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PERSEGUI��O DESESPERADA
Em 1856, Jefferson Davis, Secret�rio de Guerra,
organizou a Corpora��o de Camelos do Ex�rcito dos EUA, que mapeou
a rota do sul pelas plan�cies e desertos,
do Texas � Calif�rnia.
A constru��o da ferrovia transcontinental acabou com a necessidade da
Tropa de Camelos e os animais foram vendidos a comerciantes
ou escaparam pelo deserto sulista, onde os camelos ainda s�o vistos
por garimpeiros solit�rios mais de uma d�cada depois.
Camelo.
O primeiro que vejo na vida.
Ei, Ford. Ei, Ford!
Venha c�. Preciso te contar algo.
Ford.
Ford.
-Ford, preciso te contar algo. -Qual � o seu problema?
-Est� doente? -N�o.
Mas voc� tem que sair daqui. Estou dizendo.
-Voc� tem que sair daqui, filho. -Por que?
Por que os camelos est�o vindo. Tr�s dos mais feios...
Pop. Pop!
-Voc� est� b�bado. -B�bado ou s�brio,
estou dizendo que tem que sair daqui.
Voc� tem que pegar seu ouro e ir para San Bernardino,
-por que est�o atr�s de voc�. -Quem? Os Camelos?
-N�o, os �rabes. -�rabes?
Sim.
Por que n�o se deita e relaxa um pouco?
-Voc� ficar� bem. -Pode me escutar, filho?
Estou dizendo que tem que sair daqui, rapaz.
Ei, voc� n�o devia ter feito isso. Isso poderia me afogar.
Se sente melhor?
Voc� afoga um homem e pergunta se ele se sente melhor.
Que hist�ria � essa sobre os camelos?
Bem, se lembra de quando o Jeff Davis trouxe um monte
de camelos para c� e teve a brilhante ideia de us�-los
para atravessar o vale com correspond�ncia e suprimentos?
Bem, isso nunca deu certo, por que os soldados n�o sabiam
-controlar os camelos. -O que tem eles?
Bem, � o seguinte. Eles perderam v�rios camelos.
E sempre achei que o Hassan, o �rabe, teve algo a ver com isso.
-E eu estava certo. -Como sabe disso?
Bem, te direi. Ele foi para Bodie ontem.
Estava vendendo whisky m�rmon aos pastores e garimpeiros.
Ele estava com outros dois �rabes. Te digo, rapaz.
-Eles est�o atr�s do seu ouro. -Como sabe disso?
Por que eu estava falando com um pastor no caminho de volta.
E ele me disse que estavam perguntando sobre voc�.
Pop.
Como eles sabem que tenho ouro?
Pop!
Como eles sabem que tenho ouro?
Bem, s� um instante, Ford. N�o tive a inten��o de dizer.
Mas fiquei um pouco b�bado e contei a eles sobre o ouro.
Disse que tinha tanto que podiam garimpar com uma colher de ch�.
Contei a eles, mas juro que n�o tive a inten��o, Ford.
-Est�o vindo de Bodie? -Sim, isso mesmo.
Bem, pegarei a passagem de Cojona para San Bernardino.
Sim, mas aqui... Seu peso mais o do ouro,
-o cavalo n�o aguentar�. -Irei devagar.
Talvez n�o tenha a chance de ir devagar.
-Eu sei, boca solta. -Espere um pouco, Ford.
-Te disse que n�o tive a inten��o. -Esque�a isso, Pop.
Daremos um jeito. Tenho a garota mais bonita
-da Calif�rnia esperando por mim. -Voc� tem, hein?
Esta � outra maneira de perder seu ouro.
Cara de Ameixa, s� por que fez algumas apostas erradas,
n�o quer dizer que farei o mesmo.
Isso a deixar� feliz. Vou comprar um rancho,
-me estabelecer e casar com ela. -Voc� vai, hein?
Bem, talvez ela n�o espere por voc�. Sabe, 4 anos � muito tempo, rapaz.
A Betsy sabe escolher.
Bem, tudo bem ent�o. Se voc� diz.
-Sabe, estive pensando. -Achei que estava desconfort�vel.
-Talvez dev�ssemos trocar de cavalo. -Por que?
Por que disse a todo mundo nestas partes que ia garimpar
do outro lado da serra. Como seu cavalo � cinza,
eles te ver�o com facilidade. Mas o meu n�o.
Ent�o, quando te virem atravessar o canyon, eles pensar�o que sou eu.
-Entendeu? -Sim.
Essa n�o � uma m� ideia. Pensarei nisso.
Nossa, olhe l�.
N�o acredito. Quem diria.
Eu digo o mesmo. Estive cavalgando o dia todo.
Bem, � s� desmontar do cavalo. Temos muita comida aqui.
-Obrigado. -Alimentarei e darei �gua
-ao seu cavalo, senhora. -Obrigada.
Basta se sentar.
Te servirei antes que possa dizer... Nem eu consigo dizer.
-Voc� veio de onde? -Carson City.
� uma viagem e tanto.
-E uma terra dif�cil. -Sim, �.
Estou feliz de t�-los encontrado.
Est� tudo bem.
Sabe, ficamos felizes em receber uma dama bonita como voc�.
Outras pessoas n�o seriam t�o bem-vindas.
-Aqui est�. -Obrigada.
Vou me servir tamb�m.
-Aqui est�. -Obrigada.
Me chamo Ford Smith. Este � o ''Cara de Ameixa'' Bates.
Que tal me preparar um prato desse feij�o?
Isso � engra�ado. Me chamo Smith, tamb�m.
-May Smith. -�?
H� muitos Smiths nesta parte do pa�s.
S� que realmente me chamo Smith.
S�rio? Para mim est� bom.
-Para onde est� indo, senhora? -Meio curioso, n�o, meu velho?
Bem, n�o quis ofend�-la, senhora.
Est� tudo bem. Isso n�o � segredo.
Vou para San Bernardino.
Quem diria.
-O que � t�o engra�ado? -Ford ir� para l� amanh�.
L� vai voc� com essa l�ngua solta de novo.
Qual � o problema com isso? Ser� legal ter companhia.
Era isso que eu estava pensando. Foi por isso que disse.
-Sabe, com voc� usando meu cavalo... -Cale a boca.
Cale a boca voc� e me escute.
Sabe, com voc� usando meu cavalo com a garota,
ningu�m suspeitar� que � o Ford Smith atravessando aquele canyon,
a n�o ser que conte a eles.
Sabe, senhora, n�o planejava ter companhia nesta viagem,
muito menos a de uma mulher.
Est� tudo bem para mim. Tamb�m n�o planejava
ter companhia.
Bem, isso � tipo uma miss�o secreta para o Ford.
Pode comer, por favor? Talvez isso mantenha sua boca fechada.
Tudo bem.
O que te fez pensar que podia cruzar o Vale da Morte sozinha?
J� foi feito. -Nunca por uma mulher.
-Eu arriscarei. -Voc� n�o ter� chance.
Isso, Sr. Smith, � uma quest�o de opini�o.
Voc� � um bom anfitri�o, n�o?
Um grande cavalheiro do deserto.
Fico feliz que o Cara de Ameixa esteja por perto.
Quando quiser dormir, h� um bom lugar perto daquela �rvore.
Bem, se n�o fizer diferen�a, prefiro dormir perto da fogueira.
Sabe, tenho dormido com um olho aberto por tanto tempo,
que ser� bom ter uma noite de descanso.
Voc� quem sabe.
O Cara de Ameixa me proteger� caso eu corra perigo.
Bom.
Pode apostar que sim, senhorita.
Est� vendo?
-O caf� da manh� estava bom, chefe. -Bem, j� fui chamado de muitas coisas
na vida, mas nunca fui chamado assim antes.
-Vamos come�ar. -Isso � um convite para ir contigo?
-Achei que preferisse viajar sozinho. -Sabia que estava preso a voc�
no momento que apareceu ontem no acampamento.
Por que n�o te deixarei atravessar esse deserto sozinha.
Voc� n�o est� preso a mim, Sr. Smith.
Estou sim, Srta. Smith.
Olhe, � como eu te disse ontem, n�o pensei em ter companhia
para atravessar o deserto. Os encontrei por acidente.
Consigo fazer isso. E consigo fazer isso sozinha.
May, voc� nunca chegar� viva a San Bernardino.
Algum dia algu�m pisar� nos seus ossos no meio do deserto.
Vamos.
-Tudo bem, senhora bonita. -Senhorita.
Senhorita.
Parece que devia ajud�-lo ao inv�s de ajudar a mim.
Ele est� carregando muito peso, n�o?
Ou�a, senhora... Senhorita.
As vezes n�o � bom observar tanto.
Voc� n�o quer irritar o Ford hoje.
Ele nunca esteve t�o chateado. Mas, sabe...
-Ele est� um pouco irritado comigo. -Por que?
Bem, n�o posso te dizer, mas entendo ele, senhora.
Realmente entendo.
Sim.
Vamos. Te ajudarei a montar.
Obrigada.
-Cad� aquele cobertor? -Aqui est�, rapaz.
-Obrigada, Cara de Ameixa. -N�o h� de que, senhora.
-E, senhorita... -Sim?
Aqui. Quero que leve isso.
Para o caso de encontrar algum coiote.
N�o.
-N�o posso ficar com a sua arma. -Pode sim.
Quero que fique com ela. Por que isso me deixaria
menos preocupado contigo. E n�o se preocupe comigo.
Por que posso pegar uma emprestada com um dos mineiros.
-Obrigada, Cara de Ameixa. -De nada, senhorita.
-Cara de Ameixa. -Sim?
Se comporte. Cuide do meu cavalo.
N�o se preocupe com isso, rapaz.
Est� tudo bem.
Mantenha a p�lvora seca.
-O Smith foi embora. -E o velho?
Est� garimpando no riacho.
Cuide dos camelos.
-Hassan. -Sim, sou eu.
-Cad� o Smith? -N�o sei onde ele est�.
Ele pode estar garimpando no riacho. Eu n�o sei onde ele est�.
-Ele partiu esta manh�, n�o foi? -Eu n�o sei disso.
Sim, pensando bem, ele disse que ia a Carson City
-esta semana. -Seu mentiroso.
Pena ter que matar um velho como ele.
� melhor assim. Se estivesse vivo,
ele espalharia que estamos atr�s do Smith.
Vamos ao acampamento dele. Talvez achemos sua arma e muni��o.
Voc� est� bem?
� claro.
Muni��o.
Calibre 32. N�o caber�.
Seu est�pido, te disse pra comprar muni��o quando estava na cidade.
Sim, sou est�pido. Eu esqueci.
Mas eles n�o sabem que nossas armas est�o vazias.
Vamos pegar a trilha antes que os perdemos.
Aqui est� a trilha.
Sim. Duas delas.
Me pergunto quem estar� com ele.
Me pergunto o mesmo.
Parece que est�o indo para o sul, isso quer dizer, San Bernardino.
Vamos.
-O que acha que far�? -Eu n�o acho, eu sei.
-Vou preparar o jantar. -E fazer uma fogueira?
-E fazer minha fogueira. -Quero s� ver.
Certo.
-Estou convencido. -Obrigada, senhor.
Mas n�o seja t�o otimista. � melhor esperar uma hora ou duas.
-Onde aprendeu a cozinhar? -Aprendi aqui e l�.
Ela � muito diferente do que o Cara de Ameixa prepara.
N�o achei t�o ruim.
Ou talvez estivesse com muita fome.
Ele disse que toda sua fam�lia sofria de indigest�o.
Suspeito que ele era o cozinheiro.
-O que fazia em Carson City? -Quer mesmo saber?
Quero.
Era crupi� no cassino.
� um bom trabalho. Se um homem tiver sorte,
-a gorjeta pode ser boa. -Verdade.
Por que desistiu?
Est� ficando curioso igual ao Cara de Ameixa, n�o?
Bem, se precisa saber, eu fui demitida.
-Acusada de trapacear. -Voc� fez isso?
N�o!
-Por que aconteceu isso ent�o? -� a mesma hist�ria de sempre.
Um homem estava jogando contra mim. Uma m�o valendo tudo.
Isso � sempre uma p�ssima posi��o para um crupi�.
Parece que ele era um mau perdedor numa onda de azar.
Al�m do mais, ele era amigo do chefe.
Ele me acusou de trapacear. Ent�o fui demitida.
-Acabou com meu nome na cidade. -Sabe trapacear?
� claro.
Mostre-me.
N�o ser� f�cil com essas. Esse baralho � velho demais.
Corte.
-Quer saber o que tem? -Sim.
Um 9 de ouro.
E um 3 de espada.
-Quer uma carta? -Sim.
Outra.
Est� bom.
21.
Mas voc� n�o trapaceou. Estava olhando.
Isso mesmo. Mas voc� estava olhando
o topo do baralho. Estas vieram de baixo.
-Tem algum dado? -N�o.
Isso � uma pena. Ia te mostrar alguns truques.
Por que vai para San Bernardino? N�o h� muito o que fazer com
-suas cartas e dados. -Sim, eu sei disso.
Mas sou de l�. Meus pais moram l�.
-Nunca te vi l�. -A cidade � grande.
-Por que vai para l�? -Vou ver minha garota.
Betsie Blake.
Ela s� tinha 18 anos quando parti. Acho que sempre a amei.
Ela � bem magra, mas muito bonita.
N�o tinha muito dinheiro para casar, ent�o parti.
Mas agora tenho o suficiente. Ent�o vou voltar, me casar
com ela e comprar o melhor rancho na Calif�rnia.
Estive no casamento dela, Ford.
No casamento dela?
Agora ela se chama Betsie Fisher.
Sra. Betsie Fisher.
Ela se casou com o Andy Fisher, gerente do armaz�m?
Isso mesmo.
Sinto muito por ter que descobrir assim.
Mas � melhor descobrir agora, n�o?
Sim.
Sim. Andy Fisher.
Ele sempre a levava para dan�ar.
Eu nunca soube dan�ar direito.
E voc� tem trabalhado aqui por quatro anos com esse sonho na cabe�a?
Essa � a vida. May, acho melhor irmos dormir...
Para come�armos cedo amanh�. Antes que o sol esquente muito.
Tudo bem. Certo.
Vou ver os cavalos.
� melhor ficar com isso para o caso de sentir medo.
-N�o tenho medo de voc�, Ford. -Mesmo sem o Cara de Ameixa?
Mesmo assim.
V� dormir. Vou ficar vigiando.
Por causa daqueles coiotes que o Cara de Ameixa falou?
Sim, tr�s �rabes renegados em camelos.
Ouvi falar deles. Se ficar sonolento,
me acorde que vigiarei por um tempo.
-Boa noite. -N�o precisa se preocupar.
N�o pegarei aquele alforje.
-Boa noite, Ford. -Boa noite.
Nada.
Devem ser eles. Kafan, use seus olhos.
Voc� � o que enxerga melhor.
-� o Smith com uma mulher. -Uma mulher?
-Uma mulher! -Pelas barbas do profeta!
Uma mulher tentando atravessar o Vale da Morte.
Os dois est�o loucos.
Se escondam por ali.
Vamos.
-Qual � o problema? -Eu n�o sei.
Vamos.
Ghazili. Kafan.
Parece que os despistamos.
Fique aqui.
Por que est� com medo, meu amigo? S� queremos uma bebida.
Viemos de longe. E todos os po�os secaram.
Se tivessem cavalos, eu entenderia. Eles precisam de �gua.
-Camelos n�o. -Isso � verdade.
Nossos camelos carregam um gal�o de �gua no est�mago.
Mas que diferen�a isso faz para n�s? Quando est�o com sede,
eles regurgitam a �gua e a engolem.
Mas isso n�o faz diferen�a para n�s.
Eles devem estar sem muni��o, ou n�o esperariam tanto tempo.
N�o temos nenhuma �gua para dar, amigo.
Precisaremos de cada gota para n�s mesmos.
Se n�o tem �gua para os seus cavalos, meu amigo,
voc� est� pior que n�s. Quando eles ca�rem de sede,
o que voc� e ela far�o?
Saia da frente. Estamos com pressa.
Se est� com pressa, pense nisso, um camelo pode vencer um
cavalo no deserto. Eles podem viajar
40 milhas por dia. E sem �gua,
eles podem viajar mais r�pido.
Vamos, May.
Eles n�o conseguir�o atravessar sem um camelo.
Qual � o problema?
Este cavalo est� carregando muito peso.
-O que far�? -Andarei por um tempo.
O que os homens n�o fazem por ouro.
� claro que est� falando dos �rabes.
� claro.
N�o vejo nenhum sinal deles.
Vou andar um pouco, mesmo assim. Ou esse cavalo morrer�.
Vamos.
Senhor.
Senhor.
Guardei isso para ajudar os indefesos como voc�.
-Uma garrafa de whisky m�rmon. -Est� perdendo tempo.
Mas, senhor, em nome da compaix�o.
Ou�a. Sou amigo de todos os americanos.
Servi na sua cavalaria. Sou da Ar�bia.
Com os camelos do tenente Bill viajamos do Golfo do M�xico
at� a Costa do Pac�fico, em San Pedro.
-Me chamo Ahaman Benalli. -Est� longe o suficiente.
Voc� � o Hassan, o �rabe.
Isso � s� um apelido. Somos tr�s �rabes de Smirna.
Vamos aonde vai.
Eu e meus amigos j� discutimos isso.
Seu cavalo j� est� mancando. Logo, precisar� de ajuda.
Decidimos que seremos irm�os de viagem.
Ford.
Olhe.
Vamos peg�-lo.
Eu te ajudo.
Ford!
Ford!
Por favor, senhor.
Estou procurando pelo meu camelo que fugiu.
Em nome da compaix�o, n�o atire.
N�o quero brigar.
Te darei minha arma pelo retorno do meu camelo.
Ford!
Ford!
Ford!
Vamos.
-Voc� est� bem? -Sim, mas ele pegou a minha arma.
-Mas n�o far� diferen�a. -Por que n�o?
Ele disparou o �ltimo tiro.
Bem, ent�o fizemos uma boa troca. Peguei o rifle deles e nossa
muni��o cabe nele. E com isso,
podemos mant�-los longe.
Bom.
-Vamos encher os cantis e ir embora. -Certo.
Peguei a arma deles.
Ele pegou meu rifle.
Seu tolo. Est� vazia.
Por que n�o pegou um cavalo? Isso valeria algo.
-Era isso ou o camelo. -Eles n�o sabem usar um camelo.
-Ele teria fugido na primeira chance. -O que eu faria sem ele?
O que far� agora. Andar.
Ford, n�o adianta. � s� uma quest�o de tempo.
N�o vamos desistir.
Estou acabada, Ford.
-Preciso descansar. -Podemos encerrar por hoje.
Voc� deve estar se sentindo pior do que eu.
Cuidarei dos cavalos e prepararei a comida.
Estou muito cansada para sequer pensar em comida.
-Sinto muito, May. -Pelo que?
Por tudo.
Voc� estaria melhor viajando sozinha.
O Cara de Ameixa disse que voc� n�o era t�o ruim quanto parece.
Ele disse, hein?
O que mais ele te disse?
Bem, ele disse que voc� era muito legal.
S� te causei problemas.
-N�o estou reclamando. -Voc� � estranha.
Por que?
� dif�cil te entender.
Voc� tentou?
Talvez.
Ford.
-Ainda vai comprar aquele rancho? -N�o h� por que comprar um rancho
s� para si mesmo.
Acho que n�o. Bem, vou tentar dormir.
Aqui, eu te ajudo.
Obrigado, Sr. Smith.
Boa noite, May.
Boa noite.
-Ford. -Sim?
N�o desista da ideia daquele rancho.
Por que?
-Acho que seria bom para voc�. -Por que diz isso?
Um homem precisa de um lugar.
Acho que sim.
Ford. Ford!
Vamos sair daqui. Eles esperam que
-partamos pela manh�. -Os cavalos descansaram o suficiente?
N�o. Precisamos arriscar.
Certo.
-Onde esteve? -Fui atr�s do rifle.
-E onde ele est�? -Eu...
Voc� foi atr�s da mulher. Voc� s� fala disso.
Eu fui atr�s da mulher. Eu fui atr�s do rifle.
Mentiroso!
Voc� e sua mulher.
V�o dormir.
-Por que n�o cavalga por um tempo? -Nem pensar.
Ford.
Se vai agir com tanta teimosia, coloque o alforje no cavalo
e n�s dois andaremos.
Vamos.
Ford. Ford, olhe!
Uma miragem.
�gua.
Ele sentiu o cheiro de �gua.
Pegadas de camelo.
Eles devem ter nos ultrapassado durante o dia.
N�o tem jeito, Ford. Eles nos pegar�o, cedo ou tarde.
N�o v�o, n�o. Estamos perto de Devide.
Aqui.
May.
Nos separaremos aqui. Voc� segue a trilha.
Eu atravessarei a montanha e te encontrarei do outro lado.
Voc� estar� segura por que eles pensar�o que estou com o ouro.
N�o deixarei voc� fazer isso. Eles te pegar�o l� em cima.
Isso faz diferen�a?
Acho que estou me acostumando com voc�.
Bem, n�o se preocupe, estarei seguro.
Ford, espere um pouco. Isso faria diferen�a.
Uma grande diferen�a.
May, caso algo aconte�a l� em cima, quero que fique com o ouro.
Divida entre as vi�vas e �rf�os.
Voc� conseguir�. Rezarei por voc�.
Claro que conseguirei. E, May...
Eu n�o desisti da ideia daquele rancho.
Certo. Siga em frente.
Saiam daqui.
Saiam daqui.
Saiam daqui.
V�o.
Voltem para l�.
Voltem. Voltem para l�.
Voltem para l�.
Para c�.
Venham para c�.
Fique com os camelos.
D�-me essa arma. Eu encontrei a muni��o.
-Onde a encontrou? -O tolo deixou cair
quando debandou os camelos.
N�o desperdice. S� h� dois tiros restantes.
-Ford, voc� est� bem? -� claro.
-Te disse que conseguiria, n�o? -Voc� tinha que conseguir.
Debandei os camelos deles. Isso deve segur�-los por um tempo.
Espero que sim.
-Quer cavalgar? -N�o, andarei com voc�.
-Ele j� est� carregando muito peso. -Vamos.
�ndios.
-Acha que s�o amig�veis? -� dif�cil dizer.
Podemos estar entrando numa emboscada.
-O que faremos agora? -Suba no cavalo.
-Por que? -Temos que chegar como
os �ndios esperam. Uma mulher branca cavalga
enquanto o homem anda.
Tudo bem.
Viajamos muitas milhas. Estamos cansados e famintos.
N�o entendo.
Comida.
Comida.
Fala espanhol?
N�o.
-Voc� fala espanhol, May? -Nem uma palavra.
Ser� dif�cil.
�rabes. Tr�s �rabes.
1, 2, 3. �rabes.
Est�o nos seguindo. Eles tentaram nos matar.
Tr�s �rabes.
1, 2, 3. Tr�s �rabes em camelos.
Em camelos est�o...
Camelos?
Camelos.
Louco.
-Eles acham que � louco. -Talvez seja melhor,
por que sei que �ndios acham que os loucos foram tocados por Deus
e nunca fazem mal a eles.
Obrigado.
Quero um cavalo. Um cavalo para mim.
Cavalo para mim e uma sela.
Uma sela para mim.
Quero um cavalo e sela para mim e voc� fica com isso.
Ford, eles tem um altar cat�lico naquela colina.
Sim, acho que esses s�o os �ndios da Miss�o que ficaram sozinhos
quando os padres foram chamados de volta para a Espanha.
Eles est�o fazendo um tipo de missa. Vamos nos juntar a eles.
Certo.
Santa Maria, m�e de Deus, rogai por n�s, pecadores,
agora e na hora de nossa morte. Am�m.
Santa Maria, m�e de Deus, rogai por n�s, pecadores,
agora e na hora de nossa morte. Am�m...
Ave Maria, cheia de gra�a, o Senhor � convosco,
bendita sois v�s entre as mulheres,
e bendito � o fruto do vosso ventre, Jesus.
Deixamos o acampamento na ter�a, n�o?
Sim.
-Ent�o � v�spera de natal. -Sim.
E eu queria passar o natal em casa.
Uma natividade. O nascimento do menino Jesus.
Sempre �amos a missa na v�spera de natal em San Bernardino.
N�o.
Os tr�s Reis Magos.
Bem, o que fazemos agora?
Esperamos para ver.
N�o seremos capazes de convencer os �ndios que
eles s�o bandidos agora.
Mas, ao menos, eles n�o arriscar�o um ataque direto.
Atacar�o assim que perceberem o que est� acontecendo.
Est� certo.
Eu n�o entendo. Por que estamos
sendo t�o bem recebidos?
Eu sei, � a v�spera de natal. Onde celebram o nascimento
do rei da religi�o deles.
Sim, foi quando tr�s homens vieram a camelo trazendo presentes.
Eles devem achar que somos os tr�s Reis Magos.
Devemos agir com cuidado.
Hassan n�o � tolo. Ele est� fingindo muito bem.
-N�o sei o que ele far� em seguida. -Logo descobriremos.
V� com ela. Quero falar com os tr�s Reis Magos.
Essa � uma noite de paz, senhor.
Pode contar conosco como irm�os, de agora em diante.
N�o vamos roub�-lo, meu amigo. Mas sua vida foi poupada,
-voc� devia ser agradecido. -Esses �ndios acham que s�o santos.
Um movimento em falso e eles te matar�o.
Veja o qu�o pobre esses �ndios s�o.
Voc� � rico.
Em retorno por sua vida, voc� nos dar� seu ouro
para dividirmos entre esse povo pobre.
Voc� n�o tem escolha, meu amigo. Voc� est� indefeso.
-Ent�o n�o pense em brigar, hein? -Basta entregar seu alforje.
Fique feliz ao d�-lo aos pobres �ndios.
Voc� me deu uma ideia, meu amigo.
-Cad� minha mulher? -Mulher.
Mulher. Mulher.
-Mulher. -Mulher.
Olhe, agora que nossos amigos se juntaram a n�s,
n�o acha que um de n�s devia ficar acordado de vigia?
Sim.
-Acho que devemos dividir isso. -Por que n�o?
N�o dividimos o deserto todo?
Os �ndios parecem pensar que � minha mulher.
V� dormir que ficarei de vigia.
Tudo bem.
Obrigada.
Boa noite, mulher.
Boa noite, Chefe Grande Bravo.
Qual � o problema? Eles dizem que � louco.
-Que fala de �rabes. -N�o sou louco.
Eu disse a verdade sobre os �rabes. Eles tem nos seguido pelo deserto
por v�rios dias. Tentando nos matar e nos roubar.
-Est�o atr�s do ouro que tem? -Sim.
E preciso de um cavalo para chegar a San Bernardino.
-Voc� conhece esses �rabes? -Um deles.
Hassan, o �rabe. Eles viajam em camelos.
As ovelhas do deserto.
-Onde est� o cavalo? -Est� l�.
� um bom cavalo. Ele te levar� a San Bernardino.
Ele disse que voc� fez uma oferenda em ouro que ajudar�
a cuidar dos idosos e doentes por muito tempo.
Ele quer que protejamos voc�s at� sa�rem do assentamento.
Al�m disso, te mostrarei um atalho que diminuir� a dist�ncia pela metade.
Se proteja, May.
Um dos �rabes fugiu com os camelos.
Ent�o n�o precisamos mais nos preocupar.
Adeus, amigo.
Feliz natal.
-Feliz natal, Srta. Smith. -Feliz natal.
-E realmente me chamo Smith. -Ent�o n�o teremos que mud�-lo.
Legendas - Danilo Carvalho
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