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Original subtitles

"Ele nasceu com o dom do riso

e com a impress�o de que o mundo era louco. "

Onde est� o Marqu�s de Maynes?

- Bem, eu... - Onde ele est�?

Em nome da rainha.

Noel, o Marqu�s de Maynes.

Vossa Majestade.

Nunca vi a Fran�a t�o radiante como agora.

S� o esperava amanh�.

Cavalguei todo o dia e a noite.

Deixe-nos, por favor.

Estou zangada com voc�.

- Zangada, majestade? - Muito zangada. Voc� sabe o motivo.

- Ter� sido por duelar com o Conde? - Entre outros.

- Eu s� o arranhei um pouco. - Dizem que voc� o aleijou para sempre.

E cinco minutos depois voc� matou o Bar�o Marbleu.

Foi um infeliz acidente. Ele esbarrou na minha espada.

- E aquele conversador, o Duque Taramand. - O duque luta razoavelmente bem.

- Ele teve uma chance justa. - Ele n�o teve chance alguma.

Escute-me, primo.

N�o vou permitir que mate meu nobres.

Seja aos poucos ou aos montes.

Em tempos dif�ceis a nobreza tem que estar unida.

Por que esse derramamento de sangue?

- Esqueci. - O que ocasionou tudo?

Dutal teve a afronta de ficar do lado direito do cardeal no jantar.

Quanto a Ramone, deixe-me ver...

E Ramone?

Um assunto delicado.

Ele foi desrespeitoso com...

- Desculpe-me. - Uma mulher?

Uma deusa.

Bem, o que eu queria...

De novo?

Ontem encontrei um sob o meu travesseiro.

E essa manh�, o rei achou um na bandeja de seu caf�.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade.

As pessoas que escrevem essas coisas, o que elas querem?

N�s, majestade. Nossos direitos, nossas terras, nossas cabe�as.

Nossas cabe�as?

N�o se preocupe com esse Marcus Brutus, seja l� quem ele for.

Cuidarei dele pessoalmente.

Eu tinha outro assunto em mente quando mandei cham�-lo.

- Sim? - Esse tamb�m � pessoal,

mas de um modo mais �ntimo.

Minha turma de dan�a.

Qual � o crit�rio para participar?

Deve ter ber�o, menos de 19 anos...

e ser solteira.

Voc� � um Marqu�s, tem 35 anos e � solteiro.

Vossa Majestade sabe porque nunca casei.

Acho que est� na hora.

Um dia voc� pode esbarrar em uma espada.

Seria uma pena a mais antiga fam�lia da Fran�a acabar assim.

Vossa Majestade ordena que eu case?

Posso pedir um �ltimo favor?

Voc� escolhe minha noiva.

Acho que gostar� dessa mo�a. Ela est� na flor da idade.

Esse � o Marqu�s de Maynes.

Parece que a sua dan�a o impressionou bastante.

Ele quer expressar sua admira��o.

Esta � minha protegida: Aline de Gavrillac.

Encantadora.

Encantadora.

Voc� dan�a muito bem.

Deve cantar tamb�m, sem d�vida.

- Adoro cantar. - Toca algum instrumento?

- Clavic�rdio. - Deve ser talentosa com agulha e linha.

Sim, muito.

Eu tamb�m fa�o um pouco de bordados.

Li todas as pe�as de Corneille, Racine, Moli�re e Voltaire.

N�o entendi uma palavra.

Escrevo um pouco, n�o muito bem.

N�o cozinho bem, mas jogo xadrez, por�m prefiro o jogo das cobras.

Estudei geografia, geometria,

astronomia, filosofia e bot�nica.

Por�m abandonei a �lgebra quando tinha 12 anos.

- Ela � prendada. - Realmente.

Posso ter a honra de acompanh�-la enquanto estiver em Paris?

Tamb�m jogo xadrez.

Infelizmente n�o conhe�o o jogo das cobras.

Aline o ensinar�, n�o �?

Sim, se o desejar.

Falarei com meu pai quando for para casa no seu anivers�rio.

Escreverei para seu pai e direi que � meu desejo...

que voc� e o Marqu�s se tornem bons amigos.

Lenore!

Lenore!

Sou eu.

N�o fique nervosa.

Perdoe minha longa aus�ncia na sua cama.

Estou novamente aos seus p�s.

Como sua pele brilha sob o luar.

Lenore, querida!

Sou eu. Estou de volta. Lenore!

Ei, bando de artistas mambembes!

Acordem! Lenore!

- Andr�. - Onde est� ela?

- Minha Lenore, sua estrela. Onde est�? - N�o est� aqui.

- N�o est�? Por que n�o? - Ela foi a Paris.

- Paris, Paris, est� mentindo. - Foi ver a fam�lia.

- Seu pai est� doente. - Pai? Ela nunca teve pai.

- Talvez sua irm�. - Nunca teve irm�, irm�o, pai, m�e...

tia, tio, sobrinha, sobrinho. Ela s� tem a mim, n�o �?

S� um marido.

Um marido?

Monsieur Binet,

d�diva dos c�us ao teatro.

Voc� est� querendo dizer que minha Lenore � casada?

Sim... bem, praticamente.

- Praticamente? - S� falta...

- S� falta o qu�? - S� falta casar.

Ela cansou de esperar que voc� a tomasse para si.

Agora ela vai para o altar com outro.

Em Paris, ter�a-feira, ao meio-dia.

Lenore, minha noiva, minha linda.

O que fiz para merec�-la?

At� agora quase nada, mas tenho esperan�as.

- Rosas? - D�o sorte aos amantes.

Que pena que murcham t�o r�pido.

Isto n�o murchar�, minha amada.

Diamantes!

Lembrei dos seus olhos e comprei.

S� meus olhos? Que gentil.

Devo fazer com que lembre de mim como um todo.

Sou o homem mais feliz.

- E o mais rico. - Nem tanto.

- � quem mais vende lingui�as em Paris. - Exceto pelos irm�os Delmore.

Os irm�os Delmore? Eles s�o casados?

- Est�o mortos. - Mortos?

Mas com voc� ao meu lado, farei mais e maiores...

lingui�as do que qualquer um na Fran�a.

Desculpe interromper, mas de acordo com a lei 4.012

beijar em p�blico � proibido.

- Infratores ficam 3 dias na masmorra. - Voc�.

Ol�, minha prenda.

- Est� louco? - Completamente, fora de mim. Nunca viu?

Estou indo para meu casamento com um lun�tico. Pare a carruagem!

Calma, estamos chegando.

Lenore quer se casar, n�o � querida?

- Quero sim. - Lenore, querida?

Voc� conhece esse homem?

Conhe�o. Ou conhecia.

Um idiota e mentiroso, ignore-o.

Quem � ele?

- Quem � voc�? - Eu sempre me pergunto.

- Me chamam de Andr� Moreau. - Saia, quem quer que seja!

Sente-se.

Esse vestido lhe cai bem, querida.

Mas n�o sei quanto a esse casamento.

- N�o estou interessada. - Como ousa!

- Na verdade, voc�s at� combinam. - Monstruoso, horr�vel, absurdo!

Temos aqui um homem de meia idade.

Um sujeito honesto, cidad�o exemplar. O que ele deseja de uma esposa?

Que ela sente diante da lareira � noite. Os rebentos aos seus p�s,

enquanto ele conta as fofocas das lingui�as.

Ele s� quer meia d�zia de filhos.

Quer dizer, uma d�zia. Quem ele escolhe para casar?

Uma atriz mambembe.

Experiente em uma s�rie de pap�is, mas nunca uma m�e de 12 filhos.

- Voc� disse atriz? - Sim.

Ela n�o te contou?

Lenore � uma atriz. Das med�ocres.

Med�ocre? Sou excelente!

- O teatro corre pelas minhas veias. - Sabe o que isso significa?

Um dia, no meio do jantar, ela ter� aquela �nsia...

e enquanto voc� estiver se servindo, ela vai fugir.

- S� anseio uma coisa no momento. - Eu sei.

Casar comigo.

- Casar com voc�? - Sim. Por que n�o me disse?

- Por que n�o me pediu? - Voc� nunca comentou.

Querida.

Meu outro noivo.

Seu noivo n�o est� mais conosco.

Sempre lembrarei dele.

Agora, para que fique respeit�vel.

- Com licen�a, minha querida. - Para onde vai?

- Philippe est� esperando. - Philippe?

Philippe de Valmorin, o padrinho do casamento.

- Ele prometeu estar aqui com o anel. - Andr�.

N�o fique nervosa.

Qual o seu nome?

Ivan, O Terr�vel. Qual o seu?

Se � Andr� Moreau, deve ir imediatamente � casa de Philippe.

Ele est� em apuros.

Tudo bem. Vamos.

Andr�!

Andr�, pare!

Andr�, o que aconteceu?

Um imprevisto. Circunst�ncias que est�o fora do meu controle.

Haver� um pequeno atraso antes que se torne minha.

- N�o fique nervosa. - Andr�.

- Ali. - Uma carruagem est� parando.

Andr�? � o Andr�?

N�o, � o condutor, ele desceu.

Ele est� vindo aqui.

Bom dia, bom dia, bom dia.

- Gra�as a Deus est� aqui. - Contente em v�-lo.

O que aconteceu aqui? Um furac�o?

N�o, foram os soldados do rei.

- Eles vieram atr�s de Philippe. - Philippe?

Por qu�? O levaram?

N�o, ele est� a salvo. Mas ainda est�o l� fora vigiando a casa.

- Est� vendo ali? - Eles olharam em todo lugar.

Quebraram coisas, foi horr�vel.

Onde ele est�?

Andr�, voc� est� com uma roupa estranha.

- Est� em apuros tamb�m? - Ainda n�o.

Mas corro o risco. H� uma mo�a l� na carruagem...

querendo se casar. Ela j� teve duas tentativas e est� ficando brava.

Andr�.

J� ouvi falar de noivo fugindo no �ltimo minuto,

mas nunca o padrinho. O que houve?

- Descobriram que escrevi isso. - Liberdade, igualdade, fraternidade.

- Marcus Brutus. - Sou eu. Sou Marcus Brutus.

Est� em toda a cidade, conseguimos colocar at� nos aposentos reais.

- Conseguimos? - Somos milhares, pai.

Unidos contra os aristocratas tiranos.

- E esses tiranos incluem seus pais? - Pai, por favor.

Posso ser pobre, mas sou um nobre de nascimento.

- E voc� tamb�m. - Por favor.

- Esse panfleto � trai��o. - Pai, voc� n�o entende.

Bem, o que acha?

A gram�tica � horr�vel, s� na primeira p�gina...

voc� usou negativo duplo, errou o infinitivo e esqueceu tr�s v�rgulas.

Infinitivo, negativo, v�rgulas! Ele critica a pontua��o!

- E a Fran�a agoniza. - Agoniza?

- Eu n�o sabia. - Voc� nunca leva nada a s�rio.

Nada importa a voc�.

Philippe, por que briga com seu melhor amigo quando sua vida corre risco?

- O que deve ser feito, Andr�? - Marcus Brutus deve se esconder.

Deve sair da cidade imediatamente.

- Como? - N�o tenho a menor ideia.

A menos que...

Vista isso.

Ou�a com aten��o: l� fora tem um cavalo e uma carruagem.

V� l�, monte e v� embora. Ningu�m o questionar�.

Exceto a mo�a dentro dela, ela pode ficar violenta.

Voc� vai conduzir at� a floresta. Tem dinheiro?

- Cinco coroas. - N�o basta para iniciar uma revolu��o.

Pegarei dinheiro e o encontrarei na placa da floresta �s 9, entendido?

- Entendido. - V�.

Tchau, m�e.

Desculpe, pai.

Leve minha espada e tente n�o desonr�-la.

Obrigado, pai.

Philippe.

Boa sorte.

Est� tudo bem.

Ele � muito novo. Cuide dele.

Como voc� cuidou de mim, juro.

Deus o aben�oe, Andr�.

Agora ao assunto que faz as princesas serem tolas...

e as tolas princesas. Dinheiro!

- Andr�, tenha cuidado. - � esta minha inten��o.

Vou consultar meu advogado, o eminente advogado Fabian.

� essa a careca do advogado Fabian?

Sim!

Moreau, n�o o vejo.

Deve ser m�ope, estou aqui.

Quero um adiantamento da mesada do ano que vem.

- Que tal a metade? - Mesada do ano que vem?

- Imposs�vel. - F�garo.

Deixe-nos.

N�o h� mais dinheiro.

- Nenhum. N�o recebeu minha carta? - N�o leio cartas.

Escrevi dizendo que sua mesada acabou.

Acabou?

O cavalheiro n�o pode mais ajud�-lo.

Solte isso e saia daqui.

Vou at� o cavalheiro e pego o dinheiro pessoalmente.

- Qual � o nome dele? - O nome dele? Imposs�vel.

Sabe que n�o posso fazer isso.

N�o sei de nada.

Durante 30 anos...

a ignor�ncia foi minha profiss�o.

Sem refer�ncias a meu nome, meu passado obscuro e meu nascimento misterioso.

N�o se mexa ou tiro seu sangue. Est� me enervando. Onde estava?

Meu nascimento.

Sou financiado pelo respons�vel por minha vinda ao mundo,

at� que algo deu errado.

Eu n�o me incomodava de n�o saber sobre meus pais.

Agora preciso de dinheiro.

E agora meu ilustre pai decide que sua obriga��o acabou?

E que seu filho danado n�o tem mais direito a benef�cios?

Uma decis�o lament�vel em qualquer �poca,

mas, nesse exato momento, � p�ssima.

Temos que encarar o fato de que...

chegou a hora de desvendar tudo e desmascarar o cavalheiro.

Quem � ele, Fabian? Quem � meu pai?

N�o direi!

Estou ficando nervoso de novo.

- N�o posso trair a confian�a de um cliente. - Olhe minha m�o.

Ela est� tremendo de emo��o.

Qual � o nome dele, Fabian?

O nome do meu pai, qual �?

Gavrillac. Conde de Gavrillac.

- Gavrillac. O endere�o? - Normandia.

Nas terras de Gavrillac, perto de Dieppe.

Gavrillac.

- Philippe. - Estou aqui, Andr�.

Est� inteiro? Cad� a mo�a?

Minha noiva, a luz da minha vida. Cad� ela?

- Vamos, onde est� Lenore? - N�o sei. Eu a perdi.

Perdeu?

E ela � um bot�o? Um len�o que cai no ch�o?

Cad� a minha mulher?

Quando paramos no port�o da cidade, ela fugiu e n�o consegui peg�-la.

Ela deixou alguma mensagem?

Somente se foi.

Desculpe, te decepcionei novamente.

Os oceanos est�o cheios de peixes e o c�u de estrelas.

A ideia de que uma mulher exclui todas as outras...

pode funcionar para alguns, mas n�o para mim.

Vamos, garoto. Para Gavrillac.

Est� chegando, Andr�, e ningu�m vai impedir.

A carruagem dos tiranos vai virar.

N�o vai demorar muito.

Demorar? Acho que j� aconteceu.

Feliz o vagabundo que viaja pelo atalho, a quem Deus diz:

Voc� pode ter perdido Diana no caminho principal,

mas encontrou Afrodite na vala.

- Moli�re? - N�o, Moreau.

Andr� Moreau, �s suas ordens.

Voc� � um poeta, Andr� Moreau.

Seria melhor se consertasse carruagens.

N�o sabe consertar uma roda partida?

Infelizmente n�o. Talvez um cora��o partido...

Obrigada, meu cora��o est� intacto.

O meu est� acorrentado, a partir desse momento.

A carruagem da mo�a precisa de cuidados. V� v�-la.

Isso pode demorar um pouco.

Conhe�o uma taverna aqui perto onde podemos discutir o tempo.

- N�s? - Ela n�o tem boa reputa��o.

- Precisa de mim para afastar indesej�veis. - Incluindo voc�?

Voc� tem raz�o. Vou me lembrar disso.

N�o precisa, n�o irei com voc�.

- Ent�o eu irei com voc�. - Ir� para onde comigo?

Para o fim do mundo, se voc� for para l�.

- Vou para casa e � s� um quil�metro. - Um quil�metro com voc�...

� como 50 l�guas com Cle�patra.

Milady.

Adeus, poeta. Obrigada pelos versos.

Minha carruagem est� pronta e tenho que ir.

Seu condutor veio na hora errada.

Ele conserta sua carruagem e parte meu cora��o.

Adeus.

N�o fale, n�o diga uma palavra.

Eu te amo. Voc� parece assombrada.

N�o pode estar mais surpresa que eu.

Amo voc�, s� voc� e voc� somente.

Acredita no que digo? N�o responda.

Perdoo sua descren�a. Meus ouvidos n�o acreditam nos meus l�bios.

Mas uma coisa � certa: n�o pode entrar e sair da minha vida...

sem que eu saiba quem voc� �, de onde vem e para onde vai.

Para onde vai?

N�o diga. Deixe-me ler nas suas m�os.

Sua linha lunar.

Sua linha lunar indica que est� indo para casa...

visitar sua m�e.

Meu pai.

- � o anivers�rio dele. - Sim!

Como sabia?

N�o � nada, nada de mais.

� incr�vel, continue, por favor.

Com prazer.

Seu anel de Salom�o diz...

que voc� � filha de um Conde.

� verdade.

E no canto direito do seu bras�o...

voc� tem um trevo de 4 folhas em um tecido de ouro.

Incr�vel.

Na faixa bem no centro, quase consigo ver seu nome.

- Quase? - Est� ficando mais claro.

Diga! Diga meu nome!

�...

Gavrillac!

Gavrillac?

Sim! � Gavrillac.

Meu pai � o Conde de Gavrillac.

Voc� n�o parece bem.

N�o, me desculpe...

- Perdoe-me, tenho que ir. - N�o, voc� vai se matar!

Talvez seja a �nica solu��o.

Assim � melhor.

Estamos quase l�.

Olhe, l� est� a...

l� est� a casa de meu pai.

Estamos em casa.

Estamos em casa.

Deve entrar e descansar um pouco.

Meu pai ficar� feliz em conhec�-lo.

Como o cora��o humano � estranho.

N�o conheci meu pai em vida.

N�o havia amor, nenhuma emo��o entre n�s.

Mas quando vi seu rosto morto...

fiquei comovido.

Coitado de voc�.

N�o! N�o sou coitado, nunca fui.

Se descubro e perco meu pai e me apaixono pela minha irm�.

Tudo isso em uma hora. O que fazer?

O que ela disse quando contou-lhe?

N�o contei nada, nem vou contar.

O velho manteve segredo em vida...

deixe que ele o leve para o c�u. N�o o trairei.

N�o a ver� mais?

Gostaria que ela soubesse que n�o est� s� na sua dor.

Gostaria que voc� tamb�m soubesse disso.

A voc�, meu amigo.

T�o ansioso em resolver o dilema da vida.

Duvido que haja uma solu��o, mas se houver...

n�s a encontraremos.

- Juntos. - Juntos.

- Taverneiro. - J� vou, senhor.

Quanto vai demorar? Meu senhor est� impaciente.

Cinco minutos. Talvez dez. No m�ximo, quinze.

Diga ao idiota para se apressar.

Duas horas para colocar ferradura no cavalo.

- Ainda n�o est� pronto. - Sabe que esse Marcus Brutus � bom.

Ou�a.

A m�o dos aristocratas tiranos est� sobre todas as coisas vivas...

esmagando-as sob seu p�s como uvas na prensa.

- �timo. - Eu os aviso...

que o povo dar� fim aos seus privil�gios.

Que talento perigoso.

Meus homens retornando.

Diga para fazerem menos barulho.

O cavalo cinza l� fora � seu?

- Sim. - Seu nome � de Valmorin?

- N�o. - Philippe de Valmorin, de Paris.

Que tem escrito e pregado a trai��o em toda a cidade.

O nome dele � Pierre Duval e est� indo a Roma inspecionar a Catedral.

- N�o estou falando com voc�. - Estou falando com voc�.

- Somos arquitetos do sul. - S�o traidores, os dois.

Ele n�o, ele n�o tem nada a ver.

- Nada a ver com o qu�? - Nada a ver com trai��o.

- Pierre, estamos atrasados. Com licen�a. - Peguem-nos!

- Est�o presos. - Um momento, Chevalier.

H� algum problema?

S�o os homens, este se chama Marcus Brutus.

- Seu verdadeiro nome � de Valmorin. - Seu nome � Pierre Duval.

Sil�ncio.

Duval...

Que bom v�-lo ap�s tanto tempo! Faz uns cinco anos.

Desculpe n�o t�-lo reconhecido logo,

mas voc� era apenas um garoto e agora � um homem.

Como vai sua m�e?

- Est� bem, senhor. - E seu pai?

- Tamb�m est� bem, senhor. - Ele ainda joga?

Ocasionalmente, sim, senhor.

D� a ele minhas lembran�as.

Sargento, acredito que seus homens est�o com sede.

Leve-os at� a barrica e mate a sede.

- Meu senhor, eu n�o sabia. - Um caso de identidade trocada.

Taverneiro, vinho para os meus amigos.

Ent�o confundiram voc� com Marcus Brutus.

Interessante.

Estamos agradecidos pela sua gentil ajuda.

Faria o mesmo pelo pr�prio Marcus Brutus.

Ele teve a aud�cia de colocar uma c�pia desses rabiscos...

nos aposentos de Sua Majestade.

Depois disso, n�o poderia permitir que ele ca�sse nas garras da lei.

Eu prometi que o mataria pessoalmente.

Pierre, devemos ir.

Nos esperam em Roma antes do anoitecer.

Esperem. A Catedral n�o vai fugir.

O t�tulo usado por Marcus Brutus: Liberdade, igualdade, fraternidade.

Liberdade deve ser restrita aos poucos com o talento para us�-la.

N�o existe igualdade.

A maioria das pessoas nasce na sarjeta e se sente bem l�.

E quanto � fraternidade, um De Maynes n�o � irm�o de ningu�m.

N�s ficamos isolados na cabeceira da mesa...

e se nossos direitos s�o desafiados, esta � nossa resposta.

Estou ansioso para conhecer esse Marcus Brutus.

Quando eu peg�-lo...

Mas duvido que ele tenha est�mago para um encontro.

- O homem � claramente um covarde. - Um covarde?

Pierre, vamos.

Um covarde. N�o tem coragem de mostrar suas convic��es.

Nem assina com o pr�prio nome. Se tivesse nascido um nobre...

Um nobre? Sua ra�a � t�o antiga e seu sangue t�o bom quanto o seu.

Sim? N�o acho que seja.

Seus sentimentos demonstram a falta de ber�o.

Sem d�vida, o resultado de uma infeliz m�e que se juntou a um servi�al.

De Maynes, considere como se eu tivesse feito isso.

Com prazer, mas primeiro vamos ao jardim...

Marcus Brutus. Ou voc� prefere ser morto aqui e agora?

Ficarei feliz em lhe dar essa satisfa��o.

Andr�,

diga a meu pai que n�o desonrei sua espada.

Philippe.

Se voc� fosse decente, pararia essa luta, � assassinato.

- Assassinato? - O melhor espadachim contra um garoto!

- O tapa foi desferido. - Foi provocado e voc� sabe disso.

Provocado a sangue frio.

N�o vai demorar agora.

De Maynes � o melhor espadachim, voc� sabe.

N�o h� rivais � sua altura.

Ele pratica todos os dias com seu tutor, o grande Doutreval.

- Philippe. - Andr�.

Deveria ter aprendido a usar uma espada antes de virar um traidor.

Apanhe, vai morrer com ela na m�o.

Voc� vai morrer...

mas n�o por uma bala. Voc� vai morrer como ele morreu, por uma espada.

Ser� atacado passo a passo, at� ficar indefeso como ele.

E a� eu, Andr� Moreau,

o matarei, como voc� o matou.

Eu juro, Philippe.

Por tudo o que � mais sagrado.

Eu prometo a voc� a morte desse homem.

- Atr�s dele, peguem-no. - Sargento, seu cavalo.

Peguem-no vivo.

Tente lembrar dele vivo.

O vigor, a for�a dele vivo.

Ajuda, eu sei.

Ajuda?

Obrigada, vou tentar.

Pode n�o acabar com a dor, mas ameniza.

Voc� fala de dor como se a conhecesse bem.

Muito bem.

Quero pedir desculpas.

Desculpas?

Meu comportamento na carruagem...

Deve ter sido estranho.

Foi, por um momento.

Mas foi s� um momento.

- Est� esquecido. - � muito compreensiva e generosa.

E voc� � gentil e atencioso por vir me ver quando preciso de um amigo.

Nunca esquecerei.

N�o teria me intrometido,

se n�o estivesse t�o preocupado com seu futuro.

- Meu futuro? - Sim.

O que vai ser de voc�, Aline? Perdoe-me.

Est� tudo bem, Andr�.

Voc� estava dizendo...

Eu estava dizendo...

O que vai ser de uma garota...

indefesa, sozinha no mundo?

Sozinha, Andr�?

Voc� tem amigos?

- Um ou dois. - Quem s�o?

Perdoe-me, s� quero proteg�-la dos...

- Indesej�veis? - Com certeza.

Ser� que podemos confiar em algu�m?

As pessoas mudam t�o rapidamente.

Por�m, eu diria que o Marqu�s de Maynes � confi�vel.

- De Maynes? - Sim.

Sua Majestade o tornou meu guardi�o.

N�o posso discutir isso agora.

Andr�, siga-me.

R�pido, por aqui.

Voc� � jovem e justa.

Que a Provid�ncia a acompanhe e conforte.

Venham, homens.

Senhor, l� vai ele.

Por aqui.

Bem-vindo, amigo!

Seja bem-vindo mil vezes.

Shshsh para voc�.

Mil vezes shshsh.

Qual � o seu nome?

� mesmo? Prazer em conhec�-lo.

Qual � o meu nome? Pergunte-me.

Quem sou eu?

N�o est� interessado.

Nesse caso, vou me apresentar.

Voc� sabe quem � esse?

Scaramouche.

Scaramouche, sim, mas...

Quem � Scaramouche?

E por que ele esconde o rosto atr�s de uma m�scara?

N�o sabe?

Ent�o eu mostrarei.

Scaramouche.

Scaramouche �...

Scaramouche �...

Scaramouche? Onde est� Scaramouche?

Encontre-o, encontre aquele pregui�oso in�til.

Scaramouche! Ele n�o pode fazer isso comigo, vou expuls�-lo.

Ele est� despedido. A� est� voc�!

Tragam-no r�pido, a plateia espera.

Onde voc� esteve?

Bebendo de novo? N�o minta, posso sentir o cheiro.

Idiota.

Volte, seu idiota!

Scaramouche, b�bado de novo.

Ent�o voc� est� a�.

Voc�s sabem quem � ele?

Scaramouche, sim!

Mas quem � Scaramouche?

Por que ele esconde seu rosto atr�s de uma m�scara?

N�o sabem? Pois eu direi.

Scaramouche � um tolo...

um g�nio...

um in�til, um santo...

desprez�vel, ador�vel...

falso e verdadeiro ao mesmo tempo...

o inimigo das mulheres...

mas � tamb�m o que ela n�o podem ficar sem.

Um homem.

Vamos, me beije.

Andr�.

Bravo! Brav�ssimo!

Que palha�o!

- Que pilantra, que v�bora! - Estou falando.

Que artista, que performance.

- Eu beijo sua m�o. - Obrigado. Com licen�a.

Dar licen�a?

V�bora, vil�o!

Cachorro, serpente, cobra!

Fique onde est�.

Voc�! Abra a cortina.

Procuramos Andr� Moreau. Um traidor.

Eu sou Gaston Binet.

- O Gaston Binet, da companhia Gaston Binet. - Cale a boca.

Quem � voc�?

Arlequim.

Madame Frigideira.

- Polichinelo. - Colombina.

Pierrot.

E voc�?

Sim, voc�.

- Scaramouche - Espere, tire sua m�scara.

N�o posso.

Posso olhar em um espelho e ver minha alma.

E se for t�o feia quanto a sua...

- Tire a m�scara. - N�o posso. Por qu�?

Ela sabe, e ela dir�?

Eu imagino.

Qual o nome do homem que procuram?

Andr� Moreau, voc� o conhece?

Conhe�o muitos homens.

Esse Andr� Moreau, voc� diria que ele se parece com Scaramouche?

Tem a mesma altura e corpo?

Talvez os mesmos olhos castanhos traidores,

e a boca cruel que ri de voc� e mente.

Agora, fa�a-o tirar a m�scara.

Tire!

Tire antes que eu a arranque.

Sargento, traga seus homens.

- O que tem l� embaixo? - Um por�o.

Ele n�o pode ter ido longe.

Andr� Moreau, imagino.

Eu podia jurar...

Perdemos tempo demais com esse idiota.

- Traga os homens, fecharemos estradas. - Sigam-me.

Estou aqui, minha prenda. N�o fique nervosa.

Voc� salvou minha vida.

Voc� me ama. Venha para meus bra�os.

Sente-se, vou chamar um m�dico.

- Um m�dico? - Seu c�rebro se foi.

- Caiu de cabe�a? - N�o exatamente.

- Espero que esteja doendo. - A dor � terr�vel.

Mas sofro com prazer, sabendo que voc� me ama.

Amar voc�?

Como um ratinho pode amar uma jiboia?

Essa � a voz da minha amada ou estou enganado?

Escute, seu pilantra,

posso ter salvado sua vida miser�vel em um momento de loucura,

mas se pensa que vamos ficar bem de novo...

talvez isso ajude voc� mudar de ideia!

Magn�fico!

Ora, se n�o � meu velho amigo,

Doutreval.

Quero uma li��o, Doutreval,

s� mais uma li��o.

Lembre do nosso acordo. Voc� me ensina a esgrimar e eu te ensino a atuar.

Eu te ensino a esgrimar?

Do jeito que ensina o Marqu�s, Doutreval.

O Marqu�s?

Que Marqu�s?

Onde conseguiu isso?

Quem te deu isso?

N�o lembra?

Voc� deu a mim, Doutreval.

Eu?

N�o se mova.

- Quem � voc�? - Me chamam Moreau.

Procuro Doutreval de Dijon, mestre espadachim.

O que quer com ele?

Habilidade para meu bra�o direito, sabedoria para minha ignor�ncia...

e sil�ncio para minha seguran�a.

N�o sei lutar com a espada.

- Preciso de instru��o. - H� muitos que podem ensin�-lo.

Dizem que ningu�m � como Doutreval de Dijon.

Doutreval serve somente ao Marqu�s de Maynes.

Disseram-me outra coisa.

O que disseram?

Que Doutreval nunca recusaria um amigo de Marcus Brutus.

Mambembes e amigos,

�timas not�cias.

Um certo senhor, nosso conhecido,

decidiu ficar em Lacrosse

e dedicar seu tempo e seus servi�os a esse teatro.

N�o somente por uma noite, mas indefinidamente.

O nosso novo Scaramouche!

Que ator!

Ent�o agora voc� � meu par...

e eu sou seu par.

Vamos ensaiar um pouco?

Saia.

Quando est� calma, voc� � linda, mas zangada � maravilhosa.

Venha mais perto e te mato com essa panela.

N�o poderia ter uma morte mais gloriosa.

- Estou avisando, Andr�. - Eu sei.

Mas seria um insulto eu dar ouvidos.

Se eu n�o tivesse voltado,

duvido que voc� tivesse sobrevivido esse ano.

Pense na espada como um p�ssaro.

Se apertar demais, voc� o sufoca.

Muito frouxo, ele foge.

Agora,

todas as a��es da esgrima...

s�o feitas somente com os dedos, nunca com os pulsos.

Boa gente...

Boa gente...

Deixem-me ler uma carta de Paris.

N�s, administradores do teatro Prado,

temos o prazer de fazer uma proposta...

ao teatro mambembe de Gaston Binet,

estrelando o sensacional Scaramouche.

Algu�m viu um homem desagrad�vel com uma carta?

Uma carta convidando Scaramouche para Paris?

Ele s� precisava dizer...

que Scaramouche fica aqui em Lacrosse.

Scaramouche fica aqui em Lacrosse.

- Como te odeio. - Como te amo.

- Ent�o me leve a Paris. - N�o! Ficamos em Lacrosse.

Por qu�? Por qu�?

- Eu gosto daqui. - Gosta daqui? Est� louco.

- � poss�vel. - � uma mulher!

- � uma mulher, acha que sou burra? - N�o completamente.

� uma mulher que voc� v� todas as manh�s.

Vejo voc� sair todo dia antes do amanhecer.

J� faz 6 semanas. Eu sei que � uma mulher!

S� existe uma mulher...

e ela est� aqui, nesse quarto.

- Nesse instante. - Voc� � um mentiroso.

�s vezes.

Mentiroso.

Enganador, fraude.

Tamb�m � um impostor.

Eu devia ser morta na fogueira por te amar.

Morta na fogueira.

Scaramouche.

Leve-me a Paris.

N�o!

Mais uma vez. 1, 2, 3, 4, 5, 6. Muito bem.

Agora mais r�pido. Pronto? 1, 2, 3, 4, 5, 6.

Mais r�pido. 1, 2, 3, 4, 5, 6.

Muito bem.

Lembra o que falei quando come�amos? Sobre o p�ssaro?

Muito apertado, voc� o sufoca. Muito frouxo, ele voa.

Mais uma vez.

H� quanto tempo ensina o traidor Andr� Moreau a esgrimar?

- Bem, eu... - Ele nunca ouviu falar de Andr� Moreau.

O tolo pensa que est� ensinando Montgomery de Ren�.

Um oficial de artilharia.

Pegue seu dinheiro, idiota, pergunte da pr�xima vez.

Na verdade, voc� me fez um grande favor.

D�-me uma espada, Doutreval.

Saia!

E agora, Moreau.

Sua �ltima li��o.

Parab�ns, aprendeu alguns truques desde o nosso �ltimo encontro.

Voc� seria p�reo para seu amigo Marcus Brutus.

Se ele ainda estivesse entre n�s.

Voc� poderia at� derrot�-lo.

Mas Noel de Maynes � outro assunto.

Leva tempo para formar um espadachim.

Tempo, paci�ncia e pr�tica.

N�o pode querer aprender em um dia,

o que outros levaram anos para aprender.

Por exemplo, o doubl� 1, 2, 3.

O trip�.

Defender, livrar, cup�.

- Andr�! - Aline.

Leve-o.

Chega, saiam.

- Conhece esse Andr� Moreau? - Sim.

- Ele � um amigo. - Amigo � um termo vago.

Gosto dele. Eu o conheci por acaso, mas...

gosto dele.

Voc� gosta dele.

Muito.

Ele me deu esperan�a e coragem quando eu mais precisava.

Nunca esqueci.

E n�o pretendo esquecer.

Voc� fala dele com um carinho,

que n�o escutava em sua voz desde que saiu da casa de seu pai.

Que bom que � t�o evidente.

Ainda assim n�o faz jus aos meus sentimentos por Andr�.

Seus sentimentos...

Aline, devo lembr�-la de sua posi��o.

Devo lembr�-lo de uma garota...

sozinha, indefesa no mundo ap�s a morte do pai, sem amigos.

- Eu estava por perto. - Andr� estava l�.

- E ele arriscou a vida. - N�o a busquei imediatamente?

- Eu a trouxe para minha casa. - Pela sua vontade?

- Ou por ordem da rainha? - Minha crian�a...

N�o sou uma crian�a, nem uma mo�a.

Sou uma mulher que quer ser amada pelo que �. Ou ent�o n�o ser.

O que voc� faz por mim, faz seguindo ordens.

Querida, o que voc� diz era verdade no come�o.

Eu me interessei por voc� no in�cio...

como obriga��o.

Como poderia saber que Sua Majestade tinha escolhido...

sua coragem e car�ter para serem respeitados por um homem?

Acredite, Aline.

Sua Majestade pode ter ordenado meu interesse na �poca...

mas n�o depois... Quanto tempo faz?

Apenas seis semanas.

Nem mesmo ela poderia me ordenar a esquec�-la.

Voc� sabe o caminho daqui.

- Boa sorte, Moreau. - Doutreval...

Eu lhe devo muito.

Devo mais ainda a Montgomery de Ren�, um oficial de artilharia.

- Um iniciante comparado a de Maynes. - N�o, n�o um iniciante.

S� n�o � um campe�o ainda.

Nem serei, j� que n�o poderei ser ensinado...

pelo homem que ensina meu inimigo.

Se esquecesse seus sentimentos enquanto esgrima, aprenderia mais r�pido.

Meu antigo professor, Perigore, dizia:

Lute com a cabe�a e esque�a o cora��o.

Seu professor n�o percebia...

Doutreval,

seu antigo professor ainda est� vivo?

Claro que sim, � o mestre dos espadachins.

N�o posso mais ser ensinado pelo homem que ensina meu inimigo.

Nada mais adequado do que ser ensinado...

pelo homem que ensinou o homem que ensinou meu inimigo.

Onde ele mora?

- Qual � mesmo o nome? O mestre? - Perigore.

Perigore de Paris.

Moreau!

Saia da�.

Saia antes que eu o arraste pelas orelhas.

Ent�o era uma mulher! O nome dela � Gavrillac.

Aline de Gavrillac.

Mentiroso!

Me solta!

Ainda bem que me seguiu, me obriga a enfim contar a verdade.

Est� apaixonado por aquela garota.

N�o poderia am�-la nem que fosse a �ltima mulher na Terra.

- O que fazia? Brincava de esconde-esconde? - N�o, tinha aulas de esgrima.

- Mentiroso! - N�o dessa vez.

- Desta vez n�o h� motivo para ci�mes. - Prove!

- Qual o seu maior desejo? - O teatro Prado em Paris.

Vamos hoje para Paris. Voc�, eu e toda a companhia.

Uma mudan�a muito brusca, deve ter mulher por tr�s.

N�o h� mulher, h� um homem.

- Palavra de mentiroso? - De diabo encarnado.

O nome do homem?

Chamam-no Perigore de Paris.

Paris.

Paris!

Dever�amos jantar hoje.

O caf� Jaumier � famoso pelas r�s.

E depois?

O que acha?

Paul, jogue minha an�gua.

- Com prazer. - Obrigada.

Eu disse para jogar.

Minha querida, venho aqui toda noite h� um m�s.

- N�o sou como um tio? - Voc� se sente como um tio?

N�o.

Lenore jantar� comigo hoje.

- Sinto muito... - J� que � minha primeira visita,

- eu tenho prioridade. - Amor, voc� ouviu isso?

Sim.

- Por um m�s... - Cavalheiros.

- Encantadora. - Obrigada. Sinto muito, mas...

- j� tenho compromisso. - Com quem?

- Cinco minutos, minha prenda. - Scaramouche.

- Boa noite. - Ent�o � voc� o felizardo.

- Sim, amigo. - Lembra-se de mim?

Nunca esquecerei.

Qual o segredo do sucesso com as mulheres?

Sua m�scara. Elas n�o sabem como ele � horr�vel sem ela.

Lenore, voc� poderia...

Perd�o.

- Com licen�a. - Com licen�a.

Seus admiradores s�o muito vol�veis.

- Eu n�o sou. - Realmente. Se veio at� Paris...

- s� para ver Lenore. - Eu iria at� mais longe.

Mas n�o vim por causa dela.

N�o? Por que veio? Estou com ci�mes.

Um casamento.

- Um casamento? - O Marqu�s de Maynes vai se casar...

na primeira semana de julho. Uma linda garota, sua protegida.

Estamos aqui para preparar as n�pcias.

Ent�o de Maynes est� em Paris.

Sim, o feliz casal chegou esta manh�.

Au revoir, colombina.

Talvez outra noite. Scaramouche, parab�ns.

Enviarei toda Paris para v�-lo.

Pensando bem, eu...

n�o estou com vontade de comer r�.

H� outro lugar onde podemos comer ostras.

Andr�.

Binet a levar� para casa.

Sabe que n�o posso jantar com voc� agora.

Voc� o odeia por causa dela. � por isso que o odeia!

N�o.

N�o � por causa dela.

Andr�.

Chega!

Parece que esqueceu tudo o que ensinei.

N�o � uma aula, mas uma briga de rua. Ele poderia fur�-lo uma d�zia de vezes.

- Que horas s�o? - Seis horas.

Ainda temos 30 minutos, vamos.

Lute com a cabe�a, esque�a o cora��o.

Chega por hoje.

V� para casa.

Obrigado.

Hoje voc� est� com o dem�nio no corpo.

Livre-se dele ou n�o vai sobreviver.

Tem raz�o.

Obrigado, Perigore.

Obrigado por tudo.

Pague-me amanh�.

E ent�o?

Ele pode ser o nosso homem.

- Andr�. - Lenore.

- O que est� fazendo aqui? - N�o diga nada, por favor.

N�o gritarei, nem jogarei coisas.

Perdoe-me por vir aqui, mas passei a pior noite da minha vida.

- Pensei que estivesse morto. - Ainda n�o.

N�o fa�a piadas! Sinto muito.

N�o brinque, por favor. Para mim, � s�rio.

O que aconteceu ontem?

Fui at� de Maynes, ele estava dormindo e a casa vigiada pelos criados.

- Venha para casa agora. - N�o.

- Por favor, Andr�. - Lenore.

Voc� n�o conheceu Philippe de Valmorin direito.

Conheceu, Lenore?

Era como meu irm�o mais novo.

Eu o vi crescer e morrer.

Assassinado.

Se voc� tivesse visto...

Se tivesse visto, saberia porque s� tive um desejo nos �ltimos meses,

a morte de Maynes.

Daqui a uma hora, ele vai cavalgar pelo bosque sozinho.

Se Deus quiser, meu desejo ser� satisfeito esta manh�.

N�o gosto de voc� assim, Andr�. N�o gosto mesmo.

Eu n�o gosto de mim.

- Gostaria que me desejasse sorte. - Seu tolo.

- Vai ao encontro da morte. - Ent�o reze por mim.

Bichon, quieto.

Quem � voc� e por que me mandou um bilhete escrito "Andr�"?

Por que Andr� deveria me interessar, seja l� quem for?

Deve se interessar ou n�o teria me recebido.

Conhe�o v�rios Andr�s. Andr� Lebourge, Clou, Bercier.

Andr� Moreau.

Andr� Moreau?

Quem � Andr� Moreau?

Se n�o sabe, ent�o n�o liga se ele estiver morto.

Morto, n�o!

Assim � melhor.

- Est� morto? - N�o, est� vivo agora

Mas n�o estar� em meia hora.

Est� esperando no bosque para lutar com seu noivo.

Andr� ser� estra�alhado.

- Por que vem at� mim? - Por qu�?

Voc� o ama.

Voc� o ama, n�o �?

Sim.

Sim, eu o amo.

Ele n�o serve para n�s se estiver morto.

R�pido, por aqui.

Sempre que nos encontramos est� armado at� os dentes.

Estava esperando de Maynes. Onde ele est�?

N�o est� aqui.

Garanto que s� eu estou aqui e sou inofensiva.

- Ele cavalga por aqui �s 7h? - Nem sempre.

Em Paris ele gosta de dormir at� tarde. Vamos dar uma volta?

- N�o vamos a lugar nenhum. - N�o quer me acompanhar?

Estou esperando de Maynes.

Ele n�o vir�.

Andr�, o Marqu�s n�o vir� esta manh�, ouviu?

Se ele n�o viesse, voc� n�o estaria aqui.

Voc� o ama muito?

Sabe muito bem que s� amo voc� desde que nos conhecemos.

Como voc� s� ama a mim desde aquele momento.

- Eu n�o a amo, Aline. - Ent�o ama outra pessoa?

Diga que ama outra pessoa e acreditarei.

- N�o amo ningu�m, n�o tenho tempo. - Voc� me ama.

- N�o amo. - Acho que sim.

Voc� disse naquele dia na carruagem. Lembra?

J� disse isso para v�rias mulheres.

- E voc� nunca amou nenhuma? - Eu me apaixono a toda hora.

O efeito � como se eu nunca me apaixonasse.

N�o sei o que disse �s outras, mas quando falou comigo...

Voc� me amava.

Aline, escute. Nos conhecemos e ficamos amigos.

Fa�o amigos facilmente, n�o significa nada.

N�o existe nada e nem poder� existir nada entre n�s.

Nunca, entendeu?

V� embora e esque�a que conheceu Andr� Moreau.

Ele j� esqueceu que conheceu Aline de Gavrillac.

Por que mente para mim, Andr�?

Por que n�o diz o que sente?

Esque�a.

Voc� sente e � isso que importa.

E eu tamb�m sinto.

Eu te amo.

N�o importa o que possa dizer ou fazer.

Seja o que for que aconte�a conosco...

continuarei amando-o sempre.

Lembre-se disso.

Sempre.

- Est� machucada? - N�o.

Vim cavalgar com voc�...

e de repente...

- Vamos cavalgar. - N�o est� com medo?

Gosto disso, mas chega por hoje.

Venha, querida, eu a levarei para casa.

Ele n�o veio.

Voc� n�o almo�ou, nem tomou caf�.

- Tem comida nessa casa? - Para mim, n�o.

N�o estou com fome.

Andr� Moreau, amigo do falecido Philippe de Valmorin.

- Procurado por trai��o � coroa da Fran�a. - Quem deixou voc� entrar?

Ningu�m, fui discreto e usei a janela.

- Estou desarmado. - O que quer aqui?

Voc� pode me atacar, n�o duvido.

- Tem um raro talento com a espada. - Vamos, nome e assunto.

Dubuque. Minha profiss�o � m�dico.

Por for�a das circunst�ncias, sou deputado da nova Assembleia Nacional.

- V� direto ao ponto. - Os novos representantes eleitos...

est�o sendo metodicamente reduzidos pelos aristocratas.

Ontem, o deputado Chambrie, um de nossos melhores homens,

foi morto em um duelo.

- Assim chamaram. - Essas coisas acontecem.

Queremos outro deputado para suceder Chambrie.

Queremos um jovem, r�pido com as palavras e com a espada.

E ent�o?

N�o tenho nenhum interesse em pol�tica.

Mas era amigo de Marcus Brutus.

Apesar dos seus gostos.

- N�o por causa deles. - Acredita na liberdade?

- Sabia que est� sendo estrangulada? - Tamb�m acredito no riso.

E sei que o mundo est� louco. Bom dia, senhor.

Ent�o, de Cravies e de Maynes n�o ter�o oposi��o.

- Que pena. - Como �?

O qu�?

Esses nomes que voc� falou.

- De Cravies e... - De Maynes?

- Noel de Maynes? - Sim.

Quer dizer que ele est� na Assembleia?

Naturalmente, est� do lado da nobreza.

- Eu sei que disse n�o ter fome... - O qu�? Nunca tive tanta fome!

Deixe-me apresentar meu bom amigo Dubuque.

M�dico por profiss�o, deputado por for�a das circunst�ncias.

Pensando bem, estou muito interessado em pol�tica.

Teria orgulho de servir ao povo franc�s nesse momento de necessidade.

- Andr� Moreau. - Deputado designado Moreau...

da Assembleia Nacional.

- Deputado Dubuque, est� servido? - Com licen�a.

Ordem na Assembleia.

Deputado Durouge, representando o distrito 60.

Presente.

Deputado Chambrie, do distrito de Saint-Denis, Paris.

Sr. Presidente, o deputado do distrito de Saint-Denis...

estar� ausente dessa assembleia.

Permanentemente.

Sr. Presidente,

posso apresentar o novo deputado de Saint-Denis?

Sim, claro.

Esse homem � um traidor!

Andr� Moreau, prendam-no!

- Exijo sua pris�o. - N�o!

Perdoe-me.

Cada membro dessa assembleia n�o ganhou o privil�gio da...

imunidade?

- � verdade. As credenciais est�o certas? - Tudo certo.

Pode se sentar.

Pode se sentar, Deputado Moreau.

Com a permiss�o do presidente.

Gostaria de fazer alguns coment�rios a um famoso espadachim do lado oposto.

Um dia, sua arrog�ncia e orgulho...

n�o tiveram escr�pulos em matar um filho da Fran�a,

cujo �nico crime era amar a liberdade.

De Maynes, onde est� voc�?

De Maynes!

O Marqu�s de Maynes n�o veio hoje � Assembleia...

por ordem de Sua Majestade, a rainha,

foi inspecionar um orfanato para meninas nobres em Saint-Germain.

Deputado Moreau, sente-se.

A Assembleia continuar� a chamada.

Voc�, Moreau.

Meu nome � Durouge, sou o Deputado do distrito 60.

Como vai?

Escute, n�o gosto da sua cara.

Escuto e concordo com voc�.

N�o, espere!

Seu rosto est� p�lido, precisa de mais cor.

Assim � melhor.

Moreau, sua honra exige uma satisfa��o.

- Exige? - Enfaticamente.

Atr�s da Catedral �s 6h.

Deputado Cavalier representando o distrito Vindaume.

Presente.

Deputado Vignon, do distrito do Louvre, cidade de Paris.

- Presente. - Deputado Durouge, do distrito 60.

Deputado Durouge.

Moreau!

Sr. Presidente, o deputado do 60 estar� ausente dessa assembleia...

permanentemente.

Talvez agora eu possa ter uma resposta...

do todo poderoso senhor...

que usa sua espada para o massacre.

De Maynes, levante-se!

O Marqu�s de Maynes est� ausente.

Foi ordenado pela rainha...

a inspecionar o servi�o de �guas em Versailles.

Servi�o de �guas.

Meu nome � de Crillon, de Chateau Thierry.

Seu rosto me revolta.

- Seus olhos s�o de porco e suas orelhas... - Tudo bem.

Atr�s da Catedral �s 6h.

Deputado de Nicolais, do distrito de Moulin.

Presente.

Deputado de Crillon, do distrito de Chateau Thierry.

Sr. Presidente, o deputado de Chateau Thierry...

ficar� ausente da Assembleia por 3 meses.

Segundo disse o m�dico.

Posso perguntar que trabalho urgente o Marqu�s de Maynes teve que fazer hoje?

O Marqu�s est� ausente da Assembleia...

pois foi ordenado por Sua Majestade, a rainha...

- a verificar as reservas reais de perdizes. - Reservas de perdizes.

Meu amigo Chabrillaine.

J� sei, meu rosto.

Lembra um "bos taurus horrendus".

- O qu�? - Um b�falo da Eti�pia.

Atr�s da Catedral �s 6h.

Moreau?

Esta manh�. Tenho sorte de estar vivo.

Onde posso encontr�-lo?

A Assembleia est� em recesso por um m�s, mas sei onde ele mora.

Achei que se interessaria.

- Amanh�? - Hoje � noite.

Dormirei melhor quando souber que Moreau est� morto.

Noel.

E ent�o?

Voc� n�o gostou.

- Gostei muito. - N�o gostou.

E fiz especialmente para hoje � noite.

- Hoje � noite? - Sim, para onde vamos?

Pensei no Sushays e depois a �pera.

- Minha querida, hoje � imposs�vel. - Imposs�vel?

Mas voc� prometeu. "Na noite do meu retorno, sairemos". N�o lembra?

N�o exatamente. Sinto muito, mas surgiu algo.

N�o, primeiro o orfanato, depois o servi�o de �guas.

- E depois os rid�culos pav�es. - Perdizes.

E agora aparece algo? Eu n�o acredito.

- Garanto que � absolutamente verdade. - H� uma mulher por tr�s disso.

- H� uma mulher, talvez duas. - Aline, isso � absurdo.

Logo agora que decidimos nos casar. Como p�de?

Como p�de?

Aline, por favor.

Se prometi, prometi.

O que tem hoje na �pera?

Orpheus e Eurydice.

Eu fui ontem � noite, muito deprimente.

Se querem uma noite alegre, s� h� uma solu��o.

- O teatro Ambigu. - O Ambigu.

O que tem l�?

Quando vir Scaramouche, voc� vai amar.

Horr�vel, por�m hil�rio.

Precisam v�-lo sem a m�scara, � o sujeito mais feio que j� vi.

Senhoras e Senhores.

Estamos honrados esta noite.

Temos entre n�s, o mais galante cavalheiro...

Noel.

Marqu�s de Maynes.

Noel, n�o me sinto bem...

Leve-me para casa, por favor.

J� vai t�o cedo, meu Senhor?

Garanto que o melhor ainda est� por vir.

De Maynes.

Pode dar as costas a Scaramouche,

mas certamente n�o fugiria de...

Andr� Moreau.

Scaramouche,

voc� deu sua �ltima performance.

Andr�!

Por que n�o vem e pega?

Andr�!

Sou s� eu, Andr�.

Todas as coisas s�o claras para as almas no para�so?

Se s�o...

Deus queira que o garoto entenda meu fracasso.

E me perdoe.

- Eu n�o posso. - Voc� perdoar�.

Nunca.

Ele ficou ali esperando.

N�o pediu, nem esperava miseric�rdia.

Eu n�o pude mat�-lo.

Eu olhei nos seus olhos.

Por qu�?

Por qu�?

Por todos os santos, por qu�?

Quando voc� era um menino l� em casa,

quantas vezes nos perguntou:

Quem sou eu?

E como cheguei a viver na casa dos de Valmorin?

E se voc� n�o � meu pai,

diga-me, quem �?

Descobri a resposta meses atr�s.

Meu pai era Armand de Gavrillac.

N�o, Armand de Gavrillac fingia ser seu pai.

Na verdade, ele estava acobertando uma indiscri��o...

de seu melhor amigo.

Que era seu verdadeiro pai.

Quem era meu pai?

Andr�...

voc� era filho natural do falecido Marqu�s de Maynes.

De Maynes. Pai de Noel de Maynes.

O homem cuja vida n�o conseguiu tirar.

Voc� n�o conseguiu matar seu pr�prio irm�o.

Meu irm�o Noel.

Meu irm�o.

Meu querido e amado...

Ent�o ela n�o �...

Sua irm�.

- Aline n�o �... - N�o.

Agora pode sentir por ela o que ela sente por voc�.

Sim, sei que ela ama voc�.

N�o como eu amava...

mas ela n�o � como eu.

Ela n�o ouve a conversa dos outros.

E ela � do tipo que casa,

o que n�o parece ser meu estilo.

Eu gosto da garota Gavrillac.

Ela � uma dama. Mas n�o importa que eu goste dela.

Seja bom para ela, Scaramouche.

Eu disse para ser bom para ela, n�o comigo.

Vamos, saia daqui.

V�, saia, saia!

- Veja. - Lindas.

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