLUÍDO"

Transacção processada.

Podem contar, se quiserem.

Sim.

Não vais contar três milhões!

Ajuda a fechar! Tenho as unhas...!

Bom...

A ver se não nos assaltam!

Vão depositar isso no banco?

Obrigada.

- Boa viagem. - Obrigada.

Eu levo.

Obrigada.

Pronto, já estão a dispersar, posso dispensar-te pessoal.

Boa!

Foram os empreiteiros que lhe entregaram esta soma?

Evidentemente.

Depositado directamente nas Bermudas?

Claro.

Claro...

Eu teria preferido declará-los, e pagar 30% de impostos,

ter-me-ia sentido mais à vontade.

Mas sendo vice-Ministro dos Transportes é demasiado arriscado.

Não posso permitir-me ter a imprensa a especular sobre isso.

Pois...

Obrigado.

Bom...

Ao fundo do corredor, há umas escadas, fica no 2º andar.

Lembrem-se: a prioridade são computadores e telemóveis.

Bom dia.

Pierre-Yves Maranda. Dr. Pierre-Yves Maranda.

- Sente-se, Sr. Dr. - Obrigado.

Sou radiologista.

Tenho três clínicas privadas em Lanaudière.

Proporcionamos exames rápidos, pagáveis em dinheiro.

Costumava enviar esse dinheiro para uma conta que tenho no Liechtenstein.

Quando isso era absolutamente seguro.

Agora, de repente, o meu contabilista diz que já não é seguro, daí ter vindo aqui.

De que valor se trata?

Passa um pouco dos 5 milhões e meio, tenho aqui o valor exacto.

Nada mau...

Os equipamentos de radiologia são muito dispendiosos.

Imagino.

Esta é a última mala.

Dá-me aí a tua mochila.

O que fazemos com o que sobrou?

- Um bónus! - Fixe.

Um bónus.

Um bónus.

Um bónus.

Polícia! Não se mexam!

Tirem as mãos dos bolsos!

Todos para a sala de espera.

É uma doação.

- Quer um recibo? - Não é preciso.

Que espaço é este?

É uma organização de caridade.

Para crianças.

Para que são as caixas de plástico?

Não sei.

Já cá estavam quando chegámos.

O que faz o senhor aqui, Sr. Bigras?

Quero envolver-me com a comunidade.

Volte-se.

Volte-se!

- Está armado? - Não.

Também anda a fazer caridade?

- Eles contrataram-me. - Que dinheiro é este?

É do fundo de maneio. Estamos a instalar-nos.

Quem é a senhora?

Linda Demers, secretária.

- Onde estava? - Na casa de banho.

Não há telemóveis, computadores, nada.

Não gosto que me tomem por idiota.

Olá, Dr. Taschereau.

Olá.

Sou uma amiga da Aspásia.

Não me diga!

Ela pediu-me que lhe transmitisse que está muito grata por tudo o que fez por ela.

Mas ela está um pouco inquieta.

Pergunta-se se não desejaria encontrar alguém para a substituir.

Boa noite.

Quer tomar alguma coisa?

Um whisky, vinho branco?

Um whisky, sim. Só um dedo.

Gelo?

Um cubo.

Obrigado.

Vive aqui há muito tempo?

Não moro realmente aqui.

É uma espécie de refúgio...

Entendo...

Podemos despachar um pormenor muito prosaico?

Acrescentei $500.

Pensei que ultrapassaria certamente...

Dr. Taschereau. está preso por desvio de menores.

- Tudo o que disser... - Poupe-me.

Parabéns.

Hoje em dia, ninguém sobrevive a um escândalo sexual.

Nesta era do politicamente correto.

Isto vai custar-me provavelmente um divórcio.

Não conte com uma condenação.

Conheço bem o sistema judicial, os procedimentos durarão anos.

Estarei certamente morto, antes que concluam o caso.

Os ricos costumam escapar à justiça.

Há excepções...

... mas não são numerosas.

O dinheiro compra a felicidade. É o segredo mais bem guardado.

Mas vocês nunca conseguirão compreendê-lo, infelizmente.

O homem que dorme na rua

Esse homem é teu próximo

A mulher que costumam espancar

Essa mulher também é tua próxima

Todos juntos!

Todos juntos!

Redescobriremos a esperança

Sim!

Redescobriremos a esperança

Ainda não acabaram de nos perseguir?

É o nosso trabalho.

Tive uma ideia.

Se me querem vigiar, façam-no de perto.

Precisamos de ajuda.

Façam-se úteis, por uma vez.

Você defende uma sociedade indefensável.

Um patrão que ganha 500 vezes mais do que o funcionário é indefensável.

Os nossos políticos estão podres até ao tutano.

Um dia, teremos uma revolução, sabe? Não é impensável.

Já aconteceu.

Sim...

Mas qual é a prioridade da revolução?

Um sistema de polícia eficaz.

Isso não me preocupa.

Sem nós, seria mil vezes pior.

Precisa que o ajude a comer?

- Não é preciso, obrigado. - Fica bem?

Senhora!

A senhora recorda-me uma mulher que conheci em tempos.

Sim?

Uma mulher que conheci em Amesterdão, numa montra.

Custou-me uma fortuna.

E valeu o que deu por ela?

Se valeu!

Há quanto tempo foi isso?

Há 30, 40 anos... Porquê?

Nunca a esqueceu, continua a falar dela.

Com a vida que levavas, é surpreendente encontrar-te aqui.

É melhor não falar...

... daquilo que não se pode explicar.

Anda!

Quero mostrar-te uma coisa.

Pensei em ti quando o vi.

Uma cama...

um cadeirão, uma televisão...

É o que querias, certo?

Isto? Claro que é.

Acabei de o herdar. Dum tio que mal conhecia.

Sim? Parece tudo novinho.

Eu sei.

O notário também estranhou.

Mas gostas, não?

Claro que gosto! Mas não tenho qualquer forma de...

Tenho uma proposta a fazer-lhe.

Instala-se aqui,

paga os consumos,

eu não lhe cobro renda.

Pode ficar aqui enquanto quiser.

Isso é que seria bom!

Convém-lhe?

Não, é como se me desse uma fortuna!

Não estavas sempre a falar da Providência?

E que os Justos seriam recompensados, mesmo neste mundo?

Acreditavas nisso ou era treta?

Mas isto é demais.

A chave.

Não sei o que dizer.

Não digas nada.

Isto é para ti.

Obrigada.

Podes ajudar-nos no sábado?

Há pessoal que foi em excursão, temos falta de gente.

Sim, lá estarei.

Eu também.

Formidável.

Argumento e realização

Produção

Fotografia

Montagem

Música

Tradução e Sincronia: SARA DAVID LOPES/Joca12

A QUEDA DO IMPÉRIO AMERICANO

FIM

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