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Original subtitles

D�VIDA

ERA UMA RUA SEM PRETENS�ES,

MAS TINHA UM PRETENSIOSO NOME.

ASSIM ERA A MODA EM LONDRES DE 1902.

CHAMAVA-SE LABURNUM TERRACE.

Boa tarde, senhora Simmons.

Boa tarde, senhor Marshall.

- Bonito dia de primavera, n�o �? - Sim, lindo.

Voc� fez maravilhas em seu jardim.

Tenho boa m�o, como se diz.

Quer alguma planta?

Muito obrigado, mas acho que minha esposa n�o tem muito tempo

para cuidar de meu jardim, e eu...

Voc� est� perdido?

Disseram-me que estivesse aqui seis em ponto, chefe.

- No n�mero 26? - Sim, no 26, senhor.

Olhe, o Sr. Philip Marshall.

� uma grande honra t�-lo enfim em casa.

- Que faz esse carro l�, Cora? - Que acha?

Eu tomo o carro quando tenho um momento

para escapar do confinamento escravizante desta casa.

Foi John que pediu esse carro?

Como voc� � sabido... Claro que eu pedi!

Ele se vai de casa com todas as suas coisas.

Esse ego�sta, in�til e ingrato...

- O que voc� fez a ele? - O que eu fiz a ele?

�timo, ponha a culpa em mim.

Tudo que fiz foi traz�-lo ao mundo, cri�-lo!

Tornei-me um tapete para ele me pisar!

Ande, v� com ele!

E diga de minha parte que se for desta casa...

n�o sonhe em voltar se arrastando...

depois de abandonar sua pr�pria m�e!

Bem, meu filho?

- Sinto muito, papai. - Por ir embora? Eu j� esperava.

Eu ficaria por voc�.

O que aconteceu?

Perseguia-me o dia todo para consertar a pia da cozinha.

Eu n�o tinha tempo para isso!

No escrit�rio organizou-se uma esp�cie de corrida.

Todo o mundo daria seu bra�o direito...

para conseguir esse trabalho no Canad�.

Eu sei.

Tenho feito outros trabalhos extras por minha conta.

C�lculo de custos. Achei que poderia servir-me de ajuda.

Bem, ela deu um de seus ataques,

e antes que eu pudesse impedi-lo...

Vinte p�ginas!

Uma semana inteira de trabalho.

Tem algum lugar para onde ir?

Morarei na casa de Jimmy Storbuck.

- Sinto muito, rapaz. - N�o tem rem�dio.

- Permita-me. - N�o, obrigado.

D�-me o endere�o de Jimmy.

Estarei em contato, papai.

Talvez na primeira segunda-feira de agosto,

se voc� n�o estiver muito ocupado.

Cuidado com o buraco do tapete.

N�s poder�amos ir para Margate, uma caminhada ao longo da orla.

Sinto que n�o se sinta � vontade nesta casa.

Adeus, mam�e.

"Adeus, mam�e". � um hip�crita mentiroso!

Ande...

Tal qual! Assim s�o os dois!

D�-me sua bagagem, senhor.

Bem, at� logo, papai.

Eu vou sentir sua falta, filho.

Philip, venha c�!

N�o fuja escada acima!

N�o fuja enquanto estou falando como se fosse uma simples criada!

Sei qual � meu dever, mesmo que voc� n�o saiba!

- Que est� fazendo? - Mudando-me para o quarto de John.

Isso � a coisa mais grosseira!

- Somos casados, n�o? - Sim, somos casados.

Ent�o como se atreve? Eu lhe pro�bo, ouviu?

Pro�bo-lhe que me trate assim!

N�o, Cora. Agora que John se foi, tudo terminou.

Terminado para sempre, entendido?

Vou sair daqui e n�o poder� fazer nada para impedir.

Sim, eu posso e de muitas maneiras!

Mas o que � isso? O que voc� tem na cabe�a?

Ser� muito melhor que n�o saiba, Cora.

Poderia lhe assustar.

FRAZER E NICHOLSON

PROVEDORES DE TABACO DE SUA MAJESTADE EDUARDO VII

Uma pe�a muito interessante, senhor.

Claro que �

Posso servir-lhe em alguma coisa, senhorita?

- J� � a hora de fechar, n�o �? - Falta muito pouco.

Eu quero...

N�o vendemos cigarros a mulheres, senhorita.

N�o, claro que n�o.

Gostaria de ver gerente, por favor.

O senhor Marshall?

Bem, fa�a o favor, senhorita. Sente-se.

Vai receb�-la logo.

- Merridew? - Sim, senhor Marshall.

Tenho que falar com voc� de um assunto muito s�rio.

Sim, senhor?

Lamento dizer que h� um erro em suas contas.

Falta um centavo na caixa dos selos.

Eu comprei um doce esta manh�.

Mas devolverei quando disser. De verdade, Sr. Marshall.

E com os dois outros de anteontem, o que comprou?

Balas de lim�o.

Isso � muito s�rio.

Muito grave.

E o meio centavo do dia anterior?

Para o macaco do �rg�o.

Mas devolverei tudo no s�bado. At� o �ltimo Penny!

Isso � que dizem todos os malversadores.

Mas eu n�o sou um malversador!

Mas vai pelo caminho certo.

O primeiro passo � o que conta.

Depois tudo fica muito f�cil.

Seis centavos amanh�... Meia Coroa depois de amanh�...

- Depois uma nota de cinco Libras. - Mas...

Eu sei que voc� sempre pensou em devolver.

Mas tenho medo que v� acabar pagando por isso nas pedreiras de Portland.

N�o me mande para as pedreiras, por favor, Sr. Marshall!

Bem, por esta vez n�o, Merridew. Deixe de chorar e enxugue os olhos.

H� uma senhorita que deseja v�-lo, Sr. Marshall.

Quer fazer o favor de entrar?

- Quer se sentar? - Obrigada.

Em que posso servi-la?

Sou eu quem gostaria de lhe servir. Estou procurando emprego.

Trabalho? Aqui?

Sim, trabalho de escrit�rio. Sei escrever um ditado.

Estamos muito satisfeitos com nossos jovens empregados.

Nossos jovens funcion�rios est�o na casa 30 ou 40 anos.

Bem, eu n�o pensei em tomar o lugar de ningu�m.

Mas creio que...

Bem, vai ver, sei usar as novas m�quinas de escrever.

Em Frazer e Nicholson nunca tivemos necessidade...

de tais dispositivos.

Compreendo...

- Bom... - Sinto muito.

Talvez tenha mais sorte em uma loja de tecidos ou...

Eu j� tentei.

Estamos tendo uma primavera maravilhosa, n�o �?

- Boa noite. - Boa noite.

- Boa noite, Sr. Marshall. - Boa noite.

Ainda n�o foi embora, Marshall?

N�o, precisa de mim para algo mais, Sr. Frazer?

N�o, obrigado. Sempre o �ltimo.

Sempre o �ltimo...

- At� amanh�. - Boa noite.

Merridew!

Sim, Sr. Marshall.

Lembre de repor esse tr�s centavos e meio.

na caixa dos selos no s�bado.

- Sim, senhor. - E que n�o volta a se repetir mais.

N�o voltar� a acontecer senhor.

E pode ir agora... Merridew!

Sim, senhor.

Eu porei dois centavos.

Obrigado, Sr. Marshall!

Desculpe-me, posso fazer alguma coisa por voc�?

V� embora, por favor. Deixe-me em paz.

Sr. Marshall!

- Pensei que voc� tentava... - Engana-se, n�o sou desses.

Perdoe-me, por favor.

S� queria lhe ajudar, se for poss�vel.

Obrigada, � muito gentil.

Creio que estou me comportando muito mal.

Vamos, n�o � t�o grave.

Acha que conversar um pouco servir� de ajuda?

Pelo amor de Deus, deixe-me acompanh�-la at� o carro.

Obrigada, ser� um prazer.

Senti muito n�o poder lhe dar um

trabalho em meu escrit�rio, senhorita...

Gray, Mary Gray.

Mary Gray...

Decep��es s�o sempre desagrad�veis.

N�o era s� isso.

Passei o dia de um lado para outro e me esqueci de comer.

Estava um pouco deprimida.

De repente me dei conta de t�o sozinha que estava.

Veja, meu pai morreu neste inverno, e estou sozinha.

Sei o que se sentir s�, e pode superar isso.

- Sente-se melhor? - Muito melhor.

Aonde vai?

- Para casa. - Compreendo...

Uma x�cara de ch�, pequena novela barata e algumas l�grimas.

Parece que estive olhando pela janela.

Isto �, sorria.

Eu tentarei.

Quer que dividamos nossa solid�o?

Que quer dizer?

Que vamos para algum lugar para comer algo e conversar,

e talvez encontremos algu�m que precise dos servi�os...

de uma senhorita que saiba utilizar esses artefatos para escrever.

- Bem, eu... - Por que n�o tenta?

S� por esta noite.

Talvez se divertisse e a mim faria um grande favor.

Com certeza a mim tamb�m, faria-me muito bem.

Mas n�o posso lhe comprometer.

Comprometer-me? N�o...

N�o se preocupe com isso Cocheiro!

Rua Cowen, 32, aquele chin�s.

Agrade�o-lhe muito que tenha confiado em mim.

N�o se surpreenda, eu vi o que fez com aquela crian�a.

Refere-se a Merridew?

Quem voc� n�o vai mandar para as pedreiras.

Mas estou-me arriscando muito. � um caso incr�vel, n�o acha?

T�o incr�vel que quis lhe dar um abra�o.

A� est� o perigo nos que s�o como ele, v�o lhe conquistando.

Como voc� � bom com ele!

Bom? Bom, eu?

Minha querida senhorita Gray,

com o tempo descobrir� que tenho um cora��o de pedra.

MUSIC HALL

ESTA SEMANA DEXTER O CORAJOSO

A FLECHA A�REA!

Philip, eu me diverti muito desde que nos conhecemos...

N�o sei como lhe agradecer.

N�o tente, por favor.

Diz e faz as coisas mais agrad�veis.

Que fiz de agrad�vel agora?

N�o se lembra mais?

Conseguiu-me trabalho na Exton & Winwood.

N�o me lembro de nada.

S� me lembro das coisas que ainda n�o aconteceram.

Falando nisso, que acha se amanh� n�s jantarmos juntos?

� muito am�vel, mas...

Oh, Deus... N�o posso.

Por que n�o?

Tenho outro compromisso, a Sra. Packer, j� lhe falei dela.

Trabalha na Exton e Winwood.

Tem sido t�o am�vel comigo...

Eu a convidei para jantar, ela e seu marido.

Compreendo.

Mas ou�a, por que n�o vem tamb�m?

Gostaria muito que os conhecesse.

- E eu ficaria encantado, mas... - Nada de mas, venha jantar.

Escute, Mary. Voc� e eu somos bons amigos.

Os melhores.

Temos nos divertido muito voc� e eu, a s�s.

Por que n�o continuamos assim?

Que h� com voc�, Philip? N�o gosta de conhecer pessoas?

Bem...

Quando se tem minha idade, tem-se direito de ter suas manias.

H� algo como voc�? Por que n�o me conta?

N�o h� nada que contar.

Como quiser...

� livre para fazer o que gostar.

Boa noite, Philip.

Mary!

Sinto muito por amanh� de noite.

Que me diz de depois de amanh�? Poder�?

- J� sabe que direi sim. - Gostei disso.

- Boa noite. - Boa noite.

Bem, eu n�o gosto de ser posto para fora.

Eu n�o estou pondo, Sr. Simmons,

mas a hora de fechar � hora de fechar!

Boa noite, Sr. Crummit.

Eu acompanharei o Sr. Simmons at� em casa.

- Mas claro que sim Marshall! At�! - Boa noite, Crummit.

Venha comigo.

Sr. Marshall, sua esposa tem feito perguntas sobre voc�.

Ah sim? � mesmo?

Sim, e a verdade � com bastante frequ�ncia.

Eu sei o que � isso. Tamb�m sou casado.

- N�o se preocupe, eu... - Boa noite, cavalheiros.

Como se atreve? Maldito taberneiro!

Vamos Simmons. Voc� vai me dizer tudo a caminho de casa.

Taberneiro... Contando gota a gota.

Sanguessuga...

Os taberneiros s�o todos sanguessugas...

que chupam o sangue de seus semelhantes.

Sabe de uma coisa, Marshall? Meu av� n�o poderia suportar.

Se o Sr. Crummit tivesse tido a impertin�ncia...

de apresentar-me a conta, teria sido chicoteado.

Os velhos tempos...

Para ser empregado voc� � um bom homem, Marshall.

E voc� � muito am�vel.

- N�o tenho nada contra voc�. - Muito obrigado.

Pode me emprestar meia Coroa por uma semana?

� voc�, Gilbert?

E quem iria ser?

- Boa noite, Sra. Simmons. - Boa noite.

Edith, d� boa noite ao Sr. Marshall.

Por favor, Gilbert. Entre e deite-se um pouco.

Vai sentir-se bem.

Com a rapidez de um martelo J� sei o que � isso.

Foi muito am�vel ao traz�-lo para casa.

Foi um prazer em lhe ser �til.

- Diga-me, como vai John? - Vai muito bem.

Seus patr�es pensam em envi�-lo para o Canad� na primavera.

- Ele far� falta. - Se � para o seu bem...

Que pena...

- Edith! - Sim, Gilbert.

J� vou.

- Boa noite. - Boa noite, Sra. Simmons.

� voc�! Entre. Voc� muitas vezes tem me decepcionado.

Minha chave, por favor.

S� darei quanto tiver dito o que tenho a dizer, n�o antes.

Minha chave!

As coisas ruins t�m que ser...

para que uma esposa decente tenha que fazer uma coisa assim...

para conseguir que seu marido fale com ela...

como uma pessoa civilizada.

Cora, voc� e eu n�o temos nada a dizer.

Como n�o, hem? Pois se voc� n�o tem nada que dizer, eu sim.

Quanto acha que vou aguentar que chegue altas horas da noite?

Os vizinhos est�o come�ando a sussurrar!

N�o � assunto seu.

A vida da pessoa casada � assunto de todos.

E n�o quero converter-me em objeto de compaix�o para meus amigos!

Ouviu-me? Ontem vieram os Jeabow.

"Onde est� Philip?", disseram. "Fora da cidade?"

"Oh, n�o", disse eu, "est� trabalhando".

"No domingo?"

Quase desmaio, por me sentir t�o humilhada...

Mas como ia eu saber se era domingo...

ou qualquer outro dia se voc� nunca est� em casa?

Deve ter sido muito ruim para voc�, Cora, e eu lamento.

Muito se importa! Mas o que eu fiz para merecer isto?

Pergunto-me no que estaria pensando...

quando me juntei a um pobre homem como voc�.

Passei pelo bosque e escolhi uma �rvore podre!

Isso foi o que fiz! Uma �rvore podre, feia e gorda!

E n�o me importo em deixar de ver sua cara feia para sempre!

V� embora! Saia daqui, tome sua chave e feche-se!

Viva, morra e apodre�a l�! Para mim � a mesma coisa...

Vamos, Cora. Sabe que na casa ao lado ouve-se tudo o que dizemos.

N�o me importa, n�o tenho do que ter vergonha.

Chorar no vai ajudar em nada, n�o � a primeira vez que passamos por isto.

Se pelo menos pud�ssemos falar com calma...

Aonde quer chegar?

Cora, se pud�ssemos ter algum tipo de acordo, seria muito �til.

Escute, se abord�ssemos as coisas com sinceridade,

reconhecer�amos que nunca fomos felizes desde que estamos casados.

Gostaria de saber de quem � a culpa!

A culpa n�o � de ningu�m.

Tentamos aguentar juntos, tentamos uma e outra vez,

e n�o � que eu tenha feio algo mau ou que voc� tenha feito.

Quando se encontram juntas...

duas pessoas que n�o se amam,

qualquer coisa que fa�am torna-se algo odioso...

s� porque eles fizeram.

� assim que � isso, hem? Voc� me odeia! Sempre me odiou!

Eu n�o disse isso, Cora.

Quer fazer o favor de escutar-me?

O que digo � que ainda nos restam adiante alguns anos.

Por que n�o os vivermos felizes longe um do outro?

Longe? Que quer dizer?

Deixe-me partir, Cora.

Mas de que est� falando?

Disso. De ir embora.

Div�rcio?

Est� falando de div�rcio?

Na minha vida nunca ouvi falar de algo t�o imoral, t�o indecente!

N�o quero que manguem de mim!

"A mulher que n�o soube segurar seu marido"!

Por isso creio que seria um bem para os dois.

Mas somos casados, n�o?

E continuaremos casados at� que a morte nos separe, me ouviu?

Ouvi, mas n�o servir� de nada, j� estou decidido.

Se n�o me conceder o div�rcio, irei lhe abandonar.

- Ent�o, sim, hem? - Sim!

Pois tente me abandonar.

Irei � sua loja e direi a seus distintos clientes...

que tipo de canalha �.

Sabia que isto terminaria assim, sabia que era in�til falar com voc�!

N�o h� nada que fazer, � in�til!

Sim! Sim h� algo que fazer, Senhor Philip Marshall!

Ficar� sem sua loja, ficar� sem seu trabalho!

Que vontade tenho de ver a cara que ficar� o velho Frazer...

quando lhe disser que seu refinad�ssimo gerente,

seu elegante Sr. Marshall, seu exemplo de respeitabilidade,

quer abandonar sua esposa!

EXTON E WINWOOD MODAS

Corra, Fritz, ou chegar� tarde.

Eu lhe disse que gostaria de veludo.

- Quem � ela? - A Senhora Rockeburnelson.

Essa mula gorda?

N�o demore, Mod. Est� a� fora feita una fera.

Obrigado Packer. Eu acho que deixarei vestido um pouco.

N�o, nem falar. J� sei o que est� pensando, querida.

Quer lev�-lo no baile desta noite.

Venha, vamos tirar.

Tem certeza que n�o vai mudar de opini�o, Mary?

Gostaria muito, mas j� tenho um compromisso.

Creio que j� sei o que ocorre, seu amor n�o dan�a.

Dan�a divinamente.

O que ocorre � que n�o gosta de lugares usuais.

N�o?

N�o seja t�o reservada.

Sabe que � a primeira vez que nos fala dele?

Como ele �?

� alto e esbelto.

Po�tico, com um olhar muito sentimental.

N�o h� nada ostentoso nele,

e pertence a uma das melhores fam�lias da cidade.

Qu�? Refere-se a uma fam�lia nobre?

E das de mais alta ascend�ncia!

Naturalmente eles n�o querem saber nada de mim,

mas isso n�o importa a ele.

Ele tem sua pr�pria renda.

Cafezais no Brasil, diamantes na �frica do Sul...

Coisas assim.

- Querida, � incr�vel! - Claro.

Porque n�o � verdade, nem uma �nica palavra.

- Mary Gray... - Tirando sarro da gente...

Voc� e seu pr�ncipe de sangue azul!

Deveria v�-lo.

Pesa noventa quilos, no m�nimo, n�o sabe dan�ar nem um passo.

N�o tem nada de rom�ntico e n�o me importo, porque eu tamb�m n�o sou.

Como � fantasiosa!

Trabalha em una loja igual a mim, e tem um filho.

Um filho?

Sim e � am�vel e atencioso.

Sempre est� dependendo de mim, tem um grande poder de atra��o.

Igual a meu marido!

Se voc� n�o gosta, parece-me um homem ideal!

A mim tamb�m. A quest�o � se eu interesso a ele.

N�o interessa a ele?

- Ainda n�o se declarou, querida? - Ainda n�o, mas estou desejando.

Esta noite, talvez.

Falou desta noite como se fosse algo especial.

Arrivederci, amici! Ritorni un'altra volta!

Voltem logo!

Quase n�o comeu. Voc� est� bem?

Sim.

Aconteceu alguma coisa? Atrasou-se muito.

N�o.

Pois esta noite lhe acho muito estranho,

Philip. Que est� havendo?

Mary, estou preocupado.

Posso fazer alguma coisa?

N�o, ningu�m pode fazer nada.

Tenho certeza que n�o � t�o grave.

� o pior que poderia nos acontecer.

Mary, depois desta noite, n�o poderemos voltar a nos ver.

Que disse?

Disse que n�o devemos voltar a nos ver nunca mais.

N�o receba isso assim.

Philip, nossa amizade tem sido algo muito importante para mim.

Espero que haja significado algo para voc�.

Significou tudo.

Ent�o n�o acha que mere�o saber de tudo?

Conte-me, Philip.

Bem, fica muito dif�cil. Comportei-me muito mal.

Lembra-se quando nos conhecemos?

Lembro.

Eu lhe disse que era completamente livre,

sem ataduras de nenhum tipo.

� casado?

N�o jogou limpo, sabe?

N�o.

Tinha medo de n�o voltar a lhe ver.

E uma vez que lhe conheci, n�o poderia lhe perder. Compreende?

Poderia enfrentar tudo, menos lhe perder,

e estava certo que ela iria deixar-me ir embora.

Supliquei que me concedesse o div�rcio.

- E n�o quis? - N�o.

� a �ltima vez que nos vemos. J� lhe arrisquei muito.

- Por favor, Philip, eu lhe pe�o... - N�o.

N�o quero que ela...

Eu lhe respeito demais.

Sirvo agora, senhor?

Mary?

Claro, � uma grande ocasi�o.

Obrigado, senhorita.

Por n�s.

Eu o amo.

� voc�, Cora?

- Quem poderia ser? - Venha, quero lhe mostrar uma coisa.

Feliz Natal.

- Gosta? - � uma maravilha.

Vela de dois centavos a d�zia.

Voc� n�o acha que est� perdendo dinheiro?

O Natal � s� uma vez por ano.

E voc� descobriu isso sozinho? Mas como voc� � inteligente...

Vou coloc�-lo aqui.

Sim, ficar� lindo. E onde colocar� a planta?

N�o trouxe.

Como? N�o tem visco?

Voc� n�o vai me beijar sob o visco?

Poderia fechar os olhos e imaginar que sou outra.

N�o h� nenhuma outra, Cora.

N�o, s� estamos voc� e eu...

O par ideal, que envelhece junto...

Isso mesmo, Cora.

E n�o seria melhor que tent�ssemos fazer as coisas mais agrad�veis...

para que isto pare�a um lar?

Voc� est� colocando muito de sua parte.

Acabaram-se as noites na taberna e as horas extras no escrit�rio.

� um homem muito de fam�lia.

Tamb�m voc� por� alguma coisa de sua parte, n�o?

N�o h� nada como o lar, n�o acha?

Desde que essa mulher lhe deixou.

Mas de que est� falando?

Dessa lagarta com quem passeava!

E n�o me diga que n�o existiu essa pessoa!

N�o existe tal pessoa, Cora. Acredite.

Mentiroso! N�o sei como � que pode me olhar na cara...

enquanto me diz uma mentira como essa.

Disse que n�o existe essa pessoa?

- Equivoca-se, Cora. - � mesmo?

Ent�o por que me olha assim?

Quer saber, talvez, o que eu sei?

Exton e Winwood! L� � onde trabalha!

Melbourne Crescent � a rua onde ela mora.

Mary Gray � seu asqueroso nome!

Bem?

Por que n�o diz nada?

� isso, Cora. Mas tudo terminou.

De verdade?

Pois para mim n�o. Sabe o que vou fazer?

- Irei ver o velho Frazer. - N�o, Cora!

E contarei o miser�vel e sem vergonha que voc� �.

E se acha que darei por terminado quando acabar com voc�,

n�o se engane, farei o mesmo com ela!

N�o fa�a isso.

Irei � casa onde ela mora. irei � loja onde trabalha,

e os farei saber a sem vergonha que ela �.

N�o sabe o que est� dizendo!

Voc� acha? Sabe muito bem que sim.

E nenhuma casa respeit�vel aceitar� essa perdida!

Cora, est� me pondo louco!

Mandarei todos os dois para o inferno!

- Onde devam estar! - Cora, por favor!

Est� com medo!

N�o �? Medo por ela.

N�o...

- N�o por ela. - Bem, � melhor voc� ter!

Porque t�o certo como que o sol sai de manh�,

vou felicit�-la no Natal de um modo que nunca vai esquecer.

Ande, cuide das suas plantinhas, voc� s� serve para isso mesmo.

Os acidentes acontecem nas fam�lias mais precavidas.

Mas foi um acidente horr�vel.

E dois centavos de repolho de Bruxelas, por favor.

Formavam um par ideal, e jamais levantaram a voz.

� verdade. O Sr. Marshall me d� pena,

perdendo sua esposa t�o repentinamente.

Essas escadas t�o apertadas s�o armadilhas mortais,

eu sempre disse.

Dois centavos de cebolas.

O veredicto do juiz foi de "morte instant�nea"...

por acidente casual.

E levo tamb�m estas tr�s laranjas.

Voc�s ir�o ao enterro, suponho.

Claro que sim.

Era uma de nossas melhores amigas.

Quando vai ser?

Disseram-me que amanh� duas horas da tarde.

Por l�, por favor.

� verdade que est� muito natural?

Como se estivesse dormindo.

- Sinto muito... - Muito obrigado, Sra. Brody.

- Sinto muito, Sr. Marshall. - Obrigado.

- Primeiro carro, minha senhora. - Obrigada.

Muito obrigado.

Em seguida haver� biscoitos e xerez. Eu vi as garrafas!

E eu acho que haver� sandu�ches!

Ela lhe espera l� em cima, Philip.

Sim...

E lhe est� observando.

- Sinto muito, filho. - Obrigado.

Foram muito am�veis vindo. Bom dia.

Senhor e senhora Rogers? Quarto carro, por favor.

Philip...

Sabe que o tempo cura at� as feridas mais profundas.

Tenha f�.

S� tem que ter f�.

Sr. Marshall?

Venha c� um momento, tenho uma coisa para voc�.

Acho que ser� melhor que beba isto.

Que � isto?

Obrigado.

Diga-me, p�de dormir desde que...

N�o, n�o muito bem.

Eu pensei assim...

Gostaria que tomasse um pouco de calmante Bayard.

- N�o queria me acostumar com isso. - Bobagem, eu tomo sempre.

S� cinco gotas em um copo de �gua.

Mas n�o deixe de ler as instru��es.

Sei n�o, poderia ser perigoso.

Isso parece horr�vel, mas talvez o prove.

Bem, necessita dormir e um pouco de tranquilidade.

Vou mandar os foli�es para casa.

Obrigado.

- Boa noite. - Boa noite, obrigado.

- At� logo. - Adeus, boa noite.

- Boa noite. - Boa noite.

- Boa noite, senhor. - Boa noite, obrigado.

Voc� foi uma grande ajuda.

- Por lhe livrar deles? - N�o, por tudo.

N�o sei como lhe dizer como estou agradecido.

Nem pense nisso. Voc� foi muito bom com Gilbert e comigo.

- Que descanse, boa noite - Obrigado.

Boa noite.

- Bom. papai... - � isso.

N�o est� com uma boa cara,

gostaria de fazer alguma coisa por voc�.

Sinta-se livre para me perguntar qualquer coisa.

- Eu farei. - Obrigado, rapaz.

Tem certeza que n�o quer que fique?

- N�o... - N�o, tem raz�o.

S� quero que saiba que...

Que n�o tem nada que se censurar.

Fez o que p�de.

Pode chover, leve um guarda-chuva.

Est� bem.

Papai, onde est� sua bengala?

Aquela que o velho Frazer lhe deu de presente.

N�o sei, perdi. N�o me lembro...

N�o importa.

- Boa noite, papai. - Adeus, filho.

Minha adorada Mary...

Quem �?

Chamo-me Huxley.

- Como? - Inspetor Huxley, da Scotland Yard.

Entre, inspetor.

- � o Sr. Marshall? - Sim.

Disseram-me que passasse por aqui dar uma olhada.

Vou importun�-lo, mas terei que lhe fazer algumas perguntas.

- Sobre qu�? - Sobre a morte de sua esposa.

J� respondi a todas essas perguntas...

voc� deve ter as informa��es.

Sim, para dizer a verdade eu li o relat�rio detidamente.

- O juiz considerou "acidente". - Permita-me.

Por isso mesmo parece-me sem objetivo...

incomodar-lhe e ficar sem jantar.

Mas � claro, temos que fazer o que nos dizem.

Claro.

N�o preciso lhe dizer que voc� n�o est�

obrigado a responder minhas perguntas.

Farei com muito gosto.

Imagino que este seja o lugar onde ocorreu o acidente.

Sim.

Importa-se que d� uma olhada?

N�o, absolutamente, mas j� fizeram isso.

Sim, eu sei.

Acho que isso � que a fez trope�ar...

quando descia a escada aquela noite.

Sim, � assim.

Deveria mandar consertar uma coisa assim.

Sim, j� pensei nisso, mas esses dias me esque�o de tudo.

� esse o quarto de que ala saia?

N�o, esse � o meu. O dela � do outro lado.

Sim, claro, eu me lembro.

Agora o vejo com mais clareza.

N�o h� nada como estar no lugar dos fatos, sabe?

� muito melhor que tentar imaginar as coisas...

pelo relat�rio escrito.

Acho que deve ser assim.

Fui aqui onde ela bateu a cabe�a?

Sim, Estava quebrado, ent�o...

- Voc� quis consert�-lo logo. - N�o suportava ver isso.

Por que lhe d� tanta import�ncia?

No caso de morte por acidente,

temos que levar em conta todas as possibilidades.

� estranho que o tapete continue rasgado.

e que n�o tenha se incomodado de consertar...

e que entretanto tenha se incomodado de consertar isto.

O que voc� est� insinuando?

Nada.

Ent�o, se n�o tivesse sido um acidente, voc� pensaria...

Precisamente.

Suponhamos, exclusivamente a partir de minha opini�o, que...

na v�spera de Natal o assassino estava sentado nessa cadeira.

Estava s�. Sua esposa estava l� em cima.

Ele estava sozinho e pensando.

Tinha que se livrar dela.

Deveria fazer por uma raz�o que s� ele sabia.

Mas que teria que fazer.

Ent�o se levantou e se aproximou de onde estavam as bengalas

Pegou uma delas e sentiu seu peso com cuidado.

Era o bastante pesado?

Caso contr�rio deveria buscar alguma coisa mais contundente.

N�o deveria fazer ru�do.

Se a escada rangesse e ela se desse conta...

N�o devia ouvir voc� subir.

Chegou at� o buraco do tapete...

e se assegurou de que ficara patente.

Tinha que se esconder em algum lugar escuro.

Havia um lugar junto � c�moda onde podia esconder-se.

Esperou ali.

P�s a m�o na boca para que sua voz parecesse vir de longe.

E ficou l� no escuro olhando a porta do dormit�rio.

E uma voz que n�o parecia a sua chamou, "Cora!".

Esperou uma eternidade.

E logo voltou a chamar, "Cora!".

Custou reconhecer sua pr�pria voz,

ouviu os p�s dela se arrastando e depois se abriu a porta.

Ela permaneceu � contraluz no alto da escada,

resmungando e se perguntando por que estava apagada a luz da sala.

Talvez tenha gritado bruscamente, "Que est� havendo?".

Ele n�o respondeu, ela estava muito perto dele.

Esperou enquanto os seus ouvidos zumbiam.

Voltou a escutar a voz dela, "Philip, est� bem?".

Ele prendeu sua respira��o, sua m�e apertava a bengala.

Ela desceu um degrau... Dois! Tr�s!

Agora ou nunca!

Agora!

E l� caiu ela, ainda n�o estava morta.

Ele a ouvia respirar aquele corpo quebrado.

Mas ela deveria morrer!

Assim teve que voltar a golpe�-la e golpe�-la no mesmo ponto.

- Levantou a bengala lentamente e... - N�o!

N�o tem a menor prova!

Como se atreve a dizer que eu matei minha esposa?

Como se atreve?

Quem disse isso foi voc�!

Eu s� disse que se sua esposa foi assassinada,

pode ter sido desse modo.

Pode ter sido, mas n�o aconteceu assim.

Mas � um ponto de vista interessante, n�o acha?

Ainda que se pud�ssemos encontrar alguma coisa...

Algo t�o simples como um motivo.

Voc� compreende a que me refiro?

- N�o! - N�o?

Boa noite.

Perdoe-me, senhorita. Gostaria de entrar?

N�o. N�o, obrigada.

Philip!

Quanto tempo sem lhe ver!

Sim, faz muito tempo. Ser� melhor que n�o falemos aqui.

N�o compreendeu como foi injusto deixar...

que as agressivas suspeitas dessa gente est�pida nos separassem.

Por favor, compreenda, Mary.

Eu n�o queria lhe misturar numa coisa assim.

Por que n�o? O que as pessoas s�o, as pessoas que amam voc�?

Se voc� tinha problemas,

eu tinha o direito de compartilh�-los!

Sim, mas n�o esse tipo de problemas, Mary.

Uma simples suspeita j� deixa marcas.

Est� bem. Ent�o que marquem n�s dois, Philip Marshall.

Porque n�o vou lhe deixar ir embora outra vez.

Mary...

N�o compreende que essa persegui��o ter� de acabar algum dia...

e ent�o nos perguntaremos por que deixamos que nos preocupasse?

- Sim? - Uma oferta da casa, senhor.

E se me permite dizer,

ficamos muito alegres por voltar a v�-los por aqui.

� muito agrad�vel estar aqui, Martin.

Obrigado, senhor. Posso servir?

Claro, � uma ocasi�o especial!

Voc� v�, Philip? Tiveram saudades de n�s.

Mary...

Sa�de, meu querido.

Fatti il piacere di ritomare! Salute!

"Salute"!

Que simp�tica.

RESID�NCIA PARA SENHORITAS

Espere, n�o demoro.

Queria me ver?

Sim, senhorita. Gostaria de falar um pouco com voc�, por favor.

Bem, estou com um pouco de pressa.

Eu tamb�m.

Para que queria me ver?

Nada importante, s� umas perguntas.

Sou o inspetor Huxley, da Scotland Yard.

Gostaria de lhe perguntar algumas coisas

sobre o senhor Philip Marshall.

O que tem o Sr. Philip Marshall?

Se n�o se importa, senhorita, eu farei as perguntas.

- Desde quando o conhece? - Desde maio passado.

Conheceu sua esposa antes ou depois de conhec�-lo?

N�o conheci sua esposa.

Mas voc� sabia que era casado.

Naturalmente.

E sabendo que era casado,

continuou encontrando-se com ele com frequ�ncia.

N�o...

Ou�a, aonde quer chegar? Por que me faz tantas perguntas?

Porque � muito prov�vel que a Sra. Marshall tenha sido assassinada.

Philip Marshall? Um assassino? Que disparate!

Creio que est� se pondo rid�culo, inspetor.

O que voc� pense n�o prova nada.

Em vez disso, o que me disse de sua rela��o com o Sr. Marshall, sim.

Mas eu n�o lhe disse nada...

� uma prova muito valiosa.

Talvez o motivo que est�vamos procurando.

Ser� chamada a testemunhar pelo Procurador da Coroa, senhorita Gray.

J� n�o � a senhorita Gray, inspetor.

� a Senhora Marshall.

Casamos esta manh�.

Compreendo...

Uma manobra muito astuta, hem?

- Astuta... - Bem, poder�amos cham�-la assim.

J� que � conhecido o fato que uma esposa...

n�o pode testemunhar contra seu marido.

Sabe que tem muita gra�a, mas n�o hav�amos pensado nisso.

Claro que n�o.

� pura coincid�ncia que voc� haja silenciado...

a �nica testemunha que poderia lhe levar � forca?

Philip, temos que continuar escutando?

N�o temos por qu�. Vamos, querida.

Queres me esperar no carro? � s� um minuto.

Inspetor, voc� est� ficando pesado...

com suas suposi��es e suas d�vidas e n�o penso continuar lhe escutando.

Est� claro?

N�o lhe parece que um homem inocente seria mais tolerante,

pelo bem da justi�a?

N�o, n�o acho.

Parece-me que um homem inocente...

iria se comportar como eu estou fazendo.

Sinto muito, mas n�o estou de acordo.

Ent�o por que n�o me prende? Adiante.

Gostaria de faz�-lo, pode crer. Mas infelizmente n�o posso.

Voc� est� diante de uma parede intranspon�vel.

Ou�a-me e n�o v� de cabe�a contra ela.

Adeus.

Um momento!

N�o quero brigar com voc�,

mas tem que compreender minha situa��o.

Eu tenho um trabalho a fazer.

N�o � nada pessoal, eu lhe asseguro.

E � bem poss�vel que me tenha equivocado em todo este assunto.

Se for assim, sinto muito.

Muito bem, esque�amos.

Permita-me que lhe deseje um feliz matrim�nio.

E muito duradouro.

Obrigado.

- Adeus. - Adeus.

- Ol�! - Bom dia, Sra. Packer.

Aqui estamos, com nossos alegres rostos matutinos.

- Sr. Packer... - Bom dia, Sr. Marshall.

Voc� � Sybil, n�o �? Eu sou o pai de John.

N�o tinha lhe reconhecido!

Cuidado, querida amiga, vai prejudicar sua sa�de.

O riso deixa uma pegada horr�vel no cora��o.

- � mesmo? - Uma pegada no cora��o de quem?

- Ol� a todos. - Mary est� l� em cima, vestindo-se.

�ltimo trem para Margate!

- Vamos, Sybil. - Sr. Marshall!

Nada de bobagens. Voc� pode me ajudar a fazer os sandu�ches.

Que quarto ador�vel! Eu vejo o toque de Maria em tudo!

Alegro-me que esteja um dia t�o bonito para ir � praia.

Caramba!

Sandu�ches? Disse sandu�ches?

Creio que sim, por qu�?

Os sandu�ches s�o dois ter�os de p�o.

Caem como uma pedra no est�mago...

e isso deixa uma pegada terr�vel no cora��o!

Que foi isso?

Creio que John est� deixando uma ligeira pegada no cora��o de Sybil.

Sr. Marshall, n�o fa�a isso!

Por que n�o? S� um beijinho. N�o vai escapar.

John!

John, basta.

Se voltar a tentar, avise-me. Vou lhe dar uma surra.

Podem me desculpar?

Vou l� em cima para ver por que raz�o Mary ainda n�o desceu.

Podemos esperar, n�o h� pressa.

N�o � bom correr no �ltimo minuto!

- Muita gente morre de... - Eu j� sei!

Querida, sou eu.

Falta pouco?

Os Packer chegaram, est�o esperando l� em baixo.

Tenho que ir ou chegarei tarde no escrit�rio.

Espere um momento, tenho que lhe mostrar uma coisa.

Que �?

Querido...

� a �ltima moda, sabe?

Mas assim...

Parece muito provocante?

Bem...

Pois se n�o lhe parece respeit�vel n�o o levarei.

Querida, qualquer coisa que vista ser� respeit�vel...

desde o momento que ponha.

Philip, voc� � um anjo. Tenho muita vontade de lev�-lo.

Vamos, chegar� tarde.

Pena que n�o possa vir conosco.

Irei amanh� de manh� no primeiro trem.

- Est� bem, adeus. - Adeus.

Bom dia, Sra. Simmons. Muito trabalho?

Eu me distraio fazendo coisas.

Mary me disse que talvez passasse o fim de semana conosco.

Estive pensando. Passei t�o bem em Margate anteriormente...

Ent�o por que n�o vem?

Eu dei uma pancada na porta da cozinha.

Sou t�o desajeitada...

Sinto muito...

- Bom dia. - Bom dia.

Margaret.

- Margaret! - Diga, Sr. Marshall.

Traga-me outro desses deliciosos bolinhos de cereja.

Outro bolinho? N�o deveria traz�-lo.

Pensa-se que segue um regime muito severo.

J� me ouviu. Trabalho muito e tenho que repor minhas for�as.

Ande, seja boazinha e traga.

Muito bem, mas deveria ter vergonha!

N�o tem for�a de vontade!

Ol� Marshall, posso me sentar?

- Pode. - Obrigado.

J� que insiste, tomarei um gole de u�sque.

D�-me um u�sque duplo com soda, senhorita.

- Sim, senhor. - Margaret, esque�a o bolo.

Sim, senhor.

N�o me diga que lhe tirei o apetite.

Pois j� que insiste, sim.

Que pena...

N�o vai muito com a minha cara, n�o �?

N�o, n�o vou.

Bom, prefiro os tipos sinceros e diretos.

Bom, brindo pelo amor que se esfria.

O que quer de mim?

Se for dinheiro, n�o penso em lhe dar, pois n�o o merece.

Parece que estou diante de um juiz, de que me acusa?

- Eu vi sua mulher esta manh�. - � que...

�s vezes as esposas ficam chatas.

O que voc� deve fazer � para parar de bater nela.

Para voc� � muito f�cil dizer porque tem uma esposa nova.

E muito bonita, se me permite dizer.

V� tudo cor-de-rosa, n�o �?

Sou muito feliz, Se se refere a isso.

- Entretanto eu n�o sou. - A culpa � sua.

Voc� tem estragado seu casamento.

Estou de acordo com voc�,

mas acontece que sou um sem vergonha de nascimento.

Por que n�o procura se corrigir? � jovem. E sua esposa � encantadora.

Mas eu estou quebrado.

A prop�sito, poderia fazer um esfor�o...

e me emprestar cinco Libras at� que minha mulher receba o subs�dio?

N�o, n�o poderia, Nem um centavo.

Fa�a voc� um esfor�o e v� trabalhar.

Trabalhar? Meu querido Marshall, o trabalho � para os trabalhadores.

Tome. Com isso tem uns dois copos.

Obrigado, lojista.

Ol�, Sr. Simmons. Lindo dia, n�o �?

Horr�vel, quem � voc�?

- Meu nome � Huxley. - Ah, sim.

Voc� � o policial que veio me fazer perguntas...

depois da morte da Sra. Marshall.

Exato.

- Posso lhe convidar a uma bebida? - Ia pedir uma.

Mas n�o h� inconveniente que me convide.

Ser� uma honra.

Quem est� investigando agora?

A mesma coisa que antes. Seu vizinho o Sr. Philip Marshall.

Como disse? N�o estou entendendo.

Ainda n�o lhe ocorreu pensar...

que a morte da Sra. Marshall pode n�o ter sido acidental?

Poderia repetir isso?

Interessa muito. N�o sabe quanto me interessa.

Venha, bichinho!

Ol�, Marshall.

A porta estava aberta e pensei que poder�amos continuar conversando.

Conversar com voc� � algo que posso prescindir.

Estou fazendo a mala.

Amanh� vou a Margate, ent�o que me desculpe...

Vamos, estou certo que disp�e de um tempo para um sujeito reabilitado.

Tomei seu conselho ao p� da letra.

Decidi trabalhar.

Gostaria de saber sua opini�o sobre uma ideia que tive hoje.

E � uma boa ideia, com um pouco de sorte.

A sorte desempenha um papel importante...

nos assuntos humanos, n�o lhe parece?

N�o, n�o me parece. Eu acho que um homem faz sua pr�pria sorte.

Voc� deve saber.

A que se refere?

A nada, s� que sua esposa morreu muito oportunamente.

No momento melhor que voc� poderia esperar.

Isso n�o sorte pura e simples?

Aonde voc� quer chegar?

Eu? Eu n�o quero ir a nenhuma lugar.

S� comento o oportunamente que ocorrem as coisas...

�s vezes.

E da�?

Bem, a Sra. Marshall sofreu um acidente,

voc� ganha um bocado de dinheiro,

e o juiz diz "Bravo, Marshall"... Eu chamo isso de sorte.

E eu lhe chamo "maldito intrometido".

Ah, sim?

Pois o inspetor Huxley n�o acha.

Huxley?

- Que tem isso a ver? - J� conhece esses policiais.

Suspeitam de tudo.

N�o parece muito feliz com a ideia...

de que a Sra. Marshall morreu acidentalmente.

� uma pena!

Sim, � verdade. N�o teria por um a� um cigarro?

N�o!

Que pena, terei que fumar um dos meus.

N�o, Huxley acha que voc�...

digamos que ajudou sua esposa a ir para o outro mundo.

- Mas n�o pode provar. - N�o.

- N�o, precisa de uma testemunha. - Ah sim?

E eu preciso de dez Libras.

- Voc� � um porco, sabia? - Sim.

Um porco e al�m disso um chantagista!

As paredes s�o muito finas.

- Assim foi como pude ouvir... - Voc� n�o ouviu nada!

Eu sei, mas suponha que eu dissesse que ouvi...

na v�spera de Natal uma briga entre voc� e sua esposa.

Suponha que eu dissesse que a ouvi gritar.

- N�o � verdade. - Que ouvi o golpe.

Mente.

Que a ouvi dizer "Philip, n�o fa�a isso!".

Ningu�m acreditaria.

� poss�vel

Mas se eu fosse declarar ante o promotor,

voc� N�o parece muito feliz com a ideia...

Sim, pode ser.

Voc� tem raz�o.

Ficaria numa situa��o muito delicada.

Bem...

Aqui tem cinco Libras, � tudo o que tenho em casa.

N�o se desculpe, os bancos estar�o abertos depois de amanh�.

Ent�o poder� sacar vinte e cinco.

Vinte e cinco mais na semana que vem?

Ou talvez cinquenta...

E na semana seguinte E na outra?

Eu vou lhe dizer quando. Al�m disso, voc� tem muito dinheiro.

Sim, tenho muito.

Ou�a, n�o ter� por acaso um pouco de u�sque em casa?

U�sque?

Sim, tenho uma garrafa por a�, para as emerg�ncias.

Quando eu tenho sede acontece uma emerg�ncia.

Voc� � um cara muito engra�ado, Simmons.

N�o acho que se d� conta de t�o engra�ado que �.

Trarei o u�sque.

Ou�a, n�o queria incomodar,

mas se prefere eu vou embora.

N�o, quero que fique.

Ol�, gatinho!

Vamos, gatinho... Eu n�o faria mal nem a uma mosca, sabe?

CALMANTE BAYARD DOSE PARA ADULTOS: CINCO GOTAS.

Venha, gatinho!

Voc� � um gato muito bonito.

Vamos, gatinho.

Gosta de brincar, hem?

Aqui tem.

- Sirva-se. - E voc�? N�o vai tomar um gole?

� uma pessoa muito engra�ada, Simmons.

Engra�ado?

N�o lhe ocorreu pensar que a chantagem pode ser perigosa?

N�o se se conhece a v�tima,

e eu lhe conhe�o como a um livro aberto.

Mas foi mais f�cil do que eu acreditava.

Ou�a, voc� nunca luta?

N�o.

Nunca fui briguento.

Voc� � um cara mole, hem?

Ou talvez seja um daqueles caras que apresentam a outra face...

pensando em outra vida.

Eu gosto das pessoas e nunca quis fazer mal a ningu�m.

Pois � um erro muito grave. Voc� tem que bater antes de baterem em voc�.

Acho que eu me incomodei alguma vez...

em averiguar se incomodava algu�m?

N�o, acho que nunca fiz.

L� est� voc� e aqui estou eu,

desfrutando como um pax� a dura��o da minha sorte.

Faz calor, n�o �?

Sabe?

Os de seu tipo foram criados...

para tornar mais f�cil a vida dos de minha classe.

Os humildes herdaram a terra e n�s herdamos...

dos humildes.

E voc� � um covarde, Marshall.

Por isso eu o peguei.

� mais manso que um cordeiro.

Incapaz de matar una mosca.

O u�sque...

Voc�...

Voc�...

- Eu vou lhe ajudar, senhorita! - Estou pingando

Ajude-me com as coisas, Por favor, Sr. Packer.

Pois n�o, � um prazer servi-la.

Entrem em casa, eu pagarei o carro.

Estou encantada.

- Tr�s e oitenta, senhor. - Tome, fique com o troco.

Afastem-se! Fiquem todas de um lado!

Eu abrirei a porta.

Ora, est� fechada com a corrente. Papai deve estar em casa.

As luzes est�o acesas, n�o pode estar deitado.

Papai, acorde! Est� a�, papai?

Acorde, por favor! J� voltamos!

Deixe-nos entrar, papai!

- Tire a corrente, viu? - Philip!

- Abra, papai! - Vamos, Philip!

- Papai, est� a�? - Com certeza est� dormindo.

Por favor, j� voltamos! Papai! Vamos, deixe-nos entrar!

- Que surpresa! - Ol�, Philip.

- Por que demorou tanto, papai? - Estava l� em cima.

Estamos gelados.

Que pena que estragou o fim de semana.

Chove sempre em Margate?

Oito dias da semana e dois domingos.

John, voc� � terr�vel!

Tivemos sorte de poder tomar o �ltimo trem.

Philip foi mito esperto em ficar em casa.

Cada vez que saio acabo me perguntando por qu�.

- Venham todos aqui! - Prepararei algo como um jantar.

John!

Vem, Philip?

Teremos que preparar algo para que estes senhores esquentem.

Philip!

Que houve, Philip? Quer me ajudar a procurar o u�sque?

Sinto muito, querida, mas n�o tem mais.

Tenho certeza que havia um pouco na garrafa.

Havia, mas n�o tem mais.

Philip, que faz quando eu n�o estou em casa?

E por que n�o conhaque? N�o serve para esquentar?

Ter� que servir.

Foi uma pena ter feito um tempo ruim.

Vimos um pecadinho de c�u azul.

E teve a oportunidade de por sua roupa de banho nova?

Guardei para quando voc� possa vir.

Sybil! Venha c�, quero lhe mostrar um coisa.

Quer um pouco de conhaque, Sr. Packer?

Obrigado.

Olhe, algu�m perdeu as chaves!

S�o minhas. Ponha em meu bolso, por favor.

Nossa M�e! Este j� � o �ltimo!

N�o h� nada como um bom copo de conhaque, n�o �?

- � verdade. - Obrigada.

Lembre-se do seu cora��o, Herbie.

Tome conta do seu que eu cuido do meu!

Sr. Marshall, � sua sa�de.

Quem bebe nesta casa se esquece de suas preocupa��es.

John, olhe esta pequena criatura!

- Que gracinha, n�o �? - Gracinha? Eu?

Que aspecto acha que voc� teria...

em uma enorme e fria concha marinha sem nada em cima?

John, n�o deves dizer essas coisas! N�o �, Sr. Marshall?

Parece que sim.

Voc� � t�o malicioso quanto ele.

- N�o, vou compartilhar com Sybil. - Quem lhe deu permiss�o?

Alguma coisa bateu no meu tornozelo!

- Isso � rid�culo. - Imagina��es.

N�o, nada disso. Bateram no meu tornozelo!

- Aqui em baixo tem alguma coisa. - Bobagens.

Vou lhe demonstrar.

- Aqui est� seu fantasma! - Eu disse que tinha algo.

O jantar est� pronto!

Venham todos, por favor, e tragam seus copos.

Vem, Philip?

Teremos que sair correndo depois de jantar.

Sim, o �ltimo transporte n�o espera por ningu�m!

� melhor prender o gato.

Obrigado, Sra. Marshall.

As luvas est�o ensopadas. Tome, guarde no seu bolso.

- Como passamos bem! - T�m que voltar em breve.

Vamos logo ou perderemos esse maldito transporte!

- Eu acompanharei Sybil at� em casa. - John, voc� � terr�vel!

Boa noite!

Foi muito am�vel em me convidar, Sra. Marshall.

Sr. Marshall...

Vamos, John!

- Boa noite a todos! - Boa noite.

Pergunto-me se John gosta realmente dessa mo�a.

Eu diria que sim. � uma menina muito bonita.

N�o creio que tenha um m�nimo de intelig�ncia.

N�o gostaria que ele desperdi�asse sua vida assim.

E voc�?

Eu o qu�?

- N�o me escuta! - Perd�o.

Philip, que h� com voc�?

Voc� parece muito confuso, aconteceu alguma coisa?

- Claro que n�o. - N�o tente escond�-lo.

Tem alguma coisa em sua cabe�a.

- Bem, realmente... - Eu sabia.

Vamos, nada de segredos entre n�s.

Est� bem, nada de segredos. E j� que quer saber...

Que acha se fiz�ssemos as malas e f�ssemos com John?

Que f�ssemos ao Canad�?

Poderia ser divertido.

Pensei que voc� queria ficar aqui.

Eu sei. Mas quanto mais penso nisso, mais gosto da ideia.

Mas � porque n�o foi feliz aqui?

- Bem... - Sinto muito, eu...

Pensei que uma vez reformada a casa iria se esquecer de tudo.

Mas n�o serviu de nada, n�o foi?

N�o deve culpar-se de nada, Mary,

eu sou feliz com voc� em qualquer parte.

E eu com voc�.

Quer saber uma coisa?

Ficarei encantada em abandonar esta casa.

Estaremos muito melhor em qualquer outro lugar do mundo.

Tamb�m acha assim?

Vamos com John, � uma ideia maravilhosa.

Sou t�o feliz que dan�aria!

Pois v� dan�ando para a cama, teve um dia cansativo.

Mas n�o estou nem na metade do seu cansa�o.

Al�m disso, quero deixar tudo limpo.

Eu limparei tudo.

- � que tem muitas coisas sujas! - Eu limparei tudo. E agora v�.

Como quiser.

- Que tenhas bons sonhos. - Sonharei com o Canad�.

Philip!

Philip!

Diga-me, querida!

N�o se esque�a de abrir a porta para o gato!

N�o esquecerei!

- Eu j� paguei a conta. - Faremos por menos, senhor.

- Obrigado. - O Canad� � um pa�s grande, caramba!

Gostaria de ir com voc�!

Boa sorte, para voc� e sua fam�lia.

Obrigado, Sr. Barkley.

O Sr. Marshall � um verdadeiro cavalheiro.

Bom dia, Srta. Pomfrett.

Bom dia, Sr. Marshall!

- Permite-me? - Obrigada.

Quer dizer que amanh� embarca no Maine?

� isso a�.

Pois tem sorte,

com todos esses policiais metendo os narizes por toda a rua...

Por que tenho sorte?

Este bairro est� piorando, Sr. Marshall.

Com o desaparecimento do Sr. Simmons...

e a pol�cia batendo nas portas e fazendo perguntas.

N�o que eu ache que seja lament�vel, mas...

A pol�cia tem lhe incomodado com perguntas?

Sobre Simmons? N�o. Por que iriam faz�-lo?

N�o � a primeira vez que desaparece durante uns dias.

Sim, mas voc� sendo seu vizinho mais pr�ximo e essas coisas...

Bem, e o que � que queriam saber?

Quem o viu chegar... Quem o viu sair...

Quem o viu pela �ltima vez... Tudo isso.

Tanta confus�o por um b�bado in�til.

Ele se achava superior a n�s todos,

mas se quer saber minha opini�o, somos muito melhores que ele.

Bem, essa � a minha opini�o. Obrigada.

- Bom dia, Srta. Pomfrett. - Adeus.

Sr. Marshall! N�o que entrar?

Obrigado.

S� vim me despedir e agradecer por ter dado um lar ao nosso gato.

Fiz com muito gosto.

Sempre gostei dos animais.

Mas... Bem, Gilbert n�o me deixava ter nenhum.

N�o teve not�cias dele?

N�o, nem uma palavra.

Acho que esta foi a �ltima escapada sua...

� a conversa em todo o bairro.

Bem, veremos...

Quando a pol�cia come�a a rondar por a�, as l�nguas se soltam.

J� passei por isso tantas vezes...

Acho que j� deveria estar acostumada.

Mas n�o estou.

Posso fazer alguma coisa para lhe ajudar?

Voc� � muito am�vel,

mas acho que ningu�m pode fazer nada.

�s vezes...

quando Gilbert desaparecia como agora,

eu desejava que n�o voltasse.

Iria morar com minha irm� e seus filhos em Devon,

mas n�o � mais que um sonho, ele sempre volta.

N�o pode imaginar quanto eu sinto, Sra. Simmons.

E acho que nos conhecemos...

o suficiente para poder lhe dizer...

que espero que algum dia possa voltar a Devon.

S� faltam uns minutos para zarpar.

Meu cora��o est� palpitando. N�o posso acreditar.

Acho que n�o ir� se arrepender agora!

Vamos ser muito felizes, voc�, John e eu.

Eu tamb�m acredito.

� t�o jovem... Necessita de toda ajuda que possamos dar.

- Sr. Philip Marshall! - Ou�a, n�o est�o lhe chamando?

Sr. Philip Marshall! Sr. Marshall!

- Volto j�. - Sr. Marshall!

Sr. Marshall!

Eu sou Philip Marshall.

Um cavalheiro deseja lhe ver, senhor.

Oh, Merridew! Obrigado por me avisar.

Sr. Marshall, n�o queria que embarcasse sem me despedir de voc�.

Senti sua falta no �ltimo dia no escrit�rio.

- Como vai sua garganta? - S� um pouco irritada, senhor.

Mary!

- Meu colega de escrit�rio, Merridew. - Prazer em conhec�-lo.

Trouxe-lhe um presente, Sr. Marshall.

- Que am�vel. Posso abrir? - Sim, senhor.

� um rem�dio radical contra o enjoo no mar.

Para n�o enjoar a bordo, Sr. Marshall.

Comprei com meu dinheiro.

Agradecemos muito, Merridew. N�o �, Mary?

Claro, vai ser muito �til.

Desejo-lhe muita sa�de e sorte, Sr. Marshall.

E para voc�, senhora.

Estou muito agradecido.

Minha m�e disse que espera que quando eu crescer,

seja t�o bom como voc�.

Eu n�o sei se sou bom, se for a metade de como eu sou feliz...

Est�o aqui! Eu os procurei por todo o barco.

Que houve? N�o me diga que as malas se extraviaram.

Nada disso, est�o no seu camarote. D�zias de malas.

Nunca vi tanta bagagem.

Minha camisa est� em uma delas e n�o sei em qual.

- Est� na mala marrom, John. - H� tr�s malas marrons, mam�e.

Eu lhe direi em qual, filho.

Pode nos desculpar, Sr. Merridew?

J� lhe tinha dito que era um in�til.

Eu tenho que desembarcar, senhor! Eu n�o quero me levem para o Canad�.

Um momento.

- Quero que cuide da garganta. - Mas como vou lhe devolver, senhor?

- Pode guard�-la. - Voc� � muito bom, senhor.

Fique em casa o resto da semana e diga a sua m�e que fui eu quem disse.

Sim, senhor.

- E seja um bom rapaz sempre. - Sim senhor. Adeus, senhor.

Adeus.

Ol�, Marshall!

Ol�, inspetor.

Voc� aparece em todas as partes!

Sim, parece isso, n�o �?

Viaja no barco ou se despede de algu�m?

Viajo.

�timo! O Canad� � um pa�s maravilhoso.

Eu vim me despedir de um amigo que se chama Pennyfeather.

Vou logo enquanto n�o zarpa.

A menos que me procure...

A que se refere? N�o pensar� que...

- Claro que sim. - Bobagens, esque�a.

S�o �guas passadas.

Bem, adeus. E boa sorte.

Obrigado, inspetor.

A prop�sito, Marshall.

- Viu o jornal da tarde? - N�o.

Aquele vizinho seu, um tal Simmons...

Que houve com Simmons?

- Finalmente apareceu. - N�o me diga!

Sim, de verdade. Pensei que poderia lhe interessar.

Vejamos onde est�.

N�o, me parece que aqui n�o, n�o � muito importante.

Aqui est�.

Aqui, escondido no fim da p�gina, est� vendo?

ONTEM FOI TIRADO DAS �GUAS DE UM CANAL

O CORPO DE UM HOMEM

IDENTIFICADO COMO GILBERT SIMMONS,

COM DOMIC�LIO EM LABURNUM TERRACE N�MERO 29

A POL�CIA DISSE QUE PARECE SUID�CIO,

MAS PODERIA SE TRATAR DE UM ASSASSINATO

Meu Deus!

- Tem certeza que � Simmons? - Claro.

O tiraram no canal que passa por tr�s de sua rua.

Estava um pouco desfigurado, mas era ele.

Que horror! Deve ter ca�do na �gua b�bado.

N�o, foi jogado l� quando j� estava morto.

- Quer dizer que o assassinaram? - A sangre frio.

Quase que n�o posso acreditar. De um tiro?

N�o, deram veneno em um copo de u�sque.

Espantoso!

Sabe quem fez isso?

- Se sabe quem fez isso. - Sim, sim.

Quem?

A esposa dele.

N�o...

Sim, o caso est� clar�ssimo. Ela tinha um motivo.

Ele era um sem vergonha, voc� sabe.

Batia sempre nela, ela o reconhece.

E depois havia o dinheiro seguro ela receberia.

N�o, eu n�o posso acreditar.

Sim, e tamb�m teve a oportunidade.

Viram quando ele entrou em casa mas n�o viram sair.

E a subst�ncia encontrada em seu est�mago era id�ntica...

a certo medicamento para dormir que ela possu�a.

Mas isso � absurdo, ela n�o poderia arrastar o cad�ver at� o canal.

Por que n�o? S� est� a uns metros do jardim.

N�o teria for�as.

Meu querido amigo, quando tem que se escolher entre encontrar for�as...

ou ir para a forca...

N�o vai se chegar a isso. Nenhum jurado condenaria essa mulher.

Condenar�o quando come�ar o julgamento.

N�o entende que n�o tem um �libi?

Ela esteve todo o tempo na casa.

N�o pretendia lhe preocupar. N�o era minha inten��o.

Ela � inocente.

De verdade? Voc� tem alguma prova?

N�o, mas n�o se vive durante oito anos...

perto de uma pessoa sem chegar a conhec�-la, inspetor.

Meu querido amigo, quando se trata de conhecer que h�...

no cora��o dos outros...

L� est� o que procurava!

Bem, adeus e n�o se preocupe com este assunto.

N�o � coisa sua. Boa viagem!

Que vai beber, senhor? U�sque, senhor?

Tr�s minutos para zarpar! Visitantes para a terra!

Tr�s minutos para zarpar! Visitantes para a terra!

Eu n�o lhe entendo.

Esse cara mata um homem a sangre frio e o deixamos ir embora.

Como se nada houvesse!

O que eu podia fazer?

Se matou Simmons � por que tamb�m matou sua esposa,

e isso n�o se pode provar.

E nos escapa das m�os tranquilamente.

Nunca esteve em nossas m�os. Foi ao contr�rio.

S� existe uma coisa que pode det�-lo,

e � sua pr�pria consci�ncia.

Consci�ncia? Um assassino?

Olhe, Prentis. Conhe�o Philip Marshall.

N�o � um assassino, pelo menos por natureza.

� um homem igual a mim ou a voc�.

Por isso lhe contei essa hist�ria inventada sobre a Sra. Simmons.

N�o podia acreditar que fosse capaz de permitir...

que una mulher inocente sofresse por algo que ele fez.

Mas parece que me enganei.

Eu tinha apostado desde o princ�pio que estava enganado.

Sargento, ainda quer apostar?

Olhe...

Tiro o meu chap�u, inspetor.

- Obrigado, sargento. - Quer que o prenda?

- N�o. - Mas vai embora!

N�o, n�o vai.

Sabe que fez algo grave. Vamos deix�-lo sozinho.

Quando estiver preparado, vir� a n�s.

Enquanto isso, limite-se a vigi�-lo.

Bem.

Aonde vamos, chefe?

� Scotland Yard.

Tradu��o das legendas: PARENTE - BRASIL

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