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Nosso Universo.
Admir�vel e desconcertante.
De explos�es estelares colossais
aos estranhos movimentos de min�sculas part�culas,
cada nova descoberta parece revelar
outra camada de mist�rio.
O conhecimento do mundo � nossa volta levou-nos
da Idade da Pedra � Idade do Sil�cio.
Hoje, as r�gidas leis da f�sica est�o ruindo.
O que acreditamos ser realidade pode n�o ser real.
O futuro da humanidade depende de descobrirmos...
como o Universo realmente funciona.
ATRAV�S DO BURACO DE MINHOCA
Espa�o,
tempo,
a pr�pria vida.
Os segredos do cosmos atrav�s do buraco de minhoca.
COMO O UNIVERSO FUNCIONA?
MUSKETEERS Otoni e Kakko
Imagine a exist�ncia
como uma enorme teia na qual estamos tran�ados,
mas que n�o podemos ver a sua completude.
S� vemos a �rea na qual estamos.
N�o podemos ver a completude da realidade.
Mas e se pud�ssemos ver tudo?
E se pud�ssemos compreender
como a completude da cria��o se forma?
As recompensas em encontrar essa equa��o seriam enormes,
uma revolu��o na ci�ncia
maior que qualquer outra precedente,
um grande avan�o
que ir� transformar a vida na Terra
e assegurar nossa sobreviv�ncia como esp�cie.
Mas que esperan�a temos n�s, meros mortais,
em descobrir os segredos ocultos do Universo,
de conhecer a mente de Deus?
Eu me lembro do meu primeiro dia de aula,
o dia em que eu come�aria a aprender sobre o mundo
e seu funcionamento.
Cheguei a uns 18 metros da escola,
e ent�o parei.
Que esperan�a tinha eu de compreender tudo ou algo?
Minha mente hesitou.
Voltei correndo para casa.
Eu me indago se os cientistas se sentem da mesma forma.
H� muita coisa que n�o sabemos sobre o porqu�
o Universo funciona da forma que funciona.
Imagine tentar jogar xadrez sem conhecer as regras.
Poder�amos descobrir alguns movimentos,
mas boa parte n�o faria sentido.
Mas, quando conhecemos as regras,
podemos come�ar a mover as pe�as com um prop�sito.
A ci�ncia � o nosso meio para descobrir tais regras,
e at� agora revelamos poucas delas.
Mas e se as tivermos compreendido errado?
Nas profundezas dos t�neis da Universidade Purdue,
os cientistas Jere Jenkins e Efraim Fischbach
descobriram que uma das supostas leis inquebrant�veis da f�sica
foi violada.
Come�ou com um mist�rio.
Eu vou sair, fixar apoio e receber algumas ferramentas,
ent�o ele vir� depois de mim.
Na segunda semana de dezembro de 2006,
os astronautas estavam na Esta��o Espacial Internacional.
Estavam em atividade extraveicular,
quando ocorreu uma tempestade solar.
Em raz�o de os astronautas estarem fora,
a tempestade solar foi uma boa nova.
Fiquei observando tudo, e pensei:
"N�o seria interessante se eu visse isso mostrado nos dados? "
Jenkins estuda uma poderosa fonte de energia
que n�o podemos ver mas que est� ao nosso redor.
A radioatividade.
A cada segundo do dia,
o Sol produz chuvas de �tomos radioativos.
Esses �tomos s�o inst�veis.
Eles expelem energia at� serem consumidos
em um processo conhecido como decaimento radioativo.
O decaimento radioativo devia ser um processo aleat�rio
que n�o pode ser afetado por nada.
Em dezembro de 2006, est�vamos plotando isto.
� uma linha reta delicada, que se prolonga como deveria,
mas, em 13 de dezembro, aconteceu a explos�o solar.
O decaimento divergiu de como devia ser a linha padr�o,
e divergiu por um bom tempo.
Isto representa o espa�o de cerca de quatro dias.
Parecia, ou ao menos pareceu, que algo poderia estar mudando
o processo de decaimento radioativo,
que n�o devia apresentar altera��o.
Fischbach, um f�sico te�rico,
lidou com as enormes implica��es dessa descoberta.
Saber como as part�culas radioativas se decomp�em
� essencial para a energia nuclear,
armas, produtos eletr�nicos e a medicina.
Poderia um conceito t�o uniformemente aceito
e central para a vida moderna estar errado?
A ideia de que o decaimento nuclear
n�o pode ser afetado por uma influ�ncia externa
� crucial para muitos aspectos da f�sica qu�ntica,
f�sica nuclear e das part�culas elementares,
que alter�-la representaria uma mudan�a significativa
no nosso conhecimento do Universo,
al�m de aplica��es pr�ticas.
Ainda se recompondo desse choque,
Jenkins e Fischbach descobriram outro mist�rio.
O decaimento radioativo n�o estava sendo afetado
apenas por explos�o solar.
A descarga de part�culas radioativas parece mudar
dependendo da proximidade da Terra do Sol.
Quando a Terra est� mais pr�xima ao Sol, em 4 de janeiro,
a taxa de decaimento radioativo � mais r�pida.
Quanto mais distante, mais lenta � a taxa.
Podemos ilustrar isso da seguinte forma.
Eu represento o Sol. Jere vai representar a Terra,
e o balde representa uma amostra de �tomos radioativos de r�dio.
Veremos que conforme Jere se move em uma elipse,
onde est� mais pr�ximo � Terra, em 4 de janeiro,
mais bolas de t�nis s�o expelidas.
Significa mais part�culas expelidas do que em 4 de julho.
Essa pequena altera��o num�rica
poderia ter grandes consequ�ncias.
Pacientes com c�ncer recebem doses �nfimas de radia��o
para matar suas c�lulas insurgentes.
Se a for�a de tal radia��o mudar sazonalmente,
poderiam receber uma dose muito baixa ou alta demais.
Identificar a diferen�a poderia salvar vidas.
Mas a descoberta mais importante da dupla
poderia assegurar o futuro da humanidade.
40 horas antes do momento da explos�o solar,
vimos o decaimento mudar, desviar da linha.
Ap�s a explos�o,
a taxa se recuperou e voltou ao alinhamento.
Isso nos d� a oportunidade
de prever a ocorr�ncia de explos�es solares.
Uma grande explos�o solar poderia destruir
cada um dos quase 3 mil sat�lites que orbitam a Terra.
Num piscar, perder�amos a internet,
GPS, televis�o, r�dio, telefonia
e os sistemas que controlam nossas redes energ�ticas.
Prever a ocorr�ncia de uma explos�o
poderia evitar um apocalipse global.
Se esse fen�meno for real, como acreditamos que seja,
ent�o � crucial compreender como isso ocorre
porque, sem d�vida, ser� parte do enigma maior
que temos de entender para unificar toda a f�sica.
Estamos procurando �s cegas na vastid�o do Universo,
achando que descobrimos suas verdades mais profundas,
e descobrindo que ainda temos muito a aprender
sobre as leis da natureza.
E a natureza n�o facilita as coisas para n�s.
Na menor escala da exist�ncia,
nas profundezas do mundo estranho da mec�nica qu�ntica,
ela parece ser regida por duas leis diferentes
ao mesmo tempo.
E quanto mais nos aprofundamos em seus mist�rios,
mais somos for�ados a indagar
n�o apenas como o Universo funciona,
mas se tudo � real.
A mec�nica qu�ntica transformou o mundo.
Devemos a maioria de nossa tecnologia incr�vel
�s suas explica��es de como part�culas extremamente pequenas
agem.
Mas n�s n�o a entendemos.
No mundo qu�ntico, nada parece fazer sentido.
A realidade deixa de ser... real.
Esse mist�rio � o nosso maior obst�culo
para desvendar os segredos do Universo.
Se pudermos resolv�-lo,
poderemos obter o segredo da pr�pria cria��o.
Viena, �ustria, sem d�vida, � o ber�o da mec�nica qu�ntica.
Este � o lugar onde encontraremos
o principal experimentador qu�ntico mundial,
o professor Anton Zeilinger.
Quando conheci a mec�nica qu�ntica,
quando eu era estudante,
tr�s coisas me impressionaram de imediato.
Primeiro, sua incr�vel beleza matem�tica.
Segundo, a incr�vel precis�o
de funcionamento das previs�es.
E em terceiro, pelo fato de...
n�o fazer sentido.
A mec�nica qu�ntica descreve o comportamento
de todas as min�sculas part�culas que comp�em tudo.
Esse conhecimento nos deu computadores,
energia nuclear, sat�lites, medicina avan�ada,
a maioria dos grandes avan�os da humanidade nos �ltimos 100 anos.
Mas o mundo qu�ntico parece funcionar ao contr�rio
de tudo que conhecemos sobre as leis da natureza.
Ou seja, nas escalas muito �nfimas,
o Universo segue um conjunto diferente de leis.
Consideremos o fen�meno da n�o-localidade qu�ntica,
quando duas min�sculas part�culas
compartilham instantaneamente informa��o
atrav�s de vastas dist�ncias.
Se houvesse dados qu�nticos,
significaria que se eu jogasse um dado aqui,
ele mostraria certo n�mero.
O outro dado lan�ado em algum ponto distante
mostraria o mesmo n�mero.
Como pode? A mec�nica qu�ntica descreve isso muito bem.
Sucessivas vezes, Zeilinger provou
que por mais extremas que sejam suas previs�es,
a teoria qu�ntica funciona mesmo quando n�o devia.
E, talvez, a prova definitiva
do qu�o inquietante a mec�nica qu�ntica pode ser
seja algo chamado a experi�ncia da dupla fenda.
Ela far� com que voc� questione a exist�ncia da realidade.
Este singelo sistema
dispara part�culas de luz chamadas f�tons,
um de cada vez
atrav�s duas fendas min�sculas em um anteparo.
Temos um laser que produz a luz.
Essa luz � atenuada de tal forma
que saia apenas um f�ton por vez.
Tais f�tons atravessam um anteparo com duas fendas,
e temos uma c�mera que registra o padr�o
atr�s do anteparo com duas fendas.
Vemos que os f�tons chegam
um a um no anteparo,
alguns aqui, outros ali. Parece bastante aleat�rio.
Em raz�o de os f�tons viajarem um a um,
alguns atrav�s de uma fenda, alguns atrav�s da outra,
era de se esperar que deixassem
um padr�o de duas listras na parede,
e estar�amos equivocados.
Eles misteriosamente criam um conjunto de listras.
Isto � o que esperar�amos ver se um feixe de luz constante
brilhasse atrav�s das duas fendas.
Ele se dispersaria por toda a parede como uma onda.
Como part�culas individuais de luz
podem criar um padr�o ondular?
Isso s� poderia acontecer
se elas atravessassem as duas fendas ao mesmo tempo.
Ou seja,
a part�cula est� em dois lugares ao mesmo tempo.
Mas o mais estranho de tudo � o que acontece
quando colocamos detectores pr�ximos �s fendas.
Quando os f�tons est�o sendo observados,
o padr�o ondular desaparece.
Retire os detectores, e o padr�o ondular volta.
Isso sugere que podemos mudar a forma
de como se comporta a realidade
apenas observando-a.
Ser� que isso significa que a pr�pria realidade
n�o � real?
A resposta moderna � que o trajeto seguido pelo f�ton
n�o � um elemento da realidade.
N�o temos como afirmar
se os f�tons passam por essa ou aquela fenda.
E tamb�m n�o podemos afirmar
que os f�tons passam pelas duas fendas.
Esse tipo de linguagem n�o � aplic�vel.
Vamos continuar apenas haurindo
os benef�cios da mec�nica qu�ntica
e aceitando que, no fundo,
a natureza opera com um conjunto de leis
que permanecer�o um mist�rio?
O interessante � que
temos a f�sica qu�ntica h� quase 100 anos,
e ainda estamos trabalhando a sua base.
Isso me diz que quando a descobrirmos,
ser� uma completa revela��o.
Ser� algo distinto do que pensamos.
Se os te�ricos qu�nticos tiverem raz�o,
nunca entenderemos o n�vel basilar do Universo.
Nossa esperan�a de achar uma teoria definitiva fracassar�,
e a humanidade ir� se deparar com um �bice intranspon�vel.
Mas e se estiverem errados?
E se a verdade sobre o que ocorre em nosso interior,
e no restante do Universo, existir,
se estivermos dispostos a procur�-la?
Durante a maior parte do s�culo XX,
os cientistas acreditaram que a f�sica qu�ntica
n�o poderia ser explicada,
que ter�amos apenas de aceitar que nunca saberemos
por que as coisas agem da forma que agem
nos n�veis mais profundos da exist�ncia.
Mas hoje um grupo crescente de cientistas dissidentes
acredita que pode haver uma explica��o l�gica
para a esquisitice qu�ntica
e nova esperan�a em revelar
a verdade basilar do nosso Universo.
A trilha come�a aqui...
com uma gota de silicone.
Em seu laborat�rio parisiense,
o f�sico Yves Couder e equipe
realizam uma s�rie de experi�ncias incr�veis.
Eles observam o comportamento de got�culas de silicone
saltitando com cad�ncia em uma placa vibrat�ria.
O l�quido da gota nunca toca o l�quido do substrato.
Est�o sempre separados por uma pel�cula.
De fato, � est�vel. As gotas podem saltitar
sobre a superf�cie do l�quido por v�rios dias, caso queira.
Usando uma c�mera que filma a 1.000 quadros por segundo,
Couder descobriu que essas got�culas
imitam o comportamento visto no mundo qu�ntico.
E isso n�o deveria ser poss�vel,
porque o mundo qu�ntico e o mundo em grande escala
operam com conjuntos diferentes de leis.
Contudo, vemos uma gota movendo-se aleatoriamente
como uma part�cula qu�ntica,
mas agindo como uma onda qu�ntica.
Se observamos com aten��o,
notaremos que a onda parece estar guiando a gota.
Os campos de onda ao redor das got�culas
desenvolvem uma mem�ria das trilhas que seguiram.
Apesar do seu comportamento aleat�rio,
elas seguem um n�mero pequeno de trajetos.
Repito, isso � misteriosamente similar
ao comportamento dos objetos qu�nticos.
Isso era t�o contr�rio � cren�a dominante
que, a princ�pio, Couder se recusou a acreditar no que via.
Em qualquer experi�ncia f�sica,
s� vemos aquilo que estamos preparados para ver.
Estava claro que havia uma mem�ria,
mas demorou um tempo para entendermos
que era isso que est�vamos observando,
pois tivemos de nos adaptar a essa nova ideia.
Talvez o mais revelador de tudo,
Couder reproduziu a experi�ncia da dupla fenda
usando suas got�culas saltitantes de silicone.
O mist�rio da mec�nica qu�ntica �..
Como algo como os el�trons
�s vezes agem como part�culas
e, �s vezes, como ondas?
Talvez esta seja a resposta.
Eles s�o part�culas e ondas.
Claro, este sistema, apesar de pequeno, n�o � qu�ntico.
Nosso sistema n�o � um modelo da mec�nica qu�ntica,
mas uma associa��o de uma part�cula e uma onda.
E algumas de suas propriedades s�o similares
�s observadas na mec�nica qu�ntica.
Couder n�o afirma que suas experi�ncias nos mostram
o que acontece nas camadas mais profundas da exist�ncia.
Mas este homem, sim.
Para ele, as got�culas s�o mais uma prova
de que o mundo qu�ntico faz sentido
e de que a realidade realmente existe.
Antony Valentini, da Universidade Clemson,
� um herege qu�ntico.
Ele alardeia que a f�sica saiu do prumo nos anos 20
quando adotou a doutrina da incerteza qu�ntica,
que diz que nada � real at� ser observado.
Valentini defende a teoria suplantada.
Ela foi criada por um dos pilares da f�sica do in�cio do s�c. XX,
Louis de Broglie.
A ideia de Louis de Broglie era que um el�tron
� tanto onda quanto part�cula o tempo todo.
N�o � a hip�tese de ser,
�s vezes, uma part�cula, �s vezes, uma onda.
Existe uma onda orientando a part�cula o tempo todo.
De Broglie chamou isso de "onda piloto".
Na teoria qu�ntica,
existe algo chamado onda de probabilidade,
um objeto puramente matem�tico que informa a probabilidade
de achar um el�tron em qualquer ponto do espa�o.
A teoria da onda piloto trata essa onda
como um objeto f�sico real.
Podemos tra�ar uma analogia com uma garrafa.
Algu�m est� numa ilha,
querendo enviar uma mensagem.
Ele escreve algo num peda�o de papel,
coloca numa garrafa, veda e joga no oceano.
As ondas simplesmente levam a garrafa.
H� uma diferen�a crucial entre as ondas conhecidas e a onda piloto.
Segundo a teoria,
as ondas piloto existem em dimens�es ocultas do espa�o
al�m das tr�s conhecidas.
Se isso for verdade, significa que,
contrariando a teoria aceita na f�sica,
objetos qu�nticos seguem as mesmas leis
que os macro objetos.
Eles n�o existem em dois lugares ao mesmo tempo.
Fazem parte do mundo real.
Creio que a pr�pria mec�nica qu�ntica
n�o � sequer concorrente � verdade
sobre o mundo microsc�pico,
porque ela n�o tenta descrever com precis�o
o que ele vem a ser.
O mero fato da exist�ncia de diferentes teorias
sobre qual poderia ser a resposta
n�o implica que n�o haja resposta.
Uma delas acabar� se mostrando a correta.
Para entender como o Universo funciona,
precisamos descobrir por que o mundo qu�ntico
� t�o diferente do mundo conhecido.
� um mist�rio n�o solucionado que afeta a todos na Terra,
e este homem acha que pode solucion�-lo.
Quanto mais entendermos o funcionamento do Universo,
mais seremos agraciados com novos rem�dios,
novas tecnologias e avan�os inimagin�veis em nossas vidas.
Mas alguns dizem que estamos distantes
de revelar os segredos mais profundos do Universo.
Queremos respostas definitivas.
O que temos � um mist�rio atr�s do outro.
E um dos maiores mist�rios
� como a macro e micro mat�ria do Universo se encaixam.
Duas teorias bem testadas
descrevem como a mat�ria se comporta.
A teoria da relatividade, que rege a f�sica do macro,
e a teoria qu�ntica, que descreve o microsc�pico.
Se fossem um casal,
a relatividade seria um engenheiro l�gico e certinho
que segue rigidamente o limite de velocidade da luz.
A teoria qu�ntica seria a esposa vol�til
que parece estar em todo lugar ao mesmo tempo.
Em tese, eles n�o se entendem.
Mas no mundo real,
eles s�o um casal feliz.
E como alguns casais estranhos da vida real,
ningu�m sabe por qu�.
O mist�rio reduz-se � gravidade.
A gravidade domina o mundo conhecido,
e gra�as a Newton e Einstein, n�s a entendemos muito bem.
Mas os f�sicos n�o sabem que papel
a gravidade desempenha no reino qu�ntico
ou seus efeitos sobre o espa�o e o tempo.
Se resolvermos esse mist�rio,
finalmente saberemos se � poss�vel
viajar de volta no tempo
ou atrav�s de um buraco de minhoca.
Petr Horava teve um passado de explora��o
da fronteira selvagem da f�sica.
Hoje, ele lida com a gravidade qu�ntica.
Como se concilia mec�nica qu�ntica e gravidade?
H� v�rios meios de isso ocorrer.
Ou a mec�nica qu�ntica � mais forte e vence
e a gravidade tem de ser modificada,
ou a mec�nica qu�ntica tem de ser modificada
e a gravidade permanece a mesma da relatividade de Einstein.
Petr acha que o segredo
� observar como as coisas mudam de escala
entre as camadas superiores da natureza,
onde a gravidade impera,
e as camadas qu�nticas inferiores.
A natureza se organiza em camadas estruturais,
vemos cada vez mais camadas � medida que ampliamos
e obtemos melhor resolu��o de como vemos o sistema.
� um dos principais conceitos te�ricos da f�sica moderna.
Para Petr, a natureza � uma escava��o arqueol�gica
na qual escavamos lentamente camada a camada.
Hoje, somos capazes apenas de revelar uma pequena parte
da grande e complexa verdade basilar.
Mas podemos aprender muito ao comparar
as camadas que conseguimos ver.
Nesta foto, as duas imagens da Mona Lisa
representam as duas faces do espa�o-tempo.
O espa�o e o tempo t�m a mesma apar�ncia
quando observadas em grande escala,
mas talvez ao ampliarmos
e olharmos o sistema em escala bem menor,
pode ser que a escala de espa�o e tempo seja divergente.
Essa poderia ser a pe�a faltante do enigma da gravidade qu�ntica.
Petr suspeita que � medida que atingimos
o menor e mais profundo n�vel da exist�ncia,
o espa�o come�a a expandir-se num ritmo diferente do tempo
at� se dissociarem.
Imagine o espa�o-tempo como esta folha de papel.
Em escala microsc�pica,
� suave e geom�trica, bidimensional.
Mas se dividirmos o peda�o de papel ao meio
e olharmos a sua borda,
nos aproximando
e distanciando,
a estrutura assemelha-se a si mesma,
mas apenas se expandirmos na horizontal
com ritmo diferente do que quando expandimos na vertical.
A dist�ncia, a ruptura parece suave.
Mas de perto,
podemos ver montanhas e vales ao longo da borda.
Do mesmo jeito, espa�o e tempo parecem perfeitamente
unidos a dist�ncia, mas de perto,
podemos ver a separa��o.
Petr acha que essa separa��o
do tempo e espa�o em escala microsc�pica
� a raz�o da origem das estranhas leis da mec�nica qu�ntica.
Se o espa�o e o tempo est�o dissociados,
as part�culas n�o podem estar
em um lugar espec�fico em dado instante.
Disso decorre a imprecis�o, a incerteza.
Desvendar o enigma da gravidade qu�ntica
� um grande empecilho na nossa busca
para entender como o Universo funciona.
Mas ele desvanece diante da magnitude
do maior mist�rio enfrentado pela humanidade.
95% do Universo
est� desaparecido.
Esta mulher pode saber onde ele est� e o que �.
Quanto mais removemos as camadas da natureza,
mais percebemos que falta algo.
Algo grande.
Um enorme peda�o do Universo parece estar invis�vel.
N�o podemos v�-lo, ouvi-lo ou detect�-lo de jeito algum.
Mas, se quisermos desvendar os segredos do Universo,
se quisermos avan�ar como esp�cie,
temos que descobrir o que � e onde ele est�.
O Universo come�ou com o Big Bang,
uma explos�o avassaladora de energia bruta.
Essa energia explodiu sob a forma de massa de plasma superaquecido.
Ao esfriar, ele come�ou a se agregar
originando toda a mat�ria do Universo,
os s�lidos, l�quidos e gases que comp�em tudo.
Para decifrar o c�digo c�smico por tr�s do nosso Universo,
temos que entender a energia em todas as suas formas.
Mas e se quase 95% do Universo
for composto por uma forma de energia
que n�o podemos ver e n�o entendemos?
Esses s�o os tipos de perguntas
enfrentadas diariamente em Genebra, na Su��a,
o lar do maior acelerador de part�culas do mundo,
o Grande Colisor de H�drons,
e tamb�m de centenas de f�sicos.
Clare Burrage � um deles, mas n�o � t�pica.
Mulher, jovem e ex�mia patinadora,
Clare est� tentando resolver
o grande mist�rio do Universo desaparecido.
Se considerarmos o Sol,
a luz dele transporta energia para n�s aqui na Terra,
podemos sentir o calor em nossa pele em um dia claro.
Mas Einstein nos diz que energia e massa s�o a mesma coisa.
Portanto, no centro do Sol,
a massa � transformada em energia,
e isso � transmitido pela luz para n�s aqui na Terra.
A energia do Sol n�s conhecemos e entendemos muito bem,
mas parece que existe outra forma de energia no Universo
chamada "energia escura" que n�o compreendemos.
As leis aceitas da f�sica
determinam que a expans�o da Universo ap�s o Big Bang
deveria estar desacelerando.
Mas observa��es astron�micas recentes revelaram
que a expans�o est� acelerando rapidamente.
Alguma forma inexplic�vel de energia
est� distanciando as gal�xias.
No momento, estou me movendo,
embora n�o esteja fazendo nada por causa da gravidade.
Mas se fosse no espa�o, onde n�o h� for�as agindo,
eu n�o estaria me movendo.
Se estou indo para frente, algo estranho est� agindo.
� o que chamamos de energia escura.
Quanto do Universo � energia escura?
Expressemos assim.
Eis o Universo.
Esta por��o, 4,6%,
� toda a mat�ria vis�vel.
Part�culas quase sem massa chamadas neutrinos
representam outros 0,4%.
N�s achamos que algo chamado mat�ria escura
representa outros 23%.
A energia escura representa os 72% restantes
da massa e energia do Universo.
N�o podemos v�-la, toc�-la, prov�-la, ou detect�-la,
mas cosm�logos est�o certos de que ela existe.
Sem a energia escura,
a gravidade faria o Universo
entrar em colapso sobre si mesmo.
Clare suspeita que a energia escura � um subproduto
de um ramo novo e radical da f�sica,
uma part�cula desconhecida chamada "camale�o".
Essas part�culas misteriosas
possuem uma for�a b�sica totalmente diferente
das quatro conhecidas pelos f�sicos,
uma quinta for�a fundamental.
Na f�sica conhecida, existem quatro for�as.
Quais sejam: a gravidade, que nos retem aqui na Terra.
As intera��es el�tricas entre os �tomos
e as for�as forte e fraca
que controlam o que ocorre nos �tomos.
Se houvesse algo novo, uma nova part�cula,
como a "camale�o", como a energia escura,
iria nos parecer que havia uma quinta for�a.
Esta portadora de for�a � chamada "camale�o"
porque pode mudar sua apar�ncia.
Quando � pesada, torna-se lenta e ineficaz.
Quando � leve, pode deslocar-se rapidamente
e tornar-se mais forte.
O seu peso depender� do seu meio,
de quanta mat�ria a cerca.
Aqui na Terra, h� muita mat�ria ao redor,
e a camale�o se torna muito pesada, com muita massa.
N�o interage muito com as coisas em sua volta.
� por isso que n�o a vemos no dia a dia,
e em experi�ncias aqui na Terra.
Mas no espa�o intergal�ctico, onde n�o existe quase nada,
a camale�o torna-se muit�ssimo leve,
e pode interagir com coisas a dist�ncias imensas.
� por isso que ela pode impulsionar
a acelera��o da expans�o do Universo.
Essa propriedade automodificadora explica
por que a camale�o ainda precisa ser identificada
no acelerador de part�culas.
Ela deve estar em toda parte.
Dentro de n�s e nos rinc�es do cosmos.
Mas como podemos identificar uma mestra do disfarce?
A camale�o aparece em experi�ncias
em micro e macro escalas.
Podemos procur�-la no modo como as part�culas agem
nos aceleradores em escalas �nfimas.
Mas ela afeta tamb�m a forma em que a luz viaja,
e tamb�m podemos observar em escalas muito grandes
como a luz das estrelas chega at� n�s
e ver se podemos observar os efeitos da camale�o.
Nosso lento e firme conhecimento
do eletromagnetismo e das for�as nucleares
transformou nossas vidas,
da eletricidade �s telecomunica��es,
dos transportes � guerra.
Quais benef�cios a energia escura poderia nos proporcionar?
� dif�cil dizer como um melhor conhecimento da energia escura
melhorar� a vida das pessoas,
mas no passado, entender melhor as coisas
sempre levou a benef�cios para a humanidade.
De certa forma,
entender a energia escura, entender o Universo,
� mais importante que entender a f�sica que conhecemos.
As part�culas que compreendemos
comp�em cerca de 1% do Universo conhecido.
A energia escura � uma contribui��o bem mais importante.
A energia escura � a vari�vel desconhecida
na nossa busca para decifrar o c�digo c�smico...
Para descobrir um conjunto de equa��es
que descrevem como o Universo realmente funciona.
Mas este homem diz que � n�o preciso ir t�o longe.
Ele acredita que as equa��es n�o apenas descrevem o Universo.
Elas s�o o Universo,
e que todos n�s vivemos dentro delas.
Estamos � procura de uma equa��o definitiva,
a teoria do tudo que explicar� os mecanismos do Universo
e revolucionar� a vida na Terra.
Um homem acredita que a equa��o existe
e a solu��o � o Universo.
Segundo ele,
a equa��o de tudo est� em todo lugar que olhamos,
e todos fazemos parte dela.
Max Tegmark vive em Winchester, Massachusetts,
um sub�rbio ao norte de Boston.
Ele adora estar ao ar livre,
gosta de longas caminhadas e de pensar.
Mas as ideias de Tegmark s�o um pouco mais ex�ticas
do que as elucubra��es de um caminhante comum.
Acho que o motivo do nosso Universo
ser t�o bem descrito pela matem�tica
� que ele � matem�tica, no sentido de que vivemos
em uma gigantesca estrutura matem�tica.
Assim, o motivo pelo qual os f�sicos descobrem
essas equa��es que descrevem t�o bem nosso mundo
� porque tais equa��es podem descrever aproximadamente
a verdadeira matem�tica que � a nossa realidade.
Para Tegmark, equa��es s�o janelas no Universo,
e o Universo � pura matem�tica.
� primeira vista, nosso Universo n�o parece matem�tico.
N�o temos grandes n�meros vis�veis no c�u.
Mas se observarmos mais de perto,
encontraremos formas e padr�es matem�ticos � nossa volta.
Assim, se eu abrir a minha mangueira aqui...
a �gua cria uma forma simplificada,
chamada par�bola,
que tem uma equa��o matem�tica extremamente simples
"y" � igual a "x" ao quadrado.
Esta forma matem�tica, a par�bola,
est� incutida na natureza num n�vel bastante fundamental
pois descreve o movimento com gravidade
de qualquer objeto, independente do que seja feito.
Ao observarmos o nosso Universo,
vemos formas em toda a parte.
Vemos que todos os planetas giram ao redor do Sol
em uma forma chamada elipse. Ela parece um c�rculo alongado.
Por que tudo que orbita algo no Universo tem sempre essa forma?
E n�o em forma de um "oito" ou de um "quadrado"?
Ao aprofundarmos, come�amos a descobrir
todos esses padr�es, regularidades e at� n�meros.
Se eu pegar alguns galhos e perguntar:
Quantos galhos ficam perpendiculares uns aos outros?
Obtenho o n�mero tr�s.
H� um n�mero imagin�rio para isto na f�sica.
Chama-se dimensionalidade do espa�o.
E esses n�meros incutidos na natureza s�o muito importantes,
pois se os alterarmos um pouco, se dissermos que o pr�ton
n�o � 1.836 vezes mais pesado que um el�tron,
mas 5 mil vezes mais pesado, por exemplo, n�s morrer�amos.
Se alterarmos alguns n�meros apenas alguns por cento,
o Sol pode explodir ou os �tomos entrariam em colapso
e a vida tal como a conhecemos n�o seria poss�vel.
Assim, esses n�meros n�o s� existem,
mas s�o extremamente importantes
para entender a pr�pria ess�ncia da nossa realidade.
Isso nos leva de volta a uma no��o desconfort�vel
sugerida pela teoria dominante da mec�nica qu�ntica.
No n�vel mais profundo da realidade,
nada � s�lido.
Existe apenas informa��o,
n�meros aderentes a um conjunto de leis
que ainda n�o compreendemos.
As �nicas propriedades do el�tron s�o um monte de n�meros.
Os f�sicos t�m nomes para eles, como spin e carga,
mas eles s�o apenas n�meros.
N�o existe nada no n�vel basilar
a n�o ser n�meros, a n�o ser matem�tica.
A matem�tica pode ser a verdade basilar,
mas considerando nossas limita��es
e o qu�o vasta e estranha boa parte da natureza parece ser,
seria mesmo poss�vel resolver esse problema?
Ser� que um dia saberemos como o Universo realmente funciona?
N�o h� garantia de que vamos encontrar a equa��o definitiva,
mas creio que temos chance.
� incr�vel o qu�o longe chegamos como esp�cie
nos �ltimos 100 anos,
al�m de nossos devaneios mais inimagin�veis
no conhecimento da mat�ria. N�o h� melhor forma de garantir
que vamos fracassar do que n�o tentar.
Se eu estiver errado e houver algo inerentemente
n�o-matem�tico sobre o Universo, ent�o a f�sica est� condenada.
Chegaremos a um obst�culo intranspon�vel.
Mas se eu tiver raz�o, seria uma situa��o muito feliz
na qual n�o haveria obst�culo
e nosso avan�o s� seria limitado pela nossa pr�pria imagina��o.
Ser� que algum dia veremos toda a teia da realidade?
Poderemos encontrar e compreender a verdade basilar?
Neste instante, somos como arque�logos
que descobriram um pequeno tri�ngulo enterrado na areia,
a ponta de uma enorme pir�mide que ainda n�o podemos ver.
Talvez seja presun�oso para o homem pensar que conseguiremos.
Mas continuamos a revelar a verdade,
pouco a pouco,
peda�o a peda�o.
Se continuarmos a nos aprofundar,
poderemos finalmente revelar toda a beleza da cria��o...
E talvez...
vislumbrar rapidamente a mente de Deus.
MUSKETEERS Legendas Para a Vida Toda!
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