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Pensei com meus bot�es: "Ou esse cara � um g�nio...
ou � completamente louco."
Obviamente, ele � um g�nio...
e por essa raz�o, n�s o estamos homenageando.
O fato de ele ainda estar em cena h� mais de 30 anos � incr�vel.
� um grande talento e um homem ador�vel.
E o mais irritante: � um ano mais novo que eu. Maldito!
lan definiu um estilo de cantar rock...
que permanece conosco.
"N�o pise na minha parte do palco ou vou acert�-lo com minha guitarra."
O suporte do meu microfone era maior que a guitarra dele...
ent�o os usamos em uma batalha que fizemos no palco.
Passou de uma del�cia a um pesadelo absoluto.
"Tocadores de banjo" s�o absolutamente loucos.
Houve um "bang" e a tenda fez...
As ondas sonoras atingiram o lago...
e os peixes premiados de Richard Branson ficaram boiando, mortos.
Ele grita como ningu�m. Como ningu�m.
N�o se pode copiar o que ele faz. � �nico e � um dom.
Querosene!
ESTA NOlTE DEEP PURPLE + CONVlDADOS
Londres, 2006. Milhares de f�s enchem o pequeno Astoria Theatre...
para verem uma das maiores bandas de rock que existe: Deep Purple.
Nunca imaginei que chegando aos 60, embarcaria em uma turn� de dois anos.
� muito empolgante.
� o show de aquecimento de sua mais recente turn� mundial...
apresentando cl�ssicos estabelecidos e novas m�sicas poderosas.
"Highway Star" j� foi uma nova m�sica.
As novas can��es mostram o novo dinamismo do show.
H� uma grande for�a criativa na banda...
que se manifesta na composi��o e na atua��o em cena.
A hist�ria de lan Gillan tra�a uma jornada dram�tica...
na estrada do rock "n" roll...
passando por m�goas, brigas, trai��o e fal�ncia.
As coisas continuam. Passamos por bons e maus bocados.
lan Gillan nasceu em Hounslow, Londres...
com m�sica no cora��o e um grito nos l�bios.
Ele era muito, muito barulhento.
Mas quieto quando tinha de ser.
Frequent�vamos a igreja e ele fazia parte do coral.
M�E DE IAN GILLAN
Um dia, ele disse: "N�o vou mais.
N�o consigo acertar os aleluias em um dos hinos."
Mas ele n�o mostrou muito interesse...
at� Elvis Presley surgir. E foi isso.
Um dia, tive um sonho que mudou mesmo minha vida.
Fui ver um filme do Elvis Presley, um dos primeiros...
e pensei: "Sei como posso ser um astro do cinema."
N�o queria passar pelo inc�modo de aulas de teatro...
e de fazer pap�is menores.
S� queria ser um astro.
Achei que o jeito mais f�cil seria me tornar um cantor primeiro.
Um fim de semana, cheguei em casa...
e ele estava nas escadas com minha lata de biscoitos...
e agulhas de tric� fazendo isto.
E n�o parava. Disse: "Vou ser cantor."
Estimulado pela m�e a ir atr�s de seus sonhos...
lan decidiu formar uma banda de rock com uns amigos de escola.
"Vou formar uma banda.
Ensaio na minha casa s�bado, �s dez da manh�."
Todos apareceram com viol�es...
com n�veis diferentes de estrago.
Houve muito dedilhado, grito, pulos nos sof�s...
e a vontade de termos amplificadores para tocarmos ainda mais alto.
Ent�o minha m�e disse: "Chega disso!"
O sonho se tornou uma ambi��o realista.
Com The Moonshiners, The Javelins and Wainwright's Gentlemen...
lan, mais conhecido como Jess Thunder ou Garth Rockett...
descobriu uma for�a �nica por tr�s de sua voz.
Ele foi visto pelos aspirantes a m�sicos pop, o Episode Six.
Roger Glover era o baixista e cantor de apoio.
Andava com um balan�ado. Andava como um astro de cinema.
Eu achava que ele carregava armas imagin�rias.
Quando entrava em um bar, parecia que estava pronto para confus�o.
Ele era perfeito, nascido para ser astro do pop.
N�o nascera para trabalhar em uma f�brica de m�quinas de fazer gelo...
recebendo pedidos por telefone de dia.
Ent�o, � noite, subia ao palco com o Episode Six.
Tinham �timas vozes. Todos sabiam cantar.
Era uma �tima mistura de vozes.
lan quase sempre chegava do trabalho...
mal acabava de comer a sobremesa, pegava sua torta de creme...
e corria para a van.
Roger chegava. Eu dizia: "Quer uma caneca de sopa?"
Ele respondia: "Sim, por favor."
Sa�a com a caneca de sopa e lan com sua torta de creme.
Ele deixou o trabalho na f�brica e se tornou profissional.
Era 1966. lan tinha 20 anos.
SUCESSO DAS PARADAS
Acabamos gravando dez compactos e nos divertimos muito.
lan estreou na TV com o compacto "l Hear Trumpets Blow".
Ele se tornou amigo �ntimo do estudante de Artes, Roger Glover.
Ele � o de �culos escuros.
Eu era compositor muito antes de conhecer lan.
Disse: "Vamos compor juntos."
"Eu?"
Nunca tinha me passado pela cabe�a.
Ele disse: "S� falarei com voc� de novo depois que compuser uma m�sica."
Mas acabamos compondo algumas m�sicas juntos.
A maioria n�o era muito boa.
De qualquer modo, recuperei seu respeito e nos tornamos...
n�o uma equipe de compositores, embora o tenhamos sido por uns anos...
mas tamb�m crescemos individualmente.
Mas com certeza, form�vamos uma unidade.
O Episode Six conquistou rapidamente muitos f�s...
e esperava-se que fizesse sucesso.
Gente como David Bowie nos apoiava...
grandes multid�es, pistas de corrida.
Estamos falando de muita gente. 25.000, 30.000 pessoas.
Foi nesse per�odo...
que lan come�ou a desenvolver sua marca registrada: os gritos.
Sheila, nossa tecladista...
sempre cantava tr�s ou quatro can��es em cada show...
enquanto eu ia para os teclados...
e fazia as partes do teclado e de harmonia...
que, nem preciso dizer, eram as partes mais altas.
Alguns trechos eram mais altos que meu registro normal...
ent�o comecei a cantar em um tipo de falsete.
De repente, me vi cantando cada vez mais alto...
at� que consegui fazer a oitava para o trecho acima dela...
o que deu um som �nico ao nosso alcance vocal.
Achei que era muito natural.
Fomos a Beirute no Natal de 1966 e 1967.
Fizemos um grande sucesso.
t�nhamos uns seis compactos nas paradas libanesas.
O que era maravilhoso.
Mas quando voltamos, n�o t�nhamos nada. Perdemos a chance.
De certa forma, perdemos o rumo.
Enquanto o Episode Six trope�ava...
outro grupo, o Deep Purple, procurava mudar de dire��o.
Conseguiram um sucesso nos EUA com "Hush".
Eu era um grande f� do Deep Purple.
Tinha os tr�s �lbuns: "Deep Purple", "Book of Taliesyn" e "Shades".
O baterista do Episode Six, Mick Underwood...
conhecia o guitarrista do Deep Purple, Ritchie Blackmore...
e indicou Gillan como cantor.
Jon Lord era o tecladista do Purple.
Fomos ver o Episode Six tocar.
E a hist�ria come�ou.
Havia gente parecendo suspeita...
que n�o eram parte do p�blico, nos analisando.
E a voz, o alcance...
aquelas notas altas eram arrasadoras.
Olhei para Blackmore e Paicey e disse: "Uau!
Acham que � diferente o suficiente?"
E todos concordaram.
O estranho foi que, considerando o antagonismo subsequente...
entre Ritchie e lan Gillan, Ritchie fez que sim e disse: "�timo!"
Gillan foi convidado a gravar uma m�sica chamada "Hallelujah"...
um pop/rock otimista com sugest�es do que viria a seguir.
S� quando fizemos nosso primeiro ensaio...
e pude ouvir o que lan era capaz de fazer...
pois os discos do Episode Six n�o continham ind�cios...
do que havia naquela laringe...
tudo come�ou a fazer sentido...
e entendi o que Ritchie queria realmente ouvir.
Logo ficou �bvio que seu alcance era incr�vel...
e que ele n�o tinha medo de ir mais alto.
A capacidade de lan de levar o rock a um ponto...
a que n�o conseguimos chegar com Rod...
come�ou a abrir nossos horizontes astronomicamente.
N�o t�nhamos mais de ficarmos confinados ao alcance do vocalista...
pois lan poderia ir a qualquer parte, o que era empolgante.
Gillan tamb�m ficou empolgado por conseguir acertar os aleluias...
depois de seu fracasso como corista.
Episode Six perde e Deep Purple ganha
Roger Glover tamb�m foi chamado para os ensaios.
Olhei para Rog. "� isso." Eram �timos m�sicos.
Tudo estava �timo. O equil�brio era fant�stico.
E parec�amos combinar. Era como experimentar um casaco novo.
As possibilidades eram enormes...
e no primeiro dia, acho que compusemos "Speed King".
No dia seguinte, "Child in Time".
Foi uma �poca de florescimento para n�s dois.
Tinha uma base de blues e de rock, al�m de ser animada.
E um pouco de cl�ssico e folcl�rico.
Todas essas influ�ncias preciosas entraram para a banda...
devido � diversidade das forma��es individuais.
O resultado foi uma mistura de inova��o e delicadeza musical...
destinada a liderar um novo g�nero de rock.
A primeira apresenta��o foi no Speakeasy, em Londres.
De volta de sua segunda turn� bem-sucedida nos EUA
Fiquei engasgado. Havia umas 20 pessoas l�.
Todos eram roadies, a n�o ser Keith Moon...
que estava muito b�bado.
Sim, causou emo��es...
pois de repente voc� percebeu o que acontecia.
N�o precisava dizer. Bastava sentir.
O momento foi perfeito. O p�blico estava pronto para abandonar...
esse sabor maravilhoso que existia na m�sica inglesa...
com The Kinks, The Small Faces e os The Beatles.
Queriam ouvir a liberdade no est�dio, aceitar novas id�ias.
Era algo das ruas, vanguardista.
Enquanto a reputa��o do Purple crescia...
para lan e Roger n�o estava sendo lucrativo.
As �nicas roupas decentes que dividiam estavam gastas.
lan pediu ajuda aos empres�rios.
Perguntei: "Ser� que Rog e eu podemos receber $100 adiantados...
para comprarmos roupas na Carnaby Street...
e podermos sair juntos ao mesmo tempo?
Pode descontar de nossas remunera��es semanais."
Ele disse: "Sabia que era encrenca desde que o vi pela primeira vez.
Se voltar com mais um pedido de dinheiro...
eu o devolverei � sarjeta, que foi onde o encontrei."
Foi minha introdu��o ao sucesso.
lan estava no Deep Purple h� poucas semanas...
e seu �lbum "ln Rock" estava quase pronto...
mas os problemas borbulhavam na banda.
Os empres�rios queriam muito fazer esse projeto...
com a Royal Philharmonic...
no Royal Albert Hall, com Malcolm Arnold.
Roger e eu, sendo os novatos...
pens�vamos: "O que est� havendo?"
Estamos em uma banda de rock...
ou em uma banda de mentira de rock cl�ssico?
Exibi certo desrespeito pelo projeto...
uma certa relut�ncia em participar.
S� escrevi as letras...
uma hora antes da apresenta��o...
em um restaurante italiano.
Na �poca, n�o entendi...
mas anos depois percebi...
que Jon Lord ter composto isso foi incr�vel!
O "Concerto" foi tamb�m a estr�ia de uma m�sica...
fadada a se tornar um cl�ssico.
Ele disse: "Vou cantar uma m�sica nova hoje no Albert Hall."
Chamava-se "Child in Time"...
mas eu n�o fazia a menor id�ia de que ele chegaria a duas oitavas.
Mal pude acreditar.
� claro que, liricamente, falava...
da tens�o incr�vel com a Guerra Fria.
Era um impasse de grandes propor��es...
talvez o maior, historicamente...
e com as implica��es mais perigosas.
Est�vamos mortos de medo.
Conseguia atingir uma oitava acima do falsetto normal.
Uns chamam isso de gritos, mas estava sob controle...
com vibrato e tudo o mais.
O lamento incr�vel que arrepiou uma gera��o...
e que far� o mesmo com futuras gera��es.
� uma magia vocal estonteante.
O final de 1969 viu tamb�m o surgimento de outra for�a musical...
que dominaria todo o g�nero e venderia milh�es de discos.
"Procura-se cara para fazer Jesus."
"Jesus Cristo Superstar" foi...
mesmo uma experi�ncia incr�vel.
Colocamos uma fita com "Child in Time"...
do "Deep Purple in Rock", que ainda n�o tinha sido lan�ado...
mas que era fant�stico, e dissemos: "lan canta como n�s queremos."
lan se encontrou com Tim Rice e Andrew Lloyd Webber...
para fazer um teste para o papel de Jesus.
Andrew Lloyd Webber estava ao piano...
e fez assim quando entrei.
Basicamente, pensei que era um n�mero c�mico.
Parecia que tocava piano com luvas de boxe.
Est�vamos um pouco nervosos. Pens�vamos: "Temos esse roqueiro...
e provavelmente somos dois burgueses imbecis."
Ele talvez pensasse: "O que fa�o aqui?" Mas parecia entusiasmado.
Tim disse: "Esta � a letra"...
e Andrew disse: "Esta � a m�sica."
Ent�o havia uma m�sica. Tim me disse que eu poderia improvisar.
Foi o que fiz. Segui rigidamente a m�sica...
que era excelente, composta de modo brilhante.
Era imposs�vel fracassar com aquela letra e m�sica.
N�o condeneis Jesus Cristo Superstar
A face de "Jesus Cristo Superstar"
Foi �timo faz�-lo.
Tudo estava l�.
Na verdade, me esqueci dele.
E se tornou um enorme sucesso.
O �lbum "Jesus Christ Superstar"...
vendeu mais de 19 milh�es de c�pias no mundo inteiro.
Desde ent�o ele fala bem do projeto.
N�o tentou reneg�-lo, como outras pessoas fariam.
Ficou realmente feliz de t�-lo feito e acho que ganhou um dinheirinho!
Apesar das distra��es das �peras e orquestras...
"Deep Purple in Rock" foi finalmente conclu�do.
Mas a gravadora insistia em um compacto.
S� deram um dia a mais � banda para comp�-lo e grav�-lo.
t�nhamos o riff.
Precis�vamos da letra.
Havia um pub envolvido.
lan foi o �ltimo a voltar...
pois n�o tinha terminado...
de degustar todas as bebidas no balc�o.
Estava muito b�bado, mais do que n�s quando voltamos.
"O que vamos compor?" "Black Night."
lan disse: "N�o me sinto muito bem." E eu: "Essa est� boa."
"N�o posso ver, luz escura." "Sim, �timo!"
Conseguimos essas frases que eram �timas...
e �timas de se cantar...
mas acho que eram um pouco enigm�ticas.
N�o me lembro mesmo.
Os empres�rios disseram: "�timo, conseguimos."
E n�s: "N�o, n�o podem us�-la."
"Vamos us�-la sim. � �tima."
E com certeza era.
lsso me fez pensar na composi��o.
Talvez devamos ficar b�bados sempre!
Acho que ficamos no n�mero dois das paradas por sete semanas.
Para mim, foi uma sensa��o maravilhosa...
olhar a parada na revista "NME" ou outra...
e ver "Black Night" l�...
junto a "Tie a Yellow Ribbon"...
ou outra bobagem qualquer.
Eles se infiltraram no pop com seu rock.
lsso nos influenciou muito.
Sempre nos vimos desempenhando o mesmo papel.
Deep Purple chegou l�.
Seus f�s inclu�am os colegiais Joe Elliot e Bruce Dickinson...
um aspirante a guitarrista Blackmoriano chamado Tony Blair...
e um certo jogador de futebol genial.
Era mais ou menos 1 969...
e eles faziam um sucesso enorme.
Naquela �poca, por volta do final dos anos 60...
mas para mim, os anos 60, quanto a futebol...
come�avam a enlouquecer.
E o mundo todo do...
Naquela �poca, a m�sica nos anos 60 e depois nos 70...
na Gr�-Bretanha era fenomenal.
E o Deep Purple era simplesmente incr�vel.
"Deep Purple in Rock" chegou �s paradas...
e rapidamente ficou entre os cinco melhores.
Conquistamos o n�mero 29 da parada da NME. Est�vamos na Esc�cia...
e ele se sentou, com l�grimas nos olhos, pensando: "Conseguimos!"
Foi uma ascens�o mete�rica.
A procura de ingressos para o Deep Purple fugiu ao controle.
Em Glasgow, toda a Sauchiehall Street foi fechada.
Dist�rbios por toda parte. Chamavam isso de "Purplemania".
Tentar conseguir um ingresso para ver o Deep Purple...
era como tentar comprar um para ver o Manchester United agora.
N�o est�o � venda. Se n�o entrar logo, n�o entra de jeito nenhum.
O clima na banda era fant�stico. Era uma risada eterna.
O foco era a m�sica. Percebemos que t�nhamos algo especial.
Nos primeiros dias, a �nica disputa entre Gillan e Blackmore...
era nos palcos.
O duelo entre guitarra e vocal s aconteceu uma noite.
Ritchie tocou um lick...
e lan o copiou exatamente no mesmo alcance.
Da�, Ritchie subiu uma oitava...
e lan fez o mesmo.
Dava para ver a express�o de Ritchie: "Uau! lsso � bom."
Ent�o nasceu de improvisa��o.
Mas era um duelo de mentes.
N�o demorou muito para que lan mostrasse...
que sabia se divertir nos intervalos entre shows.
Mas todos faz�amos o mesmo, at� certo ponto.
Era assim.
Deep Purple: Um compromisso em cinco partes
voc� era privilegiado, tinha alguma grana...
era o centro das aten��es...
as atra��es eram muitas e facilmente acess�veis...
e era f�cil entrar em um clima de festa.
Na parte mais funda de uma noite de rock e �lcool...
lan levou as coisas a um novo extremo.
Se voc� pegar um cara de um conjunto habitacional...
que nunca comeu em um restaurante...
nunca dormiu em um hotel...
encher seus bolsos de quantias jamais vistas por ele...
lev�-lo a bares depois do trabalho em que as rodadas s�o pagas para ele...
cerc�-lo de mulheres quentes, maravilhosas e entusiasmadas...
logo voc� vai perder o controle e n�o vai conseguir lidar com isso...
ent�o para disfar�ar seu desconforto, voc� faz coisas ultrajantes.
Blackmore e Gillan viraram os brincalh�es do Purple.
Glover era geralmente o alvo de suas piadas...
mas �s vezes Gillan era a v�tima do humor de Blackmore.
Ele estava na banheira do camarim...
tentando vestir sua roupa para o show...
mas Blackmore o empurrou direto para o palco.
Um lan muito espantado apareceu no meio do palco...
e o p�blico que lotava a casa o aplaudiu efusivamente.
lan, em vez de cobrir suas partes �ntimas, como a maioria das pessoas...
se curvou, agradeceu ao p�blico, saiu do palco...
e jogou cerveja na cabe�a de Ritchie.
Era divers�o de garoto...
na maioria das vezes.
Depois ficou mais sombrio.
Na �poca, o Deep Purple s� vivia � altura de dois ter�os do velho clich�.
Havia muito sexo e rock, mas onde estavam as drogas?
Nenhum dos rapazes da banda mexia com drogas.
Nenhum. N�o aceit�vamos isso.
V�nhamos de ambientes regados a �lcool.
Era... Nem mesmo nos interessava.
N�o h� como eu saber o que...
fez Ritchie passar a n�o gostar de lan.
Pois foi assim que come�ou.
A primeira vez que sa�mos em turn�...
Blackmore e Gillan conviveram muito bem...
por um longo tempo.
lan Gillan - como Purple virou Deep
S� posso imaginar que a disc�rdia come�ou durante "Fireball"...
que lan encarava de modo diferente de Blackmore.
Ele tentava me dizer o que eu deveria cantar.
Ele ficava andando ao redor: "Toque isso, toque aquilo."
E havia muito resmungo.
No final, disseram a ele para se limitar a tocar guitarra...
e que todos nos limitar�amos ao que faz�amos individualmente...
depois descobrir�amos se estava funcionando ou n�o.
A tend�ncia de Gillan de abusar de uma certa bebida escocesa...
tamb�m agitava os nervos.
As sess�es de composi��o de "Fireball"...
foram marcadas por sua bebedeira.
Ele bebia muito naquela �poca. Uma garrafa de u�sque por dia facilmente.
O que n�o ajudou as coisas.
A banda compor o �lbum em uma casa assustadora em Devon.
Ritchie se interessava muito por fantasmas e coisas do tipo...
ent�o fazia esses...
barulhos no meio da noite, coisas assim...
causados pelo feedback de amplificadores colocados no s�t�o.
Todos sabiam o que era, mas isso o deixava feliz.
Acho que conseguimos alguma coisa...
pois "Fireball" acabou sendo um �lbum muito importante.
Sim, naquela �poca ainda �ramos unidos.
N�o era um problema.
� uma hist�ria cl�ssica do rock.
j� nos associaram a tempestades, guerras...
terremotos e inc�ndios.
Esse inc�ndio destruiu um dos pr�dios antigos mais lindos que j� existiu.
E est�vamos fazendo um �lbum.
A id�ia era de que gravariam no cassino...
um �lbum de est�dio chamado "Made in Switzerland" ou "Machine Head"...
ainda n�o tinham decidido o t�tulo...
e depois gravariam um �lbum ao vivo no cassino em dezembro.
O �ltimo show da temporada...
seria com Frank Zappa and The Mothers Of lnvention...
no cassino que ficava ali...
onde est� aquele pr�dio alto.
Chegamos com tudo preparado para nos mudarmos...
enquanto a cidade fechava para o inverno.
Fomos ver o show do Frank Zappa e foi quando tudo aconteceu.
algu�m chegou com um lan�a-chamas.
Atirou bem por sobre meu ombro direito.
Vimos duas bolas incandescentes que fizeram assim...
Elas pareciam diminuir...
mas atingiram a caixa el�trica e incendiaram alguma coisa.
Logo, o lugar estava em chamas.
O show foi interrompido, as pessoas se dispersaram...
mas Frank foi �timo e fez as pessoas sa�rem.
lnfelizmente, alguns pularam pelas janelas ou foram para as cozinhas.
Foi quando Claude Nobs...
o "Funky Claude" da m�sica, os levou para um lugar seguro.
Testemunharam tudo, at� o pr�dio ser completamente destru�do.
Eles me viram saindo do pr�dio por �ltimo, como o capit�o de um navio.
As chamas chegaram a 60 ou 90 metros.
A corrente de ar das montanhas...
espalhou a fuma�a pelo Lago de Genebra enquanto assist�amos.
Roger escreveu "fuma�a na �gua" em um guardanapo. Foi assim.
lNC�NDlO EM MONTREUX ATlNGE PLANOS DO �lbum DO PURPLE
Em alguns dias, nos mudamos para outro lugar...
mas a pol�cia nos interrompeu ap�s uma m�sica...
e disse: "Est�o acordando a cidade."
A m�sica era "title number one"...
mais conhecida como a m�sica "dan-dan", segundo lan...
que se transformou em "Smoke On The Water", mas ainda sem letra.
Est�vamos gravando quando a pol�cia chegou.
Os roadies bloquearam as portas para terminarmos a grava��o.
Em me lembro que lan saiu...
e de modo bem charmoso, tentou acalmar a situa��o com a pol�cia.
O andar inteiro era nosso. A bateria estava perto da escada...
v�rios alto-falantes e instrumentos estavam em diferentes quartos...
para fazermos uma separa��o natural.
Toda noite, eles traziam fitas.
Uma noite, disseram: "Fizemos uma m�sica sobre voc� e o cassino...
chamada "Smoke On The Water"."
Eu disse: "Vai ser um sucesso!"
Eles disseram: "Acha mesmo? Uma hist�ria sobre um inc�ndio?"
Mas respondi: "A melodia e o refr�o contagiante."
Nem mesmo Ritchie, no auge de seu antagonismo...
poderia ter se oposto...
a qualquer coisa que lan fez em "Machine Head".
Sua contribui��o � espantosamente boa.
m�sicas como "Space Truckin" s�o excelentes.
Foi um �lbum muito r�pido, elegante e ligeiramente sombrio.
Se ouvi-lo agora, perceber? uma leve intensidade sombria.
N�o h� como explicar melhor.
Mas foi um �lbum alegre de se fazer.
"Machine Head" lan�ou o Deep Purple � estratosfera.
Vendeu milh�es de c�pias...
e inspirou uma nova leva de m�sicos promissores.
Eu me excedia.
la para a Espanha...
e depois de alguns coquet�is...
voltava � casa de praia e enlouquecia.
�nico e poderoso.
empres�rio, Deep Purple
A banda era a ess�ncia do que grupos desse tipo...
deveriam ser na �poca.
ningu�m chegava perto deles quanto a apresenta��es.
A banda crescia cada vez mais...
e a pol�tica interna ficava cada vez mais explosiva.
Quando conclu�mos "Machine Head"...
os dois n�o estavam muito � vontade juntos.
Ent�o come�amos a arrumar namoros s�rios e duradouros.
A comunica��o se tornou ainda mais dif�cil...
pois umas namoradas come�aram a se desentender.
voc� queria beber com um amigo m�sico...
e dizer: "voc� esteve p�ssimo hoje"...
mas n�o podia, pois ele estava em um hotel diferente.
Mesmo se n�o estivesse, estaria com a namorada...
e voc� com a sua ou com seu c�rculo de amizades.
Passamos de...
n�o diria amigos, mas gente que se dava muito bem...
de colegas de quarto...
de gente que tirava o m�ximo proveito de uma rela��o...
ao ponto de nos tornarmos antagonistas.
SHOWS DO PURPLE
Em 1973, o Purple vendia mais que qualquer um...
de Zeppelin a Elvis e at� mesmo os Beatles.
Para aproveitar, os empres�rios marcaram turn�s seguidas.
A press�o do trabalho era astron�mica.
N�o percebemos, mas come�amos a ficar loucos.
O trabalho era incessante...
e as festas eram talvez um pouco pesadas.
As pessoas perderam o contato com tudo.
No palco, a rivalidade entre Gillan e Blackmore...
chegava ao extremo.
"N�o pise na minha parte do palco.
Se pisar, vou acert�-lo com minha guitarra."
Da� achei que tinha de resistir.
N�o deixaria que me dessem ordens.
Percebi que o suporte do microfone era maior que a guitarra dele...
ent�o os usamos em uma batalha que fizemos no palco.
Da� eu disse: "Minha tarefa � ir da esquerda para a direita.
N�o vou conversar com o p�blico daquele lado do palco.
N�o vou passar na sua frente quando voc� faz o solo."
O desgaste aumentava e a banda foi atingida por doen�as.
Dificilmente o clima ideal para gravar o sucessor de "Machine Head".
Nem uma estadia em Roma transformou confronto em criatividade.
A banda chegou e nos sentamos, compondo can��es.
Mas n�o havia sinal do "tocador de banjo".
Quando ele apareceu, n�o ficou na mesma casa que a banda.
Estava muito indiferente e distante.
N�o conversaram.
Talvez resmungassem "ol�" ao se cruzarem.
N�o havia nenhum tipo de comunica��o.
Acho que magoou os dois. Magoou muito a n�s.
E com muito custo...
e por um tempo longo e desencorajador em Roma...
gravamos duas m�sicas...
"Woman from Tokyo" e "Painted Horse"...
al�m de algumas cantigazinhas atrevidas...
que o resto de n�s cantava sem o guitarrista.
N�o foi perda de tempo, mas foi o come�o do fim.
"Who Do We Think We Are" foi finalmente conclu�do...
com Gillan e Blackmore gravando separadamente.
lncluiu uma can��o de amor com uma diferen�a.
LADO 2
Se voc� ler nas entrelinhas, "Smooth Dancer" � uma can��o de amor.
� uma m�sica sobre Ritchie...
em que digo como ele � �timo.
Se...
Em termos de vendas, o �lbum foi outro sucesso incr�vel...
mas para a banda, n�o se equiparou � m�gica de "Machine Head".
lan ficou mais soturno nesse per�odo.
Ficava cada vez mais introvertido e introspectivo.
O sorriso aparecia menos.
Deixou crescer aquela barba negra...
pois queria se ocultar de algum modo. N�o foi uma �poca boa.
Naturalmente, as coisas...
progrediram em dire��o a uma combust�o completa e total.
Eu me lembro de algumas vezes, nos EUA...
em que Ritchie se recusou a fazer o bis...
sem nenhuma raz�o aparente.
ningu�m na banda entendeu, muito menos na plat�ia.
"Aplaudimos por duas horas. Por que n�o far�o o bis?"
E era: "Por que ELES n�o fazem o bis?"
O p�blico nunca enxerga que � s� um imbecil recalcitrante...
que se tranca no camarim e diz: "N�o vou fazer o bis."
Muitas vezes, eu corria atr�s de Ritchie at� o camarim...
sendo derrotado por lan Gillan, que era bem mais r�pido que eu...
batia na porta e dizia: "Saia, vamos voltar ao palco!"
De modo geral, volt�vamos ao palco...
e toc�vamos "Smoke on the Water" sem a guitarra.
Assim, aprendi a tocar o riff muito bem... no �rg�o!
Passou de uma del�cia a um pesadelo absoluto.
Ao ponto de me fazer ficar enjoado.
Ao meio-dia, no dia de um show, e era isso.
N�o lidei muito bem com isso...
mas eu bebia muito antes de subir ao palco...
e tratava a coisa toda com desd�m arrogante.
lan seguia seu pr�prio caminho.
Tinha seus pr�prios roadies, planos de viagem separados, hot�is, tudo.
N�o havia muita comunica��o.
Acho que o motivo era...
tentar seguir sua pr�pria dire��o...
tentar manter sua pr�pria auto-estima, por assim dizer...
e seguir o outro caminho significaria se submeter.
Era muito irritante...
ver que dois adultos com tanto talento...
competiam de maneira in�til.
Era muito triste, mas da� surgiram �timas m�sicas.
Ritchie estava passando pelo mesmo.
Estou falando s� do meu universo. Ritchie v� as coisas de modo diferente.
O racha crescia enquanto o Purple continuava seu assalto nos palcos.
A banda de maior sucesso do mundo come�ava a se autodestruir.
A monstruosidade...
da grande m�quina de guerra rolante que � o Deep Purple...
e turn� ap�s turn�, ningu�m parecia mais se importar.
Toc�vamos em lugares enormes e era tudo maravilhoso...
mas mesmo assim faltava algo para o futuro.
De repente, voc� pensava que n�o se importava mais com isso no momento.
Na verdade, n�o me importaria se a banda se despeda�asse...
pois n�o tinha mais uma sensa��o de objetivo.
E por estarmos t�o dispersos...
n�o havia mais uma id�ia de que pertenc�amos.
Esses dois elementos cruciais sumiram, o que nos levou a desistirmos.
DEEP PURPLE SE SEPARA
Havia turn�s marcadas por uns nove meses.
Acho que escrevi a carta uns nove meses antes de sair...
no dia 30 de junho de 1 973.
E foi isso.
Acho que Ritchie n�o esperava.
Se ele ficou contente ou n�o...
s� ele pode dizer.
Certamente ele n�o fez obje��es.
Naquele per�odo, ningu�m na banda ou na dire��o...
tentou me fazer mudar de id�ia...
o que me convenceu de que estava fazendo a coisa certa.
At� certo ponto, somos todos adultos.
E se voc� toma uma decis�o monumental como essa...
deve ter refletido bastante.
O que resta a dizer depois disso?
"Sinto muito que vai sair. Foi �timo.
A decis�o � sua. O que posso fazer?"
N�o parec�amos mais os amigos do Episode Six.
Eu me sentia mais pr�ximo de Jon Lord e lan Paice.
Para preencher a vaga de banda de apoio, havia a Elf...
liderada por Ronnie James Dio.
Foi na �poca em que lan estava para sair da banda.
Na �poca, ele n�o estava feliz.
Eu me lembro que na primeira noite, ele chegou de limusine...
uns 30 segundos antes do show come�ar.
Correu para o palco, fez seu trabalho...
e no final, antes da �ltima nota, tinha desaparecido de novo.
N�o tive muita chance de falar com lan.
Antes disso, Ritchie n�o fazia o bis. Agora era lan Gillan.
Blackmore tamb�m amea�ou sair.
No final, foi convencido a ficar, mas s� se Glover fosse despedido.
O �ltimo show aconteceu em Osaka, Jap�o.
Depois do show, destru�ram o est�dio.
Roger voltou para casa comigo. Ele estava bastante deprimido.
Estava enfrentando seus pr�prios problemas.
Rog e eu �ramos muito pr�ximos...
mas de repente, percebi que mal nos falamos naquele v�o.
Segu�amos caminhos separados.
Na minha opini�o, foi um al�vio acabar com tudo.
N�o era mais a coisa empolgante que foi quando entrei para a banda.
Quando sa�, decidi que seria o fim da minha carreira de cantor.
Pensei: "Dei muita sorte. O que mais posso fazer?
Depois disso, o que mais existe?"
Eu s� tinha 27 anos e j� tinha vivido muita coisa.
O Deep Purple continuou sem Gillan ou Glover.
Blackmore era f� de Paul Rodgers, do Free...
mas ele decidiu n�o participar.
Quando disseram que David Coverdale seria o novo cantor...
e Glenn o baixista...
foi quase como se tivesse sido bloqueado da minha mente.
Fa�a uma analogia com se divorciar...
e ser solicitado publicamente...
que veja sua ex com outro parceiro.
� a �nica maneira de descrever.
Enquanto "Burn" chegava �s lojas...
lan Gillan prometeu nunca mais voltar ao mundo musical.
Ele tinha tempo para torrar e dinheiro para gastar. Ou era o contr�rio?
Eu n�o sabia muito bem o que fazer com o dinheiro.
No final, gastei de modo imbecil. Todo ele.
N�o come�ou com gastos rid�culos.
Mas acabou sendo assim.
Pensei: "Passei a maior parte da minha vida profissional em hot�is...
e fico meio perdido sem um. Ent�o, construirei um hotel."
Encontrei um pr�dio abandonado em North Stoke, Wallingford...
e passei os dois anos seguintes reformando-o.
Constru� uma piscina em forma de viol�o.
Naquela �poca, as coisas ficaram ruins financeiramente.
De repente, descobri que embora me dissessem que estava tudo bem...
eu n�o tinha mais dinheiro...
ent�o tive de assinar pap�is para liquidar todos os meus bens...
e come�ar tudo de novo.
Os preparativos financeiros foram peculiares, mas foi assim.
A casa, o carro, o hotel e a empresa de motocicletas se foram.
E com eles, se foram tamb�m os sonhos e os planos.
Enquanto seus planos empresariais desabavam ao seu redor...
lan come�ava a pensar se a decis�o de abandonar a m�sica fora boa.
Mas logo surgiu um vislumbre de esperan�a no horizonte.
Roger Glover me ligou por acaso e pediu ajuda.
"Tenho um show em dois, tr�s dias no Royal Albert Hall...
e um dos cantores desistiu."
N�o houve an�ncio, nem "e agora, lan Gillan".
Ele subiu ao palco e foi aplaudido de p�.
Foi incr�vel.
Um momento muito tocante.
Na manh� seguinte, fui para casa...
peguei a guitarra, compus tr�s m�sicas...
e comecei a dar uns telefonemas.
Foi basicamente assim que voltei...
pois percebi que tinha tomado a decis�o errada.
Agrade�o a Roger, como sempre, pelos pap�is importantes...
que desempenhou na minha vida.
Foi �timo. Na verdade, foi um milagre.
Ent�o abri meu caminho balan�ando a cabe�a...
durante o resto dos anos 70 e 80.
A ess�ncia da lan Gillan Band veio dos destro�os dos m�sicos...
reunidos por Roger Glover para o "Butterfly Ball".
Eram m�sicos muito talentosos...
mas dispostos a fazer experi�ncias com jazz-rock fusion.
lsso me colocou em uma nova dire��o...
uma que eu n�o havia explorado antes.
lan contratou um jovem e talentoso tecladista chamado Colin Towns...
para fechar a banda.
Fiz o teste.
Achei que os m�sicos eram absolutamente incr�veis.
Pensei: "Tenho de entrar para essa banda."
Quando ele subia ao palco, a rea��o que causava...
s� por gritar...
Sei que � meio como: "Sim, outro grito"...
e talvez tenha vindo daquelas coisas de rock "n" roll...
quando ele come�ou, mas n�o importava.
lsso tudo causava arrepios.
Comecei a produzi-los e era quase "improduz�vel".
Era uma banda ca�tica.
Muitas brincadeiras, ovos sendo jogados, bebedeira, loucura...
mas ao mesmo tempo, essa estranha mistura de jazz fusion e rock...
que era a ambi��o de lan, mas n�o realmente seu tipo de m�sica.
lnfelizmente, � m�sica dif�cil de dan�ar.
Esse cara adora bichinhos peludos Castores e Gatinhas
Eu me lembro claramente de um p�blico confuso na Escandin�via...
tentando dan�ar com nossa m�sica de abertura, que tem um lick de baixo...
E eles faziam...
"lmposs�vel."
Eu me lembro de ir para os ensaios, ouvir o pr�ximo �lbum...
e pensar: "Ainda n�o est�o prontos para gravar um �lbum."
Disse isso e fui despedido.
"Clear Air Turbulence" e seu predecessor, "Scarabus"...
continuaram com o som de jazz rock que n�o agradou a alguns f�s.
lan continuou patrocinando a banda, mas isso logo acabou em problemas.
Como empres�rio, eu era imaturo.
Recebemos 75 mil para fazer o disco.
Eu tinha o est�dio.
E pensei que antes de qualquer coisa, deveria cumprir com minha promessa...
e entreguei cinco cheques de 15 mil.
Dois dias depois, precisava pagar a ilumina��o e equipamento...
e esqueci de descontar as despesas com o est�dio.
Disse: "Desculpe, pessoal. Por que cada um n�o d� tr�s mil?
Vai cobrir as despesas por enquanto."
Ray Fenwick disse: "N�o vou pagar para tocar!"
Foi o primeiro ind�cio de como as coisas decorreriam.
Mas aprendo devagar.
Comecei a compor minhas pr�prias m�sicas...
e um dia cheguei e disse a ele: "Posso tocar algo para voc�?"
Toquei "Fighting Man".
Eles n�o deram aten��o a uma id�ia que Colin teve.
Ele estava meio cansado.
Em certas ocasi�es, foi um lutador.
Lutou para sobreviver e fazer diferentes coisas acontecerem.
Era lindo. Colin era um cara extraordin�rio e talentoso.
Todos s�o, mas ningu�m lhe dava ouvidos.
Da� eu disse: "Vou sair." Queria fazer isso educadamente.
N�o queria despedir ningu�m, ent�o sa� da minha pr�pria banda.
"Fighting Man" se tornou a �ltima faixa de "Mr Universe".
Era uma nova banda com um nome menor.
Havia uma energia �nica na banda.
Era bem peculiar.
Ainda n�o sei de onde McCoy veio ou por que estava l�...
mas sua apar�ncia era �tima, certo?
"Mr Universe", com toques punk, chegou �s paradas arrasando.
A Virgin Records os contratou...
gravadora em que a futura esposa de lan trabalhava.
Com o surgimento do punk e da new wave...
Virgin come�ava a se preocupar um pouco com os artistas que tinha.
Mas na verdade, acho que lan talvez tenha salvo o selo.
Naquela �poca, a banda era �tima...
o que continuou talvez at� o �lbum seguinte, "Glory Road"...
mas a qualidade come�ou a diminuir no que veio depois.
A banda de Gillan era saudada como estando na vanguarda...
da nova onda de heavy metal brit�nico...
junto com Saxon, lron Maiden e Def Leppard.
Heavy metaltalvez seja a descri��o menos elogiosa...
para qualquer forma de m�sica que j� ouvi.
Prefiro ser chamado de m�fia do que de heavy metal...
pois j� fomos uma m�fia algumas vezes.
Ca�tico seria um bom adjetivo para descrever a banda de Gillan...
mas aposto que foi muito divertido.
Apesar do sucesso, o dinheiro ainda n�o rolava...
e lan se viu em dificuldades financeiras.
O cantor se tornou amigo �ntimo...
de um dos maiores f�s do Deep Purple, George Best.
Que faixa de cabe�a atraente, lan Gillan!
Assim como a partida beneficente ocasional...
eles se encontravam para jogar sinuca em um clube de Londres.
A gente frequentava o lugar, tomava algumas bebidas...
jogava sinuca e se divertia.
Jog�vamos valendo $1 por partida.
Foi quando aprendi a n�o jogar a valer em sinuca.
"O dobro ou nada" era a frase preferida de George.
Eu tinha ido � fal�ncia. Estava com problemas financeiros.
Naqueles dias, pod�amos gastar algum dinheiro em apostas.
Algumas bebidas chegaram.
A gar�onete disse: "Acham que est�o apostando milhares por jogo."
N�o sab�amos por que a como��o.
Depois de ganhar algumas partidas, George disse "o dobro ou nada".
Concordei.
Murmuravam ao redor: "Est� valendo 32 mil."
S� valia 120 reais e ele venceu.
�ramos s� dois caras nos divertindo...
e aproveitando a companhia um do outro.
E de olho nas mulheres bonitas!
�amos embora e fomos pedir a conta.
algu�m disse que um s�cio j� tinha pago...
e, aparentemente, disse: "Muito obrigado."
Ele nunca vira tanta indiferen�a com tanto dinheiro em jogo.
O dia em que Gillan jogou contra Bestie numa partida beneficente...
foi um momento hist�rico no futebol.
Foi quando ele marcou dois gols fant�sticos.
Gols fant�sticos ou sorte? O veredicto ainda n�o foi dado!
O primeiro com certeza n�o foi sorte.
� justo que eles tenham um tom de roxo intenso!
Passe para Gillan!
O jogo foi exibido na TV.
lnfelizmente, a �nica c�pia que sobrou � a que lan tem em VHS.
Foi gol?
Chutei e sabia que seria gol...
do momento em que tocou minha chuteira at� chegar na rede.
Paul Mariner e George Best estavam esperando...
mas n�o chegaram nem perto.
George Best morreu alguns meses depois desta entrevista.
Tenho mem�rias muito boas de George.
Ele era um cara precioso de verdade.
A banda de Gillan se fortalecia cada vez mais...
mas ele n�o conseguia escapar de seu passado.
Era v�spera de Natal e bateram � porta.
A quase dois metros dela, na neve...
erguia-se um homem de negro.
Eu disse: "Ritchie, o que quer?" "Estou procurando um cantor."
"Por que est� a� assim?" "Pensei que ia me bater."
"Por que eu faria isso? Entre."
Ele entrou, bebemos algo e ele queria que eu entrasse para o Rainbow.
Eu disse que tinha minha pr�pria banda.
"Se surgir uma vaga, por que n�o entra para a minha?"
Voltamos � ess�ncia do problema com o Purple.
Ele seguia em dire��o ao Rainbow...
e eu, na dire��o de Gillan.
Havia uma diferen�a de abordagem.
Blackmore continuou e at� participou de shows de Gillan.
Ele improvisou conosco no Marquee...
e de novo, com o Rainbow.
Mais uma vez, perguntou: "O que acha?"
Respondi: "Estou feliz com o que fa�o.
N�o quero ser cantor do Rainbow.
Mas obrigado pelo convite." E ficamos assim.
A banda de Gillan continuou com datas de turn�s exaustivas...
e ficaram surpresos ao serem convidados para o "Top of the Pops".
Alguns membros n�o queriam fazer o show.
"� o seguinte: farei o show.
Acredito que � a coisa certa a fazer.
Se n�o quiserem vir, tudo bem. A decis�o � de voc�s.
Mas arrumarei substitutos."
Bernie Torm� pagou para ver e n�o participou.
Mas lan n�o estava blefando.
A banda participou de "Top of the Pops" sem um guitarrista.
No dia seguinte, Janick Gers foi convocado.
Bernie foi substitu�do por Janick...
e Janick trouxe sua energia e entusiasmo sem limites...
e id�ia de espet�culo para a banda...
o que representou a substitui��o de todos os elementos que Bernie tinha.
Era s� uma personalidade diferente.
A nova banda foi para uma pequena vila no sudoeste da lnglaterra...
para compor o pr�ximo �lbum.
O evento foi registrado por uma equipe jornal�stica local.
� claro que h� festas no sal�o da prefeitura...
e sabe-se que tem gente barulhenta em jogos de cartas...
mas recentemente, tudo mudou.
Normalmente ensaiamos no est�dio em Londres...
mas depois de passar uma hora e meia no tr�nsito...
voc� entra em um por�o e n�o v� mais o sol o dia todo.
Fizemos mais em quatro dias aqui do que fazemos em duas semanas.
- N�o acha? - Com certeza.
- j� fizemos seis m�sicas. - Em cinco dias.
lan continuava a ser perturbado por problemas financeiros...
e o resto da banda queria saber para onde ia todo o dinheiro.
Eu era descrito como "milion�rio do rock".
Nunca fui milion�rio na vida.
Havia uma sensa��o de que eu estava escondendo algo...
ou que tinha mais dinheiro, ou que deveria bancar mais coisas.
Mas n�o podia. Estava � beira da fal�ncia.
N�o recebia royalties do Deep Purple h� uns cinco anos.
A banda n�o ganhava dinheiro suficiente para se manter.
N�o entrava dinheiro suficiente dos �lbuns.
EMPRES�RIO DE IAN
Continuamos a faz�-los, dois �lbuns por ano.
Quando avan�ava em um, passava para o pr�ximo.
Ent�o fomos para os EUA e perdemos dinheiro.
Na �poca, a banda foi paga.
Queria ouvir algum deles dizer que nunca foi pago.
Sei que o dinheiro era sempre curto, mas ningu�m sabia por que.
Depois de v�rios �lbuns, ainda vivia em moradia do governo.
lan estava sob press�o, pois estava financiando tudo.
O banco amea�ava tomar sua casa e o est�dio.
lsso e o trabalho que fazia causaram os problemas na garganta.
TENHO DE ABANDONAR O ROCK
Ele disse � banda que se separariam e que tiraria um ano de folga.
E o fim foi no dia 1 7 de dezembro. Uma noite muito triste.
Havia uma amea�a de perdermos o equipamento tamb�m.
Tudo o que eu tinha era algum equipamento na banda. Era s�.
Cada um parou sua van na porta dos fundos...
e saiu o mais r�pido poss�vel, caso algu�m tentasse pegar de volta...
pois talvez alguns devessem dinheiro a outros.
N�o ficamos sabendo. Coisas estranhas aconteceram.
Carregamos nossas vans e sumimos...
um modo bem triste de sair de uma banda.
Ele deixou para tr�s m�sicos descontentes, o que � uma pena.
O que podia fazer?
N�o tenho arrependimentos quanto a isso.
Coisas horr�veis aconteceram e foram ditas...
que me fizeram perceber que apesar do longo tempo...
em que trabalharam com lan, eles n�o o conheciam bem.
Obviamente o viam como uma pessoa totalmente diferente.
Ele ficou muito triste com o que disseram.
Foi uma situa��o dif�cil de se lidar para todos.
Muito se deveu a mal-entendido.
Mas muita gente achou que eu j� estava pensando em entrar para o Purple.
Disse que tivemos uma reuni�o, mas que nada ficou acertado.
Ele veio para os EUA...
ver Ritchie, eu e Bruce.
Ele disse: "Falei com Jon e Paicey.
Eles concordaram. Que tal uma reuni�o do Purple?"
Foi tranquilo, a conversa foi boa...
consumiu-se algumas bebidas.
Da� come�ou uma discuss�o...
e lan, se bem me lembro...
jogou um balde de gelo na cabe�a de Ritchie...
que saiu do restaurante com lan correndo atr�s dele...
e mostrou sua bunda...
o que marcou o fim das discuss�es iniciais do Deep Purple.
GILLAN ENTRA PARA O SABBATH
GILLAN � O NOVO CANTOR DO SABBATH
Para mim, foi um choque quando surgiu a hist�ria do Black Sabbath.
Foi um choque para meu empres�rio.
Tony lommi me ligou dizendo...
"Vamos sair para beber?"
Encontramos a meio caminho da minha casa e da dele...
e fomos ao "The Bear", em Oxford.
Acho que chegamos na hora do almo�o, algo assim.
Ficamos conversando at� umas sete e est�vamos todos b�bados...
absolutamente chapados.
Pelo que me lembro, Geezer Butler e eu ficamos muito mal.
E algu�m me levou para casa.
Recebi uma liga��o de Phil Banfield, meu empres�rio, no dia seguinte...
dizendo: "lan, se for tomar essas decis�es importantes...
decis�es sobre sua carreira, temos de conversar primeiro."
"Do que est� falando?" "Voc� concordou em entrar para o Sabbath."
Respondi que n�o me lembrava.
Logo em seguida, est�vamos ensaiando e gravando um �lbum.
Foi assim que aconteceu.
Fiz um disco e uma turn�.
Durou um ano e foi a festa mais longa a que compareci.
O rec�m reformado Sabbath, chamado por alguns de "Deep Sabbath"...
foi para a mans�o de Richard Branson em uma vila pitoresca...
para gravar o �lbum.
Mas o Black Sabbath n�o combina com "pitoresco".
Algumas coisas aconteceram naquela �poca...
inclusive as corridas noturnas, as excurs�es ao canal...
as explos�es... Muitas explos�es.
O cara da pirotecnia, Andy, era bom.
N�o sei como conseguiu sua licen�a, mas era incr�vel.
Quando chegamos, ele disse: "N�o vou dormir na casa."
Disse: "� mesmo?" E ele: "Ficarei na tenda l� fora."
Achei que ele estivesse brincando.
No primeiro dia, fui de carro at� o est�dio na casa de Richard Branson.
Havia uma tenda enorme do lado de fora. "Ele falou s�rio!"
Geezer Butler, Bill Ward e Tony deram as boas-vindas a lan...
com uma liga��o de despertar de manh� bem cedo.
Faz�amos explos�es no palco, ent�o t�nhamos muito material.
Uma noite, n�s o usamos em sua tenda.
Enterramos no ch�o ao redor dela.
Obviamente, usamos material demais.
Houve um bang e a tenda fez...
N�o foi tudo. As ondas sonoras atingiram o lago...
e os peixes premiados de Richard Branson ficaram boiando, mortos.
E lan estava dormindo na cama de campanha!
Com certeza n�s o acordamos! Sim.
lan, que aprendera com bagunceiros...
como Ritchie Blackmore e John McCoy, se vingou.
Uma ou duas trutas sa�ram do lago...
e foram parar no guarda-roupas de Bill Ward.
Ficaram l� por uma semana, outra boa raz�o para acampar l� fora!
O magnata da Virgin, Richard Branson, aparecia �s vezes...
para verificar seus convidados.
lan e Richard se davam bem...
e Richard provavelmente tomou umas ta�as de vinho com lan...
e sa�am para brincar...
correndo, atirando bolas de sinuca em janelas e as quebrando.
Eu ficava l� pensando: "A casa � sua!"
A mais mortal das brincadeiras et�licas tamb�m inspirou letras de m�sicas.
Richard Branson construiu uma pista de kart...
grande o suficiente para corridas, mas n�o para ultrapassagens...
ent�o decidimos fazer corridas e marcar o tempo.
N�o. Compramos quatro carros para a banda...
para usarmos nas turn�s e nos movimentarmos. Carros zero.
- Bebemos um pouco. - Sa�mos e bebemos mais.
- Eu disse: "Vou primeiro." - E l� foi ele na pista.
Em vez de usar seu carro, pegou o do Bill.
Bill tinha o melhor carro dentre todos.
Dei umas voltas e ia cada vez mais r�pido.
Devo ter furado o pneu em uma volta anterior...
e quando estava me aproximando de uma curva...
n�o teve jeito e o carro capotou.
Virou completamente e ficou girando na pista assim.
Ele quase se matou.
Mais um pouco e teria ca�do no lago.
"voc� est� bem?" "Sim, estou."
Eu estava me livrando do cinto de seguran�a.
algu�m disse: "Ainda bem que est� bem", pegou um cigarro...
e todos gritaram: "N�o!"
O tanque de gasolina furou. Se ele tivesse acendido, teria sido divertido!
lan comp�s "Trashed" no dia seguinte...
e a m�sica � vista por muitos como a que mais se destaca no �lbum.
As brincadeiras do Sabbath logo come�aram a perturbar os vizinhos...
nessa vila tranquila.
Ao lado do est�dio havia uma igreja...
ent�o pode imaginar o que aconteceu.
Ao olhar atrav�s da sala de controle, vi um padre, um vig�rio.
Fizeram um abaixo-assinado...
reclamando do barulho que est�vamos fazendo.
Ele disse: "Ser� que poder�amos chegar a um acordo?
O coro ensaia �s ter�as e quintas...
e n�o podemos marcar o compasso por causa de sua m�sica ador�vel."
"� claro. Fecharemos a porta e n�o tocaremos nada alto."
Ent�o lan escreveu a letra para uma m�sica chamada "Disturbing the Priest".
Por causa dela, o Black Sabbath foi expulso de uma cidade...
no M�xico, alguns anos depois.
A igreja local achou que era prova irrefut�vel...
de que eram adoradores do diabo.
Recebi uma liga��o de Al Dutton no hotel dizendo: "Temos de ir.
Seremos escoltados at� o aeroporto...
e posso ver a multid�o marchando rua abaixo."
Eles n�o entenderam a m�sica.
"Born Again" � conhecido como o �lbum "Marmite"...
voc� ama ou odeia.
Adorei o �lbum. Acho que � fant�stico.
N�o gostei do modo como ficou diferente do que ouvia nos monitores.
Chegou a n�mero quatro das paradas brit�nicas.
Ouvimos uma c�pia e o som estava horr�vel.
Espero que fa�am um remix um dia. Venderia bem.
Serei honesto. Faz�amos uma turn� na Europa em 83.
Recebemos a fita do �lbum.
Ouvimos uma m�sica chamada "Zero the Hero"...
a janela do lado do motorista se abriu...
a fita voou pela janela e dissemos: "Que droga � essa?"
Sua voz estava muito sutil...
para o rock arrasador e pesado que o Sabbath faz.
N�o faz sentido. Deveriam ter usado Kylie Minogue!
E sa�mos em turn�, a famosa turn�...
que inclu�a Stonehenge.
"Algu�m tem alguma id�ia para o cen�rio?"
Todos resmungamos: "algo a ver com a terra."
Geezer disse: "Stonehenge."
O cara disse: "�tima id�ia. Como voc� a visualiza?"
Geezer respondeu: "Em tamanho natural, � claro!"
Quando essa coisa apareceu da primeira vez...
dissemos: "Onde vamos colocar isso?"
N�o conseguir�amos ergu�-la...
na maioria dos palcos do mundo, o que acabou sendo o caso.
A Stonehenge em tamanho natural foi a primeira...
de uma s�rie de surpresas tipo "Spinal Tap"...
que o empres�rio, Don Arden, reservava para a banda.
A pr�xima foi um pouco menor.
Ele disse: "Quero apresent�-los a um cara."
Era um cara com uma roupa de borracha vermelha e olhos...
"Que diabos!" Era o beb� da capa do �lbum "Born Again".
Que apareceu no topo de Stonehenge...
dublando o grito de um beb�...
com efeitos de flange, ou em fase, como diziam.
Ele subia e corria pelas colunas menores...
que tinham uns quatro metros e meio de altura.
Ficamos parados l�, pasmados...
enquanto esse an�o retorcido surgia no centro...
e ca�a em uma pilha de colch�es ao som ecoante de um grito de beb�.
Depois pulava no palco e seus olhos se acendiam.
Essa era a deixa para que os roadies sa�ssem vestidos de druidas...
com seus capuzes, correntes, longas t�nicas...
e os Reeboks aparecendo por debaixo delas.
Eles caminhavam soturnamente em prociss�o pelo palco...
ao som baixo de um sino.
Nessa altura, dever�amos entrar e abrir o show.
Eu estava morrendo de rir. Que rid�culo!
Don disse: "N�o, a mo�ada vai adorar.
Voc�s n�o entendem nada de espet�culos." � verdade.
Pode imaginar o que a equipe achou...
pois eles o detestaram intensamente.
Era um astro, um dos caras em "Guerra nas Estrelas".
Eles odiaram, ent�o fizeram de tudo.
Colocavam-no em caixas e o dependuravam no palco. Era horr�vel.
Com certeza, "Spinal Tap".
lan n�o usava couro como os outros caras...
ent�o ele pegou um cobertor, fez um buraco nele...
e o vestiu. Sua roupa era essa.
Eu tive muita dificuldade em decorar algumas letras do Ozzy.
Elas n�o entravam na minha mente.
Ent�o coloquei as letras em pl�stico dentro de uma pasta.
Treinei passar as p�ginas com os p�s na cozinha da minha casa.
E funcionou muito bem.
Ent�o era tudo parte do plano.
come�amos o show e o beb�, com a fantasia...
o an�o, come�ou a engatinhar.
Est�vamos observando das laterais do palco e o p�blico estava...
"Estou mesmo vendo isso?"
O an�o chegou ao centro, atr�s da bateria...
e caiu de costas, como deveria.
Os sinos come�aram a tocar, os druidas apareceram...
mas o grito n�o parava.
Era real, pois algu�m tinha tirado os colch�es.
Est�vamos chorando de rir. Seria dif�cil entrar e fazer o show.
Percebi que era minha vez de entrar e cantar.
N�o me lembrava do primeiro verso da primeira m�sica. Era demais para mim.
N�o estava preparado para uma parede de gelo seco chegando aos ombros...
emitida mais r�pido do que eu caminhava.
Dei um pulo, mas mesmo assim ela me envolveu.
Estava envolto at� os ombros em gelo seco...
encarando uma plat�ia que assistia a tudo.
Seu cabelo estava ca�do e ele fazia assim...
tentando ver as letras.
Minha nossa!
A essa altura, as luzes do palco foram acesas e me cegaram.
Eram embutidas no palco.
Consegui ler o primeiro verso, me erguer e cantar...
mas n�o sabia o segundo, ent�o me abaixei de novo.
A turn� esgotada continuou pelo resto do ano...
mas f�s do Sabbath e do Purple dificultaram as coisas para lan.
� muito dif�cil liderar outra banda de sucesso...
e cantar suas m�sicas.
Achei que ele se saiu muito bem.
Perten�o ao Purple, e n�o ao Black Sabbath.
Ozzy pertence ao Black Sabbath.
Para o p�blico, funcionava assim.
N�o se pode fugir disso.
Simplesmente voltei para onde pertencia. Era o destino.
REUNI�O DO PURPLE TOMA FORMA
Apesar de antigas tentativas fracassadas de reuni-los, Gillan se recusava a desistir e tentou de novo em 1983.
Dessa vez, fizemos uma reuni�o...
e me certifiquei de que lan ficaria s�brio.
Pelo menos at� que discut�ssemos o caso adequadamente.
Sim, eles se juntaram de novo.
No in�cio de 1983, ele veio at� minha casa.
N�o sabia que ele sabia onde eu morava.
Ele chegou, bateu � porta...
quase como que pedindo uma x�cara de a��car.
Mas foi: "Gostaria de reunir a banda?"
Disse que era uma �tima id�ia, mas quis saber sobre Blackmore.
lan disse: "Ele concordou."
Concordamos que ir�amos para algum lugar secreto...
e tentar�amos ver se seria poss�vel recapturar um pouco da m�gica.
Se n�o funcionasse, n�o ligar�amos...
se n�o consegu�ssemos fazer m�sica de novo.
Fomos para Stowe, em Vermont, alugamos uma casa...
o equipamento apareceu e, em minutos, no por�o...
havia lenha na lareira e todos est�vamos improvisando.
O som era �timo.
Todos faziam...
A eletricidade no ar sobre o que seria poss�vel era �tima.
Todos chegaram com um sorriso, inclusive o homem de negro.
Ele chegou com um sorriso e apertos de m�o...
e as possibilidades se abriram diante de n�s.
N�s nos tornamos uma parceria de novo.
N�s nos descobrimos, ap�s anos de separa��o.
Nessa altura, tudo era perfeito.
Eu me lembro de pensar: "Como ser� quando estiverem na mesma sala?"
Vai ser dif�cil.
Mas podemos deixar nossas diferen�as de lado pelos motivos certos.
Os incr�dulos... "O destino nos reuniu."
"N�o, foi o gerente do banco!"
N�o estava muito preocupado com Ritchie.
Achava que ele tinha amadurecido, como eu.
N�o imaginei que sua mente n�o estaria no lugar certo.
Lembro-me de comprar o disco em vinil.
Lembro de colocar a primeira faixa, "Knocking At Your Back Door"...
ouvir a introdu��o com o tema de "Tubar�o"...
e pensar: "lsso � bom."
N�o houve diferen�as de opini�o musicalmente...
socialmente, pessoalmente.
Tudo estava dando muito certo.
Gillan era o bobo da corte.
Ele era muito engra�ado.
Chegou com um agasalho folgado, se sentou e pegou uma bebida.
Muito quieto. E se mexia assim. "Que diabos!"
Colocou a m�o dentro da cal�a e tirou um livro.
"Espere a�. O que � isto?" Parafern�lia!
No final, tirou um candelabro! Estava cercado desse lixo.
O pub inteiro estava quase caindo de tanto rir.
Mas o candelabro foi �timo! Enorme! Era assim.
Foi como ver um show de m�gica.
As grava��es foram filmadas por Bruce Payne, empres�rio do Purple.
Naquela �poca, ele tinha adotado a postura...
de fazer o m�ximo poss�vel na vida pelado.
"Quer vir beber algo?" "Sim." E voc� ia at� l�.
L� estavam o Sr. e a Sra. Gillan pelados na sala. "Entre!"
"Oi!" Sabe? "Oi."
Muito divertido. lsso assustou muito Blackmore.
Ele n�o chegava perto. "Est�o sem roupa!"
Muitas vezes, Ritchie fazia uma refei��o tranquila no restaurante...
lan Gillan entrava sem cal�a ou outra coisa...
lan andava a mil por hora nos anos 80.
Era louco, brilhante e imensamente, doloridamente engra�ado.
O que afetou um pouco suas apresenta��es.
Algumas noites, ele aparecia enfurecido...
� medida que o ano se passou e chegamos a 1986.
O �lbum saiu bem.
BRUCE PAYNE, EMPRES�RIO DO PURPLE
Havia probleminhas entre Ritchie e lan, mas nada assustador.
mas quando a turn� come�ou, ficou mais relaxado.
Os neg�cios e as vendas iam bem...
faz�amos dois ou tr�s shows quando esper�vamos fazer s� um...
o tempo foi passando e Ritchie ficou mais dif�cil.
lan estava mais chateado por Ritchie estar sendo dif�cil.
"The House of Blue Light" n�o recapturou a velha m�gica.
Apesar de bem compostas, faltava a elas o esp�rito da banda.
Foi tamb�m um �lbum menos confort�vel de se fazer.
Um sistema de comunica��es bastante peculiar foi estabelecido.
Se algu�m tivesse algum inc�modo ou coment�rio construtivo...
ou qualquer coisa que normalmente...
teria sido assunto para uma conversa entre o grupo...
em nome de n�o causar problemas...
n�o seria passado diretamente entre n�s.
Era passado a Bruce Payne...
que tornou seu trabalho mais maquiav�lico que necess�rio.
"The House of Blue Light" n�o empolgou...
mas no palco, a banda ainda era uma das melhores no mundo.
A turn� foi bem...
at� o momento em que, nos EUA...
eu me esqueci em que cidade, talvez San Antonio...
Ritchie jogou a guitarra para o alto e esqueceu onde a jogou.
Ela caiu e quebrou seu dedo. Foi o fim da turn�.
E foi o fim.
Perguntei a Rog: "Quer fazer um �lbum?"
Ele respondeu: "Acabamos um." Eu disse que n�o estava satisfeito.
Fomos imediatamente para Montserrat...
e gravamos "Accidentally On Purpose", que foi muito satisfat�rio.
Um dos meus discos favoritos de todos os tempos.
Foi a primeira vez que consegui fazer um disco inteiro...
com meu companheiro de longa data, Roger Glover...
o primeiro a me inspirar a compor...
e com quem toquei em bandas por muito tempo.
Quando voltamos a trabalhar em um novo disco, estava acabado.
T�nhamos nos fragmentado.
Ritchie n�o queria trabalhar com lan, lan n�o queria trabalhar com Ritchie.
Voltou � hist�ria de 1973.
Voltamos a Stowe, em Vermont.
N�o produzimos muito. O clima era terr�vel.
N�o preciso dizer que n�o sou santo.
Perdi interesse no que acontecia e passei mais tempo no pub.
Digamos que lan estava mais parecido consigo mesmo
e o Sr. Blackmore estava um pouco mais parecido consigo mesmo.
Eles nunca foram pr�ximos pessoalmente...
mas estavam se afastando.
lan nunca se comporta bem. Nunca o vi se comportar!
Certamente n�o se comportou na �poca. Era um festeiro.
Mas �...
N�o sei se vem de uma falta de atitude profissional.
Se voc� n�o gosta de seu companheiro de brincadeiras...
a tend�ncia � passar para outra coisa.
Em seu caso, tornar-se festeiro.
Havia motivo suficiente...
para que o resto da banda estivesse irritado com ele.
Foi muito parecido em 1973.
Nada parecia correto.
Para al�m dos indiv�duos, o esp�rito coletivo da banda n�o era feliz.
Talvez se devesse ao fato de que Ritchie come�ava a...
assumir o controle.
Ritchie � um cara esperto.
� um homem paciente. N�o tem pressa para conseguir o que quer.
Mas �s vezes voc� se v� em uma situa��o dif�cil...
e n�o sabe como foi parar l�.
lan sabia que aconteceria antes de n�s, e n�o estava feliz.
Houve muita press�o...
para que a m�sica seguisse novamente em uma dire��o...
que para mim, n�o tinha suas bases no blues.
Ou que fosse o tipo de rock que eu entendia.
Ritchie convocou uma reuni�o e disse: "N�o posso trabalhar mais com lan.
A m�sica n�o est� acontecendo. As can��es n�o est�o aparecendo."
E ningu�m poderia discordar.
Eu disse: "D�-me tr�s dias.
N�o posso aceitar isso...
mas se eu n�o aparecer com uma m�sica em tr�s dias, com lan...
vou me unir a voc�s."
Basicamente, foi o que aconteceu.
Jon, Paicey e Ritchie desapareceram sem falar uma palavra com lan.
lan n�o sabia o que estava acontecendo.
Eu me lembro que ele disse: "Para onde foram todos?" Disse que n�o sabia.
Ele disse: "N�o se despediram."
Durante tr�s dias, tentei de verdade. ld�ia ap�s id�ia, letra ap�s letra...
tentei fazer alguma coisa, mas no final, n�o conseguimos fazer uma m�sica.
ent�o, de modo relutante...
me encontrei com os outros que perguntaram se conseguimos. "N�o."
E foi assim.
lan recebeu a liga��o: "voc� n�o est� mais na banda."
Uma situa��o triste.
Todos concordamos. Cometemos um erro. N�o dever�amos ter aceitado.
Quando chegou a uma situa��o de "ele ou eu"...
n�s tr�s dever�amos ter tido a coragem de dizer: "N�o.
N�o ser� voc�, nem lan, que dar�o as cartas.
H� cinco pessoas nessa banda."
Dever�amos ter dito: "Espere uns tr�s ou quatro meses.
Vamos parar agora.
Vamos dar a todos a chance de respirar e sermos n�s mesmos de novo."
Mas pela segunda vez em nossas carreiras, n�o fizemos isso.
E dos dois males...
Ritchie parecia ser o menor.
Pensando bem, talvez fosse o mais perigoso.
Podemos facilmente dizer que foi minha culpa e n�o discutirei.
� claro que me defenderei dizendo que n�o queria liderar a banda.
N�o queria dominar a banda...
ou fazer nada al�m de dar a chance de todos expressarem sua opini�o...
como acontecia no in�cio.
Pode pensar: "� f�cil para lan Gillan dizer isso...
mas ele quer que a banda se baseie em blues e rock...
e n�o que siga a dire��o da id�ia de Ritchie...
que se tornou o Rainbow."
N�o era uma boa id�ia para mim.
Liguei para ele uma semana ap�s ter recebido a liga��o do empres�rio...
e disse: "N�o consegui evitar...
mas n�o quero perder sua amizade."
Ele disse: "tamb�m n�o quero perder a sua."
Eu disse: "Ficarei em contato, mas n�o podemos falar do Purple."
Todos desempenhamos um papel nisso.
S� acho que Ritchie foi o �nico que teve a coragem de dizer...
"Ou ele ou eu."
Eu n�o tive. Disse que as coisas tinham de mudar. N�o oferecei minha ren�ncia.
Quando lan decidiu sair em 1973, foi uma decis�o tomada por ele.
Quando o caos aconteceu no final dos anos 80...
n�o precisava ter acontecido.
Era muito mais f�cil substituir uma guitarra do que uma voz...
como tamb�m uma bateria ou um tecladista.
A voz, por natureza, � �nica.
Precisa saber o que tem e defend�-lo.
N�o demorou para que lan sacudisse a poeira e formasse outra banda.
O pr�ximo �lbum estava repleto de letras mordazes.
Acho que ele tinha de passar por essa experi�ncia.
Quando voc� relembra a vida deles...
foi algo talvez inevit�vel.
Ser despedido talvez o tenha balan�ado...
mas tamb�m o estimulou.
Foi bom para ele passar direto daquela situa��o...
para outra de composi��o criativa comigo.
Foi como dizer: "Azar seu. Vou fazer isso."
lsso transparece em algumas das letras.
Prosseguiu com bandas e turn�s. Excursionou por toda a R�ssia.
Para ele, foi bom fazer isso.
Em retrospecto, dizem que as coisas n�o acontecem sem motivo.
Acho que foi um resultado positivo para ele.
tr�s anos desastrosos para o Deep Purple.
Fizemos um �lbum com um cantor que n�o dever�amos.
N�o era a id�ia que as pessoas tinham do Deep Purple.
Al�m disso, Ritchie estava se tornando muito poderoso...
em sua dire��o musical.
lan foi o primeiro roqueiro ocidental a fazer uma turn� abrangente...
nos pa�ses da Cortina de Ferro.
O primeiro show foi no Moscow Olympic Stadium. Casa cheia.
Na frente do palco, a KGB...
encarava a plat�ia com cassetetes.
N�o havia banda de abertura. Nenhuma m�sica de in�cio.
Entramos e abrimos com "Black Night".
Todo mundo enlouqueceu.
Enquanto o baterista fazia...
o pessoal do cassetete balan�ava a cabe�a ao ritmo da bateria. Hil�rio!
Loucura. Loucura absoluta.
No final, o poder da multid�o venceu.
Embarcamos em uma turn� pelas rep�blicas.
Pelos pa�ses do Pacto de Vars�via e os estados b�lticos. Foi incr�vel.
Alguns nunca ouviram falar do Deep Purple.
S� sabiam que um artista do Ocidente...
excursionava por lugares jamais visitados por outro artista ocidental.
Vilas inteiras apareceram em alguns est�dios de futebol.
Conheciam lan do Deep Purple...
mas tamb�m de "Jesus Cristo Superstar".
Estava em suas mentes tanto quanto o Deep Purple.
Foi inacredit�vel. Era como a chegada do Messias.
Dormindo profundamente � noite, em um clima quente, deitado nu...
senti uma presen�a.
Meu cabelo era longo na �poca. Abri meus olhos...
e minha cama estava cercada de velhinhas...
m�es e crian�as.
Umas oito me encarando.
De repente, percebi que a babushka que tinha a chave de todos os quartos...
ouviu algo sobre eu ter sido o primeiro Jesus Cristo...
o que provavelmente foi mal traduzido!
Fui o primeiro Jesus Cristo em "Jesus Cristo Superstar".
ent�o acharam que eu era Jesus de verdade...
pois a religi�o n�o era importante l�. Vieram s� para dar uma olhada.
E foi um momento e tanto.
A turn� grandiosa levou lan � Arm�nia...
pouco depois do terremoto devastador...
que matou dezenas de milhares de pessoas.
Conheci uma senhora que tinha perdido todos os membros da fam�lia.
Estava chorando, ainda confusa.
lan organizou um disco beneficente para ajudar as pessoas.
Foi dif�cil reunir aquelas pessoas.
Lembro que Bryan Adams estava passando pelo est�dio naquele dia...
e lan o agarrou e o puxou para dentro!
"Live Aid Armenia" foi o disco mais vendido...
desse tipo no Reino Unido.
"The Battle Rages On". Nada mais verdadeiro.
Ap�s um curto per�odo com Joe Lynn, fomos conversar com Ritchie...
"S� continuaremos depois que lan voltar para a banda."
S� h� um cantor para ela, e � lan Gillan.
Ele � a voz do Deep Purple. � o que faz as can��es funcionarem.
O que, � claro, apresentou dois problemas.
Como faz�-lo voltar para uma banda que acabara de despedi-lo?
Como convencer o guitarrista?
Era mais ou menos o come�o de... Um ano a 18 meses...
de manobras pol�ticas terr�veis...
tentando trazer lan Gillan de volta � banda...
Ritchie recusando, tentando outros cantores, n�o saindo do lugar.
lan estava ocupado montando sua nova banda, Repo Depot...
com o ex-guitarrista do T'Pau, Dean Howard, e Lenny Haze, do Y&T...
mas lan suspeitava que o Depot estava sendo alvo de sabotagem.
De repente, shows eram cancelados. Algo acontecia...
para tornar minha carreira um pouco mais dif�cil.
Nem tudo nesta vida � positivo.
Descobri a sabotagem e fiquei com muita raiva.
Mas o motivo era me colocar em uma posi��o de fraqueza...
para que eu voltasse de bom grado ao Deep Purple...
mas disse que preferia cortar minha garganta.
A press�o para trazer lan de volta para o �lbum dos 25 anos foi imensa.
Seu empres�rio, Phil Banfield, amea�ou sair se ele n�o aceitasse.
No final, lan cedeu e concordou em voltar.
Aluguei um est�dio e fui trabalhar com ele por tr�s dias...
na m�sica que n�o consegui criar antes de ele sair da banda.
Ritchie me ligou uns dois dias antes de eu partir.
N�o estava em casa. Recebi o recado.
E Ritchie n�o ligou de volta.
Da� liguei para Bruce imediatamente e disse: "Ritchie me telefonou!"
E ele: "Sim, para dizer que n�o se desse ao trabalho.
Nunca permitir� que lan volte � banda."
Eu disse: "N�o recebi a liga��o. Vou para o est�dio. Tenho de ir."
Passamos tr�s dias em um est�dio em... Cookham.
The Mill.
Criamos tr�s m�sicas e fizemos demos de todas elas.
Eu disse: "Quando faremos o resto do �lbum?"
E ele: "Tenho de enviar a eles para que aprovem."
Foi quando descobri.
"Est� brincando? Estou fazendo um teste?" Foi isso.
Voltei para os EUA e as enviei.
Todos ficaram muito contentes.
Ritchie disse: "N�o acredito que querem trabalhar com ele de novo."
Houve muitas decis�es e negociatas para trazer lan de volta.
Nada que algu�m se disporia a declarar em um tribunal...
mas lan voltou � banda e Ritchie n�o se op�s.
No final, recebi uma liga��o de Bruce.
"Ritchie disse que aceitar� lan de volta se ele modificar uma m�sica."
Certo!
N�o, Ritchie n�o me deu uma faca e disse: "Cumpra com sua promessa."
S� foi... dif�cil. E a batalha correu solta.
�quela altura, o racha roqueiro lan Gillan/Ritchie Blackmore...
j� tinha se tornado lend�rio.
Eu me sentei com lan e tivemos uma conversa bem longa...
sobre como lidar com tudo dessa vez.
E algumas d�cadas depois, � claro...
esperava que estivesse um pouco mais maduro e razo�vel.
O melhor a fazer seria ignor�-lo.
Estava pisando em ovos.
Ambos perceberam que t�nhamos um trabalho a fazer...
terminar o �lbum.
E houve um...
Eles conversavam, mas era tudo muito correto e...
Havia uma dose de respeito.
Foi feito sob circunst�ncias estranhas.
Algumas faixas foram feitas quando Joe Lynn ainda estava na banda...
mas lan chegou e as refez.
Algumas estavam no tom errado.
Mas ele deu uma consertada �tima.
De todos os �lbuns que j� fiz...
foi o melhor conserto que consegui.
Restos de uma banda e uma ex-banda com restos de algumas m�sicas.
E de alguma forma, juntamos tudo e fizemos "The Battle Rages On".
N�o � um �lbum ruim. N�o foi inovador, mas o fizemos.
Mas foi no palco que rapidamente ficou claro...
como o racha entre Ritchie e lan era profundo.
Quando come�amos a excursionar, nas primeiras turn�s...
lan fazia o poss�vel para ir ao quarto de Ritchie e ser cordial.
"Voc� tocou muito bem hoje, Rich."
lsso me dava um pouco de prazer, pois eu sabia que o irritava.
lan � famoso por esquecer as letras em apresenta��es.
Ent�o ele inventa. A cada noite, uma letra diferente. E da�?
lsso enlouquecia Ritchie!
A gente chegava a uma parte que lan poderia esquecer...
e Ritchie dizia: "N�o vou tocar." "Ent�o n�o vou cantar!"
E a gente: "L� vamos n�s de novo!"
Em arenas, toc�vamos com lota��o de 40%.
A l�gica de Ritchie era de que dever�amos fazer 40% do show...
punindo os 40% que apareceram.
"Se n�o aparecerem, n�o tocarei."
Ele disse que n�o deu um bis em Gothenburg...
porque o p�blico foi horr�vel em Estocolmo.
N�o fez sentido para ningu�m.
Era o tipo de ego trip pela qual ele passava.
Tudo culminou numa guerra de comida depois de um show na Filad�lfia.
Muito "rock and roll"!
� a parte faroeste-espaguete da carreira do Deep Purple.
Algu�m, e n�o foi lan Gillan, encheu o prato de Ritchie...
de espaguete e muito ketchup... Muito molho.
Ele percebeu e achou que tinha sido eu.
Acredito que foi lan. Ningu�m teria feito isso.
� claro que Ritchie se enfureceu e imediatamente achou que foi lan.
Ritchie entrou pisando forte...
Foi direto � mesa e acho que n�o disse muito.
"Voc� se acha engra�ado, certo?"
E jogou na cara do lan.
Jogou o prato bem na minha cara.
Fiquei coberto de espaguete. O prato quebrou.
Ouvi um barulho.
Gillan estava coberto de espaguete e o prato estava no ch�o.
Olhei para Paicey e Roger e pensei: "� o fim deste jogo."
Ele ficou em p� me instigando.
lan se levantou, tremendo de raiva.
Pensei: "Ele TEM de bater nele." O que mais faria?
Acho que por alguns segundos...
Ritchie correu o risco de perder a vida.
Quando se trata de viol�ncia, lan � adulto. Ritchie n�o.
Eu me aproximei dele e me preparava para estra�alh�-lo...
mas percebi... o ju�zo voltou a mim.
N�o se irrite, pois far� algo do qual se arrepender�.
Eu me virei e disse: "N�o quero acert�-lo, Ritchie."
Ele saiu e estava muito, muito calmo. Assustadoramente calmo.
Fui para a outra sala e explodi em l�grimas de frustra��o e raiva.
Foi o resultado de guardar todo esse sentimento.
Deveria naturalmente se virar e s�...
Eu adoraria ter quebrado o nariz dele.
Ou algo igualmente doloroso.
Se ele tivesse reagido como sempre fazia e revidado...
coisa que ele tinha todo o direito de fazer, teria sido o fim.
Foi autocontrole magn�fico.
Meses depois, ele quase se desculpou, mas nem tanto.
Aceitou o fato de que n�o tinha sido eu.
Mas n�o se desculpou.
Se quiser, o incidente do espaguete deveria ser...
Ritchie rasgou seu visto para o Jap�o e saiu.
Deixou a turn� em Helsinki.
Ritchie desistiu 100% porque n�o queria trabalhar com lan.
N�o sei se ele se arrependeu ou n�o...
mas na �poca, foi o motivo.
Jon Lord, eu, lan Paice e Roger Glover est�vamos sentados...
como fazemos de vez em quando...
com as m�os na cabe�a dizendo: "E agora?"
Ficou muito claro que s� havia duas op��es: desistir ou prosseguir.
E naquela noite, tomamos a decis�o...
de que continuar�amos sob qualquer circunst�ncia.
Acho que talvez ambos tenham se irritado um com o outro, mas...
vejo lan como a parte que saiu ligeiramente mais magoada.
Mas n�o quero que pensem que...
N�o quero que pare�a que coloquei toda a culpa em Ritchie.
Ainda tenho muito respeito pelo Ritchie...
e sua contribui��o para o rock ainda n�o foi totalmente percebida.
Ele � um guitarrista impressionantemente bom.
Um guitarrista fant�stico. Maravilhoso.
Maravilhosa...
articula��o. Um �timo timbre. Mas muitos problemas.
N�o sei o que teria acontecido � banda se eles fossem amigos.
Onde estar�amos? N�o teria sido do mesmo jeito...
mas ter�amos conquistado o mundo!
Eu estava em casa quando meu empres�rio ligou e disse...
"Tenho uma id�ia muito estranha.
O que acharia de substituir Ritchie Blackmore no Deep Purple?"
Respondi: "N�o me ligue com id�ias malucas!" E desliguei.
N�o conseguia esquecer que tocaria com uma das minhas bandas preferidas.
Liguei de volta e disse: "Avisou que recusei?"
"N�o, est�vamos esperando por voc�."
Filmagem Pirata
Sou o f� sortudo que teve a chance de entrar para a banda.
E me senti muito bem...
por n�o estar dando continuidade �quelas coisas negativas.
No m�ximo, eles pensavam que eu estava feliz demais.
Como sempre, o primeiro show foi muito empolgante.
Nunca se sabe o que vai acontecer.
Cheg�vamos ao final e era a vez de "Smoke On The Water".
At� ent�o, eu tinha sido profissional, mas comecei a pensar.
A vozinha em minha mente disse...
"L� est�o lan Paice, Roger Glover...
Jon Lord e lan Gillan. Meu Deus! Estou tocando com o Deep Purple.
E estou prestes a tocar "Smoke On The Water"...
a m�sica que todo guitarrista toca...
de olhos fechados, imaginando que est� no Deep Purple."
N�o sei quanto tempo se passou...
mas enquanto meu sonho acabava e eu voltava � realidade...
lan estava ao meu lado, sorrindo casualmente.
"Quando estiver pronto, Joe."
Joe fez o resto da turn� conosco e foi fenomenal...
mas tinha compromissos e n�o podia...
Tinha de fazer um disco, uma turn� programada, coisas assim.
Se tiv�ssemos continuado juntos, ter�amos perdido o pique...
e talvez tiv�ssemos de esperar um ano para fazer algo com Joe.
Na �poca, um ano era muito...
ent�o tivemos de tomar uma decis�o quanto a um substituto permanente...
e foi a� que Steve Morse entrou.
N�s o escolhemos por causa de seu trabalho com o Dixie Dregs.
E... sua m�sica � muito l�rica.
Ele � o t�cnico completo...
mas se voc� n�o encaixa esse talento e per�cia em um grupo de pessoas...
n�o tem sentido, como j� hav�amos descoberto.
Morse fora votado melhor guitarrista do mundo 5 anos seguidos...
mas a press�o tamb�m o pegou.
Atrapalhei um dos arranjos.
Entrei cedo demais em um solo, ou o terminei cedo, algo assim.
A banda incorporou a mudan�a. Pensei: "Legal.
V�o mudar o arranjo."
Mas lan disse: "Muito bom, Steve."
Diante de 15.000 pessoas! "O que acha de improvisarmos em sol?"
"Opa! �!"
Todos riram na banda e fizemos a parte que pulei.
Para um primeiro show ir t�o bem, algo m�gico estava acontecendo.
E tem sido a coisa mais f�cil do mundo...
subir ao palco e me divertir com eles.
n�o d� trabalho algum.
come�amos a trabalhar em "Purpendicular".
E foi �timo.
Houve um clima ador�vel, revigorante e feliz.
Muito disso se deveu a Steve Morse...
mas muito se deveu a lan Gillan e sua...
sua disposi��o de tentar de tudo.
lan Gillan obviamente � um homem que gosta de desafios...
como enfrentar George Best no futebol...
mas aparecer com Luciano Pavarotti e cantar "Nessun Dorma"?
Quando me disseram que o Deep Purple iria...
cantar "Nessun Dorma" comigo, "voc� est� bem hoje?" "Sim."
"Tem certeza de que ele vir� cantar "Nessun Dorma"?"
"Sim." "Bom, veremos."
"Nessun Dorma" � a pe�a mais dif�cil em meu repert�rio.
lmaginar uma pessoa t�o doce...
e um m�sico t�o belo...
em um campo fora de sua �rea...
tentando se matar...
Pois eles j� fizeram isso. Muitos j� fizeram isso antes.
Pensei com meus bot�es: "Ou esse cara � um g�nio...
ou � completamente louco."
Obviamente, ele � um g�nio.
Ficar frente a frente...
a um dos maiores tenores dos �ltimos 50 anos...
cantando a can��o que definiu esse cantor... Seu hino, por assim dizer.
Achei que lan saiu-se muito bem. Uma tentativa brilhante.
Achei que foi divertido, com certeza.
tamb�m corajoso.
E como disse antes, eles me chamam de Desafiador na minha profiss�o...
ent�o ver outra pessoa fazendo o mesmo, com tamanho nome...
e se colocar sob os holofotes, sim, sim, eu me diverti muito.
Sempre que explico aos jovens como cantar...
digo que mesmo se gritarem, fa�am-no educadamente...
ao gritar a algu�m que est� longe, mas que o fa�am educadamente...
e por isso � t�o dif�cil...
ter �xito, alcan�ar o efeito.
Muito estudo.
Poucos roqueiros t�m coragem de cantar "Nessun Dorma" com Pavarotti.
lan cantou duas vezes, a segunda com Don Airey.
DON AIREY, TECLADOS
� preciso muita aud�cia. lan conseguiu. E transmitiu sua pr�pria identidade.
N�o tentou ser um cantor de �pera. E o fez de maneira incr�vel.
N�o me lembro de ter ficado mais impressionado.
Esse ser humano � muito, muito especial.
E quando ele aparece...
n�o quero dizer que ele esteja perdendo esse tipo de charme.
Ele mant�m o charme e acrescenta um toque de tigre...
que � t�pico de um artista.
Em 2006, lan Gillan comemorou 40 anos de rock.
"Rapture of the Deep" fez tanto sucesso quanto "Perfect Strangers".
ENSAIOS ANTES DA TURN� LONDRES, 2006
Ele era a pessoa menos criativa que conheci...
BAIXO, DEEP PURPLE
...e agora, para mim, � um guru em termos de criatividade.
Dou minha aprova��o.
Ele se tornou maior do que imaginei h� 40 anos.
Roger � o mais pr�ximo que j� tive de um irm�o durante os anos.
Digo isso sem querer ofender meus outros amigos...
mas passamos por muito, pessoalmente e profissionalmente.
Estamos em igualdade quanto a fazermos a linha de frente da banda.
Ele aparece e � imposs�vel desgrudar os olhos.
GUITARRA, DEEP PURPLE
N�o conhe�o ningu�m com tanta paix�o pela m�sica.
Ele vive para ser cantor do Deep Purple. � toda sua vida.
Quando sobe ao palco, todos na plat�ia sabem disso.
Exceto os cr�ticos. N�o, estou brincando! Corta.
BRUCE PAYNE, EMPRES�RIO DO DEEP PURPLE
Ele se diverte e canta melhor agora do que quando tinha 25 anos.
� uma fera do rock.
N�o h� outro jeito de descrever. Um animal do rock.
� nosso her�i, � claro. Precisamos de lan Gillan em nossas vidas.
Quando ele canta uma hist�ria, voc� acredita nela...
e poucos cantores conseguem passar isso...
conseguem faz�-lo crer que cantam de acordo com suas experi�ncias.
E tamb�m faz aquilo...
gritar como ningu�m. Como nenhum outro!
Para mim, � o melhor em gritos altos.
� dif�cil descrever o que significam, mas sabemos que precisamos deles.
Precisamos de um cara grande e forte para se erguer e gritar intensamente!
Ele � �nico. S� h� um lan Gillan.
Ele chega ao microfone e canta um verso de primeira.
� muito legal.
lan est� cantando melhor do que nunca e eles, tocando como nunca.
Est�o felizes e descansados. Podemos ver sorrisos em seus rostos.
S�o uns velhinhos ador�veis se divertindo agora!
Ele � uma das pessoas mais �nicas, talentosas...
e inteligentes que j� conheci.
S�o adjetivos t�o gen�ricos que n�o o descrevem bem...
a menos que ele esteja presente e voc� veja a intera��o.
O melhor que posso dizer � que ele � meu amigo...
e isso � melhor do que tudo.
Estamos falando agora de um cara que � um superastro.
Aceito as pessoas como as vejo. E o vejo como um cara legal.
Para mim, � o que importa. Eu o vejo como um amigo.
DON AIREY, TECLADOS
A maioria dos cantores perde a voz ao chegarem aos 60...
e t�m de declamar...
mas parece que lan encontrou uma nova voz, algo mais a dizer.
Vai continuar cantando at�... at� cair.
N�o o vejo parando agora.
N�o com a determina��o que tem agora.
Ele � Peter Pan. N�o parece aceitar o fato de que voc� envelhece.
Ele est� fant�stico e canta como um sonho.
N�o sei o que est� tomando, mas quero 50% do mesmo.
Algumas das coisas que ele deixou para tr�s nos anos 70...
sobreviver�o como guias...
do que � poss�vel fazer com a voz humana no rock'n roll...
se voc� tiver a coragem, for�a...
e vontade de se divertir.
Ele proporcionou muito prazer...
a muitas pessoas, e n�o se pode discordar disso.
� algo incr�vel.
Em v�rios aspectos, � imposs�vel copi�-lo.
N�o se pode copiar o que ele faz. � �nico. � um dom.
� algo que lutamos para ter.
"Voc� n�o consegue me copiar."
Ele pode ter gritado pela estrada do rock...
por quatro d�cadas...
mas com certeza n�o est� pronto para pendurar o microfone ainda.
Quarenta anos � demais, n�o �? � simplesmente...
E temos mais planos.
lsso � que � empolgante.
Seria bom encarar os pr�ximos dois, tr�s, quatro anos...
como repletos de romance e aventura.
E m�sica.
EM MEM�RIA DE GEORGE BEST
- Algo mais? - Nada mais sobre o imbecil.
Desculpe!
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